Pragmatismo Político

    “Eduardo Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro, um monstro…”

    “Eduardo Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro, um monstro…”


    Em depoimentos da delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) afirmou que o ex-deputado Eduardo Cunha era uma “máquina de arrecadar propina“. Os vídeos da delação, prestada no ano passado e em agosto deste ano, foram divulgados na...

    Em depoimentos da delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) afirmou que o ex-deputado Eduardo Cunha era uma “máquina de arrecadar propina“. Os vídeos da delação, prestada no ano passado e em agosto deste ano, foram divulgados na última segunda-feira (16) e expõem o papel de Cunha no sistema de corrupção no Congresso.

    “Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro, um monstro. Impressionava todo mundo“, afirmou Corrêa, em depoimento divulgado pela TV Globo. “Arrecadava dinheiro de todo o jeito. Tinha uma coragem imensa de fazer as coisas.”

    O ex-deputado do PP ainda contou que havia alertado Cunha e o deputado Júlio Lopes, também do PP, sobre a chance de a “sede ao pote” dos dois acabar em cassação. “Eu disse aos dois: ‘olha, vocês tinham acabado de chegar em Brasília, foram com tanta sede ao pote, vão acabar cassados. Porque cuidado que o cargo de deputado federal é muito visado’.”

    Os depoimentos de Corrêa foram homologados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, em agosto deste ano.

    Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff também foram citados na delação de Pedro Corrêa. Segundo o ex-deputado, Lula participou diretamente da nomeação de Paulo Roberto Costa — primeiro delator da Lava Jato — para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras e teria negociado compras de votos do PMDB para apoio à nomeação de Costa e do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

    Ainda segundo o depoimento de Pedro Corrêa, Dilma mandou, em 2011, um diretor da estatal a pagar propina ao Partido Progressista.

    Funaro

    Na semana passada, o operador financeiro Lúcio Funaro também definiu o papel de Cunha na Câmara dos Deputados como um “banco de corrupção de políticos“. Em seu acordo de delação premiada, Funaro afirmou que todos os deputados que precisavam de recursos pedia dinheiro a ele e ele cedia. Em troca, ele “mandava no mandato do cara“, acrescentou. “Não precisava nem ir atrás de ninguém, fazia fila de gente atrás dele”. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

    De acordo com Funaro, 60% a 65% do valor de cada repasse de propinas na Caixa Econômica Federal ficavam com Geddel Vieira Lima e o resto, entre 40% e 35%, era dividido entre Funaro e Cunha. “Dependia da operação e da necessidade de caixa que ele tinha”, acrescentou.

    Impeachment

    Em outro depoimento à Procuradoria-Geral da República, Funaro confirmou o repasse de R$ 1 milhão para Cunha “comprar” votos a favor do impeachment de Dilma Rousseff, no ano passado.

    Na delação, o operador financeiro afirma que Cunha lhe pediu o dinheiro um dia antes da votação na Câmara, que aconteceu no dia 17 de abril. “Depois de uma semana de aprovado o impeachment, comecei a enviar dinheiro para ele [Cunha] ir pagando os compromissos que ele tinha assumido“, relatou Funaro, acrescentando que o dinheiro foi entregue em Brasília, São Paulo e no Rio.

    Funaro prestou depoimento em agosto deste ano e sua delação foi homologada por Fachin, do STF.

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    Senadores que salvaram Aécio são investigados na Lava Jato

    Senadores que salvaram Aécio são investigados na Lava Jato


    Dos 44 senadores que votaram ontem para derrubar as medidas cautelares impostas ao tucano Aécio Neves (MG), ao menos 19 (43,2%) são alvo da Operação Lava Jato. A maior parte deles (10) é do PMDB, partido que mais deu votos a favor do senador...

    Dos 44 senadores que votaram ontem para derrubar as medidas cautelares impostas ao tucano Aécio Neves (MG), ao menos 19 (43,2%) são alvo da Operação Lava Jato. A maior parte deles (10) é do PMDB, partido que mais deu votos a favor do senador mineiro – foram 18 no total.

    Apenas dois senadores do PMDB votaram por manter a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que afastou e determinou o recolhimento noturno de Aécio. Foram contrários ao tucano Kátia Abreu (PMDB-TO), também alvo da Lava Jato, e Roberto Requião (PMDB-PR).

    Também partiu dos investigados as defesas mais enfáticas para que o Senado barrasse as restrições impostas a Aécio. O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), por exemplo, foi um dos cinco a discursar em defesa do tucano. Mesmo em recuperação de uma cirurgia, ele descumpriu recomendação médica para participar da sessão e ajudar a “salvar” o colega.

    “Quis Deus que eu tivesse a saúde para que, depois de operado, estivesse aqui hoje também para falar desta tribuna como último orador”, disse o senador no discurso.

    Também fazem parte da lista nomes como Renan Calheiros (PMDB-AL), Jader Barbalho (PMDB-MA) e Valdir Raupp (PMDB-RR). No PSDB, que deu 10 dos 11 votos possíveis a favor do correligionário, três senadores são alvo da Lava Jato: Antonio Anastasia (MG), Cássio Cunha Lima (PB) e José Serra (SP). Apenas Ricardo Ferraço (ES), também investigado, não compareceu à votação.

    Dos 26 que votaram contra o tucano, seis são alvo da Lava Jato. Entre eles o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da bancada. O partido chegou a divulgar uma nota, logo após o afastamento de Aécio, na qual defendeu o enfrentamento com o Supremo, mas recuou após repercussão negativa.

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    Imagem de Aécio ‘espiando pela janela’ após ser salvo viraliza nas redes

    Imagem de Aécio ‘espiando pela janela’ após ser salvo viraliza nas redes


    Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press. Brasília – DF. Natália Lambert , Correio Braziliense O Senado Federal decidiu na noite desta terça-feira (17/10) manter o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrubando uma decisão do Supremo Tribunal...

    Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press. Brasília – DF.

    Natália Lambert , Correio Braziliense

    O Senado Federal decidiu na noite desta terça-feira (17/10) manter o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrubando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O placar da votação foi de 44 a 26, com uma abstenção.

    Aécio estava afastado das atividades parlamentares e cumprindo reclusão noturna desde o fim de setembro, por determinação do STF. O tucano é denunciado por receber propinas de R$ 2 milhões de executivos da JBS. A manutenção ou revogação dessas medidas cautelares precisava ser referendada por 41 dos 81 senadores.

    Por 3 a 2, a Primeira Turma do STF decidiu no dia 26 de setembro afastar novamente o senador Aécio Neves (PSDB-MG) do exercício das funções parlamentares e colocá-lo em recolhimento noturno.

    O colegiado restaurou medidas cautelares que haviam sido determinadas pelo ministro Edson Fachin em maio, como a proibição do senador de se ausentar do país e de entrar em contato com qualquer outro investigado no conjunto de fatos revelados na delação da J&F.

    No entanto, a decisão do colegiado da Corte depende da aprovação do Senado. A regra foi reiterada por decisão do STF em julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade 5526, que discutia se sanções como prisão preventiva e medidas cautelares, quando aplicadas contra parlamentares, devem ser submetidas ao Congresso Nacional em 24 horas.

    Os ministros concordaram, em decisão no dia 11 de outubro, que não cabe ao Legislativo rever a decisão, mas decidir se vai aplicá-la ou não.

    Alvo da Operação Patmos em maio, Aécio Neves foi denunciado em junho pela Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo crime de corrupção passiva e de embaraço a investigações. O senador é acusado formalmente de ter aceitado propina de R$ 2 milhões repassados pela J&F a um primo do senador e a um auxiliar parlamentar e de ter tentado obstruir investigações.

    Votação

    A decisão foi apertada. Para o resultado ser possível, alguns senadores chegaram a contrariar orientações médicas para participar do pleito. O líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), que teve uma crise hipertensiva pela manhã, foi direto do hospital para o Senado. A votação, inclusive, atrasou alguns minutos para aguardar a sua chegada.

    Já o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), ignorou o atestado médico para participar das articulações a favor de Aécio ao longo do dia e da votação desta terça-feira. Na semana passada, ele foi internado e submetido a uma cirurgia de diverticulite aguda.

    Durante a sessão, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chegou a convocar Bauer para participar da sessão, no microfone. Ele brincou que o líder do governo “arrancou metade das tripas” e veio votar mesmo assim.

    Aliados de Aécio, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), e o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), desistiram de participar de missões especiais no exterior esta semana para participar da votação. O próprio presidente da Casa, Eunício Oliveira (CE), antecipou o seu retorno da Rússia, ontem à noite, para poder conduzir os trabalhos. Desde então, ele fez diversas reuniões até a tarde de hoje com políticos e técnicos para tratar da votação.

    Do lado oposto ocorreu movimento semelhante, porém menos eficaz. A senadora Ana Amélia (PP-RS) desistiu de uma missão especial para a Itália para poder votar pela manutenção da decisão do STF O líder do DEM, senador Ronaldo Caiado (GO), veio ao Senado de cadeira de rodas, após ter fraturado o úmero ao tentar domar uma mula em sua fazenda na cidade de Mara Rosa (GO), na semana passada. Ele está de licença médica por 15 dias.

    Discussão

    A sessão foi aberta por volta das 17 horas. A fase de discussão sobre o caso durou cerca de duas horas. Dez senadores falaram na tribuna – cinco contrários à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e outros cinco favoráveis.

    Falaram contra a decisão do STF os parlamentares Jader Barbalho (PMDB-PA), Telmário Mota (PTB-RR), Antonio Anastasia (PSDB-MG), Roberto Rocha (PSDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR). Álvaro Dias (PODE-PR), Ana Amélia (PP-RS), Humberto Costa (PT-PE), Randolfe Rodrigues (REDE-AP) e Reguffe (Sem partido-DF) foram favoráveis ao afastamento.

    O PMDB, maior partido do Senado, com 22 senadores, decidiu fechar questão e encaminhou voto favorável a Aécio Neves. Outros partidos como PP, PR, PRB, PTC e PROS se manifestaram pelo voto “não”, ou seja, contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e pela manutenção do mandato do tucano.

    Em discurso, o presidente do PSDB, que representa a segunda maior bancada da Casa, Tasso Jereissati (CE), defendeu o direito de defesa de Aécio e também encaminhou voto contra as medidas cautelares.

    Já as legendas PT, PSB, PODE, PDT, PSC e Rede se manifestaram contra Aécio e a favor da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastá-lo. O PSD e o DEM decidiram liberar a bancada para que cada um vote como considerar melhor.

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    Homem tortura e mata menino de 8 anos por achar que ele era gay

    Homem tortura e mata menino de 8 anos por achar que ele era gay


    O menino Gabriel Fernandez sofreu com torturas durante oito meses antes de morrer Isauro Aguirre, de 32 anos, foi acusado de conspirar com sua namorada para torturar e matar o filho dela, de apenas oito anos de idade. De acordo com o procurador...

    O menino Gabriel Fernandez sofreu com torturas durante oito meses antes de morrer

    Isauro Aguirre, de 32 anos, foi acusado de conspirar com sua namorada para torturar e matar o filho dela, de apenas oito anos de idade.

    De acordo com o procurador responsável pelo caso, os crimes aconteceram porque Aguirre acreditava que o menino fosse gay. Agora, o homem pode ser condenado à pena de morte. As informações são do Daily Mail.

    O assassinato aconteceu em meados de 2013, entretanto, o julgamento do caso começou apenas na última segunda-feira (16), na corte de Los Angeles, na Califórnia.

    O americano é acusado de atacar Gabriel Fernandez com spray de pimenta, obrigá-lo a ingerir as próprias fezes e depois vomitá-las, queimar a pele do garoto com bitucas de cigarro, agredi-lo com um taco e matá-lo com a “permissão” da mãe do menino. Tudo baseado na crença de que o garoto era gay .

    Logo após a morte de Gabriel, o casal ligou para a polícia e reportou o caso como suicídio. Os dois alegaram que a criança “gostava de bater em si mesmo, era homossexual e queria acabar com a própria vida”.

    Entretanto, as evidências encontradas descartaram essa possibilidade e os dois foram presos.

    O padrasto e a mãe do menino

    Agora, Aguirre está sendo representado pelo advogado John Allan, que, diante das acusações, argumentou que o cliente “estava com problemas para lidar com uma situação muito estressante e caótica” durante o período dos ataques.

    A defesa do réu declarou que o homem admite o assassinato, porém, nega qualquer episódio de tortura .

    O paramédico James Cermak, que trabalha no Corpo de Bombeiros do Condado de Los Angeles, afirmou que o corpo de Gabriel estava extremamente machucado quando foi encontrado, já falecido, no apartamento do casal.

    Pearl Fernandez, mãe do garoto, também enfrenta acusações no caso de homicídio, mas será julgada em outra sessão.

    Além disso, quatro assistentes sociais são investigados por causa da morte de Gabriel, assassinado em mais um caso de homofobia após sua mãe e padrasto cometerem o crime por desconfiarem que fosse gay.

    Último Segundo

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    Luciano Huck: “Vou participar da renovação política no Brasil”

    Luciano Huck: “Vou participar da renovação política no Brasil”


    Apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como um exemplo de nome novo que poderia ter força eleitoral diante da atual crise de credibilidade da classe política no país, o empresário e apresentador Luciano Huck voltou a declarar...

    Apontado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como um exemplo de nome novo que poderia ter força eleitoral diante da atual crise de credibilidade da classe política no país, o empresário e apresentador Luciano Huck voltou a declarar vontade de se engajar mais diretamente na renovação política do Brasil, ainda que evitando se lançar como candidato.

    Huck escreveu que tem “pensado, lido, refletido e ouvido muita gente sobre os melhores caminhos para tirar o Brasil desta triste situação em que nos encontramos“, e que “quero e vou participar deste processo de renovação política no Brasil“, em artigo publicado no jornal “Folha de S. Paulo“, nesta quarta-feira.

    Ao mesmo tempo, o apresentador procura esfriar a especulação por uma candidatura sua a presidente, afirmando, também no artigo, que “continuo achando que, de onde estou, fora do dia a dia da política, minha contribuição pode ser mais efetiva e relevante“.

    Cobiçado por partidos políticos por sua popularidade no país, Luciano Huck já teve conversas com pelo menos dois partidos, o DEM e o PPS, sem que tenha batido o martelo sobre uma eventual candidatura.

    Por enquanto, ele declara apoio a movimentos da sociedade civil que se organizam para atuar na política, incluindo elegendo parlamentares. No artigo, ele confirma ser membro do “Agora”, definido por ele como um grupo de “profissionais respeitados e competentes das mais variadas áreas de atuação, todos com vocação pública e experiência, estão se mobilizando para criar uma onda positiva de engajamento, escuta popular e lançamento de candidaturas alternativas ao que temos por aí“.

    Huck também está colaborando e elogia o “Renova Brasil”, um grupo de empresários e profissionais liberais que se organiza para criar um fundo para financiar a formação de novos partidos e o lançamento de candidaturas ao parlamento.

    O apresentador defende que a saída para o Brasil é “ocupar” o parlamento, “através do voto”, com “cérebros, ideias e ideais de primeira qualidade“, e avalia que “o eleitor há muito não se sente representado por grande parte da classe política que está aí“.

    Ao finalizar, o empresário evitar dar cores ideológicas a seu movimento de entrada na política: “Acredito nesses movimentos. E não só neles. A renovação política passa por eles, não importa se de esquerda, direita, centro. Tanto faz. Temos que melhorar o nível do debate, do compromisso da população com seu destino“, escreveu.

    Agência Globo

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    Luciano Huck não tem mais como recorrer da condenação por degradação em Angra

    Luciano Huck não tem mais como recorrer da condenação por degradação em Angra


    O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a execução de sentença que condenou o apresentador de TV Luciano Huck a retirar as boias que impedem o acesso à sua casa na Ilha das Palmeiras, bem como ao pagamento de indenização no valor de R$ 40...

    O Ministério Público Federal (MPF) solicitou a execução de sentença que condenou o apresentador de TV Luciano Huck a retirar as boias que impedem o acesso à sua casa na Ilha das Palmeiras, bem como ao pagamento de indenização no valor de R$ 40 mil por danos morais coletivos em decorrência da degradação ao meio ambiente.

    O apresentador, que alegava que o cerco se destinava à maricultura, foi condenado em 2011 à retirada do dispositivo a partir de ação movida pelo MPF.

    Para a instituição, o apresentador usava de um pretexto para legitimar a apropriação de bem de uso comum do povo.

    Após uma série de recursos negados pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região e até pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), a sentença transitou em julgado em 1º de agosto de 2017, data a partir da qual não cabe mais recurso. Por isso, o MPF pede a intimação de Huck para comprovar o cumprimento da determinação judicial.

    No requerimento de execução, o MPF pede, além da comprovação da retirada da estrutura de boias e da aplicação da indenização de R$ 40 mil, que também seja calculado o valor da multa devida em função do descumprimento da decisão liminar concedida pela Justiça Federal em 2010.

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    URGENTE: Os votos dos senadores na sessão que salvou Aécio Neves

    URGENTE: Os votos dos senadores na sessão que salvou Aécio Neves


    Por 44 votos a 26, o plenário do Senado decidiu barrar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e devolver o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Não houve nenhuma abstenção; dez senadores não compareceram ao plenário. Para atingir um...

    Por 44 votos a 26, o plenário do Senado decidiu barrar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e devolver o mandato do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

    Não houve nenhuma abstenção; dez senadores não compareceram ao plenário. Para atingir um resultado, eram necessários pelo menos 41 parlamentares a favor ou contra o tucano – caso contrário, a apreciação teria que ser refeita em outra data.

    Denunciado por corrupção passiva e obstrução de Justiça, o senador foi acusado de pedir e receber propina de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, delator da JBS preso por violar os termos de sua delação premiada. O tucano foi gravado por Joesley e, nos áudios, emprega linguagem chula e xingamentos para criticar diversas autoridades.

    Votação

    A votação transcorreu por meio de manobra regimental urdida pela cúpula do Senado para alterar o entendimento de artigo constitucional, com o objetivo de favorecer o senador tucano.

    Trata-se da releitura do parágrafo 2º, artigo 53, da Constituição, que fixa em 41 senadores o número mínimo de votos tanto para preservar quanto para reverter a decisão do STF pela manutenção das medidas cautelares aplicadas a Aécio.

    O procedimento foi anunciado pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), no início da sessão plenária.

    Esse modus operandi não foi aplicado na votação que cassou o mandato do ex-senador petista Delcídio Amaral (MS), em maio de 2016.

    Essa decisão foi tomada por maioria absoluta em plenário (41 entre 80 votos possíveis), critério válido apenas para reverter a decisão do STF de prender o ex-senador. Naquela ocasião, o número mínimo de votos para manter a prisão de Delcídio não foi exigido.

    Nos bastidores, senadores realizaram diversas reuniões para discutir a situação do colega, considerado pelo Palácio do Planalto como peça-chave da manutenção do PSDB na base aliada do presidente Michel Temer.

    Cadeira de rodas

    Houve ainda quem tenha feito questão de ir ao plenário votar – contra – o tucano mesmo com o ombro quebrado: o líder do DEM na Casa, Ronaldo Caiado (GO), que se acidentou com uma mula neste fim de semana.

    “Sou um defensor do direito absoluto às instituições. Decisão judicial não cabe contestação. É para cumprir. Não compactuo com erros. Sou a favor do voto aberto e do respeito à decisão do STF”, havia escrito Caiado nas redes sociais.

    Ele chegou ao Senado com o ombro esquerdo imobilizado e em cadeira de rodas, depois de cruzar de carro os mais de 200 quilômetros que separam Goiânia, onde mora, de Brasília.

    Partidos

    — PMDB, PSDB, PP, PR, PRB, PROS e PTC orientaram os senadores das respectivas bancadas a votar “não”, ou seja, contra o afastamento.

    — PT, PSB, Pode, PDT, PSC e Rede orientaram voto a favor da decisão da Turma do Supremo.

    — DEM e PSD liberaram os senadores a votar como quisessem.

    VEJA COMO VOTARAM OS SENADORES:

    (SIM) — Pelo afastamento de Aécio

    Acir Gurgacz (PDT-RO)
    Alvaro Dias (Pode-PR)
    Ana Amélia (PP-RS)
    Ângela Portela (PDT-RR)
    Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)
    Fátima Bezerra (PT-RN)
    Humberto Costa (PT-PE)
    João Capiberibe (PSB-AP)
    José Medeiros (Pode-MT)
    José Pimentel (PT-CE)
    Kátia Abreu (PMDB-TO)
    Lasier Martins (PSD-RS)
    Lídice da Mata (PSB-BA)
    Lindbergh Farias (PT-RJ)
    Lúcia Vânia (PSB-GO)
    Magno Malta (PR-ES)
    Otto Alencar (PSD-BA)
    Paulo Paim (PT-RS)
    Paulo Rocha (PT-PA)
    Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
    Regina Sousa (PT-PI)
    Reguffe (Sem partido-DF)
    Roberto Requião (PMDB-PR)
    Romário (Pode-RJ)
    Ronaldo Caiado (DEM-GO)
    Walter Pinheiro (Sem partido-BA)

    (NÃO) — Pelo não afastamento de Aécio

    Airton Sandoval (PMDB-SP)
    Antonio Anastasia (PSDB-MG)
    Ataídes Oliveira (PSDB-TO)
    Benedito de Lira (PP-AL)
    Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
    Cidinho Santos (PR-MT)
    Ciro Nogueira (PP-PI)
    Dalírio Beber (PSDB-SC)
    Dário Berger (PMDB-SC)
    Davi Alcolumbre (DEM-AP)
    Edison Lobão (PMDB-MA)
    Eduardo Amorim (PSDB-SE)
    Eduardo Braga (PMDB-AM)
    Eduardo Lopes (PRB-RJ)
    Elmano Férrer (PMDB-PI)
    Fernando Coelho (PMDB-PE)
    Fernando Collor (PTC-AL)
    Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
    Garibaldi Alves Filho
    Hélio José (PROS-DF)
    Ivo Cassol (PMDB-RO)
    Jader Barbalho (PMDB-PA)
    João Alberto Souza (PMDB-MA)
    José Agripino Maia (DEM-RN)
    José Maranhão (PMDB-PB)
    José Serra (PSDB-SP)
    Maria do Carmo Alves (DEM-SE)
    Marta Suplicy (PMDB-SP)
    Omar Aziz (PSD-AM)
    Paulo Bauer (PSDB-SC)
    Pedro Chaves (PSC-MS)
    Raimundo Lira (PMDB-PB)
    Renan Calheiros (PMDB-AL)
    Roberto Rocha (PSDB-MA)
    Romero Jucá (PMDB-RR)
    Simone Tebet (PMDB-MS)
    Tasso Jereissati (PSDB-CE)
    Telmário Mota (PTB-RR)
    Valdir Raupp (PMDB-RO)
    Vicentinho Alves (PR-TO)
    Waldemir Moka (PMDB-MS)
    Wellington Fagundes (PR-MT)
    Wilder Morais (PP-GO)
    Zezé Perrella (PMDB-MG)

    com Congresso em Foco

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    Igreja defende ração de João Doria no “combate à fome”

    Igreja defende ração de João Doria no “combate à fome”


    A Prefeitura de São Paulo e a Igreja Católica defenderam nesta segunda-feira, 16, o uso de alimento granulado como uma espécie de suplemento à população carente para ajudar no combate à fome e ao desperdício de comida. Apresentada pelo...

    A Prefeitura de São Paulo e a Igreja Católica defenderam nesta segunda-feira, 16, o uso de alimento granulado como uma espécie de suplemento à população carente para ajudar no combate à fome e ao desperdício de comida. Apresentada pelo prefeito João Doria (PSDB) no lançamento do programa Alimento para Todos, na semana passada, a proposta foi criticada pelo Conselho Regional de Nutricionistas.

    Secretária municipal de Direitos Humanos, Eloisa Arruda comparou o produto, feito pela empresa Plataforma Sinergia e chamado de “farinata”, ao suplemento Whey Protein, feito com proteína do soro de leite e usado por frequentadores de academia. “O rico tem direito a suplemento alimentar. O menino que faz ginástica compra Whey, idosos compram o leite sênior e pagam caro. Nosso objetivo é eventualmente aproveitar alimentos para transformá-los em suplementos alimentares para juntar com alimento in natura e fornecer à população.”

    A Prefeitura reforçou que a elaboração da política está em debate e que não haverá distribuição generalizada do produto, que servirá de complemento nutricional. Afirmou ainda que, se for distribuído, não será entregue como granulado, mas acrescentado ao preparo de pães e bolos, por exemplo.

    No lançamento, Doria exibiu uma versão granulada da farinata em forma de biscoito. Nas redes sociais, o produto foi chamado de “ração”. Em nota, o conselho de nutricionistas disse que o produto “contraria os princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada” e está “em total desrespeito aos avanços” obtidos nas últimas décadas na segurança alimentar.

    Reação

    Defensor da farinata, o arcebispo de São Paulo, cardeal d. Odilo Scherer, disse que ela “não é a pílula da fome”, mas uma “possibilidade alimentar” para ajudar no combate à desnutrição, ao desperdício e a reduzir os danos causados pelo descarte de alimentos. “Seria uma pena uma coisa que nasce para ser boa acabar abortada por manipulação política ou desinformação, prejudicando os mais pobres”, disse ele, que enviou carta ao papa, em 2013, pedindo bênção ao projeto.

    Fundadora da Sinergia, Rosana Perrotti explicou que a tecnologia é avançada e prolonga a vida útil dos alimentos transformando-os em pó. “A prioridade é o combate à fome e à desnutrição em situações de catástrofe. Aqui é possível que o próprio programa aumente as doações de alimentos in natura e nem precisemos transformá-los.”

    O Ministério do Desenvolvimento Social, responsável por programas federais da área, afirmou não conhecer o produto. Já o da Saúde disse que municípios são autônomos para implementar políticas.

    Agência Estado

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    Criticada por deixar a filha com o pai, atriz escreve texto sobre julgamento materno

    Criticada por deixar a filha com o pai, atriz escreve texto sobre julgamento materno


    Imagem: Pragmatismo Político Depois de conseguir alcançar o tão almejado parto natural da forma que desejava, a atriz Juliana Alves já sente na pele o que é vivenciar a maternidade em uma sociedade que ainda responsabiliza unicamente a mulher...

    Imagem: Pragmatismo Político

    Depois de conseguir alcançar o tão almejado parto natural da forma que desejava, a atriz Juliana Alves já sente na pele o que é vivenciar a maternidade em uma sociedade que ainda responsabiliza unicamente a mulher pelos cuidados com a criança.

    Mãe da pequena Yolanda, que nasceu no final de setembro, Juliana compartilhou em sua página pessoal sua opinião sobre os julgamentos que sofreu por deixar a filha com o pai para participar de um evento.

    Rainha de bateria da escola de samba Unidos da Tijuca, do Rio de Janeiro, a atriz foi convocada para participar da escolha do samba-enredo do Carnaval 2018. Ao publicar uma foto no local o Instagram, ela foi surpreendida pelos comentários ofensivos.

    “E o resguardo mocinha? Só pode badalar depois de 40 dias para ter saúde para o resto da vida”, escreveu um seguidor. “e o neném, cadê?”, especulou outro.

    Consciente de seu papel social como personalidade pública, a atriz resolveu rebater as reações negativas com um texto sobre o julgamento materno, no qual explica que a pequena ficou sob os cuidados do pai.

    Eu e meu marido optamos por não ter babá, principalmente nesta fase inicial de vida da nossa filha. Queremos curtir cada momento e fortalecer nossos vínculos. Ontem, fizemos um esquema para que eu pudesse estar durante aproximadamente 30 minutos em um evento importante da minha Escola de Samba. Amamentei e no caminho com o balanço do carro, como imaginávamos, ela dormiu. Ficou com o pai, em local silencioso e muito próximo. E eu sempre conferindo o celular, apreensiva( confesso) porque é tudo muito novo pra mim. Mas em nenhum momento ela sentiu minha falta. Agora li uns comentários maldosos onde me marcaram… Como as pessoas se incomodam com a vida das outras… Como as pessoas falam sem saber… Quando fui esta semana, no lançamento do filme que participei( e fiz o mesmo esquema com meu marido, c Yolanda perto), não causou isso… tanto julgamento… Por que? O que pra alguns é futilidade, farra, pra mim é cultura e amor as raízes. E se eu tenho um marido, família e amigos maravilhosos, tenho mais é que agradecer! Eu estou me sentindo bem e minha filha está muito bem. Ela mama na hora que quer porque eu não saio de perto dela. Mas como tantas mulheres nesta fase da bebê, eu tb lavo louça, leio, tomo banho… enquanto ela dorme. 😉 Não estou escrevendo isso pra dar satisfação… Apenas tenho responsabilidade com as informações que exponho e acho melhor esclarecer. Por outro lado, muito obrigada pela preocupação , carinho e felicitações de tantas pessoas queridas! Estamos muito felizes! #Deusnocomando #Yolandachegou

    Uma publicação compartilhada por Juliana Alves (@julianaalvesiam) em Out 15, 2017 às 11:57 PDT

    “Eu e meu marido optamos por não ter babá, principalmente nesta fase inicial de vida da nossa filha. Queremos curtir cada momento e fortalecer nossos vínculos. Ontem, fizemos um esquema para que eu pudesse estar durante aproximadamente 30 minutos em um evento importante da minha escola de samba. Amamentei e, no caminho, com o balanço do carro, como imaginávamos, ela dormiu. Ficou com o pai, em local silencioso e muito próximo. E eu sempre conferindo o celular, apreensiva (confesso) porque é tudo muito novo pra mim. Mas em nenhum momento ela sentiu minha falta”, desabafou.

    No texto, Juliana ressalta também a urgência de as pessoas respeitarem e acolherem as escolhas individuais de cada família, e aponta para a falta de informação que muitas vezes motiva uma opinião preconceituosa.

    “Como as pessoas se incomodam com a vida das outras… Como falam sem saber… O que para alguns é futilidade, farra, para mim é cultura e amor às raízes”, afirmou a atriz, que valoriza o privilégio de ter uma rede de apoio que lhe dá suporte.

    “Se eu tenho um marido, família e amigos maravilhosos, tenho mais é que agradecer! Eu estou me sentindo bem e minha filha está muito bem. Ela mama na hora que quer porque eu não saio de perto dela. Mas como tantas mulheres nesta fase da bebê, eu tb lavo louça, leio, tomo banho… enquanto ela dorme”.

    Catraca Livre

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    A obsolescência programada nos leva a um beco sem saída

    A obsolescência programada nos leva a um beco sem saída


    Joseba Elola, ElPaís A frase foi publicada em 1928 na Printer’s Ink, revista do setor publicitário norte-americano: “Um artigo que não estraga é uma tragédia para os negócios.” Para que vender menos se você pode vender mais projetando...

    Joseba Elola, ElPaís

    A frase foi publicada em 1928 na Printer’s Ink, revista do setor publicitário norte-americano: “Um artigo que não estraga é uma tragédia para os negócios.” Para que vender menos se você pode vender mais projetando produtos com um defeito incorporado? Por que não abandonar esse afã romântico de fabricar produtos bem feitos, consistentes, duradouros, e ser logo prático? Não será melhor para o business fazer com que o cliente tenha de abrir a carteira mais vezes?

    Essa é história de uma ideia que ganhou força como salvação dinamizadora nos anos da Grande Depressão, transformou-se num mantra da sociedade de consumo – comprar, usar, jogar fora, voltar a comprar – e se tornou, já na atualidade, uma séria ameaça ao meio ambiente. É uma história escrita aos poucos, capítulo por capítulo. O último e mais importante deles é o destaque que a questão ganhou nos debates da Europa, sinal de que existe uma crescente conscientização: em 4 de julho, o Parlamento Europeu aprovou (por 622 votos a favor e 32 contra) o Relatório sobre Produtos com Uma Vida Útil Mais Longa: Vantagens para os Consumidores e as Empresas, pedindo que a Comissão Europeia adote medidas.

    Não só isso. A França, país com a legislação mais dura da Europa contra a obsolescência programada, acaba de registrar a primeira denúncia de um coletivo de consumidores contra os fabricantes de impressoras. O fato ocorreu em 18 de setembro: a associação Halte à l’ Obsolescence Programmée (HOP, Contra a Obsolescência Programada) acusou marcas como Epson, HP, Canon e Brother de práticas destinadas a reduzir deliberadamente a vida útil de impressoras e cartuchos.

    O truque não é novo. Começou a ser usado no final do século XIX na indústria têxtil (quando os fabricantes começaram a utilizar mais amido e menos algodão) e se consolidou em 1924, quando General Electric, Osram e Phillips se reuniram na Suíça e decidiram limitar a vida útil das lâmpadas a 1.000 horas, tal como aponta o festejado documentário espanhol Comprar, Tirar, Comprar (“comprar, jogar fora, comprar”), de Cosima Dannoritzer. E assim foi assinado o atestado de óbito da durabilidade.

    Até então, as lâmpadas duravam mais. Como a que brilha ininterruptamente desde 1901 na central dos Bombeiros de Livermore, na Califórnia. De filamento grosso e intensidade menor que a de suas sucessoras (o que impede o alto aquecimento), essa lâmpada foi concebida para perdurar. E continua lá, brilhando, mostrando que a obsolescência programada está longe de ser um mito.

    Desde a sensação causada nos anos trinta pelas meias de náilon Du Pont, que não rasgavam, até o telefone inteligente que fica burro sem razão aparente – e só um ano e meio depois de ser adquirido –, muita água passou debaixo da ponte. A obsolescência programada (OP) foi aprimorada. E a intenção de fraude por parte do fabricante não é algo fácil de demonstrar.

    “Hoje, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são para ver como reduzir a durabilidade dos aparelhos, mais do que para melhorá-los ao consumidor”. Quem se expressa de forma tão contundente é Benito Muros, um ex-piloto de 56 anos que há anos denuncia a OP. Presidente da Fundação Energia e Inovação Sustentável Sem Obsolescência Programada (Feniss), ele afirma que a OP está presente em todos os dispositivos eletrônicos que compramos, “até mesmo nos carros”.

    Muros lidera uma empresa que desenvolve lâmpadas, semáforos e projetos de iluminação pública para Prefeituras da Espanha, conta que hoje é possível observar muitas formas de OP no mercado: dispositivos com carcaças que não permitem a dissipação do calor, e cujo aquecimento gera falhas prematuras; componentes como os condensadores eletrolíticos, cujas dimensões determinarão a vida do produto (perdem líquido com as horas de uso; quanto menor for a capacidade de armazenamento de líquido eletrolítico, menos vai durar); baterias que não podem ser retiradas (como foi o caso do iPhone) e que obrigam o usuário a comprar um novo aparelho; chips que agem como contadores e que estão programados para que o sistema pare de funcionar após certo número de utilizações, como ocorreu com algumas impressoras (o consumidor que ousar tentar consertar uma logo escutará que é mais barato comprar outra).

    Muros, que diz ser alvo de campanhas de difamação na imprensa por se opor à OP – e que fabricou uma lâmpada que foi objeto de controvérsia, – afirma inclusive que atualizações enviadas para os nossos smartphones escondem uma mudança de software que os torna mais lentos.

    “Eles te enviam uma espécie de vírus que serve para preparar o telefone para o seu final”, diz. Outro aparelho jogado no lixo, e outro resíduo eletrônico que, mais cedo ou mais tarde, vai parar nos tóxicos (e sinistros) lixões que o mundo rico alimenta em lugares remotos, como a África.

    Cerca de 215.000 toneladas de aparelhos eletrônicos, procedentes sobretudo dos Estados Unidos e da Europa, desembarcam todo ano em Gana, segundo a Motherboard, uma plataforma multimídia de longa trajetória sobre trabalhos de pesquisa. Acabam gerando 129.000 toneladas de resíduos em lugares como Agbogbloshie, um dos maiores lixões tecnológicos do mundo, situado em Acra, a capital do país.

    A indústria de tecnologia produz, sozinha, 41 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos por ano, segundo uma pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Entre 60% e 90% desses produtos caem nas mãos de quadrilhas, que os descarregam ou comercializam ilegalmente. Além de Gana, países como Índia e Paquistão são importantes destinos de televisores, celulares e aparelhos de som descartados com a chegada das liquidações, porque não somos bobos, e porque uma semana de preços supostamente loucos é uma oportunidade que não se pode desperdiçar. Tudo pelo último modelo.

    Ainda assim, a prática tem os seus defensores. Eles dizem que uma obsolescência programada controlada, sem abusos excessivos, é a fórmula para que o mundo continue funcionando como até agora. E uma fonte de criação de emprego.

    Além disso, o avanço tecnológico traz soluções mais ecológicas e eficientes, como poderia ser o caso dos carros elétricos. Portanto, a OP poderia ter sentido, argumentam seus partidários.

    O debate está aberto. E dele também participam aqueles que dizem que esse negócio de obsolescência programada é uma teoria da conspiração. Basta um passeio pelo Twitter para ver mais argumentos. Uns dizem que o verdadeiro problema não são as marcas, mas os consumidores: queremos produtos baratos para usar e jogar fora, e não estamos dispostos a pagar o que custariam se realmente fossem de qualidade (e, portanto, mais caros).

    Nessa mesma linha se manifesta o diretor geral da Associação Nacional de Fabricantes de Eletrodomésticos (Anfel), da Espanha, que reúne as marcas de linha branca (geladeiras, lava-roupa, lava-louça, etc). Este jornal tentou realizar uma entrevista com algum diretor da Anfel, que só aceitou responder às perguntas por e-mail. Após afirmar que não há dados embasando a ideia de que os eletrodomésticos duravam mais em meados do século passado do que agora, e de qualificar a prática da OP como “deplorável”, Alberto Zapatero, diretor geral da Anfel, escreve: “Devemos levar em conta que os consumidores não só jogam fora os produtos que deixaram de funcionar, mas também o fazem por outros motivos, por exemplo quando um aparelho deixa de cumprir com suas expectativas por razões técnicas, regulatórias ou econômicas (caso de televisores não aptos para a transmissão digital), além do desejo dos consumidores de adquirir um novo modelo por questões de mudanças de funcionalidade, design e serviços.”

    Não bastasse o consumismo desenfreado dos cidadãos ocidentais, existe também a contemporânea impossibilidade de consertar. E os dados indicam que o consumidor estaria disposto a reparar os produtos, se pudesse: 77% dos europeus prefeririam o conserto a uma nova compra, segundo o Eurobarômetro de 2014. “A sociedade dos resíduos não pode seguir assim. Estamos perante um modelo econômico superado”, afirma de Bruxela, por telefone, Pascal Durand, deputado verde europeu que liderou a iniciativa apresentada pelo Parlamento Europeu no final de julho.

    A cifra de consumidores de produtos de tecnologia aumenta a cada ano. Novas classes médias de países como China e Índia se incorporam ao padrão de compra dos países mais desenvolvidos. Mais celulares, mais computadores, mais eletrodomésticos. Primeiro para o carrinho de compras, depois para o lixo. E mais extração de metais para produzi-los. Matérias-primas que não são ilimitadas.

    Ao mesmo tempo, quanto mais curta é a vida dos dispositivos que compramos (veja os celulares, cuja expectativa de vida oscila entre um e dois anos, segundo os estudos europeus), maior é o volume de resíduos gerados.

    Jogar fora aparelhos novos que poderiam ser consertados na Europa, enviando-os a lixões distantes em barcos que contaminam águas, para, ao mesmo tempo, comprar aparelhos fabricados em lugares distantes e que chegam em barcos que contaminam de novo. “Cedo ou tarde, isso vai acabar”, diz Durand.

    Essa é uma das reflexões de uma proposta que foi batizada como “economia circular” e que ganha força nos fóruns europeus e globais. A ideia é simples: ao fabricar um bem, devemos levar em conta o resíduo que ele vai gerar para que este seja reutilizável, se possível totalmente. Desse modo, em vez de seguir o paradigma da economia linear (produzo, utilizo, jogo fora), passaríamos ao “produzo, utilizo, reutilizo”. E, se possível, conserto.

    Legislar nesse sentido, portanto, significaria fazer com que as marcas aumentem os prazos de garantia; incentivar a possibilidade de reparação dos produtos em qualquer loja, não só nos serviços autorizados; que as marcas projetem artefatos que permitam a extração de peças, componentes, baterias; reduzir impostos às marcas que adotem essas medidas e aos artesãos que a elas se dediquem; perseguir e multar a obsolescência programada intencional; revelar a OP informática. A iniciativa apresentada no Parlamento Europeu vai nessa linha. A Comissão deverá dar uma resposta legislativa antes de julho de 2018.

    Enquanto isso, países como a Finlândia arregaçam as mangas. O país escandinavo já conta com um plano para fazer a transição rumo à economia circular. Florescem as start-ups que procuram soluções para os resíduos que geramos, enquanto fundos são destinados para a pesquisa.

    A Universidade Aalto integra um projeto de colaboração transversal que recebeu cinco milhões de euros (18,5 milhões de reais) para começar a caminhar. Mari Lundström, professora de hidrometalurgia e corrosão, lidera um programa que busca soluções para a reciclagem de metais. Em entrevista pelo telefone de Estocolmo, ela explica que os celulares, os fios elétricos e os computadores que jogamos no lixo estão repletos de materiais úteis e valiosos. Alguns inclusive são difíceis de encontrar no subsolo europeu; e, no entanto, jogamos tudo isso fora. Desperdiçamos níquel, cobalto, lítio… Muitos deles são facilmente recuperáveis através de tratamentos químicos, por exemplo. Um único telefone contém até 40 elementos recicláveis, dos quais só reutilizamos 10, explica Lundström. Doze empresas finlandesas que usam metais já trabalham com o fruto das pesquisas científicas.

    Podemos reciclar o metal da lata de refrigerante. Mas precisamos de 20 vezes mais energia para recuperá-lo se essa lata foi queimada num saco com lixo orgânico, explica a cientista finlandesa. Este é um dos resultados das pesquisas do programa. Pode-se deduzir, portanto, que a economia circular deve ser promovida pelos Governos, pesquisada pelos docentes e assumida pelas empresas. Ok, mas também precisa dos cidadãos.

    “A chave da economia circular é o que cada pessoa fizer”, diz Lundström, de forma categórica. “Não podemos continuar vivendo como fizemos até agora. É necessária uma resposta da sociedade: somos responsáveis por nossa forma de consumir.”

    Mas a economia circular também tem seus críticos. Alguns consideram que se trata de uma mera prolongação da ideia de crescimento sustentável, que, apesar de bem intencionada, não levou a grandes realizações. O problema, explicam, é o crescimento. É a lógica que nos empurra a seguir espremendo o planeta, cujos recursos são finitos.

    A solução não é fácil, e romper com décadas de inércia levará um tempo. Há várias perguntas no ar. Num contexto de contínuo avanço tecnológico, será mesmo tão difícil melhorar a durabilidade dos produtos? Faz sentido continuar vivendo do mesmo jeito, conhecendo a toxicidade dos resíduos gerados por nosso modo de consumo? E os Governos não têm pensado em fazer nada a respeito?

    Consumidores se mobilizam na França

    A França é a país com a legislação mais dura da Europa na luta contra a obsolescência programada, aprovada em 2015. As marcas que realizam a prática podem pagar multas de até 300.000 euros (1,1 bilhão de reais).

    A denúncia da associação HOP apresentada em setembro, a primeira do gênero, acusou marcas como HP, Canon e Brother de práticas voltadas a reduzir deliberadamente a vida útil de impressoras e cartuchos; e destacava, em particular, o caso da Epson.

    Este jornal solicitou entrevista com um diretor da Epson na Espanha, mas o pedido foi negado. Um porta-voz somente escreveu esta resposta por e-mail: “A Epson conhece a denúncia da associação HOP na França e trabalhará com as autoridades competentes para responder de maneira adequada e resolver o caso.” E acrescentou: “Rechaçamos totalmente a afirmação de que nossos produtos estão programados para estragar num período de tempo predeterminado.”

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