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    Relatora da ONU prova, em estudo, que indígenas são guardiões das florestas

    Relatora da ONU prova, em estudo, que indígenas são guardiões das florestas


    Um relatório divulgado esta semana pela Relatora Especial das Nações Unidas para os Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, é o que faltava para acabar de vez com a falsa imagem que alguns brancos construíram e fizeram "viralizar", de que os...


    Um relatório divulgado esta semana pela Relatora Especial das Nações Unidas para os Povos Indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, é o que faltava para acabar de vez com a falsa imagem que alguns brancos construíram e fizeram "viralizar", de que os índios são meros destruidores da natureza. O estudo encabeçado por Victoria, que se tornou uma ativista indígena internacional da etnia Kankana-ey Igorot, não poupa críticas ao movimento global de conservação, lembrando que a terra precisa ser conservada para os humanos. A mensagem é mais ou menos esta: meio ambiente sem gente é inútil. Escrito em coautoria com a ONG norte-americana Rights and Resources Initiative (RRI), o estudo condena, explicitamente, a ideia de que para proteger florestas e preservar a biodiversidade é preciso isolar alguns territórios, transformando-os em unidades de conservação. "Este modelo – favorecido pelos governos há mais de um século – ignora as crescentes evidências de que as florestas prosperam quando os povos indígenas permanecem em suas terras e têm direitos legalmente reconhecidos para gerenciá-las e protegê-las", disse a autora à reportagem do jornal britânico The Guardian. Até porque, para criar as tais "áreas protegidas", denuncia o relatório, os homens brancos submeteram os índios a impactos devastadores. "Cerca de 250 mil pessoas despejadas à força de suas casas e terras entre 1990 e 2014. Casas foram incendiadas, acesso a terras e locais importantes negados, assassinatos cometidos, conflitos sociais, acesso à Justiça obstruído e soberania alimentar corroída por proibições à caça de subsistência e à 'difamação' e 'criminalização' da agricultura 'derrubada e queimada'. Na Índia, por exemplo, de acordo com um relatório de 2017 da British Broadcasting Corporation, as autoridades do Parque Nacional de Kaziranga, na Índia, foram responsáveis por 106 assassinatos – incluindo idosos e crianças – nos 20 anos anteriores. Áreas protegidas causaram – e continuam a causar – padrões crônicos de abuso e violações de direitos humanos em larga escala. E, embora os povos indígenas e as comunidades locais habitualmente possuam mais de 50% das terras do mundo, eles só têm direitos legais seguros para 10%", diz o relatório. Nos últimos 14 anos tem sido assim, e nada foi feito para mudar este cenário. De verdade, os povos indígenas deveriam ser vistos como "gestores efetivos de biodiversidade e conservação" e "guardiões primários da maioria das florestas tropicais remanescentes do mundo e dos hotspots de biodiversidade", lembra o relatório. Para aqueles que gostam de dados mais específicos, o estudo os produziu aos montes. A perda de cobertura de árvores, por exemplo, é inferior à metade nas terras indígenas, quando comparados a outros lugares. Sobretudo quando têm o direito à terra reconhecido, aí mesmo é que os indígenas são capazes de dar uma aula prática sobre como evitar os impactos que aceleram o aquecimento do planeta. Mas, quase ninguém reconhece. O financiamento oficial para terras protegidas , segundo o relatório, é estimado em 6 a 6,5 bilhões de dólares, mas esse valor não chega aos indígenas, apenas uma pequena porcentagem. Tem mais dados: em 2004, a Forest Trends publicou um relatório documentando as contribuições dos indígenas e das comunidades locais para a conservação da biodiversidade. Tal estudo mostrou que os estimados 370 milhões de hectares de áreas florestais pertencentes à comunidade ou designadas para a comunidade frequentemente coincidiam com áreas de alta biodiversidade. A análise estimou que as comunidades investiram de US $ 2 bilhões a 4 bilhões por ano em gestão de recursos e conservação, equivalente a um quarto do montante gasto para conservação em todas as áreas protegidas em todo o mundo. A questão crucial é descrita por um líder de Kasepuhan, tribo da Índia, ouvido para o relatório: "A conservação tem significados diferentes para pessoas com ou sem educação. Para a população local, estamos fazendo conservação, estamos assumindo a responsabilidade pelo que está vivo e o que morreu. Mas para pessoas com educação, conservação significa que não fazemos nada: quando a floresta é verde, as pessoas só podem olhar para ela". Faz todo sentido, ou não? Vamos lembrar a pioneira do ativismo ambiental, Rachel Carson, que escreveu "Primavera Silenciosa", em 1952, considerado por muitos a bíblia do ambientalismo. Carson denunciou o uso abusivo de substâncias tóxicas no meio ambiente, um dos muitos impactos que somente o homem branco, ocidental, causa às terras que ocupa. Os índios conseguem se alimentar sem precisar aspergir veneno nas plantações. Portanto, não é preciso manter intactas as florestas, mas saber usar seus bens para tirar delas aquilo de que a humanidade precisa, sem causar impactos destruidores. Mas, para isso, é preciso também não ceder ao desenvolvimentismo, coisa que se impregnou em nossa humanidade nos últimos tempos. É impactante a frase com a qual Victoria Tauli-Corpuz encerra a apresentação do estudo coordenado por ela: "Os líderes mundiais têm uma solução poderosa na mesa para salvar as florestas e proteger o planeta: reconhecer e apoiar os povos indígenas do mundo. Temos sido uma solução comprovada para a mudança climática por gerações. Reconheça os nossos direitos e podemos continuar a fazê-lo para as gerações vindouras." Bom para refletir. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Nono rinoceronte-negro morre após transporte para parque no Quênia

    Nono rinoceronte-negro morre após transporte para parque no Quênia


    Na semana passada, animais criticamente ameaçados já haviam morrido. Causas são investigadas. Rinocetonte-negro posicionado para o transporte no Quênia Tony Karumba/AFP Um nono rinoceronte-negro, criticamente ameaçado de extinção, morreu após...


    Na semana passada, animais criticamente ameaçados já haviam morrido. Causas são investigadas. Rinocetonte-negro posicionado para o transporte no Quênia Tony Karumba/AFP Um nono rinoceronte-negro, criticamente ameaçado de extinção, morreu após uma operação fracassada para levar os animais a uma nova reserva no sul do Quênia, informou o ministro do Turismo do país nesta terça-feira (17). Inicialmente, oito rinocerontes foram reportados mortos após a tentativa, no mês passado, de transferir 11 exemplares dos parques nacionais de Nairóbi e Lake Nakuru para Tsavo East. Detetives da polícia foram chamados e receberam o prazo de uma semana para determinar o que causou as mortes, disse o ministro do Turismo, Najib Balala, em uma entrevista coletiva em Nairóbi. "Nove deles morreram devido a razões que ainda estamos investigando. O relatório preliminar que recebemos dos especialistas do Serviço de Vida Selvagem do Quênia disse que foi devido à água salgada" que eles beberam, acrescentou. O ministro confirmou que viu os 18 chifres que pertenciam aos animais mortos e que nenhum deles desapareceu após as mortes. A realocação de animais ameaçados de extinção envolve sedá-los durante a jornada e reanimá-los depois, em um processo que acarreta riscos. Mas a morte de tantos de uma só vez é sem precedentes. Entre 2005 e 2017, um total de 147 rinocerontes foram deslocados desta forma no Quênia, com apenas oito mortes. Grupo do Quênia se prepara para sedar rinoceronte-negro antes do transporte Tony Karumba/AFP
    O que são as 'bombas de lava' como a do vulcão Kilauea que feriu 23 pessoas em um barco no Havaí

    O que são as 'bombas de lava' como a do vulcão Kilauea que feriu 23 pessoas em um barco no Havaí


    Projéteis de fragmentos incandescentes podem atingir o tamanho de uma geladeira e incendiar pessoas e casas, dependendo da temperatura ao atingir o chão. Foto de arquivo mostra lava do Kilauea, no Havaí, lançada através de uma fissura no solo US...


    Projéteis de fragmentos incandescentes podem atingir o tamanho de uma geladeira e incendiar pessoas e casas, dependendo da temperatura ao atingir o chão. Foto de arquivo mostra lava do Kilauea, no Havaí, lançada através de uma fissura no solo US Geological Survey / via AFP Photo Uma "bomba de lava" atingiu um barco no Havaí, ferindo 23 pessoas na segunda-feira (23). A explosão vulcânica lançou pedras e detritos pelos ares, que acabaram atingindo a embarcação repleta de turistas. Um passageiro quebrou a perna, enquanto outros sofreram queimaduras. A lava veio do vulcão Kilauea, que entrou em erupção em maio e, desde então, vem expelindo gás e magma (rocha derretida). A explosão causou um buraco no teto do barco turístico, que levava visitantes para ver o encontro entre lava e mar. Explosão de lava de vulcão atinge barco de turistas no Havaí O barco retornou ao porto após o acidente e os feridos foram levados ao hospital. Will Bryan, que estava na embarcação com a namorada, Erin, descreveu os momentos de desespero que passaram. Fragmento de lava deixou um buraco a cair sobre barco no Havaí HO / DEPARTMENT OF LAND & NATURAL RESOURCES / AFP "Assim que você vê que está vindo, não há mais tempo para se mexer. E a pior parte é que você está num barco pequeno", disse Bryan à BBC. "Você não tem para onde ir enquanto é atingido pela lava. Você só tem 6 metros, e todo mundo está tentando se esconder e se proteger no mesmo lugar. Foi assustador." Segundo ele, a atmosfera foi de "caos" por vários minutos. "O capitão fez o possível para deixar todo mundo calmo, mas é impossível. O rosto da Erin (namorada dele) estava coberto por fuligem e as minhas costas estavam fervendo", detalhou. Autoridades locais disseram que o barco era operado pela Lava Ocean Tours, que cobra US$ 250 (cerca de R$ 965) para levar turistas para ver o fluxo de lava no oceano. A quantidade de lava expelida pelo Kilauea foi tão grande a ponto de formar uma nova ilha no Havaí, de pequenas proporções. Mas o que, exatamente, são as 'bombas de lava' Essa não é a primeira vez que o Kilauea fere alguém como "bombas de lavas". Em maio, Darryl Clinton estava usando um extintor de incêndio para proteger as casas do bairro onde mora, nas proximidades do vulcão, quando um "projétil quente e vermelho" atingiu sua perna, acima do calcanhar. O impacto fez com que caísse no chão e cortou a pele até chegar ao osso. Clinton foi resgatado e levado ao hospital, onde teve a perna imobilizada e ficou internado para se recuperar dos ferimentos. "Foi o impacto mais forte que já senti no meu corpo e na minha vida. Já fui atingido por ondas grandes, mas isso foi muito mais poderoso", contou ele à agência Reuters. "Os médicos fizeram um trabalho incrível. Eu só queria viver, mesmo que tivessem que cortar a minha perna." As "bombas de lava" são lançadas de aberturas dos vulcões quando gases interferem com o magma. Magma é a rocha líquida no interior da terra, e a lava é o magma expelido do vulcão. As "bombas" saem como líquidos quentes e vermelhos de cerca de 1.500 graus Celsius de temperatura. Mas, ao entrar em contato com o ar, esfriam e formam crostas rígidas que variam de tamanho. Dependendo da temperatura da lava, ela pode queimar ou gerar um foco de incêndio ao entrar em contato com objetos, árvores ou pessoas. Se o indivíduo estiver usando roupa de algodão ou tecido artificial, por exemplo, o pano pode queimar ou pegar fogo no contato com o magma. O outro risco é o fato de que essas "bombas" podem atingir altas velocidades. Portanto, não só a temperatura, mas também o impacto, podem machucar. Tamanhos variados Uma "bomba de lava" pode ser do tamanho de uma maçã ou atingir dimensão e peso maiores que os de uma geladeira. A que atingiu Darryl Clinton teria o tamanho de uma bola de boliche, segundo a Reuters. Qualquer fragmento de lava com mais de 64 milímetros já é considerado uma "bomba de lava". Algo menor que isso seria uma cinza de vulcão. E essas "bombas" podem atingir até mil metros de altitude ao serem lançadas. As lavas do Kilauea destruíram centenas de casas e milhares de pessoas tiveram que ser evacuadas de bairros próximos ao vulcão. Mas, felizmente, não foram registradas mortes. Os únicos atingidos com maior gravidade pelas "bombas de lava" foram os turistas do barco e Darryl Clinton.
    Com aquecimento global, falta de geladeira e ar-condicionado vai afetar   mais de 1 bilhão de pessoas

    Com aquecimento global, falta de geladeira e ar-condicionado vai afetar mais de 1 bilhão de pessoas


    Temperatura elevada vai elevar dificuldades de preservação de alimentos e de medicamentos naqueles que não possuem aparelhos de refrigeração, diz levantamento da ONG "Sustainable Energy for All". A necessidade de refrigeração de medicamentos é...


    Temperatura elevada vai elevar dificuldades de preservação de alimentos e de medicamentos naqueles que não possuem aparelhos de refrigeração, diz levantamento da ONG "Sustainable Energy for All". A necessidade de refrigeração de medicamentos é outro fator que deixa populações em áreas distantes mais vulneráveis Sustainable Energy for All/Reprodução Mais de um bilhão de pessoas estão ameaçadas pela falta de ar-condicionado e geladeira para refrescá-las e preservar alimentos e remédios. A ameaça se torna mais urgente na medida em que o aquecimento global provoca temperaturas mais elevadas, mostrou levantamento da ONG "Suistanable Energy for All" publicado essa semana, segundo a agência Reuters. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas da Ásia, África e América Latina -- 470 milhões em áreas rurais e 630 milhões de moradores de favelas nas cidades-- correm riscos em meio aos 7,6 bilhões de habitantes do planeta, segundo o estudo, informa a agência. O relatório aponta que a falta de refrigeração tem grande impacto socioeconômico: aumenta gastos de saúde por intoxicação alimentar (já que os alimentos não são adequadamente preservados), bem como causa desperdício de vacinas e medicamentos. O aquecimento global é o aumento da temperatura média do planeta pela emissão constante de gases. Confira vídeo abaixo. O que é aquecimento global? Outro ponto destacado do relatório é que a maior demanda de eletricidade para geladeiras, ventiladores e outros aparelhos vai agravar a mudança climática provocada pelo homem --- a menos que os geradores de energia troquem os combustíveis fósseis por energias mais limpas. A queima de combustíveis fósseis agrava o aquecimento global porque libera gases que contribuem para o aumento da temperatura média do planeta. "A refrigeração se torna cada vez mais importante" por causa da mudança climática, disse Rachel Kyte, chefe do grupo e representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Energia Sustentável para Todos, à Reuters. Índia e China estão entre os mais ameaçados Em uma pesquisa de 52 países, os países mais ameaçados são: Índia, China, Moçambique, Sudão, Nigéria, Brasil, Paquistão, Indonésia e Bangladesh, de acordo com o relatório. A agência de saúde da ONU diz que o calor ligado à mudança climática deve causar 38 mil mortes adicionais por ano em todo o mundo entre 2030 e 2050. Em maio, durante uma onda de calor, mais de 60 pessoas morreram em Karachi, no Paquistão, quando as temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius. Em áreas remotas de países tropicais, muitas pessoas não têm eletricidade e os hospitais muitas vezes não conseguem armazenas vacinas e medicamentos que precisam ser refrigerados, segundo o estudo. Em favelas, muitas vezes o fornecimento de energia é intermitente. Além disso, muitos agricultores e pescadores não têm acesso a uma "cadeia fria" para preservar e transportar produtos para os mercados. Peixes frescos estragam em questão de horas se forrm guardados a 30 graus Celsius, mas se mantêm por dias quando resfriados.
    Violência nos centros urbanos pode emperrar o desenvolvimento

    Violência nos centros urbanos pode emperrar o desenvolvimento


    Policial anda pela comunidade de Manguinhos, no Rio de Janeiro Felipe Dana/AP Foi "apenas" mais uma operação policial no Complexo do Alemão, favela do Rio de Janeiro onde vivem cerca de 70 mil pessoas. Desta vez, como aconteceu na manhã de um...


    Policial anda pela comunidade de Manguinhos, no Rio de Janeiro Felipe Dana/AP Foi "apenas" mais uma operação policial no Complexo do Alemão, favela do Rio de Janeiro onde vivem cerca de 70 mil pessoas. Desta vez, como aconteceu na manhã de um domingo (15), a intervenção da polícia e a guerra entre policiais e marginais não impediu os trabalhadores de chegarem na hora ao trabalho, como acontece quando as cenas de violência ocorrem em dia de semana. Na notícia, baseada no relato policial, cinco homens criminosos morreram. Um dado a mais, mortes sem rosto, sem nomes, sem história. A tarde de domingo foi de final da Copa do Mundo e os cidadãos comuns estavam interessados em outras notícias. Ninguém tira o direito de se tentar poupar de mais uma desgraça e abrir caminho para a alegria do futebol, bola na rede, jogadores em campo. Faz bem à alma partilhar informações divertidas sobre a presidente de um país que transgride o modus vivendi da maioria dos presidentes, que viajou em avião comercial, que pagou o ingresso do próprio bolso e cumprimentou os jogadores, que ficaram meio envergonhados no abraço efusivo. E sonhar... como seria bom se tivéssemos algo parecido por aqui. Mas, enquanto tudo isso acontecia, o Alemão se tornava, de novo, um palco de violência, um ambiente inseguro, sobretudo, para crianças. Na noite de sábado, em encontro com amigos, um deles me felicitou com perguntas sobre desenvolvimento sustentável, já que está empenhado em produzir progresso local no canto rural onde tem uma casa. Como gosto do tema, falei à beça e ele, já quase exausto de informações, me confessou que seu problema tem sido exatamente este: excesso de material para estudar e se atualizar a respeito do tema. E é isto mesmo, a questão é ampla, não tem caminho fácil. Para se obter um desenvolvimento verdadeiramente sustentável é preciso ter em conta os aspectos sociais, os aspectos ambientais e os aspectos econômicos. Portanto, sim, faz todo sentido nós, como cidadãos comuns ocupados com questões ambientais, nos preocuparmos com incursões policiais em favelas porque não costumam levar em conta princípios básicos de bem estar social para adultos e crianças que moram ali. Como também expõem a vida dos policiais. E porque sem uma condição de tranquilidade no padrão de vida dos habitantes da cidade, tudo o que vamos conseguir é que se perpetue este estado de violência em alguns pontos. Em situações de instituições mais frágeis e de crise, como estamos vivendo agora, acaba se espraiando a insegurança cidade afora. E nenhum desenvolvimento se consegue, verdadeiramente, numa sociedade com medo, paralisada. Folheando o livro "Como os países ricos ficaram ricos... e por que os países pobres continuam pobres", de Erik S. Reinert (editado pelo Centro Internacional Celso Furtado), flagrei uma história que me parece cair bem para ilustrar esta reflexão. Reinert conta um diálogo que teria acontecido entre Winston Churchill, como primeiro ministro da Inglaterra, e Franklin D Roosevelt, presidente dos Estados Unidos, em 1941. O narrador é Elliot, filho de Roosevelt, e o tema é a política econômica inglesa, que para o presidente Roosevelt era extremamente injusta com os mais pobres. Disse Roosevelt: "Acredito firmemente na ideia de que, se quisermos chegar a uma paz estável, ela deve incluir o desenvolvimento de países atrasados. Isso não pode ser feito com os métodos do século XVIII... Os métodos do século XX incluem aumentar a riqueza de um povo aumentando seu padrão de vida, educando-o, trazendo-lhe saneamento – assegurando que esse povo obtenha um retorno pela riqueza bruta de sua comunidade". No lugar disso, em pleno século XXI, estamos vivendo no segundo maior centro financeiro do país uma situação de violência nas comunidades periféricas que, sim, se assemelha ao século retrasado. Num artigo publicado no site da ONG Action Aid, a coordenadora de vínculos solidários da organização, Edilaine Silva, põe o dedo na ferida e lembra como deve ser a vida de "crianças encurraladas" em tais comunidades. O medo faz parte de sua rotina e causa, entre outras coisas, falta de concentração na escola, lugar que não lhes oferece a segurança necessária. "Em contexto de violência urbana, a cidade perde a dimensão do acolhimento e, definitivamente, transforma o espaço público em espaço hostil para a população, especialmente para as crianças. Importante dialogarmos sobre o quanto a exposição frequente à violência urbana está sistematicamente afetando as vidas de nossas crianças. Difícil mensurar quais os impactos psicológicos e emocionais que afetam a juventude por conta do medo e da insegurança com os quais são obrigadas a conviver", escreve Edilaine. Antes que uma leitura apressada deste texto e uma conclusão baseada no padrão de polarização que, infelizmente, tem cercado nossos dias, possa concluir que estou a "defender bandidos" preciso lembrar aos leitores que não é isto. Não vou, nunca, deixar de me indignar com a naturalização de assassinatos, seja de bandidos, seja de policiais militares, que também estão morrendo numa proporção cruelmente avassaladora. O Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou um relatório no ano passado dando conta que os casos de letalidade violenta (soma de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e homicídio decorrente de oposição à intervenção policial), no Rio de Janeiro, tiveram aumento de 7,5% em relação a 2016, passando de 6.262 para 6.731. Quando o foco vai além do Rio de Janeiro, a situação aqui na América Latina não melhora. Outro relatório, divullgado no site do Banco Mundial, conclui que a violência é epidêmica e que os jovens são o maior grupo de risco. Na América Latina, a taxa de homicídios de homens de 15 a 24 anos chega a 92 por 100.000 habitantes, quase quatro vezes a média regional. "Jovens de 22 a 29 anos de idade, predominantemente do sexo masculino, são também os principais perpetradores de crime e violência, de acordo com um relatório a ser divulgado neste semestre pelo Escritório do Economista-Chefe para a Região da América Latina e Caribe do Banco Mundial. As intervenções mais eficazes tratam a violência epidêmica com uma crise da saúde pública. Inspiradas em grande parte pela epidemiologia, as políticas bem-sucedidas examinam a violência como um fenômeno alimentado por uma combinação de fatores de risco decorrentes de circunstâncias individuais e sociais, incluindo estar exposto à violência doméstica durante a infância, alta desigualdade, sistemas e políticas deficientes e falta de oportunidades de emprego, entre muitos outros elementos", diz o relatório. Quando penso em crianças deitadas pelo chão de uma sala de aula enquanto as paredes de sua escola são atingidas a tiro, não consigo refletir sem emoção. Mas a ideia, aqui, é também pensar sobre o discurso desenvolvimentista e dar conta da total falta de sintonia entre preocupações econômicas com a alta ou a baixa do PIB e a perda de pessoas jovens – uma geração que deveria estar sendo tratada como diamantes raros – para a violência. Podemos começar a refletir baseados num dado publicado há dois anos pelo economista Jeffrey Sachs: os Estados Unidos gastavam então (ainda não estávamos na era Trump) US$ 1 bilhão por ano para educação e US$ 900 bilhões para defesa. Aqui no Brasil, um estudo dá conta de que o país gasta anualmente R$ 11,7 mil por aluno do primeiro ciclo do ensino fundamental. E fomos criticados duramente, em 2011, pelo ex-presidente de Costa Rica Oscar Arias, pelos gastos com a compra de armamentos. Pode ser uma coisa e outra coisa, mas há muitas linhas se cruzando neste tema.
    Mais da metade dos americanos acreditam que o aquecimento global existe e que humanos são responsáveis

    Mais da metade dos americanos acreditam que o aquecimento global existe e que humanos são responsáveis


    Pesquisa nacional mostra que 73% dos moradores dos EUA acreditam que há uma evidência sólida de mudança climática. Gelo flutua enquanto equipe de pesquisadores analisa os efeitos do aquecimento global no mar de Chukchi. David Goldman/AP...


    Pesquisa nacional mostra que 73% dos moradores dos EUA acreditam que há uma evidência sólida de mudança climática. Gelo flutua enquanto equipe de pesquisadores analisa os efeitos do aquecimento global no mar de Chukchi. David Goldman/AP Photo Um relatório nacional divulgado nesta segunda-feira (16) mostra que os americanos acreditam, em sua maioria, na existência do aquecimento global. De acordo com a pesquisa realizada entre abril e maio deste ano, 73% dos americanos acham que existe evidência sólida de aquecimento global e 60% concordam que os humanos têm pelo menos uma responsabilidade parcial sobre a mudança do clima. Outros dados do estudo: 75% dos democratas têm a visão de que humanos tem pelo menos uma culpa parcial na mudança do clima, contra 35% dos republicanos 34% dos americanos acreditam que os humanos são os principais responsáveis O nível recorde de crença no aquecimento global pelos americanos foi acompanhado também por uma maior porcentagem de pessoas que acredita na influência humana no fenômeno, como mostram os dados. Foram entrevistados 751 pessoas, com pelo menos 18 anos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com variação de quatro pontos percentuais acima e quatro abaixo. A Pesquisa Nacional sobre Energia e Meio Ambiente (NSEE, sigla em inglês) já tem 19 edições onde os americanos são perguntados sobre as questões climáticas. O estudo deste ano, com etapas em andamento com a ajuda da Universidade Michigan e Muhlenberg College, tem a maior porcentagem de pessoas que acreditam na mudança no clima desde 2008 – quando o índice era de 72%.
    Como demanda por óleo de dendê ameaça orangotangos - e o enigma na busca por soluções

    Como demanda por óleo de dendê ameaça orangotangos - e o enigma na busca por soluções


    Estudo indica que dendezais podem estar piorando as chances de sobrevivência da espécie, com a qual compartilhamos 97% de nosso DNA. O orangotango habita florestas que hoje são visadas como áreas para produção de óleo de...


    Estudo indica que dendezais podem estar piorando as chances de sobrevivência da espécie, com a qual compartilhamos 97% de nosso DNA. O orangotango habita florestas que hoje são visadas como áreas para produção de óleo de palma Pixel-mixer/Creative Commons Você sabia que o seu sabonete pode ser uma ameaça à sobrevivência dos orangotangos, espécie com quem compartilhamos 97% do nosso DNA? Pizza, sorvete, biscoitos, margarina, cosméticos - e sabonetes - são alguns dos milhares de produtos que contêm óleo de palma, ingrediente cuja exploração comercial ameaça essa e várias outras espécies. Um novo estudo da International Union for the Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza, IUCN na sigla em inglês) sugere, no entanto, que o uso de óleos alternativos poderia trazer riscos ainda maiores para várias espécies de animais e vegetais. O óleo de palma é produzido a partir de um ingrediente tradicionalíssimo na culinária baiana: o azeite de dendê. Uma vez refinado, o aromático dendê das moquecas, bobó de camarão e vatapá perde sua cor alaranjada e seu aroma e transforma-se em óleo de palma. O cultivo da palma, também conhecida como dendezeiro ou coqueiro de dendê (nome científico Elaeis guineensis), de onde se extrai o óleo de palma, é frequentemente apontado como extremamente danoso para o meio ambiente. Isso ocorre porque, para ceder espaço para as plantações da árvore, que cresce em climas quentes, agricultores recorrem ao desmatamento em áreas ocupadas por florestas tropicais. O Brasil produz óleo de palma, ocupando o décimo lugar no ranking global de produtores. O cultivo no país tem seus problemas. Entre eles, a utilização de agrotóxicos que poluem rios e o impacto da produção em larga escala sobre populações vulneráveis que habitam as áreas de plantio, concentradas no Estado do Pará. No entanto, para evitar o desmatamento, o governo federal determina que o cultivo no país seja feito em terras já degradadas. A situação é ainda mais desafiadora nos países que lideram a produção do óleo de palma no mundo. Malásia e Indonésia Em termos globais, o cultivo do dendezeiro responde por apenas 0,4% do desmatamento. No entanto, essa lavoura está tendo um impacto dramático em algumas regiões da Indonésia e Malásia, onde é responsável por até 50% do desmatamento. Esses dois países são os maiores produtores de azeite de dendê do mundo, produzindo milhões de toneladas do óleo anualmente, em uma indústria que gera mais de US$ 40 bilhões. Proibir a comercialização do óleo não resolveria o problema, dizem os autores do estudo. O mundo continuará precisando de óleos vegetais. E o que também preocupa os especialistas é que esforços para aumentar a demanda por dendê produzido de maneira sustentável não surtiram efeito até o presente. Popular Os orangotangos demoram a se reproduzir - cada indivíduo morto diminui as chances de sobrevivência da população vieleineinerhuelle/Creative Commons Produzido a partir da polpa de cor avermelhada encontrada no dendezeiro, o óleo de palma é o óleo vegetal mais utilizado do mundo. Acredita-se que esteja presente em cerca de 50% de todos os produtos encontrados em supermercados e lojas. Ele é um ingrediente importante, por exemplo, na fabricação de batom - porque é capaz de reter a cor, não tem sabor e não derrete facilmente. É encontrado em xampus, cereais matinais e macarrão tipo miojo, entre outros produtos. Nos últimos 20 anos, a demanda crescente pelo produto levou à destruição de milhares de hectares de florestas tropicais centenárias. E essas florestas são o habitat natural de algumas das espécies mais ameaçadas do mundo, incluindo o orangotango. "Os orangotangos são nativos das terras baixas de Bornéu e Sumatra, e é lá que a palma de óleo é cultivada", disse à BBC News o autor do relatório, Erik Mijaard. "Os dois estão em constante conflito. A (plantação) desloca os orangotangos, eles são empurrados para os jardins da população local e é assim que ocorrem as matanças (de macacos)." "Orangotangos são muito versáteis, mas, se tem uma coisa com a qual orangotangos (enquanto espécie) não conseguem lidar, é a matança. Isso porque se reproduzem de forma muito lenta, então as mortes têm um impacto muito grande." O óleo de palma responde por 35% do óleo vegetal, mas ocupa apenas 10% da terra destinado à produção do produto CC0 Problema complexo Um estudo publicado em fevereiro de 2018 pela revista científica Current Biology revelou que mais de cem mil orangotangos foram mortos nos últimos 16 anos em Bornéu. Coibir o cultivo do dendezeiro, por outro lado, não é a solução, diz o relatório da IUCN. Seus autores dizem que a lavoura de palma vem crescendo justamente porque o dendezeiro, com suas frutas vermelhas, é incrivelmente eficiente na produção de óleo. O óleo de palma responde por 35% do suprimento global de óleos vegetais, mas ocupa apenas 10% da terra alocada para a produção de óleo no planeta. Para substituí-lo com óleo de semente de colza, de girassol ou de soja seria necessário utilizar muito mais terra - segundo estimativas, até nove vezes mais espaço do que o utilizado no cultivo da palma. Resultado: outras espécies seriam ameaçadas em outras regiões do planeta. "Se não existisse óleo de palma, você ainda teria a mesma demanda por óleos vegetais", argumentou Erik Meijaard. "Se você deixa de produzir (óleo de) palma, (outro óleo) terá de ser produzido em outro lugar. Então, em vez de prejudicar os orangotangos, você vai ameaçar ursos, ou onças. Você simplesmente joga o problema para um outro lugar." Governo e consumidores Medidas adotadas pelos governos da Malásia e Indonésia para tentar evitar que o cultivo do dendezeiro destrua as florestas e os animais também têm sido pouco efetivas, dizem os especialistas. Após identificar áreas da floresta que são mais importantes para a biodiversidade, autoridades dos dois países criaram várias iniciativas para tentar preservá-las. No entanto, segundo o relatório, as medidas não surtiram efeito. "Analisamos a diferença entre índices de desmatamento em plantações que receberam certificações (de órgãos de inspeção) na parte indonésia de Bornéu e nas que não foram certificadas. Não vimos muita diferença", diz Meijaard, ressaltando, porém, que a iniciativa é recente. "É preciso tempo para que haja uma melhoria nas práticas. Também é preciso que cresça a demanda por parto do consumidor por óleo de palma certificado." Cultivo sustentável Uma outra solução, apontam ambientalistas, é incentivar o cultivo sustentável do dendezeiro. Para isso, foi criada a Roundtable on Sustainable Palm Oil (RSPO). Em linhas gerais, produzir o óleo de palma de forma sustentável significa não desmatar e não desrespeitar os direitos dos trabalhadores da indústria. O site da entidade faz várias recomendações a agricultores, fabricantes, comerciantes, consumidores e governos. Entre elas, usar terras degradadas para plantio, investir em pesquisa para aumentar produtividade e eficiência e comprar apenas óleo de palma produzido de maneira sustentável (o que implica identificar todos os intermediários na cadeia de suprimento, do produtor até o varejista). Consumidores devem pesquisar e apoiar marcas comprometidas com a sustentabilidade, participar e divulgar campanhas de conscientização e apoiar entidades de conservação. O relatório da IUCN diz que o trabalho da RSPO tem sido limitado pela baixa demanda, dificuldades na identificação dos produtos sustentáveis e ausência de monitoramento e controle efetivos. A RSPO, por sua vez, diz que é difícil melhorar seus resultados sem "o apoio mais amplo da sociedade".
    Onça-pintada escapa e mata seis animais de zoológico em Nova Orleans

    Onça-pintada escapa e mata seis animais de zoológico em Nova Orleans


    Zoológico fechou depois do incidente. Parte da população de alpacas morreu após ataque. Foto mostra onça-pintada: o maior felino das Américas Suzana Negrini/VC no TG Uma onça-pintada fugiu e matou seis animais do zoológico de Audubon em Nova...


    Zoológico fechou depois do incidente. Parte da população de alpacas morreu após ataque. Foto mostra onça-pintada: o maior felino das Américas Suzana Negrini/VC no TG Uma onça-pintada fugiu e matou seis animais do zoológico de Audubon em Nova Orleans, nos EUA. A informação é da rede americana "NBC". Após o incidente neste sábado (14), o zoológico foi fechado e o animal recapturado após ser sedado. Toda a população de alpacas foi ferida ou morta neste incidente. Três outros animais ficaram feridos e estão atualmente sob cuidados imediatos, de acordo com o médico do zoológico, Frank Burks. O incidente ocorreu às 7h20, horário local, quando Valerio, uma onça-pintada de 3 anos de idade, fugiu de seu habitat. Não houve feridos e a equipe conseguiu levar o felino de volta à jaula dentro de uma hora, segundo uma coletiva de imprensa no sábado. "Em um período de mais de 100 anos, nunca tivemos nenhum incidente como esse", disse Ron Forman, presidente e diretor executivo do Audubon Nature Institute, em entrevista coletiva no sábado. "Esta é de longe a maior tragédia que tivemos." O zoológico também afirmou que eles têm práticas em vigor que são destinadas a evitar esses incidentes. "Recebemos inspeções algumas vezes por ano da Associação de Zoológicos e Aquários desde 1981", disse Forman. "Estamos procurando investigar tudo o que aconteceu e impedir que algo assim aconteça novamente", disse Forman. O zoológico tem 100 anos e abriga 2.000 animais. Forman também disse que a equipe receberia aconselhamento apropriado sobre luto nos próximos dias: "Esses animais são sua família, essas pessoas cuidam deles 24 horas por dia e sete dias por semana". Foto mostra duas alpacas Ilya Naymushin/Reuters Quando um repórter perguntou se este tipo de comportamento é normal para uma onça, Burks respondeu: "Esse comportamento não é fora do comum para esse tipo de animal. Provavelmente era uma situação territorial". Forman encerrou a coletiva de imprensa garantindo aos futuros frequentadores do zoológico as condições de segurança de seu parque, dizendo: "Estatisticamente, não há nada com que se preocupar". Uma investigação interna está examinando como o animal escapou de sua jaula e o zoológico de Audubon deve reabrir no domingo (15).
    Eventos climáticos extremos devem ser cada vez mais fatais

    Eventos climáticos extremos devem ser cada vez mais fatais


    Recentes enchentes no Japão e onda de calor no Canadá mataram centenas. Segundo especialistas, tendência é crescente, e vítimas podem chegar a mais de 150 mil por ano na Europa. Acordo de Paris segue como esperança. Entulhos de casas após...


    Recentes enchentes no Japão e onda de calor no Canadá mataram centenas. Segundo especialistas, tendência é crescente, e vítimas podem chegar a mais de 150 mil por ano na Europa. Acordo de Paris segue como esperança. Entulhos de casas após inundações registradas em Kurashiki, no Japão Issei Kato/Reuters Recentemente, chuvas pesadas e inundações fizeram 200 vítimas no oeste do Japão, enquanto no Canadá uma onda de calor sem precedentes deixou cerca de 70 mortos. Em meio a esse cenário, climatologistas advertem que mortes provocadas por condições meteorológicas extremas podem se multiplicar, caso as emissões de gases do efeito estufa não sejam controladas. O número de eventos atmosféricos extremos aumentou nas últimas décadas, aponta Stefan Rahmstorf, copresidente do setor de pesquisa Análise do Sistema Terrestre no Instituto de Potsdam de Pesquisa do Impacto Climático (PIK). "Nossa Terra está mais uma vez sendo atingida por fenômenos meteorológicos extremos, incluindo calor e incêndios incontroláveis na Califórnia e enchentes pluviais devastadoras no Japão. Com base nas leis da física, em face do aquecimento global nós temos que contar com eventos mais frequentes e piores." Tais fenômenos extremos – que incluem tempestades severas, inundações inesperadas e imprevisíveis, ondas de calor e ondas de frio fora de época – já mataram centenas de milhares e prejudicaram milhões nos últimos 20 anos, aponta um relatório conjunto de 2015, da Organização Meteorológica Mundial (WMO) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Cientistas apontam que as mudanças clima´ticas estão aumentando a frequência e a intensidade de eventos extremos do tipo, fazendo com que seja mais difícil que governos se preparem e respondam a desastres. Isso significa um custo de bilhões de dólares para governos mundo afora, e um impacto incalculável sobre vidas humanas. Europa na mira do clima Segundo um estudo de 2017 publicado na revista especializada The Lancet Planetary Health, entre 2071 e 2100, cerca de 152 mil pessoas na Europa poderiam morrer por ano em consequência direta de intempéries – número 50 vezes superior ao registrado de 1981 a 2010. Empregando métodos ultramodernos para analisar os desastres meteorológicos dos anos recentes e projetando os padrões detectados sobre populações futuras, os autores atribuem 99% das mortes estimadas a ondas de calor. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Giovanni Forzieri, coautor de um estudo do Centro Conjunto de Pesquisa da União Europeia na Itália, afirmou que as projeções poderiam ser ainda mais drásticas. "Essas estimativas são realmente alarmantes, mas nosso cenário não é o pior que poderíamos escolher: é o cenário médio de emissões de gases do efeito estufa", disse. Os europeus enfrentam um aumento de riscos de mais de 90%, devido às mudanças climáticas, acrescentou. As mudanças projetadas são dominadas pelo aquecimento global e pelo incremento de riscos de fundo meteorológico, como frentes frias e ondas de calor. Dados simplificados demais? Por sua vez, Clare Nullis, encarregada de imprensa da WMO, alerta contra correlações diretas demais. "Precisamos ser cuidadosos com os dados, porque há cenários demais a se considerar. O ano passado foi um dos mais caros já registrados, devido às perdas econômicas relacionadas à temporada de furacões. No entanto, o número de mortes nem chegou perto dos níveis vistos algumas décadas atrás", afirma. Também segundo Ovais Sarmad, vice-diretor da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, em Bonn, Alemanha, é possível que os resultados sejam supersimplificados, considerando-se diversos fatores durante a coleta de dados. "Embora haja tentativas de fixar esses dados, isso se tem provado extremamente difícil, devido a imprecisões, registros insuficientes e dados pouco confiáveis", aponta. Sarmad também ressalta que a metade das vidas perdidas se deve a impactos secundários, como deslizamentos de terra em seguida a chuvas torrenciais, sendo extremamente difíceis de registrar. Forzieri já antecipara as ressalvas: "Apesar do fato de nossas estimativas estarem sujeitas a incerteza, elas não deixam de ressaltar tendências importantes. Aquecimento global, transformações demográficas e expansão urbana podem resultar num rápido aumento dos efeitos dos perigos relacionados às intempéries sobre os seres humanos da Europa." Acordo de Paris segue valendo Os especialistas concordam que, apesar da variação das cifras, para contrapor essa dinâmica preocupante o mundo precisa adotar e implementar o Acordo do Clima de Paris – "rápida e integralmente", a fim de "estabilizar nosso clima", diz Rahmstorf. Igualmente enfatizando a importância do pacto internacional, Sarmad lembra que a ONU tem atuado junto a governos e empresas, em todos os níveis: 178 países ratificaram o Acordo de Paris, e o setor privado tem investido mais tempo e esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, frisa o funcionário das Nações Unidas. "A ONU tem colaborado com grupos de interesse não partidários e com governos para reduzir os gases do efeito estufa, de forma a darmos fim ao número preocupante de mortes relacionadas a desastres meteorológicos. Isso é encorajador e mostra a importância de deixar um meio ambiente melhor para a próxima geração." Algumas dessas colaborações incluem melhores métodos de prevenção, os quais, segundo Nullis, são outro aspecto-chave no combate à alarmante tendência. "As mudanças climáticas estão certamente tendo um forte impacto em diversos aspectos de nossa vida, incluindo segurança alimentar, saúde, gestão hídrica e deslocamentos demográficos. Porém melhores previsões e redução dos riscos de desastres têm ajudado a salvar vidas." Apesar de um certo sentimento de desânimo quanto a metas de proteção do clima, muitos governos seguem comprometidos com a limitação dos impactos das mudanças climáticas. Num relatório divulgado em 2017, dois anos após a adoção do Acordo de Paris, a União Europeia afirmou que reduziria suas emissões em no mínimo 40% até 2030.
    Iceberg gigante ameaça vilarejo na Groenlândia

    Iceberg gigante ameaça vilarejo na Groenlândia


    Receio de que o bloco de gelo se parta e provoque um tsunami fez com que moradores fossem retirados de perto do iceberg. Receio de que o bloco de gelo se parta e provoque um tsunami fez com que moradores fossem retirados de perto do iceberg Reuters Um...


    Receio de que o bloco de gelo se parta e provoque um tsunami fez com que moradores fossem retirados de perto do iceberg. Receio de que o bloco de gelo se parta e provoque um tsunami fez com que moradores fossem retirados de perto do iceberg Reuters Um iceberg gigante, com rachaduras e buracos, ameaça um vilarejo no oeste da Groenlândia, que está em estado de alerta. Moradores foram retirados de suas casas com o receio de que o enorme bloco de gelo se parta, provocando tsunamis e inundações. Apesar de assustar os moradores da vila de Innaarsuit, o iceberg não se moveu à noite, segundo a imprensa local. No ano passado, quatro pessoas morreram depois que ondas inundaram casas na Groenlândia, após um tremor. Blocos de gelo que se desprendem do círculo polar durante o verão passam com frequência pela Groenlândia, região autônoma da Dinamarca que é banhada pelo Oceano Glacial Ártico. Mas autoridades da Groenlândia afirma que nunca viram um bloco de gelo tão grande e tão perto. Os 169 moradores cujas casas estavam mais perto do iceberg foram levados para áreas mais seguras, segundo informou a agência de notícias dinamarquesa Ritzau. Rachaduras e buracos no iceberg "Há rachaduras e buracos (no iceberg) que nos fazem temer que possa partir a qualquer momento", disse Susanne Eliassen, membro do conselho local, ao jornal Sermitsiaq. A estação de energia do vilarejo fica perto da costa, assim como tanques de combustível. Por isso, o receio de que o iceberg gigante cause danos ainda maiores à região. Em junho, cientistas da Universidade de Nova York divulgaram imagens de um imenso iceberg que se desprendeu de uma geleira no leste da Groenlândia. Alguns especialistas alertaram que o desprendimento de grandes blocos de gelo pode se tornar cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas. Isso, por sua vez, aumenta o risco de tsunamis e inundações.
    Relatório aponta distância de o Brasil atingir o desenvolvimento sustentável

    Relatório aponta distância de o Brasil atingir o desenvolvimento sustentável


    Amelia Gonzalez "Os abismos sociais entre ricos e pobres se aprofundam, consolida-se a exclusão histórica baseada em raças, etnias, identidade de gênero e orientação sexual; continuam os ataques às Unidades de Conservação, à legislação...


    Amelia Gonzalez "Os abismos sociais entre ricos e pobres se aprofundam, consolida-se a exclusão histórica baseada em raças, etnias, identidade de gênero e orientação sexual; continuam os ataques às Unidades de Conservação, à legislação ambiental. Os índices brasileiros de violência e desigualdades seguem entre os maiores do mundo e os problemas intensificam-se à medida que as lideranças políticas progressistas não conseguem produzir convergências, a sociedade civil é alimentada por fake news e o desmonte dos principais mecanismos de proteção social e ambiental, conquistados ao longo de décadas, avança". O cenário descrito acima é brasileiro. E quem dá o alerta é o Grupo de Trabalho da Sociedade Civil (GTSC) para Agenda 2030, no Relatório Luz 2018, que acaba de ser divulgado. O GTSC tem cerca de 40 membros de diferentes setores e foi formatado logo depois de a Agenda de Desenvolvimento ter sido oficialmente adotada pelos Chefes de Estado e de Governo do mundo todo na "Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2015", que aconteceu na sede da ONU, em Nova York. A Agenda substituiu os Objetivos do Milênio, metas que deveriam ter sido alcançadas em 2015, mas não foram. A Agenda acrescentou alguns desafios aos líderes das nações. O Brasil, porém, segundo o estudo, trilha um caminho, nos últimos três anos, absolutamente incoerente com aquele caminho proposto pela Agenda assinada em Nova York. A primeira análise que o Grupo de Trabalho se propôs a fazer foi com relação à erradicação da pobreza, uma das metas apresentadas na Agenda assinada pelos países, entre eles o Brasil, é bom que se diga. "Uma das ações mais opostas à Agenda 2030 promovida pelo atual governo (de Michel Temer) foi a aprovação, em dezembro de 2016, da Emenda Constitucional 95, que limitou o aumento dos gastos públicos à variação da inflação por vinte anos, seguida por uma série de outras propostas ao Congresso Nacional, algumas já aprovadas, como a Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017) a mais danosa aos interesses e direitos dos e das trabalhadoras pois, entre outras coisas, rebaixa a capacidade de negociação dos sindicatos e fragiliza o Trabalho diante do Capital, num contexto de crise e ameaça de desemprego", diz o relatório. De 2012 até o ano passado, a taxa de desemprego nunca esteve tão alta (12,7% em 2017), o que contribuiu para um acelerado crescimento da pobreza e da extrema pobreza nos dois últimos anos. Em relação à extrema pobreza, o país volta aos números de 2005, segundo o relatório. E, em relação à pobreza, aos de 2009. "A pesquisa mostrou ainda que os 10% mais bem remunerados detinham 43,3% da massa de rendimentos, enquanto os 10% de menor renda ficaram com apenas 0,7% desta. O 1% mais rico teve rendimento 36,1 vezes maior do que o rendimento médio da metade de baixo da pirâmide social", contam os pesquisadores. Indo mais fundo nas origens da pobreza, os estudos deram forma às preocupações que vêm sendo motivo de recorrentes debates entre ambientalistas que defende a causa do desenvolvimento sustentável: "A pobreza também se acentua a partir do modelo econômico, ancorado – entre outras monoculturas primárias –, no extrativismo mineral, que cresce de forma acelerada, incentivada e desorganizada em determinadas regiões, gerando graves impactos socioeconômicos, com forte aumento da desigualdade e gerando um crescimento econômico que concentra a renda", diz o estudo. Regiões que vivenciam o boom nos preços das commodities são exemplo claro do impacto causado pelas atividades de mineração. Em geral, as empresas levam ao local uma expectativa de desenvolvimento que é frustrada. Paralelo à chegada do empreendimento, o que se vê é uma espécie de corrida para ver quem consegue lucrar mais. Há especulação imobiliária, ocupações irregulares são construídas para fazer caber o exército de pessoas que se espera. Com a superpopulação, a região outrora pacata, que seguia seu rumo sem grandes saltos, acaba sendo vítima das mazelas das grandes cidades, sem ter se tornado uma. A omissão do Estado brasileiro em garantir proteção social aos grupos mais vulneráveis só faz agravar um quadro de privações que se agiganta. Somente em 2019 é que serão disponibilizados os dados necessários para confirmar a advertência feita pelo mesmo Relatório Luz do ano passado: o Brasil vai acabar voltando ao Mapa da Fome, do qual saíra em 2014. O atual governo promoveu um desmonte de políticas que haviam dado certo neste sentido, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a Política Nacional de Assistência Técnica (Pnater), botando o país na contramão da história, segundo afirmam os pesquisadores. E não é difícil presumir que eles dizem a verdade, como demonstram os dados: "Em 2012, por exemplo, o PAA executou R$ 800 milhões e atendeu 180 mil agricultores. Em 2016 seu contingenciamento reduziu esse total a 75 mil e, em 2017, um novo contingenciamento promoveu um drástico corte, baixando o número de agricultores beneficiados para 25 mil. Em 2018, a perspectiva é praticamente de extinção, com um orçamento de R$ 750 mil". Para não dizer que a visão é só pessimista, o relatório registra as melhoras que aconteceram nos dados de mortalidade materna, um dos ODS firmados em comum acordo pelos países da ONU. Em 2017 registrou-se 57.560 óbitos, enquanto em 2015 este número foi maior: 63.590. No entanto, ainda são índices altos. Já que estamos na área da Saúde, vale lembrar outro dado do relatório que põe o país em má situação quanto a atingir os ODS, lembrando que restam ainda 12 anos para chegar lá. Mas é difícil imaginar que um país que destina apenas 7,7% de seu orçamento à saúde – taxa inferior à média mundial e uma das mais baixas das Américas – possa estar realmente preocupado em garantir o bem estar social à sua população. Um número que também assusta abre o capítulo sobre Educação: no Brasil de hoje, 2,5 milhões de crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos estão fora da escola. Assim mesmo, os investimentos em educação representam 4,9% do PIB, diz o estudo. É preciso investir também na melhoria da infraestrutura escolar, alertam os representantes da ONU. E precisava alertar? Talvez eu vá cansar o leitor se destrinchar ainda mais o relatório, que mostra o nível de privações a que o atual estado brasileiro anda submetendo cidadãos. Relatórios como este são importante fonte de informação e servem também para que pessoas comuns entendam que políticas públicas para reverter este quadro dependem daqueles que se elege como governante. Amelia Gonzalez Arte/G1
    China deixa de comprar lixo reciclável dos EUA e americanos ficam sem saber o que fazer com material

    China deixa de comprar lixo reciclável dos EUA e americanos ficam sem saber o que fazer com material


    Asiáticos aumentam exigência e dizem que resíduos estão contaminados. Lixo acumula nos EUA após China deixar de comprar reciclados Ivan Couronne/AFP Há alguns meses, a usina de reciclagem da área metropolitana de Baltimore-Washington, nos...


    Asiáticos aumentam exigência e dizem que resíduos estão contaminados. Lixo acumula nos EUA após China deixar de comprar reciclados Ivan Couronne/AFP Há alguns meses, a usina de reciclagem da área metropolitana de Baltimore-Washington, nos Estados Unidos, tem um problema: precisa pagar para se desfazer do papel e do plástico, em vez de vendê-los, porque a China já não os compra mais, com o argumento de que estão "contaminados" demais. As 900 toneladas de lixo para reciclar descarregadas por caminhões 24 horas por dia, cinco dias por semana, nas esteiras transportadoras da usina de Elkridge, a uma hora da capital americana, certamente não estão limpas. Em meio a um barulho mecânico infernal e a uma nuvem de poeira marrom, dúzias de trabalhadores com luvas e máscaras, em sua maioria mulheres, separam com as mãos uma miscelânea de lixo, roupas, objetos de madeira, cabos, galhos de árvores... e a obsessão dos recicladores: as sacolas de plástico, que não devem ir para reciclagem porque ficam presas nas máquinas. O objetivo é "descontaminar" o máximo possível, ou seja, por um lado, separar estritamente os materiais recicláveis dos não recicláveis, e por outro, garantir que as pilhas finais de plástico, papel ou papelão não contenham outro material. Grupo trabalha para tentar 'limpar' lixo nos EUA Saul Loeb/AFP "Inclusive tivemos que desacelerar as máquinas e contratar mais pessoas" para uma melhor descontaminação, diz o gerente da usina, Michael Taylor. No fim da classificação, foram gerados grandes cubos de resíduos compactados. Estes eram comprados havia décadas por empresas, principalmente na China, que os limpavam, trituravam e transformavam em matéria prima para industriais. Mas estes importadores ficavam insatisfeitos quando os fardos de plástico estavam sujos demais ou não eram "puros" o suficiente. No ano passado, a China comprou mais da metade dos resíduos recicláveis exportados pelos Estados Unidos. Em escala mundial, desde 1992, 72% dos resíduos plásticos terminaram na China e em Hong Kong, segundo um estudo da "Science Advances". Chineses argumentam que lixo não está limpo o suficiente Saul Loeb/AFP Mas desde janeiro, as fronteiras chinesas foram fechadas para a maior parte do papel e do plástico, como consequência de uma nova política ambiental de Pequim, cujas autoridades querem que deixe de ser o lixão do planeta. Em relação ao resto de resíduos, incluindo o metal e o papelão, os inspetores chineses estabeleceram uma taxa de contaminação de 0,5%, baixa demais para as tecnologias atuais dos Estados Unidos, que não conseguem classificar os resíduos com tanta precisão. O setor prevê que quase todas as categorias de resíduos serão rejeitadas até 2020. Transição brusca Em Elkridge, a usina ainda vende suas garrafas PET a um comprador na Carolina do Sul, e seu papelão no exterior. Mas o papel misturado e o plástico misturado não têm valor, de modo que a usina paga a empresas terceirizadas para que os levem embora. Em outras partes dos Estados Unidos, os recicladores resolveram a questão de outra forma: já não classificam o plástico e o papel, que terminam nos lixões. "Ninguém quer dizer isso em voz alta porque ninguém gosta de fazer isso", diz Bill Caesar, diretor da WCA, uma companhia com sede em Houston. Os gigantes americanos Republic Services e Waste Management reconheceram ter feito isso pontualmente, como em Oregon. As cidades pequenas, especialmente na Flórida, simplesmente cancelaram a coleta de resíduos para reciclagem. Os outros países importadores, Indonésia, Vietnã e Índia, não podem absorver as dezenas de milhões de toneladas que a China comprava. E poucos industriais americanos têm a tecnologia para processar estes materiais. "A China deu muito pouco tempo ao setor para se adaptar", diz Adina Renee Adler, do Instituto de Indústrias de Reciclagem de Sucata, uma grande federação profissional. "Em breve teremos tanto inventário que seremos obrigados a pôr cada vez mais nos lixões se não encontrarmos novos mercados", admite o presidente da Associação Nacional de Resíduos e Reciclagem, Darrell Smith. Cada vez mais caro O problema começa a se fazer notar nas negociações dos contratos municipais. Especialmente porque muitas cidades têm objetivos ambiciosos de reciclagem, como Washington, que quer passar de 23% dos resíduos domésticos a 80%. A capital já está pagando 75 dólares para reciclar uma tonelada, contra 46 dólares pelo lixo, que é queimado para gerar eletricidade. "Houve um momento em que era mais barato reciclar, mas já não é o caso", explica Christopher Shorter, diretor de obras públicas de Washington. "Reciclar nos vai custar cada vez mais caro". Para evitar sanções financeiras, a cidade quer "educar" seus cidadãos para que deixem de pôr no contêiner azul os resíduos que não correspondam a ele, como as sacolas plásticas. E para reduzir o volume de resíduos para reciclar ou queimar, está considerando a coleta de resíduos orgânicos, com um futuro terceiro contêiner, e a construção de uma usina de compostagem. E pensa fazer com que os habitantes paguem pelo peso do lixo que descartarem. Mas inclusive com estas medidas, Bill Caesar, em Houston, adverte os americanos: falta pouco para que tenha que se pagar mais pelo "privilégio de reciclar".
    A curiosa razão pela qual há insetos homossexuais

    A curiosa razão pela qual há insetos homossexuais


    Intrigado com o alto gasto energético do relacionamento homossexual em insetos, pesquisador fez um experimento com besouros e descobriu que eles parecem ter pouca capacidade de discernir entre machos e fêmeas. Pesquisa notou que o besouro castanho...


    Intrigado com o alto gasto energético do relacionamento homossexual em insetos, pesquisador fez um experimento com besouros e descobriu que eles parecem ter pouca capacidade de discernir entre machos e fêmeas. Pesquisa notou que o besouro castanho não tem grande poder de discernimento na hora de escolher um parceiro sexual Martin Taylor A homossexualidade em insetos é tão ampla quanto enigmática, segundo o biólogo Kris Sales, da universidade britânica de East Anglia. "Por que a evolução permite que continue existindo uma custosa atividade homossexual, quando a reprodução é atingida primariamente pelo acasalamento heterossexual?", questionam Sales e seus colegas em seu estudo mais recente, publicado no periódico Animal Behaviour. Relações homossexuais já foram registradas em mais de cem espécies de insetos e são atividades trabalhosas para eles, com grande gasto de energia e tempo. "Em algumas espécies, como um gafanhoto, cada ejaculação chega a equivaler a um quarto do peso corporal dele", explicou Sales à BBC News Mundo. "No caso de uma espécie de mosca da fruta, o fluido do sêmen é mais comprido que todo seu corpo." Sales se pôs, então, a pesquisar os motivos de os insetos alocarem tanta energia no sexo homossexual, que não permite o acasalamento e ainda traz, como qualquer atividade sexual, riscos – desde transmissão de cerca de uma centena de doenças sexuais já identificadas nessas criaturas até lesões que podem ser causadas por parceiros com órgãos sexuais perfurantes. Como se explica a homosexualidade em insetos Nessa busca, o biólogo identificou uma teoria bastante interessante: há pesquisadores que sugerem que o relacionamento homossexual nos insetos traz vantagens evolutivas, uma vez que reduz a competição entre machos – ao distrair ou machucar rivais que disputam uma fêmea. Mas a pesquisa de Sales acabou encontrando indícios que sustentam outra teoria: a de que a homossexualidade ocorre "simplesmente porque os machos não reconhecem bem a seus pares". O biólogo e seus colegas projetaram um experimento em laboratório com uma espécie chamada besouro castanho (Tribolium castaneum). O besouro foi escolhido porque tem um ciclo de vida relativamente rápido e "cresce facilmente em um ambiente com farinha, levedura e aveia", explicou o biólogo. "Comparamos dois grupos de besouros, um com mais machos que fêmeas e outro com mais fêmeas que machos", relatou. "Depois, observamos a copulação de cerca de 300 machos. Criamos um ambiente para os insetos com 30ºC de calor e 60% de umidade e passamos 50 horas observando-os enquanto tentavam copular." Interesses variáveis Sales e seus colegas constataram que os dois grupos observados estavam igualmente motivados para copular. Mas havia uma diferença: no grupo com menos fêmeas, em que a competição masculina era maior, cresceu a incidência dos machos que buscaram primeiro as fêmeas e passaram mais tempo copulando com elas. Já no grupo com menos machos que fêmeas, porém, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular tanto com fêmeas quanto com os demais machos. Para Sales, isso indica que "o comportamento homossexual em insetos, especialmente nesses besouros, não é uma adaptação evolutiva, porque quando existe a pressão da competição, a homossexualidade se torna menos comum". "Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre", disse o pesquisador à BBC News Mundo. O besouro castanho tem uma visão ruim, tendo dificuldades para distinguir entre machos e fêmeas. Após a publicação de seu estudo, Sales e seus colegas esperam agora investigar o mecanismo exato pelo qual esses besouros conseguem identificar as fêmeas. O biólogo destacou que, embora os besouros e escaravelhos representem cerca de 25% das espécies conhecidas de insetos, as conclusões do estudo não podem ser extrapoladas a outras espécies com funções cognitivas e estruturas sociais mais complexas, como aves e mamíferos.
    Rinocerontes ameaçados de extinção morrem durante transporte no Quênia

    Rinocerontes ameaçados de extinção morrem durante transporte no Quênia


    Mortes aconteceram em translocação de animais para uma reserva no sul do país. Assim dobra-se o número de perdas em operações semelhantes nos últimos 12 anos. Rinocetonte-negro posicionado para o transporte no Quênia Tony Karumba/AFP Oito...


    Mortes aconteceram em translocação de animais para uma reserva no sul do país. Assim dobra-se o número de perdas em operações semelhantes nos últimos 12 anos. Rinocetonte-negro posicionado para o transporte no Quênia Tony Karumba/AFP Oito rinocerontes-negros morreram após serem transferidos para o parque natural de Tsavo Leste, o maior do Quênia, informou o governo queniano nesta sexta-feira (13). O Serviço de Conservação da Vida Selvagem do Quênia (KWS, na sigla em inglês) abriu um inquérito para esclarecer a causa das mortes dos animais, cuja espécie está em vias de extinção. A transferência de 11 rinocerontes-negros das reservas de Nairobi e do lago Nakuru foi feita no âmbito de um plano que contou com a participação do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). O objetivo era criar espaços mais seguros para os animais, num habitat adequado. O incidente foi classificado como "um desastre" dobrando o número de mortes dessa espécie em operações semelhantes, nos últimos 12 anos. "Não é a primeira vez que o KWS transfere animais, pelo que merecemos saber a causa da morte deste animal precioso. Algo correu mal e queremos saber o quê", disse Paula Kahumbu, diretora da ONG ambientalista Wildlife Direct, que exigiu do ministro de Turismo e Vida Selvagem, Najib Balala, uma investigação rápida do episódio. Segundo o Ministério do Turismo, investigações preliminares sugerem que os rinocerontes possam ter sucumbido a "intoxicação por sal, como resultado da ingestão de água de alta salinidade na chegada ao novo ambiente". "Os altos níveis de sal levam à desidratação, que desencadeia o mecanismo de sede, resultando no consumo excessivo de água salina, o que agrava ainda mais o problema", dizem os autores do estudo. Um relatório completo, porém, ainda deverá ser divulgado nos próximos dias. Grupo do Quênia se prepara para sedar rinoceronte-negro antes do transporte Tony Karumba/AFP Enquanto isso, Balala ordenou que o KWS suspenda imediatamente a translocação em curso. O órgão anunciou que "medidas disciplinares serão definitivamente tomadas, se as conclusões apontarem para negligência ou conduta não profissional por parte de qualquer oficial do KWS". A chamada translocação de animais em extinção consiste em colocá-los para dormir durante a jornada, para depois reanimá-los, num processo que envolve certos riscos. A perda de tantos rinocerontes de uma só vez, porém, é algo sem precedentes. Entre 2005 e 2017, por exemplo, um total de 149 rinocerontes foram deslocados dessa forma, também com um saldo de oito mortos. A ONG Save the Rhinos estima que haja menos de 5.500 rinocerontes-negros no mundo, todos concentrados na África. No Quênia, sua população é de 750, de acordo com o Worldwide Fund for Nature.
    Espécie de rinoceronte que só tem mais dois animais pode ser salva da extinção por fertilização in vitro

    Espécie de rinoceronte que só tem mais dois animais pode ser salva da extinção por fertilização in vitro


    A história dramática do mamífero mais ameaçado de extinção do planeta, o rinoceronte branco do norte, pode ser reescrita por cientistas; método foi usado para produzir embriões a partir do esperma de dois machos que já morreram. Sudan, o...


    A história dramática do mamífero mais ameaçado de extinção do planeta, o rinoceronte branco do norte, pode ser reescrita por cientistas; método foi usado para produzir embriões a partir do esperma de dois machos que já morreram. Sudan, o último rinoceronte branco do norte macho, que morreu em março de 2018 Reuters A história dramática do mamífero mais ameaçado de extinção do planeta, o rinoceronte branco do norte, pode ser reescrita pela fertilização in vitro, dizem cientistas. Eles usaram o método para produzir embriões a partir do esperma de dois machos que já morreram. A técnica poderia ser uma maneira de "resgatar genes valiosos" de uma subespécie que já está praticamente extinta – Sudan, o último macho, morreu no começo deste ano com 45 anos. Agora, restam apenas duas fêmeas. Os embriões não foram produzidos usando os óvulos delas, mas sim de uma subespécie próxima - os rinocerontes brancos do sul, que também estão em perigo, mas existem em número muito maior que os parentes do norte. Mas, segundo os pesquisadores, o método que foi desenvolvido pode funcionar com óvulos dessas duas fêmeas da subespécie do norte. E, acreditam os cientistas, dentro de três anos, pode nascer um filhote 100% de rinoceronte branco do norte. Os pesquisadores extraíram óvulos microscópicos, usando uma agulha guiada por ultrassom Nature Communications Por que fazer fertilização in vitro de rinoceronte? A complexidade de extrair o óvulo de uma fêmea de duas toneladas, sem comprometer sua segurança, foi explicada no periódico científico "Nature Communications". "Você não pode tocar os ovários com as mãos. Então, nós desenvolvemos um instrumento especial", afirmou Thomas Hildebrandt, do Instituto para Pesquisa de Zoo e Vida Selvagem de Leibniz, na Alemanha, um dos autores da pesquisa. "Nós usamos ultrassom para injetar uma agulha de maneira muito precisa (na área dos ovários que liberam) os óvulos." O procedimento foi realizado quando a fêmea de rinoceronte branco do sul estava sob anestesia geral. Mas o processo ainda é muito arriscado. Muito perto dos ovários, explica Hildebrandt, fica localizada uma "enorme artéria". Uma perfuração muito provavelmente mataria o animal. Considerando que existem apenas duas fêmeas da subespécie do norte, é um risco muito grande. Até por isso, a primeira fase da pesquisa foi feita com a subespécie do sul. Depois que os óvulos foram retirados com segurança, a equipe de cientistas teve o desafio de fertilizá-los com o esperma dos rinocerontes brancos do norte machos - animais que já morreram. Os pesquisaores injetaram o esperma em cada óvulo e usaram uma corrente elétrica para estimular que eles se fundissem. O resultado foi a obtenção de embriões viáveis. "Ninguém acreditou que houvesse esperança para essa subespécie", diz Hildebrandt. "Mas com o conhecimento que temos agora, nós estamos confiantes de que isso vai funcionar com os embriões de rinoceronte branco do norte. E que nós poderemos gerar uma população viável." Isso pode trazer de volta o rinoceronte branco do norte? Os pesquisadores acham que sim. Outros cientistas que têm se envolvido em esforços para salvar o animal concordam que esse é um passo importante. Já Terri Roth, do Zoológico de Cincinnati, acha que a expectativa dos cientistas por um novo filhote de rinoceronte branco do norte dentro de três anos é otimista demais. "A transferência do embrião (para outra fêmea que será a barriga de aluguel) ainda está engatinhando. E ainda não foi bem sucedida em nenhuma espécie de rinoceronte", afirmou à BBC News. "E há apenas duas fêmeas de rinoceronte branco do norte vivas hoje. Qualquer embrião produzido hoje provavelmente precisaria ser congelado até que uma barriga de aluguel possa ser encontrada." Rinocerontes brancos estão sob forte risco de extinção WWF/Save the Rhino/Getty/EPA/Reuters Por que só restam apenas duas fêmeas de rinocerontes branco do norte? A caça aos animais é a maior ameaça aos rinocerontes. "A forma mais eficaz de salvar os rinocerontes da extinção é interromper a caça. Porém, isso tem se mostrado muito difícil", afirma Roth para a BBC News. "No final dos anos 1990, até a espécie do rinoceronte branco do norte tinha uma chance de se recuperar. Porém, uma guerra civil irrompeu na República Democrática do Congo e todos os rinocerontes foram mortos." A perda de habitat é outra ameaça aos rinocerontes. Os especialistas engajados na preservação desses grandes mamíferos afirmam que a criação de parques estatais e reservas são essenciais para preservação dos animais remanescentes. "É importante que a gente aprenda com a dramática situação do rinoceronte branco do norte. E garanta que, o que ocorreu com ele, não se repita com outras espécies ameaçadas", afirma Roth. "Por mais incrível que a ciência seja, nós não devemos chegar a tal ponto que essas tecnologias sejam a única esperança para salvar as espécies", acrescenta.
    Buldogue com dificuldade para respirar é salva por tripulação de avião com ajuda de máscara de oxigênio

    Buldogue com dificuldade para respirar é salva por tripulação de avião com ajuda de máscara de oxigênio


    Darcy, de 3 anos, estava em voo que iria até Massachusetts, nos EUA, quando ficou com língua e gengiva azuis. Comissários levaram gelo e, depois, equipamento usado normalmente nos aviões. Cachorro recebe atendimento em avião após passar...


    Darcy, de 3 anos, estava em voo que iria até Massachusetts, nos EUA, quando ficou com língua e gengiva azuis. Comissários levaram gelo e, depois, equipamento usado normalmente nos aviões. Cachorro recebe atendimento em avião após passar mal Michele Burt/Reprodução/Facebook Uma buldogue francesa, que se chama Darcy, estava em voo de Flórida para Massachusetts, nos Estados Unidos, na última quinta-feira (5), quando começou a mostrar uma certa dificuldade para respirar, de acordo com sites americanos. A língua e gengivas ficaram azuis. Foi quando dois comissários de bordo apareceram para ajudar com a máscara de oxigênio. Eles também levaram gelo, segundo o "New York Post". Fotos divulgadas nas redes socias mostram a cachorrinha de três anos ao lado da janela sendo tratada com a máscara amarela posicionada em frente ao fucinho. Meu cachorro desmaiou, e agora? Saiba o que fazer para reanimar seu pet "Todos somos afetados pela mudança de pressão da cabine e flutuação do oxigênio: humanos, cães, gatos, etc... Mas o fato de os atendentes serem receptivos e atentos à situação pode ter salvado a vida de Darcy", escreveu a dona Michele Burt, em carta enviada à empresa aérea e postada no Facebook. "Coloquei a máscara sobre o rosto dela e, em poucos minutos, ela ficou melhor e não quis mais", disse. "Eu acredito que os comissários de bordo Renaud e Diane salvaram uma vida, alguns podem reduzir a vida de Darcy porque ela é uma cachorra, mas eu não". Segundo o texto da dona, a tripulação "fez uma recuperação completa" para o animal de estimação. O comissário Renaud Fenster com cachorra Darcy, ajudada em voo Michele Burt/Reprodução/Facebook Um dos comissários, Renaud Fenster, disse ao programa "Good Morning America", da rede ABC, que em 15 anos de trabalho "nunca tinha visto nada como isso". "Estava passando pela cabine para checar um passageiro e notei que outra passageira, que estava com o cão fora caixinha, estava com o animal não passando muito bem... acredito que tenha desmaiado", disse Fenster. A raça de Darcy pode passar por problemas respiratórios. Em reportagem publicada em março deste ano, o G1 dá dicas sobre como socorrer os animais de estimação em casos como o da buldogue francesa.
    Consumo elevado de enguias no verão japonês expõe risco de extinção da espécie

    Consumo elevado de enguias no verão japonês expõe risco de extinção da espécie


    No Japão, as estações do ano são bem marcadas. Agora, por exemplo, os japoneses estão vivendo o verão, que é sempre muito quente e úmido. Para enfrentar o calorão – chegam, sim, à casa dos 40ºC – os japoneses cultivam um hábito...


    No Japão, as estações do ano são bem marcadas. Agora, por exemplo, os japoneses estão vivendo o verão, que é sempre muito quente e úmido. Para enfrentar o calorão – chegam, sim, à casa dos 40ºC – os japoneses cultivam um hábito milenar: comer enguias, um peixe de água doce. A crença é que uma enguia cortada, mergulhada num caldo agridoce, comida com arroz, serve para dar mais energia e frescor ao cidadão. Ocorre que as enguias estão se acabando. Mais uma vez recorro à fábula da Tragédia dos Bens Comuns para começar a costurar o meu texto: é quando a humanidade decide se acabar de comer ou usar algum bem natural sem querer saber se mais gente vai precisar dele. Sim, é o que está acontecendo no Japão, segundo reportagem publicada no site do The Guardian. E o "Dia do Boi", que se comemora no solstício, diz a reportagem, pode ser uma ocasião perfeita para se repensar no consumo das enguias, que vem se mostrando insustentável. A reflexão é puxada pelo professor Kenzo Kaifu, da faculdade de Direito da Chuo University, e convida a ser compartilhada justamente por fugir ao senso comum. Dir-se-ia que os japoneses precisariam comer menos enguias para que elas sobrem para todo mundo? Kaifu prefere voltar as vistas para outro ponto. E alerta para o que pode ser considerada uma verdade, sem ser. E se, em vez de ficar se culpando pelo fato de estar comendo enguias no Dia do Boi, o cidadão japonês refletir sobre o que não tem sido feito pelas autoridades competentes para coibir a pesca predatória de enguias? "Se quisermos utilizar as enguias japonesas de forma sustentável, precisamos reduzir nossos níveis atuais de consumo. E se consumidores individuais começarem a comer enguias com menos frequência, o consumo pode diminuir. Mas as reduções no consumo de enguia não devem ser alcançadas através de avanços no manejo da pesca e outras reformas sociais sistêmicas? Sociedades que estabelecem limites apropriados ao consumo e permanecem dentro desses limites alcançarão a sustentabilidade. Sociedades que deixam livre o consumo, na base de "pegue tudo o que você quiser pegar" e tentam reduzir o consumo através do comportamento individual do consumidor não podem ser consideradas sustentáveis", escreveu ele. O professor Kaitu vai além: para ele, o cidadão comum que desejar mudar este cenário e abraçar a causa de um consumo sustentável das enguias precisa, basicamente, se manter bem informado sobre isso: "Podemos influenciar nossa legislatura e agências governamentais para que façam o problema da enguia virar prioridade. Isto exige que nos tornemos mais bem informados sobre as enguias japonesas, que pensemos sobre o assunto a partir de nossas próprias perspectivas e as compartilhemos com o maior número de pessoas possível". Talvez o professor tenha se inspirado, para este comentário, no texto da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), adotada na 76ª Conferência Internacional do Trabalho em l989, que se tornou o primeiro instrumento internacional vinculante que trata especificamente dos direitos dos povos tradicionais. Neste texto há um artigo que diz o seguinte: "Sempre que necessário, os governos garantirão a realização de estudos, em colaboração com os povos interessados, para avaliar o impacto social, espiritual, cultural e ambiental das atividades de desenvolvimento planejadas sobre eles. Os resultados desses estudos deverão ser considerados critérios fundamentais para a implementação dessas atividades". Serve para os índios, para os quilombolas, para povos tradicionais... e para todos aqueles que querem refletir um ponto além da curva. Já me explico. Os cidadãos comuns afetados pelas causas do meio ambiente devemos nos responsabilizar, sim, por fazer a parte que nos cabe para não afundarmos ainda mais em eventos extremos que já vêm tirando a vida de muita gente. Isso é bom, envolve uma mudança radical de hábitos de consumo que pode ser muito boa até mesmo para nosso dia a dia. Afinal, andar menos de carro e fazer exercício, quer seja de bicicleta ou a pé, não apenas vai ajudar a baixar as emissões, a despoluir o ar e a manter o aquecimento num nível ainda suportável, como também a manter suportáveis para nosso organismo os níveis de colesterol e triglicerídeos. Mas é importante também, e muito, que se tenha foco na responsabilidade que os governantes precisam demonstrar para ajudar nesta mudança. Enquanto não vemos nas plataformas daqueles que querem se candidatar a qualquer cargo público menções sobre políticas que possam criar formas diferentes de se produzir ou consumir, é desnecessário dizer o quão pouco serão eficazes nossas singelas iniciativas. E, sim, aí é preciso atuação de cidadãos, na cobrança de tais políticas. E, como o voto é a arma, vamos usá-lo. O segundo foco deve ser dado às empresas, cuja atuação é igualmente importante. No caso da pesca, elas precisam evitar a forma predatória com que se lançam a este bem comum. Mas este texto estaria sem pé nem cabeça se eu não fizesse menção à matança absurda que os próprios japoneses, agora preocupados com a provável extinção das enguias, fazem às baleias. No segundo semestre do ano passado, 177 baleias foram mortas na costa do Pacífico pelos japoneses que alegaram, para o crime absurdo, "fins científicos". Este ano, o crime foi cometido contra 333 Minke, sendo 122 grávidas. O mundo se revolta com tais imagens, mais ainda quando sabe que o método utilizado para matar as baleias é cruel, com granadas explosivas colocadas na ponta dos zarpões. O sofrimento é profundo e, como bem diz Yuval Noah Harari , historiador de "Sapiens – uma breve história da humanidade", é imoral a maneira como tratamos os bichos, só porque os consideramos seres inferiores. Amelia Gonzalez Arte/G1
    Em madrugada fria, SP registra 7°C na Zona Norte, diz CGE

    Em madrugada fria, SP registra 7°C na Zona Norte, diz CGE


    Outras regiões geladas, segundo o CGE, foram Parelheiros, Capela do Socorro e Jabaquara, Zona Sul, 8°C; e Mauá, no Grande ABC, também com 8°C. Pedestres se protegem do frio na região central de São Paulo ANANDA MIGLIANO/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO...


    Outras regiões geladas, segundo o CGE, foram Parelheiros, Capela do Socorro e Jabaquara, Zona Sul, 8°C; e Mauá, no Grande ABC, também com 8°C. Pedestres se protegem do frio na região central de São Paulo ANANDA MIGLIANO/O FOTOGRÁFICO/ESTADÃO CONTEÚDO O bairro de Perus, na Zona Norte da cidade de São Paulo, registrou 7°C na madrugada desta quarta-feira (11), segundo dados da rede de estações meteorológicas do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) da prefeitura. A capital paulista teve temperatura média de 9,6°C. Em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, porém, o termômetro registrou 3°C. Outras regiões geladas, segundo mapa meteorológico do CGE, foram Parelheiros, Capela do Socorro e Jabaquara, na Zona Sul, 8°C; e Mauá, no Grande ABC, também com 8°C. Apesar das baixas temperaturas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a média registrada na cidade de São Paulo é de 9,8°C e não contabiliza a madrugada mais fria do ano. O recorde continua sendo o de maio, quando a capital paulista marcou 9,3°C. No transcorrer do dia, o sol vai aparecer entre nuvens, mas a presença do ar frio de origem polar mantém as temperaturas baixas, segundo o CGE. Não há previsão de chuva. Previsão do tempo A quinta (12) começa com poucas nuvens e probabilidade de formação de nevoeiro nas primeiras horas. Até o fim da manhã, a névoa se dissipa e o sol passa a predominar, diminuindo a sensação de frio. Os termômetros vão oscilar entre 7°C ao amanhecer e 18°C no meio da tarde. Dados da rede de estações meteorológicas do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) Reprodução / Site do CGE Menor temperatura de julho A cidade de São Paulo registrou nesta terça-feira (10) a temperatura mais baixa do mês de julho, de 11,6 ºC, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A medição foi realizada às 9h na estação meteorológica do Mirante de Santana. Já a mínima mais baixa em 2018 até o momento ficou na marca 8 ºC e ocorreu no dia 21 de maio.
    Cientistas identificam fonte de emissões misteriosas que estão destruindo a camada de ozônio

    Cientistas identificam fonte de emissões misteriosas que estão destruindo a camada de ozônio


    Agência identifica presença de CFC-11, substância banida em 2010, na produção de espumas de poliuretano na China e acredita que esforços para conter aquecimento estão ameaçados. Buraco na camada de ozônio em 2000 registrado pela NASA, a...


    Agência identifica presença de CFC-11, substância banida em 2010, na produção de espumas de poliuretano na China e acredita que esforços para conter aquecimento estão ameaçados. Buraco na camada de ozônio em 2000 registrado pela NASA, a agência espacial dos EUA NASA/SCIENCE PHOTO LIBRARY Nos últimos meses, cientistas de todo o mundo foram surpreendidos com um misterioso aumento das emissões de gases que estão comprometendo, de forma drástica, a camada de ozônio que protege a Terra. Agora, um grupo de pesquisadores acredita ter descoberto os responsáveis pelos danos ao meio ambiente: espumas de isolamento térmico de poliuretano, produzidas na China para uso em residências. A Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês), com base no Reino Unido, identificou a presença de CFC-11, ou clorofluorocarbonos-11, na produção dessas espumas na China. O composto químico havia sido proibido em 2010, mas está sendo usado intensamente em fábricas chinesas. O relatório da EIA apontou a construção de casas na China como fonte das emissões atípicas de gases. Há dois meses, pesquisadores publicaram um estudo que mostrava que a esperada redução do uso de CFC-11, banido há oito anos, havia desacelerado drasticamente. Os pesquisadores suspeitavam que o composto continuava sendo usado em algum lugar do leste da Ásia. Mas a fonte exata ainda era desconhecida. Especialistas tinham receio de que o CFC-11 pudesse estar sendo usado secretamente para enriquecer urânio na produção de armas nucleares. Agora, os pesquisadores dizem não ter dúvidas de que a fonte de produção do composto está vinculada ao uso de espuma para isolamento térmico de casas. 'Agente expansor' Os CFC-11 funcionam como um eficiente agente expansor na fabricação de espuma de poliuretano, convertendo-as em isolantes térmicos rígidos usados, principalmente, como forro no teto de residências para reduzir o custo da eletricidade e a emissão de carbono. O EIA entrou em contato com fábricas de espuma de poliuretano em dez províncias na China. Depois de várias conversas com executivos de 18 empresas, os investigadores concluíram que o composto químico estava sendo usado na maioria dos isolantes de poliuretano produzidos pelas empresas. A razão é simples: os CFC-11 têm melhor qualidade e são muito mais baratos que os produtos alternativos. Apesar do CFC-11 ter sido banido, a fiscalização não é eficiente e, por isso, ele continua sendo usado. "Ficamos totalmente chocados ao descobrir que as empresas eram muito abertas em confirmar que estavam usando o CFC-11 e, ao mesmo tempo, reconhecendo que era ilegal", disse à BBC Avipsa Mahapatra, do EIA. A EIA calcula que os gases produzidos na China estão ligados ao aumento das emissões observado no relatório da agência em maio. No entanto, embora os achados da EIA sejam considerados plausíveis, alguns especialistas acreditam que eles não explicariam, por si só, o atual elevado nível de emissão de gases que tem comprometido a camada de ozônio. Stephen Montzka, da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (Noaa, na Sigla em inglês), disse à BBC que "o uso generalizado do CFC-11, que parece ser evidente na China com base no estudo (do EIA), é bastante surpreendente". Ele pondera, contudo, ser difícil analisar com precisão o cálculo das emissões provenientes do uso do CFC-11 para "saber se é realmente possível que essa atividade explique tudo ou quase tudo que estamos observando na atmosfera global". Misterioso aumento das emissões de gases foi identificado este ano e pesquisadores acreditam ter achado a fonte de emissão que estaria comprometendo a camada de ozônio ALAMY Por que a descoberta da EIA é importante? Ainda que o uso de CFC-11 em fábricas chinesas não seja o único ou mesmo o maior responsável pela emissão de gases que estão destruindo a camada de ozônio, a descoberta do EIA é importante por ter identificado que uma quantidade considerável de químicos ilegais continua sendo usada - com a capacidade em potencial de reverter a já observada recuperação da camada de ozônio. A espuma de poliuretano fabricada na China representa quase um terço da produção global desse produto. Os pesquisadores calculam que a produção atrasará em uma década ou mais o objetivo de fechar o buraco que permite os efeitos nocivos da radiação solar. Como a China é signatária do Protocolo de Montreal - tratado de 1987, mas que entrou em vigor dois anos depois -, seria possível impor sanções comerciais contra o país. Mas desde que o protocolo foi firmado, há mais de 20 anos, nenhum país foi punido com sanções e dificilmente será esse o caso para o uso de CFC-11 na China. É provável que a China seja incentivada a reduzir a produção de CFC-11 e será aberta uma investigação com o apoio do secretariado do Protocolo de Montreal para averiguar a situação no país. Nesta semana, representantes do Protocolo de Montreal se reúnem em Viena, na Áustria, para elaborar um plano na tentativa de solucionar o problema.
    Reflexões de uma noite sem luz na cidade

    Reflexões de uma noite sem luz na cidade


    Escrevo sem saber se este texto chegará a vocês porque estou sem internet. Bem, na verdade, estou sem luz por conta de uma derrapada solene em minha organização administrativa de vida. Em outras palavras: tirei todos os débitos em conta do banco...


    Escrevo sem saber se este texto chegará a vocês porque estou sem internet. Bem, na verdade, estou sem luz por conta de uma derrapada solene em minha organização administrativa de vida. Em outras palavras: tirei todos os débitos em conta do banco e decidi fazer "como antigamente". As contas chegavam pelo Correios, guardava em locais específicos e, no dia certo, ia ao banco pagá-las. Certo? Em vez disso, optamos pela comodidade da tecnologia, apostamos em memória virtual e... bem... Vocês já perceberam, né? Eu me esqueci de pagar uma conta de R$ 77 e a Light cortou minha luz porque tinha avisado, eu não li aquele aviso que vem no canto direito da conta... enfim. Fiquei sem luz. Já paguei, mandei o protocolo, pedi ajuda, fiz tudo direitinho. E agora estou aqui, com o meu computador de mão, que nesta hora só serve mesmo como uma velha e boa máquina de escrever, a lamentar minha falta de bom senso organizacional. Mas, quem me acompanha aqui neste espaço, sabe que não sou de jogar fora oportunidades de pensar, de refletir sobre as coisas. Foi assim quando fucei aqui nos meus guardados, ainda à luz do dia, para encontrar a lanterna que me ajudaria a atravessar com um pouco mais de conforto a falta de luz à noite. Encontrei uma, relativamente potente, que tinha comprado no Amapá, três anos atrás, quando fiz minha última viagem ao Arquipélago do Bailique para fazer reportagem sobre o processo de implantação do Protocolo Comunitário local. Lanterna, no Bailique, é praticamente gênero de primeira necessidade. Porque naquele pedaço do Brasil – país que já esteve entre as dez primeiras economias do mundo – em pleno século XXI, a eletricidade ainda é algo a se conquistar, é intermitente. As pessoas ficam dias seguidos sem luz, e para viver com tamanha privação precisam não só de lanternas potentes, mas também de uma estratégia especial voltada para esta falta. Entram em cena os caríssimos geradores de luz, para alguns impossível de se conseguir. Quem tem, consegue manter o peixe na geladeira, as carnes de caça idem. Quem não tem, pede ajuda. Ou, simplesmente, vive com o que tem para comer sem precisar da comodidade do gelo. Mais ou menos como no século XIX? Talvez. Nem de longe é parecido com o momento que estou vivendo agora, confortavelmente instalada na minha poltrona, preocupada apenas com algumas refeições congeladas que costumo comprar para a semana. Mas gostei de me lembrar da cena em que, chegando de Macapá no barco que faz a linha até o Bailique, depois de dez horas de viagem, tivemos que nos guiar com as lanternas até nosso pouso. Isto incluiu uma caminhada sobre palafitas, coisa que eu e meus companheiros de viagem não estávamos acostumados a fazer. Somos seres de asfalto. No máximo, de paralelepípedos. Mas, rapidamente, me acostumei. E o grupo que chegara comigo, composto de representantes de ONGs e de instituições governamentais, todos também usuários de internet, elevadores e condomínios onde não se aprende a viver fazendo contato real com tudo o que nos cerca, se viu, de repente, forçado a olhar... para o céu. Pouco havia para se fazer a não ser conversar, trocar impressões sobre aquela incrível viagem. As estrelas pareciam nos buscar e querer entrar na conversa. Estávamos alimentados, havia alguma cerveja (quente), e nada mais. Excitados com a viagem, desconhecendo o local onde aportáramos, é de se imaginar que seria difícil dormir. As redes foram sendo instaladas com apoio das pessoas que moram ali e que têm, por isso, uma tremenda naturalidade para lidar com aquilo que, para nós citadinos, era uma enorme privação. No fim das contas, acabamos muito mais próximos uns dos outros do que se estivéssemos num auditório confortável de um hotel confortável, aclimatados, com luzes a nos fazer uma arredoma. Não foi uma noite tranquila, estive atenta a ruídos estranhos, como era de se prever. Aprendemos ali, com base naquela incrível vivência, sobre o quanto nos distanciamos de um jeito natural de viver. E durante a conversa acompanhada pelas estrelas refletimos, ainda me lembro, sobre a verdadeira potência do humano. Quem é mais potente? Aquele que se habitua a se movimentar sobre quatro rodas, que não se distancia do dispositivo eletrônico, que depende quase visceralmente da energia elétrica e dos confortos que este way olf life proporciona? Aquele que sabe se virar no escuro em plena Amazônia e cria, a todo momento, por pura necessidade, formas variáveis e singulares de vida? Na sequência deste pensamento, consigo arranjar uma deriva que me leva a reflexões sobre o consumo, sobre o papel das cidades, sobre o desenvolvimento, verdadeiramente, sustentável. Não há espaço, nesta reflexão, para polarização. Portanto, paro por aqui. Ninguém é mais ou menos, apenas um. Mas a proposta é liberar a possibilidade de sermos múltiplos, de abandonarmos a escravidão deste ou daquele jeito de viver. Compartilho com vocês este momento solitário e silencioso. O som ao redor não se compara ao da Amazônia noturna. Mas a memória me levou lá. Amelia Gonzalez Arte/G1
    Os primeiros cães das Américas – que desapareceram com a chegada dos europeus

    Os primeiros cães das Américas – que desapareceram com a chegada dos europeus


    Fósseis mostram que primeiros cachorros pisaram em solo americano há cerca de 10 mil anos, e descendem de animais do Ártico; mas eles foram extintos com chegada de novas raças da Europa. Primeiros cães vieram para as Américas apenas por volta...


    Fósseis mostram que primeiros cachorros pisaram em solo americano há cerca de 10 mil anos, e descendem de animais do Ártico; mas eles foram extintos com chegada de novas raças da Europa. Primeiros cães vieram para as Américas apenas por volta de 10 mil anos atrás, segundo achados arqueológicos Illinois State Archaeological Survey A relação de amizade e dependência entre cães e homens remonta a pré-história, em que a aproximação de um animal que buscava restos de comida era interessante, pois podia significar proteção. Portanto, é natural que, com a chegada dos primeiros seres humanos à América, provavelmente há pelo menos 16 mil anos atrás, os cães também viessem para o continente. Mas registros paleontológicos mostram que os primeiros cães a pisar em solo americano vieram apenas por volta de 10 mil anos atrás. Com base em informações genéticas de 71 restos de ossadas de cães da América do Norte e da Sibéria, uma equipe internacional de cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade de Cambridge, Universidade Queen Mary de Londres e Universidade de Durham, concluiu que o cão "nativo" - ou pelo menos o cão que existia nas Américas antes do contato com o europeu, que veio após a "descoberta" do continente no final do século 15 - tinha um genoma completamente diferente dos lobos norte-americanos ou mesmo de outras linhagens de canídeos. A pesquisa, publicada pela revista Science desta quinta-feira, mostra ainda que o DNA desse ancestral praticamente desapareceu, quando comparado com espécies contemporâneas. Acredita-se que os europeus tenham trazido suas raças de cães e, ao menosprezar o cão local, acabaram por fazer com que a reprodução fosse evitada ou até mesmo combatida. Os cães ancestrais americanos podem ter sido extintos por pestes trazidas por europeus com seus cachorros Illinois State Archaeological Survey Sim, o cão americano original era um herói, de uma linhagem que provavelmente cruzou o Estreito de Bering ao fim da era glacial e espalhou-se por toda a América, do Norte ao Sul. Mas, para o europeu colonizador, foi tido com um reles vira-lata sem valor - e tal juízo decretou sua extinção. Uma outra hipótese é que tais cães ancestrais tenham sucumbido a pestes trazidas a solo americano pelo europeu - e seus cachorros. Assim como muitos índios morreram por doenças desconhecidas de seu sistema imunológico, fenômeno parecido pode ter ocorrido no mundo animal. "Fato é que estudos de DNA sugerem que a população de cães americanos anterior à chegada dos europeus foi ampla e rapidamente substituída", afirma a pesquisadora Máire Ní Leathlobhair, do departamento de Medicina Veterinária da Universidade de Cambridge. "Dados obtidos por análise genética mostram que os cães contemporâneos são de um grupo filogenético diferente dos cães anteriores ao contato com os europeus." Ní Leathlobhair e sua equipe compararam os genomas dos 71 cães ancestrais com o material genético de 45 raças diferentes de cães contemporâneos. Genética Os pesquisadores concluíram que esse cão pioneiro das Américas era de um filo único originário do Ártico. Tal animal acompanhou diversas migrações humanas pela Ásia, sobretudo na Sibéria, até conseguir chegar ao continente americano. A primeira vez que paleontólogos encontraram vestígios desses cães ancestrais foi ainda nos anos 1930. Desde então, se acredita que as primeiras levas migratórias desse animal tenham ocorrido há cerca de 10 mil anos. A novidade do estudo publicado nesta semana, portanto, é o fato de que as ossadas foram analisadas geneticamente. E esse material foi comparado com os dos cães contemporâneos. Aí, além da surpresa de que praticamente nada deles restou nos cachorros atuais, veio ainda outra descoberta: um câncer conhecido há centenas de anos e que ainda hoje afeta populações caninas em todo o mundo pode ser o elo perdido a conectar os animais de hoje com esses cachorros ancestrais. Trata-se do tumor venéreo canino transmissível. É uma neoplasia exclusiva dos cães, o mais comum tumor genital entre esses animais - ocorre mais frequentemente em zonas de clima temperado, mas está presente em todos os continentes. "Este câncer, contagioso, se manifesta com tumores genitais. E se espalha entre os cães por transferência de células cancerígenas vivas, geralmente durante a cópula", explica a veterinária Ní Leathlobhair. Essa doença foi documentada por veterinários há centenas de anos, mas, de acordo com o estudo publicado hoje, pode ter surgido, na realidade, há muito mais tempo. Alguns cientistas acreditam que lobos norte-americanos podem ter cruzado com cães ancestrais Illinois State Archaeological Survey Mais precisamente há 8,2 mil anos. A pesquisa mostra que esse câncer está muito mais relacionado aos cães ancestrais americanos do que aos cães, coiotes ou lobos modernos. Mas o levantamento genético, entretanto, concluiu que a doença não surgiu em solo americano. Veio de uma matriz comum, ou seja, o ancestral asiático siberiano que deu origem ao cão nativo americano. A julgar pelas análises efetuadas nas ossadas, originou-se justamente no lado que "ficou" na Ásia e, de lá, se espalhou por todo o mundo. Foi trazido à América, portanto, com os europeus (e seus cães) no século 15. Legado Contudo, mesmo que o cão americano ancestral tenha sido extinto, algo dele sobrou? Não há um consenso entre os cientistas, mas muitos acreditam que certos tons de pelo dos lobos norte-americanos sejam resultado do cruzamento, em tempos remotos, com esses canídeos. "Além disso, alguns estudos anteriores sugeriam que algumas populações modernas de cães americanos possuem uma carga genética de cães ancestrais", relata Ní Leathlobhair. "Para testar essa hipótese, resolvemos realizar exames em mais de 5 mil cães modernos - incluindo exemplares de aldeias americanas. Encontramos de 7 a 20% de ancestralidade desses animais pré-colombianos."
    Chuvas no Sul da Ásia atingem 200 mil refugiados que vivem em campos improvisados

    Chuvas no Sul da Ásia atingem 200 mil refugiados que vivem em campos improvisados


    Um refugiado rohingya caminha ao lado de uma lagoa em campo de refugiados de Balukhali, perto de Cox's Bazar, em Bangladesh Tyrone Siu/Reuters Um estudo publicado pelo Banco Mundial na quinta-feira (28) mostra que o Sul da Ásia é e será altamente...


    Um refugiado rohingya caminha ao lado de uma lagoa em campo de refugiados de Balukhali, perto de Cox's Bazar, em Bangladesh Tyrone Siu/Reuters Um estudo publicado pelo Banco Mundial na quinta-feira (28) mostra que o Sul da Ásia é e será altamente vulnerável às mudanças climáticas. Por causa disso, as condições de vida de 800 milhões de pessoas serão reduzidas drasticamente, segundo reportagem publicada no "The New York Times". Note-se que a região já abriga algumas das pessoas mais pobres do mundo, entre elas o povo Rohingya, descrito pelas Nações Unidas, em 2013, como a minoria mais perseguida de todo o planeta. Agora, parem para pensar e dividam comigo, por favor, minha perplexidade. A notícia é que existe uma região no mundo que já está sendo e será ainda mais atacada pelos fortes eventos extremos que têm sido causados pela mudança de clima no planeta. Dentro dessa região, já bastante privada daquilo que no Ocidente se costuma chamar de "bem estar social", existem pessoas, cerca de um milhão, desprovidas disso e que podem ficar ainda em pior estado quando os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas açoitarem ainda mais o lugar. E por que os Rohingya, muitos agora em campos de refugiados em Bangladesh, não terão a ajuda necessária? Por causa de racismo, simplesmente isso. Vou explicar melhor. Antes, porém, é preciso fazer um foco mais detalhado ao estudo publicado pelos cientistas. A reportagem do "The New York Times" diz que foram analisados todos os seis países do sul da Ásia (Índia, Butão, Paquistão, Mianmar, Sri Lanka, Bangladesh e Nepal), onde as temperaturas médias anuais estão subindo constantemente e os padrões de precipitação já estão mudando. Os dados se concentraram em mudanças no tempo cotidiano e identificaram os pontos críticos, nos quais os cientistas acreditam que a deterioração seja mais severa. Tais pontos são caracterizados pelo baixo consumo das famílias, pela baixa conectividade rodoviária, pelo acesso limitado aos mercados e a outros desafios de desenvolvimento, diz a reportagem. Ou seja, pessoas pobres. E, se nada for feito para mudar o cenário das mudanças climáticas, as dificuldades vão piorar, e muito, para elas. "O estudo observou que algumas das partes mais quentes da região do Paquistão estão ficando mais quentes de forma rápida. De 1950 a 2010, por exemplo, o oeste do Afeganistão e o sudoeste do Paquistão já viram as temperaturas médias anuais subirem na faixa de 1ºC a 3ºC", diz a reportagem. Agora, volto ao ponto ao qual me refiro no início do texto. Ocorre que nessa mesma região, que está sendo alvo de preocupação dos cientistas, quase um milhão de pessoas estão ainda mais vulneráveis às tempestades, ao calor, aos furacões. Expulsos pelo governo de Mianmar – país que também está no alvo dos eventos extremos – os Rohingya estão vivendo hoje à mercê de chuvas, ventos, tempestades. Trata-se de uma minoria muçulmana em país de maioria budista que é vítima das maiores atrocidades e perseguições, o que já foi classificado como "um caso clássico de limpeza étnica" por Zeid Ra'ad al-Hussein, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos. O Conselho de Direitos Humanos está reunido em Genebra para debater sobre este caso, e o governo de Mianmar replicou a crítica de Hussein, dizendo que os hindus também estão sendo vítimas dos Rohingya. Fato é que mais de 11.400 Rohingyas fugiram do estado de Rakhine em Mianmar este ano, e todos os entrevistados pela equipe de Hussein relataram a continuação da violência e dos abusos, disse ele ao conselho. O povo Rohingya representa cerca de 5% entre 60 milhões de habitantes de Mianmar, e sua origem ainda é amplamente debatida. Eles afirmam serem indígenas do Estado de Rakhine, anteriormente conhecido como Arakan, no oeste do país. Mas os cidadãos de Mianmar dizem que, na verdade, são muçulmanos de origem bengali que migraram para aquele país durante a ocupação britânica. Os Rohingya não são reconhecidos como cidadãos em Mianmar, o que quer dizer que não têm direito algum. Por conta disso, há mais de cem mil crianças entre os 200 mil refugiados deste povo que estão atualmente em campos em Bangladesh numa espécie de cidade temporária, construída com folhas de plástico e bambu. As chuvas que estão castigando o local deixam o cenário ainda mais absurdo porque parte deste acampamento está sofrendo risco de inundação. Busquei saber o que pensa o bengali Muhammad Yunus, Prêmio Nobel da Paz em 2006, sobre a situação deste povo. E não me decepcionei. Como qualquer cidadão com um senso crítico razoável, Yunus defende ações imediatas para acabar com o calvário daquelas pessoas. Escreveu, no ano passado, uma carta para o Conselho de Segurança das Nações Unidas em que lembra, entre outras coisas, que Bangladesh e Mianmar têm "razões convincentes para serem os melhores amigos". Yunus fala sobre parceria, e é neste ponto que gero minha reflexão. A humanidade já viveu tempos bem difíceis, sem a ajuda da tecnologia, em que até mesmo sair à rua dava medo, eram muitos os perigos de se ficar doente sem remédio. As guerras entre tribos eram comuns. As migrações internacionais também. O tráfico de escravos foi a maior migração em massa forçada da história, segundo ensina Deepak Nayyar em "A corrida pelo crescimento" (editado pelo Instituto Celso Furtado). Hoje, mais aparelhados, enfrentamos outra adversidade séria, que são as mudanças climáticas. E as migrações continuam, embora a escravatura, naquele formato oficial, tenha sido abolida. O que também não muda é esta absurda violência entre pessoas por causa de etnias diferentes, religiões diferentes, idiomas ou culturas diferentes. Já que me chamo Amelia, vou me permitir um sonho à La Amelie Poulain, personagem de cinema que se dedica a fazer mais feliz a vida das pessoas que passam pela sua própria vida. Nesta fantasia, como seria melhor um mundo em que as pessoas, cansadas de tanta luta que só traz terror, se juntassem para enfrentar o inimigo maior, as tormentas naturais. No sonho, seria preciso mesmo traçar um plano para evitar que os gases poluentes trouxessem ainda mais problemas. Mas aí, seria preciso resgatar uma palavrinha mágica – solidariedade – que o sistema econômico empurrou para longe ao destacar como vantagens o acúmulo de capital e a desigualdade. Saindo do sonho para a realidade, o fato é que no mundo se espalham "rohingyas" e, enquanto gastamos energia para tentar fazer parar a luta entre humanos, a natureza se esmera em demonstrar toda sua força contra as agressões que vem sofrendo desta mesma raça. Tempos difíceis.
    Scott Pruitt renuncia à chefia da agência de proteção ambiental dos EUA após fortes críticas

    Scott Pruitt renuncia à chefia da agência de proteção ambiental dos EUA após fortes críticas


    Presidente Donald Trump destacou 'excelente trabalho' e disse que vice-presidente, Andrew Wheeler, deverá assumir o cargo. Scott Pruitt, nomeado por Trump para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA), renuncia nesta quinta-feira (5) Joshua...


    Presidente Donald Trump destacou 'excelente trabalho' e disse que vice-presidente, Andrew Wheeler, deverá assumir o cargo. Scott Pruitt, nomeado por Trump para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA), renuncia nesta quinta-feira (5) Joshua Roberts/Reuters O chefe da agência de proteção ambiental do governo dos Estados Unidos (EPA), Scott Pruitt, renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5), de acordo com o presidente do país, Donald Trump. Initial plugin text Eu aceitei a renúncia de Scott Pruitt como administrador da Agência de Proteção Ambiental. Dentro da agência, Scott fez um excelente trabalho e eu sempre serei grato por isso. O Senado confirmou que o vice-presidente da EPA, Andrew Wheeler, assumirá nesta segunda-feira as funções de chefia da EPA. Não tenho dúvidas de que Andy continuará a grande e duradoura agenda da EPA. Fizemos um tremento progresso e o futuro da EPA é brilhante!, escreveu Donald Trump em seu anúncio no Twitter. Pruitt agradou o presidente americano ao revogar regulamentações ambientais, mas recebeu duras críticas e questionamentos éticos da oposição e de organizações não-governamentais. Ele realizou diferentes viagens de primeira classe com o dinheiro do governo norte-americano, fez conexões com lobistas e com grupos empresariais. Foi acusado de usar o próprio escritório para assuntos pessoais, e criou uma cabine telefônica à prova de ruídos. Muitos congressistas democratas e até alguns colegas republicanos pediram a renúncia de Pruitt. Da perspectiva política, no entanto, Trump diz que ele foi um dos "membros mais efetivos do gabinete". O presidente dos EUA elogiou o chefe da EPA por revogar o programa de Barack Obama para reduzir as emissões de carbono das usinas, conhecido como "Plano de Energia Limpa". Pruitt também foi fundamental na decisão de saída do país do Acordo de Paris, com metas internacionais para o combate ao aquecimento global. Gerry Connolly, representante dos democratas, disse após a renúncia: "O reino de corrupção de Scott Pruitt finalmente acabou. Ele fez criaturas pantanosas sentirem vergonha com seus excessos descarados. Tudo foi tolerado porque Trump gostava de seu fanatismo. Vergonha."
    Leões devoram caçadores de rinocerontes em reserva na África do Sul

    Leões devoram caçadores de rinocerontes em reserva na África do Sul


    Os restos de pelo menos duas pessoas foram encontrados junto com um rifle de caça e um machado. Leões atacaram caçadores de rinocerontes na África do Sul Wikimedia/Creative Commons Pelo menos duas pessoas suspeitas de caça ilegal de rinocerontes...


    Os restos de pelo menos duas pessoas foram encontrados junto com um rifle de caça e um machado. Leões atacaram caçadores de rinocerontes na África do Sul Wikimedia/Creative Commons Pelo menos duas pessoas suspeitas de caça ilegal de rinocerontes foram atacadas e comidas por leões numa reserva da África do Sul, segundo autoridades do país. Guardas locais descobriram os restos mortais num local habitado por leões na reserva Sibuya, próxima da cidade de Kenton-on-Sea, no sudeste do país. A Sibuya é considerada uma reserva de caça, onde alguns animais podem ser abatidos por caçadores regularizados. Um rifle de alta potência e um machado também foram encontrados junto aos corpos. A caça ilegal de rinocerontes explodiu no continente africano nos últimos anos, graças ao aumento da demanda pelos chifres dos animais em países asiáticos como a China. A medicina tradicional do país acredita - sem qualquer base científica - que o chifre de rinoceronte moído pode curar várias doenças. Na verdade, o chifre é feito de queratina, mesmo material das unhas e cabelos humanos. Na China, no Vietnã e em outros países, acredita-se também que o chifre moído tenha propriedades afrodisíacas. Criminosos invadiram O dono da reserva Sibuya, Nick Fox, disse acreditar que os caçadores ilegais tenham entrado na reserva na madrugada de segunda-feira. "Eles deram de cara com um grupo de leões. Como era um grupo grande, não tiveram muito tempo (para reagir)", disse Fox à agência de notícias AFP. "Não temos certeza de quantos caçadores eram - sobrou pouca coisa deles", disse Fox. Os restos mortais foram vistos pela primeira vez por volta das 16h30 (hora local) desta terça-feira. Uma equipe de guardas encontrou também alicates para cortar cercas - equipamento que geralmente é carregado pelos caçadores ilegais. Vários leões tiveram que ser sedados com dardos tranquilizantes antes que os restos pudessem ser recuperados. A polícia local também passou a patrulhar a área, para o caso de algum outro caçador ilegal ser encontrado. Só neste ano, nove rinocerontes foram mortos na província de Eastern Cape, onde está a reserva. E mais de 7 mil animais foram mortos na África do Sul na última década.
    Conheça o canário nativo do Brasil que é 'pistola' na vida real – e mais bravo que o canário belga

    Conheça o canário nativo do Brasil que é 'pistola' na vida real – e mais bravo que o canário belga


    Ave nativa do Brasil é territorialista e menos dócil que canário belga. Penugem amarela é característica dos machos. O canário-da-terra 'pistola' não é dócil na natureza. Arquivo TG A seleção brasileira é conhecida como seleção canarinho...


    Ave nativa do Brasil é territorialista e menos dócil que canário belga. Penugem amarela é característica dos machos. O canário-da-terra 'pistola' não é dócil na natureza. Arquivo TG A seleção brasileira é conhecida como seleção canarinho há mais de meio século e, para a Copa atual, ganhou um mascote, o "canarinho pistola", como foi apelidado, que faz muito sucesso nas redes sociais. Curiosamente, o canário-da-terra, pássaro nativo do Brasil, assim como o nosso mascote na Rússia, é um "canarinho pistola" da vida real. Fábio Hosken, zootecnista e consultor para criação de animais, explica que a ave, apesar de pequena e de ter aparência fofa, não é das mais dóceis: "Ele é brigão. Territorialista é a palavra certa. Tanto que até hoje existem rinhas de briga de canário da terra no Brasil e em outros países, como Peru". "Antigamente era muito comum, depois que a rinha foi proibida, foi diminuindo. Mas ainda existem as clandestinas", diz. Na natureza, os canários brasileiros são bastante agressivos na defesa dos ninhos e não têm medo de atacar aves maiores que arrisquem uma aproximação. O canário brasileiro O nome científico do canário-da-terra ou canário-chapinha é Sicalis Flaveola. O macho é sempre amarelo. "O canário-da-terra é uma espécie muito familiar para os brasileiros, seja pelo canto forte e melodioso, pela beleza, ou por ser uma ave que não teme aproximação do homem", explica Hosken. O tamanho aproximado do canário-da-terra adulto é de 13,5 cm, apresentando uma cor amarelo-esverdeada com algumas faixas pretas nas costas e próximo das patas. As fêmeas e os filhotes têm a parte superior do corpo de cor esverdeada com as penas mais acinzentadas. Com aproximadamente 4 a 6 meses de idade, os filhotes machos começam a cantar e levam cerca de 18 meses para adquirir a plumagem amarela característica dos machos adultos. Segundo Hosken, é uma espécie granívora, ou seja, se alimenta de sementes, mas eventualmente pode consumir insetos. Brasil X Bélgica O Brasil tem atualmente diversas linhagens da ave, desde a nativa a outras vindas de outros países. O canário belga é uma das linhagens mais famosas no país. Segundo Hosken, exótico, ele pode ser amarelo como o nosso, mas tem muitas outras cores. Canarinho-belga: pode ter mais cores que o canário-da-terra Nosso Campo/TV Tem O canário-belga mede entre 14 e 15 centímetros da ponta do bico à extremidade da cauda. A cabeça é pequena e estreita, as pernas longas, o peito arredondado e cheio. A plumagem é compacta e lisa, sem frisos. Na sexta-feira (6), o Brasil enfrenta a Bélgica pelas quartas de final na Copa do Mundo. Em uma eventual disputa na natureza, o canarinho brasileiro tende a levar a melhor, diz Hosken. "O canário brasileiro (da terra) ganha. O canário belga é dócil, não é brigador. Na natureza, a ave brasileira ganha". Canarinho "Pistola": mascote do Brasil virou queridinho dos fãs Lucas Figueiredo/CBF Seleção Canarinho O apelido de seleção canarinho foi dado pelo locutor Geraldo José de Almeida durante a Copa da Suíça em 1954, quando o Brasil estreou o uniforme amarelo. Antes, a seleção costumava jogar de branco e azul, mas "aposentou" o uniforme após a derrota para o Uruguai na final de 1950. A camisa "canarinho" foi ideia do jornalista e desenhista Aldyr Schlee, que venceu um concurso promovido em 1953 pelo jornal carioca “Correio da Manhã". Initial plugin text
    A língua inspirada nos tubarões que tem dialetos diferentes para homens e mulheres

    A língua inspirada nos tubarões que tem dialetos diferentes para homens e mulheres


    Idioma que mantém vivas as lendas aborígenes na Austrália – como a fábula do tubarão-tigre - está ameaçado de extinção. O povo aborígene yanyuwa acredita que o Golfo de Carpentária, na Austrália, foi criado pelo tubarão-tigr The...


    Idioma que mantém vivas as lendas aborígenes na Austrália – como a fábula do tubarão-tigre - está ameaçado de extinção. O povo aborígene yanyuwa acredita que o Golfo de Carpentária, na Austrália, foi criado pelo tubarão-tigr The Institute of Marine Science O tubarão-tigre não estava em um bom dia. Outros peixes estavam provocando ele. Após brigarem, ele se encontrou com o tubarão-martelo e algumas arraias em Vanderlin Rocks, nas águas do Golfo de Carpentária, na Austrália. Era preciso desabafar, antes de partir à procura de um novo lar para chamar de seu. Essa é uma das lendas mais antigas do chamado Tempo dos Sonhos - mitos e crenças mantidas vivas pelos aborígenes australianos há mais de 40 mil anos. A fábula conta como o tubarão-tigre criou o Golfo de Carpentária e os rios que deságuam nele. A história foi transmitida de boca em boca por diferentes gerações do povo aborígene Yanyuwa, que se autodenomina li-antha wirriyara ou "povo da água salgada". Ao navegar ao longo dos penhascos e rochas da Ilha Vanderlin, em direção à foz do Rio Wearyan, nosso barco foi rodeado por peixes e dugongos (mamífero herbívoro marinho). Mas tentávamos avistar, sob as ondas, as barbatanas de um tubarão, seguindo o trajeto da lenda da criação. Em 2015, partes do golfo foram devolvidas aos yanyuwa pelo governo australiano AUSCAPE/GETTY IMAGES A jornada do tubarão-tigre foi, sem dúvida, desafiadora. Ele construiu um caminho pelo golfo, abrindo piscinas naturais e rios na paisagem. E foi rejeitado por muitos animais ferozes, que não queriam viver com ele. Um pequeno canguru chegou a atirar pedras quando o tubarão perguntou se poderia morar com ele. Mas foi enquanto nadava, diz a lenda, que o animal ajudou a criar as águas do Golfo de Carpentária como conhecemos hoje. Tradição marcante "Os tubarões-tigre são muito importantes no Tempo dos Sonhos", diz o ancião aborígene Graham Friday, que é guarda marítimo e um dos poucos que ainda falam fluentemente a língua yanyuwa. Alguns nativos ainda acreditam serem descendentes do tubarão-tigre. E não é à toa que eles são conhecidos por falar a "língua do tubarão-tigre" - há diversas palavras para se referir ao animal e ao mar no idioma yanyuwa. Além disso, o povo tem o costume de pescar peixes, tartarugas, e dugongos nas águas do golfo, mas muito raramente tubarões. Seu território abrange cinco ilhas principais e mais de 60 ilhotas sedimentares, espalhadas por 2,1 mil quilômetros quadrados, que formam o arquipélago Sir Edward Pellew. A ilha Vanderlin é a maior e mais a leste, com 32 quilômetros de norte a sul e 13 quilômetros de largura. O tubarão-tigre de 5,5 metros, que viajava todos os anos milhares de quilômetros da costa até o Oceano Pacífico, é uma figura mitológica poderosa. Mas os ambientalistas estão preocupados com seu futuro - o animal foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza como uma espécie "quase ameaçada" de extinção. "Não há mais muitos tubarões. Mas a fábula do Tempo dos Sonhos mostra que já houve um dia ", diz Friday. Segundo cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, as mudanças climáticas estão influenciando a redução no número de tubarões-tigre. O aquecimento das águas tem um efeito em cadeia sobre o crescimento da espécie e sua capacidade de nadar longas distâncias. Embora o tubarão não seja mais visto com frequência nas águas da região, o povo ainda se refere a ele com respeito, como o doador da vida e criador daquela terra. A língua yanyuwa mostra uma relação próxima do povo nativo com o tubarão DAVID DOUBILET/GETTY IMAGES Parte do trabalho de Friday consiste em patrulhar as ilhas do golfo e monitorar o número de animais marinhos na região. Ele também educa as pessoas sobre a filosofia da pesca - você só pega das águas o que precisa para se alimentar. Além disso, e tão importante quanto, ele está ajudando a ensinar a língua yanyuwa e o significado cultural da fauna marinha aos jovens. Cabe ainda aos guardas marítimos conservar os espaços para rituais e cemitérios das ilhas, assim como a antiga arte rupestre, que, embora muito desgastada, ainda apresenta imagens de tubarões. "Faz sentido ter guardas marítimos aborígenes para cuidar dos mares. Nós conhecemos a região e sabemos como pescar de forma sustentável", avalia. Na "terra da água salgada", ouvi muitas vezes a expressão "todo mundo olha em direção ao norte do golfo", de onde os tubarões chegariam. No entanto, poucos australianos ou turistas vão tão longe - como o professor e linguista John Bradley, autor do livro Singing Saltwater Country ("Cantando a terra da água salgada", em tradução livre). Foi na obra dele que li pela primeira vez sobre a região. A paisagem aqui é plana, quente e esparsa - para compreendê-la, você realmente precisa conhecer a língua e as lendas nativas do povo Yanyuwa. O yanyuwa é um idioma bonito e poético. Sua cadência soa como o mar, que descreve tão perfeitamente. A linguagem expressa, com precisão, um senso de lugar. E narra, muitas vezes, com uma única palavra fenômenos naturais complexos, revelando quanto os aborígenes estão em sintonia com a natureza. Do barco, sob o sol da manhã, avistei raios de luz se movendo pela água. "Yurrbunjurrbun", traduziu Stephen, meu guia, que tem ascendência aborígene e conhece um pouco da língua. Enquanto navegávamos, nuvens passageiras lançaram suas sombras na superfície do mar. "Isso se chama 'narnu ngawurrwurra' em yanyuwa", acrescentou Stephen, descrevendo exatamente o que eu estava vendo. Repeti as palavras, sentindo seu peso e ressonância. Dialetos por gênero O que é especialmente inusitado no yanyuwa é que se trata de uma das poucas línguas no mundo em que homens e mulheres falam dialetos diferentes. Atualmente, apenas três mulheres são fluentes no dialeto feminino, enquanto Friday é um dos poucos homens que ainda sabem o masculino. Os aborígenes foram forçados a aprender inglês ao longo das últimas décadas - fazendo com que agora somente algumas pessoas mais velhas se lembrem da língua. Friday conta que aprendeu o idioma com as mulheres de sua família quando era criança. E, no início da adolescência, parentes do sexo masculino ensinaram a ele o dialeto dos homens. Embora as mulheres compreendam o dialeto masculino, elas não o utilizam. E vice-versa. Ninguém soube me explicar a origem de dois dialetos distintos. Talvez seja porque homens e mulheres desempenhavam papéis diferentes e passavam pouco tempo juntos há milhares de anos. Ou também poderia ser um sinal de respeito não falar o dialeto do outro. Alguns aborígenes da região me disseram: "É apenas como sempre foi." Mas o que se sabe é que a língua yanyuwa tem um forte vínculo com o tubarão. "A língua nos faz compreender o tubarão. As cinco palavras diferentes que homens e mulheres têm para tubarão mostram o quão próxima é a relação dos yanyuwa com o animal", afirma Friday. As palavras que as mulheres usam para se referir ao tubarão estão ligadas ao aspecto nutritivo do animal, como provedor de alimento e vida, enquanto as expressões masculinas remetem a "criador" ou "ancestral". Você poderia ser punido se não falasse o dialeto apropriado para a ocasião. "Está vendo aquelas pedras ali? Se você infringisse as regras, poderia ser mandado para lá!", contou Stephen, apontando para Vanderlin Rocks. Tive a sensação que ele estava dramatizando um pouco a situação - talvez para me fazer parar de repetir tudo que ele dizia em yanyuwa. Mas a verdade é que a bela sonoridade da língua contrasta com a rigidez que envolve seu uso. Porém, o idioma yanyuwa não se resume a dialetos distintos para homens e mulheres - há ainda um específico para cerimônias e rituais. Fora a "linguagem de sinais", que segundo Bradley, era útil na hora de caçar, quando precisava haver silêncio, ou para avisar que forasteiros estavam entrando em um local sagrado. Mas atualmente poucas pessoas se lembram dos gestos que eram usados. Além disso, as crianças também aprendiam a "linguagem de cordas", amarrando palha ou barbante, de acordo com padrões específicos, para representar criaturas e frutos do mar. A preservação do idioma yanyuwa está vinculada à conservação da cultura e da vida marinha. Linguistas, como Bradley, estão trabalhando com Friday e outros nativos para salvar a língua escrita. Sem ela, será difícil para os yanyuwa passarem adiante seu profundo conhecimento do mar e de suas origens. "O inglês simplesmente não entende o mar como o yanyuwa", resume Stephen. Em 2015, o governo australiano devolveu partes do golfo aos yanyuwa, após uma longa batalha pela reivindicação de terras na região, que começou na década de 1970. Quando saí do território dos tubarões-tigre, fiquei contente em saber que guardas marítimos que conhecem tão bem essas águas estão tomando conta da região, trabalhando para preservar não só a fauna marinha, mas a língua nativa - ambas ameaçadas. "É o que chamamos de 'à prova de futuro'", afirma Bradley. É salvar uma antiga língua marítima para as futuras gerações poderem aproveitar. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

    Quase metade das cidades brasileiras não tem plano para resíduos sólidos, diz IBGE


    Plano é condição para o município ter acesso a recursos e financiamentos da União para a área. Quase metade das 5.570 cidades brasileiras não tem atualmente um plano integrado para o manejo do lixo, segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros...

    Plano é condição para o município ter acesso a recursos e financiamentos da União para a área. Quase metade das 5.570 cidades brasileiras não tem atualmente um plano integrado para o manejo do lixo, segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic 2017), divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ter um plano integrado de resíduos sólidos é condição para que as prefeituras recebam recursos, financiamentos e incentivos da União para a área. Segundo a legislação, o plano tem 19 itens obrigatórios que incluem metas de redução da quantidade de rejeitos por meio de reciclagem e reutilização de materiais, diagnóstico da situação dos resíduos sólidos no município, além de regras para transporte e outras etapas do gerenciamento do lixo e limpeza urbana. Na maioria dos municípios (82,1%) onde há um plano de resíduos sólidos, ele só envolve a cidade estudada. Um dos pontos da lei diz que serão priorizados no acesso aos recursos da União os municípios que optarem por soluções intermunicipais para os resíduos sólidos ou que se inserirem de forma voluntária em planos microrregionais. Estados O Mato Grosso do Sul (86,1%) e o Paraná (83,1%) são os estados brasileiros com o maior índice de cidades com planos de resíduos sólidos segundo o Munic 2017. Os menores índices são da Bahia (22,1%) e do Piauí (17,4%). Estados relevantes em termos de população, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais, estão abaixo da média nacional, com respectivamente 43,5% e 43,7% das cidades com planos integrados de resíduos sólidos. Na análise por região, os percentuais mais altos estão no Sul (78,9%), Centro-Oeste (58,5%) e Sudeste (56,6%) – e ficam abaixo da média nacional as regiões Norte (54,2%) e Nordeste (36,3%). O estudo do IBGE apontou que a existência de um plano é mais frequente nas cidades mais populosas. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, 83,3% possuem um plano de manejo do lixo. Naquelas entre 5.001 e 10 mil habitantes, são 49,1%. Impactos ambientais O Munic 2017 também investigou a ocorrência de processos ou ações que resultaram em impactos ambientais nos municípios. De acordo com o estudo, mais de dois terços das cidades brasileiras registraram ocorrência de impactos ambientais no período investigado. Em 46% dos casos, a causa foi uma condição climática externa, como enxurradas e secas. A segunda principal causa de impactos ambientais nos municípios foi a falta de saneamento (36,5%), seguida das queimadas (33%). Em uma análise por população, o IBGE identificou que nas cidades com mais de 50 mil habitantes, em termos relativos, ocorrem mais impactos ambientais causados por falta de saneamento básico e destinação inadequada de esgoto doméstico. Por outro lado, nas cidades com menos de 50 mil habitantes, predominam em termos absolutos e/ou relativos os impactos causados por condições climáticas. O IBGE levantou que, entre 2013 e 2017, dos 5.570 municípios brasileiros: 2.706 (48,6%) foram afetados por secas 1.726 (31%) por alagamentos 1.515 (27,2%) por enxurradas 1.093 (19,6%) por processos erosivos acelerados 833 (15%) por deslizamentos Apesar deste número de ocorrências, no ano passado quase 60% dos municípios não tinham nenhum instrumento de prevenção de desastres, e apenas 14,7% (821 municípios) tinham um plano de prevenção ou contingência para secas.
    Como as árvores conversam entre si por uma rede subterrânea

    Como as árvores conversam entre si por uma rede subterrânea


    Cientistas dizem que uma rede formada por fungos permite que as plantas troquem nutrientes e mensagens - e até 'briguem'. Árvores parecem solitárias, mas a terra debaixo delas mostra que não é bem assim BBC Muita gente acha que as árvores são...


    Cientistas dizem que uma rede formada por fungos permite que as plantas troquem nutrientes e mensagens - e até 'briguem'. Árvores parecem solitárias, mas a terra debaixo delas mostra que não é bem assim BBC Muita gente acha que as árvores são solitárias. (Assista ao vídeo) Essa percepção cai literalmente por terra, segundo novas pesquisas científicas. Analisando o solo onde elas vivem, os cientistas descobriram que há uma espécie de rede subterrânea de fungos que conecta as árvores que estão próximas – uma espécie de internet vegetal. Árvores secretamente 'falam, negociam e brigam' entre si BBC Por meio dessa rede, as plantas trocam nutrientes e mensagens de alerta, por exemplo, quando se sentem ameaçadas. Mas, assim como a internet, essa rede também tem seu lado obscuro e, por meio dela, uma planta pode sabotar a outra, por exemplo, roubando nutrientes.
    Ave mais inteligente do mundo? O corvo que consegue operar 'máquinas de venda'

    Ave mais inteligente do mundo? O corvo que consegue operar 'máquinas de venda'


    Emma, um corvo-da-nova-caledônia, aprendeu a inserir fichas do tamanho certo para obter comida em 'autômato'. Corvo aprendeu a usar um dispositivo similar ao das máquinas de venda eletrônica, daquelas em que se insere dinheiro para liberar bebida...


    Emma, um corvo-da-nova-caledônia, aprendeu a inserir fichas do tamanho certo para obter comida em 'autômato'. Corvo aprendeu a usar um dispositivo similar ao das máquinas de venda eletrônica, daquelas em que se insere dinheiro para liberar bebida ou comida. BBC Emma é um corvo de uma espécie tida como a ave mais inteligente do mundo. Ela tem sido observada por cientistas que tentam entender como funciona o cérebro dessas aves. A ave aprendeu a usar um dispositivo similar ao das máquinas de venda eletrônica, daquelas em que se insere dinheiro para liberar bebida ou comida. (Assista ao vídeo) Emma aprendeu a picar papel do tamanho certo, inseri-lo no lugar correto e, assim, ganhar a recompensa. Os pesquisadores acreditam que aves da espécie de Emma usam o mesmo "raciocínio" ao transformar pedaços de galhos em ganchos para buscar alimento. De acordo com estudo publicado na revista acadêmica Nature Scientific Reports, os corvos-da-nova-caledônia, espécie encontrada em um remoto arquipélago a leste da Austrália, no Oceano Pacífico, podem criar ferramentas de memória e aprimorá-las ao longo do tempo. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo descobriram que, com o passar do tempo, essas aves são capazes de resolver problemas mais complexos. Emma, por exemplo, aprendeu a criar a moeda necessária para liberar a comida e não esqueceu como a "máquina de vendas" funcionava para liberar a recompensa.
    Como belgas e alemães planejam repovoar Brasil com ararinha-azul que só existe em cativeiro

    Como belgas e alemães planejam repovoar Brasil com ararinha-azul que só existe em cativeiro


    Esforço internacional, em parceria com governo brasileiro, busca reintroduzir espécie rara no cerrado baiano, onde foi vista pela última vez em 2000; apenas 158 aves existem em cativeiro no mundo. Carla e Tiago são exemplares de uma espécie que...


    Esforço internacional, em parceria com governo brasileiro, busca reintroduzir espécie rara no cerrado baiano, onde foi vista pela última vez em 2000; apenas 158 aves existem em cativeiro no mundo. Carla e Tiago são exemplares de uma espécie que já não existe em seu habitat natural ACTP Ela é protagonista de uma das séries de filmes de animação de maior sucesso nos últimos anos. Em Rio, Blu é o último macho da espécie Cyanopsitta spixii e a última esperança de um grupo de biólogos para salvá-la do desaparecimento. O enredo foi inspirado na ameaça real que enfrentam essas ararinhas-azuis, consideradas um dos pássaros mais raros do mundo, que hoje só vivem em cativeiro. Agora, o zoológico belga Pairi Daiza, no município de Brugelette, a 65 km de Bruxelas, se associou ao governo brasileiro para tentar reverter essa situação e repovoar com a espécie o vale do rio São Francisco, de onde é originária. O último exemplar de Cyanopsitta spixii em estado selvagem foi visto pela última vez em outubro de 2000 no cerrado baiano, seu único habitat original. Hoje, 90% das 158 ararinhas-azuis que vivem em cativeiro no mundo todo estão em um aviário em Berlim, da Associação para a Conservação de Papagaios Ameaçados (ACTP), organização alemã sem fins lucrativos. O governo brasileiro mantém onze aves em um centro de conservação e outras duas estão em um zoológico de Cingapura, as únicas expostas ao público. Animais são considerados frágeis e de reprodução difícil, o que complica sua reintrodução na natureza Leonardo Milano Nova casa Este mês, como parte do acordo assinado com o Brasil, o Instituto Chico Mendes e a ACTP, o Pairi Daiza recebeu a custódia de quatro aves pertencentes à organização alemã. O zoo belga foi escolhido pela experiência de seu diretor de zoologia, Tim Bouts, na criação e reprodução da Cyanopsitta spixii. Ele trabalhou com a ave durante anos no centro de preservação de espécies ameaçadas "Al Wabra Wildlife Preservation", em Doha, no Catar, pioneiro na conservação da ararinha-azul. Depois da morte de seu fundador, o xeque Saoud Bin Mohammed Bin Ali Thani, em 2014, seus herdeiros decidiram transferir as ararinhas-azuis de Al Wabra à ACTP, organização com a qual o centro catariano já colaborava na conservação e reprodução da espécie. Aves ganharam um viveiro só para elas no zoológico belga Leonardo Milano Na Bélgica, os quatro exemplares cedidos ao Pairi Daiza ganharam um viveiro exclusivo, separado das demais aves para garantir sua segurança, explicou Bouts à BBC Brasil. O viveiro será aberto a visitação e terá troncos e plantas para tentar reproduzir o habitat original da espécie. A temperatura é controlada entre 20 e 25 graus centígrados, considerada por Bouts como ideal para esses pássaros nascidos em cativeiro, apesar de inferior às máximas predominantes no cerrado baiano. Ideia é que dez animais passem por readaptação no Brasil antes de serem soltos na natureza ACTP Preparação Até o final do ano, o parque contará com um Centro de Conservação e Reprodução de Araras-Azuis, o segundo do tipo no mundo, depois do que existe na ACTP, e deverá receber em seguida novos casais de Cyanopsitta spixii. "Nosso objetivo será preparar as aves que nascerão em Pairi Daiza para que possam ser soltas em seu habitat natural no Brasil. Queremos reintroduzir dez animais por ano, a partir de 2019", disse Bouts. Para isso, é preciso primeiro alcançar uma população "razoável, sustentável e forte" de aves, segundo o biólogo. Como as probabilidades de acasalamento natural e as taxas de fertilidade são baixas entre a espécie, Bouts e sua equipe recorrerão à inseminação artificial. O segundo passo será a adaptação desses pássaros delicados e de saúde frágil a seu habitat natural brasileiro. O processo será realizado em um Centro de Readaptação e Reintrodução que o zoo belga construirá também este ano no município baiano de Curaçá. Assim como as instalações do local, também sua manutenção e mão de obra serão financiadas pelo zoo Pairi Daiza. O parque não revela quanto está investindo no projeto. Pássaro ficou famoso mundialmente por causa da animação 'Rio' ACTP Liberdade As primeiras 50 aves a ocupar o centro de readaptação no Brasil devem chegar ao Brasil no primeiro trimestre de 2019, em transferências financiadas pelas instituições belga e alemã. No entanto, elas não serão soltas na natureza antes de 2021. "É difícil prever uma data exata para a libertação. Vai depender de como evolui cada uma em seu novo habitat", explica Bouts. Os pássaros precisam se aclimatizar, aprender a buscar seu próprio alimento e a defender-se de eventuais perigos. "Reintroduzir ao estado selvagem animais nascidos em cativeiro é um processo longo e difícil. Os animais, não importa quais, têm que ser preparados para ganhar liberdade progressivamente, por etapas. Essa descoberta da liberdade pode levar meses." Tráfico de animais ajudou a dizimar população da ararinha-azul Leonardo Milano É necessário também recuperar o habitat natural das aves. O corte indiscriminado de árvores e a criação de cabras mudaram a paisagem do vale do São Francisco na Bahia e contribuíram para o desaparecimento das ararinhas-azuis, ameaçadas igualmente pelo tráfico de animais selvagens. A reabilitação da região começou em junho, com a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-azul, em Curaçá, e da Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul, em Juazeiro. Juntas, as duas reservas somam cerca de 120 mil hectares protegidos. A assinatura do acordo de cooperação com Pairi Daiza foi celebrada pelo ministro brasileiro de Meio Ambiente, Edson Duarte, como "um marco histórico da luta pela preservação das espécies". "Estou aqui para realizar o sonho de ambientalistas, não só do Brasil, mas do mundo: trabalhar na reintrodução do animal no seu habitat natural e permitir que ele volte a voar em casa", disse no zoológico belga. Refúgios estão sendo criados no Brasil para, no futuro, receberem ararinhas-azuis ACTP
    Documentário 'Dedo na ferida' abre chance de reflexões sobre formas de resistência

    Documentário 'Dedo na ferida' abre chance de reflexões sobre formas de resistência


    Rua do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, início da noite de sábado. Há diversidade de cores e objetos que se espalham pelo chão em busca de compradores, e isso não incomoda. Há lojas e mais lojas ainda abertas àquela hora, quase todas...


    Rua do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, início da noite de sábado. Há diversidade de cores e objetos que se espalham pelo chão em busca de compradores, e isso não incomoda. Há lojas e mais lojas ainda abertas àquela hora, quase todas vazias, talvez também à espera de clientes que ao menos amenizem o prejuízo de tanta luz, ar condicionado, funcionários. Há camisas de futebol para comemorar a Copa, muitas cornetas barulhentas, tanto fora quanto dentro das vitrines, à espera de fãs apaixonados que se deixem cada vez mais afetar pelos bons resultados obtidos até agora pela seleção. Há food trucks que começam a se preparar para, quem sabe, uma noite de vendas boas. Passo pelas cenas observando o movimento, ouço os barulhos, as conversas. E me preocupo com tanta expectativa que se percebe naqueles que precisam vender. Misturados ao burburinho dos camelôs e sons vindos das lojas, os possíveis consumidores, no entanto, passam com andar arrastado, olhar ocupado sem dar esperança. Fico pensando sobre a resistência, uma das saídas para a crise financeira internacional apontada pelos economistas ouvidos por Silvio Tendler em seu último documentário, "Dedo na Ferida". Ando firme e apressada para o Museu da República, com o objetivo de assistir ao filme, indicado para o Festival do Rio do ano passado. O cineasta é famoso pelo tom contundente que imprime em suas obras, como aconteceu em "O Veneno está na Mesa", editado em duas versões, e eu não queria perder a oportunidade de assistir a mais este em tela grande. Faço esta ressalva porque é hábito de Tendler liberar suas obras pela internet. O protagonista de "Dedo na Ferida", na verdade o podólogo de Tendler, Anderson, morador de Japeri, que sai de casa diariamente às 5h40m para chegar ao trabalho em Copacabana às 9h, faz a costura do filme. Como diz o título, o cineasta não se poupa ao fazer contundente denúncia contra a "ditadura do sistema financeiro internacional". Em outras palavras: Tendler agora lançou sua munição contra os bancos e financeiras, instituições que estão tomando o poder e pondo em risco as democracias em todo o mundo. Ouve, para ajudá-lo a embasar esta teoria, pessoas como Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia; Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil; Paulo Nogueira Batista Jr, vice-presidente dos banco dos Brics; o cineasta Costa-Gavras; os intelectuais Boaventura de Sousa Santos (Universidade de Coimbra, Portugal), David Harvey (University of New York, Estados Unidos) e Maria José Fariñas Dulce (Universidade Carlos III, Espanha); os economistas Ladislau Dawbor (PUC-São Paulo), Guilherme Mello (Unicamp) e Laura Carvalho (USP). Quem fala sobre resistência é Maria José Farinãs, que alerta para o fato de que o sistema capitalista deixou de ser um sistema produtivo para ser estritamente especulativo: "O capitalismo do cassino, da aposta, de fazer dinheiro fácil". "O que está em grave perigo agora é a democracia", diz ela. A fala de Fariñas corrobora uma pesquisa divulgada pela revista "The Economist" em 2014, em que os brasileiros fomos considerados preguiçosos porque, segundo os dados coletados pelo Instituto Conference Board, em comparação com as outras economias emergentes, no Brasil a produtividade do trabalho foi responsável por 40% do aumento do PIB entre 1990 e 2012 enquanto na China foi 91% e na Índia, 67% (comento sobre isto neste post). O que não quer dizer, porém, que os cidadãos comuns estão buscando menos trabalho, pelo contrário. "Nós adentramos um período extremamente particular na história da humanidade que está negando tudo que foi dito sobre o plano social, sobre o plano humano, sobre como funciona a sociedade etc. Isso foi anulado. Anulado por grupos muito poderosos, que dirigem a economia em favor dos seus acionistas", diz Costa Gravas no documentário que recebeu também indicação no Festival Havana de cinema. Acrescente-se o plano do meio ambiente, não menos menosprezado e que também muito rende aos acionistas das grandes empresas. O documentário merece ser visto e pode servir como reflexão para o período de crise em que estamos submersos, coisa que ninguém duvida. Resistir é preciso, buscar soluções, no plural, é imprescindível. O filme pode deixar no espectador uma desesperança ainda maior se não for bem digerido. Aconselha-se assisti-lo em grupo e debater bastante. Para ajudar a incrementar o debate, indico o site da "New Economic Foundation". Ali é possível descobrir inúmeras atitudes que a sociedade civil tem tomado para tentar furar esse bloqueio deixado pelo sistema. E é interessante observar como, aos poucos, as brechas vão se abrindo e mais organizações vão encontrando seu espaço. Um exemplo disso é a notícia dada pelo economista Frank Van Lerven, sobre uma carta elaborada pela New Economics Foundation, assinada por mais de 50 ONGs, incluindo Greenpeace, Finance Watch, Transparency International e Share Action, pedindo aos bancos centrais para darem o exemplo quando se trata de transparência financeira sobre os riscos e implicações das Alterações Climáticas. Isto não é pouca coisa porque, como se sabe, eventos extremos têm causado sérios problemas à humanidade, sobretudo aos mais pobres. Mas a carta observa que 20 bancos centrais e ministérios das finanças já deram passos louváveis neste sentido, colocando as mudanças climáticas na agenda da estabilidade financeira. Um deles, o Banco da Inglaterra. Para que haja resistência, é preciso que se tenha informações sobre brechas e saídas, a fim de que seja possível respirar nelas. Amelia Gonzalez Arte/G1
    Incêndios florestais provocam evacuações no norte da Califórnia

    Incêndios florestais provocam evacuações no norte da Califórnia


    Ao menos 100 carros de bombeiros e uma dúzia de helicópteros combatem as chamas. Fogo se espalha na região de Clearlake Oaks, na Califórnia, neste domingo (1) Josh Edelson/AFP As autoridades emitiram alertas meteorológicos e decretaram...


    Ao menos 100 carros de bombeiros e uma dúzia de helicópteros combatem as chamas. Fogo se espalha na região de Clearlake Oaks, na Califórnia, neste domingo (1) Josh Edelson/AFP As autoridades emitiram alertas meteorológicos e decretaram evacuações da população diante de uma série de incêndios florestais impulsionados por fortes ventos e altas temperaturas que já destruíram milhares de hectares na Califórnia, nos Estados Unidos. O último incêndio atingiu no sábado o Condado de Yolo e na tarde deste domingo (1) já havia devorado 9 mil hectares, sem que os bombeiros conseguissem deter qualquer frente. Ao menos 100 carros de bombeiros e uma dúzia de helicópteros combatem as chamas, que na tarde deste domingo cruzaram o condado de Napa. Outros incêndios ativos atingem o condado de Lake, incluindo um que destruiu 14.150 acres antes de ser contido pelos bombeiros, em 73%, na manhã deste domingo. No condado de Joaquin, outro incêndio destruiu 12.300 acres e está contido em 75%. Em dezembro passado, as chamas mataram duas pessoas em Santa Barbara, após destruírem mais de mil prédios - incluindo casas de alto valor - e consumirem 259.000 acres. No mês de outubro, as chamas mataram cerca de 40 pessoas nas regiões vinícolas dos vales de Napa e Sonoma, ao norte de San Francisco, onde destruíram 245.000 acres de vegetação e 7 mil casas e prédios. Bombeiros combatem o fogo em Clearlake Oaks, neste domingo (1), na Califórnia Josh Edelson / AFP
    Como se explica a beleza da montanha de 7 cores que atrai multidões de turistas ao Peru

    Como se explica a beleza da montanha de 7 cores que atrai multidões de turistas ao Peru


    Encostas decoradas com franjas coloridas em roxo, turquesa, fúcsia e dourado foram 'bordadas' ao longo de 65 milhões de anos. Montanha das 7 cores, em Pitumarca, no Peru Martin Mejia/AP Cerca de 100 km a sudeste de Cusco, no Peru, existe um...


    Encostas decoradas com franjas coloridas em roxo, turquesa, fúcsia e dourado foram 'bordadas' ao longo de 65 milhões de anos. Montanha das 7 cores, em Pitumarca, no Peru Martin Mejia/AP Cerca de 100 km a sudeste de Cusco, no Peru, existe um arco-íris em forma de montanha. É a Montanha das Sete Cores, também conhecida como Vinicunca ou Arco-íris, situada na Cordilheira do Vilcanota, 5,2 mil metros acima do nível do mar, no distrito de Pitumarca. Suas encostas e cumes são decorados por franjas em tons intensos de fúcsia, turquesa, roxo e dourado. Desde 2016, o espetáculo visual que a montanha proporciona vem atraindo visitantes, disse à BBC News a funcionária da secretaria de Turismo de Pitumarca, Haydee Pacheco. Segundo a mídia local, o número de turistas subiu de algumas dezenas a cerca de 1 mil por dia - isso apesar do frio e da grande altitude. Impulsionado pelas redes sociais, o crescimento na popularidade da Montanha das Sete Cores fez com que ela fosse incluída nos rankings internacionais de atrações turísticas. Em agosto de 2017, por exemplo, a Vinicunca apareceu na lista dos cem lugares que você deve conhecer antes de morrer, compilada pelo site Business Insider. A explosão no turismo local é recente, mas a história da montanha e de suas lindas cores começou há milhões de anos. Situada na Cordilheira do Vilcanota, a montanha fica a 5,2 mil metros acima do nível do mar, no distrito de Pitumarca, no Peru Martin Mejia/AP Oxidação de minerais As cores que decoram as encostas da montanha resultam de "uma história geológica complexa, com sedimentos marinhos, lacustres e fluviais", de acordo com um relatório do Escritório de Paisagismo Cultural da Diretoria de Cultura de Cusco. Esses sedimentos, transportados pela água que antes cobria todo o lugar, datam dos períodos Terciário e Quaternário, ou seja, de 65 milhões até 2 milhões de anos atrás. Ao longo do tempo, os sedimentos foram formando camadas (com grãos de tamanhos diferentes) que hoje compõem as franjas coloridas. O movimento das placas tectônicas da área elevou esses sedimentos até que se transformassem no que hoje é a montanha. Aos poucos, as diferentes camadas foram adquirindo suas cores chamativas. Elas resultam da oxidação dos diferentes minerais - em virtude da umidade da área - e também da erosão dos mesmos. Foi o que explicou à BBC News o geólogo César Muñoz, membro da Sociedade Geológica do Peru (SGP). Com base em um estudo do Escritório de Paisagismo Cultural e em suas próprias pesquisas, Muñoz explicou a composição de cada uma das camadas, de acordo com a cor: - Rosa ou fúcsia: mescla de argila vermelha, lama e areia. - Branco: arenito (areia de quartzo) e calcário. - Roxo ou lavanda: marga (mistura de argila e carbonato de cálcio) e silicatos. - Vermelho: argilitos e argilas. - Verde: argilas ricas em minerais ferromagnesianos (mistura de ferro e magnésio) e óxido de cobre. - Castanho amarelado, mostarda ou dourado: limonites, arenitos calcários ricos em minerais sulfurosos (combinados com enxofre). Fabián Drenkhan, pesquisador do Instituto de Ciências da Natureza da Pontificia Universidade Católica do Peru, disse à BBC News que essas misturas também contêm óxidos de ferro, geralmente de cor avermelhada. Moradores de Pitumarca, no Peru, na região da Montanha das Cores Martin Mejia/AP Divulgação pelas redes sociais Mas, se essas cores chamativas já decoram a montanha há milhões de anos, por que ela só ficou famosa recentemente? Artigos publicados pela mídia peruana e internacional sugerem que Vinicunca teria sido descoberta porque mudanças climáticas teriam derretido a neve que a cobria. No entanto, os geólogos consultados pela reportagem dizem não estar absolutamente certos disso. Juan Carlos Gómez, do Instituto Geofísico do Peru (IGP), disse que a montanha estava apenas parcialmente coberta de gelo e que recebia neve temporariamente até o início dos anos 1990. Fabián Drenkhan, por sua vez, disse não acreditar que o cume tenha sido uma geleira nos últimos anos ou décadas. "Não tenho evidências do que exatamente aconteceu nessa montanha e teria muita cautela em afirmar (que a mudança climática deixou Vinicunca descoberta). Mas, sim, pode-se dizer que, nos arredores, houve um derretimento glacial bastante forte", disse Dernkhan. O povo de Pitumarca diz que não houve neve nos últimos 70 anos, segundo Haydee Pacheco, da secretaria de Turismo. Pacheco explica que a montanha ganhou popularidade graças aos turistas que passam por ali a caminho de Ausangate, um monte sagrado para os cusquenhos. A revista colombiana Semana atribui o sucesso de Vinicunca à divulgação feita pelos usuários do Instagram e do Facebook, que atraiu multidões de turistas.
    Temperaturas do lugar mais frio do planeta são ainda mais baixas do que se pensava

    Temperaturas do lugar mais frio do planeta são ainda mais baixas do que se pensava


    Buracos localizados na camada de gelo da Antártida ajudaram os cientistas a descobrirem que a temperatura na área é cinco graus menor do que haviam identificado em 2013. Antártida: ainda mais fria Alister Doyle / Reuters O lugar mais frio sobre a...


    Buracos localizados na camada de gelo da Antártida ajudaram os cientistas a descobrirem que a temperatura na área é cinco graus menor do que haviam identificado em 2013. Antártida: ainda mais fria Alister Doyle / Reuters O lugar mais frio sobre a superfície da Terra bateu seu próprio recorde. Os pequenos vales situados na camada de gelo da Antártida registraram temperaturas de -98°C, ou seja, cinco graus a menos do que foi estimado até agora, de acordo com um estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters. O local com as temperaturas mais baixas da Terra foi descoberto em 2013 pelos cientistas, graças ao lançamento de vários satélites de observação. A área abrange vários pontos do Planalto Antártico Oriental, uma região com neve abundante onde o Pólo Sul também está localizado e onde foram registradas, inicialmente, temperaturas de -93°C. Agora, os pesquisadores usaram novos dados para concluir que as temperaturas são ainda mais baixas e que são observadas durante a noite do Pólo Sul, principalmente em julho e agosto. Como é possível? No estudo anterior, os especialistas explicam as condições necessárias para que as temperaturas caiam tão drasticamente. Eles concluíram que ventos leves e céu limpo não são os únicos fatores-chave. Ventos extremamente secos, que se mantenham constantes durante vários dias, também desempenham um papel crucial. Para chegar aos novos resultados, os cientistas observaram pequenas depressões ou buracos rasos na camada de gelo da Antártida, onde o ar frio, denso e descendente se acumula e pode permanecer por vários dias. Isso faz com que a superfície e o ar acima dela se resfriem ainda mais, até que as condições claras, calmas e secas terminem e o ar se misture com um outro mais quente na atmosfera. "Nesta área, vemos períodos de ar extremamente seco, e isso permite que o calor da superfície da neve se irradie para o espaço com mais facilidade", disse Ted Scambos, principal autor do estudo, em um comunicado. Ainda mais gelado? O novo recorde de -98°C pode ser superado de novo se as condições ambientais necessárias se mantiverem constantes por várias semanas, embora Scambos considere muito pouco provável que isso ocorra. Apesar dessa improbabilidade, a equipe de pesquisadores já trabalha na concepção dos instrumentos que lhes permitam sobreviver e trabalhar em lugares ainda mais frios, além de medir as temperaturas do ar e da neve. Os especialistas esperam ter esses meios de trabalho prontos dentro de dois anos.
    62% dos tatus da Amazônia brasileira no Pará têm bactéria da lepra, diz estudo

    62% dos tatus da Amazônia brasileira no Pará têm bactéria da lepra, diz estudo


    Estudo de brasileiros e americanos indica que animais são reservatório para bactérias da hanseníase no Brasil. Relação é corroborada pelas altas taxas da doença em áreas rurais no país. Tatu em campos, cerrados e bordas de florestas, onde...


    Estudo de brasileiros e americanos indica que animais são reservatório para bactérias da hanseníase no Brasil. Relação é corroborada pelas altas taxas da doença em áreas rurais no país. Tatu em campos, cerrados e bordas de florestas, onde escava túneis para se esconder Angélica Pizzolato / TG Um estudo inédito publicado na "PLos Neglected Tropical Diseases" mostrou que 62% dos tatus que vivem na Amazônia brasileira (especificamente no oeste do Pará) testaram positivos para a Mycobacterium leprae -- bactéria causadora da hanseníase, ou da lepra, como a doença é conhecida. Não é de hoje que a ciência sabe que tatus podem atuar como um reservatório natural para a bactéria causadora da doença. Trata-se da 1ª vez, contudo, que a relação é demonstrada com essa precisão no Brasil, dizem os autores. No sul dos Estados Unidos, a associação já era observada -- por isso, pesquisadores acreditam que a relação de transmissão entre humanos-tatus, principalmente via consumo da carne, seja um fenômeno antigo no Brasil. A hipótese da pesquisa também é corroborada pelas maiores taxas de hanseníase detectadas em áreas rurais do país (com Centro-Oeste e Norte apresentando os maiores índices; veja abaixo). "Os tatus ocorrem em números muito elevados em muitas áreas rurais do Brasil e a detecção de casos em humanos tem sido considerada hiperendêmica na região amazônica por muito tempo", escreveram os autores. "Por isso, é extremamente provável que a interação entre tatus e seres humanos infectados não seja um caso recente", concluíram. ____________________________________________________________________ Os achados do estudo: 62% dos tatus na Amazônia no oeste do Pará testaram positivo para a Mycobacterium leprae (bactéria causadora da lepra ou hanseníase); Das 146 pessoas entrevistadas no município de Belterra, 7 foram diagnosticadas com hanseníase; 63% (92) apresentavam sinais de anticorpos contra a lepra, o que indica contato com a bactéria; Aqueles que mais consumiam carne de tatu tinham maiores níveis de anticorpos contra a lepra que aqueles que não consumiam a carne; Levando-se em consideração as altas taxas de hanseníase na Amazônia, pesquisadores acreditam que a rota de transmissão tatu-humanos não seja um fenômeno recente na região. ____________________________________________________________________ Segundo os autores, o estudo mostra, pela primeira vez, que esses animais podem atuar como um reservatório para bactéria por aqui. O trabalho teve como primeiros autores Juliana Portela, Universidade Federal do Oeste do Pará, e Moises Silva, da Universidade Federal do Pará. A pesquisa também teve a participação de cientistas dos Estados Unidos, como John Spencer, da Universidade do Estado do Colorado (EUA). A hanseníase, ou a lepra, é uma doença contagiosa. Causada por bactéria, a condição danifica os nervos levando a sérias incapacidades físicas (pode haver dificuldades para andar ou para segurar objetos). Manchas avermelhadas, esbranquiçadas e amarronzadas são marcas da doença. Indivíduos sentem febre, dor e "fisgadas" nos músculos. Carne de tatu apreendida pela Polícia Militar, em Planaltina (GO). Polícia Militar/Divulgação Maior número de casos é detectado em áreas rurais Boletim do Ministério da Saúde divulgado em fevereiro de 2018 mostra que foram notificados 25.218 casos de hanseníase no Brasil. Entre 2012 e 2016, o ministério reporta 151.764 novos casos. Maiores taxas foram detectadas nas regiões Centro-Oeste (32,27 novos casos a cada 100 mil habitantes) e Norte (34,26 novos casos a cada 100 mil habitantes). No Pará, onde o estudo foi realizado, a taxa de detecção registrada pelo Ministério da Saúde foi de (40,39 casos a cada 100 mil habitantes). No Brasil, a média nacional de detecção de novos casos é de 12,2 novos casos a cada 100 mil habitantes. Lepra e consumo de carne de tatu Além da análise dos tatus, pesquisadores também entrevistaram e testaram 146 pessoas da cidade de Belterra, no Pará. Cientistas analisaram a frequência das interações dessas pessoas com os Tatus. Também níveis de anticorpos contra a lepra também foram medidos no sangue desses indivíduos. Da análise, cientistas diagnosticaram 7 pessoas com hanseníase. Dessas, 63% apresentavam níveis de anticorpos contra a lepra -- o que sugere contato com a bactéria. Também pesquisadores encontraram que aqueles que consumiam a carne mais frequentemente apresentaram maiores níveis de anticorpos. "Esses animais [os tatus] vivem na Amazônia brasileira e alguns moradores caçam e matam tatus como fonte alimentar de proteína", diz nota sobre a pesquisa.
    Pesquisa encontra 'rios perdidos' e malha hidrográfica do planeta deve ser 44% maior

    Pesquisa encontra 'rios perdidos' e malha hidrográfica do planeta deve ser 44% maior


    Superfície de rios e riachos - exceto os congelados - é de 773 mil quilômetros quadrados, segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas Geológicas da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. Mapa mostra método que chegou ao mês...


    Superfície de rios e riachos - exceto os congelados - é de 773 mil quilômetros quadrados, segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas Geológicas da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA. Mapa mostra método que chegou ao mês ideal do ano para medir cada um dos rios Divulgação/Science Um estudo publicado na revista 'Science' nesta quinta-feira conseguiu mostrar, graças a novas tecnologias, que a área coberta por rios no mundo é, no mínimo, 44% maior do que se acreditava. No total, a superfície de rios e riachos - dos caudalosos aos mais ínfimos, excetuando-se apenas aqueles congelados - é de 773 mil quilômetros quadrados, segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisas Geológicas da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. "As superfícies turbulentas dos rios e riachos são pontos naturais de intercâmbio biogeoquímico com a atmosfera. Em escala global, o fluxo de gases entre rios e atmosfera, gases como o dióxido de carbono, depende diretamente da proporção da superfície coberta pelos rios", contextualiza o geógrafo George Allen, da Universidade Texas A&M. "Para chegar aos resultados, utilizamos um banco de dados global de hidromorfologia e uma abordagem estatística. Mostramos que a área global da superfície dos rios é de 773 mil quilômetros quadrados, até 44% maior do que estimativas espaciais anteriores", explica o geógrafo Tamlin Pavelsky, professor de hidrologia global da Universidade da Carolina do Norte. Mais do que descobrir água doce de forma mais abundante, a importância científica da descoberta é outra: o estudo mostra que a rede fluvial desempenha um papel maior no controle ambiental da Terra, justamente por serem essas superfícies pontos primordiais nas trocas de carbono com a atmosfera. Por conta de reações denominadas "de equilíbrio", a água que corre pelos rios interage com o ar em uma série de processos biogeoquímicos. São trocas de massa e energia. Para se ter uma ideia, a liberação de gases pelos rios na atmosfera equivalem a um quinto do total das emissões combinadas da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento do globo. Os rios, portanto, têm um notório papel controlador do calor terrestre. Conta-gotas Um parâmetro muito utilizado para determinar a importância dos rios é o volume de água que eles despejam nos oceanos. Antes, apenas dois estudos tentaram estimar a superfície total da malha fluvial na Terra. Em 2012, o professor de Ecologia da Universidade de Iowa John Downing e sua equipe publicaram uma levantamento que chegou a duas estimativas. A mais conservadora afirmava serem 485 mil quilômetros quadrados de superfície. Na outra, o número foi de 682 mil quilômetros quadrados. Downing realizou cálculos a partir de uma situação hipotética em que todos os rios do mundo pertenceriam a uma única rede fluvial de ramificação. Então, um software de computador pôde fazer as contas a partir de uma escala entre largura e comprimento desse suposto rio gigante. Como modelo, a pesquisa utilizou o tronco principal do Rio Amazonas. No ano seguinte, a equipe do químico ambiental Peter Raymond, professor de Ecossistemas Ecológicos da Universidade de Yale, publicou o único estudo a estimar a variabilidade espacial da superfície dos rios. Sua estimativa foi de uma área de 536 mil quilômetros quadrados. "Ambos os estudos anteriores são limitados pela falta de observações diretas da superfície total dos rios, pelas incertezas estatísticas dos métodos aplicados e por conta da variabilidade regional da geometria hidráulica", aponta Allen. No estudo publicado nesta quinta, por outro lado, foram utilizados dados de observação por satélite dos rios, com uma abordagem estatística capaz de produzir uma estimativa mais precisa da cobertura dos mesmos na superfície terrestre. "Construímos um banco de dados chamado Global River Widths from Landsat (GRWL), que é a primeira compilação global da geometria planificada do rio a uma descarga de frequência constante", diz Pavelsky. Para tanto, foi utilizado um banco de dados de 3.693 estações que medem variações de volumes de rios pelo mundo. Com isto, os pesquisadores excluíram os meses com maior variabilidade positiva ou negativa do nível desses rios, principalmente no caso dos mais sujeitos à sazonalidade - e o estudo se deteve nas vazões médias. "Adquirimos 7.376 imagens de satélite, capturadas durante esses meses da média. Aplicamos técnicas de processamento de imagens para classificar os rios e medir a localização e a largura", explica o pesquisador. No total, o banco de dados acumulou mais de 58 milhões de medições, sendo 2,1 milhões de quilômetros lineares de rios com pelo menos 30 metros de largura em sua vazão média anual. Na conta também entraram 7,6 milhões de lagos, reservatório ou canais conectados à rede fluvial. Para ter certeza da viabilidade do método, os pesquisadores validaram os dados do sistema realizando algumas medições in loco em rios americanos e canadenses. "Como descobrimos que os dados são mais precisos quanto maior a largura dos rios, na criação do modelo estatístico do software consideramos apenas os dados colhidos em rios de largura superior a 90 metros, o que significa cerca de 3 pixels das imagens de satélite", afirma Pavelsky. Sede Ao compilarem os dados, os pesquisadores chegaram a uma conclusão alarmente: regiões mais desenvolvidas do globo, como os Estados Unidos e a Europa, são as que apresentam menor superfície fluvial disponível. "Isso pode ser em decorrência da retirada dessa água para uso, além de sua canalização", observa o cientista. O efeito pode já ser grande no descontrole ambiental, justamente pela redução das possibilidades de trocas gasosas. Mas tais hipóteses ainda precisam ser validadas em estudos subsequentes. Imagem mostra como o software da pesquisa trabalha; esta imagem é o mapeamento de trecho do Rio Amazonas Divulgação/Science Com a valorização de questões ambientais e uma maior consciência ecológica, a descoberta de novos rios deve aumentar pelo mundo. E, espera-se, a população pode forçar o poder público a promover o renascimento de muitos deles. Em São Paulo, por exemplo, o Mapa Hidrográfico do Município mostra que existem, oficialmente reconhecidos pela Prefeitura, 287 cursos d'água. Mas estimativas do geógrafo Luiz de Campos Júnior e do urbanista José Bueno, que com o projeto Rios e Ruas fazem expedições a nascentes desde 2010, são de que essa malha hidrográfica seja pelo menos o dobro.
    A monocultura e os agrotóxicos no banco dos réus

    A monocultura e os agrotóxicos no banco dos réus


    A Comissão especial da Câmara aprovou, nesta semana, o Projeto de Lei que flexibiliza ainda mais a compra de agrotóxicos TV Verdes Mares/Reprodução Não é nada fácil atrair a atenção dos leitores para assunto que não seja futebol depois de...


    A Comissão especial da Câmara aprovou, nesta semana, o Projeto de Lei que flexibiliza ainda mais a compra de agrotóxicos TV Verdes Mares/Reprodução Não é nada fácil atrair a atenção dos leitores para assunto que não seja futebol depois de uma rodada onde o Brasil ganhou. Quem, neste imenso país, quer se incomodar agora – depois de uma catarse nacional proporcionada pelos gritos de gol – com questões de meio ambiente? Ou de economia sustentável? Ou de planejamentos de bem estar para a sociedade que amanhã acorda, pega o trem ou a enxada, e segue trabalhando a despeito da vitória ou derrota da seleção? Não. Agora é hora de comemorar, de tomar uma cerveja, de sonhar com a vitória macro, o hexa, que nos elevará à categoria de campeões seis vezes!!! E de se preparar para o feriadão que virá, porque nenhuma empresa há de obrigar funcionários a trabalhar num dia decisivo como será segunda-feira (2), em batalha campal contra o México, em Samara. O jogo será às 11h! E é óbvio que, como aconteceu quando a disputa foi contra a Costa Rica na sexta-feira passada (22), nem antes, nem depois, haverá trabalho. E vida que segue, com crise ou sem crise. Assim é o Brasil, assim é a Copa do Mundo. Entendo. E, assim mesmo, persisto. Volto minhas vistas para a Inglaterra, que amanhã vai enfrentar a Bélgica num mata-mata, até onde sei. Nas terras britânicas está acontecendo um incêndio de proporções gigantescas, segundo informações do site do “The Guardian”, o que não chega a ser nenhuma novidade porque o verão europeu tem sido marcado por esta calamidade. Sim, é uma calamidade. O incêndio é numa área florestal, a Grande Manchester, que está passando por uma onda de calor, com temperaturas que devem chegar a 29 graus, ressecando extremamente o solo, um terreno árido. George Monbiot, principal colunista de meio ambiente do jornal britânico, apressou-se a apontar o principal motivo que pode ter levado ao fogo. Há uma prática, segundo ele aplicada pela elite britânica, de caçar perdizes no ambiente onde o fogo está cruelmente atingindo fauna e flora. Para caçar as tais perdizes, é preciso preparar o terreno, o que inclui a plantação de uma vegetação única, muito suscetível ao fogo. “O que está acontecendo em Saddleworth Moor é um acidente anunciado, uma espécie de caixa de fogo feita pelo homem”, escreve Monbiot. O ativista ambiental britânico Guy Shrubsole concorda com Monbiot. Segundo ele, os locais de incêndio estão intimamente relacionados com lugares gerenciados para essa prática, quase medieval, de soltar pássaros para que pessoas possam se divertir atirando e matando. A espécie escolhida pela elite britânica para a matança em série é a perdiz vermelha, um pássaro belíssimo. Para isso, as pessoas pagam um bom dinheiro, e é claro que a atividade atrai “comerciantes” interessados em patrocinar o prazer aos endinheirados. “Isso geralmente envolve a preparação do terreno, tem que ser feita a drenagem de solo pantanoso e o corte e queima da mata para manter uma monocultura de vegetação baixa. Esse habitat artificial, como observa a Comissão Florestal, é altamente suscetível a incêndios florestais”, escreve o colunista. Se não fosse necessário “preparar o terreno” para a matança de aves, o solo seria mais úmido, cheio de bosques, o que tornaria mais difícil que o fogo se alastrasse. Monbiot clama por um inquérito público que possa elucidar a causa do desastre. E foca sua crítica diretamente sobre o secretário de Meio Ambiente, Michael Gove, homem que alardeia preocupação com o bem-estar humano e animal. Se for verdade, diz o jornalista, é preciso que ele mande proibir imediatamente o espetáculo da matança das perdizes. Faz sentido. E é importante observar que a monocultura, novamente, está no banco dos réus. Trata-se de uma prática que não só permite incêndios, como também abre caminho para as pragas, que precisam ser combatidas por venenos. E, aqui, entramos num assunto que diz respeito ao nosso time, o brasileiro. Foi aprovado pela Comissão especial da Câmara o Projeto de Lei que flexibiliza ainda mais a compra de agrotóxicos – como se fosse necessário, já que o Brasil é o país que mais usa este tipo de química extremamente ofensivo à saúde humana. O projeto segue agora para a votação em plenário, e os que o defendem dizem que o texto vai “modernizar a legislação” e “agilizar o processo” de compra. De novo: se o país é o primeiro no mundo a consumir agrotóxicos, em que ponto, exatamente, está o entrave à compra dessas substâncias? Diante de tantas questões de meio ambiente, que dizem respeito à preservação de terras e à diminuição do desmatamento, mais urgentes, será mesmo necessário mobilizar deputados para promover uma lei mais flexível para a compra dos agrotóxicos ou, como querem os que desejam fazer passar o projeto de lei, os “pesticidas”? Mais monocultura, sim, requer mais uso de agrotóxicos. Mas, como estamos vendo acontecer agora na Grã-Bretanha, causa também uma tremenda vulnerabilidade do solo. A pergunta que fica para nós, que vimos acompanhando questões ligadas ao meio ambiente e aos alimentos, é: quem é que, verdadeiramente, vai se beneficiar com uma mudança de lei dessas? Não será, com certeza, o consumidor que vai ser obrigado a comer alimentos cada vez mais tóxicos. Além disso, como bem explicam os economistas que se interessam, estudam e defendem uma mudança no sistema econômico com objetivo de pensar um modelo mais justo e igualitário, o que causa a fome não é a falta de alimentos no mundo, mas sim a má distribuição. Em poucas palavras: o que falta é dinheiro para comprar comida. Sigamos refletindo, além de torcer pelo futebol. Uma coisa não exclui a outra.
    Na contramão de Europa e EUA, Brasil caminha para relaxar regras para uso de agrotóxicos

    Na contramão de Europa e EUA, Brasil caminha para relaxar regras para uso de agrotóxicos


    Especialistas e entidades se dividem em relação a projeto de lei que aumenta poderes do Ministério da Agricultura e cria registro provisório para produtos antes do fim da avaliação técnica. Brasil está consumindo agrotóxicos já proibidos em...


    Especialistas e entidades se dividem em relação a projeto de lei que aumenta poderes do Ministério da Agricultura e cria registro provisório para produtos antes do fim da avaliação técnica. Brasil está consumindo agrotóxicos já proibidos em vários países Divulgação Se o novo PL 6922/2002, aprovado na noite de segunda-feira por uma comissão especial da Câmara dos Deputados, virar a nova lei de agrotóxicos, o Brasil estará na contramão das decisões recentes de países da União Europeia. É o que diz a pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP), autora do atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de 2017, que mapeia o uso dessas substâncias em todo o país e o compara com o uso nos países da UE. "Para se ter uma ideia, eles (os europeus) acabaram de proibir o uso de inseticidas chamados de neonicotinoides, que são dos mais vendidos no mundo, por que pesquisas mostravam uma relação entre eles e a mortandade de abelhas", disse à BBC News Brasil. "Aqui, essas substâncias ainda são usadas. E agora, com o novo projeto de lei, ainda vamos ampliar o leque de agrotóxicos disponíveis no mercado." O projeto, proposto originalmente pelo ex-senador e atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP-MT) e cujo relator é o deputado Luiz Nishimori (PR-PR), também dá mais poderes ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para realizar a avaliação toxicológica das substâncias e aprovação do seu uso, dimuindo as competências de controle e fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no processo. O debate vem causando polêmica entre ruralistas, a favor do PL, e órgãos como Anvisa, Ibama, Fiocruz, Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), que se posicionam contra, afirmando que a mudança reduz os níveis de segurança para o consumidor. Os produtores reclamam da demora na liberação dos agrotóxicos e dizem que, quando o governo autoriza a aplicação, os produtos já estão obsoletos. Pessoas favoráveis ao novo projeto de lei afirmam que ele é mais eficiente e condizente com as normas internacionais de uso das substâncias. Opositores, por sua vez, afirmam que a nova medida favoreceria apenas os fabricantes dos químicos, facilitando a entrada de produtos possivelmente danosos à saúde e ao ambiente no mercado. O PL foi aprovado na comissão após pelo menos oito tentativas de votá-lo, que foram palco de debates acalorados, xingamentos entre deputados e manobras para atrasar a decisão sobre o tema. O texto ainda não tem data para ser levado ao plenário da Câmara. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, ligada ao MAPA), além de organizações e sindicatos que representam produtores das substâncias usadas nas lavouras, se posicionaram a favor da medida. Do outro lado, reuniram-se, além de Anvisa, Ibama e Consea, organizações ambientalistas e até celebridades, como Caetano Veloso, Bela Gil e atores de televisão, que chamam o projeto de "PL do Veneno". Saiba quais os principais pontos polêmicos da medida: 'Risco inaceitável' Uma das principais controvérsias do projeto é a ideia de que agrotóxicos só serão proibidos no país caso apresentem "risco inaceitável", que é definido como "nível de risco considerado insatisfatório por permanecer inseguro ao ser humano ou ao meio ambiente, mesmo com a implementação das medidas de gerenciamento dos riscos". Atualmente, a lei 7.802/1989, que rege o uso de agrotóxicos, é mais rígida, e proíbe especificamente substâncias que revelem características teratogênicas, carcinogênicas ou mutagênicas (que provoquem câncer ou alterações em embriões ou no DNA), de acordo com resultados de experiências da comunidade científica; que provoquem distúrbios hormonais e danos ao aparelho reprodutor, que se revelem mais perigosos para o homem do que os testes de laboratório, com animais, tenham podido demonstrar e que causem danos ao meio ambiente. "Na prática, essa proposta é um grande retrocesso porque põe a perder o nosso parâmetro de precaução. Como vamos saber o que é risco inaceitável? Como exatamente se define isso?", diz Bombardi. "Já somos muito mais permissivos no limite de substâncias que permitimos que sejam usadas nas plantações e que estejam nos alimentos e na água. Por exemplo, permitimos um nível de glifosato na água (considerado cancerígeno para animais e provavelmente para o homem pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer) até 5 mil vezes maior do que a UE permite". De acordo com o atlas, o limite máximo de resíduos permitido em alguns alimentos no Brasil chega a ser 400 vezes superior ao da União Europeia. No caso da água, essa diferença pode ser de 5 mil vezes mais. A definição de risco inaceitável, de acordo com a PL, seria feita por técnicos responsáveis por fazer uma avaliação de risco, outra novidade introduzida no projeto. Análise de risco, não só de perigo Atualmente, os órgãos responsáveis no Brasil fazem uma avaliação do perigo dos agrotóxicos, ou seja, de qual perigo eles podem oferecer à saúde e ao ambiente, segundo a ciência, como determina a lei. Em outros países, como na União Europeia e nos Estados Unidos, também é feita, juntamente com a avaliação do perigo, uma análise de risco. Esta análise leva em conta a exposição que as pessoas realmente têm ao produto no dia a dia, caso ele seja aplicado da maneira correta definida pela empresa que o fabricou. "Este é o grande avanço do PL. Possibilitar uma analise dos produtos não apenas pelo perigo, mas pelo risco, que é o conceito moderno de avaliar qualquer substância e processo. É um procedimento mais complexo, mas muito mais seguro em termos de ambiente e de saúde", disse à BBC News Brasil José Otávio Menten, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS). A questão é que cada agrotóxico deve ter uma dosagem e uma maneira correta de aplicar em produtos diferentes, o que torna a análise de risco complexa e, 0também, "não tão objetiva", segundo Menten. "Esse procedimento requer técnicos mais experientes, porque ele não é tão objetivo. É um dos procedimentos que mais exigem qualificação e preparo de técnicos que possam entender até que ponto a gente pode e não pode ir", afirma. Anvisa e Ibama reclamam da falta de recursos para o preparo de profissionais para avaliar com mais rapidez, de acordo com a lei atual, os pedidos de registro de agrotóxicos. Em nota técnica sobre o PL 6922/2002, a Anvisa diz que, o país não tem estrutura, atualmente, para fazer a análise de risco dos agrotóxicos. "Há estratégias de possibilidade de avaliação do risco que não estão ainda internacionalmente pacificadas, o que demanda maturidade regulatória, necessidade de condução de estudos para quanficação da exposição no Brasil e técnicos especializados em número suficiente para o atendimento da demanda, o que não corresponde à realidade brasileira no momento", afirma o órgão. Para Menten, no entanto, isso são "limitações" que o país pode ultrapassar. "Os nossos técnicos talvez tenham que ser reciclados, atualizados. Não é uma coisa que vai acontecer de um dia para o outro, mas não podemos ficar parados por falta de técnicos suficientes. Vamos qualificando nossos técnicos com o tempo." Mais substâncias no mercado provisoriamente A lei atual de agrotóxicos também não estabelece prazos-limite para que os registros de novos produtos sejam concedidos. Na prática, o processo pode levar entre cinco e oito anos, e os produtores reclamam que essa lentidão impede que o Brasil consiga usar produtos mais eficientes e menos tóxicos que estão no mercado internacional. Com o novo PL, ficam estabelecidos os prazos de 30 dias - para o registro especial temporário de um produto que precise ser usado para pesquisas acadêmicas - até 24 meses (dois anos), para produtos completamente novos no Brasil. No entanto, se esses prazos de análise não forem cumpridos pelos órgãos federais, as empresas, segundo o projeto, podem pedir um registro temporário para seus produtos, e já colocá-los no mercado enquanto eles esperam a aprovação (ou reprovação) do Ministério da Agricultura. Para conseguir esse registro temporário, basta que o produto tenha sido autorizado da mesma maneira por três países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organização que reúne alguns dos países mais desenvolvidos do mundo. "A OCDE tem 37 países. Nela estão Japão e União Europeia, que podem ser exemplos no uso de agrotóxicos. Mas também estão México, Turquia e Chile, que nem sempre são bons exemplos. Quais três países serão escolhidos? Novamente, não fica claro", questiona Larissa Bombardi. O projeto de lei diz que os três países que aprovaram previamente o agrotóxico devem obedecer ao Código Internacional de Conduta sobre a Distribuição e o Uso de Pesticidas da FAO, organização da ONU para a alimentação. "Um terço dos 504 agrotóxicos que são autorizados no Brasil são proibidos na UE. Dos dez mais vendidos no Brasil atualmente, dois são proibidos lá. O que pode acontecer agora é que essa diferença pode aumentar. Outros agrotóxicos que o Brasil proibiu podem voltar a ser avaliados e permitidos", diz a pesquisadora. A possibilidade de colocar agrotóxicos no mercado provisoriamente da forma como proposto no PL não existe na União Europeia, ressalta a pesquisadora. Para José Otávio Menten, que é favorável ao novo projeto de lei, o registro provisório é o ponto mais "delicado" e "preocupante". "Se esse registro servir para que haja um estímulo para a análise mais rápida, é até válido. É uma maneira de pressionarmos por maior eficiência. Mas temos de lutar pela melhoria do Ibama e da Anvisa para usarmos esse dispositivo da lei em casos raros, que não vire uma regra", pondera. "Temos cerca de 30 produtos já registrados em outros países e não no Brasil. E, se estão registrados em países onde passaram por análise bem feita, espera-se, acho que a chance de termos problemas com eles é pequena. Mas o ideal seria que eles só entrassem no mercado depois da consulta aos nossos órgãos, e que eles fossem ágeis." Atualmente, a Anvisa tem 32 agrotóxicos novos - ou seja, cujas moléculas nunca foram registradas no Brasil - esperando pelo parecer que pode conceder o registro para serem vendidos no país. A agência, no entanto, é apenas uma parte da equação, que envolve os pareceres do Ibama e do Ministério da Agricultura. O Ibama tem cinco produtos ainda em análise na lista divulgada em seu site. Até o fechamento desta reportagem, o Ministério da Agricultura não havia divulgado quantos agrotóxicos estão pendentes do registro no Brasil. Sem reavaliação determinada por lei Segundo Larissa Bombardi, o PL também perdeu a oportunidade de implantar uma reavaliação cíclica dos registros dos agrotóxicos, como em países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, eles devem ser reavaliados a cada 15 anos. No Japão, a cada três. Na Europa, são 10 anos. Após esse período, as autorizações devem ser revistas de acordo com as novas pesquisas científicas disponíveis sobre elas. Em todos os casos, a sociedade também pode pedir a reavaliação. No Brasil, uma substância só é reavaliada atualmente mediante pedido. O glifosato, por exemplo, está sendo reavaliado desde 2008. Na UE, sua licença foi renovada no ano passado, mas continua sendo questionada por instituições de saúde. A França determinou que o produto será proibido a partir de 2022. Menten, no entanto, diz que o sistema brasileiro é "mais inteligente". "Teríamos que parar outros serviços para fazer essa revisão, se ela fosse implantada. Mas sempre que houver um fato novo, podemos revisar", diz. Agrotóxicos x Fitossanitários x Pesticidas A controvérsia em relação ao projeto de lei chegou até mesmo ao nome utilizado para se referir aos produtos químicos usados na agricultura. Inicialmente, o PL sugeria que o nome agrotóxicos fosse substituído por "produtos fitossanitários". Em resposta à reclamação de opositores, o relator do projeto, Luiz Nishimori, decidiu pelo termo "pesticidas". "Além de depreciativo, o termo agrotóxico só é utilizado no Brasil", diz o relatório. "Cabe lembrar que a escolha natural seria o termo adotado em Portugal, que denomina essas substâncias pesticidas. Nas principais línguas do mundo, adotam-se variações com a mesma etimologia: pesticidas (espanhol), pesticide (inglês), Pestizide (alemão), pesticides (francês), pesticidi (italiano), pesticider (dinamarquês e sueco), pesticiden (holandês), пестициды (pestitsidy - russo). Ademais, os tratados e acordos internacionais utilizam o termo pesticidas." Para Menten, a denominação não é relevante, mas a expressão "agrotóxicos", de fato, inadequada. "Pesticida também não é adequado, é qualquer produto para matar pragas. Se eu estou falando apenas de produtos para manejo de pragas agrícolas, o correto é fitossanitários. Mas isso tem uma importância menor", diz. Já Larissa Bombardi, que também se opõe a esta mudança, afirma que a questão não é "apenas semântica". "É uma estratégia para mascarar o risco para a saúde humana que esses produtos têm. Quando você fala em pesticida, diminui a gama de significados. Os dois mais vendidos no Brasil são herbicidas, por exemplo, não pesticidas. Pesquisadores europeus já me disseram que era um ganho termos a expressão 'agrotóxico' na nossa lei, e que não deveríamos perder", diz.
    Zoo apresenta filhotes de guepardo na Alemanha

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    Macho e três fêmeas nasceram em 9 de maio. O zoológico da cidade alemã de Erfurt apresentou nesta quarta-feira (27) 4 filhotes de guepardo que nasceram em 9 de maio. Os 4 bebês -1 macho e 3 fêmeas- estavam acompanhados de sua mãe, Freela. Veja...


    Macho e três fêmeas nasceram em 9 de maio. O zoológico da cidade alemã de Erfurt apresentou nesta quarta-feira (27) 4 filhotes de guepardo que nasceram em 9 de maio. Os 4 bebês -1 macho e 3 fêmeas- estavam acompanhados de sua mãe, Freela. Veja fotos: Zoo apresenta filhotes de guepardo na Alemanha Jens Meyer/AP Zoo apresenta filhotes de guepardo na Alemanha Jens Meyer/AP Zoo apresenta filhotes de guepardo na Alemanha Jens Meyer/AP Mãe lambe filhote de Guepardo em zoo na Alemanha Jens Meyer/AP
    Anvisa lista riscos de nove agrotóxicos proibidos para alertar sobre impacto de possível mudança em lei

    Anvisa lista riscos de nove agrotóxicos proibidos para alertar sobre impacto de possível mudança em lei


    Comissão aprovou projeto de lei que só veta agrotóxico se risco for 'inaceitável'. Anvisa questiona falta de detalhamento da lei e relator compara produtos à cafeína. Nova legislação sobre agrotóxicos está em trâmite na Câmara; projeto foi...


    Comissão aprovou projeto de lei que só veta agrotóxico se risco for 'inaceitável'. Anvisa questiona falta de detalhamento da lei e relator compara produtos à cafeína. Nova legislação sobre agrotóxicos está em trâmite na Câmara; projeto foi aprovado em comissão e segue para o plenário Reprodução/RBS TV Potencial cancerígeno, desregulação dos hormônios, ativação de mutações e danos ao aparelho reprodutor são problemas provocados por nove agrotóxicos atualmente proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (veja tabela abaixo). O órgão usa a lista com os efeitos e os nomes desses produtos para apontar o impacto que pode provocar uma eventual aprovação do projeto de lei que busca flexibilizar a Lei dos Agrotóxicos em tramitação no Congresso. 'Veneno na mesa' ou modernidade? Tire dúvidas sobre impacto na saúde Projeto de lei opõe ambientalistas e ruralistas; entenda A Anvisa alega que a nova lei proposta estabelece que só devem ser proibidos agrotóxicos cuja avaliação apontem que eles têm "risco inaceitável". Mas as nove substâncias vetadas usadas por ela como exemplo (Endossulfam, Cihexatina, Tricloform, Monocrotofós, Pentaclorofenol, Lindano, Metamidofós, Parationa Metílica e Procloraz) são consideradas de difícil avaliação. O órgão diz que em apenas uma delas foi possível determinar uma dose segura para uso, mas o uso desse mesmo produto - Cihexatina - já foi considerado inaceitável em seis países. Com a meta de desburocratizar e acelerar o registro, o novo projeto de lei concentra a aprovação no Ministério da Agricultura e prevê a liberação de registros temporários, mesmo sem a conclusão da análise de órgãos reguladores. Por isso a Anvisa teme até mesmo que fabricantes dos nove produtos proibidos ou de outros com problemas similares usem a flexibilização da lei para conseguir que eles sejam usados nas lavouras. Agrotóxicos proibidos pela Anvisa (2009-2015) Critério de risco O projeto de lei (PL) 6299, de 2002, é de autoria de Blairo Maggi (PP), atual ministro da Agricultura. Segundo o deputado Luiz Nishimori (PR), relator do PL, o critério de risco inaceitável será determinado pela Anvisa e pelo Ibama, de acordo com os artigos 6º e 7º da nova lei. Ele diz ainda que o Brasil seguirá outros países em que estudos laboratoriais estipulam quais os limites de ingestão diária das substâncias. "As análises de Limite Máximo de Resíduos (LMR) e Ingestão Diária Aceitável (IDA) de cada substância seguem protocolos internacionais de segurança que continuarão sendo obedecidos na nova legislação. Se um produto for submetido à avaliação de risco, e Ibama, Anvisa ou MAPA identificarem um risco inaceitável, não será liberado para a comercialização". Apesar de condicionar a aprovação ao aval dos órgãos reguladores, a perspectiva do relator do projeto é criticada por opositores que chamam a medida de "PL do Veneno" e pela própria Anvisa. A Anvisa considera que uma substância será proibida caso não seja possível estabelecer qual a dose segura para o consumo. Nesses casos, diz a agência, "o risco é sempre inaceitável". Para a agência, contudo, o projeto dá margem para que essas substâncias sejam autorizadas do jeito que o projeto está - e, por esse motivo, é necessário que o tema seja regulamentado, com detalhamentos mais exatos. "Em termos gerais, o PL estabelece que poderão ser registrados produtos que possuem características de mutagenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade, desregulação endócrina, que causem dano ao aparelho reprodutor e, ainda, que sejam danosos ao meio ambiente", disse a Anvisa, em nota ao G1. Lei pretende mudar nome "agrotóxicos" para "defensores fitossanitários" Nathalia Ceccon/Idaf-ES/Arquivo Novo ponto de corte Segundo Cláudio Meirelles, pesquisador da Fiocruz, que esteve à frente da Gerência Geral de Toxicologia (GGTOX) da Anvisa por 14 anos, a nova lei tira "um ponto de corte" que a atual legislação tem. "A atual lei estabelece o seguinte: se tem o potencial de causar câncer, tem de tirar do mercado. Esse é o critério do perigo. Há um ponto de corte claro aí. Para o gestor, isso é impeditivo de registro" - Luiz Cláudio Meirelles (Fiocruz). "O que a nova lei pretende é estabelecer um novo critério: o de avaliação de risco, o que deixa tudo no vácuo. Há uma tentativa aí de fazer esgotar ao máximo todos os estudos e aceitar o risco já colocado em estudos experimentais", conclui o pesquisador. Para Meirelles, na prática, a nova lei aceita o risco porque é impossível avaliar em humanos se a substância A causou o câncer B. "Além de ser totalmente inaceitável e antiético fazer um estudo desse em humanos, mesmo com estudos epidemiológicos, a gente sabe o quanto é difícil essa briga. Só ver o caso do tabaco e do amianto. E a gente não tá falando de uma substância. Estamos falando de 500." Outro ponto é que a avaliação de risco, nesse caso, seria teórica e baseada em modelos matemáticos. "Eu estabeleço ali, por exemplo, que ao colocar um item de segurança Y, é possível reduzir o risco em X% a cada 1000 mil pessoas, por exemplo. Mas trabalhar com um critério matemático desses, em produtos potencialmente cancerígenos, é muito complicado." Meirelles pontua que, nesse momento, "só Deus sabe o que vai acontecer com essas substâncias" em que não é possível fazer uma avaliação de risco por não haver limiar de dose. "Um complicador é que a nova lei tira o poder de veto da área da saúde e do meio ambiente. O risco é sempre indesejado. A gente tem sempre de evitar. É uma questão de princípio." O relator da nova lei discorda. Nishimori diz que ela seguirá protocolos internacionais de segurança com parâmetros que são estabelecidos por estudos laboratoriais para determinar o que seria uma "dose segura". "Funciona como nos medicamentos. Existem vários remédios que trazem na bula a informação de que são teratogênicos ou carcinogênicos e, apesar disso, são receitados pelos médicos e utilizados pelos pacientes, como a isotretinoína (Roacutan), o metronidazol ou a azatioprina. Em atenção às recomendações de dosagem e periodicidade prescritas, as substâncias são seguras, cumprem o efeito esperado e os riscos estarão controlados" - Nishimori "Substâncias do nosso cotidiano, como cafeína e aspartame, se consumidas inadequadamente, também podem ter potencial cancerígeno e nem por isso são proibidas", defende o relator do projeto. Mudanças previstas no PL 6299/2002 APROVAÇÃO - O processo de aprovação de agrotóxicos passará a ser concentrado em só uma entidade ligada ao Ministério da Agricultura. Hoje ele tramita em paralelo em três órgãos: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura. ANÁLISE DE RISCO - Empresa dona do produto deve apresentar estudo. Produtos com "risco aceitável" devem ser aceitos. LICENÇAS TEMPORÁRIAS - Lei prevê liberar licenças temporárias. Hoje, processo de liberação regular pode levar até oito anos. NOMENCLATURA - Passará a ser usado os termos "defensivos agrícolas" e "produtos fitossanitários" no lugar de "agrotóxico". Avança na Câmara uso mais amplo de agrotóxico Initial plugin text