HuffPost Brasil Athena2

    O movimento de repúdio dos somalis ao maior ataque terrorista já sofrido no país

    O movimento de repúdio dos somalis ao maior ataque terrorista já sofrido no país


    Nesta quarta-feira (18), as ruas de Mogadíscio, capital da Somália, foram tomadas por centenas de manifestantes em um movimento de repúdio ao ataque sofrido pelo país no último sábado (14). As explosões das bombas deixaram mais de 300 mortos e...

    Nesta quarta-feira (18), as ruas de Mogadíscio, capital da Somália, foram tomadas por centenas de manifestantes em um movimento de repúdio ao ataque sofrido pelo país no último sábado (14). As explosões das bombas deixaram mais de 300 mortos e pelo menos 400 feridos. Cerca de 70 pessoas ainda estão desaparecidas, de acordo com a polícia.

    Para os moradores de Mogadíscio, o ataque é considerado o "11 de setembro" do país. A referência ao atentado às Torres Gêmeas, no centro financeiro de Nova York, em 2001, se dá não apenas pelo número de vítimas, mas pelo simbolismo e trauma deixados pelo rastro das bombas.

    De acordo com O Globo, os somalis, ainda, questionam o "silêncio" da mídia internacional sobre o ataque.

    "Podem nos matar, mas não o nosso espírito e nosso desejo de paz", declarou a professora da escola secundária Zainab Muse.

    A ofensiva ocorreu em frente ao hotel Safari, que fica perto de ministérios do governo somali e em uma rua bastante movimentada de Mogadíscio. O prédio foi amplamente destruído pela explosão.

    O presidente Mohamed Abdullahi Mohamed declarou três dias de luto e se juntou às milhares de pessoas que responderam aos apelos desesperados dos hospitais por doações de sangue. "Estou implorando ao povo somali para que doem", afirmou o governante.

    A explosão ainda não foi reivindicada por nenhum grupo, mas o governo culpa o grupo fundamentalista islâmico somali Al Shabab, que vem aumentando suas ações no centro e no sul do país nos últimos meses.

    O atentado ocorreu dois dias depois de um encontro em Mogadíscio entre o presidente da Somália e expoentes do comando dos EUA na África. Além disso, três dias atrás, o governo perdeu dois membros de seu alto escalão, o ministro da Defesa Abdirashid Abdullahi Mohamed e o chefe das Forças Armadas Ahmed Jimale.

    Situado no Chifre da África, a Somália é um dos países mais vulneráveis do mundo por causa da pobreza disseminada, da atuação de milícias terroristas e da instabilidade política. Em março, o governo somali chegou a declarar estado de calamidade nacional por causa da fome no país.

    LEIA MAIS: Com 189 mortos, Somália tem pior atentado de sua história Número de mortos em pior ataque na Somália passa de 300
    Fiscais suspendem ações de vigilância contra trabalho escravo em 17 estados

    Fiscais suspendem ações de vigilância contra trabalho escravo em 17 estados


    Portaria do Ministério do Trabalho dificulta fiscalização de situações de trabalho...

    Por Alex Rodrigues

    Em protesto contra a mudança nas regras de fiscalização e combate ao trabalho análogo à escravidão e ao que classificam como uma tentativa de "esvaziamento" de suas atribuições, fiscais do trabalho de pelo menos 17 estados decidiram suspender as ações de vigilância até que o Ministério do Trabalho revogue a Portaria 1.129, publicada nesta segunda-feira (16).

    Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Fernando da Silva Filho, os coordenadores estaduais das 17 unidades da federação em que a categoria aprovou a suspensão da fiscalização notificaram o Ministério do Trabalho hoje (18). O ministério, no entanto, afirma ainda não ter sido oficialmente informado sobre protestos ou paralisações.

    "Vão ser concluídas apenas algumas operações que já estavam em curso ou prestes a ser deflagradas. Todas as demais fiscalizações vão ser paralisadas até que o ministro revogue esta portaria absurda", declarou Filho à Agência Brasil.

    Para os fiscais, as novas regras para a caracterização de trabalho análogo ao escravo e para atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido pessoas a essa condição (a chamada lista suja do trabalho escravo) interferem no trabalho de fiscalização, gerando maior insegurança para os auditores exercerem seu trabalho.

    Entre as mudanças resultantes da publicação da portaria está a previsão de que só o ministro do Trabalho pode incluir na chamada Lista Suja do Trabalho Escravo os nomes dos empregadores que submeterem pessoas às condições semelhantes à escravidão. Só o ministro poderá autorizar a divulgação da relação. Antes, a inclusão dos empregadores flagrados e a divulgação da lista era feita pelos técnicos.

    A portaria ministerial também estabelece novas regras para a caracterização de trabalho escravo. Enquanto o artigo 149 do Código Penal classifica como crime submeter alguém a realizar trabalhos forçados ou a cumprir jornadas exaustivas em condições degradantes de trabalho, a portaria exclui a possibilidade do fiscal autuar ao flagrar trabalhadores expostos à condições degradantes ou jornadas exaustivas caso não fique configurada restrição a sua liberdade de ir e vir.

    Ou seja, segundo a portaria ministerial, a escravidão se caracterizaria apenas pela coação ou cerceamento da liberdade de ir e vir, patente quando se verifica a presença de seguranças armados para limitar a movimentação dos trabalhadores ou pela apreensão de documentos.

    "Essa portaria é descabida e ilegal, pois fere o ordenamento jurídico brasileiro e as convenções internacionais de que o Brasil é signatário. O ministro não pode interferir assim no trabalho dos fiscais. Como a legislação estabelece que nenhum servidor está obrigado a cumprir uma ordem ilegal, estamos seguros quanto ao acerto da paralisação", disse Filho, prevendo que o debate em torno da portaria ministerial vai "dividir aqueles que estão preocupados com a dignidade dos trabalhadores daqueles que se valem da exploração do trabalho escravo".

    Procurado, o ministério informou que não foi "oficialmente" comunicado sobre paralisações ou protestos de auditores fiscais do trabalho. Em nota divulgada na segunda-feira (16), a pasta defendeu que a portaria vai "aprimorar e dar segurança jurídica à atuação do Estado".

    Segundo o ministério, as novas disposições sobre os conceitos de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas a de escravo servem à concessão de seguro-desemprego para quem vier a ser resgatado em fiscalização promovida por auditores fiscais do trabalho.

    O combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana.Ministério do Trabalho

    Ontem (17), o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram ao Ministério do Trabalho que revogue a portaria, classificada por procuradores que assinaram a recomendação como um ato "ilegal" que afronta o Código Penal e decisões da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Supremo Tribunal Federal (STF).

    "A referida portaria traz conceitos equivocados e tecnicamente falhos dos elementos caracterizadores do trabalho escravo, sobretudo de condições degradantes de trabalho e jornadas exaustivas", afirmam os procuradores.

    LEIA MAIS: Como a nova regra do Ministério do Trabalho dificulta o combate ao trabalho escravo Portaria sobre trabalho escravo é inconstitucional, diz secretário do Ministério do Trabalho
    O episódio de 'MasterChef' que fez o público perder 2 horas de vida na frente da TV

    O episódio de 'MasterChef' que fez o público perder 2 horas de vida na frente da TV


    O episódio de MasterChef Profissionais exibido nesta terça-feira (17) teve foi palco de uma situação insólita: a repescagem seguida de eliminação de um mesmo competidor.Quem passou por essa montanha-russa de emoções foi Guilherme.Bem vindo...

    O episódio de MasterChef Profissionais exibido nesta terça-feira (17) teve foi palco de uma situação insólita: a repescagem seguida de eliminação de um mesmo competidor.

    Quem passou por essa montanha-russa de emoções foi Guilherme.

    Bem vindo Guilherme, Adeus Guilherme #MasterChefBR

    — Sushi (@HayesNaay) 18 de outubro de 2017

    Na prova de repescagem, ele e William tiveram 30 minutos para criar um prato livre. O pato no risoto do participante conquistou os jurados.

    "Você têm elaborado receitas muito difíceis e ainda assim se destacou. Parabéns", disse Paola Carosella. "Eu não faria algo tão criativo em pouco tempo, mas você realmente foi bem", elogiou Joaquim.

    Mas a euforia da vitória durou pouco.

    No desafio que custaria uma eliminação, os cozinheiros tiveram a missão de preparar um prato oriental – chinês, japonês, tailandês ou indiano. Guilherme teve dificuldades na hora de reinventar um prato da culinária tailandesa e acabou deixando o talent show.

    Minha vida é tão inútil quanto a repescagem do Guilherme #MasterChefBR

    — Dani Buffon (@Dani_Buffonn) 18 de outubro de 2017

    "Você misturou coisas demais e o sabor final ficou muito ruim", cravou Paola

    O @MCProGuilherme voltou, sentiu um pouco mais do gostinho da competição, mas precisou deixar a cozinha novamente. #MasterChefBRpic.twitter.com/vuFpFUJIAI

    — MasterChef Brasil (@masterchefbr) 18 de outubro de 2017

    O trânsito de Guilherme no MasterChef Profissionais foi um dos assuntos mais comentados no Twitter na noite de terça (17). Os espectadores se identificaram com a situação vivida pelo cozinheiro.

    Guilherme voltando pro #MasterChefBR de hoje. pic.twitter.com/a0xpxNRd2F

    — Ronald Monção (@RonaldMoncao) 18 de outubro de 2017

    Guilherme acabou de voltar e já saiu #MasterChefBRpic.twitter.com/7i2K1PTxjY

    — Alana (@alan4lemos) 18 de outubro de 2017

    Guilherme voltou e saiu no mesmo episódio

    foi bem esse gif #MasterChefBRpic.twitter.com/CasolyX6IC

    — cleytu (@cleytu) 18 de outubro de 2017

    A participação do Guilherme resumiu minha vida, quando acho q vai da certo, dá ruim #MasterChefBRpic.twitter.com/9FldUVLysA

    — Matheus Souza (@Matheuspsss) 18 de outubro de 2017

    Apariçao do Guilherme em sua volta ao #MasterChefBRpic.twitter.com/a390mNjGGs

    — EduMag 🏟 (@magnani407) 18 de outubro de 2017

    Alguns espectadores concluíram que o retorno seguido de eliminação foi o equivalente a um episódio perdido do programa. Tal conclusão também virou assunto na rede social.

    Eu não acredito que fiquei até uma da manhã assistindo #MasterChefBR pra ver o Guilherme voltar e ser eliminado no mesmo programa

    — atha (@thrangel) 18 de outubro de 2017

    se o Guilherme voltar e sair no mesmo episódio infelizmente teremos perdido 2h preciosas de nossa vida em vão #MasterChefBR

    — CHR1S (@chriskax) 18 de outubro de 2017

    Guilherme, devolve as duas horas do tempo que eu perdi assistindo a repescagem agora #MasterChefBRpic.twitter.com/Dn5fzPvFSk

    — Sam (@__Themyscira) 18 de outubro de 2017

    Ao Portal da Band, o paulistano explicou o que ocasionou sua eliminação do programa:

    "Foi bom enquanto durou. Estou feliz, fiz o que deveria fazer, cozinhei, provei para mim mesmo que eu sabia cozinhar. Ao meu ver, o prato estava muito saboroso, não mudaria nada no momento, foi questão de gosto, não saio decepcionado."

    Guilherme também garantiu que conhecia o prato em questão.

    "Já tinha feito, já vi, já comi, então estava relativamente tranquilo. O que deu errado é que posso ter sido um pouco mal interpretado, não entenderam o meu prato, os temperos, os sabores. É tudo muito subjetivo."

    LEIA MAIS: É oficial: Ninguém aguenta mais Clécio chamando Francisco de paizão no 'MasterChef' A prova do chocolate no ‘MasterChef Profissionais’ atiçou a criatividade do público

    Quem são os 9 senadores ausentes na votação que salvou Aécio

    Quem são os 9 senadores ausentes na votação que salvou Aécio


    Na noite em que o Senado Federal derrubou duas medidas cautelares contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), nove senadores estavam ausentes. Pelo menos três disseram que manteriam o afastamento do tucano, se tivessem votado.No dia 26 de setembro, a...

    Na noite em que o Senado Federal derrubou duas medidas cautelares contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), nove senadores estavam ausentes. Pelo menos três disseram que manteriam o afastamento do tucano, se tivessem votado.

    No dia 26 de setembro, a primeira turma do Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento e o recolhimento domiciliar noturno do parlamentar, por 3 votos a 2. Em 2 de junho, a PGR denunciou Aécio por corrupção e obstrução à Justiça.

    O parlamentar recuperou o mandato nesta terça-feira (17), por 44 votos a 26. Eram necessários 41 votos. Dos 71 presentes, apenas o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) não votou, devido ao seu cargo.

    Em missão oficial à 137ª assembleia da União Interparlamentar e ou no 3º Fórum Parlamentar do Brics, em São Petersburgo, na Rússia, estavam Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gladson Cameli (PP-AC), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Jorge Viana (PT-AC) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

    Na época do primeiro processo contra Aécio no Conselho de Ética devido à delação da JBS, Grazziotin assinou recurso para desarquivar o caso, em junho. O processo havia sido arquivado pelo presidente do colegiado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA) e o entendimento teve aval do conselho em julho, por 12 votos a quatro. Gladson Cameli (PP-AC), por sua vez, foi dos que votou favoráveis ao tucano.

    Presidente do PT, Gleisi Hoffmann, inicialmente afirmou que a decisão da Primeira Turma era inconstitucional e que o caminho correto para que ele fosse punido seria no Conselho de Ética. O PT apresentou um representação contra ele em 28 de setembro.

    Vamos acionar os mecanismos institucionais adequados p/ afastar Aécio. A decisão do STF ñ tem amparo constitucional. https://t.co/csGHqspxbEpic.twitter.com/HzOrXRt6hE

    — PT no Senado (@PTnoSenado) 28 de setembro de 2017

    Queremos q Aecio Neves seja punido c/ severidade por tudo que fez dentro do devido processo legal! Estamos pedindo a cassação de seu mandato

    — Gleisi Hoffmann (@gleisi) 3 de outubro de 2017

    Em nota divulgada no dia 27 de setembro pela Executiva Nacional do PT, a legenda alega que "não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição".

    O senador Jorge Viana também chegou a criticoar a constitucionalidade da decisão da Primeira Turma do STF. "Ou a gente muda a Constituição ou este país vira uma anarquia", afirmou.

    Após cobrança de militantes, contudo, a bancada resolveu votar para manter as medidas cautelares contra o tucano.

    O partido de Sérgio Petecão (PSD-AC) liberou os senadores para votarem como quisessem. Omar Aziz (PSD-AM) votou para salvar o tucano, enquanto Lasier Martins (RS) e Otto Alencar (BA) foram a favor do afastamento.

    No Worldskills, em Abu Dhabi 2017, nos Emirados Árabes Unidos, Cristovam Buarque (PPS-DF), Ricardo Ferraço (PSDB-ES) e Armando Monteiro (PTB-PE).

    Cristovam disse que teria votado contra o tucano.

    Se estivesse em Brasília meu voto seria a favor do afastamento do senador Aécio Neves.

    — Cristovam Buarque (@Sen_Cristovam) 17 de outubro de 2017

    Apesar do mesmo partido de Aécio, Ferraço afirmou que o "Senado não pode se posicionar de modo a incentivar a impunidade, tampouco o corporativismo" e que teria sido a favor de manter o afastamento.

    Pessoal, deixo aqui a minha posição com relação a decisão que o Senado vai tomar hoje sobre o afastamento de um senador. pic.twitter.com/O8S03XbgnV

    — Ricardo Ferraço (@RicardoFerraco) 17 de outubro de 2017

    Já o PTB, de Armando Monteiro (PTB-PE), orientou voto contra o afastamento. O outro integrante da bancada, Telmário Mota (PTB-RR) afirmou, em plenário, nesta terça, que a decisão da Primeira Turma "configura inegável violação à Constituição brasileira".

    A nona falta, sem justificativa oficial, foi da senadora Rose de Freitas (PMDB-ES). O PMDB orientou o voto a favor de Aécio, mas a parlamentar anteriormente elogiou a decisão do afastamento. "Político não pode, só porque tem uma parcela de poder institucional, achar que não tem que responder", afirmou.

    Após a decisão do plenário, Aécio afirmou, em nota, que "recebeu com serenidade a decisão". "A decisão restabeleceu princípios essenciais de um Estado democrático, garantindo tanto a plenitude da representação popular, como o devido processo legal, assegurando ao senador a oportunidade de apresentar sua defesa e comprovar cabalmente na Justiça sua inocência em relação às falsas acusações das quais foi alvo", diz o texto.

    Entenda o caso

    Em 18 de maio, o ministro do Supremo Edson Fachin determinou o afastamento do senador Aécio Neves do mandato. A decisão esteve em vigor até o ministro Marco Aurélio Mello decidir que o tucano voltasse ao Congresso.

    Em maio, Fachin determinou ainda a prisão da irmã e do primo do senador, Andrea Neves e Frederico Pacheco de Medeiros. Ambos foram liberados para prisão domiciliar em 20 de junho.

    De acordo com as investigações, Andrea era considerada operadora de Áecio. Em delação premiada, o dono do frigorífico JBS Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o senador pediu R$ 2 milhões. O dinheiro seria para pagar despesas judiciais. A PGR abriu uma investigação para apurar as negociações do acordo de delação.

    A defesa do senador nega irregularidade e afirma que ele foi "vítima de uma grande e criminosa armação engendrada pelos senhores Joesley Batista e Ricardo Saud em busca dos benefícios de uma generosa delação".

    Após o novo afastamento, pela Primeira Turma do STF, o plenário da Corte decidiu em 11 de outubro que a caberia à Casa Legislativa do parlamentar envolvido ratificar a decisão sempre que a medida cautelar impossibilitar o exercício regular do mandato legislativo.

    LEIA MAIS: Estes foram os 44 senadores que votaram para salvar Aécio Por que impedir a aplicação de suspensão de mandato a parlamentares esvazia o poder do Judiciário

    Luciano Huck sugere que vai concorrer em 2018


    O apresentador se encontrou com lideranças do DEM para discutir uma possível filiação ao partido visando...

    O apresentador Luciano Huck usou 20 parágrafos da coluna Tendências e Debates, da Folha de S.Paulo desta quarta-feira (18), para deixar claro que será uma força protagonista em 2018. Ele não verbalizou explicitamente o desejo de uma candidatura específica, mas em diversos momentos do texto usou expressões que revelam sua pretensão. "Quero e vou participar deste processo de renovação política no Brasil."

    Ele pondera, no entanto, que a contribuição mais efetiva que pode se dar é "fora do dia a dia da política".

    Huck faz uma reflexão sobre a atual crise que o País vivencia. "Acredito que esta fratura exposta que comprometeu, expôs e derreteu a estrutura política nacional arrastou a todos nós para uma crise econômica e caos social sem precedentes."

    E atribui à crise de representatividade legislativa a necessidade de mudança da qual faz questão de ser parte. Para o apresentador, a única saída é "ocupar o Legislativo brasileiro".

    Ele defende, também, dois movimentos de "renovação política" que integra: o Agora e o Renova Brasil. O primeiro é uma espécie de empresa que visa a formar lideranças políticas e lançar candidaturas. O segundo é um fundo mantido por alguns empresários para financiar campanhas "éticas e comprometidas com o bem comum", segundo o apresentador.

    Este artigo na Folha é mais um passo para consolidar seu nome como pré-candidato a um possível mandato em 2018. Em setembro, Huck se reuniu com o ministro da Educação, Mendonça Filho, e o prefeito de Salvador, ACM Neto, ambos do DEM, para discutir uma possível filiação do apresentador ao partido, visando às eleições para a Presidência no próximo ano.

    Lideranças do PPS também já conversaram com Luciano Huck, mas as conversas não teriam evoluído.

    Leia a íntegra do artigo aqui.

    LEIA MAIS: Climão! Luciano Huck é vaiado no Maracanãzinho. Ele justifica: 'Tem a ver com a situação do país' 'De coração, não sei te responder', diz Huck ao ser questionado sobre sumiço das fotos com Aécio

    As pessoas estão até agora assombradas com a morte de Irene em 'A Força do Querer'

    As pessoas estão até agora assombradas com a morte de Irene em 'A Força do Querer'


    Alucinações, vozes, cosplayers, gritos e muito choro.O capítulo de A Força do Querer exibido nesta terça-feira (17) mostrou o fim trágico da vilã Irene, interpretada por Débora Falabella. Com requintes de filme de terror, a cena de perseguição...

    Alucinações, vozes, cosplayers, gritos e muito choro.

    O capítulo de A Força do Querer exibido nesta terça-feira (17) mostrou o fim trágico da vilã Irene, interpretada por Débora Falabella. Com requintes de filme de terror, a cena de perseguição seguida por uma queda em um fosso de elevador impressionou o público.

    Fiquei com medo dessa cena da Irene, já estava até cantando "mas eu escolho Deus, eu escolho ser amigo de Deus"

    — 👻 Snap: pqgabriieu (@pqgabriieu) 18 de outubro de 2017

    Na cena, Irene estacionou o carro em um edifício-garagem e foi surpreendida pelos personagens por Eurico (Humberto Martins) e Silvana (Lilia Cabral). No ápice de um surto psicótico, ela encontrou também Elvira (Betty Faria), Dantas (REdson Celulari) e Garcia (Othon Bastos).

    O clima ficou ainda mais sombrio e bizarro quando a vilã começou a ver os amigos cosplayers de Yuri. Na tentativa de recuar de todos esses personagens, ela acabou caindo de uma grande altura. "Eugênio!", foi a última palavra, o último grito da personagem antes de chegar ao chão.

    Veja o momento exato da morte de Irene no player abaixo:

    A morte da Irene foi a morte em novela mais surreal que eu ja vi pic.twitter.com/g79N6NxtCX

    — @ de tudo um pouco (@detudoumpouco2x) 18 de outubro de 2017

    ​​​​​​A atmosfera sombria e insólita do desfecho da personagem que infernizou a vida de muita gente na trama deixou as pessoas assombradas nas redes.

    Essa cena da Irene pareceu um Filme De Terror..😱😨😲 Meu Deus!!! pic.twitter.com/EW0TIn7Z4q

    — Bruno Mix✌🌻 (@BrunoSilvaGrand) 18 de outubro de 2017

    eu vendo essa cena da irene pic.twitter.com/ln0DaECSGI

    — 🌈LESBICANDO🌈 (@Lesbicando1995) 18 de outubro de 2017

    E medo de levantar pra ir no banheiro e encontrar a Irene #AForçaDoQuererpic.twitter.com/2W9tb5YHEW

    — K A Y U B Y 🉑 (@kayubyETz) 18 de outubro de 2017

    A morte de Irene foi um dos assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda (17).

    Mas não foi só gente assombrada que apareceu na rede social. Teve também quem deu risada do fim trágico da megera.

    Eu tô morto com o Goku ajudando a matar a Irene. #AForçaDoQuererpic.twitter.com/OBJGPsGJAf

    — ArcanjoCleo (@Cleo_Jornal) 18 de outubro de 2017

    EU VENDO ESSA CENA DA IRENE TODA LOCA #AForçaDoQuererpic.twitter.com/ZHYlqnGFSx

    — Hey there Delilah™ (@eu_souamareviva) 18 de outubro de 2017

    A cena é pesada, mas tô rindo muito com os cosplayers seguindo a Irene pic.twitter.com/hXovOJ6rML

    — Estrela (@hmjek) 18 de outubro de 2017

    Também não faltaram piadas e memes.

    Esquadrão suicida heuheu. Que cenão bicho. Irene LACROU pic.twitter.com/s4Kyf2Rbaa

    — Melissa 💫 (@Iae_mell) 18 de outubro de 2017

    VAI SE FUDER IRENE VAI CONTINUAR CAINDO ATÉ CHEGAR NO INFERNO DESGRAÇADA ESSE MOMENTO É MEU #AForçaDoQuererpic.twitter.com/xaTm2p4WW9

    — rai (@raihonorat) 18 de outubro de 2017

    Glória Perez num dia só fez só referências com a Irene:
    *Papel de trouxa
    *Grávida de Taubaté
    *It a coisa #Aforçadoquerer#Irene 👏👏👏 pic.twitter.com/EzRIap1tjG

    — Ah Louca (@AhLouca5) 18 de outubro de 2017

    Usuária assídua do Twitter, a autora Gloria Perez usou seu perfil na rede social para ratificar um elogio à atriz Débora Falabella. "Ela sempre arrasa", escreveu.

    Ela sempre arrasa!!! #aForçaDoQuererhttps://t.co/BB7Iq4BoZB

    — Gloria Perez (@gloriafperez) 18 de outubro de 2017

    O público ficará sabendo quem foi responsável pela morte de Irene somente no último capítulo da novela - que vai ao ar nesta sexta (20).

    LEIA MAIS: Esta cena de Bibi em 'A Força do Querer' fez Gloria Perez ser acusada de 'apologia ao tráfico' 'As pessoas resistem ao diferente', diz Gloria Perez sobre debate de gênero em 'A Força do Querer'

    Por que alterações na Lei Maria da Penha não protegem as mulheres, segundo especialistas

    Por que alterações na Lei Maria da Penha não protegem as mulheres, segundo especialistas


    Está nas mãos do presidente Michel Temer a decisão final sobre um projeto que pode enfraquecer a Lei Maria da Penha, segundo juristas. O texto aprovado pelo Senado, em 10 de outubro, permite que medidas protetivas às vítimas da violência doméstica...

    Está nas mãos do presidente Michel Temer a decisão final sobre um projeto que pode enfraquecer a Lei Maria da Penha, segundo juristas. O texto aprovado pelo Senado, em 10 de outubro, permite que medidas protetivas às vítimas da violência doméstica sejam concedidas por delegados. Atualmente, apenas os juízes podem definir as medidas.

    Com autoria do deputado Sergio Vidigal (PDT-ES), o projeto -- que inclui outros dois artigos na Lei -- , foi aceito em uma votação simbólica e apresentado como positivo. Porém, foi considerado inconstitucional por organizações vinculadas aos direitos humanos e ao Judiciário.

    Para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública e o Ministério Público, o texto fere a Constituição porque "transfere prerrogativas judiciais a agentes policiais, além da falta de estrutura das delegacias e de capacitação dos agentes de polícia no País para atenderem às demandas das mulheres em situação de violência".

    De acordo com texto do projeto, a concessão de medidas protetivas pelo delegado só será admitida em caso de risco real ou iminente à vida ou à integridade física e psicológica da mulher e de seus dependentes. Sendo assim, a autoridade policial deverá comunicar a decisão ao juiz e também consultar o Ministério Público em até 24 horas para definir pela manutenção da decisão.

    Mas, então, como o projeto que promete agilidade pode prejudicar as mulheres e por quê está sendo considerado inconstitucional? Em entrevista ao HuffPost Brasil, a defensora pública Ana Rita Souza Prata, coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher da Defensoria Pública de São Paulo, defende que, por mais que à primeira vista aparente ser positiva, a modificação pode trazer danos à aplicação e efetividade da lei.

    "A Lei Maria da Penha prevê obrigações hoje para a polícia que não são cumpridas pela alegação de falta de profissionais. Eu fico refletindo que profissional vai surgir para intimar esses agressores. É uma medida que não vai ter efetividade na realidade. E a gente questiona qual o objetivo real dessa proposta. Porque as mulheres não terão mais proteção com ela", argumenta.

    De início eu entendi que seria uma coisa positiva. Mas é inconstitucional. O policial não pode fazer as vezes do poder Judiciário. Cada qual com seu cada qual. A lei não pode perder a sua força, e para qualquer alteração é preciso que as ONGs e entidades que criaram a lei estejam envolvidas no debate. Isso não aconteceu.Maria da Penha, em entrevista ao HuffPost Brasil em 2015.

    Na justificativa da proposta consta que, se sancionada, ela irá acelerar a apreciação dos pedidos de proteção, a fim de garantir segurança; e que tem como objetivo promover melhorias no sistema de combate à violência doméstica e familiar contra a mulher.

    "Ela dá uma autorização ao delegado, um poder de praticar um ato de jurisdição, que é privativo de um juiz. Mas e a prisão em flagrante? Eles podem questionar. Ela está prevista em nossa Constituição. Esse argumento de que a alteração vai beneficiar as mulheres é raso. A gente tem que pensar na simbologia desse ato, de dar o poder aos delegados. Porque hoje o que se discute é isso, mas amanhã pode ser outra coisa. E aí? A gente não vai mais precisar de um juiz?", questiona a defensora.

    Outra preocupação, de acordo com Ana Rita Prata, é a de que as mulheres busquem a delegacia e tenham uma compreensão equivocada de que elas estão protegidas. "Sem a intimação do agressor, que seria a responsabilidade do delegado, a medida protetiva nada mais é do que um papel. Essa falsa compreensão da vítima leva à sensação de que elas são obrigadas a relatarem as violências unicamente na esfera criminal. E elas não são obrigadas", argumenta.

    A inconstitucionalidade e outros pontos

    Stela Valim, advogada e membro da Rede Feminista de Juristas, reforça que o projeto é inconstitucional e explica: "A autoridade policial não tem função jurisdicional, então, ao conceder essa medida, ela 'atravessa' a atividade do Poder Judiciário".

    Para Valim, o projeto não vai acelerar a proteção das mulheres, mas produzir um efeito contrário. "A mulher em situação de violência vai ficar muito mais dependente da autoridade policial, e isso pode trazê-la de volta à revitimização, até porque nós sabemos que, infelizmente, nossa polícia ainda é muito despreparada para lidar com esse tipo de violência e acaba adotando práticas machistas e desestimulando a mulher que procura ajuda", reflete a advogada.

    O projeto de lei prevê, ao menos, a inclusão outros dois novos artigos na Lei Maria da Penha que dizem respeito à atuação da autoridade policial. Estes, segundo a advogada, são interessantes e podem "resguardar sua integridade" e "priorizar o atendimento por profissionais do sexo feminino".

    O artigo 10-A e 12A do projeto, respectivamente, dizem respeito ao "atendimento policial e pericial especializado e ininterrupto" como direito da vítima; e em pressionar os estados para criar, com prioridade, equipes especializadas para o atendimento e investigação das violências graves contra a mulher, além do atendimento específico por servidoras do sexo feminino.

    "A intenção é fazer com que as delegacias sigam certas condutas no atendimento à mulher em situação de violência que sejam mais condizentes com as suas necessidades. Ou seja, deve-se ter um cuidado para evitar a revitimização, resguardar sua integridade, priorizar o atendimento por profissionais do sexo feminino, além de preparar a própria delegacia para atendê-la melhor, com um recinto específico e o acompanhamento de profissionais especializados", explica.

    Para Valim, a implementação dessas medidas pode enfrentar obstáculos de natureza burocrática e política e devem ser acompanhados de perto para se ter noção de sua efetividade a longo prazo. Sobre a questão referente às medidas protetivas, a advogada afirma que o artigo abre uma brecha complexa na lei:

    "A longo prazo, [estas medidas] não trariam uma real proteção à mulher em situação de violência: a polícia, por ter outras atribuições e não ter o preparo necessário, acabaria não dando conta dessa nova tarefa, o que levaria a uma mera impunidade dos agressores. Além disso, há o risco de que o Judiciário passe a simplesmente validar a decisão policial, sem analisar os pormenores do caso concreto", explica.

    Ana Rita Prata, no entanto, vê redundância em outros dois pontos do projeto. Segundo a defensora, a redação da Lei Maria da Penha já prevê o atendimento humanizado e especializado às vítimas, bem como o funcionamento de delegacias das mulheres sem interrupção. Ela chama atenção para a estrutura precária da organização policial do Brasil que, na realidade, não tem condições de absorver estas demandas.

    "É difícil acreditar que isso seja praticado de verdade, porque não tem pessoal. Eles podem tomar medidas alternativas, como funciona aqui em São Paulo: das nove delegacias da mulher, apenas uma fica aberta 24 horas. Essa é uma medida recente. É preciso ter em mente essa falta de estrutura da polícia", aponta.

    A defensora pública chama atenção de que as mulheres possuem o direito inviolável de viverem sem violência. E que é papel do Estado garantir a segurança não só pela via criminal.

    "As políticas públicas, incluindo o judiciário, devem garantir proteção à mulher independente da esfera criminal. Não necessariamente é preciso ter uma notícia de crime, um boletim de ocorrência, para conceder uma medida protetiva. Com essa alteração, pode causar ruído e as mulheres acreditarem que precisam ir à delegacia, mas elas têm outras vias, como buscar o Ministério Público e as Defensorias Públicas", conclui Prata.

    Não silencie!

    "Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

    Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.

    LEIA MAIS: Senado muda Lei Maria da Penha e organizações pedem que Temer vete a proposta O uso da Lei Maria da Penha como instrumento de vingança é um mito Justiça do Pará garante que mulheres trans sejam protegidas pela Lei Maria da Penha

    Estes foram os 44 senadores que votaram para salvar Aécio

    Estes foram os 44 senadores que votaram para salvar Aécio


    Senado Federal mantém mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado do cargo pelo Supremo Tribunal...

    O plenário do Senado Federal decidiu nesta terça-feira (3) por 44 votos a 26 derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu recolhimento domiciliar noturno e afastamento do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

    No dia 26 de setembro, a primeira turma do STF determinou as duas medidas e negou a prisão do senador. Votaram nesse sentido os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux. O relator do caso, Marco Aurélio Mello, e o ministro Alexandre de Moraes foram contra as punições para o parlamentar.

    Na interpretação de Barroso, o recolhimento noturno é "medida diversa de prisão", instrumento previsto no Código de Processo Penal. Já o Senado entendeu que caberia à Casa validar a decisão, como acontece em caso de prisão de senador, conforme o parágrafo 53 da Constituição Federal.

    Em uma resposta ao impasse, o plenário do STF decidiu em 11 de outubro que a caberá à Casa Legislativa do parlamentar envolvido ratificar a decisão sempre que a medida cautelar impossibilitar o exercício regular do mandato legislativo.

    O Supremo também se manifestou sobre outra dúvida: se a votação no Senado deveria ser aberta ou fechada. Em resposta a um mandado de segurança impetrado pela Rede Sustentabilidade, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu nesta terça-feira (17) que a votação deveria ser aberta, o que aumenta a pressão sobre o parlamentares.

    Manobra

    Diante da ausência de dez senadores devido a problemas de sáude e missões oficiais, aliados de Aécio cogitaram pressionar par adiar a votação. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), contudo, manteve a data, uma vez que foi atingido quórum mínimo de 41 senadores presentes na Casa.

    Ficou decidido pela Mesa do Senado que os senadores votariam "sim" se quisessem manter a decisão da Primeira Turma ou "não", se quisessem derrubar o afastamento. Qualquer decisão só valeria com o apoio de 41 senadores, não importa o lado.

    O entendimento foi diferente do adotado na época da prisão do então senador Delcício Amaral (ex-PT), em novembro de 2015, quando se exigiu 41 votos apenas para derrubar a decisão do Supremo.

    Aliado de Aécio, o presidente Michel Temer visitou Eunício pela manhã desta terça. O presidente do Senado, contudo, negou que tenham discutido a situação do tucano.

    O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), por sua vez, abandonou a licença médica para votar. Ele ficou duas semanas internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, por uma diverticulite aguda.

    O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chegou a fazer piada.

    Jucá teve arrancada metade das tripas e está aqui firme.

    O líder do PSDB, Paulo Bauer (SC), também deixou o hospital para votar a favor de Aécio. Já Ronaldo Caiado (DEM-GO) interrompeu a licença médica após cair de uma mula para votar contra o tucano.

    Em carta enviada a senadores, Aécio se diz vítiam de injustiça. "Talvez você possa imaginar a minha indignação diante da violência a que fui submetido e o sofrimento causado a mim, à minha família e a tantos mineiros e brasileiros que me conhecem de perto em mais de trinta anos na vida pública", diz o texto.

    Aliado do tucano, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) afirmou que com o afastamento Minas fica com apenas dois senadores. Ele disse ainda que a decisão da Primeira Turma "não têm cabimento" porque o processo penal que julga o caso de Aécio ainda não foi concluído. "Estamos ainda na fase inaugural, preambular, inicial do processo", afirmo em plenário.

    O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por outro lado, lembrou que o Senado manteve a prisão de Delcídio e afirmou que os ministros do STF que votaram pelo afastamento do parlamentare sustentaram que houve "participação efetiva do senador no cometimento de crime de impedimento ou embaraço da função penal".

    Entenda o caso

    Em 18 de maio, o ministro do Supremo Edson Fachin determinou o afastamento do senador Aécio Neves do mandato. A decisão esteve em vigor até o ministro Marco Aurélio Mello decidir que o tucano voltasse ao Congresso.

    Em maio, Fachin determinou ainda a prisão da irmã e do primo do senador, Andrea Neves e Frederico Pacheco de Medeiros. Ambos foram liberados para prisão domiciliar em 20 de junho.

    De acordo com as investigações, Andrea era considerada operadora de Áecio. Em delação premiada, o dono do frigorífico JBS Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o senador pediu R$ 2 milhões. O dinheiro seria para pagar despesas judiciais. A PGR abriu uma investigação para apurar as negociações do acordo de delação.

    Em 2 de junho, a PGR denunciou Aécio por corrupção e obstrução à Justiça. A defesa do senador nega irregularidade e afirma que ele foi "vítima de uma grande e criminosa armação engendrada pelos senhores Joesley Batista e Ricardo Saud em busca dos benefícios de uma generosa delação".

    Nesta terça, o ministro Fachin negou um pedido feito pela defesa de Aécio para suspender o afastamento do tucano.

    Confira quais senadores votaram para manter o mandato de Aécio

    Airton Sandoval (PMDB-SP)

    Antonio Anastasia (PSDM-MG)

    Ataídes Oliveira (PSDB-TO)

    Benedito de Lira (PP-AL)

    Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

    Cidinho Santos (PR-MT)

    Ciro Nogueira (PP-PI)

    Dalirio Beber (PSDB-SC)

    Dário Berger (PMDB-SC)

    Davi Alcolumbre (DEM-AP)

    Edison Lobão (PDMB-MA)

    Eduardo Amorim (PSDB-SE)

    Eduardo Braga (PMDB-AM)

    Eduardo Lopes (PRB-RJ)

    Elmano Férrer (PMDB-PI)

    Fernando Coelho (PMDB-PE)

    Fernando Collor (PTC-AL)

    Flexa Ribeiro (PSDB-PA)

    Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN)

    Hélio José (PMDB-DF)

    Ivo Cassol (PP-RO)

    Jader Barbalho (PMDB-PA)

    João Alberto Souza (PMDB-MA)

    José Agripino (DEM-RN)

    José Maranhão (PMDB-PB)

    José Serra (PSDB-SP)

    Maria do Carmo Alves (DEM-SE)

    Marta Suplicy (PMDB-SP)

    Omar Aziz (PSD-AM)

    Paulo Bauer (PSDB-SC)

    Pedro Chaves (PSC-MS)

    Raimundo Lira (PMDB-PB)

    Renan Calheiros (PMDB-AL)

    Roberto Rocha (PSB-MA)

    Romero Jucá (PMDB-RR)

    Simonte Tebet (PMDB-MS)

    Tasso Jereissati (PSDB-CE)

    Telmário Mota (PTB-RR)

    Valdir Raupp (PMDB-RO)

    Vicentinho Alves (PR-TO)

    Waldemir Moka (PMDB-MS)

    Wellington Fagundes (PR-MT)

    Wilder Morais (PP-GO)

    Zeze Perrela (PMDB-MG)

    LEIA MAIS: Por que Aécio e Temer não foram condenados? Aeroporto, aviões e bafômetro: As controvérsias de Aécio Neves
    Senado derruba decisão do STF que afastou Aécio do mandato de senador

    Senado derruba decisão do STF que afastou Aécio do mandato de senador


    Aécio, em 2014, na corrida...

    O plenário do Senado Federal decidiu nesta terça-feira (3), por 44 votos contra 26, derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estabeleceu recolhimento domiciliar noturno e afastamento do mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

    Leia aqui a lista dos senadores que votaram para afastar o tucano.

    Diante da ausência de dez senadores devido a problemas de saúde e missões oficiais, aliados de Aécio cogitaram pressionar para adiar a votação. O presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), contudo, manteve a data, uma vez que foi atingido quórum de 41 senadores presentes na Casa.

    A sessão contou com a presença de 70 senadores, inclusive alguns que estavam de licença médica, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Paulo Bauer (PSDB-SC).

    Por que Aécio foi afastado?

    O senador Aécio Neves foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa em 2 de junho.

    Em 18 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Patmos, que cumpriu 49 mandados judiciais de busca e apreensão e de prisão preventiva. A irmã do senador, Andrea Neves e o primo, Frederico Pacheco de Medeiros, foram detidos na época. Ambos foram liberados para prisão domiciliar em 20 de junho.

    De acordo com as investigações, Andrea era considerada operadora de Áecio. Em delação premiada, o dono do frigorífico JBS Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República que o senador pediu R$ 2 milhões. O dinheiro seria para pagar despesas judiciais.

    A defesa de Aécio Neves nega irregularidades e afirma que ele foi "vítima de uma grande e criminosa armação engendrada pelos senhores Joesley Batista e Ricardo Saud em busca dos benefícios de uma generosa delação".

    Pela decisão da Primeira Turma, o parlamentar também está proibido de contatar outros investigados por qualquer meio e de se ausentar do país, com entrega de passaporte. Por unanimidade, foi negado o pedido de prisão preventiva, feito pela PGR.

    Com o julgamento do pedido, foram restabelecidas as medidas cautelares previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal impostas, em maio deste ano, pelo relator original da ação, ministro Edson Fachin.

    Na época, o magistrado considerou presentes indícios da prática dos crimes decorrentes do acordo de delação premiada firmado entre pessoas ligadas ao Grupo J&F e o Ministério Público Federal, e apontou a necessidade das medidas para garantir a ordem pública e a instrução processual.

    Em junho, após agravos regimentais apresentados pelo senador, o ministro Marco Aurélio Mello, novo relator do processo, reconsiderou a decisão e restabeleceu o mandato do senador.

    Ao analisar o caso em setembro, em sessão da Primeira Turma, Marco Aurélio votou contra o pedido da PGR. Ele foi acompanhado pelo ministro Alexandre de Moraes.

    A divergência foi aberta pelo ministro Luís Roberto Barroso, seguida pela ministra Rosa Weber e pelo ministro Luiz Fux, no sentido de acolher parcialmente o pedido da PGR.

    "Seria uma incongruência entender que se aplica a prisão domiciliar aos coautores menos relevantes sem a aplicação de nenhum tipo de restrição à liberdade de ir e vir a quem, supostamente, teria sido o mandante. Há indícios, bastaste suficientes a meu ver, de autoria e materialidade", afirmou Barroso.

    Na última quarta-feira (11), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que medidas cautelares, como o recolhimento noturno, determinadas a deputados federais e senadores devem ser submetidas ao aval da Câmara ou do Senado.

    Este relógio está contando as horas para o fim do mandato de Donald Trump

    Este relógio está contando as horas para o fim do mandato de Donald Trump


    Em junho deste ano, um grupo de artistas instalou às escondidas um enorme e vermelho relógio digital, na fachada de um edifício à beira-mar no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos. Desde então, o relógio marca a contagem regressiva para o fim...

    Em junho deste ano, um grupo de artistas instalou às escondidas um enorme e vermelho relógio digital, na fachada de um edifício à beira-mar no Queens, em Nova York, nos Estados Unidos. Desde então, o relógio marca a contagem regressiva para o fim do mandato do presidente Donald Trump.

    Brandon Stosuy, editor da The Creative Independent, e o artista multimídia Matthew Barney são dois dos integrantes do grupo que fez a intervenção no local. O relógio foi instalado na fachada do estúdio de Barney, e é possível ser visto de Manhattan.

    Os criadores do projeto querem tentar chamar a atenção ao máximo para a intervenção artística. Em um email para o HuffPost US, Stosuy escreveu: "As pessoas sabem quem fez, mas a ideia é que o foco seja no relógio, não em quem o colocou lá".

    Na semana passada, o site DNAInfo publicou uma matéria ligando a contagem regressiva ao tempo de mandato que resta para Trump. "É um lembrete de que muita gente mal pode esperar pelo fim, assim como um simples lembrete", disse Stosuy sobre o projeto. "Também é um teste de durabilidade – um lembrete para que aguentemos até o fim."

    Atualmente o relógio ainda tem mais de mil dias pela frente. Mas, se por algum motivo a presidência de Trump acabar antes do previsto, o relógio vai pular para o número "zero". Ainda não está claro como o relógio vai reagir se o mundo acabar antes da eleição de 2020.

    Os interessados em visitar o relógio que expressa o desejo ansioso de muitos norte-americanos, podem se dirigir à margem do East River na altura de Long Island City, no Queens.

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

    LEIA MAIS: O tom ameaçador de Trump sobre a Coreia do Norte e o orgulho nuclear de Kim Jong-un Exclusivo: Novo estudo comprova aumento de crimes de ódio na era Trump O fim de Trump

    Este é Macarrão, o salsichinha mais feliz do mundo em seu primeiro rolê fora de casa

    Este é Macarrão, o salsichinha mais feliz do mundo em seu primeiro rolê fora de casa


    A figurinha abaixo se chama Macarrão. Ele é um filhote de mini salsicinha de pelo longo que é muito mimado pelos seus donos.Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Set 9, 2017 às 3:19 PDTMas quem não faria de tudo para ver...

    A figurinha abaixo se chama Macarrão. Ele é um filhote de mini salsicinha de pelo longo que é muito mimado pelos seus donos.

    Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Set 9, 2017 às 3:19 PDT

    Mas quem não faria de tudo para ver essa gracinha feliz, hein?

    Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Out 12, 2017 às 12:08 PDT

    Olha o Macarrão tirando uma soneca. ❤

    Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Out 16, 2017 às 1:21 PDT

    Meu Deus! Olha ele tomando um pires de leite. Não tá vontade de apertar muito?!

    Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Set 7, 2017 às 4:11 PDT

    Mas o melhor está por vir, acredite.

    Macarrão vive em Melbourne, na Australia, e no começo de mês fez seu primeiro passeio na rua. Como tudo que esse doguinho faz, o momento foi registrado em vídeo e compartilhado no Instagram.

    Pergunta: você está preparado para ver uma das cenas mais graciosas da sua vida?

    Então dê o play abaixo:

    Loving my first walk!🐾

    Uma publicação compartilhada por Noodles (@noodlesthedachsie) em Out 6, 2017 às 10:31 PDT

    Estamos apaixonados pelo Macarrão! ❤ ❤ ❤

    LEIA MAIS: Este casal de cachorros se beijando ensina que não vale a pena economizar no carinho Cachorros gostam mais de elogios do que de comida, revela estudo

    O discurso de Jennifer Lawrence e a lembrança de um começo 'humilhante' como atriz

    O discurso de Jennifer Lawrence e a lembrança de um começo 'humilhante' como atriz


    Ela tem 27 anos. É uma das atrizes mais bem pagas do mundo, já entrou para o Guiness Book; é dona de um Oscar e de outras três indicações ao prêmio mais importante da indústria do cinema. Mas, em sua trajetória, Jennifer Lawrence já permitiu...

    Ela tem 27 anos. É uma das atrizes mais bem pagas do mundo, já entrou para o Guiness Book; é dona de um Oscar e de outras três indicações ao prêmio mais importante da indústria do cinema. Mas, em sua trajetória, Jennifer Lawrence já permitiu que algumas pessoas a tratassem "de uma certa maneira" porque sentia que fazia isso "por sua carreira".

    "Quando eu era muito mais nova e estava começando, os produtores de um filme queriam que eu perdesse seis quilos em duas semanas", disse, em discurso em um evento para mulheres de Hollywood, organizado pela revista Elle em Los Angeles, nos Estados Unidos, na noite desta segunda-feira (16).

    Com seu discurso, a atriz protagonista de Mãe!, novo longa de Daren Aronofsky, entrou para o grupo de mulheres que, após as acusações contra o produtor Harvey Weinstein se tornarem públicas,decidiu abrir o jogo sobre algo normalizado nos bastidores da indústria cinematográfica de Hollywood: abusos sexuais e psicológicos.

    "Durante esse período [início de sua carreira] uma produtora me fez ensaiar falas [de um roteiro para um filme] nua com cerca de cinco mulheres que eram muito, muito mais magras do que eu. Fomos colocadas lado a lado com apenas uma fita para cobrir nossas partes íntimas", relata. "Depois desse paredão degradante e humilhante, a produtora me disse que eu deveria usar minhas fotos nua como motivação para fazer uma dieta".

    Listen to J-Law's story of abuse in Hollywood: I was told to lose 15 pounds in 2 wks, do degrading, nude photo shoot #ELLEWIHpic.twitter.com/yosXP9tFXw

    — Carly Mallenbaum (@ThatGirlCarly) 17 de outubro de 2017

    Após o constrangimento, Lawrence disse que tentou levar o problema para outro produtor, com a intenção de expor o quão inadequadas eram. "Ele disse [o produtor] que não sabia por que todos achavam que eu era tão gorda, ele achava que eu era ''perfeitamente comível'. Eu me deixei ser tratada desta maneira porque senti que tinha que fazer isso pela minha carreira", constata.

    Lava Jato e modernização da investigação criminal no Brasil


    O juiz Sergio Moro comanda a operação na Primeira Instância do Judiciário, em Curitiba...

    Por Jerusa Viecili*

    A história do combate à corrupção no Brasil é repleta de fracassos, operações anuladas, crimes prescritos, condenados indultados e pouca efetividade do ponto de vista da responsabilização penal. Exatamente porque o sistema de justiça criminal brasileiro foi feito para não funcionar, em especial no que se refere aos crimes de colarinho branco.

    Além disso, são notórias as dificuldades enfrentadas pelos órgãos de persecução criminal na apuração dos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro, especialmente, seja pela complexidade e sofisticação dos esquemas criminosos em funcionamento, seja pela disfuncionalidade do sistema investigatório e do próprio sistema de justiça criminal, que muito contribuíram para o atual estado de corrupção endêmica vivenciado no Brasil.

    Os resultados até agora alcançados pela operação Lava Jato, nesse sentido, além de inéditos, são considerados "pontos fora da curva", exatamente porque nenhum outro caso de investigação criminal, no Brasil, acompanhou a mesma trajetória.

    O êxito atingido pela operação, ainda que parcial e isolado, somente pode ser explicado a partir da soma de inúmeros fatores improváveis, aliados à independência conquistada pelos órgãos de persecução criminal, especialmente a partir de 2004.

    No âmbito das atividades investigatórias, contudo, enorme parcela do sucesso da Lava Jato deveu-se a uma série de iniciativas singulares. Elas começaram a partir da atuação de equipes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, trabalhando em regime de Força-Tarefa, com exclusividade para o caso, e foram aperfeiçoadas mediante a utilização de técnicas especiais de investigação.

    Dentre as técnicas especiais de investigação utilizadas na operação, merecem destaque os acordos de colaboração e de leniência. Utilizados pela primeira vez no caso Banestado, os acordos de colaboração premiada passaram a ser utilizados em larga medida, inovando as apurações dos crimes financeiros, econômicos, de corrupção e do crime organizado em geral.

    Os acordos de colaboração premiada, além de se constituírem em importante e fundamental meio de prova, essencialmente nos casos em que imperam a sofisticação da criminalidade organizada e a sigilosidade dos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, também configuram importante meio de defesa.

    Nesse ponto, importante registrar que o candidato a colaborador somente manifestará sua voluntariedade na realização do acordo de colaboração quando a submissão ao processo criminal representar uma perspectiva, para ele, pior do que a celebração do acordo, relato dos fatos criminosos praticados e, inevitavelmente, entrega de todo o esquema delituoso de que participou.

    Lado a lado com os acordos de colaboração, celebrados com pessoas físicas investigadas e/ou processadas, os acordos de leniência, firmados com pessoas jurídicas, constituíram importante inovação originada na Operação Lava Jato.

    Importaram em significativos avanços na obtenção de provas documentais acerca dos crimes investigados (facilitada pelo acesso centralizado da empresa a documentos, contratos, correios eletrônicos, registros telefônicos, comprovantes de prestação de contas dos funcionários, dentre outras provas fundamentais ao avanço das investigações) e, acima de tudo, facilitaram a recuperação de parcela dos recursos públicos desviados a partir dos crimes praticados.

    A Lava Jato, aliás, de forma inédita no País, celebrou acordos, de colaboração e de leniência, que preveem a recuperação de quantia superior a R$ 10 bilhões aos cofres públicos. Apenas entre os meses de junho e julho de 2017, foram recuperados valores que somam aproximadamente R$ 1 bilhão, frutos de acordos firmados com pessoas físicas e jurídicas, investigadas ou processadas.

    Os acordos de colaboração e de leniência permitem aos investigadores o conhecimento amplo do esquema criminoso, assim como as especificidades dos casos individualmente apurados. A partir dos relatos dos colaboradores (devidamente acompanhados dos elementos e provas de corroboração do quanto relatado), ensejam a criação de linhas investigatórias mais promissoras. Evitam, assim, a verificação de hipóteses desnecessárias e permitem que os órgãos de persecução criminal não se percam em emaranhados de papéis e documentos.

    Outras técnicas especiais de investigação comumente utilizadas na operação e que foram modernizadas no âmbito do Ministério Público Federal, pela criação de sistemas informatizados específicos, próprios e mais eficientes de análise, foram as quebras de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático.

    A centralização do recebimento e do exame dos resultados das quebras judicialmente autorizadas mediante a utilização de softwares concebidos especificamente com tal finalidade (Simba e Sittel) foi decisiva para a agilidade dos procedimentos, economia de tempo na análise das informações e eficiência nos resultados apresentados.

    A cooperação internacional, que na Lava Jato alcança 279 pedidos, ativos (176) e passivos (103), com aproximadamente 40 países, foi mais um dos fatores decisivos para o alcance dos frutos até então obtidos.

    Ao lado da modernização das técnicas investigativas, a Lava Jato valeu-se de estratégias de comunicação social e transparência, com o objetivo de conceder amplo conhecimento à sociedade acerca das fases investigativas e processuais. Valeu-se, inclusive, da criação do primeiro site de um caso criminal em andamento no País.

    O fator transparência, ademais, tem a contribuição inestimável da tramitação eletrônica dos processos no âmbito do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a qual concede ampla publicidade e proporciona imediato controle social sobre todos os atos processuais realizados.

    Fato inegável é que a audácia, a sofisticação e o contínuo aprimoramento dos esquemas criminosos investigados exigem a adoção de técnicas investigatórias criativas, céleres e cada vez mais adequadas e capazes de fazer frente ao poderio econômico-financeiro da criminalidade moderna.

    * Jerusa Viecili é procuradora da República e integrante da Força-Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

    LEIA MAIS: Como a educação pública de qualidade pode deixar de ser um sonho? O que a eleição suplementar no Amazonas pode ensinar ao candidatos em 2018  Lista tríplice para PGR: Garantia à sociedade no combate à corrupção

    Ampliação da competência da Justiça Militar é injustificada


    Os militares assumiram papel de destaque na contenção da crise de segurança pública do Rio de...

    O Senado Federal aprovou e Michel Temer sancionou projeto de lei (PL44/16) que amplia a competência da Justiça Militar para garantir que militares acusados de praticar crimes dolosos contra a vida em situações de operação de Garantia de Lei e Ordem (GLO) sejam julgados pela justiça castrense – é a Lei nº 13.491/2017.

    Trata-se de antiga pretensão que, agora acolhida, coloca em curso de colisão as Forças Armadas, de um lado, e o Ministério Público Federal e organizações de defesa dos Direitos Humanos, de outro.

    O MPF já é responsável por duas ações que questionam o alcance da competência da Justiça Militar. Pela ADI nº 5.032, questiona a constitucionalidade do dispositivo que pretendia definir o escopo da referência a atividades militares do art. 124 da Constituição Federal. Já pela ADPF nº 289, a PGR insurgiu-se contra a disposição do Código Penal Militar que confere competência para a Justiça Militar julgar civis em tempo de paz.

    Em relação ao PL 44/2016, membros do MPF já haviam se posicionado contra essa proposta por meio de nota técnica apresentada à Câmara dos Deputados. Naquela oportunidade, pugnou-se pela sua inconstitucionalidade por restringir indevidamente a competência do Tribunal do Júri e por violar o princípio do juiz natural.

    Após ter sinalizado que a defesa e promoção dos Direitos Humanos seria a principal prioridade de seu mandato, a Procuradora-Geral da República Raquel Dodge terá que decidir se mantém a tradicional postura do MPF e questiona a constitucionalidade da nova lei.

    O PL 44/2016 tramitou a toque de caixa em função da atuação das Forças Armadas no Rio de Janeiro. Para evitar que tivesse que retornar à apreciação da Câmara dos Deputados, foi aprovado com vigência até 31 de dezembro de 2016. Apresentado inicialmente para regulamentar a atuação de militares durante as Olimpíadas do Rio, o combinado foi que o Presidente Temer vetasse este dispositivo, dando vigência indeterminada à norma.

    A pretensão dos militares de ver expandida a competência da Justiça Militar é perene. Emerge sempre que se discute assunto relacionado à atuação das Forças Armadas ou se vislumbra oportunidade de promovê-la. A recepção de grandes eventos no Brasil foi a justificativa para diversas iniciativas nesse sentido. Além do PL 44/2016, durante as discussões sobre a Lei Antiterrorismo, ensaiou-se também expandir as fronteiras da atuação da Justiça Militar.

    Nesse momento em que os militares assumiram papel de destaque na contenção da crise de segurança pública do Rio de Janeiro, a pretensão já abertamente defendida pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, foi finalmente acolhida.

    Os inúmeros problemas e denúncias de abusos indicados em outros episódios de atuação das Forças Armadas, como aqueles documentados pelo dossiê do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, foram, assim, ignorados.

    Os argumentos

    Os argumentos apresentados em defesa do PL 44/2016 não se sustentam. Se o julgamento pela Justiça Militar se deve ao fato de que os militares estão agindo como representantes do Estado, e não como cidadãos, também deveriam estar sujeitos à justiça especializada os policiais militares e civis? E os demais funcionários públicos? Não estariam estes atuando, dentro de suas respectivas competências, também como representantes do Estado?

    Argumentou-se também que essa alteração possibilitaria que os militares fossem julgados por "juízes isentos, especialistas, que entendem e conhecem as nuances deste tipo de operação [GLO]". Ao atuar em GLO, as Forças Armadas passam a desenvolver as ações de polícia abrangidas pela competência das Polícias Militares (art. 3, Dec. nº 3.897 de 2001).

    Se a justiça comum e o Tribunal do Júri vêm julgando, sem questionamentos, policiais militares por crimes dolosos contra a vida, por que, justamente nas situações em que membros das Forças Armadas estariam atuando como se policiais militares fossem, deveriam eles ser julgados pela Justiça Militar?

    A complexidade das situações de GLO não pode ser utilizada como artifício para comprometer o propósito de se oferecer justiça e, portanto, solução definitiva aos conflitos. Se a justiça comum já é manchada por críticas e desconfianças por significativa parcela da população que a percebe como mais um instrumento de repressão do Estado, distante da idealizada neutralidade e imparcialidade, a Justiça Militar é tão mais distante da população, quanto mais próxima dos militares cuja ação se questionaria.

    Além das preocupações com o corporativismo, a especificidade de seus procedimentos dificulta o acompanhamento dos processos pela parcela interessada da sociedade civil e, principalmente, pelos interessados diretos – vítima, familiares, amigos – na solução desses casos.

    Assim, a sentença será percebida, invariavelmente, como um selo de aprovação de militares sobre a ação de outros militares, aprofundando o sentimento de impunidade e a cisma entre a população e o aparato estatal repressivo. Nesse caso, prejudicará também eventuais militares acusados e inocentes, já que a sentença da justiça castrense será alvo de desconfiança.

    A Lei nº 13.491/2017 representa injustificada expansão da competência da Justiça Militar, a qual pode inaugurar, ou melhor, potencializar pretensões corporativistas para institucionalizar novas exceções à Justiça Comum para policiais militares, bombeiros, agentes penitenciários e outros. De qualquer forma, dado o histórico da questão, restam poucas dúvidas de que essa alteração legislativa será questionada no Supremo Tribunal Federal, o qual terá, mais uma vez, a palavra final.

    *Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

    LEIA MAIS: A decisão do ministro que busca um caminho diferente para o debate de gênero nas escolas Temer e Trump: Infortúnios compartilhados 100 dias sem verdade: Os Estados Unidos de Trump

    O problema de pedir para as mulheres dizerem ‘eu também’

    O problema de pedir para as mulheres dizerem ‘eu também’


    Desde domingo à noite, as timelines do Facebook estão cheias de posts de mulheres dizendo "eu também", numa tentativa de provar como o assédio e os ataques sexuais são recorrentes em nossa cultura. "Começo com o cara na estrada que se masturbou e...

    Desde domingo à noite, as timelines do Facebook estão cheias de posts de mulheres dizendo "eu também", numa tentativa de provar como o assédio e os ataques sexuais são recorrentes em nossa cultura.

    "Começo com o cara na estrada que se masturbou e mandou beijos para o time de tênis da escola quando estávamos voltando para casa depois de um jogo?", escreveu uma amiga? "O homem que, quando eu estava numa balada com minhas amigas, me olhou nos olhos, passou a mão em mim e me agarrou pela buceta", escreveu outra. O efeito é uma torrente de ações predatórias que dizem para as mulheres o que elas já sabem: os caras acham que nossos corpos são descartáveis.

    O "Eu também" viralizou no último domingo, quando a atriz Alyssa Milano tuitou que vítimas de assédio e ataques sexuais deveriam usar a frase para relatar suas histórias.

    A campanha nas redes sociais, claro, tem a intenção de ser um alerta para os homens. Se toda mulher que você conhece já foi assediada ou atacada, então todo homem que você conhece provavelmente fez alguma mulher se sentir insegura. Mas, embora postar "Eu também" no Facebook possa ser catártico para mulheres que buscam conforto na esteira de outra notícia envolvendo um predador poderoso, isso pouco vai mudar o comportamento dos homens que leva a esse tipo de acusação.

    Os homens não precisam entender que toda mulher foi sexualmente violada ou humilhada. Eles precisam reconhecer algo muito mais básico: que as mulheres são as vítimas dessas histórias.

    As mulheres podem transformar a internet inteira em uma lista de "Eu também", mas não vai fazer diferença até que os homens – todos eles – reconheçam como perpetuam a misoginia e se comprometam com mudanças.

    Os homens têm um longo histórico de silenciar ou ignorar as mulheres que se manifestam sobre violência sexual. Culpar as vítimas é algo que acontece o tempo todo nas nossas instituições mais poderosas. Há a polícia, que descarta um grande número de acusações de estupro antes de investigá-las, e os juízes que absolvem supostos agressores porque uma mulher deveria "ficar de pernas fechadas" ou porque até mesmo uma mulher bêbada "pode consentir".

    No caso recente de estupro na Universidade Stanford, Brock Turner foi condenado a somente seis meses de prisão – que depois foram reduzidos para três meses --, porque uma sentença mais longa teria tido um "impacto severo" em sua vida, como se o bem estar dele fosse a principal preocupação. A mensagem que as mulheres recebem o tempo todo é: aguentem esse tipo de experiência traumática, porque a culpa é de vocês. Se quisermos que os homens respeitem nossos corpos, precisamos mudar.

    Raramente pedem que os caras mudem seus comportamentos predatórios. Conversas sobre assédio e ataques sexuais são sempre enquadradas como "questão das mulheres". Publicações destinadas ao público masculino estão cheias de dicas de como escolher o melhor uísque ou fazer o melhor churrasco, mas raramente lidam com misoginia, ataques sexuais ou como confrontar um amigo sexista. Estudos tratam do número de mulheres atacadas, não o número de homens que cometeram atos de violência sexual.

    O resultado é uma cultura em que os homens acham que não têm responsabilidade de mudar suas atitudes sexistas e seus comportamentos ilícitos. Os caras ficam só olhando, enquanto seus amigos fazem comentários degradantes sobre as mulheres e não fazem nada quando as piadas viram casos reais de agressões sexuais.

    Quando acusações de ataques sexuais viram manchete, os homens não conversam entre si sobre como ajudar a consertar o problema. São as mulheres que têm de falar entre si e publicamente, começando hashtags (#MyHarveyWeinstein, escrevendo posts no Facebook e fazendo listas de incontáveis histórias de terror, numa tentativa de despertar algum tipo de iniciativa nos homens. Não é suficiente passar a vida sendo constantemente assediadas e violadas pelos homens; também temos de explicar para eles por que o comportamento deles é problemático e, muitas vezes, criminoso.

    As mulheres podem transformar a internet inteira em uma lista de "Eu também", mas não vai fazer diferença até que os homens – todos eles – reconheçam como perpetuam a misoginia e se comprometam com mudanças. Os homens precisam reconhecer que não denunciar a "conversa de vestiário" é facilitar ataques sexuais. Precisamos de mais organizações e publicações que se concentrem em uma masculinidade progressista, não em ideias datadas e estereótipos perigosos de "macheza". Precisamos de homens começando campanhas "Eu também" no Facebook, que listem as vezes em que eles se pegaram sendo sexistas e mostrem que eles estão dispostos a mudar essa atitude no futuro.

    Há sinais de esperança. Ontem à noite, uma amiga pediu que os homens listassem no Facebook "algo tangível que você vai fazer para acabar com a cultura do estupro". Os 54 comentários incluíam: "Vou me manifestar em lugares [nos quais] tenho privilégio e poder" e "Ouvir em vez de ficar na defensiva". Outros homens estão postando "Acredito em você", em resposta à campanha "Eu também". São passos na direção certa.

    Se o "eu também" faz você se sentir empoderada, por favor, digite essas palavras. Mas também é importante reconhecer as limitações da campanha. Nenhuma mulher deveria se sentir pressionada a contar histórias dolorosas sobre violações, mas todo homem deveria sentir a responsabilidade de parar com o comportamento que leva ao assédio e aos ataques sexuais.

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

    LEIA MAIS: 'Eu também': A campanha global que chama atenção sobre a magnitude do assédio contra mulheres Após denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar Como executivos norte-americanos boicotaram 'reportagem-bomba' sobre assédio em Hollywood

    Nem a melhor atuação de Fiuk em 'A Força do Querer' foi capaz de tirar o ranço do público

    Nem a melhor atuação de Fiuk em 'A Força do Querer' foi capaz de tirar o ranço do público


    Na reta final de A Força do Querer, Fiuk tem feito o possível e o impossível para dar vida ao seu personagem Ruy. No final do capítulo exibido nesta segunda-feira (16), o playboy ouviu ficou sabendo que não é pai de Ruyzinho (Lorenzo Souza).Ao...

    Na reta final de A Força do Querer, Fiuk tem feito o possível e o impossível para dar vida ao seu personagem Ruy. No final do capítulo exibido nesta segunda-feira (16), o playboy ouviu ficou sabendo que não é pai de Ruyzinho (Lorenzo Souza).

    Ao receber a notícia, o ator respondeu com uma expressão que mostrava toda a dor e ira do personagem.

    Ruyzinho não é seu filho, Ruy! Aceita ou surta! #AForçaDoQuererpic.twitter.com/tzEluvWfHG

    — Gshow (@gshow) 17 de outubro de 2017

    O esforço de Fiuk, no entanto, parece não ser o bastante para a audiência que comenta a novela no Twitter. A cada capítulo em que Ruy aparece, críticas e mais críticas sobre a interpretação de Fiuk inundam a rede social.

    O Ruyzinho atua melhor que o Fiuk boa noite #AForcadoQuerer

    — Fabs (@mabricioforaes) 17 de outubro de 2017

    O q dizer sobre o Fiuk#ATardeESuapic.twitter.com/E8fLJY8IjV

    — Victor. (@Victor_Buettgen) 17 de outubro de 2017

    Prendam Fiuk, pois não somos obrigados a aguentar suas expressões faciais pífias.#AForçaDoQuererpic.twitter.com/Mpx6KHsEhh

    — Apopcalypse (@Apopcalypse__) 16 de outubro de 2017

    vou assistir "a força do querer" q todo mundo fala // eh o fiuk atuando pic.twitter.com/0cR3tfEBxj

    — luan (@luangbt) 17 de outubro de 2017

    Não bastassem os comentários que ressaltam de forma direta os defeitos do trabalho do ator na trama, nesta segunda-feira (16), a hashtag #FiukMelhorAtor se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter. Por meio dela, centenas de pessoas dispararam observações irônicas relacionadas ao artista.

    Até o Ayron foi melhor ator que o fiuk #FiukMelhorAtorpic.twitter.com/arSm5CfAUY

    — Joãozinho Sincero (@joao_v2016) 16 de outubro de 2017

    Serenidade do olhar de quem atua melhor que o Fiuk #FiukMelhorAtor 😂 pic.twitter.com/wOg4vKv4Ym

    — Jeicaio forever (@ForeverJeicaio) 16 de outubro de 2017

    atuou bem em uma cena ou duas a novela toda // arrasou com a atuação dele numa cena só #FiukMelhorAtor kikito te amooooo pic.twitter.com/X4ZyYZEbho

    — Clah Cristina (@ClahMikaforbes) 16 de outubro de 2017

    Entretanto, Fiuk não se intimida com os comentários negativos nas redes.

    Aliás, ele nem lê.

    "Só vejo coisa boa. Não fico procurando coisa ruim, não. A internet dá poder a qualquer um. Há vários mascarados que falam, às vezes, o que não pensam, e arranjam uma forma de te atacar por uma infelicidade própria, sabe?", disse o ator ao jornal Extra.

    Isso não quer dizer que o ator não esteja atento ao que falam sobre seu trabalho.

    Ao jornal, Fiuk disse que acompanha os comentários em suas páginas pessoais na internet e dá ouvidos, sim, às "críticas construtivas".

    "Uma coisa é quando você fala algo para alguém que você gosta, e sente que a pessoa quer te ajudar. Outra, é quando vem qualquer merda para você dizer algo e está claro que a pessoa só quer te ofender. A internet tem esses dois mundos", analizou.

    Na semana passada, Gloria Perez saiu em defesa do ator.

    Em entrevista a Carla Bittencourt, também do jornal Extra, a autora da novela sinalizou que vê "crueldade" nas críticas ao desempenho do ator. E classificou o filho de Fábio Jr. como um ator iniciante.

    "Acho que, às vezes, a crítica e tem um nível de crueldade muito grande. Todo mundo começa, mas nem todo mundo tem o grande público para julgar. Ninguém pensa em seus inícios? Será que uma matéria sua no início de carreira é tão boa quanto a de agora? Fiuk quer corresponder, ele está se dedicando", disse.

    O desfecho de Ruy em A Força do Querer ainda é incerto.

    Ao longo da novela, o personagem foi pintado como um sujeito mimado, preconceituoso e machista. Ele se envolveu numa tentativa de atropelamento, tentou impedir que a esposa trabalhasse, fez pessoas inocentes serem despejadas e ainda atirou em Zeca (Marco Pigossi), ficando posteriormente foragido da polícia.

    Será que o personagem vai se regenerar até o fim da novela? É esperar pra ver.

    LEIA MAIS: A constituição do Brasil e a escassez de galãs negros nas telenovelas Por que mulheres se agredindo em rede nacional ainda é capaz de elevar o Ibope das novelas

    São Paulo e Nova Déli: As cidades mais perigosas no mundo para ser mulher

    São Paulo e Nova Déli: As cidades mais perigosas no mundo para ser mulher


    No Brasil, a cada onze minutos é notificado um novo caso de...

    No Brasil, a cada onze minutos é notificado um novo caso de estupro. Pelo menos 90% das brasileiras afirmam ter medo de serem vítimas de agressão sexual. Na maior cidade do país, a realidade é um reflexo dos índices do Mapa da Violência: São Paulo tem pelo menos quatro novos registros de assédio sexual em transporte público por semana.

    As estatísticas reforçam o mais recente título da capital paulistana. Ao lado de Nova Deli, capital da Índia, a cidade brasileira foi considerada como a metrópole mais perigosa para elas quando se trata de crimes sexuais.

    O dado é referente a pesquisa realizada pelo instituto Fundação Thomson Reuters em julho deste ano e que foi divulgado na última segunda-feira (16). O documento foi realizado com base na percepção de 380 especialistas de todo o mundo, entre professores, representantes de ONGs e formadores de opinião.

    Foram selecionadas 19 cidades, todas elas com pelo menos 10 milhões de habitantes, para serem avaliadas. Cultura nociva às mulheres, acesso à saúde e oportunidades no mercado de trabalho foram outros quesitos analisados pela instituição, além do assédio e da violência sexual.

    Na lista, São Paulo está na 11ª posição geral. A primeira é ocupada pela cidade de Cairo, no Egito, seguida por Kinshasa, no Congo, e Carachi, no Paquistão. Com mais de 21 milhões de habitantes, a capital paulista foi a sexta pior quando se trata de acesso à saúde e a pior da lista em relação à violência sexual.

    Entre janeiro e julho de 2017, a cidade de São Paulo registrou cerca de 7 casos de estupros por dia. Só neste ano, foram notificados 1.384 casos nas delegacias da cidade.

    Os números, publicados em setembro, foram lembrados no relatório da organização após uma série de casos de violência sexual terem ganhado repercussão na mídia, como o caso do homem que foi preso após ejacular em uma mulher dentro de um ônibus na Avenida Paulista.

    Por outro lado, a metrópole brasileira foi considerada a terceira melhor quando se trata de práticas culturais prejudiciais à mulher, como a mutilação genital feminina e os casamentos forçados.

    Em entrevista ao O Globo, a diretora da organização UN Women na Índia, Rebecca Reichmann Tavares, que já atuou no Brasil, afirmou não ter se surpreendido com o ranking da Fundação.

    "Não estou surpresa com os resultados, porque eles são baseados em percepções. Índia e Brasil ganharam muita atenção da mídia nessa questão de violência sexual nos últimos anos. A violência sexual em ambas as cidades é, claro, uma realidade, mas não há dados definitivos para sugerir que as taxas são mais altas em Deli e São Paulo do que em qualquer outra cidade", explicou.

    LEIA MAIS: A história de Björk com um cineasta dinamarquês é também um caso de assédio 'Eu também': A campanha global que chama atenção sobre a magnitude do assédio contra mulheres Após denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar

    são paulo assedi

    Lula: 'Eu sei perder, mas não aceito sacanagem jurídica para me tirar da disputa'

    Lula: 'Eu sei perder, mas não aceito sacanagem jurídica para me tirar da disputa'


    O ex-presidente Lula mandou um recado para a oposição e para o Judiciário durante ato do PT em Guarulhos nesta segunda-feira (16). "Eles podem me vencer uma vez sem nenhum problema. Eu sei perder, eu sei esperar. A única coisa que eu não aceito é...

    O ex-presidente Lula mandou um recado para a oposição e para o Judiciário durante ato do PT em Guarulhos nesta segunda-feira (16). "Eles podem me vencer uma vez sem nenhum problema. Eu sei perder, eu sei esperar. A única coisa que eu não aceito é eles fazerem sacanagem jurídica para me tirar da disputa."

    Para Lula, a prova de que existe uma perseguição jurídica que visa torná-lo inelegível são os constantes processos contra ele e a ausência de indícios tão fortes quanto aqueles envolvendo outros políticos. "Eles já pegaram conta de gente na Suíça, já pegaram hotel cheio de mala, já descobriram telefonema do Aécio pegando dinheiro. Eles invadiram a minha casa, invadiram a casa dos meus quatro filhos e não acharam nada", disse, referindo-se ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, no caso das contas na Suíça, e ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, no caso dos R$ 51 milhões encontrados no bunker usado por ele.

    O ex-presidente relembrou sua trajetória de eleições perdidas e criticou o pedido de impeachment feito pelo PSDB após a reeleição de Dilma Rousseff, em 2014.

    "Eu perdi em 82, 89, 94 e 98 e voltei quieto pra casa. Eles perderam uma pra Dilma, e o Aécio criou esse clima de ódio", declarou.

    Para finalizar, ele chamou a oposição para debater ideias nas ruas e pediu que a disputa seja decidida nas urnas. Para ele, o PT é o "único partido de reconhecido pelo povo brasileiro".

    LEIA MAIS: Ciro diz que candidatura de Lula em 2018 é 'desserviço ao País' Lula vence em todos as simulações do Datafolha, mas tem maior rejeição para 2018

    Por que as mulheres merecem um bom sexo


    ...

    Como indivíduos, somos moldados pela época em que nascemos, pelas diferentes culturas e crenças familiares. Muitas vezes, quem nos cria tem grande influência sobre a pessoa que nos tornamos na idade adulta. Portanto, quando me deparei com a hashtag #ThisIsMyVagina (essa é minha vagina) e vídeos relacionados nas redes sociais, achei que também deveria falar livremente sobre o outro lado da minha vagina.

    Pelo que me lembro, o sexo sempre foi um tabu onde cresci. Quando as pessoas de lá falam sobre sexo, sempre é com murmúrios ou gírias brincalhonas e difíceis de entender. Assim, a menos que você tenha passado bastante tempo com elas, nunca adivinhará o assunto. As conversas com meus pais, fiéis à moda antiga, o mais perto que chegamos de um papo sobre sexo foi "o que uma menina faz com meninos" e "tenho certeza de que eles ensinam todas essas 'coisas' na escola".

    Isso é o que eles diziam ao me ver conversando com um garoto. Ou quando aquela cena de beijo na TV gerava desconforto na sala. Assim, precisei criar um significado a partir daqueles comentários aleatórios e nada esclarecedores. Agora responda: o que acontecerá com a vida sexual de uma jovem se os pais assumem que ela aprende tudo o que deveria saber sobre relações sexuais na escola, enquanto os professores tampouco são claros sobre o tema, usando frases como "você sabe a que me refiro"?

    Bem, ela tem o mundo nas mãos. Pode fazer o que quiser. Pode escutar os amigos, ler livros ou sair por aí reivindicando e dando vazão aos seus desejos. Ou até mesmo não ter nenhum ponto de vista sobre isso.

    Embora o que prevaleça seja a falta de opinião sobre isso, o sexo melhora quando você conhece e reivindica o que mais te satisfaz. Cabe a você decidir se usa brinquedos eróticos e se faz com uma mulher ou com um homem. O prazer está realmente no sexo que merecemos – e somente você sabe o que te atrai.

    Nunca é tarde demais para ser consciente das suas necessidades. Você jamais deve fazer algo que não queira. Deixe claro o que deseja. É A SUA VAGINA! Foi isso que aprendi na minha breve vida sexual de jovem adulta: o que importa é a maneira como você quer! Não preciso me preocupar com as conversas que nunca tive, pois agora tenho muito mais noção sobre mim mesma. Tudo bem se a pessoa é altamente sexual ou se não quer sexo de jeito nenhum. Seu corpo responde aos seus desejos – você é o capitão deste navio.

    Por acreditar que cada um de nós tem sua própria preferência, nunca adotei cegamente nenhuma regra sobre como eu deveria fazer sexo. Simplesmente não podemos generalizar qualquer assunto nesse campo. Vale a pena levar em conta as publicações com dicas sobre saúde e segurança. E talvez também as que falam sobre diferentes posições. Todas as outras leituras não devem ser nada além de sugestões sobre como você pode conhecer seu corpo, apropriando-se dele para aproveitar ao máximo seus encontros íntimos.

    Então vá em frente e faça essas conversas sexuais serem tão abertas quanto possível, sem tornar o que funciona para você a única opção disponível para os outros.

    *Este texto foi originalmente publicado no HuffPost South Africa e traduzido do inglês.

    LEIA MAIS Aqui estão 7 maneiras de manter a sua vagina mais saudável e mais feliz A passarela da NYFW foi dominada por uma coleção inspirada em vulvas e vaginas Uma pesquisa pediu a homens que identificassem a vagina. Metade não conseguiu

    Portaria sobre trabalho escravo é inconstitucional, diz secretário do Ministério do Trabalho

    Portaria sobre trabalho escravo é inconstitucional, diz secretário do Ministério do Trabalho


    Área técnica do Ministério do Trabalho disse que não foi consultada sobre nova portaria que regulamenta trabalho...

    Criticada por dificultar a fiscalização do trabalho escravo, a portaria editada nesta segunda-feira (17) pelo ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira provocou embates também dentro da pasta.

    A Secretaria de Inspeção do Trabalho, área técnica responsável pelo combate a tais violações, afirmou que a Portaria nº 1.129/2017 tem vícios técnicos e jurídicos na conceituação e regulação do tema e aspectos que atentam contra normativos superiores à portaria, tais como a Constituição da República Federativa do Brasil, a Convenção 81 da Organização Internacional do Trabalho e o Código Penal, entre outros.

    As críticas estão no Memorando Circular nº 61, enviado a auditores-fiscais do trabalho nesta segunda-feira (16) e assinado pelo secretário substituto da área, João Paulo Ferreira Machado.

    Machado destaca que a nova regra "não reflete as práticas e técnicas adotadas" pelo setor nos processos de fiscalização para erradicação do trabalho escravo e que pedirá sua revogação. Ele orienta os auditores a continuarem a seguir as normas anteriores à portaria.

    De acordo com o documento, a Secretaria soube da mudança quando esta foi publicada no Diário Oficial. "Essa Secretaria de Inspeção do Trabalho, ou qualquer de suas unidades, especialmente a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo - DETRAE, NÃO participou do processo de estudo, elaboração ou edição da Portaria nº 1.129/2017", diz o texto.

    Segundo o memorando, a Secretaria foi informada pelo ministro, na manhã de ontem, que a nova portaria teve origem em agosto do ano passado, no Ministério do Planejamento e tramitou apenas na Consultoria Jurídica e no gabinete do ministro.

    Entenda o caso

    A portaria editada pelo ministro Ronaldo Nogueira nesta segunda-feira regulamenta a concessão de seguro-desemprego a pessoas resgatadas de trabalho análogo à escravidão no País. A regra, na prática, dificulta o enfrentamento ao problema.

    De acordo com a portaria nº 1.129 de 2017, para ser considerada condição análoga à de escravo é preciso que o trabalhador esteja em condição de submissão "sob ameaça de punição, com uso de coação, realizado de maneira involuntária".

    Outra exigência é o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador.

    Para caracterizar a violação é preciso que haja manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador e retenção de documentação pessoal do trabalhador.

    O texto define ainda trabalho forçado, jornada exaustiva e condição degradante, que inclui violação de direitos fundamentais, cerceamento da liberdade de ir e vir e privação da dignidade.

    Antes, os fiscais usavam conceitos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Código Penal para determinar o que é trabalho escravo.

    De acordo com a portaria, nas fiscalizações, o auto de infração que identificar o trabalho forçado ou outra das violações citadas deve conter as seguintes exigências: fotos e cópias de todos os documentos que demonstrem e comprovem a violação, descrição detalhada da situação encontrada, existência de segurança armada diversa da proteção ao imóvel, impedimento de deslocamento do trabalhador, servidão por dívida e existência de trabalho forçado e involuntário pelo trabalhador.

    Se a denúncia for julgada procedente, o Ministro de Estado do Trabalho determinará a inscrição do empregador condenado no Cadastro de Empregadores que submetem trabalhadores a condição análoga às de escravo, a chamada "lista suja" do trabalho escravo.

    Para que o caso seja incluído na lista, será necessário boletim de ocorrência policial ao processo. Antes bastava o auditor fiscal elaborar um Relatório Circunstanciado de Ação Fiscal.

    A divulgação da lista só acontecerá por determinação expressa do ministro do Trabalho. A portaria anterior, de maio de 2016, não fazia menção à necessidade de aprovação pelo ministro. Ela definia que a organização e divulgação do cadastro ficaria a cargo da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (DETRAE).

    A lista é considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) uma referência global por garantir transparência e subsidiar ações da sociedade e do mercado.

    Críticas

    O procurador-geral do Trabalho em exercício, Luiz Eduardo Guimarães Bojart, alertou que a portaria descontrói a imagem conquistada internacionalmente pelo Brasil. "Ela reverte a expectativa para a construção de uma sociedade justa, digna e engajada com o trabalho decente (...) A portaria atende apenas uma parcela pouca representativa do empresariado", afirmou.

    A crítica do Ministério Público do Trabalho foi reforçada pelo coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, Tiago Muniz Cavalcanti.

    O governo está de mãos dadas com quem escraviza. Não bastasse a não publicação da lista suja, a falta de recursos para as fiscalizações, a demissão do chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), agora o ministério edita uma portaria que afronta a legislação vigente e as convenções da OIT.

    Para a Comissão Pastoral da Terra, o documento impõe aos auditores fiscais do trabalho um "elenco de exigências e rotinas visando a tornar, no mínimo, improvável o andamento administrativo dos autos de infração".

    Nesta terça-feira, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) apresentou um Projeto de Decreto Legislativo (PDC 792/17) para sustar a aplicação da da portaria. "A portaria vem numa esforço do governo de comprar votos de parlamentares atendendo à bancada ruralista. As denúncias de trabalho escravo no Brasil são muito graves", afirmou.

    O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), por sua vez, disse que irá pedir que o ministro do trabalho vá à Câmara dos Deputados prestar esclarecimentos. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) chamou a nova portaria de "negasta exigência da bancada ruralista" que "garante 160 votos no mínimo" a favor do presidente Michel Temer na Câmara.

    Histórico

    Na última terça-feira (10), o ministro Ronaldo Nogueira dispensou o coordenador da divisão de fiscalização para erradicação do trabalho escravo, André Roston, do cargo.

    Em nota, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) afirmou que a decisão teve cunho político. "É público e notório o esforço desenvolvido pelas bancadas ruralista e empresarial no Congresso Nacional para alterar a lei que pune os escravocratas da atualidade, diminuindo o poder de atuação dos auditores-fiscais do trabalho."

    O Ministério Público do Trabalho também criticou a exoneração e destacou que a fiscalização é a "base do sistema de combate a esse crime".

    A divulgação da lista suja do trabalho escravo ficou suspensa de dezembro de 2014 e maio de 2016 após decisão do Supremo Tribunal Federal, a pedido de empresas da construção civil. O governo de Michel Temer, contudo, só voltou a publicá-la em março deste ano.

    Outro lado

    O Ministério do Trabalho informou, via assessoria de imprensa que a posição da pasta sobre a portaria foi publicada ontem e não se manifestou sobre o memorando.

    Em nota publicada nesta segunda-feira, o ministérios afirmou a que mudança promovida pela portaria "aprimora e dá segurança jurídica à atuação do Estado Brasileiro" e que o cadastro é um "valioso instrumento" de coerção e deve "coexistir com princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório".

    "O combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana", diz o texto.

    LEIA MAIS: Como a nova regra do Ministério do Trabalho dificulta o combate ao trabalho escravo Sem dinheiro, fiscalização de trabalho escravo está parada O governo está há 2 anos devendo a 'lista do trabalho escravo' aos brasileiros

    O papel de Eduardo Cunha em um sistema corrupto, segundo Pedro Corrêa e Lúcio Funaro

    O papel de Eduardo Cunha em um sistema corrupto, segundo Pedro Corrêa e Lúcio Funaro


    "Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro, um monstro. Impressionava todo mundo", afirmou...

    Em depoimentos da delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) afirmou que o ex-deputado Eduardo Cunha era uma "máquina de arrecadar propina". Os vídeos da delação, prestada no ano passado e em agosto deste ano, foram divulgados na última segunda-feira (16) e expõem o papel de Cunha no sistema de corrupção no Congresso.

    "Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro, um monstro. Impressionava todo mundo", afirmou Corrêa, em depoimento divulgado pela TV Globo. "Arrecadava dinheiro de todo o jeito. Tinha uma coragem imensa de fazer as coisas."

    O ex-deputado do PP ainda contou que havia alertado Cunha e o deputado Júlio Lopes, também do PP, sobre a chance de a "sede ao pote" dos dois acabar em cassação. "Eu disse aos dois: 'olha, vocês tinham acabado de chegar em Brasília, foram com tanta sede ao pote, vão acabar cassados. Porque cuidado que o cargo de deputado federal é muito visado'."

    Os depoimentos de Corrêa foram homologados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em agosto deste ano.

    Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff também foram citados na delação de Pedro Corrêa. Segundo o ex-deputado, Lula participou diretamente da nomeação de Paulo Roberto Costa -- primeiro delator da Lava Jato -- para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras e teria negociado compras de votos do PMDB para apoio à nomeação de Costa e do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

    Ainda segundo o depoimento de Pedro Corrêa, Dilma mandou, em 2011, um diretor da estatal a pagar propina ao Partido Progressista.

    Funaro

    Na semana passada, o operador financeiro Lúcio Funaro também definiu o papel de Cunha na Câmara dos Deputados como um "banco de corrupção de políticos". Em seu acordo de delação premiada, Funaro afirmou que todos os deputados que precisavam de recursos pedia dinheiro a ele e ele cedia. Em troca, ele "mandava no mandato do cara", acrescentou. "Não precisava nem ir atrás de ninguém, fazia fila de gente atrás dele". As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

    De acordo com Funaro, 60% a 65% do valor de cada repasse de propinas na Caixa Econômica Federal ficavam com Geddel Vieira Lima e o resto, entre 40% e 35%, era dividido entre Funaro e Cunha. "Dependia da operação e da necessidade de caixa que ele tinha", acrescentou.

    Impeachment

    Em outro depoimento à Procuradoria-Geral da República, Funaro confirmou o repasse de R$ 1 milhão para Cunha "comprar" votos a favor doimpeachment de Dilma Rousseff, no ano passado.

    Na delação, o operador financeiro afirma que Cunha lhe pediu o dinheiro um dia antes da votação na Câmara, que aconteceu no dia 17 de abril. "Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar dinheiro para ele [Cunha] ir pagando os compromissos que ele tinha assumido", relatou Funaro, acrescentando que o dinheiro foi entregue em Brasília, São Paulo e no Rio.

    Funaro prestou depoimento em agosto deste ano e sua delação foi homologada por Fachin, do STF.

    LEIA MAIS: O trecho da delação do doleiro Lúcio Funaro que pode incriminar Michel Temer O Globo: Dono da JBS grava áudio de Temer incentivando compra de silêncio de Cunha

    Este rapaz deu dicas (muito) úteis de português para o Enem no  Twitter

    Este rapaz deu dicas (muito) úteis de português para o Enem no Twitter


    Neste ano, o Enem será realizada em dois...

    Se as regras gramaticais de nossa querida -- mas complicada -- língua portuguesa ainda lhe confundem, esta matéria pode ajudar. Na última segunda-feira (16), o usuário do Twitter Felipe Pacheco dedicou um pouco de seu tempo para dar uma rápida e didática aula de português e as dicas acabaram viralizando na rede social.

    As dicas abrangem dúvidas comuns que persistem entre os estudantes que pretendem prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2017, como o uso dos porquês, da crase e a diferença de palavras semelhantes, como "sessão" e "seção".

    Neste ano, o Enem será realizada em dois domingos, sendo no dia 5 de novembro, a redação, junto com provas de linguagens, códigos e ciências humanas e, no dia 12 do mesmo mês, serão aplicadas as provas de ciências da natureza e matemática.

    Ao HuffPost Brasil, Pacheco confessou que não é professor, e sim publicitário, mas aprendeu estas regras gramaticais com sua mãe, que é jornalista, e resolveu dar as dicas para ajudar uma amiga.

    "Na real, decidi [fazer os tuítes] porque uma amiga estava questionando essas regrinhas. Aí falei que era para o Enem, meio que de brincadeira, porque sei que está perto", disse o publicitário, acrescentando que nem imaginava o tamanho da repercussão de suas postagens.

    Veja abaixo as dicas de Pacheco que bombaram no Twitter:

    GUIA RÁPIDO PARA NÃO ERRAR NO PORTUGUÊS NO ENEM:

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Sessão ou seção?

    Sessão - tempo
    Seção - espaço

    Exemplo: tenho uma sessão marcada na seção de cosméticos

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Bem versus bom e mal versus mau:

    Bom X Mau
    Bem X Mal

    Exemplo: Hoje eu estou mal porque o dia está mau. (Hoje estou bem porque o dia está bom.)

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Ainda se confunde com os porquês?

    Por que – pergunta
    por quê? – pergunta com o que no final
    Porque – resposta
    porquê – é um substantivo

    Ex: Por que vc fez isso? Porque sim

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Ex2: Mas vc fez isso por quê? Eu não sei te falar o porquê
    (reparem como vc coloca o artigo "o" antes de "porquê")

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    E o uso da crase:

    Regras rápidas da crase:
    • Crase = a + a, portanto só antes de palavra feminina
    • Tá na dúvida? Bota no masculino
    • NUNCA antes de verbo

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Se quando vc colocar no masculino, vc usar "ao", significa q vc usa crase no feminino

    Exemplo: Hoje vou ao shopping // Hoje vou à academia

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Dúvida no acento?

    Pra errar menos nos acentos, chama pro café:
    – Tôôôôônica, vem tomar café!!
    "Tô" é a sílaba tônica. Se é a antepenúltima, vc acentua sempre

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    Aliás:
    ASSento – vc Senta sua ASS
    Acento – vc acentua

    Concerto – música
    Conserto – vem de consertar, reparar

    — Felipe Pacheco (@fepacheco) 16 de outubro de 2017

    E aí, ainda ficou alguma dúvida? O publicitário garantiu que vai dar continuidade às dicas. Então, fiquem de olho!

    A história de Björk com um cineasta dinamarquês é também um caso de assédio

    A história de Björk com um cineasta dinamarquês é também um caso de assédio


    Björk compartilhou um texto em seu perfil no Facebook no último domingo (15) em que revela ter sofrido assédio sexual de um diretor dinamarquês, cujo nome não foi revelado. Segundo a atriz, depois de negar repetidamente as investidas do abusador,...

    Björk compartilhou um texto em seu perfil no Facebook no último domingo (15) em que revela ter sofrido assédio sexual de um diretor dinamarquês, cujo nome não foi revelado. Segundo a atriz, depois de negar repetidamente as investidas do abusador, ele se aborreceu e projetou para a equipe uma imagem em que ela era "pintada como difícil".

    No texto, a artista islandesa conta que resolveu abordar o caso publicamente por se sentir "inspirada pelas mulheres que estão se expondo on-line". Ela se refere à campanha #MeToo(#Eu Também), hashtag por meio da qual mulheres de todo o mundo estão compartilhando relatos de assédio.

    A campanha surgiu após a onda de denúncias contra o magnata do cinema norte-americano Harvey Weinstein. As revelações custaram o banimento do megaprodutor da Academia do Oscar.

    "Espero que esta declaração apoie as atrizes e atores. Há uma onda de mudanças no mundo", escreveu Björk. Ela afirma que, depois de confrontar o diretor, ele passou a ter uma relação mais justa e significativa com as atrizes com quem trabalhava. "Então há esperança", pontuou.

    Leia o texto na íntegra (em inglês).

    Lars von Trier, único cineasta dinamarquês com quem Björk trabalhou em Dançando no Escuro (2000), negou as acusações dela.

    De acordo com O Globo, o cineasta disse a um jornal dinamarquês apenas que "aquele não era o caso" – numa referência às acusações contra Harvey Weinstein. O diretor de filmes como Anticristo (2009) e Melancolia (2011) complementou a declaração com um elogio à atriz.

    Dançando no Escuro ganhou a Palma de Ouro em Cannes e deu a Björk o prêmio de melhor atriz no festival. A artista também já trabalhou com os diretores norte-americanos Robert Altman, Nietzchka Keene e com a islandesa Kristín Jóhannesdóttir.

    Após a declaração de Lars von Trier, Björk resolveu dar mais detalhes sobre os episódios de assédio."É extremamente difícil vir a público com algo desta natureza, especialmente quando se é imediatamente ridicularizado", postou a atriz na manhã desta terça (17).

    "Eu simpatizo plenamente com todas as que hesitam, mesmo por anos, mas eu sinto que é o momento certo, especialmente agora, de poder fazer uma mudança", explica. Na sequência, ela lista seis "encontros que eu acho que contam como assédio sexual".

    1. Depois de cada um, o diretor correu até mim e envolveu seus braços em volta de mim por um longo tempo na frente de toda a equipe, ou sozinho, e me acariciou às vezes por minutos contra minha vontade.

    2. Depois de 2 meses disso, quando eu disse que ele tinha que parar de me tocar, ele explodiu e quebrou uma cadeira na frente de todos no set. Como alguém que sempre lhe foi permitido acariciar suas atrizes, então todos nós fomos enviados para casa.

    3. Durante todo o processo de filmagem, houve ofertas sexuais sussurradas e indesejadas com descrições gráficas, às vezes com sua esposa ao nosso lado.

    4. Enquanto filmava na Suécia, ele ameaçou pular da varanda do seu quarto para o meu, no meio da noite, com uma clara intenção sexual, enquanto sua esposa estava no quarto ao lado. Eu escapei para o quarto dos meus amigos. Isso foi o que, finalmente, me despertou para a gravidade de tudo isso e me fez defender meu terreno.

    5. Histórias fabricadas na imprensa por seu produtor sobre eu ser uma pessoa difícil. Isso combina perfeitamente com os métodos e o bullying de Weinstein. Eu nunca comi uma camisa. Não tenho certeza de que isso seja possível.

    6. Eu não aceitei ou concordei em ser assediada sexualmente. Isso foi retratado como sendo difícil. Se estar de acordo com isso é ser difícil, então eu sou.

    Veja o post original (em inglês).

    Em uma entrevista concedida ao Terra no ano 2000, durante o lançamento de Dançando no Escuro no Brasil, Björk sinalizou que a relação conflituosa entre ela e o cineasta dinamarquês envolvia outras questões. Questionada sobre como estava o relacionamento entre eles após "período de animosidade", a atriz respondeu:

    "Por sermos muito diretos, honestos e cabeças-dura, a gente nunca deixava uma desavença para depois. Tínhamos um problema às 10 horas da manhã, mas, às 11, depois de resolvermos nossas diferenças, já estávamos trabalhando. Se não havia um consenso entre nós, não havia trabalho. E posso dizer que terminamos de rodar o filme muito antes do prazo. Mas o problema é que muita gente no set não entendia o que estava se passando. Lars trabalha como um doido. E ele é muito inconstante. Podia estar rodando de uma maneira, mas, depois de receber a visita de sua mulher no set, ele voltava e fazia tudo completamente diferente. Somente Lars e eu sabíamos o que realmente estava acontecendo com aquela personagem."

    LEIA MAIS: 'Eu também': A campanha global que chama atenção sobre a magnitude do assédio contra mulheres Após denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar

    'Eu também': A campanha global que chama atenção sobre a magnitude do assédio contra mulheres


    As mulheres compartilharam o quão o assédio e a violência de gênero está presente na vida de cada uma...

    Atrizes de todas as idades romperam anos de silêncio ao denunciar o produtor Harvey Weinstein e seus casos de assédio e abuso sexual. Os casos de machismo em Hollywood provocaram uma onda de movimentações nas redes sociais e fora delas. Em consequência disso, Weinstein foi demitido da própria empresa que ajudou a fundar e afastado da Academia do Oscar.

    No último domingo (15), a hashtag #MeToo (#EuTambém, em português) acendeu uma nova onde de desabafos, indignação e revolta nas redes. As mulheres compartilharam o quão o assédio e a violência de gênero está presente na vida de cada uma delas, e não só das atrizes americanas.

    O primeiro tuíte foi o da atriz Alyssa Milano, a partir de uma conversa que teve com uma amiga. "Se todas as mulheres que já foram assediadas ou abusadas sexualmente escrevessem 'eu também' em seu status, nós poderíamos dar uma dimensão real desse problema para os outros", escreveu.

    If you've been sexually harassed or assaulted write 'me too' as a reply to this tweet. pic.twitter.com/k2oeCiUf9n

    — Alyssa Milano (@Alyssa_Milano) 15 de outubro de 2017

    A expressão viralizou. Ao redor do globo e em diversas línguas, mulheres usaram os seus perfis para compartilhar seus relatos. No Brasil, o movimento #EuTambém revelou a dor das mulheres que já foram estupradas, aquelas que ainda não se sentem seguras para falar dos seus traumas e aquelas que estão simplesmente cansadas do machismo naturalizado no cotidiano.

    Esse negócio de assédio; nós, mulheres, aprendemos desde criancinhas. Meu primeiro beijo foi forçado, pra terem uma noção. #MeToo#EuTambém

    — Cristine🎃 (@qlaudjenha) 17 de outubro de 2017

    Se todas as mulheres que sofreram assédio participarem, podemos mostrar a magnitude do problema. #eutambém#metoo

    — Luciana Antunes (@chocolatechaud) 16 de outubro de 2017

    #EuTambem#MeToo é com dor no coração que vejo quantas de nós, passamos por isso.

    — AngeLuz (@agleici) 17 de outubro de 2017

    #MeToo#EuTambém
    A primeira vez que me recordo sofrer de assédio tinha 9 anos. O agressor era o segurança de uma colónia de férias.

    — Inês Santos (@InesSantos90) 16 de outubro de 2017

    Dúvida sincera: essa campanha #EuTambem / #metoo é pros HOMENS terem noção da quantidade de vítimas de abuso, né?Pq nos mulheres já sabemos.

    — Isabela Cardozo (@bluebelrj) 17 de outubro de 2017

    Quando o assédio é tão normal que tu já perdeu a conta de quantas vezes foi invadida#MeToo#EuTambem

    — Gabriela Dullius (@GabrielaDullius) 16 de outubro de 2017

    O movimento ganhou tanta força que, de acordo com a empresa de monitoramento Crimson Hexagon, apenas no domingo, a hashtag #MeToo foi usada mais de cem mil vezes.

    Diversas artistas também reforçaram a campanha.

    #MeToo

    — xoxo, Gaga (@ladygaga) 15 de outubro de 2017

    #MeToo

    And I was blamed for it.
    I was told not to talk about it.
    I was told that it wasn't that bad.
    I was told to get over it.

    — Najwa Zebian (@najwazebian) 16 de outubro de 2017

    #MeToo

    — Patricia Arquette (@PattyArquette) 15 de outubro de 2017

    Entenda o caso

    Na quinta-feira (5) o New York Times divulgou uma reportagem em demonstra como Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

    A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

    Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

    Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.

    LEIA MAIS: Woody Allen sobre Harvey Weinstein: 'Não queremos uma caça às bruxas' Após denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar O exército de mulheres que denunciou o assédio de um 'gigante' de Hollywood

    Igualdade entre homem e mulher pode agregar US$ 28 trilhões ao PIB até 2025


    S� Paulo, Brazil, September, 11, 2016: Woman with a megaphone shouting slogans during act against the coup and calling for new elections and other social agendas for the...

    Por Luciano Nascimento

    A promoção da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres poderia agregar US$ 28 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) global até 2025, informa o relatório Situação da População Mundial 2017 lançado hoje (17) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

    Segundo o documento, estudos apontam uma associacão positiva entre igualdade de gênero, PIB per capita e níveis de desenvolvimento humano e a redução das desigualdade de gênero é um fator determinante para que o mundo consiga atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2030.

    Mas esse cenário está longe de ser atingido. Dados do relatório mostram que os homens ocupam 76% da força de trabalho global, enquanto as mulhres representam 50%. A pesquisa mostra ainda o valor pago as mulheres corresponde a 77% aos dos homens.

    Além disso, em razão das desigualdades, apenas metade das mulheres em todo o mundo possui emprego remunerado. Outro dado alarmante: das mulheres que conseguem entrar no mercado, em todo o mundo, 3 em cada 5 não têm acesso a licença maternidade, e muitas pagam "penalidade pela maternidade".

    De acordo com o relatório, esses números mostram que as desigualdades em saúde e direitos sexuais e reprodutivos têm um impacto "evidente" na desigualdade econômica. "O que significa que para as mulheres de qualquer lugar, a gravidez e a criacão dos filhos podem significar a exclusa o da força do trabalho ou salários mais baixos".

    Segundo o relatório, as mulheres mais pobres são as mais atingidas. "Em muitos países em desenvolvimento, as mulheres pobres, que estão nos 20% inferiores da escala de renda, e principalmente aquelas nas àreas rurais, têm menos probabilidade de acesso a contraceptivos, cuidado durante a gravidez e o parto do que suas contrapartes nas áreas urbanas mais ricas."

    Sem acesso a contracepção, as mulheres pobres, especialmente as menos instruídas e que moram em áreas rurais, "está em maior risco de uma gravidez não intencional. Isso pode gerar riscos de saúde e repercussões econômicas por toda a vida. A falta de poder para decidir se, quando ou com que frequência engravidar pode limitar sua educação, atrasar a participação na força de trabalho remunerada e reduzir os ganhos.

    A pesquisa mostra que o acesso limitado ao planejamento reprodutivo reflete em 89 milhões de gravidez não intencionais e 48 milhões de abortos em países em desenvolvimento todos os anos. A UNFPA diz que a cada US$ 1 gasto em serviços os contraceptivos reduz o gasto de assistência relacionada a gravidez em US$ 2,22.

    Os números mostram ainda que "em 2015 houve aproximadamente 14,5 milhões de partos de adolescentes em 156 países, territórios e outras áreas em desenvolvimento". A maioria dos partos de adolescentes no mundo (95%) ocorre nos países em desenvolvimento e nove de cada dez desses partos ocorrem em um casamento ou uma união.

    Esses casamentos infantis costumam ser mais frequentes em países onde a pobreza extrema e entre os grupos mais pobres nos países. "As adolescentes (entre 15 e 19 anos de idade) nos domicílios que está o entre os 20% mais pobres nos países em desenvolvimento têm cerca de três vezes mais partos do que as adolescentes nos domicílios que está entre os 20% mais ricos. As adolescentes em áreas rurais têm, em mèdia, duas vezes mais partos (taxa por 1mil mulheres) do que suas contrapartes nas cidades", diz o relatório.

    Brasil

    No caso do Brasil, o relatório mostra que um em cada cinco bebês nascem de mães adolescentes. O estudo mostra ainda que entre essas mães adolescentes, de cada cinco, três não trabalham nem estudam; sete em cada dez são afrodescendentes e aproximadamente a metade delas mora na Região Nordeste.

    Segundo o material, a juventude enfrenta três condições críticas: acesso limitado a serviços e insumos de saúde sexual e reprodutiva; acesso limitado a educação de qualidade e a oportunidades de emprego; e uma alta exposição à violência, em especial contra meninas e violência letal a jovens negros e em comunidades mais pobres.

    O relatório mostra ainda o longo caminho que o país precisa percorrer para reduzir as desigualdades entre homens e mulheres. Segundo o estudo, do total de 22,5% das pessoas jovens (15-29 anos), no país, não estudam e nem trabalham. Desses jovens, mais de 65% são mulheres, sendo que a maioria (54,1%) tinha ao menos um filho ou filha.

    De acordo com o relatório, na população de dez anos ou mais, a proporçao de mulheres que cuida dos afazeres doméstidos chega a 88%, enquanto na parcela masculina fica em 51,5%. Na divisão da média de horas semanais dedicadas a afazeres domésticos, os homens dedicam 10,5h e mulheres 23,3h, mais que o dobro.

    Para a UNFPA, isso significa menos possibilidade de completar o ensino formal e, consequentemente, de acesso ao mercado de trabalho e de alcançarem independêcia financeira nas mesmas condições que homens ou de mulheres mais ricas.

    Segundo a UNFPA, o maior nível de instrução de meninas e mulheres tem uma associação positiva com melhores resultados em saúde materna e infantil, assim como menores taxas de mortalidade. A melhoria na igualdade de gênero que resulta de uma maior parcela de mulheres na força de trabalho tem sido associada a menor desigualdade de renda", diz o relatório.

    De acordo com representate da UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, o desafio não é apenas reduzir a pobreza e a desigualdade econômica, mas também as desigualdades quanto as oportunidades.

    O que o relatório está falando é que pensar desigualdade não é só o quanto uma pessoa tem ou não tem. Ele está dizendo que é isso, mas não só: é o que as pessoas podem fazer nas suas vidas ou podem não fazer dependendo do acesso a oportunidades que tiveram, particularmente no momento quando eram crianças e adolescentes e puderam completar todo esse ciclo de educação, de saúde e de iinserção na vida produtiva.

    Para o FNDA, somente com a promoção da equidade de direitos de mulheres e meninas, especialmente no acesso universal aos serviços e direitos de saúde sexual e reprodutiva – são necessários para alcançar o desenvolvimento sustentável.

    Para o fundo o cenário colocado traz ameaças à paz e ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que a menos que as "desigualdades recebam atenção urgente e que as mulheres, em especial as mais pobres", esse cenário não será atingido.

    Segundo Nadal, a sociedade pode colher grandes benefícios econômicos e sociais quando todas as pessoas puderem desfrutar de seus direitos a saúde e a educação. No caso das mulheres, essa questão passa por decidir se, quando e com que frequência engravidar; e quando os homens e mulheres estão em pé de igualdade na força de trabalho.

    O crescimetno econômico por si só não basta. É preciso que ele seja também um crescimento distributivo, equitativo, que realmente camadas amplas da população possam se beneficiar do crescimento econômico. Porque se permanecer muito concentrado em setores pequenos da população ele não vai ser duradouro, não vai ser sustentável e vai gerar mais desigualdade.

    LEIA MAIS: No fim das contas, a estátua da Menina Destemida era só mais um símbolo vazio de feminismo Quem são as mulheres que querem unir religião e feminismo
    Ciro diz que candidatura de Lula em 2018 é 'desserviço ao País'

    Ciro diz que candidatura de Lula em 2018 é 'desserviço ao País'


    Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato do presidente...

    "Se o Lula for candidato, imediatamente se passionaliza o ambiente. Ódios, rancores, violência — e o País não vai ter um minuto para discutir o seu futuro." Assim pensa o presidenciável Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, sobre uma possível candidatura do ex-presidente Lula para a presidência em 2018. Ele vai além: "entendo que a candidatura dele é um desserviço a ele e ao País".

    Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (16), Ciro se coloca como pré-candidato do PDT e como um dos nomes capazes de unir o campo progressista no Brasil. Confessa, no entanto, que precisa da força de Lula para consegui-lo.

    "Acredito que ele é capaz de poder fazer isso. De, absolvido, liderando pesquisa, entender, sem qualquer tipo de constrangimento que ele deveria convocar um grande debate que unificasse as forças progressistas do País", afirma.

    Mas Ciro não se considera um candidato de esquerda; ele se põe mais ao centro e admite respeitar o agronegócio, um dos setores mais criticados pela esquerda mais radical. "A esquerda tem uma crítica azeda ao agronegócio. Eu respeito profundamente o agronegócio. [...] Eles, sob o ponto de vista de contas, estão pagando a conta do Brasil, há anos", declara.

    Para viabilizar sua candidatura, o PDT tem mobilizado candidatos ao Senado e a governos em alguns estados. E Ciro quer uma aliança de seu partido com o PSB.

    O PSDB

    Para o pré-candidato, até dezembro, o prefeito João Doria será "carta fora do baralho". Ele argumenta que ele "não é do ramo" político. "Torrou o orçamento de São Paulo, queimou as pontes todas. Perdeu o 'timing' para fazer acordo por dentro e ser eventualmente candidato a governador. Colidiu com o cara que o inventou [Geraldo Alckmin]".

    Em sua análise, Doria imprimiu a impressão de ser um "carreirista que só pensa em si". Ciro classifica as viagens do prefeito como "ilusão de ótica". "Deixou a grande e grave responsabilidade — que seria a decolagem dele — aqui, descuidada. Como eu sempre disse, é um farsante."

    Para ele, a continuação do PSDB na base aliada de Temer, com ministros integrando o governo, além de permitir um desgaste da imagem de Geraldo Alckmin, prejudica o governador de São Paulo e o próprio partido no pleito.

    Leia a entrevista completa

    LEIA MAIS: Ciro Gomes: 'Mil vezes um Bolsonaro do que um enganador como o Doria' Doria rebate críticas de Ciro Gomes: 'Confirmou instabilidade emocional e desequilíbrio político'

    O dia em que um astronauta da NASA levou um spinner para o espaço

    O dia em que um astronauta da NASA levou um spinner para o espaço


    A febre dos fidget spinners chegou, literalmente, longe demais.Um grupo de astronautas na Estação Espacial Internacional resolveu levar o brinquedinho para o espaço e fazer algumas manobras.Será que o funcionamento do gadget em ambiente de gravidade...

    A febre dos fidget spinners chegou, literalmente, longe demais.

    Um grupo de astronautas na Estação Espacial Internacional resolveu levar o brinquedinho para o espaço e fazer algumas manobras.

    Será que o funcionamento do gadget em ambiente de gravidade zero é muito diferente do que é visto em solo terrestre?

    Para matar essa curiosidade, o astronauta Randy Bresnik compartilhou em seu Twitter um vídeo em que aparece interagindo com o spinner na companhia dos colegas Mark T. Vande Hei, Joseph Acaba e Paolo Nespoli.

    "Por quanto tempo ele gira? Não tenho certeza, mas é uma ótima oportunidade de experimentar as leis de Newton", escreveu Bresnik na rede social.

    No registro, os astronautas criam situações diversas para mostrar as possibilidades de performance do brinquedo no espaço. Eles seguram o spinner e giram o próprio corpo, mantém o objetivo girando e ao mesmo tempo parado no ar - entre outras brincadeiras.

    Veja abaixo:

    A fidget spinner in space! How long does it spin? I'm not sure, but it's a great way to experiment with Newton's laws of motion! pic.twitter.com/5xIJDs2544

    — Randy Bresnik (@AstroKomrade) 13 de outubro de 2017

    Se você observar com atenção o vídeo se dará conta de um divertido detalhe: o spinner tem o selo da NASA.

    LEIA MAIS: Este garotinho de 9 anos que ser o novo 'Oficial de Proteção Planetária' da NASA EU QUERO! Lego vai lançar coleção sobre mulheres pioneiras da NASA

    Reforma eleitoral abre espaço para propaganda paga em sites


    Reforma eleitoral permitiu impulsionamento de conteúdos nas redes...

    Jonas Valente - Repórter da Agência Brasil

    A reforma eleitoral, aprovada no Congresso Nacional e sancionada recentemente pelo presidente Michel Temer, traz mudanças importantes nas campanhas realizadas nos meios de comunicação. Uma delas é a liberação parcial de propaganda paga na internet. O tema levanta reflexões de especialistas na área de tecnologia e comunicação.

    Conforme a reforma, é "vedada a veiculação de qualquer propaganda paga na internet, excetuado o impulsionamento de conteúdos". Essa alternativa é permitida apenas quando o autor for identificado e se o serviço for contratado por partidos, coligações, candidatos e representantes. O uso deste recurso, contudo, não pode ser feito em dia de votação.

    Ainda de acordo com o texto, é proibido usar ferramentas que não aquelas disponibilizadas pelo provedor "para alterar o teor ou a repercussão de propaganda eleitoral, tanto próprios quanto de terceiros".

    O provedor deve manter canal de comunicação com os usuários e pode ser responsabilizado por danos causados pela publicação impulsionada se houver decisão judicial pela retirada e ela não for cumprida.

    Essa novidade amplia os instrumentos de divulgação para as campanhas em relação aos existentes hoje. Pela legislação atual, um candidato pode manter um site, desde que com endereço eletrônico informado à Justiça Eleitoral e hospedado em provedor estabelecido no Brasil. Também é permitido o envio de mensagens eletrônicas, como e-mails ou mensagens no Whatsapp, além de publicações nas redes sociais.

    Redes Sociais e eleições

    Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet, 58% dos brasileiros estão conectados à internet. De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2016, realizada pelo Ibope a pedido do governo federal, metade dos pesquisados afirmou se informar pela internet. O meio é o segundo mais popular para a busca de notícias, ficando atrás apenas da TV, mencionada por 89% dos entrevistados. A principal rede social usada pelos brasileiros, o Whatsapp, informou em maio deste ano ter cerca de 120 milhões de usuários no Brasil.

    Para o professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), Fábio Malini, as redes sociais vêm sendo elemento relevante nas eleições em diversos países (como Espanha, Reino Unido e Estados Unidos) e não será diferente no Brasil em 2018. Com a possibilidade de impulsionamento de conteúdo aberta pela reforma eleitoral, os candidatos poderão manter estratégias de propaganda mais sofisticadas.

    O papel mais central das redes sociais será a direção exata da propaganda política que não se tinha antes. Mesmo com ambiente digital, se partia do pressuposto de que o usuário tinha que ir até a página, fazer a busca. Pela primeira vez vai se poder trabalhar uma propaganda para um território, faixa etária, profissão. Essa experiência de ir no foco publicitário é algo que a gente vai ter de forma forte nas próximas eleições.Riscos

    Na avaliação do professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, a medida é problemática porque beneficia candidaturas com mais recursos. Para além do impulsionamento implicar gastos, estes vão se tornar cada vez maiores, aumentando o obstáculo financeiro dos candidatos com menos estrutura. Isso porque o impulsionamento se dá pela forma de "leilão".

    Ou seja, o preço para conseguir ampliar o alcance de um "post" aumenta conforme a demanda. Em uma eleição, com diversos candidatos tendo apenas o Facebook como canal pago na internet, a tendência é que esse custo seja cada vez maior.

    "A postagem de um candidato com menos dinheiro vai atingir menos de 1% dos seus seguidores, enquanto candidatos com muito dinheiro e que já aplicam no Facebook vão poder fazer uma campanha de maior alcance, o que dará uma visão distorcida", argumenta o professor, que também é membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI-Br).

    "Muitos eleitores terão a falsa impressão de que aquele candidato é relevante, popular e bem visto quando comparado a outros invisíveis, quando na verdade ele só aparece em sua "timeline" porque pagou para que isso acontecesse e grande parte das suas interações positivas podem ser falsas, produzidas por "chatbots", isto é, perfis artificiais que simulam conversas e interação", acrescenta Sivaldo Pereira da Silva, professor da Universidade de Brasília e coordenador do Centro de Estudos em Comunicação, Tecnologia e Política (CTPol).

    Para Renata Mielli, jornalista e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, a abertura de propaganda privilegia os anúncios em somente uma plataforma, o Facebook, e impede que candidatos optem por outros sites ou canais na internet. "Criar distinção entre esses espaços não é compatível com uma postura mais equilibrada e democrática dentro das regras do jogo eleitoral", defende.

    Mielli acrescenta que há o problema da falta de transparência na disseminação dos conteúdos publicados.

    O Facebook seleciona o que as pessoas visualizam na 'timeline' por meio de algoritmos e isso não é transparente. Isso pode gerar uma invisibilidade de candidatos com menos recursos enquanto outro serão privilegiados.Facebook

    A Agência Brasil entrou em contato com o escritório do Facebook no Brasil. Mas a empresa informou que não dispunha de uma posição oficial sobre a reforma eleitoral.

    LEIA MAIS: Além da censura: 5 pontos para entender as brechas da reforma política no meio digital Exército deve combater crimes cibernéticos nas próximas eleições

    Um em cada quatro jovens vai abandonar o Ensino Médio até o final do ano


    Os dados revelam que mais da metade das nações tem menor porcentagem de jovens fora da escola que o...

    A cada ano, quase três milhões de jovens abandonam a escola no Brasil. É o que apontou o estudo Políticas Públicas para Redução do Abandono e Evasão Escolar de Jovens, elaborado pelo Ensino Superior em Negócios, Direito e Engenharia (Insper) e divulgado hoje (17).

    Ao final deste ano, um em cada quatro jovens entre 15 e 17 anos de idade vão abandonar seus estudos, não vão se matricular para o ano seguinte ou serão reprovados. Isso corresponde a um universo de 2,8 milhões de pessoas (27%), entre os 10 milhões de jovens estimados no país nessa faixa etária e que deveriam, de acordo com a Constituição, estar frequentando a escola.

    Desse total de 10 milhões de jovens, cerca de 15% ou 1,5 milhão, sequer vão se matricular para o início do ano letivo. Do restante, entre aqueles que se matriculam, cerca de 7% ou 700 mil jovens vão abandonar a escola antes do final do ano. Além disso, cerca de 600 mil alunos (5%) serão reprovados por faltas, o que completa os 2,8 milhões de jovens que estarão fora da escola a cada ano.

    Segundo o estudo, mais da metade desses jovens (59% do total ou cerca de 6,1 milhões) vai concluir o Ensino Médio com no máximo um ano de atraso. Além de todos os problemas que isso provocará para o futuro desse jovem e para o país, a evasão (ausência de matrícula no início do ano letivo) e o abandono escolar (desistência durante o ano escolar) dos jovens também implica em prejuízo econômico: cerca de R$ 35 bilhões por ano são desperdiçados no país por causa dessa realidade.

    O estudo mostra ainda que houve uma estagnação na matrícula dos jovens entre 15 e 16 anos e que a porcentagem de jovens de 17 anos fora da escola cresceu 6 pontos percentuais nos últimos 15 anos, passando de 34% para 39,8%. Isso, segundo o estudo, contradiz uma tendência mundial: dados da Unesco apontam que 74% dos países avançam mais rapidamente na inclusão de jovens de 15 a 17 anos que o Brasil.

    Os dados revelam que mais da metade das nações tem menor porcentagem de jovens fora da escola que o Brasil. Se mantiver este ritmo, o país levará 200 anos para atingir a meta estabelecida no Plano Nacional de Educação: universalizar o atendimento escolar para essa faixa etária – que, pelo plano, deveria ter sido concluída no ano passado.

    Solução para o desengajamento

    As principais razões para o chamado "desengajamento dos jovens", segundo o estudo, estão associadas à pobreza e à dificuldade de acesso, tais como a falta de escolas na comunidade onde o jovem vive ou a falta de recursos para o transporte até a escola. Há também questões relacionadas à inadequação do currículo adotado, do clima escolar e da baixa qualidade dos serviços oferecidos pela escola.

    Para reverter o quadro, o estudo propõe a criação de políticas públicas para diminuir o desengajamento como a garantia de acesso principalmente para aqueles que vivem em áreas rurais ou que têm alguma deficiência ou para jovens que cumprem pena privados de liberdade.

    O estudo também propõe a criação de cursos profissionalizantes, um sistema de aconselhamento, práticas esportivas e artísticas, aumento das atividades à distância e flexibilização dos horários das aulas e do modelo de avaliação para ajudar a reduzir a evasão escolar.

    O estudo Políticas Públicas para Redução do Abandono e Evasão Escolar de Jovens é organizado pela Fundação Brava, pelo Instituto Unibanco e pelo Instituto Ayrton Senna e está disponível no site Galeria de Estudos e Avaliação de Políticas Públicas, o Gesta.

    LEIA MAIS: A escola pública é lugar de religião? Violência no Rio: Dos 145 dias letivos, escolas só não fecharam em 9 dias

    Senadores, cumpram a decisão do ministro Alexandre de Moraes de que a votação no caso Aécio seja aberta

    Senadores, cumpram a decisão do ministro Alexandre de Moraes de que a votação no caso Aécio seja aberta


    O que você faria se ninguém estivesse vendo?Nesta terça-feira (17), um grupo de senadores traça estratégias para que ninguém os veja tentando salvar o colega Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano está afastado do Senado desde o último dia 26 por...

    O que você faria se ninguém estivesse vendo?

    Nesta terça-feira (17), um grupo de senadores traça estratégias para que ninguém os veja tentando salvar o colega Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano está afastado do Senado desde o último dia 26 por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

    As medidas cautelares, que incluem recolhimento noturno, entretanto, poderão ser revertidas após passar pelo crivo dos senadores.

    Se a votação for aberta, como prevê determinação do STF desta terça-feira (17) e resolução que o próprio Aécio deu aval quando presidiu a Câmara, as chances de o senador se salvar são baixíssimas. Para isso, é preciso que 41 dos 81 senadores votem em prol do tucano. De acordo com levantamento pelo portal G1, apenas oito senadores declaram apoio ao colega.

    Porém, às escuras, o cenário é diferente: existe uma real possibilidade de que o mandato do senador seja restabelecido. O mesmo levantamento mostra que 34 parlamentares estão indecisos ou não quiseram se posicionar e 26 não responderam.

    Os aliados do senador acreditam que a votação fechada pode atrair votos da oposição, que inicialmente chegou a se posicionar a favor do tucano. Às vésperas da votação, senadores tentam uma brecha pelo sigilo ao mesmo tempo em que traçam uma estratégia para adiar a votação e ganhar mais tempo.

    A começar pela decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, desta terça-feira, o HuffPost Brasil elenca três razões para que o Senado enterre de vez a possibilidade de votação secreta em casos como este:

    1. Decisão judicial "se cumpre"

    O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu nesta terça-feira (17) que a votação deve ser aberta, em resposta a um mandado de segurança impetrado pela Rede Sustentabilidade. No documento, a Rede destaca a importância da decisão para as eleições de 2018.

    "Num cenário de véspera eleitoral, onde nada menos de 2/3 da Casa Senatorial [ou 54 senadores] serão testados nas urnas, sob intensa vigilância da opinião pública arejada pelos ventos do combate à corrupção, expor as digitais numa votação ostensiva certamente não se afigura como a decisão mais confortável para a classe política, tendo em vista o alto custo de transação que importa tal exposição", diz o texto.

    Além disso, uma liminar da Justiça Federal em Brasília da noite do último dia 13, que até o fechamento deste texto não tinha sido entregue ao Senado, proíbe que a votação seja sigilosa.

    Para o juiz juiz Márcio Luiz Coelho de Freitas, autor da decisão, "a adoção de votação sigilosa configuraria ato lesivo à moralidade administrativa".

    Vale lembrar o que disse o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) no fim do ano passado: decisão judicial "se cumpre".

    2. A regra do jogo é clara

    Em 2015, o Senado passou por situação por semelhante com a votação da prisão do então senador do PT Delcídio do Amaral, que havia sido preso em flagrante por tentativa de obstrução à Operação Lava Jato. O que disse Aécio à época:

    "Me lembro que ainda como presidente da Câmara, nós fizemos uma alteração profunda na emenda constitucional, no artigo 53 da Constituição, que estabelece os procedimentos específicos em casos como esse e, na nossa interpretação, a manifestação da maioria dos membros do Senado Federal deve se dar por votação aberta, portanto essa é a nossa posição."

    As falas de Aécio em relação a Delcídio também poderiam ser aplicadas nesse momento. Ao falar em fatos "extremamente graves", ele fez um apelo por agilidade.

    "Defendo que o Senado cumpra a sua responsabilidade constitucional no dia de hoje ainda, manter essa questão em suspenso ao meu ver transfere uma questão extremamente grave que circunda um senador da República para todo o Senado Federal."

    Conselho diferente do que vem sendo adotado pelos seus aliados.

    3. Transparência é regra na Constituição

    Se há motivos claros para que a votação seja aberta por que ainda há quem lute para que seja fechada? A resposta é que há diferentes interpretações sobre o caso.

    Há o argumento de que, embora o termo votação secreta tenha sido retirado da Constituição, não há nenhum trecho expresso de que ela tenha que ser aberta. Há ainda o artigo 291 do regimento do Senado que determina que é secreta a votação de "prisão de senador e autorização da formação de culpa, no caso de flagrante de crime inafiançável".

    Apesar da dúvida, em 2015, ainda em relação ao caso do senador Delcídio do Amaral, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, foi assertivo e rejeitou a possibilidade de votação secreta.

    Fachin argumentou que "a publicidade dos atos de exercício de poder é a regra estabelecida pela Constituição".

    Por que Aécio foi afastado?

    O senador Aécio Neves foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa em 2 de junho.

    Em 18 de maio, a Polícia Federal deflagrou a Operação Patmos, que cumpriu 49 mandados judiciais de busca e apreensão e de prisão preventiva. A irmã do senador, Andrea Neves e o primo, Frederico Pacheco de Medeiros, foram detidos na época. Ambos foram liberados para prisão domiciliar em 20 de junho.

    De acordo com as investigações, Andrea era considerada operadora de Áecio. Em delação premiada, o dono do frigorífico JBS Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República que o senador pediu R$ 2 milhões. O dinheiro seria para pagar despesas judiciais.

    A defesa de Aécio Neves nega irregularidades e afirma que ele foi "vítima de uma grande e criminosa armação engendrada pelos senhores Joesley Batista e Ricardo Saud em busca dos benefícios de uma generosa delação".

    Pela decisão da Primeira Turma, o parlamentar também está proibido de contatar outros investigados por qualquer meio e de se ausentar do país, com entrega de passaporte. Por unanimidade, foi negado o pedido de prisão preventiva, feito pela PGR.

    Com o julgamento do pedido, foram restabelecidas as medidas cautelares previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal impostas, em maio deste ano, pelo relator original da ação, ministro Edson Fachin.

    Na época, o magistrado considerou presentes indícios da prática dos crimes decorrentes do acordo de delação premiada firmado entre pessoas ligadas ao Grupo J&F e o Ministério Público Federal, e apontou a necessidade das medidas para garantir a ordem pública e a instrução processual.

    Em junho, após agravos regimentais apresentados pelo senador, o ministro Marco Aurélio Mello, novo relator do processo, reconsiderou a decisão e restabeleceu o mandato do senador.

    Ao analisar o caso em setembro, em sessão da Primeira Turma, Marco Aurélio votou contra o pedido da PGR. Ele foi acompanhado pelo ministro Alexandre de Moraes.

    A divergência foi aberta pelo ministro Luís Roberto Barroso, seguida pela ministra Rosa Weber e pelo ministro Luiz Fux, no sentido de acolher parcialmente o pedido da PGR.

    "Seria uma incongruência entender que se aplica a prisão domiciliar aos coautores menos relevantes sem a aplicação de nenhum tipo de restrição à liberdade de ir e vir a quem, supostamente, teria sido o mandante. Há indícios, bastaste suficientes a meu ver, de autoria e materialidade", afirmou Barroso.

    Na última quarta-feira (11), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que medidas cautelares, como o recolhimento noturno, determinadas a deputados federais e senadores devem ser submetidas ao aval da Câmara ou do Senado. (Marcella Fernandes)

    LEIA MAIS: Decisão da Justiça do DF determina votação aberta no caso Aécio O voto do Senado sobre o futuro de Aécio pode ser secreto? Situação de afastamento de Aécio e de Cunha é a mesma, dizem juristas