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    Reações de ambientalistas à escolha do novo ministro cético do clima

    Reações de ambientalistas à escolha do novo ministro cético do clima


    Aqui no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, a comunidade internacional se reuniu pela primeira vez, em 1992, para debater alternativas que pudessem diminuir as emissões de gases do efeito estufa nocivas ao meio ambiente e à...


    Aqui no Brasil, mais especificamente na cidade do Rio de Janeiro, a comunidade internacional se reuniu pela primeira vez, em 1992, para debater alternativas que pudessem diminuir as emissões de gases do efeito estufa nocivas ao meio ambiente e à vida humana. Este mesmo país, que vem tendo importância fundamental nas cúpulas do clima, como a que bateu o martelo para assinar o Acordo de Paris em 2015, acaba de alçar para o cargo de ministro das Relações Exteriores alguém que critica radicalmente todo este movimento, chama de climatismo o esforço mundial de combate à mudança climática, diz que é "perversão da esquerda". A indicação de Ernesto Araújo para o cargo, anunciada nesta quinta-feira (15) pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, provocou reações dos ambientalistas. O site do Observatório do Clima, entidade que vai organizar no próximo dia 21 o 6º Seminário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), lançou uma nota repudiando a escolha: "O Itamaraty foi o primeiro ministério a entender como o patrimônio natural brasileiro é um dos ativos mais importantes dos tempos modernos. O Brasil foi protagonista na Conferência de Estocolmo, em 1972; foi berço das grandes convenções de ambiente e desenvolvimento sustentável da ONU e da Agenda 21, em 1992; liderou na defesa dos países em desenvolvimento no Protocolo de Kyoto, em 1997; foi o parteiro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em 2012; e negociador fundamental do Acordo de Paris, em 2015. Agora, está escalado para sediar a próxima conferência do clima, a COP25, em 2019. Abdicar essa liderança em nome de uma ideologia de tons paranoicos contrariaria diretamente o interesse nacional, que o presidente eleito, Jair Bolsonaro, prometeu colocar "acima de tudo" em sua campanha", diz a nota. O editor de ambiente global do jornal britânico "The Guardian", Jonathan Watts, escreve, em artigo, que o novo ministro "acredita que mudança climática é trama marxista", corroborando assim o medo que se tem de que o país passe a ter uma imagem de pouca credibilidade no setor ambiental a partir de agora. "A magra esperança agora para os defensores do clima é que o poderoso lobby do agronegócio venha a perceber que a chuva para suas plantações depende de uma Amazônia saudável e de um ambiente global estável. Mais de 80% dos municípios brasileiros sofreram secas nos últimos cinco anos, que os cientistas associaram ao desmatamento", escreve ele. Daqui a 17 dias vai acontecer a próxima cúpula do clima, convocada pelas Nações Unidas, a COP-24, que vai acontecer na Polônia, na cidade de Katowice. Desde já, os holofotes do mundo estão virados para o país que vai receber quase 30 mil delegados de todo o mundo nos dias 3 e 4 de dezembro. O plano para esta reunião é adotar um pacote de medidas que ajudem a implementar o Acordo de Paris, começando assim a definir a política climática global para os próximos anos. O lema da reunião de cúpula do meio ambiente será "Mudando juntos". E vai dando uma certa nostalgia diante das recentes declarações céticas dos próximos dirigentes do Brasil, país que tem a maior biodiversidade do mundo, a maior floresta tropical do mundo. Quem irá representar o país nesta reunião? O próximo presidente da COP 24, o vice-ministro do meio ambiente polonês Kurtyka, já fez uma declaração, explicando que o cenário global está mudando drasticamente. Ele está convencido de que conseguirá, em seu país, apoio necessário para levar em conta o aspecto social da transição para uma economia de baixo carbono. Em outubro, quando Jair Bolsonaro ainda estava em campanha, o Itamaraty anunciou que gostaria de sediar a COP 25, que vai ocorrer em novembro do ano que vem. À época, um comunicado do Ministério de Relações Exteriores contava que a realização da COP-25 no Brasil "reflete o consenso na sociedade brasileira sobre a importância e a urgência de ações para ajudar a combater a mudança climática". Com a gestão que vai começar em janeiro, no entanto, é bem possível que percamos a chance de realizar aqui um evento mundial capaz de ajudar a traçar alguns novos rumos a caminho da mudança de paradigma em prol do meio ambiente que até o papa Francisco já alertou ser necessária. Em vez disso, a expectativa é de tempos tormentosos para os ambientalistas no país. O discurso nacionalista adotado pelo governante eleito, endossado pelo ministro que escolheu para gerir os assuntos diplomáticos, faz crer que o cuidado com o meio ambiente será diretamente linkado ao lucro que os bens naturais possam trazer para os cofres públicos, e só. Em artigo publicado ainda um dia antes do anúncio do novo ministro cético do clima, o jornal eletrônico "Nature Sustainability" lembra os êxitos que o Brasil já alcançou nos setores do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. "O país reconheceu legalmente a importância do meio ambiente como base de bem-estar em sua Política Nacional do Meio Ambiente de 1981 e em sua Constituição, bem antes da maioria dos demais países. Em 2012, o país atingiu a menor taxa de desmatamento desde o início dos registros. Tais conquistas resultaram de múltiplas ações direcionadas para o mesmo objetivo, por cientistas, reguladores e ativistas", diz o texto. O que se teme, com a chegada ao poder de Jair Bolsonaro, é que “mudanças radicais” venham a minar todo este trabalho. "Mudanças potenciais incluem a redução dos requisitos de licenciamento ambiental, o relaxamento do controle sobre agrotóxicos e a retirada do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Essas mudanças ocorrerão num país onde 145 ativistas ambientais foram mortos desde 2015, onde ataques contra funcionários das agências ambientais aumentaram recentemente. Para alguns comentaristas, o futuro da sustentabilidade no Brasil parece terrível". Para ajudar a enfrentar a turbulência, o jornal pôs no ar alguns artigos de cientistas sociais. "Precisamos de provas convincentes para apoiar o desenvolvimento sustentável e para tornar evidente que os passos para trás na política de sustentabilidade não são apenas ruins para o meio ambiente, mas para os brasileiros e para o mundo". No seu livro mais recente, "21 lições para o século 21" (Ed. Companhia das Letras), o historiador Yuval Noah Harari fala sobre o ceticismo quanto à mudança climática, algo comum à direita nacionalista. Para ele, o aquecimento global é uma ameaça mais vaga e prolongada do que uma bomba atômica. Dessa forma, sempre que as considerações ambientais impõem algum sacrifício, os nacionalistas podem ser tentados a pôr "interesses nacionais" em primeiro lugar. E se tranquilizam, dizendo que podem se preocupar com o meio ambiente mais tarde, "ou deixar isso para pessoas de outros lugares". Escassez global de alimentos, cidades inundadas e centenas de milhões de refugiados a cruzar fronteiras são apenas alguns dos resultados do descaso com o que os estudos científicos têm comprovado sobre mudanças climáticas. É necessário ter uma perspectiva global, já que a ameaça é sobre o futuro da civilização. E não é uma questão de acreditar ou não, é ciência. Arte/G1
    Jovem cria solução para captar água em Caculé e abre chance de reflexões sobre desenvolvimento local

    Jovem cria solução para captar água em Caculé e abre chance de reflexões sobre desenvolvimento local


    Sandro Lúcio Nascimento Rocha, 16 anos, foi um dos vencedores na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista Arquivo Pessoal Filho dos agricultores Luciana e João e irmão de Henrique, o estudante Sandro Lúcio Nascimento Rocha, 16 anos,...


    Sandro Lúcio Nascimento Rocha, 16 anos, foi um dos vencedores na categoria Ensino Médio do Prêmio Jovem Cientista Arquivo Pessoal Filho dos agricultores Luciana e João e irmão de Henrique, o estudante Sandro Lúcio Nascimento Rocha, 16 anos, está se preparando para sair de sua cidade natal, Caculé, no interior da Bahia, e pegar um avião até Brasília. Será sua primeira viagem aérea. No Distrito Federal, ele vai ser recebido pela equipe da 28ª edição do Prêmio Jovem Cientista , pois foi um dos vencedores na categoria Ensino Médio. Quando eu soube da premiação e li sobre o projeto defendido por Sandro, fiquei com vontade de conversar com o jovem e trazer aqui algumas de suas reflexões. Já me explico. É que Sandro, que frequenta as aulas do Ensino Médio no Colégio Estadual Norberto Fernandes e foi orientado pela professora Edjane Alexandre Costa Soares, se deixou parar para pensar num jeito de solucionar o problema de escassez de água na região onde mora – Caculé fica no semiárido e cada vez chove menos por lá. E imaginou uma cisterna. Mas não uma cisterna parecida com as cisternas rurais que são construídas e distribuídas em parceria com o governo e a organização Articulação do Semiárido (ASA). Sandro pensou num jeito mais ecológico de construir um reservatório para reter a água da chuva e poder utilizá-la para plantas , banheiros, lavagem de louças. Um segundo momento de observação fez Sandro perceber que em sua escola há um enorme uso e descarte de pets. Na área rural de Caculé, onde mora e estuda, o caminhão do lixo não recolhe os descartáveis. Para se livrar do problema, os cidadãos têm o péssimo hábito de juntá-las e queimá-las, o que provoca uma fumaça desagradável e polui o ambiente. Foi aí que Sandro imaginou fazer cisternas, substituindo os tijolos por garrafas pet. Um jeito de solucionar dois problemas de uma só tacada. Ainda assim, o cimento que teria que ser usado para juntar e colar as pets, como se sabe, produz impactos ambientais relevantes em sua fabricação. Para fugir disso, o rapaz imaginou que poderia utilizar como “liga” em sua cisterna um cimento feito a partir da cinza da fibra de côco, fruto que abunda em sua região. E dessa forma, juntando o útil ao ecologicamente correto, Sandro também puxou a esteira de outras questões muito relevantes que não devem ficar de fora dos debates sobre mudanças climáticas e a necessidade de se criar novos paradigmas de produção e consumo. O rapaz pensou e resolveu um problema de sua localidade, usando produtos da região. Claro que não pode ser feito em grande escala, mas se o poder público tivesse um olhar cuidadoso para a solução encontrada por Sandro, poderia viabilizar em outras frentes. Por conta da visibilidade que teve seu projeto, o diretor da escola disse que poderá viabilizá-lo. E Sandro sonha: quem sabe empresas também se interessam, ou mesmo algumas casas residenciais da região? São passos que podem ser dados para se conseguir o desenvolvimento local. Minha conversa com Sandro teve que ser através do whatsapp porque estava chovendo bastante em Caculé, o que dificulta as comunicações por telefone. Sandro é um garoto que se preocupa com as questões ambientais e se ressente de que outros jovens de sua idade não tenham, como ele, foco nas mudanças do clima que, no fim das contas, vão tornar a vida deles mais complicada. “Às vezes o jovem fica muito acomodado com o que está acontecendo e não tem senso crítico. Acho muito importante para a juventude, como um todo, se unir em prol do meio ambiente”, disse ele. Quis saber dele como é viver numa cidade tão pequena, de 22 mil habitantes e tão distante dos grandes centros (a cidade fica a mais de 600 quilômetros da capital, Salvador). Sandro gosta de sua cidade, mas queria muito que ela tivesse um recolhimento de lixo adequado, menos poluição. E adoraria poder seguir carreira, continuar estudando perto dos pais e da avó. Mas em Caculé não existe a possibilidade de o rapaz cursar a faculdade de Medicina, como pretende. “Quero poder estudar os impactos da poluição na saúde humana, fazer projetos paralelos sobre a questão do meio ambiente. Queria poder estudar aqui. Mas vou sempre voltar para as minhas raízes, para onde eu nasci”, disse ele. Convidei Sandro para refletir e encontrar alguns sites que pensam sobre desenvolvimento local, uma espécie de mudança de paradigma necessária diante de tantas privações provocadas por um sistema econômico que implica diretamente em desigualdade. Há pessoas pensando a respeito, por exemplo, entre os membros da organização “New Economics Foundation”, que prega uma “economia para as pessoas, pelas pessoas”. As Nações Unidas também têm um programa específico para financiar desenvolvimento local, considerando que mais da metade da população dos 47 países menos desenvolvidos do mundo vive com menos de US $ 1,25 por dia e bilhões de pessoas ainda não têm os serviços e o emprego necessários para desfrutar de uma qualidade de vida decente. Mas ali há problemas de distribuição do financiamento. O desafio está posto. As mudanças climáticas nos exigem esforços para buscar uma vida mais saudável diante de tantas ameaças, e jovens como Sandro podem transformar o risco em oportunidade. A chance de pensar meios para resistir é não negar o tamanho do problema, é fazer contato com uma realidade que se apresenta mais difícil, mas não impossível. Espera-se dos líderes de nações uma visão sistêmica para o problema do aquecimento global, estratégias econômicas que visem a pensar o desenvolvimento com outras lentes, para se pavimentar o caminho da mudança para uma vida com menos dependência dos combustíveis fósseis. Espera-se dos líderes empresariais que acompanhem este ritmo e invistam, seriamente, em tecnologias que possam diminuir seu impacto, além de uma revisão dos limites de produção. Mas se cada região puder ter um olhar mais cuidadoso no sentido de criar soluções para seus próprios problemas, já se conseguirá caminhar bastante no sentido de melhorar a qualidade de vida. Neste sentido, Sandro tem muito a colaborar. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Como estas bolinhas para lavadora de roupas podem reduzir a contaminação dos oceanos

    Como estas bolinhas para lavadora de roupas podem reduzir a contaminação dos oceanos


    Microfibras plásticas ameaçam transformar os oceanos em 'sopas de plástico'. Felizmente, a tecnologia pode ajudar. A Cora Ball retém até um terço das microfibras que se desprendem das roupas durante a lavagem Luke McSweeney/Divulgação A...


    Microfibras plásticas ameaçam transformar os oceanos em 'sopas de plástico'. Felizmente, a tecnologia pode ajudar. A Cora Ball retém até um terço das microfibras que se desprendem das roupas durante a lavagem Luke McSweeney/Divulgação A contaminação dos oceanos - e de outros ecossistemas - com plástico e pequenas partículas de materiais sintéticos preocupam cada vez mais. Será que a tecnologia poderia ajudar a resolver este problema? Em outubro de 2009, a instrutora de windsurfe Rachael Miller estava ajudando a limpar uma ilha na costa do Maine, no nordeste dos EUA, que tinha sido atingida por uma forte tempestade. "Encontramos a praia repleta de detritos", ela recorda. Em sua maioria, os dejetos eram provenientes de equipamentos de pesca feitos de plástico. Seu marido estava indignado. "Lixo marinho é uma das poucas coisas que me deixam realmente irritado", disse ele. Foi ali que Miller, que tinha estudado arqueologia subaquática, decidiu fazer algo mais para evitar que os resíduos plásticos chegassem ao oceano. Nos anos seguintes, ela se dedicou a desenvolver um dispositivo que batizou de Cora Ball, uma bolinha feita de borracha reciclada com 10 centímetros de diâmetro, cuja estrutura imita a de algumas espécies de corais dos oceanos. À venda desde abril, ele captura pedacinhos minúsculos de microfibra, que se soltam da nossa roupa durante a lavagem na máquina - aqueles "pelinhos" que aparecem quando você deixa cair uma camiseta escura na máquina repleta de roupas claras, por exemplo. 'Grande sopa de plástico' Imogen Napper, pesquisadora de ciências marítimas da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, afirma que até 700 mil partículas de microfibra podem se desprender em uma lavagem de roupas doméstica. Muitas dessas fibras, que podem medir até três micrômetros (a milésima parte do metro), são pequenas demais para serem eliminadas pela rede de tratamento de esgoto e vão parar nos oceanos. Um único metro cúbico de água do mar pode conter até 100 mil destas partículas, a depender do local. Parte desse material acaba sendo ingerido pela fauna marinha - um dos caminhos pelos quais as micropartículas "voltariam" para os seres humanos. Nesse sentido, Lisbeth Van Cauwenberghe, da Universidade de Gante, na Bélgica, afirma que podemos estar ingerindo 11 mil partículas de plástico por ano somente ao comer frutos do mar. Mais de dois terços das espécies de peixe à venda em mercados da Califórnia (EUA), por exemplo, contêm algum tipo de microfibra, ressalta Chelsea Rochman, professora de ecologia aquática da Universidade de Toronto (Canadá). Rachael Miller, fundadora da empresa Cora Ball, se dedica a evitar a contaminação por microplástico dos oceanos David A. Seaver/Divulgação Além do contato com a fauna, as micropartículas podem ainda "se grudar" a contaminantes orgânicos também presentes nos oceanos e criar uma amálgama com efeitos bastante danosos para o meio ambiente marinho. Assim, junto com outras fontes de contaminação dos oceanos, nossas roupas estariam convertendo os mares em uma "grande sopa de plástico", resume Napper. Esse é um problema que tem chamado cada vez mais atenção - não à toa, antes mesmo do lançamento, em 2017, a Cora Ball tinha 15,5 mil encomendas no site de crowdfunding Kickstarter. O produto, contudo, que retém entre um terço e um quarto das microfibras que se desprendem das roupas em uma lavagem, é apenas uma dentre várias invenções desenvolvidas por pequenas empresas que trabalham para manter os microplásticos longe dos oceanos. Segundo a pesquisadora Imogen Napper, as microfibras têm grande impacto negativo no meio ambiente Arquivo pessoal A bolsa GuppyFriend Outras duas pessoas que trabalham para manter as microfibras fora do mar são Alexander Nolte e Oliver Spies, ambos surfistas amadores que moram em Berlim, na Alemanha. Os dois inventaram uma bolsa para a máquina de lavar roupas chamada GuppyFriend. O invólucro acomoda a roupa durante a lavagem de forma que solte menos fibras plásticas - e também segura as que se soltam, diz Nolte. "Se a bolsa estiver com roupas feitas de tecidos sintéticos, 86% menos de fibras se soltam. E as que saem ficam retidas na bolsa", afirma. A bolsa GuppyFriend recolhe parte das microfibras que se soltam durante uma lavagem GuppyFriend Da mesma forma que a Cora Ball, os dois começaram com uma campanha de crowdfunding, que foi encerrada em dezembro passado. A princípio, os dois achavam que a bolsa era uma "ideia bem divertida" e que podiam levá-la ao mercado muito rapidamente, diz Nolte. "Mas nós estávamos enganados." O maior desafio, disse, era permitir que o tecido da bolsa tivesse o tamanho correto para deixar entrar a água, mas sem permitir que as microfibras saíssem. "É bastante fácil fazer uma bolsa, mas fazê-la de forma que reduza a liberação de fibra é algo que requer alta tecnologia", conta. Filtrando os esgotos Na Dinamarca, 60% de todo o lodo dos esgotos é "usado na agricultura", segundo Lars Monster, do grupo KD, uma companhia de tecnologia de águas residuais da cidade de Vejle, no sul do país. Os restos sólidos do processo de tratamento de esgoto são distribuídos nas lavouras, para serem usados como fertilizante. O problema é que o plástico presente no lodo, dessa forma, também acaba entrando na cadeia alimentícia. A maioria das estações de tratamento de esgoto não foi planejadas para eliminar as microfibras, em grande parte porque a legislação atual não o exige. Assim, a empresa para a qual Monster trabalha desenvolveu uma nova tecnologia de filtragem que pode eliminar até 90% dos microplásticos do lodo. A expectativa é que esta taxa chegue a 96% em breve. O objetivo final é reciclar todos os plásticos retirados do lodo, diz Monster, e "chegar ao ponto em que os microplásticos sejam um recurso".
    É possível prever e evitar incêndios florestais?

    É possível prever e evitar incêndios florestais?


    As tentativas de prever a dispersão do fogo têm sido imprecisas, mas novos experimentos prometem grandes avanços. Uma série de modelos tenta prever os locais de ocorrência e a intensidade dos incêndios Reuters/Stephen Lam Mark Finney, do...


    As tentativas de prever a dispersão do fogo têm sido imprecisas, mas novos experimentos prometem grandes avanços. Uma série de modelos tenta prever os locais de ocorrência e a intensidade dos incêndios Reuters/Stephen Lam Mark Finney, do Serviço Florestal dos EUA, e seus colegas às vezes fazem o impensável - ateiam fogo em arbustos, por exemplo. Eles não são, porém, incendiários - e tampouco o fogo ao qual dão início vai se alastrar ou se tornar altamente destrutivo. Trata-se de queimas controladas da vegetação para munir cientistas de mais informações sobre como as chamas passam de um galho a outro. Isso pode ajuda a prever como os incêndios se alastram. Entre as medidas levadas em consideração por Finney e sua equipe estão a duração da chamas, sua velocidade de propagação e o tipo de troca de calor nesse processo. A equipe realiza o experimento na Nova Zelândia em áreas isoladas por barreiras para impedir que se perca o controle do fogo. "Temos drones que nos dão uma visão do que está acontecendo do alto e temos câmeras protegidas em caixas de isolamento que são colocadas dentro do fogo", afirma. "Geralmente, levamos um dia ou mais para arrumar todos os equipamentos e, claro, também é preciso que as condições climáticas cooperem". Um momento crucial da história da evolução humana foi a descoberta do fogo. Já a indagação do homem moderno é saber o que faz o fogo se propagar. O fogo antecede os primeiros passos do homem na Terra. E hoje, longe de estar sob controle, o fogo frequentemente assume a forma de um desastre causado pelo homem. Nos EUA, mais de 80% dos incêndios são causados por pessoas. Verões muito secos e quentes Este ano, assim como no ano passado, várias partes do planeta experienciaram verões muito quentes e secos, aumentando as chances de incêndios florestais. Matas queimaram na Grécia, Suécia e Sibéria, entre outros locais. O Estado da Califórnia, no sudoeste dos EUA, enfrenta um dos incêndios florestais mais letais de sua história. Até a noite desta terça-feira, 42 pessoas haviam morrido. A cidade de Paradise, no norte do Estado, foi reduzida a cinzas. Há 228 desaparecidas e mais de 7 mil estruturas foram destruídas. Em todo o Estado, mais de 300 mil pessoas já foram forçadas a deixar suas casas. Ainda não se sabe o que deu início ao fogo, mas as autoridades afirmam que, independentemente da causa, a baixa umidade e a secura do solo após um mês praticamente sem chuvas criaram as condições ideiais para que as chamas se espalhassem. O Serviço Florestal dos EUA toma precauções especiais para garantir que os testes com fogo não fujam do controle Ian Grob/US Forest Service Finney espera que os dados de seus experimentos melhorem os modelos existentes usados para combater o alastramento de incêndios e ajude a proteger cidades e comunidades sob risco de destruição. Alguns dos modelos atuais são muito simplistas, ele explica. "Há muitos fatores que não podem ser aplicados aos modelos atuais, como a variabilidade do vento, que nunca é constante em velocidade ou direção", afirma o especialista, explicando que os modelos atuais só permitem incorporar uma informação para vento, e não sua variação. Aumento da precisão de modelos Ao longo do tempo, contudo, a precisão dessas ferramentas tem melhorado. Em julho, foi publicada uma revisão dos modelos de incêndio da Austrália usados para prever a dispersão de fogo. Descobriu-se na ocasião que houve um aumento significativo na acurácia dos sistemas nos últimos anos, com redução de mais de 50% no volume de erros. E como prever os incêndios antes de eles começarem? Embora previsões exatas sejam praticamente impossíveis, a Ciência está nos dando novas e melhores formas de calcular o risco de fogo - e está nos ajudando a entender como grandes incêndios se intensificam. Max Joseph, que se dedica a desvendar os segredos dos dados, é um desses atores. Ele é coautor de um estudo - em processo de revisão - que explorou a possibilidade de prever quais regiões nos EUA continental estão propensas a incêndios florestais com base em seus ecossistemas e características climáticas. A equipe reuniu dados climáticos desde 1984 com informações sobre incêndios florestais que ocorreram desde então. Um modelo de computador analisou a relação entre padrões climáticos e o início do fogo. Eles concluíram que períodos de baixa umidade - ar seco - e altas temperaturas são fortes indicadores do risco de incêndios. E são mais relevantes até do que a pluviosidade. A forma como tais condições influenciam a disseminação do fogo varia muito de uma "ecorregião" para a outra - áreas que diferem em terreno e vegetação. Mas, ao acumular padrões de dados entre os anos 1984 e 2010, o modelo definiu com precisão a ocorrência de fogo em regiões específicas nos cinco anos subsequentes. Segundo Joseph, 99% das ocorrências foram previstas pelo modelo. Estimar a intensidade dos incêndios foi uma tarefa mais difícil, mas o sistema deu a Joseph esperança de que é possível melhorar a compreensão de quais áreas podem sofrer com incêndios em determinados períodos, contanto que dados meteorológicos precisos estejam disponíveis com antecedência. "Acho que, se tivermos boas previsões do tempo, poderemos ter uma ideia muito boa do que acontecerá no ano seguinte com base neste trabalho", afirma. Densidade de casas Dominique Bachelet, cientista climática da Universidade do Estado de Oregon, exalta o esforço da equipe, mas sugere que há formas mais sutis de analisar os fatores abordados pelo estudo - observando, por exemplo, a densidade de moradias das regiões observadas. O senso comum pode nos levar a crer que o risco de incêndio é diretamente proporcional à quantidade de casas em uma área - mas ele depende em grande medida da vegetação que está "disponível" para a queima. Incêndio na Califórnia Josh Edelson / AFP Uma pequena habitação em uma área com vegetação muito inflamável, por exemplo, já pode provocar grande estrago. A gama de fatores e métodos de interpretação das análises estatísticas relacionadas ao fogo é muito ampla. Por exemplo, um estudo publicado na PNAS em fevereiro descobriu a correlação entre o números de dias com mais de 2,54 mm de pluviosidade e incêndios florestais no oeste dos EUA. Essa é uma métrica ligeiramente diferente da usada pelo grupo de Joseph, mas está em sintonia com seus achados - menos chuvas significam menos água disponível para evaporar e contribuir com a umidade. Ou seja, o ar seco é um gatilho para incêndios. "Se a tendência de redução da precipitação continuar, o resultado será um contínuo padrão de verões quentes e secos que levarão ao aumento de períodos de graves incêndios", pontuam os autores. Park Williams, do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia, diz que o verão quente de 2018 já foi uma indicação de que o ano traria incêndios intensos na Califórnia. "Houve recordes de temperatura ao longo de toda a Califórnia no verão", ele explica. "Quando se atingem aquelas temperaturas, há fortes chances de incêndios de grandes proporções." Localizando pontos de interesse Para as pessoas diretamente afetadas pelos incêndios florestais, o que realmente importa é saber com antecedência se a área em que elas vivem está ameaçada. A imprevisibilidade do clima é um fator complicador. Mas o combustível - a vegetação "disponível" para a queima - também é difícil de quantificar. O quão denso, exatamente, é um trecho da floresta? O quão seco estão os galhos caídos este verão? Há esforços para acompanhar isto, mas ainda são trabalhos em andamento. Além disso, como humanos e a iluminação artificial são responsáveis pela maioria dos incêndios florestais, torna-se extremamente difícil, senão impossível, prever exatamente quando e onde as chamas vão surgir. Mas isto não significa que não podemos ter uma ideia. As previsões climáticas mais precisas, com alguns dias de antecedência, são usadas por agências para criar mapas de locais propensos a incêndios nos EUA. "Mapas são produzidos todo dia e atualizados com base em condições climáticas que podem ser críticas para incêndios", afirma Finney. Isto pode ajudar autoridades a fazer evacuações e a deslocar recursos contra incêndio aos lugares certos antes de um desastre. Uma pessoa bastante interessada em entender como o fogo se alastra é Ellie Graeden, da RedZone Analytics, que faz de análises de incêndios florestais para clientes comerciais, incluindo companhias de seguro. Os três fatores principais que seu sistema leva em conta, ela explica, são: vento, disponibilidade de combustível e topografia do terreno. Munidas de informações, as companhias de seguro podem empregar suas próprias equipes para proteger as propriedades de incêndios. Ou trabalhar com quem possa proteger as propriedades. Os dados também servem para estimar o custo da destruição de um incêndio - o que ajuda a planejar como compensar os clientes. "Fazemos avaliações e aplicamos nossos modelos durante os eventos", afirma Graeden. "Após o incidente, voltamos para avaliar o quão precisos eles foram." Precisão de 90% No ano passado, Graeden diz que os modelos RedZone previram, com mais de 90% de precisão, quais casas de Coffey Park, na Califórnia, seriam queimadas pelo devastador incêndio florestal que atingiu a região. No total, 3,5 mil propriedades foram destruídas pelo fogo. Mas até essas projeções podem ser melhoradas. A especialista diz que faltam dados quantitativos bons do quanto as residências devem queimar. Sabe-se que o asfalto ou as telhas de barro são menos propensas às chamas do que a madeira, por exemplo, mas dados precisos quantificando esta diferença não estão disponíveis, afirma. O que se espera do futuro dos incêndio florestais? Em escala global, a área total queimada por incêndios florestais está na realidade diminuindo por causa da expansão das fazendas. Em locais específicos, no entanto, os verões quentes e secos influenciados pelas mudanças climáticas devem continuar a causar incêndios em locais não esperados, como próximo a áreas urbanas. Bachelet acredita que o que estamos observando agora é um período em transição pouco comum. "O que cresce novamente após o fogo será mais adaptado a essas condições, então provavelmente irá produzir menos combustível", diz. Os ecossistemas em tais áreas estão "recomeçando", ela explica. Leia a versão original desta matéria (em inglês) no site da BBC Future.
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    Turismo e selfies com filhotes de leão se multiplicam na França e alertam autoridades


    Nesta segunda-feira (12), um filhote de leão foi visto por policiais dentro de um Lamborghini que descia a avenida Champs-Elysées, em Paris. O homem que manipulava o filhote, tirando selfies com ele, foi preso e deve pagar uma multa de cerca de €...


    Nesta segunda-feira (12), um filhote de leão foi visto por policiais dentro de um Lamborghini que descia a avenida Champs-Elysées, em Paris. O homem que manipulava o filhote, tirando selfies com ele, foi preso e deve pagar uma multa de cerca de € 2 mil euros. Filhote de leão encontrado em Valenton, no sudeste de Paris, em péssimo estado de saúde Tonga Terre d'Accueil/Fondation 30 Millions d’Amis Nesta segunda-feira (12), um filhote de leão foi visto por policiais franceses dentro de um Lamborghini, um carro de luxo, que descia a famosa avenida Champs-Elysées, em Paris. O homem que manipulava o filhote, tirando selfies com ele dentro do veículo, foi preso e deve pagar uma multa de cerca de € 2 mil euros. Casos como esse se multiplicam na França, apesar da revolta de associações pelos direitos dos animais. Na maioria das vezes, os filhotes são recuperados em péssimo estado de saúde, e bastante traumatizados. Publicar fotos nas redes sociais com um tigre ou um filhote de leão: a “tendência” está se desenvolvendo na França, a tal ponto que as autoridades apreenderam, em menos de um ano, seis jovens grandes felinos na região de Paris, em Marselha (sul) ou Le Havre (norte), muitas vezes em péssimo estado de saúde. Na segunda-feira (12) à noite, a polícia francesa descobriu em um Lamborghini verde subindo a luxuosa avenida Champs-Elysées um homem que tirava selfies com um filhote de leão bege, deitado no banco do passageiro. Depois de dizer à polícia que se tratava de “seu gato”, o homem de 33 anos decidiu não dar mais declarações até sua detenção por "encarceramento de espécies animais desprotegidas" e por dirigir sem carteira de motorista. Pela lei, ninguém pode manipular um animal selvagem sem uma autorização das autoridades francesas e de um certificado de capacidade. Originalmente de Essonne, o home preso se contentou em dizer que o filhote de leão, chamado Putin, pertencia a "um amigo", de acordo com uma fonte próxima à investigação. A mesma desculpa foi usada por um homem de trinta anos, condenado a seis meses de prisão pelo tribunal de Créteil, nos arredores de Paris, no final de outubro, que disse ser "apaixonado por animais". O homem postou vários vídeos nas redes sociais, onde um filhote de leão de dois meses era visto mordiscando a cabeça de um jovem, recebendo afagos de outras pessoas, ou andando pelas ruas. Na sequência, o homem vendeu o animal por meio da redes sociais por € 10 mil euros. "Há cada vez mais relatos de pessoas que se fotografam com grandes felinos", disse Arnauld LHomme, pesquisador da Fondation 30 millions d'Amis, que foi parte civil no julgamento e que recebeu o filhote de leão, visto em plena Champs-Elysées. "Vários casos deste tipo estão em andamento na Justiça [francesa]", diz ele, lembrando que quatro outros grandes felinos foram recuperados nos últimos meses: dois filhotes de leão - um em Marselha e outro em Noisy-le-sec (Seine-Saint-Denis) -, um lince em Champigny-sur-Marne (Val-de-Marne) e um filhote de tigre em Le Havre. "Os filhotes de leão poderiam vir de circos, os filhotes seriam contrabandeados, mas ainda não conseguimos provar", acrescentou o especialista. “Desidratado” Durante o julgamento de Créteil, o promotor havia indicado que outros três filhotes de leão da mesma ninhada ainda não haviam sido encontrados. Na mesma época, em Marselha, uma filhote fêmea, pesando apenas alguns quilos, e com um a dois meses de idade, foi encontrada pela alfândega em uma pequena gaiola, em uma garagem nos distritos do norte da cidade. O proprietário explicou que ele havia recuperado o animal a pedido de proprietários anteriores, que estavam sobrecarregados com a situação. "As pessoas os levam para se exibir, mas não têm conhecimento e não sabem como lidar com isso", disse Arnauld Lhomme. Alguns, como o leão dos Champs-Elysées, se encontram frequentemente em um estado físico deplorável quando são recuperados pelas autoridades e veterinários. "Ele tinha a cauda decepada, fraqueza na perna e estava desidratado", disse Lhomme, que também estava preocupado com a filhote encontrada em Marselha, "que não tinha pelo na cabeça, achávamos que ela fosse morrer ". Mesma coisa com o filhote de leão encontrado em uma gaiola em um apartamento em Noisy-le-Sec, ao norte de Paris, em 2017. Batizado de “King”, ele estava "em mau estado geral, provavelmente sofreu uma retirada precoce da mãe e uma dieta inadequada ". Desde então, “King” foi reintroduzido em uma reserva na África do Sul, onde "ele vive feliz," de acordo com os bombeiros de Paris, que afirmaram que o animal foi "ainda estava traumatizado", mas se acostumava ao seu novo ambiente.
    Como esforços na Amazônia brasileira estão salvando tartarugas da extinção

    Como esforços na Amazônia brasileira estão salvando tartarugas da extinção


    Pesquisa publicada na revista científica 'Nature Sustainability' aponta que, desde 1977, cerca de 70 mil filhotes de tartaruga conseguem nascem todos os anos por causa de programa de preservação e proteção tocado por ONGs e institutos de meio...


    Pesquisa publicada na revista científica 'Nature Sustainability' aponta que, desde 1977, cerca de 70 mil filhotes de tartaruga conseguem nascem todos os anos por causa de programa de preservação e proteção tocado por ONGs e institutos de meio ambiente. Conhecida como tartaruga-da-amazônia, a 'Podocnemis expansa' tem sobrevivido: 70 mil filhos nascem às margens do Rio Juruá Camila Ferrara Esforços comunitários e vigilância da população local, os ribeirinhos, contra caçadores estão permitindo que as praias fluviais da Amazônia voltem a ficar cheias de tartarugas. No caso da Podocnemis expansa, gigante e sensível espécie chamada popularmente de tartaruga-da-amazônia, os números impressionam: de 1977 para cá, a cada ano são 70 mil filhotes a mais que conseguem nascer nas áreas monitoradas às margens do Rio Juruá, um importante afluente do Amazonas. Comparado a 40 anos atrás, nove vezes mais tartarugas estão realizando a desova nas areias da região. Os dados, resultados de uma pesquisa realizada pelas universidades inglesas de East Anglia e Anglia Ruskin e das federais brasileiras de Alagoas e do Amazonas, estão publicados na edição desta terça-feira do periódico científico "Nature Sustainability". "Após declínios populacionais severos e de longo prazo causados pela superexploração histórica, as praias de nidificação de tartarugas, localmente conhecidas como tabuleiros, têm sido sistematicamente protegidas da captura de ovos e adultos por guardas informais das comunidades locais e, ao mesmo tempo, monitoradas com sucesso para a nidificação, especialmente para a Podocnemis expansa, espécie de alto valor e dependente da areia", ressaltam os pesquisadores, no artigo. Além da tartaruga-da-amazônia, resultados positivos também foram observados em espécies como a tracajá (Podocnemis unifilis) e a pitiú (Podocnemis sextuberculata). E nem só quelônios têm sido recuperados. Graças aos trabalhos de conservação, populações do jacaré-açu (Melanosuchus niger), do boto (Inia geoffrensis), da iguana verde (Iguana iguana) e de muitas aves e peixes também estão sendo beneficiadas. "Nossa pesquisa destaca o valioso serviço de conservação fornecido pelas comunidades locais não apenas para as tartarugas, mas para o ecossistema mais amplo. Reconhecer a importância desse trabalho nos mostra o potencial para ações de conservações eficazes, mesmo fora de áreas formalmente protegidas", afirma o pesquisador Joseph Hawes, da Universidade Anglia Ruskin. Recuperação O estudo mostra que, atualmente, há cerca de 2 mil ninhos de tartarugas nas praias, às margens do Juruá, protegidas pelas comunidades locais. Destes, anualmente, apenas 2% são atacados por caçadores. Em outras praias analisadas, caçadores violam e coletam ovos de 99% dos ninhos. No caso da tartaruga-da-amazônia, a população passou a ter uma quantidade consistente de exemplares sobretudo nos últimos 15 anos. No mesmo período, de acordo com os pesquisadores, 19 praias não protegidas foram reportadas como sendo locais de declínio de espécimes de tartaruga. Quanto aos ninhos recentemente verificados pelos pesquisadores, foram encontrados 584 da tartaruga-da-amazônia nas praias protegidas e apenas 10 nas não participantes do projeto de conservação. Das outras espécies de tartarugas, foram 786 contra 161. Estudo aponta cerca de 2.000 ninhos de tartaruga nas praias às margens do rio Juruá, na Amazônia Camila Ferrara Caça predatória Tartarugas são historicamente alvo de caçadores na região amazônica, principalmente por conta do consumo da carne e dos ovos. A legislação ambiental brasileira protege esses animais desde 1967, mas a fiscalização governamental nunca foi eficiente. Nos anos 1970, quando esses projetos comunitários foram iniciados, as populações de tartarugas apresentavam níveis alarmantes na região. "Ao incluir moradores locais nas práticas de conservação, podemos aumentar a efetividade dos resultados de conservação e melhorar o bem-estar local", acredita o cientista João Campos-Silva, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Federal de Alagoas, um dos autores da pesquisa. O rio Juruá nasce no Peru e deságua na região em que o Amazonas é mais conhecido como Solimões. Tem 3 mil quilômetros e é muito sinuoso. Os pesquisadores analisaram um trecho 1,5 mil quilômetros. O programa de proteção de praias ao longo do Juruá faz parte do maior esforço de conservação de base comunitária da Amazônia. As praias são protegidas por vigilantes locais 24h por dia durante toda a época reprodutiva das tartarugas - cinco meses por ano. "Nosso estudo demonstra claramente a eficácia do empoderamento de ações de gestão local em locais de conservação", afirma o professor Carlos Peres, da Escola de Ciências Ambientais da Universidade de East Anglia, um dos autores do trabalho. "Praias protegidas por comunidades locais se transformam em ilhas barulhentas de alta biodiversidade cercadas por praias desprotegidas e sem vida, vazias e silenciosas", compara. "Delegar a um punhado de funcionários do governo, geralmente residentes em centros urbanos, a proteção de 5 milhões de quilômetros quadrados de rios e florestas amazônicas é, na melhor das hipóteses, uma batalha perdida", compara Peres. Ele diz acreditar que as evidências do presente estudo ajudem a convencer as esferas governamentais a subsidiar cada vez mais programas comunitários de preservação - segundo o professor, "fundamentais para o sucesso da restauração ecológica". "Acionadas e subsidiadas, essas poderosas alianças 'ganha-ganha' com comunidades locais podem garantir o bem-estar delas e manter a vigilância coletiva em busca da integridade da maior região tropical do mundo", completa. Os projetos que hoje funcionam na Amazônia são organizados por ONGs e pela autarquia federal Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os ribeirinhos participantes recebem ajuda de custo, na forma de cestas básicas, para atuar na conservação. De acordo com os acadêmicos, que entrevistaram 40 participantes do projeto, a ajuda atual é de uma cesta básica por mês. O que, considerando os cinco meses do programa, equivale a US$ 110 por vigilante. Os pesquisadores calculam que, portanto, nos últimos cinco anos, cada filhote de tartaruga brasileira custou apenas 3 centavos de dólar ao governo e às instituições parceiras de projetos assim. A região do Médio Juruá também é atendida pelo programa governamental Bolsa Verde, instituído pelo governo de Dilma Rousseff em 2011. Os participantes devem promover atividades de conservação ambiental para ganharem R$ 300 a cada três meses.
    'Noruegueses têm que aprender com os brasileiros', diz Onyx sobre preservação florestal

    'Noruegueses têm que aprender com os brasileiros', diz Onyx sobre preservação florestal


    Para ministro de transição, ONGs estrangeiras não podem dizer o que Brasil tem de fazer na área ambiental. Noruega é principal doador do Fundo Amazônia, que financia preservação da floresta. 'Noruegueses têm que aprender com os brasileiros',...


    Para ministro de transição, ONGs estrangeiras não podem dizer o que Brasil tem de fazer na área ambiental. Noruega é principal doador do Fundo Amazônia, que financia preservação da floresta. 'Noruegueses têm que aprender com os brasileiros', diz Onyx sobre preservação florestal O ministro da transição de governo e futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta segunda-feira (12) que os noruegueses devem “aprender” com os brasileiros sobre preservação de florestas. Lorenzoni deu a declaração em entrevista à imprensa no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde funciona o centro de transição de governo. O ministro informou que nesta terça o presidente eleito Jair Bolsonaro receberá um “pré-estudo” sobre o repasse de percentual de multas ambientais para organizações não-governamentais (ONGs) nacionais e estrangeiras. Segundo Lorenzoni, o Brasil preservou 31% das suas matas, enquanto países com território semelhante ao brasileiro preservaram 10%. Questionado se o Brasil poderia reduzir a preservação, ele fez críticas a ONGs. “Nós vamos preservar o Brasil. Agora, com altivez. Não dá para vir a ONG da Noruega ou lá da Holanda e vir aqui dizer o que que a gente tem que fazer”, disse o ministro. Lorenzoni foi questionado por um dos jornalistas sobre o repasse feito pelo governo da Noruega ao Fundo Amazônia, utilizado para financiar projetos de preservação de povos indígenas e da Amazônia. O ministro respondeu: “E a legislação brasileira não vale nada? E a floresta norueguesa quanto eles preservaram? O Brasil preservou a Europa inteira territorialmente, toda a União Europeia com as nossas matas, mais cinco Noruegas. Os noruegueses têm que aprender com os brasileiros e não a gente aprender com eles", disse Lorenzoni, que se irritou e encerrou a entrevista. A Noruega é o maior doador do Fundo Amazônia, para o qual destinou cerca de R$ 2,8 bilhões, entre 2009 e 2016, com objetivo de financiar a preservação da floresta. No ano passado, o governo do país europeu anunciou que cortaria pela metade os repasses para o fundo porque os índices de desmatamento no Brasil passaram a aumentar e os noruegueses começaram a questionar as políticas de conservação. Além de ser um dos maiores patrocinadores de projetos "verdes" no mundo, a Noruega é considerada um país líder em energia limpa, em políticas de transportes elétricos e em redução da emissão de gases poluentes. O futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni, durante entrevista no CCBB Guilherme Mazui/G1 Ministério do Meio Ambiente Antes, Lorenzoni declarou que o governo avalia nomes para comandar o Ministério do Meio-Ambiente na gestão de Jair Bolsonaro. O presidente eleito já declarou que não quer um "xiita" à frente da pasta. Ele chegou a anunciar a fusão do ministério com a pasta da Agricultura, porém voltou atrás. Escolhida como ministra da Agricultura, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) afirmou na semana passada que Bolsonaro tem dito que deseja "acabar com a indústria da multa" e com o "viés ideológico" na área ambiental. A bancada ruralista, a qual Tereza lidera, acompanha de perto a escolha de Bolsonaro para o Ministério do Meio-Ambiente. Rombo nas contas da União é um dos desafios do governo Bolsonaro Outros temas Leia abaixo outros temas abordados por Onyx Lorenzoni durante a entrevista concedida nesta segunda-feira: Reforma da Previdência: Lorenzoni afirmou que Bolsonaro receberá nesta terça-feira (13) sugestões de mudanças na Previdência feitas sem alterar a Constituição, já que o cenário apresentado por parlamentares não é “favorável”. “Elas [as sugestões] estão sendo condensadas, serão apresentadas amanhã [terça] ao futuro presidente Jair Bolsonaro para que a gente dê um destino, se elas vão ser trabalhadas agora ou se vão ficar para o ano que vem. A tendência é que fique para o ano que vem”, disse. Ministérios: Lorenzoni declarou que a Secretária de Governo da Presidência será incorporada à Casa Civil, que passará a responder pela articulação política. Lorenzoni chegou a chamar de ministro da Secretaria-Geral o advogado Gustavo Bebianno, mas se corrigiu e disse que apenas torce para que ele seja confirmado como ministro. Eleições de presidentes da Câmara e do Senado: “O governo não pretende intervir nas definições do comando da Câmara nem do Senado. Todos os governos que forçaram a mão e fizeram intervenção, e vocês sabem o que estou falando, se deram muito mal com isso. A ideia do presidente Bolsonaro é respeitar a repartição dos poderes”, disse. Encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia: o ministro informou que esteve com o atual presidente da Câmara nesta segunda. "O que nós conversamos com o presidente da Câmara é no sentido de poder estreitar o nosso diálogo.. Assim como eu disse aos congressistas que ao final de 2019 eles irão reconhecer um governo aonde os congressistas brasileiros serão mais bem tratados, respeito e valorização será no nosso governo. Ele ficou muito satisfeito, ficou claro que a relação será de absoluto respeito a independência e a harmonia dos poderes", declarou.
    A história por trás do vídeo de ursinho tentando alcançar mãe em penhasco

    A história por trás do vídeo de ursinho tentando alcançar mãe em penhasco


    Um fotógrafo russo filmou o que parece ser uma lição de perseverança, mas o vídeo recebeu duras críticas nas redes sociais. Ursinho tenta escalar montanha YouTube Este é um daqueles vídeos do mundo animal que geram reações de ternura e...


    Um fotógrafo russo filmou o que parece ser uma lição de perseverança, mas o vídeo recebeu duras críticas nas redes sociais. Ursinho tenta escalar montanha YouTube Este é um daqueles vídeos do mundo animal que geram reações de ternura e angústia ao mesmo tempo - este, para alívio dos expectadores, tem um final feliz. Por isso, não surpreende que tenha viralizado nas redes sociais. Após uma análise mais cuidadosa do conteúdo, contudo, o autor das imagens passou a receber duras críticas, que se tornaram igualmente virais. Assista ao vídeo Por quê? O vídeo mostra uma ursa escalando uma montanha íngreme coberta de neve com o filhote em uma manhã ensolarada de verão perto da costa do Mar de Okhotsk, no leste da Rússia. O ursinho se esforça para acompanhar a mãe, enterrando suas garras na neve, mas acaba deslizando dezenas de metros para baixo. Ele tenta outras vezes, enquanto a mãe o aguarda no topo, mas o resultado é o mesmo. Em determinado momento, ele escorrega tão profundamente que parece que tudo está perdido. Mas o filhote não se dá por vencido e consegue chegar ao topo em segurança - e segue caminhando ao lado da mãe. Nas redes sociais, os usuários comentaram sobre a angústia e o alívio que sentiram, além da inspiração que o instinto de preservação do pequeno animal despertava. Embora o vídeo tenha um final feliz, biólogos e pesquisadores da área de ciências naturais manifestaram preocupação sobre a maneira como o vídeo foi produzido - e vários usuários também dispararam fortes críticas nas redes sociais. O drama do ursinho foi filmado com um drone pelo fotógrafo russo Dimitri Kedrov. Em alguns momentos, parece que a mãe ursa fixa os olhos no dispositivo e reage de forma arisca. Os críticos afirmam que é justamente a presença do drone que gera a difícil situação para os animais. A revista National Geographic observa que, em um momento crucial, quando o filhote está prestes a chegar ao topo, o drone chega tão perto que a mãe se altera e parece mostrar as garras para o dispositivo, o que faz o ursinho deslizar novamente pela montanha. "Da perspectiva dela (da ursa) é literalmente um ovni, um objeto voador não identificado", diz Sophie Gilbert, ecologista da Universidade de Idaho, nos EUA, citada pela National Geographic. "Provavelmente ela nunca viu nada parecido na vida. Ela está com o filhote e, claro, sua reação vai ser de medo", acrescenta. A publicação levanta a tese de que a presença do drone foi o que gerou a situação de perigo para os dois animais. A mãe pode ter decidido pegar um caminho mais arriscado na tentativa de escapar do dispositivo. Em geral, os ursos evitam terrenos acidentados quando estão com os filhotes, afirma a National Geographic. Mas Dimitri Kedrov, autor das imagens, saiu em defesa do vídeo no site russo Lenta, afirmando que não interferiu na situação e que as cenas fechadas foram obtidas a partir do zoom aplicado na pós-produção do vídeo. Kedrov destacou ainda que o filhote havia escorregado várias vezes antes de a mãe escutar o drone. "Essa é a vida cotidiana dos animais, a observamos constantemente", disse ele ao Lenta, acrescentando que parte de sua pesquisa era identificar a reação dos animais ao zumbido dos drones. Especialistas em ciências naturais indicam, por sua vez, que há muitos exemplos de vídeos de vida selvagem alterada por drones. Tanto o som quanto a presença do dispositivo influencia o comportamento dos animais. O drone pode distrair as espécies durante atividades vitais, como a caça ou a busca por parceiros. Em alguns animais, os aparelhos geram uma reação de alerta ou fuga, de modo que eles podem interpretá-los como a presença de um predador.
    Anúncio de Natal sobre abuso na extração do óleo de palma é proibido na Islândia

    Anúncio de Natal sobre abuso na extração do óleo de palma é proibido na Islândia


    Um anúncio de Natal que chama a atenção para a morte, em massa, de orangotangos das florestas da Malásia e da Indonésia por causa do abuso sobre a planta produtora do óleo de palma, foi proibido de ser veiculado na Islândia, terceiro país...


    Um anúncio de Natal que chama a atenção para a morte, em massa, de orangotangos das florestas da Malásia e da Indonésia por causa do abuso sobre a planta produtora do óleo de palma, foi proibido de ser veiculado na Islândia, terceiro país mais rico e desenvolvido do mundo. O anúncio, feito pelo Greenpeace, mostra uma criança, em seu quarto, sendo visitada por um orangotango bebê. Ele mexe nas coisas dela, faz uma bagunça danada, assusta a menina. Está a ponto de destruir tudo quando ela resolve expulsá-lo. Mas, antes, pede que lhe conte o que ele faz ali. “Tem um ser humano na minha casa que está destruindo tudo que é meu, matou minha mãe e eu tenho medo que me mate também”, explica o animal enquanto imagens de desmatamento e incêndio em florestas vão surgindo na tela. A criança então decide se tornar amiga do bicho e criar cartazes exigindo que a humanidade salve os orangotangos. Em média, 25 por dia são mortos na corrida avassaladora da indústria por óleo de palma. Trata-se de um produto que é usado em mais de 50% dos produtos comprados, por exemplo, nos supermercados do Reino Unido. Shampoos, pasta de dente, detergente e chocolates têm óleo de palma em suas fabricações. Algumas marcas famosas, pressionadas por uma campanha do Greenpeace em 2014, se comprometeram publicamente a eliminar o desmatamento, usando apenas óleo de palma com procedência garantida. Já existe uma variação do óleo de palma que pode contribuir para conter o desmatamento de florestas tropicais, mas é preciso investir em pesquisa para fazer funcionar. O que impressiona também, neste caso específico da proibição do anúncio na Islândia, é a recorrente pressão no sentido de manter o cidadão comum sem conhecimento sobre o que consome e o que poderia ajudar a consumir menos. Neste caso, a Clearcast, agência de publicidade responsável pela análise dos anúncios antes de serem transmitidos ao público, disse que foram violadas as regras que proíbem a propaganda política estabelecidas pela Lei de Comunicações do país. A falta de ações que, verdadeiramente, possam contribuir para mudar o paradigma atual de produção e consumo a fim de melhorar a qualidade de vida desta e das outras gerações é que vai deixando falhas estruturais na confiança dos cidadãos. Há pouco mais de um mês, o Painel de cientistas das Nações Unidas que se encarrega de divulgar relatórios sobre o clima, o IPCC , veio a público dizer que se os desmatamentos e o uso abusivo de combustíveis fósseis continuarem, o planeta vai aquecer além dos 1,5 graus mantidos como meta no Acordo de Paris. A situação, especificamente das florestas, é tão dramática que o órgão das Nações Unidas está preparando um relatório sobre Mudança Climática e Terra, que será lançado ano que vem. Enquanto isso, porém, pouco se avança em decisões – não só do poder público como do mundo corporativo – que possam, efetivamente, diminuir o desgaste das florestas. E, quando uma organização da sociedade civil toma para si o dever de informar aos cidadãos, a providência imediata é proibir o anúncio. “Ao invés de proteger o público de mensagens políticas insidiosas, a Clearcast impediu que uma mensagem crucial fosse transmitida para milhões de telespectadores, muitos dos quais compram produtos contendo óleo de palma sem saber a devastação que está causando aos animais e o aquecimento global. Proteger e restaurar florestas atingiria 18% das mitigações de emissões necessárias até 2030 para evitar mudanças climáticas irreversíveis, disse um grupo de 40 cientistas no mês passado”, comenta Jessica Brown, jornalista do “The Guardian”. Uma avaliação recentemente publicada pelo Greenpeace mostra que 25 grupos de óleo de palma eliminaram mais de 130.000 hectares de floresta tropical desde o final de 2015 e que 40% do desmatamento (51.600 ha) foi em Papua, na Indonésia - uma das regiões mais biodiversas do planeta e até recentemente não atingida pela indústria de óleo de palma. Com isso, metade da população de orangotangos de Bornéu foi exterminada em apenas 16 anos. Num mundo em que uma marcha dramática de pessoas, envolvendo milhares de crianças, segue em caravana pelas estradas, rompendo um caminho de quase dois mil quilômetros em busca de uma vida melhor, pode parecer mesmo fora de propósito a preocupação com orangotangos na Indonésia. A questão é que tudo está interligado, e é o que se chama de desenvolvimento sustentável, já que a maioria dos que estão nesta marcha está fugindo de desemprego, da pobreza, e o papel das grandes corporações que utilizam bens naturais como se fossem inesgotáveis tem sido também recorrentemente posto em xeque na hora da distribuição desta riqueza. “Embora a mudança fundamental deva acontecer em um nível político, as empresas também desempenham um papel enorme na promulgação de mudanças estruturais e sociais”, lembra Jessica Brown. Amélia Gonzalez Arte/G1
    O projeto que levou um exército de 'caçadores de tempestades' à Argentina

    O projeto que levou um exército de 'caçadores de tempestades' à Argentina


    Mais de 150 cientistas de um grande projeto internacional estão na Argentina para caçar tempestades. O que de especial chama a atenção dos especialistas? A BBC News Mundo conversou com alguns deles para descobrir. Um dos veículos utilizados pelos...


    Mais de 150 cientistas de um grande projeto internacional estão na Argentina para caçar tempestades. O que de especial chama a atenção dos especialistas? A BBC News Mundo conversou com alguns deles para descobrir. Um dos veículos utilizados pelos pesquisadores do projeto Relâmpago para estudar as tempestades na Argentina Divulgação Cerca de 160 pessoas, incluindo meteorologistas, estudantes, engenheiros e técnicos, estão na Argentina em busca de tempestades. E eis que, segundo os cientistas, as tempestades que ocorrem no centro-norte do país "são realmente as melhores das melhores". "Acreditamos que as tempestades na Argentina produzem mais granizo e mais raios do que em qualquer outro lugar do mundo", diz Stephen Nesbitt, que lidera o projeto Relâmpago, que é a sigla em inglês para Detecção Remota de Processos de Eletrificação, Raios e Mesoescala/microescala com Observações de Campo. Agora, um exército de cientistas quer estudar de perto as tempestades "únicas" produzidas no país para, com base nos resultados, melhorar as previsões do tempo. Mas o que eles procuram? Como fazem isso? E o que faz da Argentina o lugar ideal para esse tipo de trabalho? Relâmpago-CACTI Os pesquisadores fazem parte de dois projetos que trabalham em conjunto. Do projeto Relâmpago participam a Fundação Nacional da Ciência dos Estados Unidos, a NASA, a Agência Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Argentina, a Secretaria de Ciência da Província de Córdoba, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais do Brasil (Inpe) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Pesquisadores do projeto usam o Twitter, por exemplo, para divulgar fotos do que ocorre na Província de Córdoba e disponibilizar um canal para que a população envie suas próprias imagens para publicação. Initial plugin text O projeto CACTI, por sua vez, é um estudo financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, projetado para melhorar a compreensão do crescimento, organização e decomposição das nuvens em relação às condições ambientais, descreve a página do Relâmpago-Cacti na internet. No total, há cerca de 160 pesquisadores da Argentina, dos Estados Unidos e do Brasil que têm Villa Carlos Paz, em Córdoba, na região central da Argentina, como base de trabalho de campo, e a partir dali partem diariamente em busca dessas tempestades intensas. O experimento Relâmpago está sendo realizado na Argentina entre os meses de novembro e dezembro de 2018 Divulgação "Todos os dias, às 6 horas da manhã e às 9 horas da noite, nós (pesquisadores) nos reunimos e, com base na previsão, decidimos o que fazer naquele dia ou no dia seguinte", disse à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Paola Salio, doutora em Ciências Atmosféricas da Universidade de Buenos Aires, que participa do projeto. "Então, partem diferentes veículos contendo diferentes tipos de instrumentos (em busca dessas tempestades). Alguns (dos veículos) são verdadeiras estações meteorológicas", descreve Salio. O que eles medem? Essas estações medem temperatura, umidade, pressão atmosférica, vento e instrumentos lançados na atmosfera - chamados de "rádio-sondas". "Em geral, duas (medições com) rádio-sondas são feitas por dia, mas podemos chegar a 8 em um período de 4 horas. É muito", diz a cientista. Os pesquisadores, então, vão em busca das tempestades. Eles não chegam a entrar nelas. As observam a uma distância de 10 a 12 km. "Em geral, ficamos ao lado. Não queremos que o granizo caia sobre nossas cabeças", diz Salio. Caminhões 'caça-tempestades' Esta é a primeira vez que uma campanha tão intensa é realizada na Argentina com um grande aparato instrumental, dizem os cientistas. A pesquisa de campo começou no início de novembro e se estenderá até o fim de dezembro nas províncias argentinas de Córdoba e Mendoza. "Medimos as tempestades com radares portáteis. Esses radares permitem chegar muito perto, obter detalhes muito importantes da estrutura destes sistemas e entender como eles são internamente", diz Salio, que trabalha como pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet ), na Argentina. Os especialistas usam caminhões do tipo Doppler on Wheels, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, que levam os radares para medir a intensidade das tempestades. "São caminhões muito pesados ​​que transportam um radar cujo sinal permite interpretar como é a estrutura de uma gota, que tipo de gota é, se é granizo, se é cristal de gelo, se é grande ou pequena", explicou Salio. Por que a Argentina? A área dessas fortes tempestades engloba as Províncias argentinas de Córdoba, Chaco, Santa Fé, Entre Ríos e Corrientes. "Essas tempestades têm uma grande carga de atividade elétrica e alcançam grandes altitudes, podendo chegar a 19 km de altura, o que não é comum. Uma tempestade típica das planícies centrais dos Estados Unidos, das que produzem tornados, atinge 12 km de altura, com casos muito excepcionais de 15 km ", diz Salio. E ainda não se sabe por que elas são assim e por que ocorrem na Argentina. "Estamos tentando entender por que estas tempestades extremas são capazes de gerar pedras gigantes de gelo, granizo de 17 ou 18 cm de diâmetro. É um absurdo", acrescenta. Os pesquisadores explicaram que, após observações por satélite, um aspecto fundamental identificado nessas tempestades na Argentina foi que elas se formam muito rapidamente. "Além disso, muitas delas continuam crescendo e se transformam em grandes sistemas, por isso a partir daqui conseguimos observar diferentes aspectos e várias tempestades", diz à BBC News Mundo, Adam Varble, do programa Cacti, do Departamento de Energia dos EUA. Diferentes equipes saem diariamente para monitorar tempestades em Córdoba Divulgação As tempestades aqui são "poderosas", observa Stephen Nesbitt. O professor do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de Illinois assegura que este tipo de tempestade também ocorre na África Subsaariana, em partes da Índia e de Bangladesh. Mas as da Argentina "são as melhores" em termos de quantidade de granizo e raios, diz ele. Além disso, ele explica que o país tem uma infraestrutura muito boa para estudá-las em comparação com os outros lugares do mundo onde essas tempestades intensas se formam. Os cientistas acreditam que os primeiros resultados dessas observações provavelmente serão obtidos em cerca de seis meses. "O objetivo é entender as tempestades para prevê-las melhor e gerar ferramentas para dar respostas à população, possibilitando às pessoas tomarem melhores decisões", diz Salio.
    Mais de 300 animais resgatados em fiscalização em AL são devolvidos à natureza

    Mais de 300 animais resgatados em fiscalização em AL são devolvidos à natureza


    Outros animais devem permanecer em tratamento antes do retorno ao habitat. Aves apreendidas em fiscalização são devolvidas à Natureza Mais de 300 animais foram devolvidos à natureza na manhã desta sexta (9) em mais uma ação da Fiscalização...


    Outros animais devem permanecer em tratamento antes do retorno ao habitat. Aves apreendidas em fiscalização são devolvidas à Natureza Mais de 300 animais foram devolvidos à natureza na manhã desta sexta (9) em mais uma ação da Fiscalização Preventiva Integrada da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (FPI). Todos os animais passaram por triagem e tratamento na base implantada em Santana do Ipanema, Sertão alagoano (veja no vídeo acima). Na última terça (6), outros animais resgatados pelas equipes da FPI já haviam sido devolvidos a natureza. Em cinco dias, a FPI já resgatou cerca de 500 animais silvestres, entre aves, répteis e mamíferos. Desta vez, foram libertados 20 jabutis e 323 aves. Outros 25 animais serão encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama, em Maceió, para passar por um processo de tratamento de maior duração, ou que serão devolvidos a natureza em outro momento, por não pertencerem ao bioma caatinga. Há ainda a possibilidade de que alguns destes animais não retornem à natureza, devido ao longo tempo de cativeiro. Animais são devolvidos a natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Animais são devolvidos a natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Jabutis são devolvidos a natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Equipe de fiscalização devolve animais a natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Aves são devolvidas a natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Aves são devolvidas a natureza no sertão alagoano Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Ave resgatada em fiscalização é devolvida a natureza em AL Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Ave resgatada em fiscalização é devolvida a natureza em AL Jonathan Lins/FPI do Rio São Francisco Veja mais notícias da região no G1 Alagoas
    Diagnóstico sobre perda de biodiversidade alerta para o impacto disso na vida humana

    Diagnóstico sobre perda de biodiversidade alerta para o impacto disso na vida humana


    Não será por falta de informações de alta qualidade que os tomadores de decisão vão naufragar diante da necessidade de se proteger uma das maiores riquezas que o Brasil tem, a biodiversidade. Passei parte da manhã de ontem (8), numa das salas...


    Não será por falta de informações de alta qualidade que os tomadores de decisão vão naufragar diante da necessidade de se proteger uma das maiores riquezas que o Brasil tem, a biodiversidade. Passei parte da manhã de ontem (8), numa das salas do Museu do Amanhã, onde houve o lançamento, para a imprensa, do Primeiro Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade & Serviços Ecossistêmicos da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES). A ideia do grupo de mais de 120 pesquisadores, ao juntarem conhecimentos já existentes num único relatório, foi auxiliar os que fazem as leis e decidem pela maioria, com subsídios importantes que deveriam estar na mesa de debates a cada nova medida provisória ou projeto de lei. Gostei bastante ao perceber que o diagnóstico pontuou, acima de qualquer coisa, o bem estar dos seres humanos, mostrando como dependemos, para uma boa convivência no planeta, da conservação da biodiversidade. Foi bom também notar que o documento, resultado de três anos de estudos, deu espaço amplo para a diversidade cultural, mostrando que vivemos numa nação multicultural, onde nada menos do que cinco milhões de pessoas estão em comunidades tradicionais, ocupando ¼ do território nacional. São 305 etnias, 274 línguas faladas. Não dá para esquecer isto, sob pena de se criar falsas soluções para falsos problemas. Ao mesmo tempo, o diagnóstico mostra que, das 141 culturas agrícolas brasileiras, 85 dependem da polinização por animais, o que se chama de serviços ecossistêmicos, aqueles prestados pela natureza. Os porta-vozes da Plataforma que apresentaram o documento à imprensa no evento de ontem foram o biólogo Carlos Alfredo Joly, coordenador da BPBES; o engenheiro florestal e professor Fabio Rubio Scarano e Mercedes Bustamante, mestre em ciências agrárias e referência no bioma Cerrado. O objetivo do estudo é direto: gerar conhecimento para conseguir – ao menos, eu diria – que se cumpram as leis aqui no Brasil. E, em cinco capítulos, estará disponível na íntegra no endereço da Plataforma. A crise econômica e institucional que vem se perpetuando no país aumenta os riscos da biodiversidade, com perda da produtividade agrícola, aumento da vulnerabilidade a desastres naturais, disseminação de doenças e seus vetores, perda de cobertura de vegetação nativa e aumento das invasões biológicas. A lista de ações sugeridas, que o relatório chama de “novas oportunidades”, não é pequena, tampouco irrelevante. É preciso, com urgência, reduzir a pobreza e a desigualdade, valorizar os produtos nacionais, gerar mais emprego e renda, pensar num desenvolvimento social e econômico que leve em conta tudo isso e prestar atenção à liderança ambiental global. Há muito mais conteúdo no relatório, que não pretendeu trazer nenhuma grande novidade, mas alertar a sociedade para questões que já estão perdendo prazo para serem solucionadas. Após a explanação, quando foi dado espaço para os jornalistas fazerem perguntas, e depois de tantas notícias claras que tornaram ainda mais óbvia a importância que a biodiversidade tem para a humanidade, uma questão recorrente pairava em meus pensamentos. Já explico. Daqui a uma semana, no dia 17, começa a 14ª Convenção da Diversidade Biológica (COP 14) no Egito, onde se debate e faz acordos visando à repartição justa e equitativa dos recursos genéticos para que se possa impactar cada vez menos a biodiversidade. Ocorre que o Brasil não estará lá porque o Congresso não ratificou o Protocolo de Nagoya, um acordo internacional criado para dar mais segurança a todos que vivem diretamente de extrair bens da natureza, para que se faça isso de forma mais justa e equitativa. A nação mais rica em biodiversidade do planeta, no entanto, está excluída de decisões internacionais sobre o tema. “Quando o país se nega a ratificar este Protocolo ele fica dependente de outros países que o fizeram. Estava muito bem encaminhado para a ratificação, mas não aconteceu. Ainda há tempo, claro, mas quanto mais tarde fica, mais difícil fica participar do processo de decisão. Nos deixa sem voz num assunto que é central para o Brasil. Precisamos dialogar com o novo Congresso e construir esta agenda”, respondeu-me Mercedes Bustamante. Carlos Alberto Joly, que acompanhou diretamente as negociações para a assinatura do Tratado, disse que foi criada uma comissão, à época da assinatura, para empurrar à frente a ratificação. É só depois da ratificação que, de fato, o país se compromete com um tratado internacional. Só que a tal comissão não se reuniu uma única vez. “Acho um erro a não ratificação. Há uma oposição por parte de alguns setores, como o agronegócio e a indústria, com relação a algumas áreas cinzas que existem no Protocolo. Ratificando-o, porém, teríamos muito a ganhar. Espero que isto se modifique e entendo que o relatório que estamos divulgando hoje pode ajudar”, disse ele. Neste momento, em que um novo governo se organiza, existem riscos... e - como gostam de falar aqueles mais otimistas... - oportunidades. O meio ambiente, num governo que está sendo pressionado para fazer tantas mudanças a fim de “desenvolver o país”, começa a ser encarado como uma fonte de lucro apenas. O que vem sendo chamado de “ideologização” são cuidados necessários para que se consiga o que Bustamante chama de “ética entre gerações”, ou seja, não destruir tudo sem pensar que as pessoas que estão nascendo hoje, por exemplo, precisarão respirar, beber água e comer alimentos saudáveis sem substâncias que lhes causarão doenças. Gosto de pensar, como lembrou Bustamante, que como vivemos num regime democrático, a sociedade civil pode pegar o bastão. “Política pública não é só governo. Tem um aspecto de governança também. Parece que a esplanada dos ministérios está em outra dimensão, longe dos estados e municípios. Muitas das questões ambientais acabam desaguando nas cidades”, disse ela. O diagnóstico apresentado pela Plataforma ontem é o primeiro, virão outros. A torcida é para que os tomadores de decisão não os julguem como retórica inútil, porque não são. É preciso respeitar conhecimentos e pensar num dia depois de amanhã quando estamos tratando de questões tão sérias quanto a vida. É, no fim das contas, do que se trata a biodiversidade. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Aquecimento global afeta crescimento e regeneração da floresta Amazônica, diz estudo

    Aquecimento global afeta crescimento e regeneração da floresta Amazônica, diz estudo


    Segundo pesquisadores, algumas espécies de árvores não conseguem crescer com a mudança climática. Pesquisadores medem árvores na Amazônia brasileira Adriane Esquivel Muelbert, University of Leeds Uma equipe de mais de 100 cientistas avaliou o...


    Segundo pesquisadores, algumas espécies de árvores não conseguem crescer com a mudança climática. Pesquisadores medem árvores na Amazônia brasileira Adriane Esquivel Muelbert, University of Leeds Uma equipe de mais de 100 cientistas avaliou o impacto do aquecimento global em milhares de espécies de árvores em toda a Amazônia para descobrir os vencedores e perdedores de 30 anos de mudança climática. Sua análise descobriu que os efeitos das mudanças climáticas estão alterando a composição das espécies arbóreas da floresta tropical, mas não o suficiente para acompanhar o ambiente em mudança. A equipe, liderada pela Universidade de Leeds em colaboração com mais de 30 instituições em todo o mundo, usou registros de longo prazo de mais de cem parcelas como parte da Rede de Inventário da Floresta Amazônica (RAINFOR) para rastrear as vidas de árvores individuais em a região amazônica. Seus resultados mostraram que, desde a década de 1980, os efeitos das mudanças ambientais globais - secas mais fortes, aumento da temperatura e níveis mais altos de dióxido de carbono na atmosfera - afetaram lentamente o crescimento e a mortalidade de espécies específicas. Em particular, o estudo descobriu que as espécies de árvores que preferem a umidade estão morrendo mais freqüentemente do que outras espécies e aquelas adequadas para climas mais secos não foram capazes de substituí-las. A autora do estudo, Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds, disse: "A resposta do ecossistema está atrasada em relação à taxa de mudança climática. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amazônica nas últimas décadas tiveram sérias consequências a composição da floresta, com maior mortalidade em espécies arbóreas mais vulneráveis ​​a secas e crescimento compensatório insuficiente em espécies melhor equipadas para sobreviver a condições mais secas." Parte da floresta amazônica no Brasil que está morrendo Adriane Esquivel Muelbert, University of Leeds A equipe também descobriu que árvores maiores - predominantemente espécies de dossel nos níveis superiores das florestas - estão competindo com plantas menores. As observações da equipe confirmam a crença de que as espécies do dossel florestal seriam "vencedores" da mudança climática, pois se beneficiam do aumento do dióxido de carbono, o que pode permitir que cresçam mais rapidamente. Isso sugere ainda que concentrações mais altas de dióxido de carbono também têm um impacto direto na composição da floresta tropical e na dinâmica da floresta - a forma como as florestas crescem, morrem e mudam. Além disso, o estudo mostra que as árvores pioneiras - árvores que brotam rapidamente e crescem em clareiras deixadas para trás quando as árvores morrem - estão se beneficiando da aceleração da dinâmica da floresta. O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da rede RAINFOR, disse: "O aumento em algumas árvores pioneiras, como a cecropia de crescimento extremamente rápido, é consistente com as mudanças observadas na dinâmica da floresta, que também pode em última análise, ser impulsionado pelo aumento dos níveis de dióxido de carbono". O co-autor Dr. Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, disse: "O impacto das alterações climáticas nas comunidades florestais tem importantes consequências para a biodiversidade das florestas tropicais. As espécies mais vulneráveis ​​às secas estão duplamente em risco, pois são tipicamente as mais restritas para menos locais no coração da Amazônia, o que os torna mais propensos a serem extintos se esse processo continuar". "Nossas descobertas destacam a necessidade de medidas rigorosas para proteger as florestas intactas existentes. O desmatamento para agricultura e pecuária é conhecido por intensificar as secas nesta região, o que está exacerbando os efeitos já causados ​​pela mudança climática global", disse Dexter.
    Os sapos da caatinga brasileira que ficam enterrados na areia sem comer por mais de 2 anos

    Os sapos da caatinga brasileira que ficam enterrados na areia sem comer por mais de 2 anos


    Fenômeno é semelhante à conhecida hibernação, só que causado pelo calor e a seca em vez do frio. Sapo da espécie Pleurodema diploslister após fenômeno chamado estivação, que ocorre com anfíbios em desertos e onde água é escassa Carlos...


    Fenômeno é semelhante à conhecida hibernação, só que causado pelo calor e a seca em vez do frio. Sapo da espécie Pleurodema diploslister após fenômeno chamado estivação, que ocorre com anfíbios em desertos e onde água é escassa Carlos Jared/BBC No entardecer de 17 de fevereiro de 1992, no município de Angicos, na caatinga do Rio Grande do Norte, depois de uma chuva fraca durante o dia, o casal de pesquisadores do Instituto Butantan Carlos Jared e Marta Maria Antoniazzi presenciou um fato bizarro: sapos começaram a brotar aos borbotões do chão arenoso. Saltando a esmo, davam a impressão de estar à procura de poças d'água para se alimentar e acasalar. Começava ali um longo trabalho de pesquisa dos dois, que se estende há quase três décadas, para entender um comportamento animal pouco conhecido - pelo menos do público leigo: a estivação. Trata-se de um fenômeno semelhante à conhecida hibernação, só que causado pelo calor e a seca em vez do frio. Assim como os animais que hibernam - dos quais os ursos são os mais famosos -, os que estivam reduzem suas atividades metabólicas por um longo período, podendo chegar a mais de dois anos em algumas espécies. "É um fenômeno que ocorre com vários anfíbios que vivem em desertos ou em outros ambientes com escassez de água, ao menos temporária", explica Jared. "Semelhante à hibernação, induzida pelo frio excessivo, pode-se definir a estivação como o estado de letargia em que esses animais entram em um longo sono, quando as condições climáticas se tornam muito secas e quentes." Levados por Jared a também estudar os anfíbios da caatinga que estivam, os fisiologistas Carlos Navas, da Universidade de São Paulo (USP), e José Eduardo Carvalho, do campus de Diadema da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), começaram seu trabalho na região em 2007. "Nosso objetivo central era investigar quais mecanismos fisiológicos permitiam aos sapos daquela região ocuparem este ambiente aparentemente tão inóspito para este grupo de vertebrados", conta Carvalho. 'Esses animais entram em um longo sono, quando as condições climáticas se tornam muito secas e quentes', diz Jared Marta Antoniazzi/BBC De acordo com ele, aos olhos de uma pessoa leiga, poderia parecer improvável que qualquer anfíbio, tipicamente conhecidos por sua dependência de locais úmidos e com maior disponibilidade de água, pudesse viver na caatinga. "Contudo, existem relatos já há bastante tempo da ocorrência de anuros nesse bioma, e nosso trabalho foi no intuito de explorar as caraterísticas que permitiam tal modo de vida", explica. Apesar das condições adversas, há mais de 40 espécies de anfíbios nesse bioma. Ao longo dos 30 anos em que pesquisa esses animais na região, Jared e Marta realizaram 15 expedições científicas, 10 das quais a locais de maior probabilidade de surpreender os animais em estivação. "Em todas elas realizamos escavações no leito de rios temporários, com medidas de aproximadamente um metro de diâmetro e profundidade variando em torno de 1,5 metro", conta Jared. "Estudamos as espécies Proceratophrys cristiceps, Pleurodema diplolister e Physalaemus sp, tanto enterradas durante os meses secos como ativas durante os úmidos." Durante a seca, para se defender da desidratação, os animais se enterram ou procuram micro-habitats, onde exista umidade e a temperatura se mantenha mais fria em relação ao meio ambiente. Na seca, para se defender da desidratação, os animais se enterram ou procuram micro-habitats com umidade e temperatura mais fria Carlos Jared/BBC Entre os exemplos extremos desse comportamento está o sapo australiano Neobatrachus aquilonius, que, durante um mês de preparação para a seca, secreta até 45 camadas de pele, que formam um casulo, onde ele aguarda as chuvas e um clima mais ameno. Outra espécie, a Scaphiopus couchii, que vive em desertos norte-americanos, demora cerca de quatro horas para sair da dormência, quando perturbado. Os anfíbios brasileiros que vivem na caatinga e estivam não chegam a tanto. Eles não entram num torpor tão intenso quanto os sapos australianos e norte-americanos, mas ficam em um estado de depressão fisiológica moderado, com queda pela metade do consumo de oxigênio - medida que indica o gasto de energia. Além disso, embora fiquem enterrados na areia, numa profundidade que pode chegar até 1,80 m, ao serem encontrados e tocados, eles saltam de imediato, mostrando que seus músculos não se atrofiam durante a estivações. "No caso de Pleurodema diplolistris, não encontramos diminuição significativa da função muscular", diz Carvalho. "Os níveis de proteína muscular são mantidos praticamente inalterados, mesmo quando o animal passa longos períodos de inatividade enterrado sob o solo seco dos leitos do rios temporários na caatinga." Outras funções do seu metabolismos sofrem alterações, no entanto. Durante a estivação, o estômago dos anfíbios permanece vazio, o intestino encolhe e os ovários das fêmeas ficam cheios, prontos para liberar os óvulos assim que chova. "A medida que se realiza a escavação, os animais vão sendo expostos e, independentemente da espécie, mostram-se inertes, envoltos por areia úmida, com postura fetal, sempre com os olhos fechados e os membros junto aos corpos", informa. "Quando tocados e expostos à luz do dia, respondem com reflexos de fuga, comumente expelindo pela cloaca a água estocada, que se espalha pela areia circundante. Não existe agregação, mas, muitas vezes, os indivíduos podem ser encontrados bem próximos uns dos outros." Com os conhecimentos adquiridos sobre os sapos dessas regiões, uma das possibilidades que pesquisadores enxergam é de 'gerar ferramentas para um potencial desenvolvimento de tecnologias de aplicação médica para uso em humanos' Carlos Jared/BBC Jared constatou ainda que, ao longo do período de seca, à medida que a água da areia vai evaporando, eles vão migrando gradativamente no sentido descendente. "Nesse contexto, a pele fina e delicada deve trabalhar, detectando rapidamente qualquer diminuição do nível de umidade e fazendo com que o animal se movimente no sentido mais favorável", diz. Mas nem sempre dá certo e muitos não conseguem dar origem a nova geração depois da estivação. "A frenética atividade desses animais pode, também, não ser recompensada, ficando dependente do volume das chuvas", explica Jared. "É comum, principalmente depois de chuvas de pouca intensidade, deparar-se com poças secas, ou com sua água sendo evaporada rapidamente, mostrando girinos mortos ou agonizando." Seja com for, entender como eles funcionam e como lidam com as condições do ambiente ajuda os pesquisadores a compreender, por exemplo, de que forma as mudanças climáticas irão impactar não somente estes grupos de anuros, mas também outros animais. "Podemos ainda, com os conhecimentos adquiridos sobre os sapos dessas regiões, gerar ferramentas para um potencial desenvolvimento de tecnologias de aplicação médica para uso em humanos", prevê Carvalho. "Por exemplo, se entendermos de que forma esses anfíbios regulam seu metabolismo e preservam suas capacidades musculares, podemos tentar transferir este conhecimento para aplicação médica e melhorar as condições de pacientes que permanecem por longos períodos imóveis sobre os leitos e, invariavelmente, estão sujeitos a atrofia muscular."
    Mais de 100 animais silvestres apreendidos em fiscalização em Alagoas são devolvidos à natureza

    Mais de 100 animais silvestres apreendidos em fiscalização em Alagoas são devolvidos à natureza


    Antes do retorno ao habitat, eles passaram por tratamento em centro do triagem. Animais silvestres são devolvidos à natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Cerca de 140 animais silvestres foram devolvidos à natureza nesta...


    Antes do retorno ao habitat, eles passaram por tratamento em centro do triagem. Animais silvestres são devolvidos à natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Cerca de 140 animais silvestres foram devolvidos à natureza nesta quarta-feira (7) em Alagoas. Eles foram apreendidos em condições irregulares, durante a 9ª etapa da Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) da Bacia do Rio São Francisco, que começou nesta semana. Na ação, aves como galo de campina, extravagante, rolinha e azulão, e de outras espécies, como preás e jiboia, puderam voltar ao seu habitat natural. Jiboia resgatada durante operação em Alagoas é devolvida à natureza Jonathan Lins/FPI do São Francisco Antes de serem soltos, os animais passaram por um período de acolhimento e tratamento no centro de triagem provisório, montado em Santana do Ipanema, no sertão alagoano. Mais de 200 animais foram recolhidos pela FPI até o momento, mas alguns precisarão de um pouco mais de tempo para retornar a natureza, recebendo o tratamento adequado, de fraturas de asa e outros membros. Ave silvestre é devolvida à natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Animais silvestres são devolvidos à natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco Ave silvestre é devolvida à natureza em Alagoas Jonathan Lins/FPI do São Francisco
    A difícil tarefa de buscar boas notícias sobre meio ambiente

    A difícil tarefa de buscar boas notícias sobre meio ambiente


    Hoje é dia de dar ótimas notícias sobre bichos e meio ambiente. Mas, como sempre, há um contraponto, dados trágicos, e vou começar por eles, mas com a promessa de acabar bem o texto, ao menos. Então, lá vai a nota ruim: 60% dos animais...


    Hoje é dia de dar ótimas notícias sobre bichos e meio ambiente. Mas, como sempre, há um contraponto, dados trágicos, e vou começar por eles, mas com a promessa de acabar bem o texto, ao menos. Então, lá vai a nota ruim: 60% dos animais selvagens foram eliminados pelos humanos desde 1970. É um dado de um relatório divulgado pela ONG WWF, que virou notícia na agência Climate Action. O estudo se chama Planeta Vivo 2018 e destaca, especificamente, os efeitos devastadores que a humanidade tem causado aos bichos, além de dar sugestões para tentar diminuir este processo, com ações urgentes. Juntando dados, os pesquisadores chegaram ainda a uma conclusão: a natureza tem fornecido serviços no valor de cerca de 125 trilhões de dólares por ano. Diante disso, Mike Barrett, diretor executivo de ciência e conservação da WWF, disse: “Estamos sonambulando na beira de um precipício. Se houvesse um declínio de 60% na população humana, isso equivaleria a esvaziar a América do Norte, a América do Sul, a África, a Europa, a China e a Oceania. Essa é a escala do que fizemos. ” Tomando como exemplo apenas os peixes encontrados nos ecossistemas marinho e de água doce do mundo, fica fácil compreender que estamos consumindo muito mais do que aquilo que a natureza pode repor, como está registrado também em recente relatório da ONG italiana Essere Animali: “Isso resultou em mais de 6 bilhões de toneladas de peixes e invertebrados sendo retirados dos oceanos no mundo desde 1950. O Índice Planeta Vivo também mostra que houve um declínio de 83% nas espécies de água doce desde 1970. O relatório analisou ainda o papel do desmatamento no declínio da biodiversidade. Um estudo recente de mais de 19.000 espécies de aves, anfíbios e mamíferos descobriu que o desmatamento aumentou significativamente a chance de uma espécie ser listada como ameaçada ou exibindo populações em declínio”, diz a reportagem do Climate Action. E chega de más notícias, porque agora é hora de comemorar. Para continuar na mesma linha, alimentando informações sobre animais, a boa nova é que Portugal se juntou a outros países e decidiu, por lei aprovada no dia 30 de outubro, proibir que os circos exibam animais selvagens, como macacos, leões, elefantes, tigres, ursos, focas, crocodilos, pinguins, hipopótamos, rinocerontes, serpentes e avestruzes. Mas, como nem tudo é perfeito, a lei prevê que os animais, que precisam estar cadastrados nacionalmente, podem ser usados, mas “só” durante seis anos. “Competirá ao Governo criar um programa de entrega voluntária de animais usados em circos, bem como uma linha de incentivos financeiros destinados à reconversão e qualificação profissional dos trabalhadores das companhias circenses (domadores ou tratadores) que entreguem voluntariamente os animais que utilizem”, diz a reportagem do jornal “O Público”. Como era de se esperar, a notícia irritou as companhias de circo e agradou muito os ambientalistas. “Esta lei era muito esperada. O lugar de animais selvagens não é em circos. As pessoas precisam se divertir sem sofrimento para os animais” disse Bianca Santos, ambientalista, ao jornal Pleno News. É exatamente o que pensam, obviamente, os membros da ONG Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, na sigla em inglês), que se horrorizam ao ver ursos vestindo fantasias ridículas, amordaçados, sendo puxados em coleiras e forçados a fazer acrobacias que podem lhes causar muitas dores, como no caso dos que se submetem a esses maus tratos no Circo Tarzan Zeirbini, no Texas, Estados Unidos. Lá aconteceu uma tragédia. Sem espaço suficiente, e bem maltratados, os animais usados pelo circo feriram crianças e pisotearam um treinador de elefantes até a morte. É a crônica da tragédia anunciada. Bem, mas para terminar o texto com boas notícias, como anunciei no início, passo à terceira nota do dia: a Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou o pedido de Donald Trump, que queria, simplesmente, ignorar o julgamento de um processo iniciado por jovens ativistas que acusam o governo dos Estados Unidos de não reconhecer os perigos das mudanças climáticas. São jovens, que têm idade entre 11 e 22 anos, os donos da denúncia contra o governo dos Estados Unidos (o processo começou em 2015, quando a presidência estava nas mãos de Barack Obama) pelo fato de estarem, a seu ver, falhando na busca de soluções adequadas para acabar com a poluição por carbono. Chegou a hora de a geração que vai sofrer ainda mais as consequências do abuso de combustíveis fósseis, tomar as rédeas do jogo, e este pode ser o início de uma importante tomada de consciência. É possível mudar as regras, os hábitos, a produção, o consumo. E, como vivemos em regimes democráticos, é possível também que os cidadãos comuns possam se manifestar, como aconteceu no Colorado ontem, quando os eleitores do estado disseram sim a mais perfurações para encontrar petróleo e gás na região, o fracking. Foi uma eleição dura, quase empatou, mas a indústria petroleira investiu pesado no temor do desemprego. É do jogo. Mas, segundo os oponentes, que também criaram propagandas para tentar convencer a população, as notícias sobre desemprego eram falsas. Para eles, os empregos de petróleo e gás representam apenas 1% das vagas ocupadas no Colorado. Como você, caro leitor, há de ter reparado se chegou até aqui, bem que tentei elevar o astral das notícias sobre meio ambiente e bichos, mas não consegui. A verdade é que ainda existem muitos campos nebulosos, os cidadãos têm medo do que pode lhes acontecer num presente imediato (ficar sem emprego, perder investimento das indústrias...) , o que os deixa confusos com relação a eleger medidas que certamente vão diminuir os problemas daqui a alguns anos. E, se não têm o respaldo do estado, fica ainda mais difícil. Falo isto porque enquanto escrevia surgiu a péssima notícia, de que o Congresso Nacional não ratificou o Tratado de Nagoya, o que quer dizer que nosso país perderá o direito de debater sobre questões relacionadas à biodiversidade. Isto vai prejudicar indígenas, quilombolas, populações tradicionais que certamente serão cada vez mais atingidas pelo mundo do “business as usual”. Desculpem, leitores. Mas vou continuar tentando, em busca das boas notícias sobre o meio ambiente. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Moradora encontra ouriço em vaso de plantas no quintal de casa em Assis

    Moradora encontra ouriço em vaso de plantas no quintal de casa em Assis


    Mulher acionou os bombeiros, que fizeram o resgate do animal e o devolveram à natureza. No mesmo dia, uma jaguatirica também foi resgatada na cidade. Ouriço estava nos vasos de planta em Assis Assis City/ Divulgação O Corpo de Bombeiros de Assis...


    Mulher acionou os bombeiros, que fizeram o resgate do animal e o devolveram à natureza. No mesmo dia, uma jaguatirica também foi resgatada na cidade. Ouriço estava nos vasos de planta em Assis Assis City/ Divulgação O Corpo de Bombeiros de Assis (SP) resgatou um ouriço nesta terça-feira (6). O animal foi encontrado por uma moradora no meio dos vasos de plantas que ela tem no quintal de casa, no Jardim Morumbi. De acordo com os bombeiros, o animal foi resgatado e devolvido ao seu habitat natural sem ferimentos. No mesmo dia, uma jaguatirica também foi resgatada Corpo de Bombeiros No mesmo dia, também em Assis, uma jaguatirica foi resgatada pela corporação. Ela estava no Distrito Industrial, perto do local onde é feita a reciclagem de materiais na cidade. Segundo o Corpo de Bombeiros, o animal aparentava ser jovem. Ele foi resgatado e está sob cuidados da Polícia Ambiental. Ainda de acordo com os bombeiros, nesta terça-feira (6), mais quatro gambás foram resgatados na cidade. Veja mais notícias da região no G1 Bauru e Marília
    Peixe gigante e de raro 'sangue quente' aparece em SP e intriga especialistas

    Peixe gigante e de raro 'sangue quente' aparece em SP e intriga especialistas


    Morador de Santos, no litoral de SP, foi até o Mercado de Peixes e flagrou espécie rara. Pescador que levou animal para pesar não quis vendê-lo e sumiu. Um peixe considerado bastante raro intrigou moradores e funcionários do Mercado de Peixes em...


    Morador de Santos, no litoral de SP, foi até o Mercado de Peixes e flagrou espécie rara. Pescador que levou animal para pesar não quis vendê-lo e sumiu. Um peixe considerado bastante raro intrigou moradores e funcionários do Mercado de Peixes em Santos, no litoral de São Paulo, logo após ter sido retirado, acidentalmente, do mar. A princípio, os peixeiros acreditavam se tratar de um ‘peixe-lua’. No entanto, a pedido do G1, um biólogo marinho identificou que o animal é, na verdade, um ‘peixe-opah’, o primeiro peixe de sangue quente conhecido pela ciência. Uma espécie oceânica rara, cujo aparecimento pode estar relacionado às mudanças climáticas. A identificação só foi possível porque um morador da cidade resolveu fazer uma foto do peixe "gigante e diferente". "Ontem fui comprar peixe na banca 9, como de costume, e o pessoal estava pesando esse peixe que tinha acabado de chegar. Lembro que deu 32 kg. Tão pesado que até quebrou um isopor. Achei bonito e diferente, então pedi para uma das vendedoras segurá-lo e fotografei", explica Alfredo de Souza. Segundo o morador, os peixeiros acreditaram que era um 'peixe-lua'. "A vendedora me disse que um pescador levou para pesar e só falou que tinha pescado ele a umas 150 milhas [240 km] da costa. O dono da banca tentou comprar a todo custo. Ofereceu R$ 200, mas o pescador não aceitou e foi embora", acrescenta. Espécie rara A pedido do G1, o biólogo marinho e cinegrafista subaquático Eric Comin conseguiu identificar a espécie. Ele comenta que contou com a ajuda, inclusive de colegas que moram na Austrália porque, apesar de viver nas profundezas de águas oceânicas, o animal não é comum na costa brasileira. "Não é comum nos nossos mares, mas podem aparecer em águas temperadas e tropicais. É um peixe que tem uma distribuição mundial, porém, é mais frequente no Havaí e África Ocidental. O surgimento desse animal pode estar ligado diretamente à mudanças climáticas", explica o biólogo. O peixe-opah costuma chamar atenção pela coloração avermelhada e tamanho. Segundo especialistas, o animal pode atingir um comprimento máximo de 2 metros e um peso máximo de 270 kg. "Esse peixe tem uma característica incrível. Eles estão sendo considerados os primeiros peixes no mundo a terem o sangue quente. Isso os ajuda também a se mover rapidamente para caçar as presas. A diferença para os demais é que os outros variam a temperatura do corpo de acordo com o meio ambiente. É um animal incrível justamente por todas essas curiosidades", finaliza Comin. Mercado de Peixe, em Santos, SP Carlos Nogueira/A Tribuna de Santos
    Por que as lhamas podem guardar o segredo para combater a gripe

    Por que as lhamas podem guardar o segredo para combater a gripe


    Cientistas americanos estudam como usar o potente sistema imunológico dos animais para desenvolver um tratamento mais durável e efetivo contra a gripe. Lhama Pixabay Cientistas americanos recrutaram uma curiosa aliada para desenvolver tratamentos...


    Cientistas americanos estudam como usar o potente sistema imunológico dos animais para desenvolver um tratamento mais durável e efetivo contra a gripe. Lhama Pixabay Cientistas americanos recrutaram uma curiosa aliada para desenvolver tratamentos contra a gripe: a lhama. O sangue desse animal sul-americano foi utilizado para produzir uma nova terapia com anticorpos que têm o potencial de combater todos os tipos de gripe. A gripe é uma das doenças mais hábeis na hora de mudar de forma. Constantemente, modifica sua aparência para despistar nosso sistema imunológico. Isso explica porque as vacinas nem sempre são efetivas e, a cada inverno, é necessário receber uma nova injeção para prevenir a doença. Por isso, a ciência está à procura de uma forma de acabar com todos os tipos de gripe, não importando de qual cepa provenha ou o quanto possa sofrer mutações. E aí que entra a lhama. Estes animais, nativos dos Andes, têm anticorpos incrivelmente pequenos em comparação com os dos humanos. Os anticorpos são as armas do sistema imunológico, e aderem às proteínas que sobressaem na superfície dos vírus. Os anticorpos humanos tendem a atacar as pontas dessas proteínas, mas essa é a parte em que o vírus da gripe muda com mais rapidez. Já os anticorpos da lhama, com seu tamanho diminuto, conseguem atacar as partes do vírus da gripe que não sofrem mutação. Anticorpos sintéticos baseados no que a lhama tem de melhor Uma equipe do Instituto Scripps, nos Estados Unidos, infectou lhamas com múltiplos tipos de gripe, para estimular uma resposta do seu sistema imunológico. Em seguida, analisaram o sangue dos animais, procurando pelos anticorpos mais potentes, que poderiam atacar uma ampla variedade de vírus. Os cientistas, então, identificaram quatro anticorpos das lhamas. Depois, começaram a desenvolver um anticorpo sintético, que une elementos desses quatro tipos. Em uma outra fase do estudo, esse anticorpo sintético foi testado em ratos, que receberam doses letais de gripe. "É muito efetivo. Foram testados 60 tipos de vírus diferentes. Apenas um deles não foi neutralizado (pelo anticorpo sintético) - mas é um vírus que não afeta os humanos", explicou o professor Ian Wilson, um dos responsáveis pelo estudo. "O objetivo é criar uma proteção que não precise ser renovada a cada ano, e que também proteja das possíveis pandemias, caso apareçam", justificou. O trabalho, que foi publicado na revista científica Science, ainda está em estágios muito iniciais. A equipe de cientistas pretende realizar mais experimentos antes de fazer testes com humanos. Vacinas e terapias genéticas com o anticorpo sintético Os pesquisadores utilizaram duas técnicas diferentes na hora de administrar os anticorpos sintéticos para ratos. A primeira delas foi uma injeção - como uma vacina. A segunda foi uma terapia genética. Por esse processo, as instruções genéticas para desenvolver o anticorpo sintético são empacotadas em um vírus inócuo - ou seja, que não causa a doença. Em seguida, esse vírus inócuo foi usado para infectar os narizes dos ratos. Uma vantagem de um tratamento com anticorpos sintéticos, baseados nos anticorpos mais eficientes das lhamas, é que ele pode ser mais efetivo na prevenção da gripe entre pessoas de mais idade - em geral, a população mais idosa tem sistema imunológico mais frágil. "Ter um tratamento que possa funcionar contra uma variedade de cepas diferentes do vírus da gripe é algo muito desejado. É o Santo Graal da gripe", afirma o professor Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham.
    A verdade sobre desmatamento em terras indígenas

    A verdade sobre desmatamento em terras indígenas


    Herdei do meu pai o hábito de tomar café da manhã na rua. Adoro padarias, me encanto com o aconchego que encontro no cheiro do café e do pão fresco. Geralmente levo algo para ler, mas na maioria das vezes alguém puxa conversa e me deixo levar...


    Herdei do meu pai o hábito de tomar café da manhã na rua. Adoro padarias, me encanto com o aconchego que encontro no cheiro do café e do pão fresco. Geralmente levo algo para ler, mas na maioria das vezes alguém puxa conversa e me deixo levar pelo prazer de fazer boas relações e contato logo cedo. Começa-se bem o dia desse jeito. Ultimamente, porém, com essa onda de polarização que tomou conta das conversas, não tem sido muito fácil encontrar bons motivos para se bater-papo. Como não gosto de usar fones de ouvido, busco me entreter com um bom livro ou jornal, para escapar às armadilhas de cair numa discussão inútil. Sou mais de dividir pensamentos sem julgamentos e, de preferência, com bastante conteúdo de informações. Mas, ontem pela manhã, não teve jeito. Meu café foi acompanhado por uma conversa que me desagradou bastante. Um grupo de três amigos, inconformados com a política social dos governos anteriores e esperançosos com a nova administração do presidente eleito, tecia comentários sobre vários setores da política. Não faziam elogios, adianto. Aos professores dedicaram uma saraivada de impropérios, chamando-os de preguiçosos, fazedores de cabeça e muito mais. Comecei a acelerar meu café. Até que as críticas se voltaram ao fato de o presidente eleito ter voltado atrás com relação à junção do ministério do meio ambiente com a agricultura. E a ira do grupo era contra os indígenas. Quando ouvi a frase: “Os índios venderam a Amazônia por meia dúzia de apitos”, levantei-me, paguei a conta e fui embora, vociferando. Quem me acompanha aqui neste espaço sabe o quanto admiro e respeito os povos indígenas. E não é à toa. Caminhei para casa, de volta, com uma péssima sensação. Não havia dados que comprovassem aquilo que diziam. Como no grupo havia uma pessoa estrangeira, certamente ela teria fatos inverídicos para contar quando voltasse à sua terra. A imagem do Brasil vai, assim, se tornando pior. De certa forma, me culpabilizo um pouco por uma situação dessas. Sou profissional da informação, e aquelas pessoas estavam desinformadas, no mínimo. Não posso tentar contestar suas convicções, que denotam uma rejeição à diversidade, o que anda me preocupando aqui no país. Por ora, no entanto, vou me ater àquilo que posso fazer: informar. Assim que cheguei em casa fiz contato com meu amigo Dannyel Sá, do Instituto Socioambiental , a quem sempre recorro quando quero informações recentes sobre os indígenas. O ISA se posiciona há 25 anos como aliado dos povos indígenas, dos quilombolas, das populações tradicionais e, recentemente, foi considerada a melhor ONG do Brasil pelo Instituto Doar e pela Rede de Filantropia. Dannyel ouviu minha história, compartilhou meus lamentos com os rumos da prosa de alguns brasileiros (não são todos) e me deu subsídios que me ajudam a responder, caso o grupo que estava ao meu lado quisesse, de fato, perguntar, sobre quão os indígenas ajudam a preservar, não a destruir, terras brasileiras. Uma nota publicada no site do Ministério da Justiça em 2014 transcreve o Boletim Transparência Florestal da Amazônia Legal, do Instituto Imazon, em que as terras indígenas são apresentadas como aquelas em que há o menor índice de desmatamento na Amazônia Legal. Enquanto, nas áreas privadas, a porcentagem de desmatamento ficava em torno de 59%, nas terras indígenas este percentual estava em 1%. “Além do modo como as comunidades indígenas exploram os recursos naturais e protegem seus territórios, esse resultado está ligado à atuação da Fundação Nacional do Índio, por meio da Coordenação-Geral de Monitoramento Territorial, com ações de vigilância, fiscalização, prevenção de ilícitos e conflitos em terras indígenas, além de gerenciamento de informações de monitoramento territorial e ambiental”, diz o relatório. É, portanto, uma ação que vem sendo acompanhada, inclusive por não-índios que prezam pelo meio ambiente, para ajudar à não destruição. A Funai sempre fiscaliza. O relatório mostra ainda que até mesmo nas Unidades de Conservação este percentual é maior: 27% destes locais foram desmatados. “As TIs mais desmatadas estão localizadas nos estados do Pará (PA), Rondônia (RO), Mato Grosso (MT) e Amazonas (AM). No período avaliado, 75% das terras indígenas mais desmatadas apresentam algum tipo de situação de vulnerabilidade específica, tais como empreendimentos de infraestrutura, situação sub judice e/ou ocupação não-indígena. Em 2013, as ações de monitoramento territorial da Funai foram realizadas nas 20 terras indígenas com maior índice de desmatamento”, diz o relatório. “Além do modo como as comunidades indígenas exploram os recursos naturais e protegem seus territórios, esse resultado está ligado à atuação da Fundação Nacional do Índio, por meio da Coordenação-Geral de Monitoramento Territorial, com ações de vigilância, fiscalização, prevenção de ilícitos e conflitos em terras indígenas, além de gerenciamento de informações de monitoramento territorial e ambiental”, diz o relatório. É, portanto, uma ação que vem sendo acompanhada, inclusive por não-índios que prezam pelo meio ambiente, para ajudar à não destruição. A Funai sempre fiscaliza. O relatório mostra ainda que até mesmo nas Unidades de Conservação este percentual é maior: 27% destes locais foram desmatados. “As TIs mais desmatadas estão localizadas nos estados do Pará (PA), Rondônia (RO), Mato Grosso (MT) e Amazonas (AM). No período avaliado, 75% das terras indígenas mais desmatadas apresentam algum tipo de situação de vulnerabilidade específica, tais como empreendimentos de infraestrutura, situação sub judice e/ou ocupação não-indígena. Em 2013, as ações de monitoramento territorial da Funai foram realizadas nas 20 terras indígenas com maior índice de desmatamento”, diz o relatório. Para um aprofundamento ainda maior, é bom consultar as reservas acadêmicas. No site da SciELO ( Scientific Electronic Library Online), um banco de dados bibliográfico, biblioteca digital e modelo cooperativo de publicação digital de periódicos, há um artigo no Dossiê Amazônia Brasileira, escrito por Leandro Valle Ferreira, Eduardo Venticinque e Samuel Almeida mostra, com dados e estudos, o que realmente vem afetando e muito a Amazônia: o desmatamento, para os articulistas, vem ligado às políticas de desenvolvimento na região, “tais como especulação de terra ao longo das estradas, crescimento das cidades, aumento dramático da pecuária bovina, exploração madeireira e agricultura familiar (mais recentemente a agricultura mecanizada), principalmente ligada ao cultivo da soja e algodão”. A primeira coisa que fazem os desenvolvimentistas – sim, é desta forma que se desenvolve um país – é abrir uma estrada. Para fazer este caminho é preciso arrancar árvores, que são vendidas a madeireiros, que por sua vez vendem para a fabricação de muitos objetos que a civilização considera indispensáveis. Mas o crescimento econômico não chega a quem cedeu as árvores, porque a exportação cresce também. Em outras palavras: a madeira da Amazônia é vendida para outros países. E não é por meia dúzia de apitos. O resultado do estudo, feito em 2005, demonstra a importância das áreas protegidas (Unidades de Conservação e Terras Indígenas) como uma das ferramentas “para conter ou diminuir o processo do desmatamento nos três estados que mais contribuíram com o desmatamento na Amazônia legal e contraria parcialmente a hipótese generalizada de que as áreas protegidas na Amazônia não estão cumprindo sua função principal na conservação e uso racional dos recursos na região, pelo fato de que muitas não estão ainda implementadas e apresentam diferentes graus de vulnerabilidade”. Aqui estão os dados, as informações que podem sustentar uma conversa que não seja, apenas, baseada em pré-conceitos sem base. As regras da democracia nos impõem o respeito a tais opiniões. Mas que elas não assumam ares de verdade. Porque não são. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Filhote de Arara-canindé é resgatado após cair de ninho em Valentim Gentil

    Filhote de Arara-canindé é resgatado após cair de ninho em Valentim Gentil


    Moradores acionaram a Defesa Civil após verem a ave caída em praça da cidade. Arara será levada para centro especializado em Ilha Solteira. Arara-canindé caiu do ninho montado em uma palmeira-imperial em Valentim Gentil Cristian Oliveira/Arquivo...


    Moradores acionaram a Defesa Civil após verem a ave caída em praça da cidade. Arara será levada para centro especializado em Ilha Solteira. Arara-canindé caiu do ninho montado em uma palmeira-imperial em Valentim Gentil Cristian Oliveira/Arquivo pessoal Um filhote de Arara-canindé foi resgatado na manhã deste domingo (4) após cair do ninho em Valentim Gentil (SP), na região central. De acordo com informações da Defesa Civil, a corporação foi chamada por moradores que viram o animal caído fora do ninho, que fica em uma praça da cidade. Após o resgate, a arara foi encaminhada à Polícia Ambiental de Fernandópolis e recebeu os primeiros cuidados. Ainda segundo a Defesa Civil, a ave será levada a um centro especializado em Ilha Solteira. Filhote de Arara-canindé caiu de ninho e foi resgatado em Valentim Gentil Cristian Oliveira/Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no G1 Rio Preto e Araçatuba
    Vício em Netflix é ruim para o meio ambiente?

    Vício em Netflix é ruim para o meio ambiente?


    Assistir a vídeos pela internet em casa é praticamente o mesmo que ter duas ou três lâmpadas incandescentes ligadas, segundo estudo feito por cientistas. Você sabe qual o custo que assistir a séries traz para o meio ambiente? Getty...


    Assistir a vídeos pela internet em casa é praticamente o mesmo que ter duas ou três lâmpadas incandescentes ligadas, segundo estudo feito por cientistas. Você sabe qual o custo que assistir a séries traz para o meio ambiente? Getty Images Assistir ao seu programa favorito ou ouvir sua playlist nunca foi tão fácil. Uma gama virtual praticamente infinita de filmes, músicas e programas de TV pode ser transmitida e baixada quase instantaneamente. Mas a que custo para o meio ambiente? Vastas quantidades de energia são necessárias para manter os dados fluindo na internet e a demanda só aumenta à medida que nossa dependência de serviços digitais cresce. Parte dessa energia é gerada a partir de fontes limpas, mas outra parte dela é obtida da queima de combustíveis fósseis à base de carbono, que a maioria dos cientistas afirma ser um fator que contribui para o aumento das temperaturas globais. O último relatório feito por cientistas do clima demonstra a escala dos perigos enfrentados pelas emissões de carbono. "Como nós potencializamos nossa infraestrutura digital, está rapidamente se tornando crucial saber se conseguiremos conter as mudanças climáticas a tempo", diz Gary Cook, analista do setor de TI do Greenpeace. Vastas quantidades de energia são necessárias para manter os dados fluindo na internet e a demanda só aumenta à medida que nossa dependência de serviços digitais cresce. Getty Images Afinal, reduzir o tempo gasto na internet pode realmente fazer diferença no consumo de energia e no aquecimento global? Estima-se que o setor de Tecnologia da Informação (TI) - da alimentação de servidores da internet a cargas de smartphones - tenha a mesma pegada ecológica que as emissões de combustível da indústria da aviação. Deve consumir até 20% da eletricidade mundial até 2030, segundo Anders Andrae, da Huawei Technologies. Contas de transmissão de vídeo por streaming usam a maior fatia do tráfego de internet do mundo. Assistir a vídeos pela internet em casa é praticamente o mesmo que ter duas ou três lâmpadas incandescentes ligadas, segundo os professores Chris Preist e Dan Schien, do departamento de ciência da computação da Universidade de Bristol. Além da força usada por esses dispositivos, a energia é consumida pelas redes que distribuem o conteúdo. Mais demanda por tecnologia também significa que mais energia será necessária para armazenar e compartilhar grandes quantidades de informações. É aí que entram os datacenters - geralmente instalados em prédios imensos que abrigam servidores que armazenam, processam e distribuem o tráfego da Internet. Os servidores em si exigem uma grande quantidade de refrigeração. A maior parte do tráfego mundial de internet passa por esses data centers, que hospedam plataformas de streaming como Facebook, YouTube e Netflix. Por exemplo, a primeira tem mais de 2 bilhões de usuários, e a última, cerca de 140 milhões de assinantes. Estima-se que esses datacenters consumam atualmente pelo menos 1% da eletricidade mundial, um número que deve aumentar no futuro. Eles também respondem por cerca de 0,3% das emissões globais de CO2. Andrae, da Huawei, afirma que os data centers que estão sendo construídos em todo o mundo devem ser alimentados por energia renovável para minimizar essas emissões. O projeto Eureca, financiado pela Comissão Europeia, descobriu que os data centers nos países da UE consumiam 25% mais energia em 2017 em comparação com 2014. O cientista chefe, Rabih Bashroush, calculou que 5 bilhões de downloads e transmissões sincronizadas pela música Despacito, lançada em 2017, consumiram tanta eletricidade quanto Chade, Guiné-Bissau, Somália, Serra Leoa e República Centro-Africana juntos em um único ano. Mas o que você pode fazer? Toda vez que você se senta para assistir ou ouvir algo online, a quantidade de energia consumida pode mudar. Depende de uma série de fatores, incluindo a eficiência do dispositivo. A transmissão terrestre de TV é muito mais eficiente do que as tecnologias atuais de streaming para canais de TV, que são assistidos por um grande número de pessoas, dizem os professores Preist e Schien. Os telefones celulares tendem a ser os mais eficientes em termos de energia - mais do que uma TV ou um notebook. Mas também depende de como você usa o streaming. Um celular usando wi-fi consome menos energia do que um conectado a 3G ou 4G. Mesmo se você não estiver usando o seu dispositivo, por ter o wi-fi em casa, você ainda está consumindo energia, diz Preist. "Então, em casa, muito do consumo de energia vem de todos nós, mantendo nossos equipamentos conectados 24 horas por dia." Alguns data centers podem ser mais eficientes que outros. Mantê-los em locais mais frios, no subsolo, por exemplo, pode reduzir as grandes quantidades de energia necessárias para o resfriamento. O último relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) sugeriu que, apesar do aumento da carga de trabalho dos data centers, que triplicarão até 2020, a quantidade de eletricidade usada aumentará apenas 3%. Isso se resume a melhorias contínuas na eficiência dos servidores e na infraestrutura do data center, e a uma mudança para centros maiores, porém mais eficientes. Algumas das grandes empresas de tecnologia têm sido elogiadas por serem mais abertas sobre o quão eficientes elas são. O Facebook espera que seu novo data center em Cingapura seja alimentado por 100% de energia renovável, algo que a Apple diz que já acontece com todas as suas instalações globais. Muitas outras empresas se comprometeram a atingir esse objetivo. As empresas também compensam a quantidade de energia não renovável que consomem, apoiando projetos de energia renovável. O escrutínio de empresas menos conhecidas e menores e seu consumo de energia devem ser uma prioridade, diz Bashroush. "É preciso dar mais atenção às instalações de data center menores que estão fora do radar, e é aí que está a próxima grande oportunidade de economizar energia, é onde os grandes players não são tão ruins em comparação", diz ele.
    Tigresa 'assassina' é morta na Índia

    Tigresa 'assassina' é morta na Índia


    A tigresa foi considerada responsável pela morte de 13 pessoas desde junho de 2016. Animal, chamado T1 por caçadores e Avni por defensores da fauna, foi morto a tiros na floresta do estado de Maharashtra MAHARASHTRA FOREST DEPARTMENT/AFP Uma...


    A tigresa foi considerada responsável pela morte de 13 pessoas desde junho de 2016. Animal, chamado T1 por caçadores e Avni por defensores da fauna, foi morto a tiros na floresta do estado de Maharashtra MAHARASHTRA FOREST DEPARTMENT/AFP Uma tigresa, que já matou mais de uma dezenas de pessoas nos últimos dois anos, foi abatida com um disparo na Índia, para o alívio dos moradores, mas provocou uma controvérsia sobre as condições de sua morte. Uma das mais impressionantes "caça ao tigre" em décadas terminou na sexta-feira (2) à noite quando o animal, chamado T1 por caçadores e Avni por defensores da fauna, foi morto a tiros na floresta do estado de Maharashtra (centro-oeste). Mais de 150 pessoas foram mobilizadas durante meses para encontrá-la e foram disponibilizados recursos consideráveis para este fim. Mas a polêmica se espalhou rapidamente. A mídia indicou que nenhum calmante foi usado para tentar anestesiar Avni-T1, mãe de dois filhotes de 10 meses. A tigresa foi considerada responsável pela morte de 13 pessoas desde junho de 2016. Sua primeira vítima foi uma mulher cujo corpo foi encontrado em uma plantação de algodão. Desde então, a maioria era pastores homens. A Suprema Corte autorizou a operação, embora o tigre seja uma espécie em perigo de extinção no país. Mas a instância especificou que o animal poderia ser morto se os calmantes não tivessem efeito. As autoridades lançaram um programa para preservar a população de tigres na Índia. Seu número chega a mais de 2.200 exemplares, segundo um último censo de 2014, tendo registrado um mínimo de 1.500.
    Suprema Corte dos EUA rejeita pedido de Trump para suspender julgamento sobre mudança climática

    Suprema Corte dos EUA rejeita pedido de Trump para suspender julgamento sobre mudança climática


    Processo foi iniciado em 2015 por 21 jovens ativistas que dizem que autoridades federais violaram seus direitos ao devido processo legal sob a Constituição, ao falharem na solução adequada para poluição por carbono. Governo ainda pode apelar....


    Processo foi iniciado em 2015 por 21 jovens ativistas que dizem que autoridades federais violaram seus direitos ao devido processo legal sob a Constituição, ao falharem na solução adequada para poluição por carbono. Governo ainda pode apelar. Suprema Corte dos Estados Unidos, em Washington, em foto de 4 de outubro de 2018 Manuel Balce Ceneta/ AP A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta sexta-feira (2) um pedido do presidente Donald Trump para suspender por agora o julgamento de um processo iniciado por jovens ativistas que acusam o governo dos Estados Unidos de ignorar os perigos da mudança climática. A derrota significa que o governo vai agora enfrentar um exame de alto nível da política de mudança climática dos EUA durante o julgamento, que estava previsto para começar no dia 29 de outubro, em Eugene, Oregon, mas desde então vem sendo adiado pelo juiz. O presidente da Suprema Corte, John Roberts, suspendeu o caso temporariamente no dia 19 de outubro enquanto o tribunal como um todo decidia como proceder. A decisão de três páginas da Suprema Corte pontuou que a administração ainda consegue levar seus argumentos para o 9º Circuito das Cortes de Apelação, baseado em San Francisco. Os juízes conservadores Clarence Thomas e Neil Gorsuch indicaram que eles aceitariam o pedido do governo. No processo, 21 ativistas, de 11 a 22 anos, dizem que autoridades federais violaram seus direitos ao devido processo legal sob a Constituição dos Estados Unidos ao falharem na solução adequada para poluição por carbono, como emissões pela queima de combustíveis fósseis. O processo foi iniciado em 2015, contra o ex-presidente Barack Obama e agências governamentais em uma corte federal em Eugene, Oregon. Tanto Obama quanto Trump falharam em seus esforços de arquivar o processo.
    Portugal proíbe a utilização de mais de mil animais selvagens em circos

    Portugal proíbe a utilização de mais de mil animais selvagens em circos


    Lei foi aprovada pelo parlamento na terça-feira (30) e festejada por diversos grupos de defesa dos direitos dos animais em todo o país. Nova proibição abrangerá mais de 1.100 animais pertencentes a cerca de 40 espécies. Tigres em espetáculo...


    Lei foi aprovada pelo parlamento na terça-feira (30) e festejada por diversos grupos de defesa dos direitos dos animais em todo o país. Nova proibição abrangerá mais de 1.100 animais pertencentes a cerca de 40 espécies. Tigres em espetáculo circense Sebastiaan ter Burg/Creative Commons Portugal decidiu proibir completamente a utilização de animais selvagens em apresentações circenses até 2024, de acordo com uma lei aprovada pelo parlamento na terça-feira (30) e festejada nesta quarta-feira (31) por diversos grupos de defesa dos direitos dos animais em todo o país. O governo português começa a partir de agora a organizar a transferência dos animais para refúgios. "Esta lei era muito esperada. O lugar de animais selvagens não é em circos. As pessoas precisam se divertir sem sofrimento para os animais", disse Bianca Santos, vice-presidente da associação portuguesa AZP, que defende o bem-estar dos animais. Leões, tigres, elefantes, camelos ou zebras: a nova proibição abrangerá mais de 1.100 animais pertencentes a cerca de 40 espécies. Com esta lei, aprovada com votos de parlamentares da esquerda e da direita, Portugal junta-se a 40 países em todo o mundo, onde está representada metade da Europa, que já restringem a utilização de animais em circos. Dignidade dos animais "O Parlamento finalmente entendeu que gaiolas maiores, regras mais rigorosas e mais controles não eram uma solução para estes animais, reduzidos a meros fantoches, a quem foi retirada sua dignidade", declarou o deputado André Silva, do partido português Pessoa-Animal-Natureza (PAN), que apresentou pela primeira vez um projeto de lei sobre o assunto, há quase um ano. A nova legislação prevê um período de transição de seis anos. Até 2024, os proprietários de circos deverão registrar os animais em uma plataforma que será criada em breve, ao mesmo tempo que o governo deverá organizar a transferência destes animais para abrigos, em Portugal ou no exterior. Profissionais do circo que concordarem em liberar seus animais antes do final deste período de transição também poderão se beneficiar de uma assistência governamental para sua reciclagem no mercado de trabalho. Uma associação que representa os cerca de vinte circos portugueses se opôs a essa lei, declarando em um comunicado oficial que a legislação "contribui para o fim" deste setor de entretenimento.
    Oceanos estão absorvendo mais calor do que se pensava, diz estudo

    Oceanos estão absorvendo mais calor do que se pensava, diz estudo


    Pesquisa indica que, nos últimos 25 anos, absorção de calor foi 60% maior do que se estimava. Aquecimento dos oceanos é maior do que se pensava Cientistas dizem que a Terra é mais sensível às emissões de combustíveis fósseis do que se...


    Pesquisa indica que, nos últimos 25 anos, absorção de calor foi 60% maior do que se estimava. Aquecimento dos oceanos é maior do que se pensava Cientistas dizem que a Terra é mais sensível às emissões de combustíveis fósseis do que se pensava e isso pode atrapalhar esforços para manter a temperatura do planeta em um nível seguro, conforme mostrou o Bom Dia Brasil. Estudo anterior da ONU mostrava que oceanos absorviam mais de 90% do calor retido na Terra provocado pelos gases que agravam efeito estufa. A nova pesquisa revela que, nos últimos 25 anos, essa absorção foi 60% maior do que a estimativa da ONU. Cientistas acham que vai ser mais dificil alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5ºC neste século em relação ao período industrial. Branqueamento de corais ocorre por aumento de temperatura do oceano e é intensificado pelo aquecimento global ARC Centre of Excellence for Coral Reef Studies Se o oceano tivesse cerca de 10 metros de profundidade, ele teria aquecido 6,5 ºC a cada década desde 1991, segundo Laure Resplandy, uma das pesquisadoras. Em comparação, a estimativa do último relatório de avaliação do IPCC [Painel Intergovernamental de Mudançlas Climáticas, da ONU] indicava um aquecimento de 4 ºC por década. O estudo foi publicado na revista Nature e é liderado por pesquisadores da Universidade de Princeton e da Scripps Institution of Oceanography, na Califórnia, Estados Unidos. As descobertas dos pesquisadores sugerem que, se a sociedade quiser evitar que as temperaturas subam acima dessa marca, as emissões de dióxido de carbono, o principal gás do efeito estufa produzido pelas atividades humanas, devem ser reduzidas em 25% em relação ao que foi estimado anteriormente, disse Resplandy. Imagem de satélite mostra o furacão Florence sobre o Oceano Atlântico HO / NASA/NOAA / AFP
    Falta de saneamento prejudica 27 milhões de mulheres no Brasil, diz estudo

    Falta de saneamento prejudica 27 milhões de mulheres no Brasil, diz estudo


    Críticos à mudança no marco legal do saneamento básico que foi aprovada às pressas por uma comissão mista no Congresso Nacional e segue agora para o plenário da Câmara afirmam que a medida provisória abre caminho para a privatização...


    Críticos à mudança no marco legal do saneamento básico que foi aprovada às pressas por uma comissão mista no Congresso Nacional e segue agora para o plenário da Câmara afirmam que a medida provisória abre caminho para a privatização irrestrita do serviço de saneamento básico, como revela a reportagem aqui no G1. Dizem ainda que a proposta pode elevar os preços das tarifas e aumentar a desigualdade no serviço de saneamento entre as cidades mais ricas e as mais pobres. O alerta foi dado e a nós, cidadãos comuns, só nos resta esperar e acompanhar, já que os deputados e os senadores é quem decidirão. Assim é a democracia. Mas fiquei mesmo encafifada foi com a declaração do ainda presidente Temer sobre o propósito principal da MP: “Garantir maior segurança jurídica aos investimentos no setor de saneamento básico e aperfeiçoar a legislação de gestão dos recursos hídricos". Ora, pensei com os meus botões: não teria que ser uma preocupação com a falta de saneamento básico, que afeta mais de cem milhões de brasileiros? A declaração de Temer mostra, claramente, a prioridade ao lucro, às instituições, e um mega distanciamento das pessoas. Isto é de amargar. Aproveito a notícia para atualizar os leitores com relação à questão do saneamento básico no país. Existe uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) chamada Instituto Trata Brasil, formada por empresas com interesse nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país, que basicamente funciona coletando dados e informando os cidadãos sobre os progressos e os retrocessos na área de saneamento básico. O Trata Brasil existe desde 2007 e eu, na época editora do caderno Razão Social, do jornal “O Globo”, que atualizava temas ligados à sustentabilidade, noticiei quando Édson Carlos, presidente executivo, lançou o Instituto. Seria bom que os gestores públicos se dessem ao trabalho, vez por outra, de acessar o site para rever alguns números sobre saneamento. Fiz isto nesta manhã e descobri ali um interessante estudo sobre o impacto da (falta de) saneamento na mulher brasileira. O relatório aponta que 27 milhões de mulheres, o que quer dizer uma em cada quatro no país, não têm acesso adequado à infraestrutura sanitária e ao saneamento. E a investigação principal é sobre como isto afeta a saúde dessas pessoas. “O acesso ao abastecimento de água e esgotamento sanitário tiraria imediatamente 635 mil de mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens. Além disso, o acesso ao saneamento traria ainda um acréscimo médio de R$ 321,03 ao ano na renda para cada uma dessas brasileiras, o que representaria um ganho total à economia do país de mais de R$ 12 bilhões ao ano”, diz o estudo. Pronto. Eis um meio de unir lucro às pessoas, que com certeza não tem a ver com acumulação do capital, mas fica bem próximo aos que se quer chamar de desenvolvimento sustentável. O economista Fernando Garcia de Freitas, responsável pelo estudo, lembra que quando há falta de água em casa, ou quando alguém da família adoece em decorrência da falta de saneamento, em geral a rotina das mulheres é mais afetada — o impacto desses problemas no tempo produtivo delas é 10% maior do que no dos homens. Além disso, a pesquisa descobriu que na idade escolar, as meninas sem acesso a banheiro têm desempenho estudantil pior, com 46 pontos a menos em média no Enem quando comparadas à média dos estudantes brasileiros. Outro dado que causa impacto aponta que 1,5 milhão de mulheres não têm banheiro em casa e que essas brasileiras têm renda 73,5% menor em comparação às trabalhadoras com banheiro em casa. “Os números também mostram que a falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário é uma das principais causas de incidência de doenças diarreicas, que levam as mulheres a se afastarem 3,5 dias por ano, em média, de suas atividades rotineiras. O afastamento por esses problemas de saúde afeta principalmente o tempo destinado a descanso, lazer e atividades pessoais. Meninas de até 14 anos são as maiores vítimas desse quadro, com índice de afastamento por diarreia 76% maior que a média em outras idades (132,5 casos de afastamento por mil mulheres contra 76). Já no caso da mortalidade, o déficit de saneamento é mais perigoso para a mulher idosa. Entre elas, 73,7% das mortes estão relacionadas à falta de acesso ao saneamento”. São subsídios importantes que deveriam estar na mesa de debates sobre a criação ou não do novo marco regulatório. E, só para não deixar cair o assunto, já que o presidente eleito está quase decidido a tirar do meio ambiente seu lugar de importância nas decisões (é disso que se trata, no fim e ao cabo, a união dos dois ministérios), é bom lembrar que o tema do saneamento básico faz parte do debate. Encerro aqui, com o conceito clássico sobre meio ambiente definido na primeira Conferência das Nações Unidas sobre o tema, realizada em Estocolmo em 1972: “O meio ambiente é o conjunto de componentes físicos, químicos, biológicos e sociais capazes de causar efeitos diretos ou indiretos, em um prazo curto ou longo, sobre os seres vivos e as atividades humanas.” Já a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) brasileira, estabelecida em 1981, diz que meio ambiente é “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Portanto, é e será sempre sobre vidas humanas que estamos falando. Que os nossos gestores, legisladores, executivos, não se esqueçam disso. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Comissão do Congresso aprova MP que altera marco legal do saneamento básico

    Comissão do Congresso aprova MP que altera marco legal do saneamento básico


    Proposta atribui à Agência Nacional de Águas competência para editar normas sobre serviços de saneamento. Texto segue para análise do plenário da Câmara. Parlamentares discutem MP que muda margo legal do saneamento básico Roque de...


    Proposta atribui à Agência Nacional de Águas competência para editar normas sobre serviços de saneamento. Texto segue para análise do plenário da Câmara. Parlamentares discutem MP que muda margo legal do saneamento básico Roque de Sá/Agência Senado Uma comissão mista do Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (31) a medida provisória (MP) que muda o margo legal do saneamento básico. O texto foi editado pelo presidente Michel Temer e, segundo o governo federal, visa "garantir maior segurança jurídica aos investimentos no setor de saneamento básico e aperfeiçoar a legislação de gestão dos recursos hídricos". Por se tratar de uma MP, o texto já está em vigor desde a publicação no "Diário Oficial da União", em julho. Para se tornar uma lei em definitivo, contudo, a MP precisa ser aprovada pelo Congresso até 19 de novembro. Caso contrário, perderá a validade. Com a aprovação na comissão mista, a proposta segue para análise do plenário da Câmara. Se for aprovada pelos deputados, ainda terá de ser votada pelo Senado. Entenda a proposta O projeto aprovado nesta quarta-feira atribui à Agência Nacional de Águas (ANA) a competência de elaborar normas de referência nacionais para os serviços públicos de saneamento básico. Defensores da MP dizem que atribuir essa função à ANA permitirá "harmonizar" as várias regras regulatórias instituídas por estados e municípios. "A falta de harmonização nas normas de regulação dificulta o desenvolvimento do setor de saneamento básico e a universalização dos serviços", afirma o senador Valdir Raupp, relator da proposta. O texto também visa facilitar a participação da iniciativa privada na prestação de serviços de saneamento. Isso porque o projeto prevê a necessidade de abertura de licitação para obras de água e esgoto. Antes da edição da MP, as prefeituras podiam, sem licitação, optar por fazer o trabalho com uma empresa pública. O texto também elimina o chamado "subsídio cruzado", mecanismo pelo qual se permite investimentos em regiões com menos recursos a partir de lucros obtidos em localidades rentáveis. "A justificativa para tanto reside na percepção de que o modelo em vigor desde a década de 1990 – fundamentalmente a prestação regionalizada por empresas públicas estaduais de saneamento, viabilizada na prática pelo subsídio cruzado – não foi capaz de concretizar soluções eficientes para o déficit verificado nos serviços de saneamento, especialmente na coleta e tratamento de esgotos”, diz o relator. Críticas Deputados contrários ao projeto afirmaram que a medida provisória abre caminho para a privatização irrestrita do serviço de saneamento básico. Também disseram que a proposta pode elevar os preços das tarifas e aumentar a desigualdade no serviço de saneamento entre as cidades mais ricas e as mais pobres. Rapidez Parlamentares contrários ao texto também criticaram o ritmo imprimido aos trabalhos da comissão mista. O grupo foi criado nesta terça-feira (30), quando o relator apresentou parecer favorável à MP. Nesta quarta, pela manhã, foi realizada uma audiência pública para debater a proposta. À noite, a reunião da comissão foi retomada e o relatório, aprovado. O deputado Tadeu Alencar (PSB-PE) questionou a velocidade dos trabalhos. "Deveria ser um debate amplíssimo. O protesto que o PSB faz sobre essa discussão é exatamente essa velocidade que não tem, a meu juízo, razões de ordem público", afirmou.

    Ministério do Meio Ambiente diz que vê com 'surpresa e preocupação' fusão com Agricultura


    Segundo nota divulgada pelo ministério, fusão das pastas teria 'dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas'. O Ministério do Meio Ambiente afirmou nesta quarta-feira (31), por meio de nota, que recebeu com "surpresa...

    Segundo nota divulgada pelo ministério, fusão das pastas teria 'dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas'. O Ministério do Meio Ambiente afirmou nesta quarta-feira (31), por meio de nota, que recebeu com "surpresa e preocupação" o anúncio da fusão com o Ministério da Agricultura pelo governo de Jair Bolsonaro. O futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), informou nesta terça-feira (30) que o presidente eleito Jair Bolsonaro decidiu manter a fusão dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente. Segundo a nota assinada pelo ministro Edson Duarte, os dois ministérios são de "imensa relevância nacional e internacional e têm agendas próprias", e a fusão poderia resultar "em danos para as duas agendas". "O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do MAPA teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas. A economia nacional sofreria, especialmente o agronegócio, diante de uma possível retaliação comercial por parte dos países importadores", afirma a nota. Ainda de acordo com o MMA, a fusão dos ministérios traria "risco de perdas no que tange a interlocução internacional" e "ameaçaria o protagonismo" da representação brasileira nos fóruns decisórios globais. Nota Leia íntegra da nota do Ministério do Meio Ambiente sobre fusão com o Ministério da Agricultura: O Ministério do Meio Ambiente preparou um detalhado e volumoso trabalho para dar plena ciência de tudo o que tem sido feito na pasta e daquilo que é de nossa responsabilidade à equipe de transição, com a qual pretendemos estabelecer um diálogo transparente e qualificado. Por isso, recebemos com surpresa e preocupação o anúncio da fusão com o Ministério da Agricultura. Os dois órgãos são de imensa relevância nacional e internacional e têm agendas próprias, que se sobrepõem apenas em uma pequena fração de suas competências. Exemplo claro disso é o fato de que dos 2.782 processos de licenciamento tramitando atualmente no Ibama, apenas 29 têm relação com a agricultura. O Brasil é o país mais megadiverso do mundo, tem a maior floresta tropical e 12% da água doce do planeta, e tem toda a condição de estar à frente da guinada global, mais sólida a cada dia, rumo a uma economia sustentável. Protegemos nossas riquezas naturais, como os biomas, a água e a biodiversidade, contra a exploração criminosa e predatória, de forma a que possam continuar cumprindo seu papel essencial para o desenvolvimento socioeconômico. Nossa carteira de ações abrange temas tão diferentes como combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, energias renováveis, substâncias perigosas, licenciamento de setores que não têm implicação com a atividade agropecuária, como o petrolífero, homologação de modelos de veículos automotores e poluição do ar. O Ministério do Meio Ambiente tem, portanto, interface com todas as demais agendas públicas, mas suas ações extrapolam cada uma delas, necessitando, por isso, de estrutura própria e fortalecida. O novo ministério que surgiria com a fusão do MMA e do MAPA teria dificuldades operacionais que poderiam resultar em danos para as duas agendas. A economia nacional sofreria, especialmente o agronegócio, diante de uma possível retaliação comercial por parte dos países importadores. Além disso, corre-se o risco de perdas no que tange a interlocução internacional, que muitas vezes demanda participação no nível ministerial. A sobrecarga do ministro com tantas e tão variadas agendas ameaçaria o protagonismo da representação brasileira nos fóruns decisórios globais. Temos uma grande responsabilidade com o futuro da humanidade. Fragilizar a autoridade representada pelo Ministério do Meio Ambiente, no momento em que a preocupação com a crise climática se intensifica, seria temerário. O mundo, mais do que nunca, espera que o Brasil mantenha sua liderança ambiental. Edson Duarte Ministro do Meio Ambiente
    Cientistas desvendam mistério dos chifres dos cervos, que caem no inverno e 'brotam' na primavera

    Cientistas desvendam mistério dos chifres dos cervos, que caem no inverno e 'brotam' na primavera


    Descoberta pode levar a avanços nos tratamentos de doenças ósseas como a osteoporose e fraturas em seres humanos. Descoberta pode levar a avanços nos tratamentos de doenças ósseas como a osteoporose e de fraturas em seres humanos Mariana...


    Descoberta pode levar a avanços nos tratamentos de doenças ósseas como a osteoporose e fraturas em seres humanos. Descoberta pode levar a avanços nos tratamentos de doenças ósseas como a osteoporose e de fraturas em seres humanos Mariana Veiga/BBC Os chifres dos cervídeos têm um interessante ciclo na natureza. Eles caem no inverno - e "brotam" novamente na primavera. Na realidade, não são exatamente chifres, mas sim ossos externos. E esse crescimento tão rápido há muito intriga a comunidade científica. Cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, solucionaram este mistério: eles identificaram que o crescimento abrupto desses ossos externos temporários está ligado à ação de dois genes. E, agora, planejam utilizar tais conhecimento para melhorar tratamentos em humanos com doenças ósseas ou mesmo na recuperação de fraturas. A pesquisa ainda está em estágios iniciais. Mas há um amplo leque de aplicações possíveis. "Atualmente, vislumbramos duas formas de implementação potencial para a medicina humana", adianta à BBC News Brasil Yunzhi Peter Yang, pesquisador do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Escola de Medicina de Stanford e um dos autores da pesquisa, que será publicada nesta quarta em The Journal of Stem Cell Research and Therapy. "Primeiro, poderíamos projetar células com esses genes específicos e depois colocá-las no local desejado. Outra ideia seria desenvolver terapias biológicas, com proteínas ou medicamentos, resultantes de nossa descoberta. Mais a longo prazo, terapias genéticas também podem ser possíveis." Peter Yang, um dos autores do estudo, exibe amostras de chifres de cervos Paul Sakuma/Stanford School of Medicine/BBC Yang afirma que o desafio é entender a regulação genética do crescimento do chifre para, então, adaptar tais informações a fim de criar agentes terapêuticos. Assim, novos tratamentos para doenças como osteoporose e reparação de fraturas ósseas seriam criados. Essas novas terapias também poderiam servir como prevenção a doenças crônicas dos ossos. Genes específicos "Conhecer a genética por trás da regeneração desses chifres de cervídeos, com rápido crescimento ósseo e mineralização, é fundamental para o nosso objetivo terapêutico final", afirma Yang. "É fundamental para entender também como funciona a regeneração óssea em outras espécies, como os humanos." Os genes identificados são o uhrf1 - que possibilita a rápida proliferação de células ósseas - e o s100a10 - que propicia a mineralização rápida, ou seja, o endurecimento do tecido ósseo. Juntos, esses dois genes trabalham em uma linha de produção extremamente coesa e eficaz: o primeiro gera as células ósseas, o segundo cimenta a matriz estrutura do osso. Yang e sua equipe já sabem que esses dois genes também estão presentes no processo de desenvolvimento ósseo dos seres humanos. Cervo macho: crescimento abrupto dos chifres - ou melhor, de ossos externos temporários - está ligado à ação de dois genes Queen Mary University of London/BBC Pesquisador da área ortopedia, Yang teve o insight de estudar como ocorrem esses processos em cervídeos quando, durante suas férias em 2009, conheceu um guia turístico no Alasca e ficou impressionado com as curiosidades ditas por ele a respeito de um veado selvagem que habita aquela região. "Chifres de cervídeos podem crescer impressionantes 2 centímetros por dia no verão", pontua o pesquisador. "Isso me fez levantar a hipótese: existem genes especiais que estão por trás desse crescimento ósseo excepcionalmente rápido?" Na volta das férias, Yang decidiu levar a questão para seu laboratório. Foi, com sua equipe, para um fazenda de veados na Califórnia e, ali, coletou amostras do tecido desses ossos externos. Trata-se de uma estrutura composta basicamente de células-tronco. Eles crescem de cima para baixo, ou seja, enquanto se desenvolvem, um reservatório de células-tronco permanece no topo dos chifres. "A regeneração dos chifres desses animais é um fenômeno único. Para mim, valeria a pena estudar esse fenômeno apenas por curiosidade", diz Yang. "Mas eis que esse estudo pode ter algumas aplicações muito interessantes para a saúde humana." Ao longo do desenvolvimento, o tecido é macio - com consistência semelhante a dos narizes de seres humanos. Assim, recolher as amostras foi uma tarefa fácil. E inofensiva para os animais. Os chifres se tornam rígidos apenas no estágio seguinte ao desenvolvimento, por conta da mineralização. No laboratório De posse das amostras coletadas, os cientistas passaram a analisar o material. Examinaram particularmente o RNA, a molécula que ajuda a executar as instruções genéticas específicas. E fizeram uma comparação dos resultados com as obtidas em células-tronco de humanos, retiradas de medula óssea. Só então identificaram os genes específicos. E os aplicaram em camundongos, observando como diferentes níveis de expressão desses genes afetavam o crescimento de tecido. Cervídeo em safari no Parque Nacional Etosha, na Namíbia Mariana Veiga/BBC No experimento, Yang constatou que, quando o gene uhrf1 era desativado, o tecido ósseo ainda crescia, mas bem mais devagar. Por outro lado, se o gene era totalmente funcional, a proliferação nos bichos era tão rápida quanto nos chifres de veado. Fenômeno semelhante foi observado quando o gene s100a10 foi expresso: os depósitos de cálcio aumentaram e as células manipuladas se mineralizaram mais rapidamente. Seres humanos Uma das possíveis abordagens terapêuticas do estudo, no futuro, seria para tratar de casos de osteoporose em seres humanos, doença que deixa os ossos "fracos". O que acontece é que em ossos saudáveis, dois tipos de células funcionam como forças opostos. São os osteoblastos e os osteoclastos. O primeiro grupo produz tecido ósseo novo. O segundo, destrói o tecido antigo. Em um organismo saudável, esse mecanismo funciona em sintonia - ou seja, um lado vai destruindo ao mesmo tempo que o outro vai construindo. A osteoporose é uma doença causada por um desequilíbrio no processo. No caso, os osteoclastos agem de forma mais intensa do que os osteoblastos. Como resultado, os ossos começam a se romper "Ainda estamos no início da pesquisa, mas o objetivo final é descobrir como podemos aplicar a mesma biologia que permite a regeneração óssea em chifres de cervídeos para a judar a tratar doenças ósseas humanas, como a osteoporose", acredita Yang. Os cientistas planejam continuar estudando ossos externos de diversas espécies de cervos, para confirmar se em todas elas o mecanismo gênico é o mesmo. "Há muito trabalho a ser feito, mas nosso estudo já começou a lançar as bases para futuros tratamentos", diz.
    Na contramão dos alertas ambientais, China reautoriza comércio de chifre de rinoceronte e ossos de tigre

    Na contramão dos alertas ambientais, China reautoriza comércio de chifre de rinoceronte e ossos de tigre


    Após 25 anos de proibição, a China acaba de reautorizar parcialmente o comércio de chifre de rinocerontes e de ossos de tigres do país. A decisão foi submetida a diversas condições, mas existe o risco de reviver o tráfico dessas duas...


    Após 25 anos de proibição, a China acaba de reautorizar parcialmente o comércio de chifre de rinocerontes e de ossos de tigres do país. A decisão foi submetida a diversas condições, mas existe o risco de reviver o tráfico dessas duas espécies já ameaçadas, de acordo com as associações de defesa da causa animal. Caça de rinocerontes pode voltar a ser liberada após 25 anos AFP Será que as crianças do futuro conhecerão os macacos, as girafas e os elefantes apenas através da leitura do Livro da Selva, de Rudyard Kipling? De acordo com o relatório da WWF publicado nesta terça-feira (30), o planeta perdeu 60% dos animais selvagens desde os anos 1970 – dados a serem levados em conta com a nova autorização chinesa relativa aos rinocerontes e tigres. De acordo com a circular do Conselho de Estado chinês, assinado pelo Primeiro ministro Li Kegiang, o comércio e o uso do chifre de rinoceronte e de ossos de tigre serão, a partir de agora, submetidos a um pedido de autorização ligado às pesquisas científicas, como os estudos genéticos. O texto prevê que os chifres devem vir de rinocerontes criados em cativeiros e os ossos de tigres que morreram por causas naturais. A venda do material permanece, portanto, proibida a menos que tenha fins de pesquisa. É a vitória do lobby médico contra as associações de proteção ambiental. "É uma boa notícia para a medicina tradicional, porque os ossos do tigre são benéficos para os pacientes. Primeiro, substituímos os ossos de tigre pelos de leopardos, até que esses últimos foram proibidos. Em seguida, passamos a usar os dos gatos, mas eles não têm o mesmo efeito", explica Shi Xinde, médico da clínica Ren Yi Dang, do centro de Pequim. Silêncio da parte das associações Além do uso médico, algumas exceções podem ser feitas: caso os produtos sejam classificados na categoria "antiguidade", para fins pedagógicos ou em "trocas culturais" aprovadas pelas autoridades chinesas. Os supostos efeitos afrodisíacos encontrados nos materiais já provocaram a morte de milhares de rinocerontes brancos e negros da África e de rinocerontes indianos e tigres de bengala na Ásia. A nova regulamentação acaba parcialmente com a proibição promulgada em 1993, durante a adesão da China à CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção. Uma decisão imediatamente condenada pela ONG WWF. O Fundo Mundial para a Natureza estima que "o retorno de um mercado legal desses produtos terá consequências devastadoras no nível mundial". Todas as associações de proteção animal contactadas pela RFI recusaram comentar o assunto – um incômodo silêncio da parte da WildAid ou da WWF de Pequim. Uma prova de uma certa censura e da pressão que essas ONGs sofrem na China. No fim da tarde desta terça-feira, a administração das florestas convocou as organizações de proteção de espécies ameaçadas para “explicar” a nova lei.
    A cidade onde passageiros trocam lixo plástico pela passagem de ônibus

    A cidade onde passageiros trocam lixo plástico pela passagem de ônibus


    Em Surabaya, na Indonésia, moradores podem trocar resíduos para reciclagem por passagens de ônibus Passageiro troca resíduos por passagem de ônibus em Surabaya, na Indonésia Reprodução/BBC A Indonésia é o segundo país que mais contamina os...


    Em Surabaya, na Indonésia, moradores podem trocar resíduos para reciclagem por passagens de ônibus Passageiro troca resíduos por passagem de ônibus em Surabaya, na Indonésia Reprodução/BBC A Indonésia é o segundo país que mais contamina os oceanos com plástico - perde apenas para a China. Surabaya, a segunda maior cidade do país, lançou uma campanha para diminuir a poluição e se tornar um local sem plástico até 2020. Uma das iniciativas do governo municipal permite que moradores troquem embalagens usadas por passagens de ônibus. Assista ao vídeo. Dez copos plásticos ou 5 garrafas valem um bilhete de 2 horas. Um ônibus pode coletar até 250 Kg de garrafas por dia, ou 7,5 toneladas ao mês.
    Bancada ruralista diz que pedirá a Maia para votar neste ano projeto sobre licenciamento ambiental

    Bancada ruralista diz que pedirá a Maia para votar neste ano projeto sobre licenciamento ambiental


    Informação foi dada pela deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária. Proposta define quais atividades não precisarão do licenciamento. A deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar...


    Informação foi dada pela deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária. Proposta define quais atividades não precisarão do licenciamento. A deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária Luis Macedo / Câmara dos Deputados A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) do Congresso Nacional informou nesta terça-feira (30) que pedirá ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para votar ainda neste ano a proposta que muda as regras para a concessão do licenciamento ambiental. A informação foi dada pela deputada Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da FPA. A frente parlamentar, formada por 248 deputados e senadores, é conhecida como a bancada ruralista do Congresso. O projeto tramita na Câmara e cria a Lei Geral de Licenciamento Ambiental. A proposta define quais atividades e empreendimentos não precisarão passar pelo licenciamento ambiental, entre as quais pecuária extensiva; cultivo de espécies temporárias, atividades realizadas em áreas de uso alternativo do solo; pesquisas agropecuárias; obras de melhoria de instalações. "Licenciamento ambiental é uma das pautas importantes, seria uma coisa para a agropecuária muito boa, mas principalmente para outros segmentos da sociedade que têm pautas travadas, investimentos travados porque essa simplificação ainda não aconteceu", afirmou Tereza Cristina. Pela proposta em discussão na Câmara, terá de passar por licenciamento ambiental prévio qualquer empreendimento ou atividade que use recursos ambientais ou que tenha potencial de causar degradação ao meio ambiente. A urgência do projeto já foi aprovada. Portanto, a proposta pode ser votada pelo plenário da Câmara. Ministério da Agricultura Sobre uma possível indicação para o Ministério da Agricultura, Tereza Cristina afirmou que a FPA ainda não apresentou nome ao presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). Durante o período eleitoral, Bolsonaro disse que pedirá uma indicação ao agronegócio para o ministério. "Nós não temos nenhum nome, não se discutiu nome nenhum. Vai ser [um perfil] de acordo com as políticas que o futuro governo vai dizer que ele quer para a agropecuária. Acho que tem tanta gente, tantos bons nomes. Não necessariamente precisa ser nome de parlamentar. Tem muita ente boa na iniciativa privada", disse Tereza Cristina.
    Amazônia perdeu 20% desde 1970 e Cerrado, 50%, aponta relatório

    Amazônia perdeu 20% desde 1970 e Cerrado, 50%, aponta relatório


    Estudo da ONG WWF diz que desmatamento intenso está sufocando biomas e aumentando lista de espécies ameaçadas de extinção. Desmatamento na Amazônia Reprodução/JN O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, da sigla em inglês), ONG de defesa do...


    Estudo da ONG WWF diz que desmatamento intenso está sufocando biomas e aumentando lista de espécies ameaçadas de extinção. Desmatamento na Amazônia Reprodução/JN O Fundo Mundial para a Natureza (WWF, da sigla em inglês), ONG de defesa do meio ambiente, acaba de divulgar a versão 2018 do seu relatório Planeta Vivo. E as conclusões não são nada boas, principalmente para o Brasil. A análise, feita por 50 pesquisadores em todo o mundo com base em pesquisas de 19 organizações, apontou para um desmatamento intenso, que reduziu, de 1970 para cá, 20% da Floresta Amazônica e 50% do Cerrado, biomas bastante representativos do país. Terra perdeu 60% de seus animais silvestres em 44 anos, diz relatório A redução das áreas verdes acaba trazendo uma implicação direta na vida de espécies, aumentando ainda mais a lista daquelas que estão ameaçadas de extinção. O relatório atual, que traz um cenário desolador, confirma uma curva de desgaste ambiental que vem se acentuando nos últimos anos. A WWF divulga o relatório a cada dois anos. Nesta edição, o levantamento cita animais brasileiros entre os ameaçados em função dessa perda de ambiente natural. Na lista estão a jandaia-amarela (Aratinga solstitialis), o tatu-bola (Tolipeutes tricinctus), o uacari (Cacajao hosomi), o boto (Inia geoffrensis) e o muriqui-do sul (Brachyteles aracnoides). No caso dos botos, a exploração é tida como involuntária: os animais acabam sendo presos em redes de pesca, mesmo não sendo alvo de pesca predatória. De acordo com a WWF, que monitora, desde 1970, 16.704 populações animais, declínio de populações de vertebrados no período em todo o mundo é de 60% - mamíferos, peixes, aves, répteis e anfíbios. De lá para cá, houve um declínio de 83% das populações de água doce. No caso dos mamíferos, a redução total foi de 22%. Para efeitos comparativos, entre 1970 e 2010, esse declínio foi de 52%. Ou seja: não estamos conseguindo conter o estrago, quanto menos recuperá-lo. Um dos exemplos mais críticos trazidos pelo relatório é a população de elefantes na Tanzânia, que reduziu em 86% desde os anos 1970. Para se recuperar sozinha do estrago causado pela humanidade, a natureza precisaria de 6 milhões de anos, diz o documento. Nos trópicos, principalmente nas Américas Central e do Sul, a deterioração do ecossistema é ainda mais grave - com redução de 89% dessas populações. A região entre os trópicos é onde está a maior parte da vida do planeta, justamente por conta da questão climática. Ao mesmo tempo, é nesta faixa onde estão também as maiores áreas de uso de solo e dos recursos naturais - as áreas cultivas para a produção de alimentos. O desmatamento para o uso intenso da terra tem afetado drasticamente os ecossistemas do planeta. Segundo a WWF, a taxa de extinção das espécies hoje - número que indica o risco de desaparecimento das mesmas - é de 100 a 1.000 vezes maior do que era antes de as atividades humanas começarem a alterar a biologia e a química do planeta. Isso significa que a Terra vive seu sexto processo de extinção em massa nos últimos 500 milhões de anos. Desta vez, o culpado é uma espécie que habita o planeta - nós, os humanos. "Preservar a natureza não é apenas proteger os tigres, pandas, baleias e animais que apreciamos. É muito mais: não pode haver um futuro saudável e próspero para os homens em um planeta com o clima desestabilizado, os oceanos sujos, os solos degradados e as matas vazias, um planeta despojado de sua biodiversidade", declarou o diretor-geral da WWF, Marco Lambertini. Ambientes brasileiros Em junho, dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente indicavam que a devastação do Cerrado, a savana brasileira, era 60% a mais do que a perda na Amazônia nos últimos sete anos. No total, foram 80 mil km² de terras devastadas, contra 50 mil km² da Amazônia. A região do Cerrado é onde mais se expande o agronegócio brasileiro. Em coletiva de imprensa realizada em junho, o pesquisador Claudio Almeida, responsável por divulgar os dados, ressaltou que na parte mais ao norte do bioma, em especial nos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, foi observada a maior incidência do desmatamento nos últimos anos - os Estados respondem por 62% do total perdido. E é justamente essa região apontada como a nova fronteira do agronegócio brasileiro - dedicada sobretudo à produção de soja, óleo de palma e criação de gado. Os números são do monitoramento chamado Prodes do Cerrado, feito por satélite pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Quando os dados foram divulgados, o Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazonia divulgou nota afirmando que a "savana consolida-se como o bioma mais ameaçado do Brasil atualmente". O desmatamento ocorrido no Brasil tem afetado, de acordo com o WWF, não só a vida dos animais. Mas também a oferta de água doce - o que ajuda a explicar as recorrentes crises hídricas que têm ocorrido, como a que deixou em risco o abastecimento da região Sudeste nos últimos anos. Isto porque as regiões mais afetadas, onde estão cerrado e Amazônia, são justamente as que abrigam os principais mananciais da malha hidrográfica brasileira. De acordo com as metas da convenção da Organização das Nações Unidas para a biodiversidade, pelo menos 17% dos ecossistemas de cada país precisariam estar em áreas protegidas para a conservação. O Brasil, país que tem a maior biodiversidade do planeta, está distante desse número. Apenas 8% do cerrado está protegido. No Pantanal, apenas 2% das áreas estão protegidas. Área desmatada do cerrado Polícia Militar de Meio Ambiente/Divulgação Planeta O relatório mostra que três quartos do planeta já foi impactado pela ação humana. Há uma projeção que, em 2050, apenas 10% da Terra esteja livre da interferência humana. O WWF aponta que os seres humanos já ultrapassaram os limites de segurança quanto às mudanças climáticas e níveis de interferência no sistema terrestre. Integridade da biosfera e fluxos biogeoquímicos de fósforo e nitrogênio também já sofreram interferências humanas tidas como irreversíveis - sobretudo por conta do uso de fertilizantes na agricultura e do manejo da pecuária intensiva. Segundo o texto, isto representa um declínio acentuado da "saúde da planetária", da "natureza" e da "biodiversidade". "Prejudicando a saúde o bem-estar das pessoas, espécies, sociedades e economias em todos os lugares", ressalta. A organização emitiu um alerta vermelho para a degradação do solo e ressaltou que está perto de fazer o mesmo em relação à acidificação das reservas de água doce e dos oceanos. Uma possível solução apontada para tentar reduzir esses estragos seria o emprego mais eficiente de tecnologias já disponíveis para a produção de alimentos. Embora tenha havido avanços por conta dos equipamentos e técnicas mais modernas, a WWF acredita que as melhorias cresceram de forma menor do que o potencial de dano. A pegada ecológica do homem, conclui o relatório, está hoje três vezes mais degradante do que era em 1970. Um exemplo está no desperdício. Atualmente, cerca de 40% do que é produzido acaba sendo descartado por conta de falhas no processo de produção, transporte e mesmo dentro das residências. O relatório frisa que é preciso "elevar o nível de alerta" para provocar um amplo e consciente movimento, chamando a atenção "suficiente dos líderes mundiais". Segundo a ONG, é preciso uma ação consistente antes de 2020, porque, ao contrário, "uma porta sem precedentes se fechará rapidamente". "Somos a primeira geração que tem uma visão clara do valor da natureza e do nosso impacto nela. Poderemos também ser a última capaz de inverter esta tendência", adverte o relatório.
    Chimpanzés reagem mais rápido a cooperar do que a fazer escolhas egoístas, diz estudo

    Chimpanzés reagem mais rápido a cooperar do que a fazer escolhas egoístas, diz estudo


    Estudo analisou diferentes comportamentos dos animais e identificou que os mais propensos a colaborar agiam mais rápido. Chimpanzés reunidos para uma refeição The Jane Goodall Institute / By Fernando Turmo Quando se trata de cooperação, os...


    Estudo analisou diferentes comportamentos dos animais e identificou que os mais propensos a colaborar agiam mais rápido. Chimpanzés reunidos para uma refeição The Jane Goodall Institute / By Fernando Turmo Quando se trata de cooperação, os chimpanzés geralmente tomam decisões que beneficiam mais os outros do que eles mesmos mais rapidamente, de acordo com um estudo recém-publicado pela Universidade de Michigan, nos EUA, e divulgado nesta terça-feira (30). Durante décadas, cientistas sociais e biólogos procuraram estudar estes primatas porque são os parentes vivos mais próximos dos humanos. Os chimpanzés também podem ser muito cooperativos na natureza - formando alianças com amigos ou caçando juntos em grupos. "Os chimpanzés são um modelo comparativo importante para a cooperação humana", disse Alexandra Rosati, professora assistente de psicologia e antropologia da Universidade de Michigan. Rosati, principal autora do estudo, e colegas da Universidade de Harvard examinaram como chimpanzés da República do Congo pensam sobre decisões de cooperação e o tempo de resposta em situações envolvendo comportamento pró-social, que envolve como as ações beneficiam outras pessoas, como dar tempo, esforço ou recursos. Os 40 chimpanzés estudados concluíram tarefas que avaliaram a cooperação e o autocontrole, incluindo: Tarefa de doação: O chimpanzé poderia fornecer comida a si mesmo e a um parceiro, sem custo, ou optar por obter comida apenas para si próprio. Os chimpanzés eram mais propensos a escolher a opção pró-social se fizessem uma escolha rápida - como se sua primeira reação fosse cooperar com o parceiro. Se demorassem mais para decidir, no entanto, eram mais propensos a manter a comida por si mesmos. Tarefa de ajuda: O chimpanzé poderia dar a um parceiro um objeto que estava fora de alcance. Chimpanzés individuais que eram mais propensos a ajudar também foram os mais rápidos para responder ao problema de seu parceiro. Em geral, isso apoia situações em que indivíduos cooperativos tendem a fazer escolhas pró-sociais mais rapidamente do que pessoas egoístas. Tarefa punitiva: O chimpanzé poderia impedir que um ladrão pegasse um recurso roubado ao derrubar uma mesa para que o ladrão não conseguisse comida. Como no estudo de ajuda, os chimpanzés que eram mais reativos à injustiça tendiam a derrubar a mesa mais rapidamente. Assim, em ambos os contextos de recompensa e punição, os chimpanzés fizeram escolhas pró-sociais mais rapidamente do que aquelas em que se beneficiavam. "Em última análise, nossos resultados mostram que a cooperação entre chimpanzés envolve vários mecanismos cognitivos que se assemelham aos observados em humanos", escreveram os pesquisadores.
    Como cães farejadores podem se tornar arma no combate à malária em países pobres

    Como cães farejadores podem se tornar arma no combate à malária em países pobres


    A ideia, segundo os cientistas, é conseguir análises rápidas em um processo simples e barato - sem necessidade de exames de sangue. Freya, cachorrinha Springer Spaniel, que foi treinada para sentir o cheiro de malária Medical Detection Dogs Cães...


    A ideia, segundo os cientistas, é conseguir análises rápidas em um processo simples e barato - sem necessidade de exames de sangue. Freya, cachorrinha Springer Spaniel, que foi treinada para sentir o cheiro de malária Medical Detection Dogs Cães farejadores estão sendo treinados para ajudar a diagnosticar malária em locais com dificuldade de acesso a sistema de saúde, com bons índices de sucesso. A ideia, segundo os cientistas, é conseguir análises rápidas em um processo simples e barato - sem necessidade de exames de sangue. O trabalho foi apresentado nesta segunda-feira no congresso anual da Sociedade Americana de Medicina e Higiene Tropical, em Nova Orleans, nos Estados Unidos. "As principais vantagens desse método com cães é que os testes são muito rápidos, não requerem coleta de sangue e podem funcionar facilmente em áreas remotas", afirmou à BBC News Brasil o entomologista Steve Lindsay, especialista em Saúde Pública, professor da Universidade de Durham, da Inglaterra, e principal autor do trabalho. A pesquisa foi financiada pela Fundação Bill e Melinda Gates, instituição filantrópica criada pelo fundador da Microsoft para fomentar projetos de melhoria à qualidade de vida, principalmente em soluções de saúde e combate à pobreza. Participam do projeto, além da Universidade de Durham, a instituição Medical Detection Dogs, a Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, a Universidade de Dundee, também britânica, e o Programa Nacional de Controle da Malária da Gâmbia, país da África Ocidental. Cães podem farejar pessoas infectadas com malária A nova técnica ainda está em fase de estudos. "Mas, em princípio, demonstramos que os cães podem ser treinados para detectar pessoas infectadas com a malária pelo seu odor", diz Lindsay. Os cientistas acreditam que, com o método não invasivo de análise, seja possível diagnosticar um maior número de pessoas, ajudando assim a impedir a disseminação da malária e ampliando o tratamento precoce da doença. "Os cães são treinados com uma meia de uma criança com forte infecção por malária", explica o pesquisador. "Durante o treinamento, o animal é treinado a recuperar a meia e a tarefa progressivamente vai se tornando mais difícil, escondendo a meia da vista do cão. Gradualmente, os animais começam a distinguir meias infectadas e não infectadas." Conforme ele contou à reportagem, dois cães - um mestiço labrador e golden retriever chamado Lexi, e Sally, da raça labrador - foram treinados para fazer isso. "Um levou 19 semanas para estar treinado, outro, 24", diz. No processo, eles utilizaram meias de náilon que foram vestidas por crianças e adolescentes aparentemente saudáveis, com idades entre 5 e 14 anos, todos moradores na região do rio Gâmbia. As mesmas crianças também foram submetidas a um exame de sangue convencional para detecção do parasita da malária, o Plasmodium falciparum. O olfato super sensível de Freya pode ajudar a realizar o primeiro teste de malária não invasivo Medical Detection Dogs No total, foram 175 amostras. Trinta crianças foram diagnosticadas como portadoras do parasita, 145, não. Os cientistas lembram que o método, pela facilidade, possibilita verdadeiros mutirões de análises, já que exames de sangue acabam sendo inviáveis em grandes populações remotas - pelas dificuldades de coleta e transporte do material. "Os cães identificaram corretamente 70% das amostras de meias utilizadas por crianças infectadas com malária e 90% de crianças não infectadas", conta Lindsay. Pelos padrões da Organização Mundial de Saúde (OMS), os diagnósticos de malária precisam ter uma precisão superior a 75% em testes com amostras acima de 200 parasitas por microlitro. "Considerando apenas essa proporção, nossos cães obtiveram 82% de êxito", diz o cientista. "Portanto, acima do padrão." Ele ressalta, contudo, que novos testes precisam ser feitos, com uma amostragem maior. "Estamos bem adiantados no projeto. Calculo que dentro de 3 a 5 anos poderemos ter o método aplicado como um programa", planeja. Cão é bem-vindo pelas comunidades, diz o estudo Neste caso da pesquisa, as amostras foram transportadas para a Inglaterra, onde o procedimento foi feito. Mas numa situação em que a técnica seja implantada como política de saúde pública, animais treinados podem ser levados para as comunidades, facilitando, assim, os testes. Por isso, em paralelo ao estudo principal, pesquisadores fizeram um teste com um cão farejador não treinado, que foi levado até vilarejos da Gâmbia. O objetivo era testar sua aceitabilidade pelas populações locais. Segundo os pesquisadores, a maioria absoluta das pessoas foi favorável ao método. De acordo com a psicóloga Claire Guest, cofundadora e diretora da instituição Medical Detection Dogs, o uso de cães neste tipo de trabalho é algo que deve ser "muito utilizado no futuro". "Já registramos resultados positivos no treinamento de cães para diversas doenças, incluindo câncer e diabetes. Eles podem perceber alterações de açúcar pelo odor", afirma. "Esta foi a primeira vez que treinamos os animais para detectar infecção parasitária. Estamos muito satisfeitos com os resultados iniciais." Ela vislumbra possibilidade de utilizar método semelhante para diversas outras doenças tropicais, como a leishmaniose e a tripanossomíase, sobretudo em países com dificuldades de diagnóstico. O estudo mostrou que os cachorros podem ser treinados para sentir cheiro de malária em meias de crianças infectadas. A imagem mostra pedaços das meias em um laboratório. Medical Detection Dogs Identificar o parasita da malária tem sido um desafio A malária é uma doença causada por protozoários parasitários, os Plasmodium falciparum, transmitidos para pessoas por meio de picadas de mosquitos do tipo anopheles. Os sintomas mais comuns são febre, calafrios, fadiga, vômitos e dores de cabeça - no princípio, facilmente confundidos com uma gripe forte. Casos graves podem evoluir com convulsões, icterícia e até coma. Em geral, os sintomas começam a se manifestar de 10 a 25 dias depois da picada do inseto. É uma doença de clima equatorial, com regiões endêmicas na América, na África - o continente contabiliza mais de 85% das mortes por malária no mundo - e na Ásia. No Brasil, 99% dos registros ocorrem na região amazônica. No ano passado, foram registrados 194 mil casos da doença - mas, no país, a principal forma da doença é a vivax, mais branda e com menos risco de vida do que a versão africana. O grande desafio tem sido identificar o parasita em pessoas que ainda não apresentam sintomas. Estas precisam ser tratadas para que a disseminação da doença seja evitada. De acordo com o último relatório mundial sobre a doença divulgado pela OMS, em 2016 houve 216 milhões de casos de malária - um número 5 milhões maior do que no ano anterior. Cerca de 450 mil pessoas morrem, por ano, em consequência da doença.
    Terra perdeu 60% de seus animais silvestres em 44 anos, diz relatório

    Terra perdeu 60% de seus animais silvestres em 44 anos, diz relatório


    Pesquisa também mostra que 90% das aves têm plástico no estômago. Estudo foi baseado no acompanhamento de 16.700 populações de 4 mil espécies. Relatório faz alerta sobre futuro da biodiversidade do planeta Um levantamento divulgado pelo Fundo...


    Pesquisa também mostra que 90% das aves têm plástico no estômago. Estudo foi baseado no acompanhamento de 16.700 populações de 4 mil espécies. Relatório faz alerta sobre futuro da biodiversidade do planeta Um levantamento divulgado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nesta terça-feira (30) indica que o estilo de vida dos humanos tem impactado diretamente os ecossistemas e a vida selvagem do planeta. As populações de vertebrados silvestres, como mamíferos, pássaros, peixes, répteis e anfíbios, sofreram uma redução de 60% entre 1970 e 2014 devido à ação humana. O 'Relatório Planeta Vivo' é baseado no acompanhamento de mais de 16.700 populações de 4 mil espécies, utilizando câmeras, análise de pegadas, programas de investigação e ciências participativas. Um dos indicadores mostra que o impacto crescente do lixo plástico nos oceanos interfere na qualidade de vida de várias espécies, entre elas, as aves marinhas. Na década de 1960, apenas 5% das aves tinham fragmentos de plástico no estômago. Hoje, o índice é de 90%. "Preservar a natureza não é apenas proteger os tigres, pandas, baleias e animais que apreciamos (...). É muito mais: não pode haver um futuro saudável e próspero para os homens em um planeta com o clima desestabilizado, os oceanos sujos, os solos degradados e as matas vazias, um planeta despojado de sua biodiversidade", declarou o diretor da WWF, Marco Lambertini. O Brasil é destaque no relatório. A floresta amazônica se reduz cada vez mais, do mesmo modo que o Cerrado, diante do avanço da agricultura e da pecuária. Desmatamento na comuidade Ariri, em Macapá Dema/Divulgação Por ano, uma área equivalente a 1,4 milhão de campos de futebol de área verde desaparecem do mapa por causa do desmatamento. Já as áereas de pastagens abandonadas em todo o país por quem cria gado equivalem a duas vezes o estado de São Paulo - 50 milhões de hectares, segundo o estudo. "Se chegarmos a 25% do desmatamento da Amazônia – e já estamos em 20% – a gente já vai chegar ao chamado ponto sem retorno, a gente não vai conseguir recuperar o equilíbrio da floresta amazônica. Estamos perto deste limite", diz Gabriela Yamaguchi, diretora de engajamento da WWF Brasil em entrevista ao Bom Dia Brasil. Em nível mundial, apenas 25% dos solos estão livres da marca do homem. Em 2050, isto cairá para apenas 10%, segundo pesquisadores. Sem florestas, os animais, como tatu-bola, correm o risco de extinção. Mas, os cuidados com a preservação indicam que é possível reverter quadros, como o da população de onças pintadas, que teve a população recuperada em 30%. Onças-pintadas são flagradas em habitat natural. Mario Nelson Cleto/Onçafari O declive da fauna afeta todo o planeta, com regiões especialmente prejudicadas, como os Trópicos. Na área do Caribe e América do Sul, os dados apontam um quadro "aterrador": um declive de 89% em 44 anos. América do Norte e Groenlândia sofreram as menores reduções da fauna, com 23%. Europa, Norte da África e Oriente Médio apresentaram um declive de 31%. A primeira explicação é a perda dos habitats devido à agricultura intensiva, à mineração e à urbanização, que provocam o desmatamento e o esgotamento dos solos. 'Nossa oportunidade' "O desaparecimento do capital natural é um problema ético, mas também tem consequências em nosso desenvolvimento, nossos empregos, e começamos a ver isto", assinalou Pascal Canfin, diretor-geral do WWF França. "Pescamos menos que há 20 anos porque as reservas diminuem. O rendimento de alguns cultivos começa a cair. Na França, o trigo está estancado desde os anos 2000. Estamos jogando pedras em nosso próprio telhado". Garrafa de plástico é encontrada na barriga de peixe em Arraial do Cabo, no RJ Leonardo Motta Os economistas avaliam os "serviços devolvidos pela natureza" (água, polinização, estabilidade dos solos e etc.) em US$ 1,25 trilhão anuais. A cada ano, o dia em que o mundo já consumiu todos os recursos que o planeta pode renovar anualmente chega mais cedo. Em 2018 foi em 1º de agosto. "O futuro das espécies não parece chamar a atenção suficiente dos líderes" mundiais, alerta a WWF, que defende "elevar o nível de alerta" e provocar um amplo movimento, como se fez pelo clima. "Que todo o mundo compreenda que o status quo não é uma opção". "Somos a primeira geração que tem uma visão clara do valor da natureza e do nosso impacto nela. Poderemos também ser a última capaz de inverter esta tendência", advertiu a WWF, que pede uma ação antes de 2020, "um momento decisivo na história". "Uma porta sem precedentes se fechará rápido".
    Novo relatório mundial da Saúde conclui que poluição do ar mata 600 mil crianças por ano

    Novo relatório mundial da Saúde conclui que poluição do ar mata 600 mil crianças por ano


    Àqueles que ainda se perguntam por que motivos os cientistas e ambientalistas – pessoas balizadas, que estudam muito para afirmar o que defendem, é bom que se diga – pregam a necessidade urgente de se mudar hábitos de produção e consumo, a...


    Àqueles que ainda se perguntam por que motivos os cientistas e ambientalistas – pessoas balizadas, que estudam muito para afirmar o que defendem, é bom que se diga – pregam a necessidade urgente de se mudar hábitos de produção e consumo, a Organização Mundial de Saúde responde, com o lançamento de seu novo relatório divulgado ontem (29) , com o título “Como a poluição do ar está destruindo nossa saúde”. A questão prioritária, macro, é que a poluição do ar, proveniente de emissões de poluentes perigosos, vem matando 600 mil crianças de infecções respiratórias por ano. Nos países pobres, 98% de todas as crianças menores de 5 anos estão expostas a partículas do ar acima das diretrizes da OMS. “Poluição do ar é o novo tabaco. O ar contaminado está envenenando milhões de crianças e arruinando suas vidas. Isso é indesculpável - toda criança deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer com toda a sua potência”, disse Tedros Adhanom, diretor geral da OMS, à reportagem do jornal “The Guardian”. O que acontece é que metade da população mundial não tem acesso a combustíveis ou tecnologias limpas, o que nos faz voltar ao tema da desigualdade social. Assim, conclui o relatório que 7 milhões de pessoas morrem anualmente em consequência tanto da poluição do ar ambiente quanto à poluição dentro da própria casa, com fogões e aquecedores que usam carvão, madeira ou querosene. Para atingir as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 7 (Energia Limpa e Acessível) para o acesso universal à energia moderna, três bilhões de pessoas devem ter acesso a soluções de cozinha limpa, e 1 bilhão deve ter acesso à eletricidade até 2030. O ritmo atual de progresso está muito lento. “Tanto a poluição do ar interior como a do exterior podem contribuir umas para as outras, à medida que o ar se desloca de dentro para fora e vice-versa”, conclui o relatório. E não é só quando se olha para o céu e se percebe que o ar está mais ou menos sólido, encorpado, limpo. A falta de poluição visível não é indicação de que o ar é saudável. Para ajudar a informar a população a entender melhor o grau de poluição do ambiente em que vivem, a OMS desenvolveu um medidor de poluição online, que será também apresentado na primeira Conferência Global sobre Poluição do Ar e Saúde que está acontecendo até amanhã em Genebra. Ministros de saúde e meio ambiente e outros representantes de agências intergovernamentais de todo o mundo foram convidados para refletir sobre ações necessárias para tentar diminuir o problema. A poluição do ar também aumenta o risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares. Amanhã (1), quando termina a conferência, vai ser um Dia de Ação de Alto Nível, com o objetivo de obter compromissos dos participantes no sentido de seguirem para seus países com uma espécie de agenda pró-saúde do ar e das pessoas a ser implementada. Serão convocados os profissionais que se envolverão na causa, sempre com um olhar para as pessoas que estão em situação de maior vulnerabilidade. Os governos da França, Alemanha, Mônaco, Noruega e Suíça colaboraram, financeiramente, para acontecer a conferência. Maria Neira, diretora de saúde pública e meio ambiente da OMS, também em conversa com a reportagem do “The Guardian”, afirma que há muitas formas de reduzir as emissões de poluentes perigosos. Diminuir o uso de tantas substâncias para “limpar” os alimentos, por exemplo, mais comumente conhecidas como agrotóxicos, é uma das soluções. Acelerar a mudança de hábitos para diminuir também o uso de automóveis nas grandes cidades, é outra. “Os cidadãos estão exigindo ações para proteger seus filhos, os prefeitos das grandes cidades do mundo estão regulamentando para tirar os veículos sujos das ruas e reduzir as emissões de edifícios e resíduos. Agora é o momento para governos, fabricantes de automóveis e outros grandes poluidores se intensificarem”. O apelo une duas preocupações que devem ser levadas a sério: a saúde e a economia. Porque hospitais públicos cheios de pessoas apresentando problemas respiratórios também representa dinheiro sendo gasto em algo que é possível controlar. “As soluções são uma agenda básica de saúde pública que terá muitos benefícios para a saúde pública e o meio ambiente. Não importa o que mais tem que ser feito: sabemos que precisamos descarbonizar nossa sociedade o quanto antes, e os benefícios disso para nossa saúde e nossa economia são indiscutíveis", disse Neira. Um exemplo do que pode ser feito é a geração de energia renovável nos hospitais e perto do local onde eles ficam. Nos países desenvolvidos, os hospitais estão entre os edifícios que têm o maior consumo de energia. Ao reduzir sua própria pegada de carbono, o setor da saúde pode mostrar como a mitigação da mudança climática produz benefícios concretos para a saúde, como demonstra o relatório lançado pela OMS. Outra sugestão que a organização mundial faz aos líderes das nações é equipar corretamente os agentes de saúde que estão em contato direto com a população, para que eles consigam transmitir informações necessárias sobre como prevenir as doenças relacionadas com a poluição do ar. Atualmente, ainda segundo o estudo lançado pela organização, existem poucos programas de treinamento desse tipo, além de pouca informação na educação em saúde pública. Para concluir, é bom lembrar outra conclusão do relatório que, embora não seja nenhuma novidade, deve ser levada em conta no momento em que se estão resolvendo, discutindo as políticas públicas a serem priorizadas. Aqui no Brasil estamos neste momento, e informações são importantes para quem está tomando decisões. A poluição do ar é a segunda principal causa de doenças não transmissíveis, como derrame, câncer e doenças cardíacas, que estão aumentando em todo o mundo. E, em muitos países, essas doenças só podem ser significativamente reduzidas melhorando a qualidade do ar. Integrar a redução da poluição do ar nas políticas de combate às doenças não transmissíveis leva a múltiplos benefícios para o meio ambiente, a economia e a saúde. Está dito. Boa semana a todos. Amélia Gonzalez Arte/G1

    Google destina US$ 20 milhões para projetos humanitários que usarem inteligência artificial


    Organizações poderão receber ajuda da empresa sobre aprendizagem de máquina. O Google anunciou nesta segunda-feira (29) que oferecerá cerca de US$ 20 milhões no próximo ano para projetos humanitários e ambientais que usarem inteligência...

    Organizações poderão receber ajuda da empresa sobre aprendizagem de máquina. O Google anunciou nesta segunda-feira (29) que oferecerá cerca de US$ 20 milhões no próximo ano para projetos humanitários e ambientais que usarem inteligência artificial (IA). O "Desafio de Impacto IA" visa a inspirar organizações a pedirem ajuda ao Google sobre aprendizagem de máquina, uma forma de IA na qual computadores analisam grandes conjuntos de dados para fazer projeções ou identificar padrões e anomalias. Rivais do Google, Microsoft e Amazon também promovem iniciativas "IA para o bem". Focar em projetos humanitários poderia ajudar o Google a recrutar e também a amenizar críticas ao demonstrar que seus interesses em aprendizagem de máquinas se estendem para além de seu negócio central e outras áreas lucrativas, como trabalho militar. Após reações negativas de funcionários, o Google disse neste ano que não renovará um acordo sob o qual analisa filmagens de drones militares dos EUA. A diretora de IA do Google, Irina Kofman, disse à Reuters que o desafio não é uma resposta a tais reações, mas notou que milhares de funcionários estão dispostos a trabalhar em projetos de "bem social", ainda que eles diretamente não gerem receita.
    Por que filhotes de leão estão 'aparecendo' em plena Europa?

    Por que filhotes de leão estão 'aparecendo' em plena Europa?


    Neste mês, autoridades encontraram um filhote em um apartamento em Paris, na França, e outro felino abandonado em uma jaula em Utrecht, na Holanda. Este filhote de leão foi encontrado abandonado em cidade na Holanda recentemente AFP Policiais...


    Neste mês, autoridades encontraram um filhote em um apartamento em Paris, na França, e outro felino abandonado em uma jaula em Utrecht, na Holanda. Este filhote de leão foi encontrado abandonado em cidade na Holanda recentemente AFP Policiais estão acostumados a encontrar pessoas escondidas em locais incomuns por razões estranhas. Mas uma situação assim deixou policiais de Paris, na França, surpresos na última semana. Um homem de 30 anos foi achado dentro do armário da casa de um vizinho enquanto, ao mesmo tempo, um filhote de leão estava sentado em uma cama próxima. O homem foi preso, e o animal, após ser verificado que estava bem, foi entregue às autoridades responsáveis. A polícia também achou outro filhote em um apartamento vazio na cidade no ano passado. Também neste mês, uma pessoa corria em uma área descampada em Utrecht, na Holanda, quando encontrou um leão de quatro meses de idade abandonado dentro de uma jaula. O que está acontecendo? A BBC consultou especialistas em comércio de vida selvagem pra descobrir. De onde vêm estes filhotes? É improvável que filhotes de leão mantidos ilegalmente na Europa tenham nascido na natureza, dizem autoridades. "Há uma boa chance de terem nascido em cativeiro na Europa", diz Lois Lelanchon, especialista em comércio ilegal de vida sevagem da ONG Fundo Internacional para Bem-Estar Animal. "Eles podem pertencer a proprietários privados ou serem de criadores irresponsáveis, de zoológicos não certificados ou de circos inescrupulosos." Lelanchon explica que seria muito arriscado tentar contrabandear um animal da África ou da Ásia, porque esse tipo de comércio é bastante regulado e autoridades de fronteira são bem treinadas. Mas isso não é impossível, e algumas pessoas já tentaram anteriormente passar pela segurança de aeroportos com felinos escondidos. Richard Thomas, da rede de monitoramento de comércio de vida selvagem, concorda que os leões descobertos recentemente foram "quase certamente criados em cativeiro", mas isso não exclui a possibilidade de eles terem sido contrabandeados do exterior. "É uma questão de evitar ser detectado ou capturado por quaisquer meios que o contrabandeador tenha disponíveis", diz ele. "Talvez seja o caso de o animal passar despercebido ou de uma autoridade ser incentivada a fazer vista grossa." Quem está comprando os filhotes? Pessoas com uma quantia razoável de dinheiro disponível. O suspeito do caso em Paris nesta semana supostamente tentou vender o animal por 10 mil euros (R$ 41,65 mil) pelas redes sociais. "(O comprador) é provavelmente alguém que pensa que ser dono de um leão lhe faz sentir poderoso e invencível", diz Thomas. "Alguns donos destes animais são ricos e se consideram acima da lei ou são figurões do submundo do crime." Este parece ter sido o caso quando, em 2009, a polícia italiana apreendeu um crocodilo que pertenceria a um chefe da máfia. Thomas sugere que indústria cinematográfica pode ter um papel na glamourização de animais exóticos. "Pense em Al Pacino com seu tigre em Scarface ou o vilão de 007 - Operação Skyfall com seu dragão de Komodo", diz ele. Lelanchon diz que a ignorância pura e simples é outra razão pela qual pessoas compram filhotes de grandes felinos. "Pensam que filhotes de leão são muito exóticos, bonitos, legais, diferentes, mas não levam em conta o bem-estar do animal e as questões de segurança envolvidas em ter um." Por que isso é uma má ideia? Bem, para começar, isso é perigoso para os animais. "Ao contrário de cães, estes animais não foram domesticados por séculos de criação em cativeiro. É bastante improvável que eles se tornem domesticados ao crescerem, mesmo se criados por humanos desde cedo", diz Thomas. "Animais selvagens continuam selvagens e podem ser perigosos, podem colocar seus donos e outras pessoas em torno deles em perigo, especialmente se fugirem." E eles podem escapar. Em 2011, a polícia de Ohio, nos Estados Unidos, matou ursos, lobos, tigres e leões depois de eles fugirem de um zoológico privado. Outro fator a ser levado em consideração é o bem-estar e as necessidades de grandes felinos. "A maioria dos donos de animais assim não consegue garantir seu bem-estar. Leões não comem ração de cachorro, e precisam de uma área muito grande para se exercitarem", diz Lelanchon. "Na maioria dos casos, isso não acaba bem." O que acontece quando estes animais são descobertos? É bastante provável que donos de grandes felinos os abandonem quando eles cresçam e e se torne impossível mantê-los, diz Thomas. Ele cita o exemplo recente da Holanda e diz que foi provavelmente o que ocorreu ali. Em outros casos, o animal pode ser entregue voluntariamente às autoridades, mas Lelanchon diz que isso é menos comum, porque a pessoa provavelmente será indiciada criminalmente. Se a polícia encontra um filhote, sua prioridade é verificar seu estado de saúde. "Quando é confiscado, ele passa por exames veterinários para ver em que estado está e buscar por sinais de crueldade", afirma Lelanchon. "Se está bem, o próximo passo é buscar um lugar para abrigá-lo. Isso pode ser um centro de cuidados de vida selvagem, um zoológico ou um santuário." Quando um local adequado é encontrado, o animal pode ganhar um novo lar. Foi o que aconteceu com o filhote de leão achado em um apartamento vazio em Paris no ano passado. Ele foi levado para uma reserva na África do Sul – pelo menos neste caso, a história teve um final feliz.