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    'Elfo na Prateleira' expõe ‘situações horríveis’ enfrentadas diariamente por cadeirantes

    'Elfo na Prateleira' expõe ‘situações horríveis’ enfrentadas diariamente por cadeirantes


    Alfie estava inconsolável depois de não conseguir usar o banheiro em um supermercado...

    Neste mês de dezembro, crianças em todo o mundo se encantarão com seu 'Elfo na Prateleira' fazendo travessuras pela casa. Inspirada no livro Elf on the Shelf: AChristmas Tradition, publicado em 2005 nos Estados Unidos, a brincadeira consiste em colocar o boneco em vários pontos da casa para observar as crianças e "contar ao Papai Noel" como se portaram. As obedientes, claro, receberão seu presente no dia de Natal.

    Mas, para uma família de Cornwall, no Reino Unido, seu elfo não conseguirá subir as escadas ou se esconder em lugares inusitados.

    O elfo Alfie (@Elf_On_Wheels) usa cadeira de rodas e, neste Natal, está chamando a atenção para a quase interminável lista de problemas enfrentados por pessoas com deficiência: desde banheiros não adaptados até a falta de rampas nas principais ruas.

    O elfo representa o filho de Rachel George, Adam, de 11 anos, que enfrenta os mesmos desafios que Alfie quase que diariamente. Rachel, que tem dois filhos, não queria invadir a privacidade de Adam, mas estava desesperada para compartilhar os obstáculos imperdoáveis enfrentados por ele todos os dias. Por isso, decidiu documentar a vida de Alfie.

    "As coisas que Alfie está enfrentando são todas as coisas que meu filho tem enfrentado", disse Rachel ao HuffPost UK. "É difícil compartilhar algumas coisas, porque me preocupo com a privacidade de meu filho e não compartilharia nada que o deixasse constrangido no futuro. Não compartilharia uma foto de meu filho enganchado ao vaso, mas acho importante que as pessoas vejam, para que entendam como isso é normal", acrescentou.

    "O elfo Alfie gentilmente deu permissão para tirar fotos suas e compartilhá-las on-line."

    O elfo Alfie se tornou uma espécie de porta-voz para 13,3 milhões de pessoas com deficiência no Reino Unido.

    Rachel, cuidadora em tempo integral e educadora no lar que escreve no blog ordinaryhopes.com, explica: "As pessoas com deficiência enfrentam muitas dificuldades, mas frequentemente não gostam de mencioná-las. As pessoas enfrentam dificuldades, assim como Alfie, todos os dias", afirma.

    "Às vezes, quando reclamam, ouvem que não deveriam esperar ser capazes de ir a todos os lugares, e isso machuca. Também faz com que outras pessoas tenham menos disposição de se manifestar", continua.

    "O elfo Alfie está preparado para enfrentar tais comentários sem se magoar, porque está cheio de determinação e espírito natalino. Alfie me proporciona uma maneira divertida e leve de dizer coisas sérias sobre situações muito reais e horríveis."

    A família enfrenta dificuldades e exclusão todos os dias, e Rachel, de 42 anos, diz que, ao longo do tempo, "todas essas coisas se acumulam e magoam".

    Por exemplo, na cidade onde moram, muitas das lojas têm degraus, tornando praticamente impossível para a família levar o filho a esses lugares, bem como a atrações turísticas e parques locais, que não estão adaptados para usuários de cadeiras de rodas.

    "A maioria dos parques não tem nada acessível para Adam", explica Rachel. "Você pode imaginar as reclamações de pais de crianças sem deficiências físicas se os parques locais não tivessem brinquedos? Para meu filho, os parques poderiam também ter um grande sinal com o símbolo de uma cadeira de rodas e os dizeres 'Mantenha-se à Distância!".

    Também há a questão de acessibilidade aos banheiros, que Rachel descreve como um "grande problema", especialmente porque, em alguns casos, ela teve de deixar a porta aberta enquanto o filho ia ao toalete.

    Ela explica: "Muitos lugares pensam que atender a padrões mínimos é o suficiente, mas acho que, no mínimo, devemos ser capazes de ir ao toalete e fechar a porta. Os toaletes de nosso zoológico local nem sequer permitem que façamos isso".

    "Meu filho consegue usar o banheiro, mas precisa de um gancho para alçá-lo de sua cadeira de rodas e um assento para que se apoie sobre algum tipo de revestimento e coloque seu colete sanitário antes de ser sustentado sobre o vaso."

    Segundo ela, é um equipamento de instalação simples e que não necessita de muito espaço. "Nosso banheiro em casa mede 2,28m x 2,54m e conseguimos instalá-lo."

    O grupo de organizações britânico Changing Places faz campanhas a favor de banheiros totalmente adaptados e mais espaçosos, com assentos de altura justáveis e ganchos. No entanto, atualmente existem apenas 1.044 toaletes adaptados em todo o Reino Unido, muito menos do que o necessário para as centenas de milhares de pessoas que precisam deles.

    Até agora, o elfo Alfie ajudou a chamar a atenção para as inadequadas instalações sanitárias em sua comunidade. Depois que Rachel postou a experiência de Alfie em uma loja da Sainsbury nas redes sociais, onde o elfo foi ao café para comer uma "mince pie" [empada natalina com frutos secos, sebo e carne moída] e não conseguiu usar o banheiro -- porque este não atendia às suas necessidades --, ela recebeu uma ligação do gerente da loja dizendo que eles estavam fazendo tudo o que podiam para corrigir o problema.

    "O gerente daquela loja me ligou para dizer que ficou triste ao tomar conhecimento de nossa história", lembra. "Ele [disse que] irá fazer todo o possível para encontrar uma maneira de que a equipe responsável por alterações nas lojas instale um gancho e mude o assento instalado, e assim todos possam comprar, comer, beber e ir ao toalete na loja", explicou. "Ele irá me ligar em algumas semanas com mais informações."

    Uma coisa que Rachel quer fazer com a ajuda de Alfie é destacar as empresas que oferecem serviços positivos para pessoas com deficiência. "Estamos destacando todos aqueles que estão 'na boa lista', como a GM Coachworks, que chegou em menos de 24 horas para consertar o guincho da cadeira de rodas de nosso carro", acrescenta. "Eles entenderam que um guincho quebrado significava que não podíamos sair e foram brilhantes."

    As histórias de Alfie também estão educando o público em geral sobre questões relacionadas às pessoas com deficiência que muitos desconhecem.

    "As pessoas que não sabiam sobre as dificuldades enfrentadas por usuários de cadeira de rodas me contataram dizendo que é muito útil ver as aventuras de Alfie", explica.

    "Ao mesmo tempo, usuários de cadeiras de rodas podem compartilhar fotos de Alfie com problemas de acessibilidade sem que ninguém sugira que estão reclamando sem necessidade."

    Na corrida até o Natal, Alfie visitará atrações locais e fará algumas compras natalinas para ver como as empresas estão se saindo para atender às pessoas com deficiência.

    Em última análise, Rachel quer que Alfie ajude a tornar o mundo um lugar melhor para as pessoas com deficiência -- incluindo seu filho --, de modo que possam viver sem se sentirem alienados ou discriminados, o que pode ter um grande impacto sobre a qualidade de vida de uma pessoa.

    "Adam enfrenta desafios quase todos os dias em que saímos -- enquanto ele for criança, posso fazer muita coisa para aliviar esses desafios e protegê-lo deles, mas um dia ele será um adulto e não quero que enfrente as mesmas dificuldades que as gerações anteriores enfrentaram", diz.

    "Precisamos desafiar as coisas agora ou nada mudará."

    Rachel espera, de todo o coração, que 2018 seja menos difícil para os usuários de cadeiras de rodas.

    "A Lei de Igualdade é antecipatória. Empresas e organizações devem olhar para a frente para identificar o que precisa ser feito para que ninguém seja tratado de forma menos favorecida devido à sua deficiência", explica.

    Como parte disso, ela quer ver lojas, atrações turísticas, supermercados, teatros e centros de lazer se perguntando o que podem fazer para melhorar suas instalações.

    Rachel também quer ver a acessibilidade aos sanitários abordada em larga escala.

    "A acessibilidade aos banheiros é uma questão importante. Ninguém reservaria entradas ao teatro e um restaurante se o teatro não tivesse banheiros -- ainda assim, isso é exatamente o que enfrentamos", afirma.

    "Meu filho fingiu que estava doente no ano passado para evitar ir ao cinema com os amigos, porque sabia que não havia toaletes na cidade."

    "A acessibilidade aos cinemas é, muitas vezes, também muito precária, com um espaço para cadeira de rodas etiquetado no fim de uma fileira, em uma posição em que você precisa erguer o pescoço. Se você precisa de um cuidador, mas também vai com amigos, precisar sentar-se perto de seu cuidador, porque há apenas um assento ao seu lado. Por que os assentos não podem ser removidos de áreas dentro do cinema para que os usuários de cadeiras de rodas possam realmente estar com seus amigos?".

    "Meu filho merece uma vida melhor. Todos merecemos. A igualdade tem de significar todos."

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

    LEIA MAIS:'Tem que melhorar', diz Doria após testar calçadas em cadeira de rodasEm busca de maior inclusão social, Lego lançou nesta semana seu primeiro boneco cadeirante

    2018: À procura de um pai

    2018: À procura de um pai


    Para 2018, queremos um pai. Um estruturador para por ordem na...

    A despeito da discussão sobre gênero que vem ocorrendo frequentemente por aí, papéis estereotipados de pai e mãe ainda permeiam a cultura. E para desalento do País, o Brasil órfão/vítima está à procura de um pai para 2018.

    Um estudo bastante interessante (que mereceria uma postagem própria), feito no centro-oeste dos Estados Unidos, convocou estudantes universitários a opinarem sobre estereótipos relacionados ao papel de pai. Aos 663 participantes, perguntou-se sobre diversos "tipos" de pais, do divorciado ao pai gay.

    De maneira geral, as características foram enquadradas em cinco dimensões. Há uma dimensão que compreende características como o pai provedor ("Isso nem passa pela minha cabeça, eu dei uma boa educação, fui pai presente, não corro este risco"), arrimo de família ("Eu quero saber se o povo está na merda e quero tirar o povo da merda em que ele se encontra"), aquele que trabalha e dá duro ("Durante toda minha vida, vivi em crise. Sou de uma terra que se até cinco anos de idade você não morreu de fome, é um milagre").

    Uma segunda dimensão compreende o pai cuidadoso, dedicado, amoroso ("Eu quero voltar a ser o Lulinha paz e amor"), mas também o forte e disciplinador ("O soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde").

    A terceira dimensão diz respeito ao pai arrogante ("Sou uma curva fora do ponto (sic). Um operário sem diploma que chegou à Presidência", "Deviam estar pedindo bênção para mim, pois nunca ganharam tanto dinheiro"). As outras duas dimensões contêm características como o pai orgulhoso ("Eu tenho consciência de que tivemos o maior programa educacional do mundo naquela época, só perdia para a China") eo pai maduro e bem-intencionado ("Volto a ser candidato porque me sinto ainda mais maduro e preparado, pois aprendi bastante nos últimos anos, muitas vezes com sofrimento e injustiças").

    No Brasil, a questão não muda muito. Apesar da concepção do papel do pai estar mudando bastante nos últimos anos, ainda é muito frequente que papéis mais tradicionais sejam solicitados. O pai de hoje está mais próximo do filho, é mais afetivo, está dividindo o papel de provimento financeiro familiar com a mulher. Mas ainda nos encontramos em um momento de transição em que o velho pai ainda é muito evocado, segundo revisão feita por Mauro Luís Vieira e colegas para os Arquivos Brasileiros de Psicologia.

    Mas não é preciso de estudos para que venham a nossa mente as qualidades características atreladas à paternidade. E também é perceptível que os dois pré-candidatos que lideram os cenários de pesquisas eleitorais para a disputa pela presidência em 2018 encarnam tais papéis.

    O pai lutador, provedor, injustiçado, guerreiro. O pai disciplinador, rígido, austero. As frases em parênteses são meros lembretes pictóricos colhidos do discurso de cada um. Há inúmeros outros exemplos, estão à disposição em textos, vídeos, citações. Estão à disposição na nossa livraria arquetípica interna quando observamos a postura tanto de um quanto de outro.

    Com a crise, ficamos órfãos. Perdemos emprego, a renda caiu, o poder de compra foi para as cucuias, direitos tiveram de ser cortados. Vimos o caos e a desordem, econômica e política. Presenciamos o desrespeito às leis e regras com a corrupção em sua apoteose. A bonança do paternalismo, do Estado que tudo dá, se foi, assim como a confiança na classe política. E para isso, em 2018, queremos um pai. Um estruturador para por ordem na bagunça.

    Não importa que um seja réu em sete ações, tendo sido condenado em uma delas. Não importa que o outro emita juízos de valor altamente preconceituosos. Fingimos não ver. Como aquele garotinho já a entrar na adolescência que, no fundo, sabe que Papai Noel não existe, mas que se recusa a não acreditar nele. Gostamos de acreditar em mentiras, fechar os olhos para certas coisas. É gostoso viver de ilusões quando não se quer encarar a dura realidade.

    O pai morreu, mas ainda somos paternalistas. Não aceitamos o fato, não aceitamos a morte, deixamos o quarto dele sempre arrumado, esperando que volte. Sinceramente esperávamos o novo para 2018, mas o que as pesquisas mostram é que se este novo não aparecer, ele voltará. Ou melhor, ela. A velha política. Ela se perpetuará, e entraremos de novo no antigo ciclo. Infelizmente.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

    Juiz do DF altera decisão sobre 'cura gay' e permite terapia para fins de pesquisa

    Juiz do DF altera decisão sobre 'cura gay' e permite terapia para fins de pesquisa


    Responsável por permitir psicólogos a promoverem a "terapia de reorientação sexual", popularmente conhecida como "cura gay", o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, restringiu o entendimento em nova decisão nesta...

    Responsável por permitir psicólogos a promoverem a "terapia de reorientação sexual", popularmente conhecida como "cura gay", o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, restringiu o entendimento em nova decisão nesta sexta-feira (15).

    Em 15 de setembro, em uma decisão liminar (provisória), ele escreveu que o Conselho Federal de Psicologia (CFP) não deveria impedir "atendimento profissional, de forma reservada, pertinente à (re)orientação sexual". Na decisão desta sexta, ele limita esse tipo de atendimento à "plena investigação científica dos transtornos psicológicos e comportamentais associados à orientação sexual egodistônica".

    De acordo com a Classificação Internacional de Doenças, egodistonia é um transtorno relacionado à aceitação da identidade ou da orientação sexual.

    Na avaliação do magistrado, é dever do Judiciário "impedir que o CPF, ainda que motivado no combate à homofobia, leve a efeito qualquer espécie de censura aos psicólogos que queiram promover eventual estudo ou investigação científica relacionada à orientação sexual egodistônica". Carvalho afirma ainda que a Constituição assegura a liberdade de pesquisas na área:

    Ele confirma esse entendimento em outro trecho da decisão.

    Carvalho ressalta que, embora atendimentos desse natureza estejam liberados para psicólogos nessas condições, a propaganda deste tipo de terapia está vedada.

    O magistrado responde a pedido de três psicólogos eu uma ação popular em que alegam estar sendo alvo de perseguição pelo Conselho Federal de Psicologia. A Resolução nº 001, de 22 de março de 1999 do Conselho, determina que os psicólogos "não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados".

    A decisão deixa claro ainda que os profissionais "não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades" e restabelece, na íntegra, a validade da resolução do CFP.

    A norma segue orientação da OMS (Organização Mundial da Saúde), que, em maio de 1990, deixou claro que a homossexualidade não é doença ao retirar a orientação sexual da lista de doenças mentais do Código Internacional de Doenças.

    No artigo 3º, o conselho federal determina que os psicólogos não podem "patologizar" – ou seja, tratar como doença – "comportamentos ou práticas homoeróticas". Também não podem adotar "ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados".

    A 'cura gay' e a psicologia

    Em nota enviada à imprensa, o CFP afirma que vai recorrer da decisão, classificada como "equivocada".

    "O CFP e os Conselhos Regionais de Psicologia afirmam que, ao contrário do que alega a ação inicial, a Resolução 01/99, em nenhum momento da sua história, impediu ou restringiu o atendimento psicológico a pessoas de qualquer orientação sexual. O limite ético desses atendimentos se dá na proibição de práticas relacionadas à reorientação sexual e a violação da dignidade das pessoas", diz a nota.

    O posicionamento ainda afirma que acategoria psiquiátrica "egodistonia por orientação sexual" é comumente usada para problematizar a Resolução CFP 01/99 e que a psicologia propõe uma outra leitura sobre os sofrimentos decorrentes das chamadas "homossexualidades egodistônicas":

    "Entende-se que os sujeitos egodistônicos não se sentem confortáveis com a orientação sexual homossexual vivenciada. Alguns grupos contrários à resolução sugerem que profissionais da Psicologia deveriam oferecer tratamentos que supostamente possibilitariam a mudança da orientação sexual desses sujeitos", diz a nota.

    Para o CFP, "não se trata de negar o sofrimento que as pessoas homossexuais são acometidas decorrentes da LGBTfobia, porém entender que o sofrimento não está nas orientações sexuais em si mesmas (homossexualidade, bissexualidade ou heterossexualidade), mas relacionadas às condições sociais que atribuem sentido pejorativo às suas expressões e vivências, prejudicando a qualidade da vida psíquica e social".

    O Conselho ainda faz questão de reiterar que a a Resolução 01/99 impacta positivamente o enfrentamento aos preconceitos e na proteção dos direitos da população LGBT no contexto social brasileiro, que apresenta altos índices de violência e mortes por LGBTfobia.

    "Em um país que desponta na quantidade de pessoas assassinadas por orientação sexual, não cabe à Psicologia brasileira a produção de mais violência, mais exclusão e mais sofrimento a essa população estigmatizada ao extremo. A Psicologia brasileira não será instrumento de promoção do sofrimento, do preconceito, da intolerância e da exclusão", finaliza a nota. Leia o posicionamento completo.

    A 'cura gay' em discussão

    Em setembro, a decisão liminar ganhou grande repercussão por ser entendida por ativistas como uma volta da discussão sobre a "cura gay". Para o advogado e militante de direitos humanos Renan Quinalha a decisão do juiz é paradoxal, a decisão permite a patologização da homosexualidade.

    "Ele tem como premissa que a homossexualidade não é doença (...) Isso é uma maneira de impor sofrimento à essa população, além de não ter evidências científicas de sua eficácia", afirmou à época em entrevista ao HuffPost Brasil.

    No Congresso, parlamentares conservadores apresentaram propostas para anular a resolução do CPF. Em 2011, João Campos (PSDB-GO) protocolou na Câmara dos Deputados um projeto de Decreto Legislativo nesse sentido. Em 2016, outro projeto de Decreto Legislativo com o mesmo objetivo foi apresentado pelo deputado Pastor Eurico (PHS-PE).

    *Esta matéria foi atualizada às 22h44 desta sexta-feira (15) para inclusão do posicionamento do Conselho Federal de Psicologia sobre a decisão do juiz.

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    Por que o autoritarismo de professores é sinal de incompetência

    Por que o autoritarismo de professores é sinal de incompetência


    É impossível construir uma relação saudável entre professor e alunos quando os pensamentos, as ações e os objetivos daquele encontro pedagógico são mesquinhos.Tanto a arrogância com que muitos professores e alunos se julgam um ao outro, quanto...

    É impossível construir uma relação saudável entre professor e alunos quando os pensamentos, as ações e os objetivos daquele encontro pedagógico são mesquinhos.

    Tanto a arrogância com que muitos professores e alunos se julgam um ao outro, quanto a complacência com que se julgam a si mesmos, ambos são comportamentos antiéticos que frequentemente evoluem para práticas educativas desleixadas ou autoritárias.

    Para constituir um espaço pedagógico estimulante e significativo, é indispensável criar um clima de respeito mútuo. Este só nasce de relações justas, francas, equilibradas e generosas, em que tanto a autoridade do professor quanto as liberdades dos alunos se assumam criticamente.

    Alguns dizem que o poder corrompe, outros dizem que o poder apenas revela o caráter das pessoas. Esse é um problema ainda não muito bem resolvido. Mas Paulo Freire deixa claro que professores que passam a experimentar aquele "gozo irrefreável e desmedido pelo poder" perdem completamente as condições de educar.

    E o raciocínio de Paulo Freire é dialético: tanto os negligentes, que não se mostram interessados em exercitar a legítima autoridade para coordenar uma sala de aula, quanto os autoritários, que sentem um prazer secreto em intimidar, constranger e humilhar, não conseguem educar.

    Deste modo, o mandonismo, esse autoritarismo arcaico de quem tem mais prazer em desfrutar de sua posição de poder do que de liderar, desafiar a inteligência e, enfim, educar as crianças e jovens arruína o espírito aventureiro dos alunos na sua busca aberta, inquieta e permanente por aprendizagem. Além de impor obstáculos à criatividade, em vez de estimulá-la.

    A mesma coisa poderíamos dizer de pais e alunos que destratam os educadores. Famílias e poder público devem honrar os trabalhadores da educação com respeito e a dignidade. Estas são condições indispensáveis para criar um ambiente em que professores e professoras se sintam seguros e tenham condições de aprender e ensinar com excelência.

    É por isso que a luta em defesa dos educadores é uma ação decisiva para a qualidade da educação de crianças e jovens. Para combater práticas negligentes ou autoritárias, garantindo uma experiência educativa fundada na generosidade, é indispensável investir em formação docente continuada.

    Assim, se conseguirá assegurar trajetórias profissionais estimulantes e desenvolver as competências científicas e pedagógicas indispensáveis que sustentam a segurança profissional dos professores e professoras comprometidos com a educação.

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    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    As diferentes histórias de mulheres que exaltam a força feminina

    As diferentes histórias de mulheres que exaltam a força feminina


    Force is femaleEu sempre fui à frente de tudo.No meu tempo, fui escada. Pisei degrau por degrau.Soube entrar, soube sair. A cabeça erguida.Eu quero me ver de cima.Levantei minhas próprias paredes.Me fiz reboco, fui remendo.Abri portas e construí...

    Force is female

    Eu sempre fui à frente de tudo.

    No meu tempo, fui escada. Pisei degrau por degrau.

    Soube entrar, soube sair. A cabeça erguida.

    Eu quero me ver de cima.

    Levantei minhas próprias paredes.

    Me fiz reboco, fui remendo.

    Abri portas e construí janelas, onde ali pudesse ver um caminho possível.

    Num mundo que não nos acolhe, cobra e me quer fortaleza.

    Fui limpeza em (in)cômodos alheios. Labuta braçal cotidiana.

    Me dei casa, me dei comida. Eu me fiz alimento.

    Em um quarto que me querem despejar, eu não entrei.

    Eu sou um templo: sagrado e feminino ser.

    Soube ser força bruta.

    Soube ser abraço em laços de desafeto.

    Soube ser dança em territórios não meus.

    Sobre não ser vista, Aparecida que sou.

    Eu sou espelho.

    Meus olhos fatigados devolvem amor próprio em "eu te amo".

    Sou um carro inteiro de destaque nessa passarela que não me querem passar.

    Eu não estou só.

    Sou espelho e juntas somos múltiplos reflexos.

    Se nos querem anular, não sucumbimos.

    Se nos querem nuas, somos corpo blindado.

    Se nos querem sugar, não deitamos.

    Se nos querem esgotar, somos resiliência.

    Se nos querem sozinhas, somos a soma.

    Valderez Souza Silva, 61 anos

    A paulistana Valderez Aparecida de Souza Silva tem 61 anos. Aposentada, é por inquietação própria que continua trabalhando. Começou aos 13. Sua mãe era diarista. Ela também. Da pouca demonstração de amor recebido, fez contrário: deu atenção, deu carinho. A falta que ama foi preenchida com frequentes e espontâneas doses d'eu te amo: Renato, Regina e Ricardo; seus três filhos.

    "Eu quis dar o amor que não recebi, dizer que amo de forma natural. Quando você tem um filho, você muda. Mãe é aquela leoa, a gente se sente diferente e melhor."

    Val, como é conhecida e gosta de ser chamada, nasceu no Jaçanã, distrito da zona norte de São Paulo. Mas o destino a quis perto do mar. No Guarujá, encontrou o pai de seus filhos. Um erro achar que apenas a presença masculina seria suficiente. Foi pela disritmia de seus passos que não puderam mais caminhar juntos. E, de idas e vindas na relação, onde Val pudesse entrar, os filhos seguiam sempre junto dela.

    Deixou casa. Morou de aluguel. Morou em barraco. Morou no silêncio de seu sonho em construir uma casa de alvenaria.

    Por anos, conciliou a educação dos filhos com o trabalho. Ela que, na juventude, criou e costurou suas fantasias de carnaval; passista que era. Val nunca parou de se movimentar. E, se para, é como se algo estivesse errado. Ela é movimento.

    Numa tentativa de conciliar trabalho, filhos e universidade, fez um ano e meio de letras. O desejo era psicologia. E talvez, muito em breve, você a encontre em alguma próxima turma para concretizar no agora o que a vida não lhe reservou como tempo livre. Para ela, as oportunidades que nos surgem diante dos olhos precisam ser agarradas com coragem. É preciso saber deixar vir e deixar ir, com respeito e afeto pelas pessoas. Um lema.

    Regina Ferreira, 28 anos

    Seu nome é uma homenagem ao avô, que teve cinco filhos homens, todos de iniciais R. Quando a primeira neta veio, chamou-se Regina Aparecida Ferreira da Silva. A memória que ela melhor guarda de seu pai, Renato, é a de suas pesquisas em livros. "Mas, pai, o que é resiliência?"/"Pegue o livro na estante e procure". Havia ali um ensinamento maior, de quem dava indícios de que o que se quer na vida, se busca.

    Regina cresceu com total referência da mãe, Valderez, que não mediu esforços para criar os filhos, ainda que a vida teimasse o contrário. Começou a trabalhar aos 14, numa barraca de praia no Guarujá. Eram 15 reais diários: um dia para a mãe, no outro para a filha. Tem dois irmãos, um mais novo, outro mais velho. Ser a irmã do meio lhe exige responsabilidade e dupla jornada de equilíbrio.

    "Por ver minha mãe se privando, as brigas com o meu pai, eu pensava que era preciso fazer alguma coisa, ajudar. E vejo como absorvi tudo dela, de como ela dá tudo que não teve, de como encontra disposição, lida com os valores e a educação."

    Adolescente que era, também queria ter sua própria autonomia em não pedir à mãe. A primeira aquisição foi o material escolar que, na maioria das vezes, vinha por intermédio da patroa de Val. Comprou mochila com estampa de surf e um fichário, desses em que se pode organizar as páginas preenchidas e retirar as que não nos servem. Metáfora para a vida.

    Regina nunca pensou ser modelo. Mas, por seu 1,79 e recorrentes "você é exótica" e "modelos são esquisitas mesmo", ela tentou uma agência em Santos. Encontrou apoio para produção de um book, que seria pago quando houvesse um trabalho na área. Nunca houve. À época, tinha 17 anos. O pai havia morrido aos 46.

    Nutria um desejo de morar fora do país e trabalhar com dança. Sonho que se concretizou breve. Aos 18, fez teste para uma companhia de dança. Foram cinco meses na Itália e um na Eslováquia, com apresentações de 1h15 junto a outras dançarinas brasileiras. A disciplina somada à pressão psicológica dizia que só podiam ligar para casa a cada 15 dias; além da polícia batendo à porta em busca de passaportes ilegais.

    Regina regressa ao Brasil. Havia uma casa e braços para voltar. Nunca foi de permanecer em lugar onde não se sinta feliz, onde não seja ela mesma. Formou em produção de moda e passou a trabalhar com eventos e como modelo, ainda que por vezes seja tratada como estrangeira no próprio país.

    Os corres não cessam. Cuida para que a mãe possa parar de trabalhar, tirar um lazer e, enfim, cuidar de si. Cuidarem-se. Fica o desejo de que as próximas mulheres de suas vidas não precisem de tantas batalhas ou agruras. E que poder fraquejar sem perder potência e beleza seja, de fato, possível.

    Elizabeth Magalhães, 56 anos

    Sem hífen, Guarda Roupa SP é resultado de um acervo de 35 anos, fruto da dedicação da figurinista Elizabeth Magalhães. Mas há apenas dois, Betinha, como é chamada por quem bate à sua porta em busca de figurinos e styling para produções de moda, se mistura a cabides, casacos e sapatos que possam ser reinventados e reutilizados. A permissão é dada.

    Com proposta criativa, diante da crise econômica, ela deu novo sentido e botou pra jogo o que poderia ser um amontoado de lixo parado. Avessa ao consumo excessivo e afeita ao "invés de comprar, recicle", Beth abriu as portas desse montão e cativou interessados em vestimenta de boas ideias, aproximando universos editoriais, cinema e publicidade.

    "Eu nunca fui uma pessoa que usa o que está na moda. Quando a procura pelo Guarda Roupa SP começou, pra mim, foi um presente ver a roupa sendo usada de outro jeito, poder intervir e colocar na rua. E de como outras pessoas podem pensar o próprio guarda-roupa e utilizar de outra maneira."

    Localizado na Vila Mariana, em São Paulo, o local recebe gente interessada em dar nova finalidade ao uso de todas essas roupas e figurinos. Ela não aceita o título de "caridosa", já que aquilo virou um quase negócio. Quase, porque não envolve dinheiro, mas permutas e parcerias, onde algumas delas até transcendem o âmbito profissional.

    A proposta de transformação a acompanha no ambiente de trabalho e também em casa, com quem partilha a companhia do filho de 16 anos e da mãe. Quando João Francisco nasceu, depois de 15 dias, ambos estavam em um set de gravação, trabalhando. Funções que não se separam: mãe, mulher e profissional.

    Nas produtoras por onde passou, ali estimulou que o trabalho se adequasse, fosse minimamente respeitando o horário excessivo de expediente e/ou maternidade. Exigência nem sempre atendida. Hoje, o Guarda Roupa SP, além de lugar de troca é também exercício de escuta, onde acumula relatos de suas clientes sobre a batalha cotidiana de mulheres em ambientes machistas, como o da publicidade.

    Na aparência, a subversão do cabelo longo como moldura do rosto, como coisa de ficar mais feminina, ela resolve na tesoura quando bem dá vontade. Ainda que para o outro, isso nem sempre seja sinônimo de entendimento de si, é só rebeldia. Esse rótulo de "mais moderna do mundo" ela também recusa. "Isso não é ter coragem. Coragem é levantar todos os dias".

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    O erro de JK Rolling ao defender a escalação de Johnny Depp para 'Animais Fantásticos'

    O erro de JK Rolling ao defender a escalação de Johnny Depp para 'Animais Fantásticos'


    Provavelmente, JK não teria qualquer chance de trocar o astro do filme, mas a sua falta de empatia com as vítimas e com os fãs é realmente grave e...

    A polêmica da vez está girando em torno do fato de JK Rowling defender a presença de Johnny Depp no próximo filme do universo de Harry Potter, do qual é autora. O ator foi acusado de violência doméstica por sua ex-esposa, Amber Heard, e desde então a opinião pública em relação a ele não tem sido favorável.

    Fãs da série acreditam que o passado do ator não condiz com o universo criado por JK - e recorreram a ela para impedir sua participação no elenco. Ela, porém, não voltou atrás, afirmando em comunicado que o que aconteceu entre o casal é um assunto privado, que ficou resolvido entre o casal (que chegou a um acordo na justiça) e que "consciência não é governável por comitê".

    Eu definitivamente perdi o trem dos fãs de Harry Potter. Simpatizo com a série, mas nunca compartilhei do impacto que ela teve em minha geração. Dessa forma, nunca idealizei a JK - considero-a uma grande autora, com um posicionamento bacana em seu Twitter de vez em quando, mas sua queda do bastião onde foi colocada definitivamente não é traumática para mim.

    Embora as mulheres estejam lutando bravamente por isso, ainda não ficou claro, para muita gente, que associações a estupro, violência doméstica e outros crimes relacionados (e agressões que escapam à forma da lei também, diga-se) devem ser evitadas como a peste. É perder prestígio.

    No estado atual das coisas, pouco importa que Johnny e Amber sejam até mesmo amigos agora (não são) - o simples fato dessa possibilidade pairar sobre a cabeça do ator é suficiente para questionar profundamente a sua presença no projeto, especialmente em um voltado para o público infanto-juvenil.

    Não se trata de uma questão de justiça formal, mas de um posicionamento ativo de combate à violência contra a mulher. Provavelmente, JK não teria qualquer chance de trocar o astro do filme, mas a sua falta de empatia com as vítimas e com os fãs é realmente grave e decepcionante.

    Feminismo branco

    Outra importante distinção que deve ser feita é a de que JK é uma mulher branca. E o feminismo branco é muito perigoso. Mulheres brancas, especialmente poderosas como JK, devem ser tão cobradas por seus privilégios de raça quanto qualquer homem por seus privilégios de gênero.

    É difícil não colocá-la na mesma sacola onde estão Lena Dunham (a líder!) e Kate Winslet, que recentemente também se colocaram publicamente ao lado de homens acusados de estupro. As três são feministas, em teoria, mas feministas brancas. Aqui, quero pontuar algumas importantes distinções que devem ser feitas. A primeira é que, sob uma perspectiva exclusiva de gênero, elas não são piores que os homens que fazem o mesmo.

    Toda a rebordosa que a JK está sofrendo pelo que disse não se dá pelo fato de ela ser mulher - mas por sua posição de poder. Ela não é uma pessoa irrelevante no contexto cultural: ela é a mente por trás de uma franquia multibilionária com fãs no mundo inteiro. Sua inação é revoltante. Ser mulher não a coloca acima de críticas. Se você acha que ela está sendo vítima de machismo, então precisa voltar três casas.

    Existe uma resistência muito grande em relação à isso dentro do feminismo, que se manifesta no pensamento de que somos todas iguais, mas não somos e não existe prioridade de recorte quando se fala em relações de opressão. Nenhuma autora negra jamais chegou perto de onde JK está hoje, mas mulheres não brancas são desproporcionalmente mais suscetíveis à violência doméstica e ao feminicídio.

    Somente uma pessoa muito pouco comprometida com o feminismo poderia dizer que sua "consciência não é governada por comitê". Queremos, sim, que ela seja governada por humanidade, por compaixão, por empatia, por um entendimento coletivo de que violência doméstica é absolutamente inaceitável.

    Essas mulheres brancas que estão em posições de poder precisam urgentemente usar sua influência para o bem, porque enquanto elas estão pensando nos seus amigos agressores, um grande número de nós está sendo estuprada, apanhando e morrendo na mão de homens da mesma estirpe. Se tantas pessoas dão ouvidos a elas, que usem essa atenção para estar ao lado das mulheres, e não dos agressores.

    O privilégio que as protege e dá a liberdade de abertamente duvidar de vítimas precisa ser questionado - e ele está tanto na classe social quanto na cor da pele. O desserviço que JK está prestando para o feminismo é suficiente para decepcionar fãs no mundo inteiro, mas provavelmente não abalará sua fortuna e alcance. Desejo, apenas, que ela passe a ser vista não mais como a voz dos oprimidos - ela só é boa nisso na ficção.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    Dustin Hoffman é acusado de assédio por mais 3 mulheres

    Dustin Hoffman é acusado de assédio por mais 3 mulheres


    Advogado de Dustin Hoffman enviou uma carta ao proprietário da "Variety" alegando que as acusações são "falsidades...

    O ator norte-americano Dustin Hoffman foi acusado de abuso sexual por mais três mulheres nesta quinta-feira (14). Uma delas era menor de idade quando foi molestada, segundo informações da revista Variety.

    As vítimas descreveram "incidentes predatórios" envolvendo Hoffman. Uma delas é Cori Thomas, que na época, em 1980, era colega de escola da filha do ator, Karina.

    As duas amigas passeavam pela cidade com ele, até que foram para um hotel para aguardar os pais de Cori. No local, Karina se retirou para fazer lição de casa. Pouco depois, o intérprete tomou um banho e apareceu nu no quarto para Thomas. Ele teria dito: "Eu estou nu. Você quer ver?" e teria pedido uma massagem nos pés.

    A outra vítima é Melissa Kester, que conheceu Dustin nas filmagens de "Ishtar". Ela disse que contava seus projetos para ele, que parecia interessado. Até que em um dia de gravação, o ator pediu para chamá-la porque estava "entediado".

    "Quando Kester entrou na sala, Hoffman agarrou-a e colocou suas mãos dentro das calças dela", diz a publicação. A terceira mulher, que pediu para não ser identificada, também participou da produção de "Ishtar".

    Dustin a teria chamado para os estúdios no último dia de filmagem, quando acontecia uma festa, que acabou tarde. Ele ofereceu uma carona e ela aceitou. Então, no banco de trás do carro, tocou nas partes íntimas da moça. Dustin não comentou a repercussão das histórias.

    Porém, seu advogado Mark A. Neubauer enviou uma carta ao proprietário da "Variety", a Penske Media Corp, alegando que as acusações são "falsidades difamatórias".

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    Gay aos 13 anos? O poder de ter uma família inclusiva

    Gay aos 13 anos? O poder de ter uma família inclusiva


    E por isso dou meus parabéns aos pais desse garoto. Eles estão permitindo que desde cedo ele descubra o que é amor, plenitude e felicidade. Obrigado por serem esses...

    Gostaria de poder dizer aos pais do menino-do-parabéns-polêmico que eles foram incríveis ao permitirem que o filho viva a maravilha de poder ser ele mesmo.

    Nos meus 13 anos, eu já tinha noção do tipo de pessoa que me atraía, mas evitava ao máximo permitir que alguém descobrisse isso, porque fui ensinado que era errado se fosse do mesmo sexo que o meu. Me sentia mal porque não tinha um jeito de "desligar" isso em mim. Vinha de dentro, eu não tinha controle.

    Então, vivi minha adolescência diferentemente da maioria das pessoas. Era o tempo todo controlando internamente cada passo, gesto, tom de voz, o que eu ia falar, para quem eu ia falar, qual personagem eu queria ser, que cor eu gostava e com quem eu andava.

    Apesar de ser apaixonado por um garoto, me forçava contra as garotas na esperança de, ou despertar algum desejo que estivesse adormecido dentro de mim, ou provar para os outros que eu estava agindo da forma que um homem deveria se comportar — pelo menos da forma como eu fui ensinado na época.

    Inclusive, uma das formas que eu encontrei para me auto-afirmar era proferindo machismo e homofobia. Um mecanismo de defesa que, aparentemente, surtia efeito. Mas era apenas uma impressão minha que isso aliviava a tensão. Na realidade, só tornava mais explícito que eu tinha um problema.

    E não era só minha família que me ensinava isso. O mundo ao meu redor esfregava isso na minha cara o tempo todo, a vida toda. Era nos filmes, novelas, propagandas, escola.... Como foi difícil na escola. Porque nunca soube de pessoas que sentiam o mesmo que eu. Não se falava sobre isso, então eu tinha mais certeza ainda de que o errado era eu.

    E era desse meu desespero de parecer o errado, a "aberração", o "anormal" que as pessoas sádicas se aproveitavam. Era quando elas podiam se sentir superiores a mim. E quando as palavras não eram suficientes para me ofender, a agressão física era a segunda opção.

    Mas as piores, sem dúvida nenhuma, foram as verbais. As que machucam a alma. As que ficam gravadas no fundo das memórias tristes. Tudo aquilo que, mesmo você tendo superado e dado outro sentido, ainda machuca quando ouve dos sádicos.

    Eu tive que descobrir sozinho quem eu era, com os riscos de aprender isso de forma negativa e equivocada. Por sorte ou destino (ou Deus, para quem acredita) eu me saí até que bem nesse processo. Me tornei um adulto bem resolvido. Mas infelizmente ainda tenho medo do que os sádicos são capazes quando ACHAM que são melhores do que eu por uma simples questão sexual.

    Queria ter vivido plenamente quem eu sou desde pequeno, mas meus pais ainda não estavam preparados, eu hoje compreendo. Talvez isso me tornasse ainda mais forte do que eu sou hoje. Aliás, foi com o filho que eles aprenderam o quanto isso é importante.

    E por isso dou meus parabéns aos pais desse garoto. Eles estão permitindo que desde cedo ele descubra o que é amor, plenitude e felicidade. Obrigado por serem esses pais.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    'Harvey Weinstein foi meu monstro': O assombroso relato do assédio sofrido por Salma Hayek

    'Harvey Weinstein foi meu monstro': O assombroso relato do assédio sofrido por Salma Hayek


    Em artigo publicado no jornal americano The New York Times nesta terça-feira (12), a atriz revela os detalhes da perseguição...

    Harvey Weinstein um cinéfilo apaixonado, um patrono de talento no cinema, um pai amoroso e um monstro. Durante anos, ele foi meu monstro.

    Assim a atriz Salma Hayek começou a tornar público o que a aterrizou secretamente por anos: o assédio e a ameaça de morte que sofreu do diretor de cinema Harvey Weinstein. Em artigo publicado no jornal americano The New York Times nesta terça-feira (12), a atriz revela os detalhes da perseguição.

    Seu inferno começou enquanto perseguia seu sonho: transformar em filme a história da artista plástica mexicana Frida Kahlo. A coragem e a resistência de Frida eram inspirações para a atriz e, para honrar sua estrela, ela não queria menos do que uma obra sofisticada.

    A sofisticação era um "sinônimo" das produções do diretor Harvey Weinstein na época. E por isso Hayek lutou para que sua história também fosse produzida por ele. O peso de ser mulher e mexicana em Hollywood era grande nos anos 1990. Assim, aceitou as más condições que Weinstein lhe ofereceu para produzir Frida.

    A partir de então, passou a viver uma série de investidas:

    "Era a minha vez de dizer não.

    Não para abrir a porta a ele a todas horas da noite, hotel após hotel, locação após a locação, onde ele se aparecia inesperadamente, incluindo uma locação onde eu estava fazendo um filme com o qual ele nem estava envolvido.

    Não para tomar banho com ele.

    Não para deixá-lo me ver tomar banho.

    Não para deixá-lo me dar uma massagem.

    Não para deixar um amigo nu dele me dar uma massagem.

    Não para deixá-lo me dar sexo oral.

    Não para ficar nua com outra mulher.

    Não não não não não ...

    A raiva de Weinstein cresceu e a violência se intensificou. Salma Hayek foi acordada com uma ligação furiosa no meio da noite; foi fisicamente arrastada para fora de um baile de gala e lavada à força para uma festa com prostitutas,; foi, por fim, ameaçada de morte: "Eu vou te matar, não pense que eu não posso".

    Hayek era cada vez mais desumanizada pelo produtor: "a seus olhos, eu não era uma artista. Eu sequer uma uma pessoa. Eu era uma coisa: não alguém, mas um corpo". Para o produtor, a sensualidade era o único atributo de Hayek e ele insistiu o quanto pode para que ela usasse "sex appeal" em sua Frida. Segundo Hayek relata, ele chegou a exigir que ela protagonizasse uma cena de sexo com outra mulher como condição única para continuar interpretando a personagem.

    "Cheguei no set no dia em que gravaríamos a cena que eu acreditava que salvaria o filme. E pela primeira e última vez na minha carreira, tive uma crise nervosa: meu corpo começou a tremer incontrolavelmente, minha respiração era curta e comecei a chorar e chorar, incapaz de parar, como se estivesse atirando lágrimas. [...] Naquele ponto, comecei a vomitar. Tive que tomar um tranquilizante, o que eventualmente parou o choro, mas piorou o vômito."

    Foi em 2003 que Salma viveu este inferno. E foi apenas em 2017 que ela encontrou a coragem de torná-lo público, inspirada por todas as mulheres que denunciaram Harvey Weinstein por assédio sexual e alegações de estupro nos últimos dois meses, a partir de reportagens do jornal The New York Times e da revista The New Yorker.

    LEIA MAIS:É exatamente por isso que as mulheres não denunciaram Harvey Weinstein antesComo o produtor Harvey Weinstein deu uma 'gravata' na mídia norte-americanaApós denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar

    As fotos da chuva de meteoros desta madrugada ficaram incríveis


    Na madrugada desta quarta-feira (13), o céu foi invadido por uma chuva de meteoros visível a olho nu no mundo inteiro. Múltiplas cores, centenas de estrelas e raios luminosos compõem o cenário da chuva da Constelação de Gêmeos (Geminídeas).De...

    Na madrugada desta quarta-feira (13), o céu foi invadido por uma chuva de meteoros visível a olho nu no mundo inteiro. Múltiplas cores, centenas de estrelas e raios luminosos compõem o cenário da chuva da Constelação de Gêmeos (Geminídeas).

    De acordo com a Nasa (Agência Espacial Americana), foram 60 meteoros por hora - um por minuto!

    Se você perdeu este fenômeno maravilhoso, não se preocupe. Segundo a Nasa, os meteoros ainda poderão ser vistos até o final de dezembro, embora com menos intensidade.

    E, também, pode acompanhar as imagens maravilhosas capturadas ao redor do mundo:

    O que são meteoros?

    De acordo com o Observatório Nacional, os meteoros são corpos celestes que se deslocam no espaço e entram na atmosfera da Terra. Ao cruzarem a atmosfera, estes pequenos corpos celestes queimam parcial ou totalmente e liberam um rastro luminoso. É essa "luz" que nós enxergamos como "estrelas cadentes".

    As chuvas de meteoros acontecem mensalmente, mas nem todas são visíveis. Os eventos não oferecem qualquer risco para a Terra.

    LEIA MAIS:Meteoro cruza o Rio Grande do Sul e deixa o céu verdePerseidas: as fotos mais INCRÍVEIS da maior chuva de meteoros de 2015 (FOTOS)
    8 perguntas sobre o que irá acontecer após o novo julgamento de Lula

    8 perguntas sobre o que irá acontecer após o novo julgamento de Lula


    Se for condenado em segunda instância, ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser...

    24 de janeiro de 2018. A data do julgamento em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada, mas as respostas sobre o futuro do possível presidenciável podem ficar para depois.

    Nesta data, o Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) irá julgar recursos do processo sobre o tríplex no Guarujá. Em julho, o petista foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a nove anos e seis meses por corrupção e lavagem de dinheiro.

    O ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira. A defesa de Lula nega as acusações.

    De olho em 2018, Lula tem feito caravanas pelo País. O petista está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. De acordo com sondagem do Datafolha publicada em 2 de dezembro, ele tem 34% das intenções de voto, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 17% e pela ex-senadora Marina Silva (Rede), com 9%.

    Lula será preso?

    O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que condenados em segunda instância podem ter sua pena executada. Isso significa que, se o TRF-4 mantiver a condenação de Lula, ele pode ser preso. É possível, contudo, que ele mantenha a liberdade por meio de uma decisão liminar (provisória) nesse sentido.

    Se a pena de Lula for mantida, a defesa pode contestar a decisão no próprio TRF-4, por meio dos embargos de declaração. Se não obtiver sucesso nessa etapa, os advogados podem recorrer ao STF ou ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), a depender do argumento jurídico. Se for constitucional, cabe ao STF.

    Antes de os recursos serem analisados pelas cortes superiores, contudo, o presidente do tribunal de origem deve avaliar a admissibilidade e até uma suspensão temporária dos efeitos da condenação.

    Lula poderá disputar eleições?

    Se a condenação de Lula for confirmada pelo colegiado, ele poderá se tornar inelegível pelos critérios da Lei da Ficha Limpa. De acordo com a norma, uma pessoa condenada em segunda instância por certos crimes, incluindo corrupção e lavagem de dinheiro, não pode disputar as eleições.

    Nesse caso, a decisão do TRF-4 pode levar a um processo na Justiça eleitoral para impugnação automática da candidatura. Se isso acontece, poderá ser indicado um substituto.

    Essa inegibilidade, contudo, pode ser suspensa temporariamente por meio de uma liminar e definitivamente com um julgamento favorável ao réu no STJ ou STF.

    O tribunal irá manter a condenação?

    Ainda não se sabe. O ex-presidente será julgado na 8ª Turma da Corte, composta por três desembargadores: João Pedro Gebran Neto, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus.

    O relator, João Pedro Gebran Neto, concluiu seu voto, mas ainda não o tornou público. Ele levou cerca de cem dias para dar concluir o documento.

    Nesta terça-feira, (12), o desembargador revisor Leandro Paulsen pediu que fosse marcada a data do julgamento. Ele deverá entregar seu voto no dia 24 de janeiro.

    O julgamento pode ser adiado?

    O terceiro juiz da 8ª Turma do TRF4, desembargador Victor Luis dos Santos Laus, também poderá ler seu voto na sessão. Se ele pedir vista, o julgamento poderá ser adiado.

    Um pedido de vista significa mais tempo para analisar o caso e se isso acontecer, não há previsão de quando o processo voltará a ser discutido.

    O TRF foi mais rápido para marcar o julgamento de Lula?

    Aliados do ex-presidente e sua defesa criticaram o ritmo do tribunal para julgar o recurso. "Temos que debater o caso também sob a perspectiva da violação da isonomia de tratamento, que é uma garantia fundamental de qualquer cidadão", afirmou o advogado Cristiano Zanin Martins.

    O defensor disse ainda que pediu à Presidência do Tribunal dados sobre a ordem cronológica dos recursos em tramitação.

    Estimativa do jornal Zero Hora, com base em 23 apelações da Corte, previas que o julgamento fosse marcado apenas em março, com base no tempo médio dos outros recursos.

    A pena de Lula pode aumentar?

    Além do pedido da defesa, o Ministério Público Federal também recorreu ao TRF-4 pedindo para aumentar a pena para mais de 21 anos de prisão.

    Nesta ação do triplex, também foram condenados os empreiteiros Léo Pinheiro e Agenor Franklin Medeiros, da OAS. O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, por sua vez, foi absolvido da acusação de lavagem de dinheiro.

    Lula pode ser condenado por outros crimes?

    Além do caso do tríplex, Lula é alvo de outras seis investigações no âmbito da Lava Jato. Ele é réu por acusação de ter recebido propina da OAS e da Odebrecht por meio da reforma de um sítio em Atibaia (SP), do qual seria proprietário.

    Lula também é réu em ação de irregularidades em terreno do Instituto Lula envolvendo a Odebrecht e por conspirar para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

    Nas outras três ações, Lula foi denunciado por obstrução de Justiça ao ser nomeado ministro de Dilma Rousseff, por supostamente usar o instituto Lula e a empresa LILS Palestras para receber propina de empreiteiras e por integrar organização criminosa.

    Ele também é investigado em dois processos no âmbito da Operação Zelotes e em outro envolvendo empréstimo do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento).

    O que o TRF-4 decidiu sobre aliados de Lula?

    Ao julgar o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, a Corte o absolveu em duas ações penais nas quais havia sido condenado por Moro. Em um terceiro processo, contudo, a pena foi aumentada de 10 para 24 anos de detenção.

    O tribunal também agravou a pena do ex-ministro de Lula, José Dirceu. Ele havia sido condenado a 20 anos e dez meses de prisão por Moro. A sentença subiu para 30 anos e nove meses de reclusão.

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    'Extraordinário', baseado no livro homônimo de R. J. Palacio, é um exercício de empatia

    'Extraordinário', baseado no livro homônimo de R. J. Palacio, é um exercício de empatia


    Jacob Tremblay é Auggie, à esquerda, e Noah Jupe é Jack Will...

    Muitos de nós passamos este último ano desanimados com uma enxurrada de acontecimentos trágicos. Os tumultos em Charlottesville. A devastação deixada pelos furacões Harvey e Irma. O massacre de Las Vegas. Violência inimaginável em uma igreja em Sutherland Springs. Mesmo o mundo tradicionalmente escapista de Hollywood encolheu com o surgimento de mais e maisacusações de assédio sexual.

    Por isso mesmo, agora é um momento melhor que nunca para abraçarmos um gênero cinematográfico frequentemente criticado: um filme sentimental clássico, do tipo feito para arrancar lágrimas do espectador. E o trabalho mais recente de Stephen Chbosky, "Extraordinário" ("Wonder") é exatamente isso: um trabalho comovente que chegou exatamente na hora certa. E pouco importa se é um melodrama.

    "Extraordinário" é baseado no romance com o mesmo título de R.J. Palacio. É a história de um menino de 10 anos, Auggie Pullman, que tem uma deformação facial congênita e é representado maravilhosamente por Jacob Tremblay, ator mirim que já se destacou em "O Quarto de Jack". No livro de Palacio e no filme de Chbosky, vemos Auggie começando a estudar numa escola pública normal, na quinta série, depois de ter sido ensinado em casa até então por sua mãe dedicada e protetora (Julia Roberts).

    Auggie já passou por mais de 20 cirurgias para tratar seu problema, que se presume seja uma forma de síndrome de Treacher Collins, que afeta o desenvolvimento dos ossos e tecidos de seu rosto. Mas, tirando sua aparência externa, seus interesses e hobbies são como os de outra criança qualquer. Seu feriado favorito é o Halloween, e "Star Wars" é seu filme predileto. Sua matéria favorita é ciência.

    Ele tem um pai "bacana" (Owen Wilson) e uma irmã adolescente aparentemente perfeita, Via (Izabela Vidovic). Sua família torna seu dia a dia suportável, mas Auggie sofre para aceitar quem é e como é visto por outros quando está fora desse espaço familiar seguro, tanto que opta por usar um capacete plástico de astronauta sempre que sai de casa. Sua cabeça está no espaço, enquanto seu corpo está preso ao chão, num mundo onde seus colegas de classe ignoram tudo o que têm em comum com ele para focalizar apenas os aspectos em que Auggie é diferente.

    O que acontece com Auggie ao longo do filme de Chbosky, com quase duas horas de duração, é preocupante mas também triunfal. Ele é isolado, é atormentado, é convertido em pária. Auggie vira alvo de "bullying" por ser inteligente, por ser "feio", por ser estranho. As pessoas o olham sem parar quando ele chega à escola e quando fica sentado sozinho, de cabeça baixa, na sala de aula e no refeitório. Assim que chega em casa, Auggie desaba, dizendo a seus pais que a escola não é seu lugar. É doloroso assistir a essas cenas, e foi justamente essa a intenção.

    "Você não é feio, Auggie", lhe diz sua mãe quando Auggie lhe conta como é xingado todos os dias.

    "Você tem que falar isso porque é minha mãe", ele responde, chorando.

    "Pelo fato de eu ser sua mãe, é mais verdade ainda porque eu sou a pessoa que conhece você melhor", ela lhe garante.

    Auggie acaba se animando de novo e volta à escola. Ele faz um amigo, Jack Will (Noah Jupe), e isso abre o caminho para outros alunos tomarem seu partido para enfrentarem o fanfarrão agressivo da escola, Julian (Bryce Gheisar). A história ganha contornos mais positivos com a ajuda de um professor (Daveed Diggs) e do diretor do colégio (Mandy Patinkin), que enxergam em Auggie aquilo que ele é: um garoto que pode lhes ensinar alguma coisa sobre o que é ser um ser humano.

    Com sua mensagem benevolente confessa, filmes como "Extraordinário" são bem-vindos. Embora esse gênero específico tenda a descambar para a pieguice, os dramas sentimentais têm um papel específico a exercer em meio à enxurrada de más notícias.

    "O filme promove a gentileza como uma maneira bem-sucedida de viver nossa vida, isso em um momento em que somos dominados por líderes que pregam o ódio", disse ao HuffPost o ator Daveed Diggs, que faz o professor Mr. Browne. " 'Extraordinário' também destaca a coragem que é necessária para nos mostrarmos com honestidade como quem somos de verdade. Quanto mais pudermos ser responsáveis por nos mostrarmos inteiros em qualquer situação, quanto mais o mundo tiver que abraçar a diferença, menos seremos forçados a esconder nossos aspectos diferentes da média e mais obrigaremos os outros a encarar essas novas diferenças, não apenas para aceitá-las, mas para festejá-las."

    Muitos professores já encaram "Extraordinário", o livro, como uma leitura essencial para seus alunos. Não apenas é um estudo de caso sobre bullying, como uma lição sobre uma nova geração de crianças que funcionam como seu conjunto próprio de normas sociais. (Tremblay disse ao HuffPost que sua turma na escola iria ao cinema para assistir ao filme quando fosse lançado.) Com acesso a smartphones, tablets e redes sociais, as crianças de hoje se distanciam umas das outras, fechando a porta aos vínculos físicos e emocionais. Os professores, que passam mais tempo que a maioria das pessoas com crianças e adolescentes, ainda exercem um impacto indiscutível sobre o crescimento destes.

    Numa cena memorável do filme, no primeiro dia de aula o professor Mr. Browne faz uma pergunta inesquecível aos alunos: "Quem é que eu aspiro me tornar? É essa a pergunta que precisamos nos colocar sempre."

    Momentos como esses são um pouco água com açúcar, sim, mas também são altamente positivos. Como Tremblay disse ao HuffPost, "a humanidade poderia aprender alguma coisa sobre optar pela gentileza". E às vezes um filme sobre gentileza e bondade merece uma chance de virar sucesso de bilheteria.

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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    Isto é o que acontece com seu corpo quando você está com o coração partido

    Isto é o que acontece com seu corpo quando você está com o coração partido


    Existe uma razão para você se sentir esgotado e enjoado após o término de um relacionamento: um coração partido traz um custo físico para seu corpo.Infelizmente, isso é normalmente ignorado, diz Ronald A. Alexander, um psicoterapeuta que atende...

    Existe uma razão para você se sentir esgotado e enjoado após o término de um relacionamento: um coração partido traz um custo físico para seu corpo.

    Infelizmente, isso é normalmente ignorado, diz Ronald A. Alexander, um psicoterapeuta que atende na California e no Colorado, e autor de Wise Mind, Open Mind: Finding Purpose and Meaning in Times of Crisis, Loss, and Change. (Mente esperta, Mente aberta: encontrando propósito e significado em tempos de crises, perdas e mudanças.)

    "Você não está sozinho se você leva para sua cama e se sente excluído do mundo", diz Alexander. "Um coração partido pode fazer a pessoa se sentir como se tivesse perdido o rumo. Chorar e soluçar é comun, assim como sentimentos de melancolia, mas há sintomas físicos também."

    Lidar com um coração partido, pelo menos nos estágios iniciais, geralmente causa estragos em seu cronograma de sono. Problemas para dormir como insônia são comuns para os recém solteiros, diz Alexander. O estresse de um término pode levá-lo ao limite, interferindo nos processos biológicos que normalmente te ajudam a pegar no sono ao final do dia.

    "Quando você está sofrendo com um coração partido, pode ser muito difícil de aquietar sua mente, fazê-la calar e descansar", disse ele.

    Ansiedade e crescentes palpitações normalmente vêm acompanhadas de um coração partido, adicionou Alexander.

    "É importante saber que a tristeza e o luto de um coração partido podem aumentar o fluxo do sistema nervoso", disse ele. "É muito comum que esse estado de hiperestimulação desencadeie sentimentos de perda de controle".

    E, em alguns casos, um término de relacionamento pode desencadear sintomas de um infarto. A síndrome do coração partido - ou miocardiopatia Takotsubo, como foi inicialmente descrita na literatura médica japonesa nos anos 90 - é uma condição cardíaca temporária que parece com um infarto e normalmente é despertada por situações de estresse, como a morte de alguém querido ou o término de um relacionamento.

    Harmony Reynolds, cardiologista da universidade New York University Langone Medical Center, disse ao HuffPost que a síndrome do coração partido é diagnosticada em aproximadamente 1 a 2 por cento dos pacientes que chegam ao hospital com sintomas de infarto.

    Ela explicou que os sintomas, as mudanças no eletrocardiograma e os testes de sangue de pessoas com a síndrome do coração partido são similares aos dos pacientes que infartam, apesar das artérias coronárias permanecerem desobstruídas. (Em um infarto, as artérias estão obstruídas.)

    "Pacientes com a síndrome do coração partido também têm anormalidades da função muscular do coração durante o episódio", disse Reynolds. "A disfunção do músculo do coração se recupera completamente em semanas ou meses nos sobreviventes. Infelizmente, pacientes que tiveram a síndrome do coração partido continuam a ter um risco elevado de doença cardíaca e eventos de infarto."

    Recentemente, Reynolds conduziu um estudo de 20 anos que demonstrou que essa condição atinge mais mulheres mais velhas.

    "Pelo menos 6.000 casos da síndrome ocorrem anualmente nos Estados Unidos e até 90% dos pacientes são mulheres, geralmente no período de pós-menopausa", disse ela ao HuffPost.

    Como é o tratamento para a síndrome do coração partido? Jeanine Romanelli, cardiologista na clínica Lankenau Medical Center, na Pensilvânia, diz que os médicos têm que descartar outras causas potenciais, como doença cardíaca, coágulos ou obstruções, antes de diagnosticar e tratar a síndrome do coração partido.

    "Nós abordamos o tratamento praticamente da mesma maneira que abordamos o tratamento para insuficiência cardíaca, utilizando anticoagulantes, inibidores ECA (enzima conversora de angiotensina) e betabloqueadores", disse ela. "E, porque 10% dos pacientes que experienciam um episódio de síndrome do coração partido têm um segundo episódio, é importante monitorarmos o progresso do paciente com ultrassom."

    O que fazer se você tem os sintomas

    Infelizmente, você vai precisar de mais que um pote de sorvete para te ajudar a superar seu (sua) ex. Romanelli recomenda que você pense sobre as atividades que te ajudam a desestressar e praticar mais dessas atividades.

    "Técnicas não saudáveis para lidar com o problema, como beber ou comer demais, podem colocar seu coração em risco, então tente encontrar saídas que aliviem e ajudem a combater o estresse", disse ela. "Meditação, técnicas de respiração, yoga ou até mesmo dar um tempo das redes sociais para sair com um amigo ou ler um livro podem ajudar."

    E, apesar de soar básico, o simples fato de lembrar-se de respirar profundamente e reparar no ambiente pode ajudar quando você sente que está perdendo o controle.

    "Respire, peça ajuda para um amigo, busque aconselhamento profissional ou saia para uma caminhada", disse Alexander. "Se puder, vá andar pelas margens de algum lago; quando seu coração está partido, assistir à água passar por você pode levá-lo a perceber, inconscientemente, que tudo muda e nada permanece igual. Os corações partidos e você vão sofrer, mas tente se lembrar: Isso também passará."

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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    A seca que atinge 100% de Portugal mostra que não levamos a mudança climática a sério

    A seca que atinge 100% de Portugal mostra que não levamos a mudança climática a sério


    Seca num braço do rio Guadiana, em...

    Depois dos incêndios florestais que arrasaram diversas regiões de Portugal e cobraram dezenas de vidas, o país na ponta ocidental da Península Ibérica enfrenta agora outro problema ambiental: a seca. O mais preocupante é que, aparentemente, os cidadãos portugueses estão à margem desta preocupação climática, mesmo que 100% da parte continental do País esteja em alerta severo ou extremo.

    O assunto passa despercebido porque os níveis dos principais reservatórios de água ainda devem garantir um ano de abastecimento mesmo se a seca continuar, e o governo só agora planeja iniciar campanhas de sensibilização e educação.

    Para nós brasileiros, que sabemos de perto as consequências de uma seca, seja em São Paulo ou na Amazônia, ver um país com pouco mais de dez milhões de habitantes passar por uma situação dessas sem se desesperar (por enquanto, pelo menos) é surpreendente. E mostra o quanto o papel da água precisa ser cada vez mais o foco nas discussões climáticas.

    Essa situação não começou de uma hora para outra - pelo contrário, foi se agravando com o passar do tempo e, desde o ápice do verão europeu do ano de 2017, começou a ficar fora de controle.

    No inverno europeu, entre 2016 e 2017, choveu pouco e a precipitação ao longo deste último ano foi também muito baixa. Este recente verão foi mais quente e seco que o normal, e prolongou-se para os meses seguintes.

    Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), entre os dias 1º e 15 de novembro, o valor médio de precipitação em Portugal continental foi muito abaixo do normal, correspondendo a apenas 24% do valor médio mensal. Já no dia 15 de novembro, houve um aumento da área em seca extrema em todo o território continental de Portugal: cerca de 6% do território estava em situação severa e 94% em situação extrema.

    O IPMA confirmou que Portugal está há seis meses em situação de seca severa e extrema. Isso porque, ao longo deste período, choveu apenas 30% da quantidade aguardada. O mês de outubro de 2017 foi o outubro mais quente dos últimos 87 anos, desde que os dados começaram a ser registrados em 1931, com uma temperatura média cerca de 3°C acima do valor normal.

    Há regiões onde a água já é escassa. Grande parte do interior e da região sul de Portugal apresenta valores de água no solo inferiores a 20%. Nas regiões do litoral norte e centro, os níveis variam entre 20 e 60%. Na região do Alentejo, a situação pode chegar a ser ainda mais crítica, já que a falta água paralisa quase tudo numa área onde a agricultura é primordial.

    Há quase 100 anos que Portugal não enfrentava uma seca tão severa. E as más notícias não acabam por aí: o IPMA não prevê chuva para breve, com a situação mais provável para o final de novembro sendo a continuação da severidade da seca, tendo em conta a previsão mensal do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo, e especialistas alertam para a possibilidade de secas mais frequentes no futuro.

    Esta seca é uma das mais intensas já registradas. Pesquisadores também dizem que essas secas tornaram-se mais prolongadas em Portugal, acompanhando a diminuição da precipitação média anual. Quando se comparam os dois períodos de 30 anos anteriores, pode-se notar que a precipitação média anual tem diminuído em toda a Península Ibérica. No caso de Portugal, a chega a ser de 40 milímetros por década – ou seja, 200 milímetros de chuva em meio século, diz matéria da RTP.

    As poucas chuvas tendem a ser muito negativas até o fim do século 21, preveem estudos. Com as alterações climáticas, Portugal enfrenta um dos dois cenários "mais dramáticos" previstos pelos modelos físico-matemáticos: as estações vão se diluir, as ondas de calor tendem a prolongar-se e as secas serão mais intensas, de acordo com reportagem do Observador. Ou seja, há risco de o país lusitano perder a estação da primavera. De acordo com as projeções, as ondas de calor podem multiplicar-se por dez ou até durar mais de um mês.

    Como já ficou óbvio, o fenômeno deve afetar toda a Península Ibérica. O El País fala em "mínimos históricos" nas reservas de água das bacias hidrográficas do Douro e do Minho, que atravessam as duas nações fronteiriças. Dados do Ministério da Agricultura da Espanha revelam que o Rio Douro está a 29,8% da sua capacidade total e o Rio Minho a 38,6%. A seca afetou ainda a nascente do rio Douro, nos Picos de Urbión, na província espanhola de Soria. O El Mundo afirma que a nascente, localizada a 2,15 mil metros da altitude, está seca e nem descendo até aos 1,8 mil metros de altitude se vê água.

    A agricultura é o setor mais afetado pela seca, pois em Portugal é o setor que mais consome água. Como as chuvas de outono, que deveriam estar rolando agora, nunca chegaram, as produções do próximo ano estão a ser afetadas. Segundo texto do lusitano Shifter:

    "Até agora, é garantido que em 2018 terá menos cerejas, amêndoas e azeitonas. E se a chuva não tardar, vai faltar o milho e o arroz agulha nacional, porque não chegam sequer a ser semeados. Os queijos da Serra da Estrela estão em fase incerta, a carne está numa situação crítica – como não há água para regar os campos, o alimento não cresce, o gado não come, fica sensível e fraco, e dá-se uma depressão na carne. (...) As castanhas, contrariamente aos anos anteriores, estão pequenas e secas, porque não tiveram água para crescer. Assim como os dióspiros, que não tiveram água para ganharem sumo e perderem o bicho que teima em não sair da coroa. Ou então as laranjas, que também ficaram pequeninas. Ou as azeitonas que em pleno verão, ainda verdes, apresentavam sinais de secura".

    Com tudo isso, como ainda é possível vermos pessoas e autoridades negando a existência das mudanças climáticas?! Se não fizermos nada a respeito, a tendência é só piorar. Como estará o mundo no final deste século?

    De acordo com cenários traçados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações climáticas, o RCP 4.5 e o RCP 8.5, a atual trajetória das concentrações de CO2 infelizmente tende a enquadrar-se num cenário mais dramático e do qual só sairíamos se houvesse uma política de redução de emissões de gases de efeito de estufa a nível global, muito mais revolucionárias do que as que estão atualmente abertas para discussões.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    Rotten Apples revela se sua série ou filme favorito tem protagonistas envolvidos em caso de assédio sexual

    Rotten Apples revela se sua série ou filme favorito tem protagonistas envolvidos em caso de assédio sexual


    Em meio aos escândalos envolvendo atores, produtores e diretores do alto escalão do mundo do entretenimento, um site propõe revelar quais protagonistas de séries, programas de TV e filmes foram acusados de assédio sexual ou de conduta inadequada....

    Em meio aos escândalos envolvendo atores, produtores e diretores do alto escalão do mundo do entretenimento, um site propõe revelar quais protagonistas de séries, programas de TV e filmes foram acusados de assédio sexual ou de conduta inadequada.

    Chamado de "Rotten Apples", ou em tradução livre "maçãs podres", é um buscador que não só se limita aos atores, mas também disponibiliza dados de escritores, produtores executivos e diretores. Literalmente, ele aponta as "maçãs podres" dos seus filmes e séries favoritas.

    "O objetivo desse site é aumentar ainda mais a conscientização da má conduta sexual é generalizada no cinema e na televisão", disse o site, acrescentando que não tem a pretensão de servir como uma ferramenta de condenação, mas incentivar e facilitar o "consumo de uma mídia ética."

    Se o filme ou a série que pesquisar tiver alguma pessoa do elenco ou da produção envolvida em algum caso de assédio, o site escreverá "Rotten Apple" (maçã podre) e dará o nome da pessoa, acompanhada de um link da reportagem que denunciou o assédio.

    Se não houver qualquer registro, o resultado é "Fresh Apple" (maça fresca) e dirá que esta mídia não tem registro caso de abuso ou má conduta no elenco. O site, inclusive, entende buscas em português e é gratuito.

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    Millie Bobby Brown ganha a segunda chance de levar para casa o SAG Awards

    Millie Bobby Brown ganha a segunda chance de levar para casa o SAG Awards


    Millie Bobby Brown, a Eleven de Stranger Things, concorre pelo segundo ano consecutivo ao prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática no SAG Awards - premiação realizada pelo sindicato americano de atores Screen Actors Guild.A lista de indicados foi...

    Millie Bobby Brown, a Eleven de Stranger Things, concorre pelo segundo ano consecutivo ao prêmio de Melhor Atriz em Série Dramática no SAG Awards - premiação realizada pelo sindicato americano de atores Screen Actors Guild.

    A lista de indicados foi divulgada nesta quarta-feira (13).

    A britânica de 13 anos concorre ao lado das veteranas Laura Linney (Ozark), Elisabeth Moss (The Handmaid's Tale), Robin Wright (House of Cards) e Claire Foy (The Crown).

    No ano passado, Millie também concorreu ao prêmio juntamente com outras estrelas de Hollywood, incluindo a colega de elenco Winona Ryder, mas perdeu o troféu para Claire Foy, de The Crown.

    Stranger Things, série na qual Millie é uma das estrelas, é também uma das líderes de indicações ao SAG Awards ao lado de Big Little Lies e Glow.

    No twitter, a atriz comemorou a indicação.

    Screen Actors Guild! Thank you SO much for recognizing me and our cast for the second year in a row! This means the world coming from you, our peers. I am so lucky and honored to have the privilege of playing Eleven - a strong, powerful, badass, strange, wonderful character! pic.twitter.com/J3yKGLKifK

    — Millie Bobby Brown (@milliebbrown) 13 de dezembro de 2017

    "Screen Actors Guild! Muito obrigada por reconhecer a mim e ao nosso elenco pelo segundo ano consecutivo! Isso significa muito vindo de vocês, nossos parceiros. Me sinto muito sortuda e honrada por ter o privilégio de interpretar Eleven – uma personagem forte, poderosa, fodona, estranha e maravilhosa!"

    Na lista de filmes, o grande destaque é o longa Três Anúncios Para um crime, dirigido por Martin McDonag. A produção aparece com quatro indicações ao SAG Awards: Melhor Elenco, Melhor Atriz (Frances McDormand) e Melhor Ator Coadjuvante (Woody Harrelson e Sam Rockwell).

    Veja a lista completa de indicados ao SAG Awards 2018:

    CINEMA

    Melhor elenco em filme

    Doentes de Amor

    Corra!

    Lady Bird: É Hora de Voar

    Mudbound

    Três Anúncios Para um Crime

    Melhor atriz

    Judi Dench, Victoria & Abdul

    Sally Hawkins, A Forma da Água

    Frances McDormand, Três Anúncios Para um Crime

    Margot Robbie, Eu, Tonya

    Saoirse Ronan, Lady Bird: É Hora de Voar

    Melhor ator

    Timothée Chalamet, Me Chame Pelo Seu Nome

    James Franco, The Disaster Artist

    Daniel Kaluuya, Corra!

    Gary Oldman, O Destino de uma Nação

    Denzel Washington, Roman J. Israel, Esq.

    Melhor atriz coadjuvante

    Mary J. Blige, Mudbound

    Hong Chau, Downsizing

    Holly Hunter, Doentes de Amor

    Allison Janney, Eu, Tonya

    Laurie Metcalf, Lady Bird: É Hora de Voar

    Melhor ator coadjuvante

    Steve Carell, Batalha dos Sexos

    Willem Dafoe, Projeto Flórida

    Woody Harrelson, Três Anúncios Para um Crime

    Richard Jenkins, A Forma da Água

    Sam Rockwell, Três Anúncios Para um Crime

    Performance de dublês em filme

    Em Ritmo de Fuga

    Dunkirk

    Logan

    Guerra no Planeta dos Macacos

    Mulher Maravilha

    TELEVISÃO

    Melhor elenco em série de drama

    The Crown

    Game of Thrones

    The Handmaid's Tale

    Stranger Things

    This Is Us

    Melhor elenco em série de comédia

    Black-ish

    Curb Your Enthusiasm

    Glow

    Orange Is the New Black

    Veep

    Melhor atriz em série de drama

    Millie Bobby Brown, Stranger Things

    Claire Foy, The Crown

    Laura Linney, Ozark

    Elisabeth Moss, The Handmaid's Tale

    Robin Wright, House of Cards

    Melhor ator em série de drama

    Jason Bateman, Ozark

    Sterling K. Brown, This Is Us

    Peter Dinklage, Game of Thrones

    David Harbour, Stranger Things

    Bob Odenkirk, Better Call Saul

    Melhor atriz em série de comédia

    Uzo Aduba, Orange Is the New Black

    Alison Brie, Glow

    Jane Fonda, Grace and Frankie

    Julia Louis-Dreyfus, Veep

    Lily Tomlin, Grace and Frankie

    Melhor ator em série de comédia

    Anthony Anderson, Black-ish

    Aziz Ansari, Master of None

    Larry David, Curb Your Enthusiasm

    Sean Hayes, Will & Grace

    William H. Macy, Shameless

    Marc Maron, Glow

    Melhor atriz em série limitada ou telefilme

    Laura Dern, Big Little Lies

    Nicole Kidman, Big Little Lies

    Jessica Lange, Feud: Bette & Joan

    Susan Sarandon, Feud: Bette & Joan

    Reese Witherspoon, Big Little Lies

    Melhor ator em série limitada ou telefilme

    Benedict Cumberbatch, Sherlock: The Lying Detective

    Jeff Daniels, Godless

    Robert De Niro, The Wizard of Lies

    Geoffrey Rush, Genius

    Alexander Skarsgard, Big Little Lies

    Performance de dublês em série de comédia ou drama

    Game of Thrones

    Glow

    Homeland

    Stranger Things

    The Walking Dead

    Considerada um dos principais termômetros do Oscar, a premiação do Sindicato chega à 24ª edição em 2018. A cerimônia será realizada no dia 21 de janeiro.

    Esta será a primeira vez que a cerimônia terá um apresentador. Ou melhor, uma apresentadora. A escolhida foi Kristen Bell, estrela da série The Good Place.

    'PT confraterniza com golpistas e não aprendeu com seus erros', diz Ciro Gomes

    'PT confraterniza com golpistas e não aprendeu com seus erros', diz Ciro Gomes


    "O PT não parece ter aprendido nada com os brutais erros que...

    O pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, está endurecendo cada vez mais o discurso contra o Partido dos Trabalhadores. Durante uma live no Facebook na noite desta terça-feira (12), o ex-governador do Ceará disse estar "muito inquieto" com o comportamento do PT, referindo-se à reaproximação do partido com o PMDB. Em agosto, o ex-presidente Lula acolheu o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) em sua caravana do Nordeste. Renan votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Quando passou por Minas Gerais, Lula disse que estava "perdoando os golpistas do País".

    "O PT não parece ter aprendido nada com os brutais erros que cometeu. Porque estamos dizendo que o País está sob um golpe de estado. Portanto, se dizemos isso, temos que entender quem fez esse golpe. Quem fez foi o Senado. E quem era o presidente do Senado quando derrubaram a Dilma? Renan Calheiros. Então tudo bem, o Renan sempre foi muito parceiro do PT e ele o traiu. Agora o Lula vai fazer a caravana no Nordeste e quem a gente encontra abraçado ao Lula? Renan."

    Ciro também criticou o apoio do PT à candidatura do Eunício Oliveira à Presidência do Senado mesmo após o senador ter votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff: "É razoável isso, gente?"

    Para ele, Lula agiu com "descuido" e "assumiu risco brincando de popularidade" quando indicou Michel Temer para vice de Dilma, quando "todo mundo que está na política sabe quem Michel é há muitos anos". Ciro completa: "E querem o quê, que eu aceite tudo isso calado? Nós do PDT botamos para fora dois dos três senadores que nós tínhamos porque votaram a favor do golpe e agora o PT confraterniza com golpista. Assim não é possível."

    O pré-candidato garante que tem a esperança de que o ex-presidente seja inocentado no processo do tríplex, agora no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, mas criticou a defesa de Lula no caso. "É importante que a gente preste atenção na defesa do presidente Lula de que foi muito rápida. Mas acho que a gente não pode inverter as coisas. Justiça boa é a rápida, ela falha quando demora". Ele se refere à data para o julgamento do processo, marcada para o dia 24 de janeiro de 2018. A condenação chegou ao Tribunal em 23 de agosto.

    LEIA MAIS:Ciro rejeita chapa com Lula e Manuela: 'Estou cansado de balançar a cabeça em nome de unidade' Ciro diz que candidatura de Lula em 2018 é 'desserviço ao País'

    Prepare-se: A última chuva de estrelas cadentes deste ano poderá ser vista a olho nu no Brasil


    O céu será invadido por uma chuva de estrelas cadentes visíveis a olho nu na noite da próxima quarta-feira (13) e durante a madrugada de quinta-feira...

    Não importa onde você estiver, aqui está o seu único compromisso da próxima noite: olhar para o céu. Isso mesmo. O céu será invadido por uma chuva de estrelas cadentes visíveis a olho nu na noite da próxima quarta-feira (13) e durante a madrugada de quinta-feira (14).

    O fenômeno é a última grande chuva de meteoros da constelação de Gêmeos deste ano. O astrônomo e professor da Ufscar Gustavo Rojas explica que o momento de melhor visibilidade será as duas horas da manhã de quinta.

    De acordo com a Nasa (Agência Espacial Americana), estão previstos 120 meteoros por hora (um por minuto), frequência bem maior do que as chuvas anteriores, que variaram de 20 a 100 meteoros por hora. A agência também transmitirá o evento online em seu canal do Youtube.

    A chuva poderá ser vista de qualquer lugar do mundo. Mas se quiser aproveitar realmente o espetáculo da natureza, é melhor que você procure um local com céu limpo e sem muita luminosidade.

    Heads-up, Earthlings! The annual Geminid meteor shower has arrived, peaking overnight Dec. 13-14. It's a good time to bundle up! Then, go outside and let the universe blow your mind! Get the details: https://t.co/uv9HpEO228pic.twitter.com/tZOSn0TZjH

    — NASA (@NASA) 13 de dezembro de 2017O que são meteoros?

    De acordo com o Observatório Nacional, os meteoros são corpos celestes que se deslocam no espaço e entram na atmosfera da Terra. Ao cruzarem a atmosfera, estes pequenos corpos celestes queimam parcial ou totalmente e liberam um rastro luminoso. É essa "luz" que nós enxergamos como "estrelas cadentes".

    As chuvas de meteoros acontecem mensalmente, mas nem todas são visíveis. Os eventos não oferecem qualquer risco para a Terra.

    LEIA MAIS:Veja o momento exato em que meteoro cai em Bangcoc, Tailândia (VÍDEO)Perseidas: as fotos mais INCRÍVEIS da maior chuva de meteoros de 2015 (FOTOS)Meteoro cruza o Rio Grande do Sul e deixa o céu verde

    Agora o acervo de Gabriel García Márquez pode ser acessado gratuitamente na internet

    Agora o acervo de Gabriel García Márquez pode ser acessado gratuitamente na internet


    Mais de 27 mil documentos com arquivos do escritor Gabriel García Márquez (1927-2014) estão agora disponíveis para consulta gratuita na internet.O material foi disponibilizado no endereço www.hrc.utexas.edu pelo centro de documentação literária...

    Mais de 27 mil documentos com arquivos do escritor Gabriel García Márquez (1927-2014) estão agora disponíveis para consulta gratuita na internet.

    O material foi disponibilizado no endereço www.hrc.utexas.edu pelo centro de documentação literária da Universidade do Texas e inclui manuscritos, cadernos, cartas e fotos do Nobel de Literatura.

    Foram necessários 18 meses para digitalização do conteúdo que corresponde a cerca de metade do que a entidade possui. A Universidade do Texas adquiriu os arquivos de Gabo em 2014, logo após a morte do escritor, pelo de valor de US$ 2,2 milhões.

    Por meio de um buscador bilíngue (inglês e espanhol), o público tem acesso a diversos materiais inéditos, incluindo manuscritos de dez livros do autor e um texto que deveria integrar o segundo volume de suas memórias, mas que nunca foi publicado.

    A obra do escritor colombiano ainda não entrou em domínio público. Isso significa que a reprodução de qualquer material deve ser feita de acordo com as regras referentes à propriedade intelectual.

    Morto em 17 de abril de 2014, aos 87 anos, Gabriel García Márquez é considerado um dos maiores gênios da literatura universal. Ele deixou um legado capaz de levar leitores a acreditar em qualquer coisa - ou naquilo que o chamado realismo mágico pode criar.

    O trabalho do autor colombiano baseou-se tanto em sua vivência como jornalista na América Latina, a admiração por William Faulkner e Mark Twain, quanto histórias vividas durante sua infância na casa de seus avós em Aracataca, na Colômbia.

    Entre as principais obras do autor estão Cem Anos de Solidão (1967), O Amor nos Tempos do Cólera (1985), Crônica de Uma Morte Anunciada (1981), Notícia de um Sequestro (1996) e Viver Para Contar (2002).

    LEIA MAIS:Filmes para ouvidos ou livros de ouvir? Como a indústria dos audiolivros está se transformando11 livros que vão ajudar as mulheres a revolucionar o mercado de trabalho

    Os 7 erros das pessoas que julgaram a escolha de Rebeca Mendes pelo aborto

    Os 7 erros das pessoas que julgaram a escolha de Rebeca Mendes pelo aborto


    Este é o primeiro caso de pedido judicial de aborto por vontade da mulher até a 12ª semana no Brasil e o primeiro na América Latina com um caso...

    A escolha de Rebeca foi o aborto. Foi à justiça e esperou. Sem resposta, viajou à Colômbia e fez, legalmente, o procedimento. De volta ao Brasil, sua história é pública, pois Rebeca não se esconde. Recebeu mais apoio que ofensas. Gente desconhecida invadiu sua casa para compartilhar experiência e dar lição de moral. Julgadores de plantão anunciaram os sete erros da escolha de Rebeca.

    1. Só engravida quem quer

    Quem diz isso é mentiroso ou conhece pouco de métodos contraceptivos. Os métodos falham, basta ler a bula de qualquer um deles. E mais que isso: o "quem" precisa ser específico nesta frase. Sequer sabemos o nome do companheiro de Rebeca nesta gravidez. É o pai dos filhos, mas até hoje anônimo. A ele não houve acusação disto ou daquilo, a ele não se reclamou o uso da camisinha. O mais importante, no entanto: planejamento reprodutivo não é uma tabuada em que as contas são pré-determinadas. É um campo em que os afetos importam, por isso as pessoas se confundem ou erram em seu uso.

    2. Ela está matando um inocente. Matando o próprio filho

    Rebeca responde de jeito diferente. Estava grávida de nove semanas, cinco semanas de atraso menstrual. Para quem se apoia na embriologia para falar de vida do feto, não há coração batendo, é um estágio muito inicial da gravidez. Isso importava para a escolha de Rebeca – por isso, procurou a justiça com duas semanas de atraso de menstrual. Há países que sequer descrevem este procedimento como interrupção da gestação, mas esvaziamento do útero.

    3. Ela poderia encaminhar para adoção

    Antes disso, ela teria que se manter grávida contra sua vontade por 9 meses. O laudo médico que acompanhou o pedido judicial no Brasil mostrou que havia risco à sua saúde mental com a gravidez. Seu sofrimento traria consequências para si mesma, para seus dois filhos e para o feto em desenvolvimento. Além disso, a fila de crianças à espera de adoção no Brasil é grande, por que essas crianças seriam preteridas à escolha de Rebeca?

    4. Ela gostou de fazer, agora deve arcar com a responsabilidade

    Filho não é castigo, é amor e escolha. Rebeca é mãe de dois filhos, sabe o que é a maternidade, sabe o sentido de cuidar de seus filhos com responsabilidade. É verdade que o encontro sexual é um momento prazeroso, o que não significa, no entanto, que a gravidez se transforme por isso em um dever. Exatamente por ser uma mulher responsável na maternidade que Rebeca sabia não poder ter mais um filho.

    5. Ela é egoísta. Só pensa nela

    Rebeca pensa em sua família, nos dois filhos e no futuro que poderá oferecer a eles se terminar a faculdade e trabalhar. Seus filhos têm 9 e 6 anos, Rebeca só voltou a trabalhar quando o mais novo tinha 4. Durante anos foi só mãe e cuidadora da casa. Egoísta é um julgamento que não se encaixa em sua vida de estudo, trabalho e maternagem.

    6. Outras mulheres conseguem. Ela também pode conseguir

    Todas somos diferentes, é verdade. Algumas mulheres conseguem ter dois filhos, trabalhar e estudar, como faz Rebeca. Outras não conseguem. Algumas mulheres sequer têm filhos, outras não conseguem imaginar-se sem marido na casa para cuidar dos filhos. O próprio exemplo não é um sinal de solidariedade, mas de opressão pela escolha vivida. A escolha de Rebeca é só dela.

    7. Ela está indo contra a natureza. É pecado, vai ser punida.

    Rebeca foi criada em uma família evangélica, e já ouviu muito sobre pecado ou leis divinas. Como ela, não acredito em maternidade como destino, ou aborto como pecado. Rebeca estava em risco para sua saúde, sua escolha foi por cuidar de si e dos filhos.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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    Você certamente vai querer uma festa do pijama tão legal quanto a de Silvio Santos

    Você certamente vai querer uma festa do pijama tão legal quanto a de Silvio Santos


    Parece que o apresentador e empresário Silvio Santos comemorou seus 87 anos de vida em grande estilo.O dono do SBT decidiu fazer uma festa do pijama na noite da última terça-feira (12) e não economizou no look de gala. Veja só a estica:Um bom dia...

    Parece que o apresentador e empresário Silvio Santos comemorou seus 87 anos de vida em grande estilo.

    O dono do SBT decidiu fazer uma festa do pijama na noite da última terça-feira (12) e não economizou no look de gala. Veja só a estica:

    Um bom dia ainda (e para sempre) em ritmo de festa!!! 😉#SS87 #MeuPijamaeEu

    Uma publicação compartilhada por Tiago Abravanel (@tiagoabravanel) em Dez 13, 2017 às 4:39 PST

    Silvio preferiu uma comemoração mais reservada e passou a data em casa com sua família. O tema da festa, porém, chamou atenção e virou assunto nas redes sociais. "Do jeito que ele gosta: Pijama!!! Parabéns Vô", homenageou Tiago Abravanel no Instagram.

    Do jeito que ele gosta: Pijama!!! Parabéns Vô 👏🏼👏🏼👏🏼#FestaDoPijama #SS87 #MeuPijamaeEu ❤️🎁🎂🎉

    Uma publicação compartilhada por Tiago Abravanel (@tiagoabravanel) em Dez 12, 2017 às 4:23 PST

    O neto fez alguns vídeos hilários de Silvio Santos experimentando "novas tecnologias", como os filtros do Instagram.

    Este vídeo do @TiagoAbravanel com o avô Silvio Santos é o melhor vídeo que você verá hoje pic.twitter.com/lCNXxQCBgz

    — Paulo Pacheco (@ppacheco1) 13 de dezembro de 2017

    O look estiloso do aniversariante também arrancou elogios da internet.

    silvio santos icone fashion pic.twitter.com/jZlOHA70ZA

    — mand // pls camila (@cnizerporn) 13 de dezembro de 2017

    silvio santos poderia ter comemorado o aniversário com uma festa luxuosa mas fez festa do pijama com a família gente que hinoooo

    — bia (@newrulesw) 13 de dezembro de 2017

    Eu amei ess pijama do Silvio Santos! Quero um igual pra mim!! pic.twitter.com/qZj8CW3ogD

    — Carol (@Carol_Fugolari) 13 de dezembro de 2017

    Sílvio Santos melhor pessoa pic.twitter.com/RbXHExw0cQ

    — GREGO (@GregoMalandro) 13 de dezembro de 2017

    Parabéns ao Silvio Santos, Maoe!

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    Mulheres poderão ocupar cargos de oficiais da Marinha

    Mulheres poderão ocupar cargos de oficiais da Marinha


    A Marinha quer ser a primeira força a retirar qualquer restrição à admissão e promoção de mulheres em seus...

    O Plenário aprovou nesta terça-feira (12) o projeto de lei da Câmara (PLC 147/2017) que libera às mulheres o acesso a todos os cargos de oficiais da Marinha. Da Presidência da República, o projeto segue agora para sanção.

    Pelo texto, as mulheres poderão ser admitidas nas atividades operativas da Marinha, podendo integrar o corpo da Armada e o de Fuzileiros Navais, até então restritos apenas homens.

    Atualmente, a Marinha é a única das Forças Armadas que tem uma mulher oficial general em seus quadros. A contra-almirante Dalva Maria Carvalho Mendes ocupa o terceiro posto mais importante da Marinha e tem patente equivalente à de general de brigada no Exército, e de brigadeiro na Aeronáutica. Mas, pelas regras atuais, ela só pôde ascender na carreira por ser médica e já fazer parte do corpo de saúde da instituição.

    Dalva Maria Mendes tornou-se a primeira mulher a ocupar um cargo de oficial general das Forças Armadas. Agora, a Marinha quer ser a primeira força a retirar qualquer restrição à admissão e promoção de mulheres em seus quadros, razão pela qual elaborou o PL 8.536/17, enviado ao Congresso em setembro deste ano.

    Também foi a Marinha a primeira a fazer curso de formação para oficiais voltado a mulheres, em 1980 — o que a Aeronáutica seguiu em 1981, e o Exército apenas nos anos 1990.

    Mudança nos concursos

    A proposta também exclui a vantagem que os militares têm sobre os civis ao prestarem concursos para os Cursos de Formação de Oficiais da Marinha. A mudança valerá para ambos os sexos. Desse modo, o militar deverá ser demitido ou desligado e reintegrado à Marinha em condições iguais ao do aluno civil.

    O projeto ainda acaba com a transferência obrigatória do pessoal auxiliar no quadro de Armada e Fuzileiros para o quadro técnico. Eles poderão seguir na carreira até o posto de Capitão de Mar e Guerra, que é o mais alto. Também são alteradas nomenclaturas e cargos na instituição.

    (Agência Senado)

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    A história do único acampamento cigano chefiado por mulheres

    A história do único acampamento cigano chefiado por mulheres


    As cinco irmãs ciganas, Vilma Aparecida Fernandes, Luci Fernandes, Delir Fernandes, Maria Paula Aparecida Fernandes e Lindacir...

    Por Anaíra Sarmento

    A decisão foi unânime. Enfrentar anos de violência, esforço físico desmedido e festas regadas a bebidas alcoólicas e drogas ilícitas já não pertencia ao universo desejado por cinco das sete irmãs da família Fernandes. O falecimento dos maridos foi o impulso final para que elas pegassem seus trapos e mudassem em busca de uma vida melhor, em uma cidade nova e cheias de esperança. Joinville parecia o destino certo. Seria a oportunidade perfeita para romperem com os vícios dos Povos Romani, chamados ciganos, na comunidade onde viviam, e criar seus filhos em um ambiente diferente. As viúvas, de etnia Calon, ou Calins, como são chamadas as mulheres do grupo, tinham apenas duas opções: ou mantinham-se unidas, somente entre mulheres, com a possibilidade de enfrentarem um padrão de vida precário; ou teriam que morar em São Paulo, às custas de um cunhado traficante de armas e entorpecentes, que negociava com ciganos e gadjons – os não-ciganos. Ao escolherem a primeira opção, tiveram que assumir a responsabilidade de encarar a represália dos familiares, assim como os obstáculos que viriam a surgir nos próximos cinco anos de suas vidas.

    As histórias aqui retratadas são relatos do modo de vida de uma família cigana específica, que pertence ao único acampamento registrado no Brasil e no mundo chefiado somente por mulheres, e a forma como enfrentam, diariamente, a luta pelos direitos humanos e uso da terra – diante de um processo de reintegração de posse em curso, e os diversos problemas socioambientais que enfrentam no território. Em 2011, um levantamento de dados, inédito, sobre os Povos Romani no Brasil, divulgado pela Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou 291 municípios que abrigam acampamentos ciganos, localizados em 21 estados. Desses, apenas 40 prefeituras afirmaram desenvolver políticas públicas para os povos ciganos, o que corresponde a 13,7% do total.

    Sol a pino. O centro de Joinville ferve entre passadas, buzinadas e fumaça. Mais de 569 mil pessoas e 383 mil veículos circulam na cidade industrial do Norte de Santa Catarina. A sete quilômetros dali, em um bairro periférico chamado Jarivatuba, o silêncio permeia o ambiente. O asfalto quente coberto de terra, tem a mesma cor marrom avermelhada que a lama do terreno baldio onde as irmãs ciganas do grupo Calon acamparam. As poças de água ali espalhadas refletem os fios elétricos caídos e entrelaçados, que faíscam a 220W. A pouco mais de um metro do chão, um pedaço de bambu e um pilar de cimento são usados como suportes para um balde branco, amarrado entre fitas adesivas e cordas, que faz uma ligação direta com um poste de energia elétrica.

    A partir dali, as seis barracas montadas no terreno são iluminadas com luzinhas de natal.

    Em meio a mercadinhos, escola e casas de alvenaria, o mato volumoso e alto, que cobre boa parte da área, chama a atenção. Nada passa despercebido aos olhos dos moradores do bairro, já que não há nenhum tipo de cerca ou muro para fechar o terreno. Não há calçada na entrada do acampamento, assim como não há número, campainha ou uma porta para bater. Ali dentro, as tendas feitas de lonas, estacas de madeira e cordas, são dispostas em semicírculo. As que estão na parte da frente do terreno ficam a um passo da rua. Qualquer pessoa pode tocá-las ou, até mesmo, furá-las. Todas ficam abertas durante o dia. Os poucos bens materiais que existem ali podem ser vistos, assim como as pessoas que transitam no local ou o que fazem diariamente. Durante a noite, as lonas que estão amarradas à parte de cima da barraca são esticadas para baixo e presas às estacas de madeira, a fim de cobrirem as laterais da casa. Como nem todas possuem cama, no chão, há alguns pedaços de lona, suficientes para que uma ou duas pessoas possam deitar e dormir.

    "Não, Iram, fecha isso aí, por causa dos rato, fío!". Lindacir fala alto, ao levantar para cobrir com lençol as mais de 30 panelas, areadas e muito brilhantes, empilhadas em um balcão de madeira – Aqui é assim, tem que ficar lavando louça a cada passo, porque os rato sobem nos móveis. As comida que a gente come tem que botá na geladeira, pros rato num entrar. Num adianta ratoeira, e o veneno acho que engorda mais o rato. À noite eles ficam patinando em cima dessa lona. A gente tem medo deles fazê xixi lá em cima e daí pega água da chuva nas roupa, num dá, dá medo de ficar na pele. Mas isso aqui, quando nós chegou, era ainda pior.

    Era novembro de 2011, quando as irmãs Lindacir Fernandes, de 32 anos, e Luci Fernandes, de 41 anos, chegaram ao terreno de Joinville. Ambas eram viúvas. Lindacir, de pele escura queimada do sol e cabelos compridos amarrados com fita, veio com seu filho de quase dois anos. Apesar de estar sempre sorridente, exibindo os dentes de prata, tenta conviver com uma depressão, desde que perdeu o marido e o filho mais velho, de 14 anos, em acidente de carro, um ano antes. Já Luci, de estatura baixa, marcas de expressão fortes no rosto e cabelos curtos, que perdera o marido em uma briga de ciganos, chegou com seus dois filhos, um de dez e outro de seis anos. Vindas de Irati, no Paraná, carregavam uma lona preta, suficiente para erguer apenas uma barraca, e algumas mantinhas, que chamam de "pica-pau". Nos primeiros meses, não havia cobertor e colchão para todos, Lindacir e Luci deixavam as crianças dormirem, enquanto ficavam sentadas no chão, durante a noite, protegendo-as da chuva forte de verão.

    "Tinha vez que tinha cigarro pra fumar, tinha vez que tinha café pra tomar, mas tinha vez que não tinha nada. Nem água, nem comida", desabafa Luci.

    Depois de um ano, chegaram mais duas irmãs. Vilma Fernandes, tinha 44 anos, e Delir Fernandes, 38 anos. Cada uma com seus dois filhos. Ambas também eram viúvas. Vilma é magra, tem os braço finos, pele seca e cabelos curtos. A voz rouca denuncia os anos de dependência ao tabagismo. Enquanto Delir, ofegante, de cabelos curtos e grisalhos, não deixa que ninguém "atropele" sua fala. O marido faleceu após um AVC, já o companheiro de Vilma, também morreu em uma "briga de ciganada".

    "As brigas são bebedeira normal, num precisa de festa. É que eles bebem as cachaça deles, mas bebem armado. E as mulher não tem a ordem de tomar aquelas armas dos homem. Eu peguei um trauma de briga, que eu num quero mais ficá na cola de cigano nenhum. A não ser os meu filho aqui. A gente tem medo, porque se matou, matou, acabô. Eles são bão antes de beber, mas bebeu eles vira dez pessoa numa só", conta Lindacir.

    Maria Paula Fernandes tinha 34 anos quando chegou ao terreno. Foi a última das cinco irmãs a unir-se ao acampamento. Levou consigo para Joinville apenas seu filho mais novo, de 10anos. O primogênito, de 17 anos, já estava casado e decidiu continuar em São Paulo. Ambos são do primeiro casamento. À época, seu segundo marido, diagnosticado com insuficiência cardíaca, fazia tratamento na capital paulista e, por este motivo, a visitava poucas vezes. Maria Paula está sempre atenta a tudo e todos que a rodeiam. Muito esperta, ela mede suas palavras, sabe o que e quando falar. Prefere usar o dialeto próprio apenas nos momentos em que os gadjons estão por perto – para que não a entendam. Por trás do vestido transparente, pode-se ver o maço de cigarros que carrega entre os seios.

    Em maio de 2012, Elisa Costa, presidenta da Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK) – organização sem fins lucrativos com o objetivo de propagar a história, tradições e costumes dos Povos Romani no Brasil – teve conhecimento da situação das ciganas, através de um primo das Calins.

    "Elas estavam em situação de vulnerabilidade assim que chegaram em Joinville. A Lindacir me ligou, e ela mais chorava do que falava. Quando fui visitá-las, percebi que era muito pior do que imaginava. Elas não tinham quase nada."

    Até então, nenhum órgão público de Joinville havia entrado em contato com as irmãs ciganas. Por este motivo, Elisa Costa tomou a iniciativa de acionar a Ouvidoria Nacional da Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR), para intermediar ações junto ao Estado, em defesa dos direitos humanos da família Fernandes.

    Segundo Estefânia Rosa Basi de Souza, psicóloga que coordena o Serviço de Atendimento Proteção Básica, da Secretaria de Assistência Social (SAS) do município, o primeiro contato com as ciganas se deu naquele mesmo ano, através de uma assistente social da Secretaria. Uma das primeiras medidas a ser tomada foi a tentativa de encaminhá-las para alguns cursos profissionalizantes, da Casa Brasil, como o de panificação. No entanto, a profissional alega que o analfabetismo delas, assim como a falta de documentação e de tempo, já que necessitavam cuidar das crianças no acampamento, foram alguns impeditivos para que realizassem o curso.

    "Foi feita bastante intervenção nesse sentido, mas a gente viu que não surtiu efeito. Então, hoje eu me pergunto, até que ponto foi respeitada a cultura delas? Para quem não é cigano já está difícil conseguir emprego no mercado de trabalho, imagina pra elas que já sofrem esse tipo de preconceito em qualquer lugar", confessa Estefânia.

    Diante da falta de recursos para comprar alimentos, a AMSK providenciou 72 panos de prato para que elas vendessem e pudessem se sustentar, mesmo que a curto prazo.

    "Nós tinha que sair de manhã pra vender pano. Já teve caso de nós ir de a pé daqui pro centro, por causa de que não tem dinheiro pra passagem. E os ônibus nem sempre param pra nós. Chegava lá, e ia com dois paninho. Com o dinheiro daqueles dois, comprava mais três, e com o dinheiro daqueles três comprava mais quatro. Era assim que nós vivia – relembra Lindacir, com o olhar baixo e as sobrancelhas franzidas."

    Como a venda de panos de prato nunca foi suficiente para manter a família, as ciganas já tentaram trabalhar como lavadeiras de roupa, na limpeza de banheiros e utensílios de cozinha – mesmo que essas atividades não pertençam à cultura Calon. Mas lhes foi dito que, por serem ciganas, não eram de confiança.

    "É muito difícil, porque nós chega em outro lugar e a gente não tem conhecimento com ninguém. E tem muito preconceito, porque eles não entendem também, sabe. Por causa de um fazê bagunça, daí pra eles tudo faz. Por causa de um fazê, tudo paga", lamenta Maria Paula.

    Elisa informa que, atualmente, o número de grupos Romani sedentários – ou seja, que possuem residência fixa – é o que mais cresce. Isto indica transformações significativas em seus hábitos e costumes. Mas, sedentarizar-se acaba sendo uma opção feita pelos ciganos e ciganas em busca de melhores condições de vida.

    O nomadismo se deu porque eles eram expulsos. É o "faça-os andar, tire-os daqui, eu não os quero aqui". Nós não somos mais nômades neste país há muito anos. Hoje, existem pouquíssimos acampamentos em situação nômade, e muitos têm casa, pegam a barraca, viajam durante um tempo e voltam pras suas casas. Para os Povos Romani, a luta pelo território tem um sentido cultural e não de posse ou herança.

    "O terreno é um espaço onde você possa ser cigano dentro da sua casa e fora dela. E que você tenha o direito de fazer isso em segurança. A tenda é a casa dos ciganos, mas ela não é tão inviolável quanto uma residência. O sistema de vulnerabilidade é 99%, é muito mais fácil de entrar. No caso das Calins, por falta de condição de deslocamento, elas necessitam de um lugar para exercer a sua própria cidadania, e elas não podem ser largadas pelo Estado, nessas condições", reforça Elisa.

    Para ela, alguma atitude deve ser tomada pelo Estado, pois segundo o Programa Nacional de Direitos Humanos III, o Estado deve "garantir as condições para a realização de acampamentos ciganos em todo o território nacional, visando a preservação de suas tradições, práticas e patrimônio cultural".

    Martins Filho, graduado em Direito, tem acompanhado as ciganas voluntariamente e defende que algumas mudanças deveriam ser feitas na área ocupada pela família Fernandes, pois o descaso com o grupo e as condições em que vivem é desumana. Sua ideia é cercar o terreno, assim como colocar brita em toda a extensão, fazer o saneamento básico necessário para melhorar a fossa que já existe no local e incluir um sistema de eletricidade seguro para as Calins.

    Maria de Fátima Marques, consultora técnica no Departamento de Apoio à Gestão Participativa e Controle Social (DAGEP), do Ministério da Saúde, ressalta outros aspectos de insalubridade na ocupação.

    "Isso é questão de limpeza pública, porque não tem como você fazer intervenção de saúde se você não tem esgoto. Você tem fossa a céu aberto e você não tem recolhimento de lixo. Elas tem que catar o lixo e colocar do outro lado da rua, porque no acampamento a limpeza urbana não recolhe, não tem número. Elas fizeram até uma cestinha do outro lado."

    Uma situação, que aconteceu no fim do ano passado, demonstra a ausência do Estado nesse processo, na opinião do graduado em Direito Martins Filho.

    "Eu fui na reunião que traria a vigilância sanitária para colocar veneno pra rato, mas o vigilante disse que não vinha só porque estava com medo das ciganas, que só viria com a polícia.

    Mas eu disse que não. Então ele veio com mais três carros da vigilância. O problema é que não há um compromisso, não há continuidade. Não adianta você vir e matar um ratinho. O rato é o menos culpado, ele é efeito, cuja causa é a falta de saneamento. Elas estão descoladas da sociedade e estereotipadas."

    Ao anoitecer, o pôr do sol alaranjado encobre o acampamento. Os fortes feixes de luz, transpassam os furos das lonas e refletem nas panelas de alumínio. Aos fundos do terreno, pode-se ouvir as músicas religiosas e o coro dos fiéis dentro da igreja Cristo é Vida. Enquanto os rapazes jogam baralho, as mulheres se reúnem na barraca de Lindacir. Sentadas no chão, uma ao lado da outra, algumas de cócoras e outras de pernas cruzadas, as cinco irmãs ciganas relembram os momentos de infância.

    "Nós somo em 11 irmão. Sete fia muié e quatro homi. Pai e mãe tão morto. Meu pai morreu faz seis ano e minha mãe faz 25 ano. Meu pai já tava velhinho, com 72 ano. Só que deu AVC nele e ele teve oito mês internado. Tinha que tratar ele, dar banho, usava fralda. A minha mãe morreu eu tinha 15 ano", relembra Lindacir.

    Elas contam que viajaram muito, mesmo depois do falecimento da matriarca da família. Sob o total cuidado do pai, conheceram, principalmente, os interiores de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul.

    "Ele não tinha muié pra cuidar dele, mas ele cuidava de nós tudo. Meu pai tinha uma mesa grande, era uma gentarada. Eu não sei como é que meu pai e minha mãe vencia! A gente só com dois num guenta – admite Delir", aos risos.

    Vilma afirma que seus pais viviam do comércio. Eles transportavam cobertores para vender entre os estados e, por isso, viajavam tanto.

    – Tudo nós aqui foi nascida no Turvo, no Paraná. A Delir nasceu no Turvo, né? – indagou Lindacir

    – Tu nasceu onde? – perguntou Maria Paula para Luci.

    Eu nasci no Turvo também – respondeu Luci, de forma bastante enfática.

    – E tu, nasceu onde? – perguntou Delir para Maria Paula.

    – Eu nasci em Três Pontas, Minas Gerais, uai! – e todas caíram na gargalhada.

    Depois que as risadas cessaram, o recorrente assunto sobre a insegurança que sentem no acampamento retorna. As irmãs Fernandes registram que este é o principal motivo para não quererem mais viver acampadas. Não nas condições em que estão atualmente, pois não há proteção.

    Durante a noite, um botijão de gás já foi roubado enquanto elas dormiam. E, durante o dia, as ameaças são constantes.

    "Tem uns cara que entram aqui com celular, com televisão, e querem forçar a gente a comprar, porque eles acham que a gente tem dinheiro, mas não tem. E, já pensou, é coisa roubada, Deus o livre! E eles teimam com nós. Outro dia um cara passou a faca na barraca da Linda, a única que não era furada", rememora Delir.

    Mesmo com o incentivo e ajuda da AMSK ou dos voluntários, como Martins e Milton Zanotto, diretor de Legislação e Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores em Instituições de Ensino Particular e Fundações educacionais do Norte do Estado de Santa Catarina (Sinpronorte), as irmãs já não têm mais fôlego para enfrentar o barro nas canelas, o galão de água nas costas ou o peso de transportar as tendas para outras localidades do Brasil.

    "No tempo que nós viajava, a gente sofria muito. Quando a gente é casado é pior ainda, porque tem mais coisa pra carregar. Quando a gente tem marido, não para mais de um mês num lugar. Mas agora a gente não tá seguindo essa tradição, ninguém mais gosta de viajar, ninguém mais quer sofrer. Quem pode, compra casa, e quem não pode, fica morando em barraca", desabafa Lindacir.

    Maria Paula sonha em um dia poder se sustentar vendendo marmitas. Com os olhos brilhando, ela revela que já tem o cardápio elaborado em sua mente. Cada dia seria um prato diferente. Além dos acompanhamentos tradicionais de arroz, feijão e batata, os tipos de carnes e frango ensopado trariam água na boca dos clientes. Sentada em um toco de madeira, na entrada do acampamento, declara:

    "A gente queria a segurança de uma casa. E não é porque eu saio de uma tenda, de uma barraca e vou pra dentro de uma casa, não é por isso que eu vou deixar de ser cigano. Não é porque eu coloco uma calça comprida e tiro essa saia que eu vou deixar de ser cigano. Eu sou cigana da mesma forma. Eu vou ser a mesma cigana que eu era antigamente, porque cigano vem no sangue."

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    As diferenças entre os 'bolsas famílias' de Brasil e Itália

    As diferenças entre os 'bolsas famílias' de Brasil e Itália


    A diferença entre o Bolsa Família e o "renda de inclusão social"...

    Em vigor desde 1º de dezembro, a "renda de inclusão social" ("Rei"), instituída pelo governo da Itália, vem sendo comparada ao Bolsa Família e até usada para ressaltar o sucesso do programa brasileiro.

    No entanto, apesar de terem um princípio em comum - a distribuição de renda para famílias em condição de pobreza -, as duas iniciativas possuem mecanismos bastante diversos. Veja abaixo as diferenças que separam os dois projetos:

    Valor

    A renda de inclusão social italiana prevê o pagamento de até 485,4 euros por mês (R$ 1,9 mil, segundo a cotação atual) para cada família. O teto é concedido a núcleos com cinco ou mais membros, mas o benefício parte de 187,5 euros (R$ 730), valor dado a famílias de uma pessoa.

    As outras faixas do programa são: 294,38 euros (R$ 1,15 mil), para núcleos familiares com dois integrantes; 382,5 euros (R$ 1,5 mil), para três; e 461,25 euros (R$ 1,8 mil), para quatro.

    Já o Bolsa Família consiste em um benefício básico de R$ 85 para famílias com renda mensal de até R$ 85 por pessoa, o que configura a condição de extrema pobreza. Além disso, há outros valores que ajudam a compor o programa.

    Um deles é o benefício variável de R$ 39, dado a famílias com renda per capita de até R$ 170 e que incluam gestantes ou crianças de zero a 15 anos. Cada núcleo pode receber até cinco benefícios variáveis.

    A iniciativa também prevê um "benefício variável jovem" de R$ 46, mas desde que a família tenha adolescentes de 16 ou 17 anos em sua composição, respeitando o limite de dois por núcleo. Se, mesmo fazendo parte do programa, a família não sair da condição de extrema pobreza, ela receberá um benefício que a faça superar o piso de R$ 85 de renda per capita.

    Público alvo

    A renda de inclusão social é concedida a famílias com Indicador de Situação Econômica Equivalente (ISEE) inferior a 6 mil euros e patrimônio imobiliário de, no máximo, 20 mil euros, excluindo a primeira casa. O ISEE é um instrumento criado para avaliar a condição de vida dos italianos, levando em conta renda, bens e características do núcleo familiar.

    A previsão de Roma é atender até 490 mil famílias, totalizando cerca de 1,8 milhão de pessoas, o equivalente a 3% da população italiana. Por sua vez, o Bolsa Família é destinado a núcleos com renda per capita de até R$ 170, em condição de pobreza ou extrema pobreza.

    Atualmente, aproximadamente 13,5 milhões de famílias ganham o benefício, o que dá pouco menos de 50 milhões de pessoas, segundo estimativas do governo. Isso representa quase 25% da população brasileira.

    Prazo

    Na Itália, a renda extra é válida por um período máximo de 18 meses, porém pode ser renovada por mais 12, depois de passado meio ano. No Brasil, o benefício não tem duração pré-estabelecida. Se respeitar os requisitos, a pessoa pode receber o Bolsa Família durante toda a vida.

    Contrapartidas

    Para conceder a renda de inclusão social, o governo da Itália exige que os membros adultos da família participem de um projeto personalizado de reinserção no mercado de trabalho, o que demonstra que a preocupação é, sobretudo, com o grande número de desempregados no país.

    Já o Bolsa Família pede como contrapartida que gestantes beneficiadas estejam com o pré-natal em dia, que crianças menores de sete anos façam acompanhamento de saúde, inclusive a vacinação, e que jovens entre seis e 15 anos estejam matriculados na escola e tenham frequência mínima de 85%. No caso dos adolescentes de 17 e 18 anos, essa cifra cai para 75%.

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    Racismo e vaquinha online: Há um novo capítulo no caso de Keaton, vítima de bullying nos EUA

    Racismo e vaquinha online: Há um novo capítulo no caso de Keaton, vítima de bullying nos EUA


    O vídeo de Keaton Jones, de 11 anos, vítima de bullying em Tennessee, nos EUA, desencadeou uma onda de solidariedade entre celebridades internacionais. Ainda no fim de semana, o caso ganhou um novo capítulo. Fotos dele e de sua mãe, Kimberly Jones,...

    O vídeo de Keaton Jones, de 11 anos, vítima de bullying em Tennessee, nos EUA, desencadeou uma onda de solidariedade entre celebridades internacionais. Ainda no fim de semana, o caso ganhou um novo capítulo. Fotos dele e de sua mãe, Kimberly Jones, ao lado da bandeira dos Estados Confederados, vieram à tona.

    A presença da bandeira confederada é uma questão controversa nos EUA.

    Usada pelos Estados do sul do país durante a Guerra Civil, ela foi adotada por grupos como o Ku Klux Klan após o conflito e hoje é vista pelos críticos como um símbolo comparável à suástica – uma vez que remete à escravidão e opressão racial.

    Na manhã desta segunda (12) Kimberly foi ao programa Good Morning America para falar sobre a repercussão das imagens.

    "Nós não somos racistas, as pessoas que nos conhecem sabem disso. [A foto] foi feita para ser irônica e engraçada. Eu realmente sinto muito. Se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria", afirmou.

    Em paralelo à onda de solidariedade, surgiram também boatos de que garoto havia se tornado alvo de bullying depois de usar termos racistas com alunos negros da escola.

    Um post de Kimberly publicado em agosto também passou a circular nas redes e causou controvérsia.

    Nele, a mãe de Keaton diz para as pessoas pararem "de choramingar sobre a escravidão e o racismo". Não se sabe exatamente o contexto da publicação. No entanto, o TMZ destaca que a publicação foi feita duas semanas após o conflito racial envolvendo defensores da supremacia branca em Charlottesville, Virgínia, nos EUA.

    "Se as pessoas querem me odiar ou qualquer outra coisa, tudo bem, mas ainda assim devem conversar com os seus filhos, porque esta é uma epidemia", defendeu-se Kimberly no Good Morning Americacitando a questão do bullying.

    Além da polêmica em torno do suposto comportamento racista da mãe de Keaton, o vídeo com o depoimento garoto também provocou o surgimento de vaquinhas online.

    Uma delas havia arrecadado mais de 50 mil dólares.

    Joseph Lam, responsável pela campanha, encerrou as doações na página logo depois da controvérsia envolvendo a bandeira confederada. Ao jornal The Telegraph, a plataforma GoFundMe afirmou que estava trabalhando para determinar a finalidade do dinheiro.

    A resposta de Lakyn

    A irmã mais velha de Keaton, Lakyn Jones, usou seu perfil no Twitter para rebater as informações que se espalharam sobre sua família. Ela garante que a família não está organizando campanhas de arrecadação de dinheiro e que o irmão Keaton não manifestou nenhum comportamento racista na escola.

    My family will continue to support each other. You all can hate and tweet all you want but our faith cant be shaken

    — Lakyn 🎄 (@Lakyn_Jones) 11 de dezembro de 2017

    "Minha família continuará se apoiando mutuamente. Vocês podem odiar e tweetar o que quiserem, mas nossa fé não pode ser abalada."

    The Instagram KimberlyJones_38 is NOT my mom. She has a private Instagram and hasn't talked to anyone. We haven't received any money and don't plan on it. The gofundme's aren't by any of us.

    — Lakyn 🎄 (@Lakyn_Jones) 11 de dezembro de 2017

    "O Instagram KimberlyJones_38 não é minha mãe. Ela tem um Instagram privado e não falou com ninguém. Não recebemos dinheiro e não planejamos isso. [As vaquinhas online] não são nossas."

    Those who know me and my family know we aren't racist. My brother doesn't say the "N" word. Please leave it alone

    — Lakyn 🎄 (@Lakyn_Jones) 11 de dezembro de 2017

    "Aqueles que me conhecem e conhecem minha família sabem que não somos racistas. Meu irmão não diz a palavra "N" [nigger, termo em inglês de conotação racista]. Por favor, deixe-o em paz."

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    Esta foto do Jim Hooper, de 'Stranger Things', é o seu presente de Natal antecipado

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    Na rede social Reddit aconteceu uma batalha de Photoshop e os fãs fizeram as melhores montagens com a foto de...

    O ator David Harbour, o Hooper, de Stranger Things, está espalhando o clima natalino por onde passa. Agora, ele resolveu utilizar um suéter bastante festivo para comemorar o Natal. E é claro que os fãs não deixaram a imagem passar batida.

    Harbour interpreta o chefe da polícia Jim Hopper no seriado da Netflix. Ele publicou a foto no Instagram na ultima segunda-feira (11) em comemoração a indicação ao Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante.

    I tip my hat to you @goldenglobes for the nomination. My Christmas present came early this year. You got me feeling all the holiday feels🎉🎁

    A post shared by David Harbour (@dkharbour) on Dec 11, 2017 at 9:20am PST

    "O meu presente de Natal chegou mais cedo este ano", escreveu David Harbor na legenda. "Vocês me fizeram sentir todos os sentimentos envoltos nestes feriados".

    A foto postada também foi um presente antecipado para os fãs de Stranger Things. Na rede social Reddit aconteceu uma batalha de Photoshop e os fãs fizeram as melhores montagens com a foto de Harbour.

    Hotline bling

    Stranger Things está concorrendo ao Globo de Ouro de 2018 na categoria de melhor série de drama. Veja a lista dos indicados.

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    Estas ilustrações vão te mostrar o que é o amor quando ninguém está vendo

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    O amor está nas pequenas coisas e nos momentos mais tranquilos: ficar de conchina na cama após um dia cansativo, pegar no sono em frente à TV ou até mesmo apertar as espinhas do parceiro (a).A artista Amanda Oleander captura esses momentos em suas...

    O amor está nas pequenas coisas e nos momentos mais tranquilos: ficar de conchina na cama após um dia cansativo, pegar no sono em frente à TV ou até mesmo apertar as espinhas do parceiro (a).

    A artista Amanda Oleander captura esses momentos em suas ilustrações, e compartilha em seu instagram. Ela se inspira em seu próprio relacionamento e nos relacionamentos de seus familiares e amigos.

    "Todas as situações aconteceram no meu relacionamento ou com meus familiares e amigos, que compartilharam comigo", disse Oleander ao HuffPost. "Eles começam a falar e eu digo 'segure este pensamento!' e rapidamente escrevo para não esquecer."

    Oleander mora em Los Angeles e namora Joey Rudman há dois anos. Ela o chama de "o homem mais fofo, engraçado e bonito do mundo."

    Os desenhos de Oleander são influenciados por artistas como Amedeo Modigliani, Alice Neel, Picasso e Tim Burton, assim como os desenhos animados dos anos 90 que ela cresceu assistindo, como "Rugrats" e "The Wild Thornberrys." Ela também gosta de desenhar animais, mas é mais fascinada pelo comportamento humano.

    "Sou encantada pelo jeito que as pessoas se comportam quando ninguém está vendo", escreveu Oleander em seu instagram. "Momentos íntimos que não vemos. Esses momentos realmente não podem ser documentados, porque se fossem, alteraria a forma como as pessoas se comportam. Então eu os desenho."

    A artista contou ao HuffPost que espera que as pessoas sintam algo quando olhem para seu trabalho.

    "Espero que isso os traga de volta para algum momento de suas vidas ou que estimule alguma memória. Mas, acima de tudo, espero que faça as pessoas felizes", disse ela.

    Para ver mais trabalhos da Oleander, visite seu site ou a siga no Instagram, Twitter ou Facebook. Veja abaixo mais de suas ilustrações sobre relacionamentos:

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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    De Capitão América a Luke Skywalker: A onda de apoio das celebridades ao pequeno Keaton, vítima de bullying nos EUA

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    O vídeo que revela a dor de um menino de 11 anos, que sofre bullying na escola, desencadeou uma onda de solidariedade entre astros de Hollywood, estrelas da música e atletas dos Estados Unidos."Por que eles me incomodam?", pergunta Keaton Jones no...

    O vídeo que revela a dor de um menino de 11 anos, que sofre bullying na escola, desencadeou uma onda de solidariedade entre astros de Hollywood, estrelas da música e atletas dos Estados Unidos.

    "Por que eles me incomodam?", pergunta Keaton Jones no início do vídeo publicado pela mãe do garoto, a pedido dele, no Facebook na última sexta-feira (8).

    "Eles riem do meu nariz, dizem que sou feio, dizem que eu não tenho amigos", explica Keaton em meio às lágrimas. "Jogam leite em mim e colocam presunto dentro da minha roupa. Jogam pedaços de pão".

    Na sequência, ele se pergunta: "De que serve? Por que vocês ficam felizes em ser malvados com pessoas inocentes?".

    "Não gosto que façam isso comigo e não gosto que façam com outras pessoas, porque isso não está certo. As pessoas que são diferentes não precisam ser criticadas por isso, não é culpa delas", diz, entre soluços.

    Apesar da aparência aflita, Keaton deixa uma mensagem no final do registro para quem também está sofrendo o mesmo tipo de violência. "Se riem de você, não deixe que te incomodem. Seja forte. As coisas irão melhorar um dia".

    As palavras de Keaton viralizaram. Até esta segunda (12), o vídeo compartilhado por Kimberly Jones, mãe do garoto, já tinha sido assistido mais de 22 milhões de vezes.

    No Twitter, inúmeras celebridades prestaram apoio ao menino.

    Chris Evans, ator que interpreta o Capitão América, convidou o menino para a estreia do próximo filme dos Vingadores.

    Stay strong, Keaton. Don't let them make you turn cold. I promise it gets better. While those punks at your school are deciding what kind of people they want to be in this world, how would you and your mom like to come to the Avengers premiere in LA next year? https://t.co/s1QwCQ3toi

    — Chris Evans (@ChrisEvans) 10 de dezembro de 2017

    "Seja forte, Keaton. Juro que tudo vai melhorar. Enquanto esses vândalos em sua escola estão decidindo que tipo de pessoas querem ser neste mundo, você gostaria de vir com sua mãe para a estreia de 'Vingadores' em Los Angeles no próximo ano?"

    Mark Hamill, o Luke Skywalker de Star Wars, também escreveu para Keaton.

    Keaton-Don't waste time wondering why a bully would be so mean-They're sad people who think hurting others will make them feel better because they really don't like themselves-They're just jealous because you're so smart & handsome❤️Your friend-mh https://t.co/SUMw3OoCTm

    — @HamillHimself (@HamillHimself) 10 de dezembro de 2017

    "Keaton, não perca tempo se perguntando o motivo pelo qual fazem isso. São pessoas tristes que acham que prejudicar as outras as fará sentir bem porque não gostam de si mesmas."

    O presidente do Ultimate Fighting Championship (UFC), Dana White, pediu ajuda de seus seguidores a fim de "levar Keaton para Las Vegas e visitar a sede do UFC".

    Meet Keaton Jones a very smart little boy who is being bullied at school. This video is heartbreaking!! I want to bring Keaton to Vegas and hang out at UFC Headquarters. If anyone knows how i can reach the family please let me know. Thank u everyone pic.twitter.com/BR8c4ldDFc

    — Dana White (@danawhite) 10 de dezembro de 2017

    "Conheçam Keaton Jones, um garoto muito inteligente que está sendo intimidado na escola. Este vídeo é doloroso! Eu quero trazer sKeaton para Vegas para conhecer a sede do UFC. Se alguém souber como posso encontrar a família, avise-me. Obrigado a todos."

    Justin Bieber também se pronunciou sobre o vídeo em seu perfil pessoal no Instagram.

    "O fato de ele ainda ter simpatia e compaixão por outras pessoas quando ele está passando por dificuldades ele mesmo é um testemunho de quem ele é. Ele é uma lenda", disse o cantor.

    Uma publicação compartilhada por Justin Bieber (@justinbieber) em Dez 10, 2017 às 7:20 PST

    Artistas como Demi Lovato, Snopp Dog, Ricky Martin e Katy Perry também manifestaram apoio ao menino nas redes sociais. No Twitter, a hashtag #Keaton e #StandWithKeaton estavam entre os assuntos mais comentados nesta segunda.

    This broke my 💔 today. Please be kind to one another. #standwithkeatonhttps://t.co/8XBbFmnuc1

    — KATY PERRY (@katyperry) 10 de dezembro de 2017

    "Isso partiu meu coração hoje. Seja gentil com o outro."

    No Facebook, a mãe de Keaton agradeceu as mensagens de apoio e disse estar "honrada" pelo fato da voz de seu filho ter sido ouvida. "Amigos, amo vocês pelo que estão fazendo, porque não há como responder ou ler todas as mensagens", escreveu.

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    CPMI da JBS : relatório pede indiciamento de Janot, irmãos Batista e mais três

    CPMI da JBS : relatório pede indiciamento de Janot, irmãos Batista e mais três


    O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) pediu, no relatório final da CPMI da JBS, o indiciamento do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e do empresário Joesley Batista, dentre...

    Karine Melo - Repórter da Agência Brasil

    O deputado Carlos Marun (PMDB-MS) pediu, no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, o indiciamento do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e do procurador da República Eduardo Pellela, que foi chefe de gabinete de Janot. Os dois, acusados pelo relator dos crimes de prevaricação e abuso de autoridade, se negaram a comparecer à Comissão para prestar esclarecimentos.

    No relatório de 326 páginas, apresentado hoje (12), Marun também pede o indiciamento dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e sócios do grupo J&F, e do ex-executivo da JBS, Ricardo Saud, e do ex-procurador da República Marcelo Miller. Os irmãos Batista e Saud compareceram à CPMI e exerceram o direito constitucional de permanecer calados. Já Miller respondeu às perguntas dos parlamentares, mas não convenceu o relator.

    No caso dos irmãos Batista, Marun pede o indiciamento deles pelos crimes de corrupção ativa, uso indevido de informação privilegiada e manipulação de mercado. O indiciamento de Saud por é pedido por motivo de corrupção ativa e o de Miller, por corrupção passiva e improbidade administrativa, entre outros.

    Se aprovado na Comissão, o relatório é enviado como um documento de sugestões para os órgãos competentes.

    Temer

    O relator da CPMI concluiu que as acusações de Rodrigo Janot que levaram às duas denúncias contra o presidente da República, Michel Temer, são infundadas.

    Para Marun, as práticas dos executivos da J&F reveladas com as operações policiais, que ele avaliou no documento como "espúrias", fizeram com que o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aproveitasse a oportunidade e o cargo que ocupava para "dar azo a uma infundada acusação em face do presidente da República".

    Ele considerou que a acusação "estava calcada em meios de prova frágeis e inidôneos produzidos pelos irmãos Batista, que lhe garantiram, através da concessão do Parquet, a completa imunidade penal e a manutenção dos bens de sua propriedade que foram angariados mediante a empreitada criminosa ao longo do tempo, além da subscrição do pacto em tempo recorde", destaca o documento.

    Ainda em defesa de Temer, Marun acusa o ex-procurador-geral da República de tentar, "com seu ato travestido de legalidade, derrubar o representante máximo da democracia brasileira, visto que, caso tivesse ocorrido o regular processamento da exordial acusatória, estaria ele impedido de continuar governando a nação"

    O relator da CPMI também destaca que toda a acusação teve apenas como fundamento a gravação de uma conversa travada entre o presidente da República e Joesley Batista o que, segundo Marun, não revela a prática de qualquer ato criminoso por parte de Temer.

    Sobre o encontro de Temer e Joesley fora da agenda oficial, no Palácio do Jaburu, no qual o empresário gravou o diálogo com o presidente, o deputado disse que "trata-se de atividade inerente ao mandato lidar com autoridades e com os maiores representantes do empresariado nacional, visando ao bem da sociedade brasileira. Cabe destacar, por oportuno, que tal atividade ocorre diuturnamente em todos os Poderes da República, fazendo parte do próprio ofício da autoridade", justificou.

    Recomendações

    O deputado Carlos Marun pede que o relatório seja encaminhado aos órgãos estaduais e federal do Ministério Público e também às polícias estaduais à Polícia Federal, conforme as respectivas competências e atribuições, para ciência dos indiciamentos levados a efeito pela CPMI e providências pertinentes.

    Há ainda a recomendação ao Ministério Público Federal para que aprofunde as investigações relativas ao ex-procurador da República Marcello Miller e também a Joesley e Wesley Batista e a Ricardo Saud.

    Em relação a Janot e Eduardo Pelella, Marun pede para que a conduta deles seja avaliada, sob o aspecto administrativo-disciplinar, e que a Procuradoria-Geral da República encaminhe ao órgão competente.

    Histórico

    A comissão foi instalada em 5 de setembro deste ano, para investigar, no prazo de até 120 dias, irregularidades envolvendo a empresa JBS em operações realizadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ocorridas entre os anos de 2007 e 2016.

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    Igreja Universal é investigada por Ministério Público de Portugal após denúncia de tráfico internacional de crianças

    Igreja Universal é investigada por Ministério Público de Portugal após denúncia de tráfico internacional de crianças


    O Ministério Público de Portugal vai investigar uma rede de tráfico internacional de crianças liderada pela Igreja Universal do Reino de Deus e a família do bispo Edir Macedo.As investigações acontecem após uma série de reportagens do canal TVI,...

    O Ministério Público de Portugal vai investigar uma rede de tráfico internacional de crianças liderada pela Igreja Universal do Reino de Deus e a família do bispo Edir Macedo.

    As investigações acontecem após uma série de reportagens do canal TVI, líder de audiência no país, denunciar que mães tiveram os seus filhos sequestrados por membros da igreja em abrigos ilegais mantidos pela instituição nos anos 90.

    Quem comanda as investigações, abertas na última semana, é o Diap (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa. De acordo com a Folha de S. Paulo, a Igreja Universal nega as acusações e classificou as reportagens como "campanhas difamatórias".

    A instituição religiosa abriu a primeira igreja em 1989 no país. De lá para cá, se espalhou rapidamente impulsionada pela quantidade de brasileiros residentes em Portugal. Hoje, eles já possuem pelo menos 120 igrejas.

    A série da TVI intitulada O Segredo dos Deuses: Os três irmãos roubados à mãe para um lar da IURD foi ao ar na última segunda-feira (11). A reportagem conta a história de Maria*, mãe de três filhos que foram sequestrados.

    Maria* trabalhava e precisava deixar os filhos pequenos em casa sozinhos. Ela pediu ajuda ao Estado, que retirou a guarda de seus filhos e os enviou para um lar de assistência social. De acordo com a legislação, ela poderia visitar as crianças todos os finais de semana e trazê-los de volta ao lar assim que se estabilizasse. Porém, Maria* só viu os três filhos uma única vez naquele ano. Depois, perdeu o conhecimento para onde as crianças foram levadas.

    De acordo com o jornal, a Igreja Universal mantinha centros de assistência à crianças pobres de forma irregular na década de 1990. O "Lar Universal" era uma mistura de orfanato e casa de assistência social. Aberta em 1994, a casa só foi oficializada em 2001 e acabou fechando em 2011, devido a crise financeira.

    A reportagem da TVI apurou que nestes lares ocorria a adoção ilegal de crianças, sem qualquer acompanhamento formal da justiça. As crianças eram "adotadas" por pessoas de outros países ou por próprios membros da igreja, como bispos e pastores.

    A série da TVI se baseia em mais de 10 mil documentos, em uma apuração que já dura 7 meses, afirma a emissora. Novos episódios sobre o caso devem vir ao ar ainda nesta terça-feira (12).

    Em nota, a Igreja Universal afirmou que irá processar a emissora portuguesa e acusa o ex-pastor Alfredo Paulo Filho, uma das fontes entrevistadas pela reportagem, como o "líder das denúncias".

    "O referido cidadão deixou de colaborar com a Universal no final do ano de 2013, por acordo voluntário das partes. A sua saída foi motivada pelas suas condutas impróprias, que tornaram insustentável a sua permanência na Igreja Universal do Reino de Deus, não havendo quaisquer condições para que ele prosseguisse com a sua missão espiritual. Ressalvamos que os bispos e pastores têm de manter um comportamento moral irrepreensível, o que não foi o caso de Alfredo Paulo Filho, que assumiu, ele próprio, ter falhado em seus compromissos, nomeadamente com a sua família, com os fiéis e com a Igreja. As crianças foram encaminhadas pela Segurança Social e pela Santa Casa de Misericórdia de Lisboa para um Lar –que evidentemente à época não era ilegal–, e vários pais adotivos se candidataram a adotá-las. Contam-se pelos dedos de uma mão as crianças que foram adotadas por essa via –com decisão judicial, sublinhe-se– por casais ligados à Universal".

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