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    Por que os gatos ronronam?

    Por que os gatos ronronam?


    Sim, os gatos ronronam ao receber carinho ou cócegas, mas não só: na verdade, o som é uma forma de comunicação muito mais complicada do que pensávamos. O ronronar de um gato feliz pode ser beneficial até para a saúde humana Reprodução/TV...


    Sim, os gatos ronronam ao receber carinho ou cócegas, mas não só: na verdade, o som é uma forma de comunicação muito mais complicada do que pensávamos. O ronronar de um gato feliz pode ser beneficial até para a saúde humana Reprodução/TV TEM/Arquivo Nós achamos que sabemos o que o ronronar de um gato significa. Sem dúvidas é o sinal mais reconhecível de satisfação animal: um som áspero que o gato emite ao receber carinho, a trilha sonora de incontáveis sessões deitado no colo do dono. Mas essa não é a história inteira. Há muito mais por trás do ronrom do gato que você pode imaginar. Até mesmo a forma como os gatos ronronam já foi discutida. Alguns achavam que estava ligado ao fluxo de sangue para a veia cava inferior, uma veia que carrega sangue desoxigenado para o lado direito do coração. Mas pesquisas apontaram que era mais provável que o barulho viesse dos músculos na laringe do gato. Conforme eles se movem, dilatam e contraem a glote - a parte da laringe que cerca as cordas vocais - e, assim, o ar vibra toda vez que o gato respira. O resultado? Um ronrom. Mecanismo ainda misterioso Apesar da ciência ter certeza hoje de que esse é o processo que produz o som, não há uma resposta definitiva para o que aciona essa resposta. A maior pista é um oscilador neural que fica nas profundezas do cérebro felino, algo que parece não ter propósito algum além desse. Mas se esse oscilador neural é acionado, é apenas quando um gato está feliz? Às vezes. Mas só às vezes. Marjan Debevere é uma fotógrafa de gatos para adoção em Londres que atualmente estuda psicologia felina. Ela também é dona de quatro gatos - Clive, Hula, Luigi e Archie (que são um fenômeno no Instagram, com 33 mil seguidores). Ela diz que parte do mistério do ronronar está no fato de que só percebemos que os gatos estão ronronando "quando fazemos carinho em lugares que eles gostam". Mas eles também ronronam quando não estamos por perto e a amplitude do ronronar varia de um para outro. "Todos os gatos são diferentes, alguns nunca ronronam e outros ronronam constantemente", diz ela. Debevere faz uma comparação entre seu gato Luigi - um vira-lata que seguiu alguém até o trabalho e foi então levado a um abrigo - e Archie, que "se mudou da casa ao lado" e se tornou parte da família. Luigi ronrona pouco, Archie muito. "Eu já fotografei mais de 3 mil gatos até agora [em abrigos] e não há dois que sejam iguais", diz Debevere. "Eu testemunhei muitos gatos ronronando enquanto morriam, quando eram colocados para 'dormir'. O veterinário disse algo como 'eles ronronam até o final' e as pessoas acreditam que eles estão felizes ao ronronar. Mas esse não é sempre o caso." O estudo do comportamento dos gatos e sua comunicação seguiu o caminho do estudo de cachorros, que geralmente são participantes mais dispostos, especialmente se há uma recompensa de comida envolvida. Mas nos últimos anos mais atenção tem sido dada ao ronronar. "Nós estamos apenas começando a entendê-lo e há muito mais perguntas não respondidas do que respondidas", diz Gary Weitzman, um veterinário e CEO da Sociedade Humana de São Diego, nos EUA. "Enquanto o ronronar geralmente representa satisfação para os gatos, também pode expressar um estado nervoso, medo e estresse. Felizmente, na maioria das vezes é um indicador de satisfação." "Especula-se há décadas que o ronronar era uma forma de comunicação. No começo dos anos 2000, criamos hipóteses de que o ronronar tinha outros propósitos além desse. O trabalho de Elizabeth von Muggenthaler, Karen Overall e outras pesquisadoras nos levou a um entendimento melhor do propósito do ronronar. É provável que o ronronar tenha propriedades de comunicação, apaziguamento e até de cura", diz Weitzman. Sinal de atenção e cuidado Os gatos começam a ronronar quando têm alguns dias de idade, o que ajuda suas mães a localizá-los na hora de alimentá-los. Isso pode continuar em alguns gatos adultos que ronronam ao comer - ou que ronronam antes de comer como uma tentativa de convencer humanos de que é hora da janta. Alguns ronronam alto quando estão investigando novos ambientes com cautela. Gatos podem ronronar depois de um sobressalto ou de um episódio estressante como ser perseguido por um cachorro. Quanto mais os cientistas se debruçam sobre o ronronar, mais informações encobertas aparecem. "Pesquisadores gravaram 'ronrons comuns' e 'ronrons' que eram solicitações de comida para os donos. Até mesmo alguém que não tem gato pôde perceber a diferença. Dentro de um ronronar comum e baixo havia um choro de maior frequência, como um miado", diz Celia Haddon, escritora e especialista em comportamento felino. "Esse som específico parece mais o choro de isolamento de gatinhos ou do choro de bebês em desespero. Nós, humanos, somos naturalmente sensíveis ao choro dos bebês, então, respondemos também ao 'choro' do ronronar." Sam Watson, responsável pela pasta de ciência da ONG britânica em prol de animais RSPCA, diz que há pouco conhecimento sobre como os gatos ronronam entre si no ambiente selvagem, apesar de ser claro que eles ronronam ao cuidar um do outro. "Pode ser que exista um [ronrom] para 'eu quero isso', outro para 'vamos compartilhar o que temos'." Uma hipótese é a de que o ronronar é uma ação poderosa de cura. Acredita-se que as vibrações da atividade sejam fisicamente rejuvenescedoras - uma maneira de o gato 'se curar' após um estresse. Acredita-se que frequência dessas vibrações - com um alcance entre 20Hz e 150HZ - pode promover o crescimento dos ossos conforme eles enrijecem em resposta à pressão. Outras frequências podem fazer coisas similares aos tecidos. "Ronrons na frequência entre 25 e 100HZ correspondem a frequências estabelecidas de cura na medicina terapêutica para humanos", diz Weitzman. "Ossos respondem a 25-50Hz, enquanto pele e tecidos moles a cerca de 100Hz, de acordo com pesquisas". É por isso que vemos gatos ronronando durante a soneca. Na verdade, é uma forma de autorreparação. Gatos podem ter adaptado seu comportamento normal - que agora envolve passar uma boa parte do tempo descansando - como uma maneira de evitar se machucar por excesso de atividade. O ronronar foi desenvolvido como uma forma de baixo custo energético para manter ossos e tecidos em boas condições enquanto descansam. E o ronronar pode ser um benefício não só para os gatos. Fazer carinho em um gato é visto como uma forma de alívio de estresse há muito tempo - ter um gato pode reduzir o risco de infarto ou doenças cardíacas em até um terço. Essas mesmas frequências podem estar fazendo bem para nós também. "Eu acho que o ronronar tem um grande benefício para humanos", diz Weitzman. "Além dos benefícios fisiológicos, sempre respondemos aos efeitos psicológicos do ronronar. Ele nos acalma e nos agrada, como assistir às ondas do mar na praia. Respondemos ao ronronar de um gato como um estímulo acalmante e pode até haver gatos com uma propensão genética maior ao ronronar." Haddon concorda. "Se está se enroscando em seus pés, olhando para você, mirando a comida no armário ou na geladeira, você não pode perder os sinais junto com o ronronar alto que diz que o gato quer sua comida - agora! "Na manhã, o ronronar alto pode ser usado, junto com o toque das patas no rosto, para acordar um humano e ganhar café da manhã. A maioria de nós alimenta o gato antes de nós mesmos, o que mostra quão eficaz a comunicação é." No fim, talvez algo que possa ajudar na missão de definir o significado de um ronronar seja conhecer melhor a linguagem corporal dos gatos - do movimento do rabo de um gato amigável em um ambiente sociável para os olhos esbugalhados e costas arqueadas de um gato em modo de briga.

    BNDES capta US$ 100 milhões com bancos japoneses para área ambiental


    Linha tem o objetivo de promover a redução de gases emitidos do efeito estufa e a geração de energia a partir de fontes renováveis. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter feito uma captação de US$ 100...

    Linha tem o objetivo de promover a redução de gases emitidos do efeito estufa e a geração de energia a partir de fontes renováveis. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter feito uma captação de US$ 100 milhões em operação com os bancos Japan Bank for International Cooperation (JBIC), Mizuho Bank e The Bank of Saga. BNDES lança edital para fundo de R$ 500 milhões em infraestrutura A instituição detalhou que a operação foi realizada no âmbito da linha "Global Action for Reconciling Economic Growth and Environmental Preservation" (Green), que apoia projetos voltados à preservação do meio ambiente global. A linha tem como objetivo promover a redução da emissão de gases do efeito estufa e a geração de energia a partir de fontes renováveis. De acordo com o BNDES, os recursos deverão ser aplicados em projetos da carteira do BNDES de energia eólica, sendo elegíveis também investimentos em geração de energia renovável a partir de outras fontes, como biomassa e solar. Quinto contrato com o JBIC O banco lembrou que o contrato é o quinto firmado entre o BNDES e o JBIC, o banco de desenvolvimento japonês, no âmbito da linha Green. Os quatro primeiros foram assinados em 2011, 2014 e em março e dezembro de 2015. O relacionamento entre o BNDES e o JBIC começou em 1962 e, desde então, outros 17 contratos entre as duas instituições já foram assinados, informou o BNDES.
    Primavera tem início neste sábado, 22, com temperaturas mais altas e mais chuvas em algumas regiões

    Primavera tem início neste sábado, 22, com temperaturas mais altas e mais chuvas em algumas regiões


    Último dia do inverno será de calor em diversas áreas do país. Problemas respiratórios têm maior incidência nesta época do ano. Pode chover forte no Rio de Janeiro e em Minas Gerais nesta sexta-feira (21) A primavera tem início neste sábado,...


    Último dia do inverno será de calor em diversas áreas do país. Problemas respiratórios têm maior incidência nesta época do ano. Pode chover forte no Rio de Janeiro e em Minas Gerais nesta sexta-feira (21) A primavera tem início neste sábado, 22, às 22h54 (horário de Brasília) e deve começar com calor. O último dia de inverno já foi de temperaturas mais altas e com pancadas de chuva por quase todo o país. No Sudeste, a previsão para a nova estação é de chuvas abaixo do normal e de temperaturas mais altas. Por isso, os metereologistas alertam para os cuidados contra o desperdício de água, já que também é a época do ano em que os reservatórios ficam com níveis mais baixos. No Nordeste, as temperaturas durante a primavera também ficarão acima da média. O norte da região Norte terá média de chuvas abaixo do normal e a região Sul terá mais chuvas que o normal para a época. A primavera vai até o dia 21 de dezembro, quando começa o verão. É comum que no Brasil a estação tenha tanto dias de calor como dias mais frios, mas sem frio intenso. Em 2018, o fenômeno climático El Niño terá novo episódio o que aumenta as chuvas no Sul do Brasil. Previsão para a primavera 2018 TV Globo Problemas respiratórios Neste época do ano também aumenta a incidência de problemas respiratórios e alergias por causa do aumento do pólen liberados pelas flores circulando no ar. Em contato com a mucosa respiratória, causa alergia provocando coceira e irritação da região. O tempo mais seco também contribui para os problemas respiratórios. Lavar o nariz com soro fisiológico e umidificar ambientes podem ajudar a prevenir os efeitos das alergias.
    União Europeia quer acabar com venda de carros até 2030 para alcançar meta do Acordo de Paris

    União Europeia quer acabar com venda de carros até 2030 para alcançar meta do Acordo de Paris


    Poluição no céu da cidade espanhola Madri Sergio Perez/Reuters Chegou a fatura para os europeus. Com a proximidade da vigésima quarta Conferência das Partes sobre o Clima (COP), convocada pelas Nações Unidas, que vai acontecer no início de...


    Poluição no céu da cidade espanhola Madri Sergio Perez/Reuters Chegou a fatura para os europeus. Com a proximidade da vigésima quarta Conferência das Partes sobre o Clima (COP), convocada pelas Nações Unidas, que vai acontecer no início de dezembro na Polônia, a União Europeia (mais Suíça e Noruega) começou a ficar verdadeiramente preocupada em tomar atitudes para levar na bagagem e mostrar aos demais países que está agindo pelo clima. O foco de preocupação é a enorme circulação de carros em suas ruas. Afinal, esta imagem nada tem a ver com as promessas feitas no Acordo de Paris, conseguido a duras penas em 2015 entre todos os países membros da ONU. Lá ficou decidido que todo mundo ia fazer seu papel para que o planeta não chegue ao fim do século aquecido mais 2 graus. No Acordo, a meta estabelecida é 1.5 grau. No entanto, os carros continuaram a ser vendidos e os europeus continuaram a utilizá-los da mesma forma que antes. Vejam bem: estou falando sobre os europeus porque foi publicado ontem, no jornal “The Guardian”, um estudo feito por cientistas, mostrando que as vendas de carros lá devem ser eliminadas até 2030 se forem levar a sério as propostas do Acordo. Mas aqui no Brasil, como em outros países, tudo também continua como dantes, ou quase. O relatório europeu foi feito pelo Centro Aeroespacial Alemão a pedido da organização Greenpeace e concluiu que “As emissões de veículos pouco mudaram na última década e a indústria esgotará seu orçamento de carbono dentro de cinco a dez anos, a menos que haja uma mudança radical”. Uma das mudanças radicais sugeridas pela análise é começar a empurrar para o mercado os carros de baixa emissão, chamados híbridos, o mais rápido possível. É claro que quem produz tais veículos deve estar, neste momento, muito feliz com o resultado da análise. Mas é assim que a roda gira no sistema econômico que nos rege: a tal da oportunidade encontrada no risco. Sob este cenário novo imaginado pelos cientistas que fizeram o estudo, a hipótese é de que daqui a dez anos o último veículo de combustão interna seria vendido, e “carros movidos a diesel e gasolina seriam banidos das estradas em meados da década de 2040”. Antes deste estudo, o que está na mesa de negociações é a proposta de um corte de 30% nas emissões de veículos até 2030 na União Europeia, embora os deputados do Partido Verde estejam pressionando para que este corte seja de 45%. O governo do Reino Unido anunciara que as vendas de todos os novos veículos a gasolina e diesel estariam proibidas até 2040 , enquanto alguns países, incluindo Alemanha, Irlanda, Índia e Holanda, já haviam definido este prazo mais ambicioso proposto pelos cientistas do estudo, para 2030. A questão é que houve já um decréscimo nas emissões de gases poluentes com a redução do uso dos automóveis de passeio, mas não foi suficiente. Diz o relatório que "medidas severas" seriam necessárias para fazer isso com uma chance de 66% de atingir a meta de 1,5C - incluindo uma queda nas vendas de carros convencionais de cerca de 15 milhões este ano para 5 milhões em 2022. Vai ser preciso uma mudança radical de hábitos e, sobretudo, será necessário que o tema meio ambiente esteja, de fato, na agenda para fazer políticas públicas que ajudem a implementar esta nova era. De outra forma, o aquecimento global chegaria a 2 graus. E o que isto significa, na prática? O jornalista Mark Lynas, também um ativista ambiental, fez um minucioso trabalho publicado no livro editado aqui no Brasil pela Zahar, chamado “Seis Graus”. O estudo de Lynas percorre todas as mudanças que podem ocorrer caso a temperatura do planeta suba um, dois, três, quatro, cinco e seis graus. É interessante e assustador, ao mesmo tempo. Até porque o livro foi escrito há dez anos e muito do que ele descreve já está acontecendo, como no caso dos verões extremos e incêndios florestais que se espalham pela Europa a cada ano. “No estudo feito no Reino Unido, os cientistas usaram o modelo de computador Met Office, do Hadley Centre, para projetar futuras mudanças climáticas com maiores emissões de gases-estufa, concluindo que até os anos 2040 – quando as temperaturas globais, segundo seu modelo, ainda estarão abaixo de dois graus acima dos atuais – mais da metade dos verões serão mais quentes que em 2003 (quando uma onda de calor no continente europeu provocou centenas de mortes e danos irreversíveis a colheitas) . Isso quer dizer que os verões extremos em 2040 serão muito mais quentes que o de 2003, e a taxa de mortalidade, por consequência, também irá subir”, escreve Lynas. Ele acrescenta, com base em dados que colheu durante sua pesquisa, que os incêndios incontáveis se tornarão uma imagem cada vez mais comum no Sul da Europa e no Mediterrâneo. “Simulações de mudanças climáticas mostram aquela região ficando cada vez mais e mais seca e quente... no mundo com mais dois graus, o risco de duas a seis semanas de novos incêndios pode ser esperado para todos os países ao longo do litoral do Mediterrâneo, dos quais as piores regiões serão as do interior, a partir da costa, onde as temperaturas são mais elevadas. Na África Setentrional e no Oriente Médio, praticamente o ano inteiro será classificado como risco de incêndios, que serão causados por temperaturas cada vez mais abrasadoras”, escreveu ele. Houve uma época, felizmente que já vai longe, quando os céticos do clima eram em número maior do que são hoje. Viviam por aí a fazer piadas e provocar reações galhofeiras a cada advertência que os ambientalistas faziam sobre o aquecimento global. Uma dessas investidas pouco humoradas (a meu ver, claro) era de que antes de se pensar em salvar baleias e micos leões dourados era preciso salvar a própria pele humana. Pois os estudos mostram que, se não mudarmos de fato nossos hábitos, se não abrirmos mão de certos confortos conseguidos pós Revolução Industrial, nossa pele correrá mais riscos do que já está correndo hoje. Enquanto a União Europeia se posiciona mais seriamente ante a possibilidade de abolir cada vez mais os carros das ruas, na China as pessoas estão sendo obrigadas a passar mais frio. É que lá a queima de carvão para o aquecimento doméstico polui tanto o ar que mais de um milhão de pessoas já morreram por causa desta poluição. No ano passado o governo lançou um pacote para mudar isto e, aparentemente, tem dado resultado. É disso que se trata. Os estudos são feitos, as conclusões são tiradas. Mas as mudanças, de fato, vão depender de políticas públicas e da boa disposição dos cidadãos comuns em ajudar. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Bombeiros canadenses enfrentam 'tornado de fogo' durante combate a incêndio florestal

    Bombeiros canadenses enfrentam 'tornado de fogo' durante combate a incêndio florestal


    Incêndios florestais que atingem o oeste do Canadá. 'É definitivamente algo inédito', disse bombeira que participava da operação. 'Tornado de fogo' no Canadá INSTAGRAM @MAR.LOWSKY/via REUTERS Bombeiros que tentavam apagar um dos vários...


    Incêndios florestais que atingem o oeste do Canadá. 'É definitivamente algo inédito', disse bombeira que participava da operação. 'Tornado de fogo' no Canadá INSTAGRAM @MAR.LOWSKY/via REUTERS Bombeiros que tentavam apagar um dos vários incêndios florestais que atingem o oeste do Canadá foram surpreendidos por um tornado de fogo que arrancou sua mangueira, em uma situação aterradora. O tornado formado por fumaça, fogo e cinzas arrebatou a mangueira de um grupo de bombeiros que combatia as chamas ao longo de uma estrada de terra nos arredores de Vanderhoof, na Columbia Britânica. Um membro do grupo, a bombeira M.C. Schidlowsky, publicou no Instagram um vídeo no qual três de seus companheiros lutam para não ser arrastados pelo tornado, enquanto tentam controlar a mangueira. Initial plugin text "Um tornado de fogo destruiu nossa linha", escreveu Schidlowsky. "Lançou troncos em chamas em nossa direção por 45 minutos e jogou nossa mangueira a mais de 30 metros no ar. É definitivamente algo inédito". Uma área recorde de 1,3 milhão de hectares de florestas na Columbia Británica foi devorada por 2.066 incêndios nos meses recentes, alimentados pelo clima quente e seco. Atualmente, 333 incêndios florestais persistem, segundo as autoridades, incluindo 10 que permanecem desde junho. Bombeiro tem mangueira levada por 'tornado de fogo' no Canadá INSTAGRAM @MAR.LOWSKY/via REUTERS
    Teia de aranha gigante com mais de 300 metros cobre praia na Grécia

    Teia de aranha gigante com mais de 300 metros cobre praia na Grécia


    Condições climáticas ideais e alimento abundante levaram à proliferação de espécie conhecida por fazer enormes ninhos para acasalar. Teia de aranha gigante domina praia na Grécia O clima mais quente em uma região no oeste da Grécia criou um...


    Condições climáticas ideais e alimento abundante levaram à proliferação de espécie conhecida por fazer enormes ninhos para acasalar. Teia de aranha gigante domina praia na Grécia O clima mais quente em uma região no oeste da Grécia criou um cenário arrepiante em uma praia do país. Uma enorme teia de aranha de 300 metros de comprimento cobriu uma área de vegetação à beira-mar na cidade de Aitoliko, conforme publicou o site "Daily Hellas". Especialistas dizem se tratar de um fenômeno sazonal, causado por aranhas tetragnatha, que são capazes de construir grandes ninhos para acasalamento. Acredita-se que o aumento da população local de mosquitos pode ter contribuído para o crescimento do número dessas aranhas. A enorme teia de aranha não vai durar muito tempo em praia da Grécia Giannis Giannakopoulos Maria Chatzaki, professora de Biologia Molecular da Democritus University of Thrace, na Grécia, diz que temperaturas mais altas e condições suficientes de umidade e de alimento criaram o ambiente ideal para estas aranhas se reproduzirem em larga escala. "É como se as aranhas estivessem se aproveitando destas condições e fazendo uma festa. Elas acasalam, se reproduzem e criam uma geração inteiramente nova", disse ela ao site She told Newsit.gr. "Essas aranhas não são perigosas para humanos e não causam danos à flora local. Elas farão sua festa e logo morrerão." Altas temperaturas e alimento abundante para as aranhas criaram as condições ideais para o surgimento da superteia Giannis Giannakopoulos
    Onça com bacia fraturada é levada à Mata Ciliar em Jundiaí

    Onça com bacia fraturada é levada à Mata Ciliar em Jundiaí


    Animal foi resgatado pela Polícia Ambiental de Araraquara em uma rodovia próxima a Américo Brasiliense. Onça foi atropelada e outra suspeita é que tenha sido vítima de caça. Onça está em estado grace na ONG Mata Ciliar em Jundiaí...


    Animal foi resgatado pela Polícia Ambiental de Araraquara em uma rodovia próxima a Américo Brasiliense. Onça foi atropelada e outra suspeita é que tenha sido vítima de caça. Onça está em estado grace na ONG Mata Ciliar em Jundiaí Associação Mata Ciliar/Divulgação Uma onça foi levada à Associação Mata Ciliar, em Jundiaí (SP), após ter sido atropelada e ter a bacia fraturada por conta de uma bala de revólver. A suspeita é que ela tenha sido vítima de caça. De acordo com a associação, o animal foi resgatado pela Polícia Ambiental de Araraquara (SP) em uma rodovia próxima à cidade de Américo Brasiliense (SP). Após o resgate, ela foi levada ao Parque Ecológico de São Carlos e depois a Jundiaí, no dia 10 de setembro. A primeira suspeita era que a onça teria sido atropelada, mas um exame clínico constatou uma fratura causada por uma bala de arma de fogo. O estado do animal é crítico e exige cuidados especiais. Radiografia mostra fratura do animal que está internado em Jundiaí Associação Mata Ciliar/Divulgação Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí
    Os candidatos à presidência, o aquecimento global e nosso papel no exercício da cidadania

    Os candidatos à presidência, o aquecimento global e nosso papel no exercício da cidadania


    Um material extenso e absolutamente necessário sobre o posicionamento dos candidatos à presidência da República frente ao aquecimento global - o maior desafio que a humanidade está enfrentando atualmente - foi publicado no fim da semana passada...


    Um material extenso e absolutamente necessário sobre o posicionamento dos candidatos à presidência da República frente ao aquecimento global - o maior desafio que a humanidade está enfrentando atualmente - foi publicado no fim da semana passada no site Observatório do Clima. A repórter Andrea Vialli se encarregou de ler e destrinchar, do programa de governo de cada um dos sete principais candidatos, as propostas que eles têm para o tema. A importância da pesquisa está ligada ao fato de que o país que tais políticos pretendem governar ratificou em 2016 o Acordo de Paris, firmado em 2015 por 195 países junto às Nações Unidas, com o objetivo de frear o aquecimento global. Sim, é claro que é possível seguir o caminho do presidente Donald Trump, e decidir se descomprometer, tornando inútil todo o investimento feito em parceria para garantir que se consiga diminuir os efeitos das mudanças climáticas e seus trágicos desfechos na vida de milhares de pessoas (só como exemplo, temos os recentes furacões que atacaram Estados Unidos e Filipinas) . Mas, de qualquer forma, não será assim fácil, simplesmente, sair do Acordo do dia para a noite, já que a ratificação foi aprovada pela Câmara dos Deputados e Senado, que teriam igualmente de decidir sobre o desligamento. E em nome de quê isto seria feito? Não é muito fácil entender os motivos. Internacionalmente, a atitude seria vista como retrógrada, porque vários passos seriam dados para trás. O desprezo pelo Acordo de Paris, documento que coroou um esforço de anos para se conseguir um compromisso em prol do clima entre nações tão diferentes, seria ruim para o Brasil e para os brasileiros. Para ficar só no foco em desenvolvimento, é de se imaginar que muitos investidores pensariam duas vezes antes de empregar seu dinheiro num lugar que tivesse abandonado, de maneira tão deliberada, os cuidados com o meio ambiente. Bem, mas pelo menos oficialmente esta não é a posição da maioria dos candidatos. Embora não com o destaque que se gostaria, fato é que as propostas a favor de um movimento de conscientização sobre o clima existem – muito mais para uns do que para outros. Mas, ao mesmo tempo, é difícil imaginar algumas declarações que ficam apenas no nível da retórica, como “acabar com o desmatamento”. Não é dito como, nem com quais recursos isto será feito. Pode ser difícil mesmo, mas a mensagem que a reportagem envia aos candidatos é a de que existem instituições e pessoas com este foco. Prontas a colaborar com as decisões e a cobrar, seja a quem for. É assim que se exerce o direito de cidadania. Elenquei um tema, o do uso e abuso de agrotóxicos, já que o país que os candidatos pretendem governar ocupa o primeiro lugar no ranking da utilização destes produtos. Pesquisei no sumário das propostas fornecido pelo OC para saber se os candidatos oferecem alguma sugestão, porque é sabido que tais substâncias adoecem as pessoas e que há alternativas para substituí-las. Somente dois candidatos fizeram referência, um deles citando a necessidade de se proporcionar comida mais saudável aos brasileiros e o outro sugerindo que se produza agrotóxicos “de menor conteúdo tóxico” – também sem dizer se isto é possível e de que maneira seria posto em prática. Eis um assunto que merece atenção, detalhamento. O uso dos agrotóxicos é facilmente associado à necessidade de o país se desenvolver, segundo as grandes corporações de alimentos que adotam a monocultura, e este é um apelo forte para o líder de uma nação. O outro apelo também forte, obviamente, é com relação aos impactos que tais produtos causam à saúde humana. Recentemente, por exemplo, a Monsanto foi condenada a pagar R$ 1 bilhão a um jardineiro norte-americano que afirma ter contraído câncer por ter usado o Glifosato. Trata-se de um poderoso herbicida, usado em larga escala também aqui no Brasil. Não são poucos os relatos parecidos com o do jardineiro, que mostram a violência que esta substância pode provocar no organismo humano. Publicada anteontem (17) no jornal digital “The Intercept”, a reportagem de Nayara Felizardo faz um relato impressionante sobre o uso do glifosato em grandes plantações de soja e de milho em Uruçuí, a 459 km de Teresina, no Piauí, e o impacto provocado nas grávidas. “Estima-se que uma em cada quatro grávidas da cidade tenha sofrido aborto, que 14% dos bebês nasçam com baixo peso (quase do dobro da média nacional) e que 83% das mães tenham o leite materno contaminado. Os dados são de um levantamento do sanitarista Inácio Pereira Lima, que investigou as intoxicações em Uruçuí na sua tese de mestrado em saúde da mulher pela Universidade Federal do Piauí”, diz a repórter. O Projeto de Lei que libera ainda mais a compra e o uso dos agrotóxicos no Brasil foi aprovado por comissão especial da Câmara em julho e vai ao plenário. É um assunto espinhoso, como são árduos os temas que envolvem saúde humana e meio ambiente. O assunto não dá espaço para uma retórica fácil porque é preciso ir aos meandros e, acima de tudo, fazer o que a democracia que nos rege exige: ouvir a sociedade civil. Eis o que seria mais interessante. Que os candidatos se dessem o direito de dizer que um ou outro tema, que pode impactar a vida de todos os cidadãos, fosse decidido em conjunto, com instituições verdadeiramente representativas. Para este assunto especificamente, o uso de agrotóxicos, há o Consea – Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – recriado em 2003, órgão de assessoramento imediato à Presidência da República, composto por dois terços de representantes da sociedade civil e um terço de representantes governamentais. A respeito do PL que libera mais agrotóxicos, eis a última notícia divulgada pelo Consea. Mas há outras tantas instituições ligadas à saúde, educação, economia, mostrando que temas tão importantes para todos não podem ser decididos de maneira unilateral, sem participação direta da sociedade civil, não só por seus representantes parlamentares. Exige muita discussão, exige tempo. Mas é assim mesmo, de um jeito trabalhoso e aparentemente meio vagaroso, que se faz a democracia. As opiniões polarizadas são fugazes, só servem para confundir, estressar, tornar pouco afável o exercício da cidadania. Quanto mais informações e pesquisas se tiver, quanto mais órgãos de consulta e participação formos buscando, mais perto vamos estar de resgatar nosso verdadeiro papel como eleitores. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Qual é o tamanho atual do buraco na camada de ozônio?

    Qual é o tamanho atual do buraco na camada de ozônio?


    Nas últimas décadas, o tema perdeu protagonismo para outras questões ambientais, como o aquecimento global. O que não quer dizer que sua importância tenha diminuído. Camada de ozônio sobre o Polo Sul no dia 12 de setembro: em roxo e azul estão...


    Nas últimas décadas, o tema perdeu protagonismo para outras questões ambientais, como o aquecimento global. O que não quer dizer que sua importância tenha diminuído. Camada de ozônio sobre o Polo Sul no dia 12 de setembro: em roxo e azul estão as áreas que têm menos ozônio, enquanto em amarelo e vermelho, as que têm mais NASA Apesar da pouca atenção que tem recebido recentemente, o buraco na camada de ozônio ainda existe, embora a comunidade científica esteja otimista sobre a redução do seu tamanho. O ozônio é um gás incolor que forma uma fina camada na atmosfera e absorve os componentes nocivos da luz solar, conhecidos como raios "ultravioleta B" ou "UV-B", protegendo os seres humanos dos riscos de desenvolver câncer de pele ou catarata, entre outras doenças. Mas nos últimos cem anos, a atividade do homem fez com que a camada de ozônio começasse a deteriorar. É por isso que, em 1985, a descoberta de um buraco em cima no Polo Sul acendeu um alerta global. E o buraco na camada de ozônio passou a ser o maior ícone da luta pela preservação ambiental da época. Dois anos depois, foi firmado o Protocolo de Montreal, em que os países signatários se comprometeram a reduzir a produção e comercialização de substâncias consideradas responsáveis pelo dano. Com isso, a camada de ozônio começou a se recuperar. E, nas décadas seguintes, o tema perdeu protagonismo para outras questões ambientais, como o aquecimento global. O que não quer dizer que sua importância tenha diminuído. Afinal, qual o estado atual da camada de ozônio? Paciente em recuperação O Protocolo de Montreal proibiu o uso de certas substâncias para proteger a camada de ozônio, vital para conter a radiação ultravioleta Nasa De acordo com a última avaliação da Nasa, agência espacial americana, realizada em setembro de 2018, o tamanho do buraco na camada de ozônio é de 23 milhões de km², quase a mesma superfície da América do Norte (24,7 milhões de km²). Mas, apesar dessa lacuna, a quantidade de moléculas de ozônio na atmosfera ao redor do planeta é "bastante constante, com uma redução de cerca de 2% nos últimos anos", diz Stephen Motzka, pesquisador químico da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA, na sigla em inglês). "Embora não haja nenhum indício de uma recuperação completa da camada de ozônio, há certamente uma melhoria na diminuição da concentração dos gases que causam a destruição do ozônio", diz Motzka à BBC. Em 2017, a Nasa informou que o buraco atingiu o menor tamanho registrado desde 1988. Mas a melhora "excepcional", segundo os cientistas, estaria relacionada a condições climáticas, e não às ações de conservação. Os especialistas esperam que o buraco seja reduzido para os níveis de 1980 até o ano de 2070. Por que o buraco está sobre a Antártida? Em 1986, a pesquisadora americana Susan Solomon mostrou que o ozônio estava sendo destruído pela presença de moléculas que contêm cloro e bromo provenientes dos clorofluorcarbonetos (CFCs). Esses gases eram encontrados em quase tudo - de sprays para cabelo e desodorantes a geladeiras e aparelhos de ar-condicionado – e foram proibidos em 2006. Quando tentamos localizar no planeta onde está o dano à camada de ozônio, olhamos para a Antártida. "Quando falamos sobre o buraco na camada de ozônio, nos referimos à Antártida porque é onde a redução do ozônio é mais flagrante e maior durante uma época específica do ano, quando é a primavera (setembro-novembro)", explica Motzka. O frio extremo da região e a grande quantidade de luz ajudam a produzir as chamadas nuvens estratosféricas polares. Nestas nuvens frias, é produzida a reação química de cloro e bromo que destrói o ozônio. Quais são os países mais afetados pelo buraco? Com a destruição da camada de ozônio, os perigosos raios ultravioletas do Sol encontram o caminho livre para atingir a superfície da Terra. É por isso que alguns países da América Latina são mais afetados que outros pelo aumento dos níveis de radiação. "Países com altas latitudes no hemisfério sul podem ter uma exposição maior e ser mais afetados pelos danos da camada de ozônio sobre a Antártida", diz Motzka. Aqueles que estão mais próximos do buraco, como Argentina e Chile, são os mais vulneráveis, segundo o especialista. Substâncias perigosas Em maio deste ano, um estudo conduzido por Motzka mostrou que, em algum lugar da Ásia, estão sendo geradas emissões de produtos químicos proibidos nocivos à camada de ozônio. As substâncias a que ele se refere são os mesmos clorofluorocarbonetos (CFC-11), uma combinação de flúor, carbono e cloro. Poucos meses depois, a Agência de Pesquisa Ambiental (EIA), com sede no Reino Unido, afirmou que esses gases poderiam ser provenientes de espumas de isolamento térmico de poliuretano, produzidas na China para uso doméstico a um preço reduzido. Mas o caso ainda está sendo investigado. Agora, ficará nas mãos dos países signatários do Protocolo de Montreal tomar medidas para contornar o problema na próxima reunião, que será em novembro deste ano no Equador. "Para que a camada de ozônio se recupere, precisamos que os controles do Protocolo de Montreal sejam cumpridos", disse Motzka à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC. Mas o especialista não perde a esperança. "Ainda sou otimista sobre a recuperação da camada de ozônio no futuro", diz ele.
    Veterinários salvam cinco filhotes de esquilo presos um ao outro em 'nó de plástico'

    Veterinários salvam cinco filhotes de esquilo presos um ao outro em 'nó de plástico'


    Animais foram resgatados e tiveram que ser anestesiados para que o nó que os prendia fosse desfeito; eles ficaram presos em pedaços de plástico e grama usados no ninho. Esquilos usam as caudas para manterem o equilíbrio e para manterem o corpo...


    Animais foram resgatados e tiveram que ser anestesiados para que o nó que os prendia fosse desfeito; eles ficaram presos em pedaços de plástico e grama usados no ninho. Esquilos usam as caudas para manterem o equilíbrio e para manterem o corpo aquecido Divulgação/Wisconsin Humane Society Um centro de reabilitação de animais selvagens em Wisconsin, nos Estados Unidos, salvou cinco esquilos-cinzentos que tiveram suas caudas enroladas em plásticos. Por que animais marinhos confundem plástico com comida? Os pequenos irmãos se enrolaram com tiras de plástico e grama que sua mãe usou para fazer o ninho. Eles foram encontrados na semana passada e levados para o Centro de Reabilitação de Vida Selvagem da ONG Wisconsin Humane Society, cujos funcionários trabalharam para salvar suas caudas e, possivelmente, suas vidas. Eles foram anestesiados e soltos com tesouras. Agora, estão sendo observados e devem ser devolvidos à natureza em breve, disse a ONG à BBC News Brasil. Esquilos estão sendo examinados por causa de risco de necrose das caudas, já que não se sabe por quanto tempo elas ficaram enroladas Divulgação/Wisconsin Humane Society "Eles estão bastante ativos e comeram tudo o que oferecemos, incluindo nozes, sementes e frutas. Estamos examinando suas caudas por causa do risco de necrose, mas, neste momento, esperamos que eles se recuperem completamente", disse a vice-presidente de Comunicações da organização, Angela Speed. Cuidados para evitar necrose das caudas Em um post em sua página oficial no Facebook, a ONG disse que os esquilos precisam de suas caudas para manterem o equilíbrio e se manterem aquecidos. Por isso, é importante preservá-las o máximo possível. "Dá para imaginar o quão bangunçados e enrolados estavam essas 'bolinhas de energia', então, nosso primeiro passo foi anestesiar os cinco ao mesmo tempo. Em seguida, começamos a trabalhar para desfazer o 'nó górdio' (expressão que significa problema aparentemente sem solução) de caudas e materiais usados no ninho", diz a publicação. "Era impossível dizer de quem era cada cauda, e começamos a ficar muito preocupados porque todos eles tinham sofrido graus variados de danos nos tecidos de suas caudas, causados pelo bloqueio da circulação de sangue." A separação das caudas durou cerca de 20 minutos. Os cinco filhotes estão se recuperando no Centro, com o apoio de uma campanha de financiamento online para pagar por seus cuidados.
    Alemanha estreia o primeiro trem movido a hidrogênio do mundo

    Alemanha estreia o primeiro trem movido a hidrogênio do mundo


    Primeiro do mundo a entrar em operação, "trem do futuro" fará trajeto regular de 100 quilômetros no norte do país. Uma alternativa para ajudar o país em sua ambiciosa meta climática. O trem movido a hidrogênio em seu primeiro dia de operação...


    Primeiro do mundo a entrar em operação, "trem do futuro" fará trajeto regular de 100 quilômetros no norte do país. Uma alternativa para ajudar o país em sua ambiciosa meta climática. O trem movido a hidrogênio em seu primeiro dia de operação na Baixa Saxônia Patrik Stollarz/AFP Começaram a circular nesta segunda-feira (17) na Alemanha os primeiros trens movidos a hidrogênio. As duas composições farão um trajeto de 100 quilômetros entre as cidades de Cuxhaven, Bremerhaven, Bremervoerde e Buxtehude, no norte do país. Hyundai mostra novo SUV movido a hidrogênio e com funções autônomas "O primeiro trem de hidrogênio do mundo está entrando em serviço comercial e pronto para produção em série", disse o presidente da fabricante Alstom, Henri Poupart-Lafarge, na cerimônia de inauguração. A cerimônia foi em Bremervoerde, a estação onde os dois trens da fabricante francesa serão reabastecidos com hidrogênio. Até agora, o trecho, não eletrificado, era atendido por trens a diesel. A Alstom aposta na nova tecnologia como uma alternativa mais ecológica e silenciosa para o transporte ferroviário, e tem planos de entregar outros 14 trens de emissão zero até 2021 à operadora ferroviária local LNVG, do estado da Baixa Saxônia. Os trens de hidrogênio são equipados com células de combustível que produzem eletricidade por meio de uma combinação de hidrogênio e oxigênio, um processo que tem como únicas emissões vapor e água. Com metas climáticas ambiciosas, a Alemanha pretende reduzir suas emissões de CO2 em 40% até 2020 em comparação com os níveis de 1990, e se comprometeu a usar 80% de energia renovável em seu abastecimento elétrico até 2050. O trem azul-claro da Alstom foi apresentado pela primeira vez ao mundo na feira da indústria ferroviária Innotrans em 2016 e apelidado pela empresa como o "trem do futuro". Ele pode rodar por cerca de mil quilômetros com um único tanque de hidrogênio, que é semelhante à capacidade dos trens a diesel. No cerne do sistema iLint está uma célula de combustível situada no topo do trem. O hidrogênio é fornecido à célula e então combinado com o oxigênio retirado do ar do ambiente em seu interior. Os dois produtos dessa reação química são a eletricidade, que é usada para alimentar uma tração elétrica que controla os movimentos do trem; e a água, que é emitida na forma de vapor. Toda a energia elétrica que não é usada imediatamente para a tração pode ser armazenada em baterias de íons de lítio na parte de baixo do trem. Um conversor auxiliar também é usado para adaptar a energia para várias aplicações a bordo, como ar condicionado, sistemas de portas e mostradores de informações aos passageiros. Além de um produto limpo, as principais vantagens do iLint são seu gerenciamento de energia inteligente e armazenamento de energia flexível. A energia elétrica é fornecida sob demanda, o que significa que a célula de combustível só precisa trabalhar a todo vapor quando o trem permanece em estado de aceleração por períodos prolongados. Quando ele freia, as células de combustível são desligadas quase que completamente, economizando no consumo de hidrogênio. Segundo a LNVG, operadora de trens local, os 14 trens que comprados da Alstom custaram cerca de 81 milhões de euros, o que é mais do que seria gasto com o mesmo número de trens convencionais a diesel. Mas Stefan Schrank, gerente do projeto na Alstom, diz que o investimento vale a pena. "Claro, comprar um trem de hidrogênio é um pouco mais caro do que um trem a diesel, mas é mais barato de operar", afirmou. No entanto, ainda há a questão de como os trens serão reabastecidos e de onde virá o hidrogênio a longo prazo. Durante a fase inicial, a Alstom fornecerá o hidrogênio a partir de emissões industriais.
    Por que animais marinhos confundem plástico com comida?

    Por que animais marinhos confundem plástico com comida?


    Muitas espécies marinhas acabam confundindo o plástico com comida. Como isso acontece? A resposta está relacionada a odores que esses resíduos que poluem cada vez mais os oceanos liberam. Várias espécies marinhas, desde os menores até baleias...


    Muitas espécies marinhas acabam confundindo o plástico com comida. Como isso acontece? A resposta está relacionada a odores que esses resíduos que poluem cada vez mais os oceanos liberam. Várias espécies marinhas, desde os menores até baleias gigantes, acabam comendo plástico porque sentem nele cheiro de comida Elitza Germanov/Marine Megafauna Foundation Do plâncton minúsculo a baleias enormes, tem crescido o registro da ingestão de plástico por animais marinhos de várias espécies. Com esse tipo de resíduo despejado na água em uma escala que chega a milhões de toneladas por ano, esse consumo ocorre quando o animal, ao se alimentar, engole acidentalmente fragmentos de plástico que estão na área - ou quando esses fragmentos são, literalmente, confundidos com o alimento. Canudinho é o novo vilão? Conheça as alternativas ao tubinho de plástico condenado por poluir o meio ambiente Mundo declara guerra ao canudo de plástico, um dos principais vilões do meio ambiente E por que isso ocorre? A explicação de pesquisadores é que o plástico não só parece com comida. Ele também tem cheiro de comida. "Tente cheirar um pedaço de plástico que você encontrar na água da próxima vez que estiver na praia", sugere Erik Zettler, ecologista microbiano do Instituto Real Holandês de Pesquisas Marítimas. "Ele cheira a peixe." Zettler observa que isso acontece porque todo plástico no oceano é rapidamente colonizado por uma fina camada de micróbios, normalmente chamada de "plastisfério". Essa viscosa camada de vida libera substâncias químicas que fazem o plástico ter cheiro e gosto de alimento para os animais marinhos. Um composto específico, o metiltiometano ou sulfeto de dimetila (DMS, na sigla em inglês), atua como o estímulo químico que o plástico emite e é conhecido por atrair alguns animais, incluindo peixes. A teoria, ao que tudo indica, também é válida para as aves marinhas quando caçam, já que encontram a comida pelo cheiro. Mas outras espécies, como as baleias, estão consumindo plástico acidentalmente enquanto filtram a água por plâncton. Aumento do lixo plástico nos oceanos A presença de resíduos plásticos vem aumentando rapidamente nos oceanos do mundo - um estudo de 2015 estimou que cerca de oito milhões de toneladas de plástico entram nas águas oceânicas anualmente. Alguns flutuam em grandes sistemas de correntes marítimas rotativas, conhecidos como giros oceânicos. Em um giro, o plástico se decompõe em microplásticos, que podem ser ingeridos pela fauna marinha. Este estudo é considerado o mais completo esforço já feito para averiguar quantos destes fragmentos estão sendo despejados, soprados ou simplesmente arrastados para o mar. Kristian Syberg, da Universidade Roskilde, da Dinamarca, contesta, porém, os números. Segundo ele, os dados subestimam demais as concentrações reais de plástico, principalmente por dois motivos. "Primeiro, o número é baseado em dados coletados com redes de pesca de superfície - que normalmente deixam escapar partículas menores que 0,3 milímetros", diz o pesquisador. "E, segundo, as amostras de partículas que estão na superfície do mar representam provavelmente uma porcentagem pequena do total de partículas no oceano." O estudo de 2015 indica que, se não houver mecanismos de controle, 17,5 milhões de toneladas de resíduos plásticos poderão entrar nos oceanos a cada ano até 2025. Afetando a vida sob as ondas? Algumas questões cruciais surgem com a descoberta de que esses resíduos são consumidos com frequência pelos animais. Uma delas é o real impacto ambiental deles. Outra é: por que não estamos usando avanços científicos para substituir produtos problemáticos por alternativas mais seguras? Mark Browne, que publicou vários artigos sobre os efeitos do lixo plástico no ambiente marinho, disse à BBC que "isso (a substituição desses produtos por alternativas mais ecológicas) poderia ser feito se eles pedissem a ecologistas e engenheiros que trabalhassem juntos para identificar e remover elementos dos produtos que poderiam causar impactos ambientais". Mas a extensão do dano não é totalmente conhecida. "Até agora, o impacto tem sido bastante óbvio em animais maiores, como baleias e pássaros", diz Syberg. "Eles podem morrer por asfixia ou de fome, já que a ingestão de plástico bloqueia seu aparelho digestivo." Há certas aves, como o albatroz-de-laysan, que já foram muito afetadas pela poluição do plástico. A equipe do documentário Blue Planet 2, da BBC - que enfoca a vida marinha com foco em descobertas de novas espécies - testemunhou a presença de plástico em substâncias regurgitadas por filhotes de albatroz na longínqua ilha da Geórgia do Sul, no Atlântico Sul. "Os pais deles devem ter pegado sacolas plásticas no mar, achando que eram comestíveis, e dado a eles como alimento", disse o produtor executivo James Honeyborne. "Um filhote morreu ao ter o estômago perfurado por um palito de plástico." Erik Zettler, do Instituto Real Holandês de Pesquisas Marítimas, pondera, no entanto, que também há muitos animais que comeram plástico sem consequências consideráveis. Estudos sobre os impactos "subletais" da ingestão de plástico estão em andamento em alguns laboratórios, assim como pesquisas sobre como isso pode afetar os seres humanos. Como podemos manter o plástico fora dos oceanos? Uma enorme operação de limpeza do plástico nos mares foi lançada em 8 de setembro no Oceano Pacífico. A iniciativa da Ocean Cleanup - fundação que desenvolve tecnologias para extrair a poluição plástica dos oceanos e impedir que mais desses resíduos entrem nas águas - pretende enviar à região um flutuador de 600 metros de comprimento com capacidade para coletar cerca de cinco toneladas de plástico oceânico por mês. Ela promete reduzir o volume da poluição em 90% até 2040. Mas, diz Syberg, é importante não demonstrar tanto "entusiasmo" com soluções tecnológicas que ajudam, mas não resolvem o problema. "A limpeza é boa e pode ajudar, especialmente se for concentrada em áreas costeiras com alta emissão de plástico para o oceano", analisa ele. "No entanto, a solução definitiva para a poluição plástica é impedir que ela aconteça, e não limpá-la depois que está feita. A solução só acontecerá se todos nós mudarmos nossas formas de usar e descartar o plástico." Erik Zettler participou de mais de 60 viagens de pesquisa científica coletando dados oceanográficos, incluindo resíduos de plástico encontrados no Pacífico, no Atlântico, no Caribe e no Mediterrâneo. Ele concorda com Syberg e diz que pode não haver "soluções rápidas" para o problema. "Vai ser preciso uma combinação de várias coisas - como mudanças no comportamento humano, regulamentações governamentais e participação da indústria - para reduzir o plástico no meio ambiente", diz.
    Satélite da Nasa vai investigar fenômeno que o presidente Trump se nega a admitir

    Satélite da Nasa vai investigar fenômeno que o presidente Trump se nega a admitir


    Caro leitor, se você tiver oportunidade de passar um fim de semana em algum lugar fora de grandes centros, perca alguns minutos à noite observando o céu. Pode ser que, em algum momento, veja uma luz verde, diferente das luzes das estrelas. Não é...


    Caro leitor, se você tiver oportunidade de passar um fim de semana em algum lugar fora de grandes centros, perca alguns minutos à noite observando o céu. Pode ser que, em algum momento, veja uma luz verde, diferente das luzes das estrelas. Não é Marte nos visitando! É o satélite ICESat-2 que a Nasa lançou da base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia, às 06h02 local (10h02 de Brasília) fazendo aquele barulhão e soltando aquele fogaréu todo, cenas que já nos acostumamos a ver em filmes desde as primeiras viagens à Lua nos anos 60. O ICESat-2, como o próprio nome diz, é um segundo dispositivo que está sendo lançado pela Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica (sigla da Nasa traduzida para o português) com o mesmo objetivo: fornecer informações mais precisas sobre como as superfícies congeladas do planeta estão sendo afetadas pelo aquecimento global. O satélite com laser espacial pesa meia tonelada e vale US$ 1 bilhão. Até aí, tudo certo. Não sou eu quem vai dar pitaco na maneira como os Estados Unidos gastam seu dinheiro. Mas o que eu não posso deixar de fazer é trazer para este espaço e compartilhar com os leitores a minha estranheza com o fato de que esta mesma nação está retirando seu apoio ao Acordo de Paris, uma espécie de contrato coletivo para tentar baixar o excesso de gases poluentes sobre o planeta. Estes mesmos gases que estariam causando o aquecimento, segundo os cientistas. Posso entender, então, que o presidente Trump, um notório cético do clima, reconhece que o problema está acontecendo, investe caro para descobrir a dimensão dele, mas se nega a, pelo menos, tentar barrá-lo. “A espaçonave orbitará a Terra e disparará um laser dez mil vezes por segundo para descobrir com que rapidez as geleiras estão derretendo”, diz o anúncio num dos sites noticiosos. E apressam-se a afirmar, com todas as letras, que o laser não será capaz de derreter mais ainda as geleiras porque estará a 500 quilômetros de distância da Terra. Ainda bem... O satélite também vai medir o topo das árvores, a neve e as alturas dos rios para ajudar na pesquisa da quantidade de carbono armazenada nas florestas, no planejamento de enchentes e secas e no comportamento da vida selvagem pelos próximos três a sete anos. O primeiro satélite projetado com esta intenção, o ICESat , de 2003, teve missão abortada em 2009 por problemas técnicos. Assim mesmo, conseguiu descobrir algumas coisas, entre elas que as geleiras da Groenlândia que alimentam os oceanos estão desgastadas e que o gelo terrestre também da Antártida está derretendo muito mais rápido do que se imaginava. São resultados importantes, que estão ajudando, por exemplo, a informar e deslocar pessoas na passagem de furacões como o Florence, na costa norte-americana e o Mangkhut nas Filipinas. Ambos acabaram de chegar a esses destinos e estão causando mortes, destruição, prejuízos de toda sorte. O que se quer, também, é que sirvam para tentar conter mais problemas como esses. Até porque, além das vidas humanas, obviamente as maiores perdas nas tragédias, existem outros prejuízos sérios, que podem comprometer a civilização. Josh Gabbatiss, correspondente de Ciência do jornal britânico “The Independent”, aponta um estudo apresentado recentemente por cientistas, que mostra um possível dano extra do aquecimento: os cabos subterrâneos da Internet que cruzam as regiões costeiras dos Estados Unidos serão inundados pela elevação do nível do mar nos próximos 15 anos. “Os grandes cabos transoceânicos são completamente impermeáveis, mas os cabos de fibra ótica menores, enterrados, não são. Se estiverem submersos, poderão ter impactos de longo alcance, não apenas na costa norte-americana, mas potencialmente em todo o mundo”, alerta o estudo. Com tudo isso na bagagem, cidades e empresas de todo o mundo farão uma espécie de convocação à ação para que os líderes atualizem suas promessas feitas durante o Acordo de Paris. É o que ficou decidido durante a cúpula que aconteceu de 9 a 14 de setembro na Califórnia. A reunião foi organizada pelo governador da Califórnia, Jerry Brown, e, de alguma forma, muda um pouco o tom da prosa e se torna mais interessante, talvez até mais eficaz, já que desta vez são os sub-líderes que começam a pressionar os líderes. No encontro, surgiram algumas iniciativas que já se tornaram reais, em busca de uma economia que eles chamam de “real” e que pode colaborar para baixar as emissões, tentar evitar mais estragos. Termino o texto listando tais iniciativas, com esperança de que, para além de investir numa tecnologia eficiente para controlar o avanço do aquecimento, o líder máximo dos Estados Unidos consiga ouvir seus sub-líderes. Afinal, são três mil cidades e empresas que se uniram em prol de uma mudança nos hábitos. Quem sabe surgem ideias novas dali? As promessas serão publicadas no site da ONU: O conglomerado indiano Mahindra, com US $ 20,7 bilhões, comprometeu seus negócios com a neutralidade de carbono até 2040; Empresas representando mais de 122 milhões de pessoas anunciaram metas de veículos com emissões zero. Para apoiar isso, os planos para milhões de novos pontos de carregamento foram revelados; Jerry Brown assinou uma ordem executiva para tornar a Califórnia neutra em carbono até 2045 e disse que o estado estaria lançando seu "próprio satélite" para monitorar fontes de poluição de carbono em todo o mundo. Mas, fora da Conferência, manifestantes fizeram barulho e alertaram para um fato comum quando líderes e empresas se unem: a reunião apenas botou foco nas emissões, não na produção dos combustíveis fósseis. O próprio Jerry Brown acaba de conceder licenciamento para novos campos de petróleo no território que quer ver livre de carbono daqui a sete anos. Era dos paradoxos, das incoerências, de uma retórica inútil que, felizmente, vem sendo cada vez mais submetida a versões mais realistas trazidas pelos cidadãos comuns. E nós, aqui, vamos acompanhando e informando a você, leitor, que terá seu deleite garantido ao olhar para o céu, perceber a luz verde e se lembrar de tudo o que sabe a respeito. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Nasa lança satélite com laser para estudar consequências do aquecimento global

    Nasa lança satélite com laser para estudar consequências do aquecimento global


    Com poder de medir a altura e a inclinação do gelo que ainda resta, equipamento quer melhorar as previsões sobre o aumento do nível do mar A missão deve durar cerca de três anos NASA/Bill Ingalls/Handout via REUTERS O satélite com o laser...


    Com poder de medir a altura e a inclinação do gelo que ainda resta, equipamento quer melhorar as previsões sobre o aumento do nível do mar A missão deve durar cerca de três anos NASA/Bill Ingalls/Handout via REUTERS O satélite com o laser espacial mais avançado da Nasa foi lançado neste sábado (15) em uma missão para medir a perda de gelo na Terra e melhorar as previsões sobre o aumento do nível dos mares devido ao aquecimento global. Envolvido na escuridão antes do amanhecer, o ICESat-2, de meia tonelada e valendo US$ 1 bilhão, foi lançado a bordo de um foguete Delta II da base da Força Aérea de Vandenberg, na Califórnia, às 06h02 local (10h02 de Brasília). O lançamento marca o fim de quase uma década sem que a Nasa tivesse um instrumento em órbita para medir a superfície do manto de gelo ao redor do mundo. A missão anterior, ICESat, foi lançada em 2003 e terminou em 2009. Graças a ela, os cientistas descobriram que o gelo marinho estava diminuindo e que a camada de gelo estava desaparecendo nas zonas costeiras da Groenlândia e da Antártica. Nos nove anos que transcorreram desde então, a missão Operação IceBridge pôs um avião especial para voar sobre o Ártico e a Antártica "fazendo medições de altura e documentando as mudanças no gelo", indicou a Nasa. Efeito estufa Mas é necessária uma atualização com urgência. A dependência constante da humanidade dos combustíveis fósseis para produzir energia faz com que os gases de efeito estufa que aquecem o planeta aumentem continuamente. As temperaturas médias globais sobem ano após ano. Como resultado, quatro dos anos mais quentes nos tempos modernos foram entre 2014 e 2017. A camada de gelo no Ártico e na Groenlândia está afinando, o que se soma ao aumento do nível do mar que ameaça centenas de milhões de pessoas ao longo da costa. O ICESat-2 ajudará os cientistas a entender até que ponto o derretimento das camadas de gelo está contribuindo para o aumento do nível do mar. "Poderemos ver especificamente como o gelo está mudando no transcurso de um só ano", disse Tom Wagner, cientista do programa de criosfera da Nasa. Os dados com esta precisão mais os coletados em anos anteriores deve permitir que os cientistas avancem na compreensão das mudanças climáticas, e assim melhorar as previsões de aumento do nível do mar, afirmou.  Laser avançado  O ICESat-2 está equipado com um par de lasers, sendo um de apoio, que são muito mais avançados que os da missão anterior, ICESat. Embora seja poderoso, o laser não será quente o suficiente para derreter o gelo de seu ponto de observação, cerca de 500 km sobre a Terra, explicou a Nasa. O novo laser enviará 10.000 pulsações por segundo, em comparação com o ICESat original, que enviava 40 por segundo. O resultado é um grau de detalhamento muito superior. As medições serão feitas a cada 0,7 metro ao longo do trajeto do satélite. "A missão reunirá dados suficientes para estimar a mudança anual na elevação das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica, mesmo se for tão pequena como quatro milímetros, a espessura de um lápis No.2", afirmou a agência espacial americana em um comunicado. O laser medirá a inclinação e a altura do gelo, não só a área que este cobre. A missão deve durar três anos, mas o aparelho tem combustível suficiente para continuar por até 10 anos caso se decida estender sua vida.
    Especialista diz que mudança climática está aumentando a incidência de furacões no planeta

    Especialista diz que mudança climática está aumentando a incidência de furacões no planeta


    Tobias Geiger, do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, comenta a relação do furacão Florence e do tufão Mangkhut com o aquecimento global e suas consequências econômicas. Imagem de satélite feita às 9h37 desta sexta-feira...


    Tobias Geiger, do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, comenta a relação do furacão Florence e do tufão Mangkhut com o aquecimento global e suas consequências econômicas. Imagem de satélite feita às 9h37 desta sexta-feira (14) mostra que o olho do furacão Florence já adentrou a costa leste dos EUA NOAA via AFP Inundações, rajadas de vento, quedas de energia: o furacão Florence já começou a ser sentido na costa leste dos Estados Unidos, sobretudo nas Carolinas do Sul e do Norte. Enquanto isso, do outro lado do planeta, o tufão Mangkhut se move em direção às Filipinas a uma velocidade de até 225 quilômetros por hora. Em entrevista à DW, Tobias Geiger, especialista do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, comenta como a mudança climática está aumentando a incidência de eventos extremos no planeta. DW Brasil: Em 2017, os furacões Harvey, Irma e Maria causaram grandes prejuízos. Somente em Porto Rico, cerca de três mil pessoas foram mortas direta ou indiretamente. Estamos lidando neste ano novamente com uma temporada de furacões particularmente ativa? Tobias Geiger: Sim. A atividade de uma estação é medida não apenas pelo número de tempestades que realmente atingem a costa, mas também pela quantidade de energia de ciclones tropicais que foi gerada em todo o oceano. Em 2018, já foi produzida mais energia no hemisfério norte do que em todo o ano de 2017. Ou seja, temos mais atividade, mas neste ano foi deslocada: especialmente o Oceano Pacífico oriental entre México e Havaí tem visto uma atividade muito forte, mas também o Pacífico ocidental no sudeste e no leste da Ásia. Até poucos dias atrás, o Atlântico estava bem moderado. Para as próximas semanas devem predominar ondulações de ventos mais fortes, por isso ficará bastante tranquilo em relação a furacões assim que a atividade atual diminuir. Mais ainda não se sabe. O furacão Florence teve uma cobertura midiática incrível nos últimos dias. Mas o Mangkhut é uma tempestade extremamente forte em comparação com o Florence. É interessante observar como o foco pela proximidade geográfica é colocado nos EUA e no Atlântico e, desta forma, perde-se de vista eventos que ocorrem em outra parte do mundo – alguns deles mais dramáticos. Faz parte de sua área lidar com as consequências econômicas da mudança climática e de fenômenos climáticos extremos. Quão cara será a atual temporada de furacões? Temos que aguardar, porque ainda faltam dois meses. Em 2017, os ciclones tropicais causaram 80 bilhões de dólares em danos – um recorde. Ainda estou cético se o ano de 2018 atingirá ou ultrapassará esta marca. Acredito que as estimativas de perdas vão disparar nos próximos meses e que podem novamente causar dezenas de bilhões de dólares de danos, mas não tem como estabelecer agora. Quais fatores ambientais favorecem os ciclones tropicais? Existem três fatores que devem ser atendidos. Precisa-se de altas temperaturas suficientes no mar, o que geralmente é cumprido em grandes partes dos trópicos no verão. Também se precisa de pouca alternância de ventos, isto é, diferentes direções ou velocidades do vento em diferentes altitudes na atmosfera. Com uma torção baixa do vento, um ciclone tropical pode ser criado, caso contrário, será rasgado em pedaços pelo chamado cisalhamento do vento. Além disso, deve haver umidade suficiente na atmosfera, de modo que, quando ocorrem tempestades, surjam áreas de baixa pressão que aumentem continuamente. E, claro, estes fatores são afetados pela mudança climática. Mapa mostra trajetória prevista para o furacão Florence Infografia: Roberta Jaworski De que maneira? Por um lado, as temperaturas do mar estão subindo devido às mudanças climáticas. Quando estas estão altas o suficiente, as tempestades podem acumular energia também em longas distâncias e causar danos. Ao mesmo tempo, a região também está mudando. Existem muitas áreas que estão no limite dessas temperaturas. Nestas zonas podem ocorrer ciclones tropicais nas próximas décadas. Isso significa que, mesmo no Atlântico Norte, tais tempestades podem ocorrer, o que também afeta regiões que antes eram pouco ou nunca afetadas. Em relação aos cisalhamentos de ventos, ainda não se sabe ao certo como estes se desenvolvem com a mudança climática – existem apenas teorias. No geral, esperamos por quantidades maiores e mais fortes de tempestades sob a mudança climática. De acordo com um estudo americano publicado em junho, os ciclones tropicais estão desacelerando, o que leva a mais chuvas e danos causados por tempestades. Quais são outras tendências de longo prazo? Basicamente, tais eventos causarão mais danos no futuro. Cada vez se constrói mais casas em áreas de risco. Na Carolina do Norte, por exemplo, há um desconhecimento em relação à mudança climática e ao aumento do nível do mar. Simplesmente realiza-se projetos de construção em ilhas que serão afetadas mais frequentemente por esses eventos nas próximas décadas. Temos as tempestades mais fortes, temos o aumento do nível do mar e temos a imprudência ou os interesses econômicos levam à construção de casas na costa ou nas áreas vulneráveis. Tudo isso junto, obviamente, leva a um aumento no prejuízo. Initial plugin text
    Furacão Florence e supertufão Mangkhut: sequelas de um mundo em aquecimento

    Furacão Florence e supertufão Mangkhut: sequelas de um mundo em aquecimento


    Imagem de satélite feita às 9h37 desta sexta-feira (14) mostra que o olho do furacão Florence já adentrou a costa leste dos EUA NOAA via AFP Escrevo enquanto acompanho a trágica trajetória do mega furacão Florence que, ainda nesta sexta-feira...


    Imagem de satélite feita às 9h37 desta sexta-feira (14) mostra que o olho do furacão Florence já adentrou a costa leste dos EUA NOAA via AFP Escrevo enquanto acompanho a trágica trajetória do mega furacão Florence que, ainda nesta sexta-feira (14), está a 85 quilômetros da costa das Carolinas do Norte e do Sul, nos Estados Unidos. Os ventos perderam um pouco da força, mas ainda assim vão causar muita chuva e estão a 150 km por hora. As autoridades estão preocupadas, os jornalistas devem estar de plantão, e o noticiário, legitimamente, trata o fenômeno com seriedade. Enquanto isso, no oceano Pacífico e do outro lado do mundo, nas Filipinas, um arquipélago com cerca de 96 milhões de habitantes, dos quais 18,4% estão abaixo da linha da pobreza*, se prepara para um super tufão, apelidado de Mangkhut, que também está chegando. Seus ventos já estão a 250 km por hora e pode ser um dos mais fortes da história do país. Cerca de 5 milhões de pessoas serão afetadas, quase dez mil já foram retiradas de suas casas, voos estão sendo cancelados, segundo reportagem do jornal "The Guardian". A única boa notícia em ambas as situações é que existe hoje um aparato tecnológico de primeira para avisar sobre a chegada de tempestades desta natureza, capazes de arrasar cidades inteiras. Isto significa que, para as comunidades que ficam no caminho da tormenta, ainda há algum tempo para sair e evitar as piores consequências . O Florence, no entanto, está tão forte que uma apresentadora do tempo de um canal de televisão norte-americano alertou para o fato de que não é preciso apenas sair da costa. Desta vez, vai ser necessário se afastar muito mais, porque o furacão não vai perder força assim que aportar em terra. Ele está sendo comparado ao Hugo, de 1989, um dos piores que devastou a região. Já o Mangkhut se parece com o Haiyan, que deixou 7,3 mil mortos em 2013. As comparações são necessárias, mas a realidade é que o instante em que se está vivendo a tragédia será sempre o único. Assim como os aparatos tecnológicos ajudam a medir e a avisar, eles também são importante auxílio aos cientistas que buscam explicações para fenômenos desta natureza. E, sim, as mudanças climáticas, o aquecimento dos oceanos, são a principal causa. O aquecimento global é responsável por 75% dos eventos extremos e 20% das chuvas muito fortes, dizem cientistas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – cético do clima, ou seja, que não acredita que as atividades humanas estão aquecendo o planeta – manifestou-se, como não podia deixar de ser numa situação dessas. Depois que os assessores do presidente se reuniram com ele para mostrar o tamanho do problema, Trump pegou seu computador e foi para as redes sociais, como tem sido seu hábito. No twitter, conclamou seus conterrâneos para terem cuidado – algo que os norte-americanos estão ouvindo de minuto a minuto em todas as redes de canais televisivos. Mesmo assim, o presidente decidiu reiterar: "Estejam preparados, tomem cuidado e fiquem a salvo!", escreveu. Até aí tudo certo. O que não foi bem é a declaração que veio a seguir, quando o presidente da nação mais rica aproveitou para destacar a reação do seu Governo ao furacão Maria, que atormentou Porto Rico – um território norte-americano – há pouco menos de um ano. Trump qualificou a atuação das autoridades, à época, como "um incrível sucesso não reconhecido". E não reconhece as cifras de mortos causados pelo Irma e pelo Maria, que alcançou 3 mil. É preciso noticiar, mas deixemos que o comentário de Trump fique no nicho que lhe cabe, onde ficam outras tantas declarações e atitudes dele. Prefiro me deter aqui sobre um trabalho minucioso e sensível de reportagem feito pela jornalista canadense e ativista ambiental Naomi Klein que escreveu a respeito da luta dos portariquenhos para recuperar suas vidas depois da tragédia. Klein esteve no lugar no início deste ano e escreveu um livro a respeito, chamado "A Batalha pelo Paraíso". "O que eu achei realmente comovente em Porto Rico foi a capacidade que as pessoas tiveram de se organizar em circunstâncias tão impossíveis... Eles foram capazes de reconstruir sua infraestrutura, não apenas de resistir. Eles se uniram e disseram: 'O que queremos em vez disso? É claro que não queremos que nossas escolas sejam fechadas, e não queremos que a rede elétrica seja vendida, e não queremos mais austeridade, mas também sabemos que apenas rejeitar isso nos leva a lugar nenhum. Então, é preciso decidir: como deve ser nosso sistema elétrico, em um mundo ideal? Como o nosso sistema alimentar deve ser transformado? Como o nosso sistema escolar deve ser transformado?' Esse tipo de resistência eu nunca tinha visto antes", disse ela ao jornalista Oliver Laughland, do "The Guardian". Tais questionamentos, quando feitos e levados a sério, podem servir para fazer uma nova trilha de desenvolvimento. E que tal caminho novo leve em conta, também com seriedade, o papel das mudanças climáticas na formação de furacões como o Florence ou de um super tufão como Mangkhut. Florence é um furacão num mundo em aquecimento, lembram cientistas ouvidos pelo site "Vox". Porque sim, as mudanças climáticas vão fazer piorar muito, em intensidade, tempestades como essa. Quem explica o fenômeno é Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), em entrevista para o programa de Heródoto Barbeiro no site RC7 no ano passado. "O processo é mais ou menos simples de entender: com a água mais quente do oceano, gera-se uma convecção de ventos, ou seja, o ar quente vai subindo e começa a circular. Quanto mais quente estiver a atmosfera, mais vapor de água pode acumular, e mais forte fica o furacão. É assim: enquanto ele está passando por cima do oceano, vai ficando cada vez mais forte. Quando ele encontra a terra, diminui. E quanto mais tempo ele estiver em cima do mar, mais tempo ele tem para se formar", explica ele. E mais: quando a temperatura da atmosfera aumenta, isto cria condições para que os furacões sejam mais frequentes e sejam mais intensos. "Um levantamento feito por uma seguradora no ano passado (2016) mostra que os desastres ambientais de grandes proporções têm aumentado muito década a década. Nos anos 90, tinha-se cerca de 300 eventos deste por ano em escala regional ou nacional. Em 2016 são 600, quase 700. Eventos foram aumentando tanto em frequência quanto em intensidade". Outro especialista, o cientista Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, explicou em entrevista à Folha de São Paulo que o aumento da temperatura das águas serve como combustível para os furacões. Atualmente, o Oceano Atlântico está 4 graus mais quente do que sua média histórica. "Se a temperatura continuar aumentando, esses eventos serão cada vez mais comuns. Vários países caribenhos vão se inviabilizar como nações. Não dá para reconstruir um país todo ano", disse Artaxo. Os prejuízos humanos e materiais são imensos. Neste cenário de perdas, ter um dirigente que simplesmente se nega a aceitar realidades, torna tudo mais difícil para quem, neste exato momento, precisa abandonar sua casa e se abrigar para salvar a vida. Assim como tudo fica mais difícil também para os países, como Filipinas, que não têm recursos para lidar com tais eventos extremos. Um dos temas recorrentes a todas as Conferências das Partes que a ONU convoca anualmente – a próxima será a COP24, na Polônia – é, exatamente, a necessidade de os países ricos, que mais emitem gases poluentes que causam tudo isso, ajudem os mais pobres a lidarem com essas tragédias. Está difícil convencê-los. *Fonte: relatório Pnud de 2014 Amelia Gonzalez Arte/G1

    Brasil tem quase 3 mil lixões em 1.600 cidades, diz relatório


    Prazo para que todos os municípios dessem destino correto ao lixo venceu há 4 anos, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos Despejo irregular de lixo aumenta no Brasil O Brasil tem quase 3 mil lixões funcionando em 1.600 cidades,...

    Prazo para que todos os municípios dessem destino correto ao lixo venceu há 4 anos, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos Despejo irregular de lixo aumenta no Brasil O Brasil tem quase 3 mil lixões funcionando em 1.600 cidades, segundo relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Por lei, todos os lixões do Brasil deveriam ter sido fechados até 2014, prazo dado pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos. O levantamento da Abrelpe mostra que, de 2016 para 2017, o despejo inadequado do lixo aumentou 3%. A produção de lixo no Brasil também aumentou no ano passado. Cada brasileiro gerou 378 kg de resíduos no ano, um volume que daria para cobrir um campo e meio de futebol. Junto com esse aumento do lixo produzido, também subiu a quantidade de resíduos que vão parar em lixões, com impactos negativos para o meio ambiente e para a saúde pública. Estudo afirma que o país gasta R$ 3 bilhões por ano com o tratamento de saúde de pessoas que ficaram doentes por causa da contaminação provocada pelos lixões. "Os impactos dos lixões, que contaminam a água, contaminam o solo e poluem o ar, afetam diretamente a saúde de 95 milhões de pessoas, sejam as que vivem no entorno desses lixões, muito próximos, ou aquelas que consomem ou a água ou os alimentos produzidos nessas áreas que estão contaminadas, trazendo uma série de problemas de saúde", afirma Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe. Segundo os dados da Abrelpe, 90% das cidades brasileiras têm coleta de lixo, mas só 59% usam aterros adequados. O Ministério do Meio Ambiente disse que o maior impedimento para tratar o lixo é a falta de recursos dos municípios e sugere medidas como a cobrança de uma taxa de lixo, o agrupamento das cidades em consórcios para ratear as despesas. Disse ainda que existem ações previstas para ajudar os municípios nos Ministérios da Saúde e das Cidades, mas não há perspectivas de que os recursos federais sejam suficientes para suprir as demandas. Dados do IBGE Quase metade das 5.570 cidades brasileiras não tem atualmente um plano integrado para o manejo do lixo, segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic 2017), divulgado Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em julho deste ano. Segundo a legislação brasileira, o plano integrado tem 19 itens obrigatórios que incluem metas de redução da quantidade de rejeitos por meio de reciclagem e reutilização de materiais, diagnóstico da situação dos resíduos sólidos no município, além de regras para transporte e outras etapas do gerenciamento do lixo e limpeza urbana. O estudo do IBGE apontou que a existência de um plano é mais frequente nas cidades mais populosas. Nos municípios com mais de 500 mil habitantes, 83,3% possuem um plano de manejo do lixo. Naquelas entre 5.001 e 10 mil habitantes, são 49,1%. Em uma análise por população, o IBGE identificou que nas cidades com mais de 50 mil habitantes, em termos relativos, ocorrem mais impactos ambientais causados por falta de saneamento básico e destinação inadequada de esgoto doméstico.
    Furacão Florence e super tufão Mangkhut:  sequelas de um mundo em aquecimento

    Furacão Florence e super tufão Mangkhut: sequelas de um mundo em aquecimento


    Imagem do furação Florence registrada ontem pela Nasa (Nasa/Via Reuters) Escrevo enquanto acompanho a trágica trajetória do mega furacão Florence que, ainda neste instante (manhã do dia 14) está a 85 quilômetros da costa das Carolinas do...


    Imagem do furação Florence registrada ontem pela Nasa (Nasa/Via Reuters) Escrevo enquanto acompanho a trágica trajetória do mega furacão Florence que, ainda neste instante (manhã do dia 14) está a 85 quilômetros da costa das Carolinas do Norte e do Sul, nos Estados Unidos. Os ventos perderam um pouco da força, mas ainda assim vão causar muita chuva e estão a 150km por hora. As autoridades estão preocupadas, os jornalistas devem estar de plantão, e o noticiário, legitimamente, trata o fenômeno com seriedade. Enquanto isso, em outro oceano (Pacífico) e do outro lado do mundo, nas Filipinas, um arquipélago com cerca de 96 milhões de habitantes, dos quais 18,4% estão abaixo da linha da pobreza*, se prepara para um super tufão, apelidado de Mangkhut, que também está chegando. Seus ventos já estão a 250km por hora e pode ser um dos mais fortes da história do país. Cerca de 5 milhões de pessoas serão afetadas, quase dez mil já foram evacuadas, voos estão sendo cancelados, segundo reportagem do jornal “The Guardian”. A única boa notícia em ambas as situações é que existe hoje um aparato tecnológico de primeira para avisar sobre a chegada de tempestades desta natureza, capazes de arrasar cidades inteiras. Isto significa que, para as comunidades que ficam no caminho da tormenta, ainda há algum tempo para sair e evitar as piores consequências . O Florence, no entanto, está tão forte que uma apresentadora do tempo de um canal de televisão norte-americano alertou para o fato de que não é preciso apenas sair da costa. Desta vez, vai ser necessário se afastar muito mais, porque o furacão não vai perder força assim que aportar em terra. Ele está sendo comparado ao Hugo, de 1989, um dos piores que devastou a região. Já o Mangkhut se parece com o Haiyan, que deixou 7,3 mil mortos em 2013. As comparações são necessárias, mas a realidade é que o instante em que se está vivendo a tragédia será sempre o único. Assim como os aparatos tecnológicos ajudam a medir e a avisar, eles também são importante auxílio aos cientistas que buscam explicações para fenômenos desta natureza. E, sim, as mudanças climáticas, o aquecimento dos oceanos, são a principal causa. O aquecimento global é responsável por 75% dos eventos extremos e 20% das chuvas muito fortes, dizem cientistas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – cético do clima, ou seja, que não acredita que as atividades humanas estão aquecendo o planeta - manifestou-se, como não podia deixar de ser numa situação dessas. Depois que os assessores do presidente se reuniram com ele para mostrar o tamanho do problema, Trump pegou seu computador e foi para as redes sociais, como tem sido seu hábito. No twitter, conclamou seus conterrâneos para terem cuidado - algo que os norte-americanos estão ouvindo de minuto a minuto em todas as redes de canais televisivos. Mesmo assim, o presidente decidiu reiterar: “Estejam preparados, tomem cuidado e fiquem a salvo!”, escreveu. Até aí tudo certo. O que não foi bem é a declaração que veio a seguir, quando o presidente da nação mais rica aproveitou para destacar a reação do seu Governo ao furacão Maria, que atormentou Porto Rico —um território norte-americano— há pouco menos de um ano. Trump qualificou a atuação das autoridades, à época, como “um incrível sucesso não reconhecido”. E não reconhece as cifras de mortos causados pelo Irma e pelo Maria, que alcançou 3 mil. É preciso noticiar, mas deixemos que o comentário de Trump fique no nicho que lhe cabe, onde ficam outras tantas declarações e atitudes dele. Prefiro me deter aqui sobre um trabalho minucioso e sensível de reportagem feito pela jornalista canadense e ativista ambiental Naomi Klein que escreveu a respeito da luta dos portariquenhos para recuperar suas vidas depois da tragédia. Klein esteve no lugar no início deste ano e escreveu um livro a respeito, chamado “A Batalha pelo Paraíso”. “O que eu achei realmente comovente em Porto Rico foi a capacidade que as pessoas tiveram de se organizar em circunstâncias tão impossíveis... Eles foram capazes de reconstruir sua infraestrutura, não apenas de resistir. Eles se uniram e disseram: ‘O que queremos em vez disso? É claro que não queremos que nossas escolas sejam fechadas, e não queremos que a rede elétrica seja vendida, e não queremos mais austeridade, mas também sabemos que apenas rejeitar isso nos leva a lugar nenhum. Então, é preciso decidir: como deve ser nosso sistema elétrico, em um mundo ideal? Como o nosso sistema alimentar deve ser transformado? Como o nosso sistema escolar deve ser transformado?’ Esse tipo de resistência eu nunca tinha visto antes”, disse ela ao jornalista Oliver Laughland, do “The Guardian”. Tais questionamentos, quando feitos e levados a sério, podem servir para fazer uma nova trilha de desenvolvimento. E que tal caminho novo leve em conta, também com seriedade, o papel das mudanças climáticas na formação de furacões como o Florence ou de um super tufão como Mangkhut. Florence é um furacão num mundo em aquecimento, lembram cientistas ouvidos pelo site “Vox” . Porque sim, as mudanças climáticas vão fazer piorar muito, em intensidade, tempestades como essa. Quem explica o fenômeno é Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima (SEEG) e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), em entrevista para o programa de Heródoto Barbeiro no site RC7 no ano passado. “O processo é mais ou menos simples de entender: com a água mais quente do oceano, gera-se uma convecção de ventos, ou seja, o ar quente vai subindo e começa a circular. Quanto mais quente estiver a atmosfera, mais vapor de água pode acumular, e mais forte fica o furacão. É assim: enquanto ele está passando por cima do oceano, vai ficando cada vez mais forte. Quando ele encontra a terra, diminui. E quanto mais tempo ele estiver em cima do mar, mais tempo ele tem para se formar”, explica ele. E mais: quando a temperatura da atmosfera aumenta, isto cria condições para que os furacões sejam mais frequentes e sejam mais intensos. “Um levantamento feito por uma seguradora no ano passado (2016) mostra que os desastres ambientais de grandes proporções têm aumentado muito década a década. Nos anos 90, tinha-se cerca de 300 eventos deste por ano em escala regional ou nacional. Em 2016 são 600, quase 700. Eventos foram aumentando tanto em frequência quanto em intensidade”. Outro especialista, o cientista Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, explicou em entrevista à Folha de São Paulo que o aumento da temperatura das águas serve como combustível para os furacões. Atualmente, o Oceano Atlântico está 4 graus mais quente do que sua média histórica. “Se a temperatura continuar aumentando, esses eventos serão cada vez mais comuns. Vários países caribenhos vão se inviabilizar como nações. Não dá para reconstruir um país todo ano”, disse Artaxo. Os prejuízos humanos e materiais são imensos. Neste cenário de perdas, ter um dirigente que simplesmente se nega a aceitar realidades, torna tudo mais difícil para quem, neste exato momento, precisa abandonar sua casa e se abrigar para salvar a vida. Assim como tudo fica mais difícil também para os países, como Filipinas, que não têm recursos para lidar com tais eventos extremos. Um dos temas recorrentes a todas as Conferências das Partes que a ONU convoca anualmente – a próxima será a COP24, na Polônia – é, exatamente, a necessidade de os países ricos, que mais emitem gases poluentes que causam tudo isso, ajudem os mais pobres a lidarem com essas tragédias. Está difícil convencê-los. *Fonte: relatório Pnud de 2014 Amélia Gonzalez Arte/G1
    A explicação por trás da descoberta de jararacas gigantes em parque de São Paulo

    A explicação por trás da descoberta de jararacas gigantes em parque de São Paulo


    Cobras com 1,5 metro de comprimento encontradas no Parque do Estado, pelo menos 50% maiores que os espécimes comuns, chamaram atenção de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Butantan. Jararacas entregues no...


    Cobras com 1,5 metro de comprimento encontradas no Parque do Estado, pelo menos 50% maiores que os espécimes comuns, chamaram atenção de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Butantan. Jararacas entregues no Butantan mediam por volta de 1,5 metro, quando a média da espécie é de cerca de um metro Leticia Monastero Delphino/Divulgação/BBC Depois de ter ficado famoso, em 1998, por ser a área onde o assassino em série Francisco de Assis Pereira, o "maníaco do parque", estuprou e matou pelo menos seis mulheres e tentou fazer o mesmo com outras nove, o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga - conhecido popularmente como Parque do Estado -, volta a chamar atenção. Só que agora por outro motivo. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto Butantan descobriram que, em seus 540 hectares, encravados na zona sul de São Paulo, vivem jararacas (Bothrops jararaca) gigantes, pelo menos 50% maiores que os espécimes comuns. A pesquisa foi feita para o trabalho de mestrado do biólogo Lucas Henrique Carvalho Siqueira no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas do campus da Unesp de São José do Rio Preto, com orientação do pesquisador do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan Otavio Augusto Vuolo Marques. Os resultados foram publicado no Journal of Herpetology, publicado pela Sociedade para o Estudo de Anfíbios e Répteis (SSAR, na sigla em inglês), organização internacional fundada em 1958. Jararacas do Parque do Estado são pelo menos 50% maiores que os espécimes comun Otavio Augusto Vuolo Marques/Divulgação/BBC A ideia do estudo surgiu de um fato que intrigava os pesquisadores do Butantan. Eles notaram que entre as serpentes que são entregues o tempo todo na Recepção de Animais do instituto havia várias fêmeas de jararaca muito grandes, medindo por volta de 1,5 metro, quando a média da espécie é de cerca de um metro. Aos investigar a procedência delas, eles descobriram que todas haviam sido capturadas no Parque do Estado. Isso despertou o interesse dos pesquisadores e, por isso, o tema foi investigado no trabalho de mestrado de Siqueira. Marques diz que estudos anteriores haviam mostrado que serpentes de grande porte, em geral, são mais comuns em ilhas. "O Parque do Estado não tem ligação com outras áreas de mata", diz. "É como uma ilha, só que em vez de estar cercado de água, está (rodeado) pela cidade." Ele e seu orientando resolveram então verificar se as jararacas do local estavam ficando maiores do que outras populações e estudar algumas razões que poderia explicar isso, como a oferta de alimentos e a presença de predadores, por exemplo. Siqueira explica que, para entender eventuais mudanças que a população de jararacas do Parque do Estado teria sofrido por causa da influência urbana, ele precisava compará-la com outra que não tivesse sofrido este efeito. "O Parque Estadual da Cantareira foi então escolhido, porque tem vegetação e características ambientais e climáticas semelhantes às do Parque do Estado", diz. "A principal diferença e foco do estudo é que este segundo é um pequeno fragmento de Mata Atlântica completamente isolado dentro da cidade de São Paulo, ao passo que o outro é 16 vezes maior, além de estar conectado com outros habitats." Pesquisadores analisaram tamanho das cobras, indo ao parque 4 vezes por mês Leticia Monastero Delphino/Divulgação/BBC Depois da ideia inicial, os pesquisadores partiram da hipótese de que as jararacas do Parque do Estado atingiam maiores tamanhos que as de outros ambientes por causa da influência do ser humano. "Baseamos essa hipótese em duas premissas básicas, que geralmente explicam maiores tamanhos em serpentes: mais oferta de recursos alimentares ou menor incidência de predadores", conta Siqueira. Para analisar o tamanho das jararacas, ele utilizou dados de serpentes já depositados na Coleção Herpetológica Alphonse Hoge, do Instituto Butantan, e de pesquisas publicadas anteriormente, além de ter ido a campo para complementar estes dados. "Com a ajuda de colegas, íamos para cada parque quatro dias por mês, onde procurávamos ativamente as cobras", lembra. Além disso, foram montadas armadilhas, para aumentar a chance de encontrar jararacas. Quando isso ocorria, eles pegavam as serpentes, as mediam e pesavam e, em seguida, implantavam um chip subcutâneo para identificá-las e as soltavam no mesmo local. O estudo foi feito apenas com cobras adultas, que se alimentam de pequenos roedores. A aposta dos pesquisadores antes do trabalho de campo era de que as jararacas do Parque do Estado eram maiores porque dispunham de mais fontes de alimentos. Essa ideia estava baseada em um trabalho anterior, no qual pesquisadores do Instituto Butantan constataram que cobras da mesma espécie, que viviam no arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte de São Paulo, eram menores do que as do continente - um fenômeno que também pode ocorrer em ilhas, o nanismo. Eles atribuíram isso à dieta de baixo valor calórico delas, baseada em sapos, lagartos e lacraias, enquanto as continentais se alimentam de roedores, obtendo mais calorias. Por isso, para Marques, no caso do estudo em São Paulo, era natural pensar em uma grande oferta de recurso alimentar, proporcionada pelos ratos da cidade, maiores que os silvestres e do que sapos e lacraias, já que o Parque do Estado está em uma área urbana alterada. "Fomos surpreendidos, no entanto, pois a disponibilidade de alimento não era maior do que na Cantareira", diz. "Capturamos menos ratinhos no Parque do Estado e não confirmamos a presença de ratos urbanos durante o tempo do estudo, só dos silvestres." Pesquisadores fabricaram cobras de massinha para monitorar predação dos animais Lucas Henrique Carvalho Siqueira/Divulgação/BBC Restava então verificar a segunda a premissa, ou seja, que houvesse uma quantidade menor de predadores no parque urbano. Como as serpentes - e os répteis em geral - nunca param de crescer durante a vida toda, quanto menos animais no ambiente ameacem sua existência, mais tempo elas conseguem viver e, com isso, atingir um grande tamanho. Mas verificar isso era uma tarefa mais complicada, para a qual os pesquisadores lançaram mão de uma solução criativa, no entanto. "Um encontro com serpentes na natureza é fortuito, mas presenciar um evento de predação sobre elas seria mais raro ainda", diz Siqueira. "Para superar essa dificuldade, utilizamos réplicas de jararaca feitas com massinha de modelar - aquelas usadas por crianças para brincar - para quantificar a incidência dos predadores." Eles fabricaram nada menos do que 1.440 jararacas de massinha e distribuíram 720 em cada parque, 60 por mês, ao longo das 12 campanhas de pesquisa. A réplica consiste em um modelo de uma jararaca adulta, com cabeça triangular e coloração próxima à real. Elas ficavam expostas durante 48 horas. Ataques de predadores foram mais que o dobro no Parque do Estado que na Cantareira Lucas Henrique Carvalho Siqueira/Divulgação/BBC Os predadores confundiam as réplicas com serpentes reais e as atacavam, deixando impressa a marca do ataque. "Para saber o número absoluto de predadores de jararaca seria preciso uma câmera em cada uma das réplicas, o que não era viável", diz Siqueira. "Mas conseguimos quantificar a frequência de ataque e dizer se o predador era ave ou mamífero." Os pesquisadores constataram que o número de ataques às réplicas na Cantareira foi mais do que o dobro do que no Parque do Estado. "Na primeira, tivemos cerca de 12% das massinhas atacadas, o que é um valor bem alto quando comparado a outros estudos relacionados", conta Siqueira. "No segundo, um pouco mais de 5% das jararacas foram afetadas. Concluímos que o fator responsável por encontramos maior proporção de fêmeas grandes no Parque do Estado é a menor quantidade de predadores." Pesquisadores concluíram que há menos predadores no Parque do Estado, permitindo que mais cobras cresçam Leticia Monastero Delphino/Divulgação/BBC De acordo com Marques, a importância do trabalho de seu orientando está na compreensão de como as populações são estruturadas em um fragmento florestal, que é sempre fundamental para a conservação. "Esse tipo de informação é um subsídio, que pode auxiliar na determinação de áreas mínimas ou mesmo no manejo de fragmentos florestais, a fim de preservar o máximo de sua biota."
    Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU

    Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU


    ONU Meio Ambiente realizou a campanha #MaresLimpos, que reuniu voluntários em ações de limpeza pelo país. Eles apresentaram um resumo do que foi encontrado no litoral de 10 estados brasileiros. ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro...


    ONU Meio Ambiente realizou a campanha #MaresLimpos, que reuniu voluntários em ações de limpeza pelo país. Eles apresentaram um resumo do que foi encontrado no litoral de 10 estados brasileiros. ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil sulox32/Pixabay Foram mais de 23,7 toneladas de resíduos recolhidos por 2,8 mil voluntários mobilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente no Brasil. Foram 124 km percorridos em praias de 10 estados brasileiros. O projeto é uma mobilização da organização internacional no país. A campanha se chama #MaresLimpos e cria ações de limpeza no litoral do Brasil. Veja os resíduos recolhidos em maior quantidade na primeira parte da operação, em 2017: 49.994 bitucas de cigarro 9.938 garrafas pet 9.938 canudos 7.041 garrafas plásticas 6.782 sacolas plásticas 5.590 embalagens plásticas 4.840 copos e pratos plásticos 2.409 garrafas de vidro 2.100 pedaços de isopor 1.313 talheres plásticos O material foi recolhido por grupos de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. O resultado mostra que os produtos encontrados são majoritariamente de plástico. A ONU Meio Ambiente lembra que entre 60% e 90% do lixo encontrado nos mares é composto por diferentes tipos de plásticos, em diferentes tamanhos e estágios de degradação. Algumas estimativas apontam que em 2050 teremos mais plásticos do que peixes e que 99% das aves marinhas terão ingerido o material. Sobre o produto mais encontrado, as bitucas de cigarro, além de poluir o oceano, é o principal causador do câncer que mais mata no mundo: o de pulmão. Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que, apenas neste ano, morrerão 9,6 milhões de pessoas devido à doença.
    Qual a diferença entre furacões, tufões e ciclones?

    Qual a diferença entre furacões, tufões e ciclones?


    As tempestades tropicais podem causar ondas gigantes ao se aproximar do continente, formando até mesmo tsunamis. Furacões podem causar grandes ondas no mar ao se aproximar do continente, formando até mesmo tsunamis (Nasa/Via Reuters) O furacão...


    As tempestades tropicais podem causar ondas gigantes ao se aproximar do continente, formando até mesmo tsunamis. Furacões podem causar grandes ondas no mar ao se aproximar do continente, formando até mesmo tsunamis (Nasa/Via Reuters) O furacão Florence deve chegar à costa leste dos Estados Unidos às 8h (horário local, 9h horário de Brasília) desta sexta-feira (14). Ao mesmo tempo, o super tufão Mangkhut está se aproximando das Filipinas. FOTOS do furacão Florence 3 fatores que explicam por que o furacão Florence é ‘assombroso’ e 'extremamente perigoso' Há imagens espetaculares tiradas de ambos do espaço, e os dois sistemas meteorológicos parecem quase os mesmos. Então, por que chamamos um de furacão e o outro de tufão? E o que exatamente é um ciclone? Todos são tempestades tropicais Eles são todos a mesma coisa: tempestades tropicais. Mas eles são conhecidos por nomes diferentes em locais diferentes. No norte do Oceano Atlântico e no nordeste do Pacífico, eles são chamados de furacões. Se o mesmo tipo de perturbação ocorre no noroeste do Oceano Pacífico, é conhecido como um tufão. E um ciclone é a tempestade tropical formada no Pacífico Sul e no Oceano Índico. Mas quando eles podem ser chamados de furacões, tufões e ciclones? Um ciclone tropical é um termo genérico usado por meteorologistas. Significa que é um sistema rotativo e organizado de nuvens e tempestades que se originaram em águas tropicais ou subtropicais, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. "Assim que a velocidade dos ventos atinge 74 milhas por hora (119 km/ h) ou mais, ele é classificado como furacão, tufão ou ciclone tropical, dependendo de onde a tempestade se origina no mundo." Os furacões são classificados numa escala que vai de 1 a 5, com base na velocidade dos ventos. Mapa mostra trajetória prevista para o furacão Florence Infografia: Roberta Jaworski Quando eles ocorrem? No Atlântico, a época de furacões ocorre entre 1º de junho e 30 de novembro. Mais de 95% das atividades dos ciclones tropicais ocorrem durante este período nesta região. Os tufões no noroeste do Oceano Pacífico são mais comuns de maio a outubro, embora possam se formar durante o ano todo. Na região do Pacífico Sul, a época de ciclones acontece entre novembro e abril. Como eles são nomeados? A Organização Meteorológica Mundial, órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), mantém uma lista para nomear os ciclones tropicais em todo o mundo. Os nomes dos mais mortíferos, como o tufão Haiyan ou o furacão Katrina, são retirados e substituídos. Países nas regiões de furacões, tufões e ciclones enviam sugestões para a lista à autoridade global. "Oito países da nossa região, que cobrem a Baía de Bengala e o mar da Arábia, enviaram a lista para a OMM no início dos anos 2000", disse à BBC um reconhecido cientista do Departamento de Meteorologia da Índia. "Quase 50% desses nomes para ciclones foram esgotados." "O acordo entre os países da nossa região era garantir que os nomes não pudessem ofender sentimentos religiosos em nossos países". A ciência O ar sobe rapidamente quando é aquecido pela água morna do mar. Quando esfria novamente, ele é empurrado para o lado pelo ar mais quente que sobe por baixo dele. Este ciclo causa ventos fortes. Tempestades tropicais têm ventos mais rápidos que 119 km/h. Sobre o mar, uma tempestade tropical pode causar grandes ondas. Quando essas ondas alcançam a terra, elas podem inundar grandes áreas, incluindo vilas e cidades. Em terra, os ventos fortes podem causar muitos estragos - desde destruir casas até derrubar árvores e arrastar veículos. Os cientistas dizem que a temperatura da água do oceano está subindo e isso pode levar a furacões com intensidade ainda maior no futuro. Eles acrescentam que uma atmosfera mais quente também pode reter mais água, então, isso deve permitir que os furacões despejem mais água nas áreas afetadas. Mas há muitos fatores que tornam complexa a relação entre a mudança climática e os furacões. Initial plugin text
    Descoberta nova espécie de réptil que viveu há 237 milhões de anos

    Descoberta nova espécie de réptil que viveu há 237 milhões de anos


    Fóssil doado anonimamente para museu do Rio Grande do Sul está ajudando a entender como era o Brasil no Período Triássico. Nova espécie de réptil foi batizada por pesquisadores de Pagosvenator candelariensis Divulgação Um fóssil doado...


    Fóssil doado anonimamente para museu do Rio Grande do Sul está ajudando a entender como era o Brasil no Período Triássico. Nova espécie de réptil foi batizada por pesquisadores de Pagosvenator candelariensis Divulgação Um fóssil doado anonimamente para o Museu Municipal Aristides Carlos Rodrigues, da cidade de Candelária, na região centro-oeste do Rio Grande do Sul, está ajudando a aumentar o conhecimento que se tinha sobre o Período Triássico (de 251 a 201 milhões de anos atrás) no território onde hoje fica o Brasil. Pesquisadores das universidades federais do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Vale do São Francisco (Univasf) descobriram que os restos fossilizados pertenciam a uma espécie de réptil até então desconhecida, que viveu há 237 milhões de anos. Ela foi descrita num artigo publicado no periódico britânico "Zoological Journal of the Linnean Society". O Triássico é o primeiro período da Era Mesozoica – que teve ainda o Jurássico (entre 195 a 136 milhões de anos) e o Cretáceo (entre 136 a 65 milhões de anos) – um importante momento na história da vida dos animais terrestres, porque é o intervalo de tempo no qual surgiram os primeiros dinossauros, além dos ancestrais dos lagartos, crocodilos e mamíferos atuais. Compostos por um crânio, uma mandíbula, algumas vértebras do pescoço e placas ósseas do dorso do animal, os restos foram analisados com técnicas de tomografia computadorizada, a partir das quais os cientistas obtiveram muitas informações sobre a anatomia dos ossos do animal sem danificá-los. Quando descreveram a nova espécie, os pesquisadores não sabiam onde exatamente o fóssil havia sido encontrado, por isso a batizaram de Pagosvenator candelariensis, em homenagem ao município ao qual pertence o museu e que é rico em sítios paleontológicos de grande valor científico. 'Não tem relação com as aves nem com os dinossauros, mas está na linhagem que deu origem aos crocodilos', explica pesquisador Divulgação Caçador dos pagos O nome significa "caçador da região de Candelária". Pago ou pagos é um jargão do linguajar gaúcho usado para se referir à cidade natal ou região de origem de alguém. O termo é derivado do latim pagus, que significa aldeia, região, província. Venator, também do latim, quer dizer caçador. Segundo o líder da pesquisa, Marcel Lacerda, que conduziu o trabalho durante seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geociências da UFRGS, o Pasgosvenator era um animal de médio porte, com até três metros de comprimento, e, com base na comparação com outras espécies semelhantes já conhecidas, existe forte evidência de que seria um quadrúpede. "Por causa dos dentes longos, recurvados e com serrilhas que o animal possuía, podemos inferir também que provavelmente ele era carnívoro", revela. "O réptil devia se alimentar de pequenos e médios animais." O professor de paleontologia da Univasf, Marco França, coautor do estudo, foi responsável pela análise mais acurada da linhagem evolutiva e dos parentescos da nova espécie. De acordo com ele, o Pagosvenator pertence ao grande grupo dos arcossauros, que, por sua vez, se divide em dois subgrupos: um formado por dinossauros, pterossauros e aves, e outro pelos ancestrais dos crocodilianos modernos. "Ele não tem relação com as aves nem com os dinossauros, mas está na linhagem que deu origem aos crocodilos, embora ainda seja muito distante deles", explica. Mais especificamente, o grupo a que pertence o Pagosvenator é o denominado de Erpetosuchidae. "Apesar de ser conhecido e estudado há muito tempo (desde o século XIX), não se possui muitas informações sobre a anatomia e as relações de parentesco entre os componentes desse grupo", diz França. "Isso porque ele é representado apenas por espécimes incompletos. Até nossa descoberta, havia apenas duas espécies descritas no mundo, a Erpetosuchus, do Triássico Superior (230 a 227 milhões de anos), da Escócia, e a Parringtonia, do Triássico Inferior (240-242 milhões de anos), da Tanzânia." Já o Pagosvenator é do período entre o Triássico Médio e Superior, vindo de rochas datadas entre cerca de 240 a 235 milhões de anos atrás. Desse modo, o fóssil novo conectaria temporalmente os dois registros anteriores do grupo. Outra descoberta é que o novo réptil muda o local de origem dos Erpetosuchidae. "Ele é o mais basal desse grupo", explica França. "Isso é significativo, porque indica que o animal que descobrimos estava mais próximo do ancestral comum de todos dos Erpetosuchidae. Sendo assim, a origem deles não estava na África ou na Europa, mas sim na América do Sul. Claro que temos que considerar que, nessa época, os continentes estavam unidos em um supercontinente chamado de Pangea." Características regionais O trabalho é importante, ainda, porque se soma a outros estudos na área que buscam compreender como era a região onde o Pagosvenator viveu há 230 milhões de anos. "Graças a essas pesquisas, hoje sabemos que os predadores dessa época eram bem diversos", diz França. "Vários deles, como o próprio Pagosvenator candelariensis, eram maiores que os dinossauros do mesmo período." Dessa forma, a descoberta amplia o conhecimento das espécies fósseis do Rio Grande do Sul e do Brasil, e aumenta a compreensão dos processos evolutivos que levaram à diversidade de registros fósseis do país. "Toda informação nova é útil para conseguirmos entender como eram o ambiente e a fauna daquela época", diz Lacerda. "São dados que ajudam a contar a história da diversidade da vida daquele período."
    Comissão analisa proposta para liberar caça comercial de baleias; entenda o que está em jogo

    Comissão analisa proposta para liberar caça comercial de baleias; entenda o que está em jogo


    Novo regulamentação é sugestão do Japão, que tem apoio de países como Noruega e a Islândia. Mais de 80 países devem se posicionar em votação nesta sexta-feira (14). Ativistas participam de protesto durante a conferência da Comissão...


    Novo regulamentação é sugestão do Japão, que tem apoio de países como Noruega e a Islândia. Mais de 80 países devem se posicionar em votação nesta sexta-feira (14). Ativistas participam de protesto durante a conferência da Comissão Internacional Baleeira (IWC), em Florianópolis Sebastian Rocandio/Reuters Uma possível liberação da caça comercial às baleias passa por discussão nesta quinta-feira (13) com a Comissão Internacional Baleeira, em Florianópolis. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, o órgão internacional reúne 89 países para estabelecer a regulamentação no tratamento a esses animais no mundo. O Japão encabeça a discussão e propõe a liberação da caça comercial desses animais. Eles são apoiados por outros países. A votação da proposta foi adiada para esta sexta-feira (14). Veja o que está em jogo: Qual é o papel desta comissão internacional? A Comissão Internacional Baleeira é um organização que propõe acordos entre 89 países. Ela toma decisões com base em uma maioria simples ou por 75% dos votos. Além da caça às baleias, a comissão também debate outras medidas de proteção ou mudanças nas regras relacionadas a esses animais. Desde quanto a caça comercial é proibida? Desde 1982 existe uma moratória da Comissão que proibe qualquer atividade de caça comercial de baleias no mundo. A proibição passou a valer para todos os países? Sim. Mas, de acordo com Leandra Gonçalves, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) que está em Florianópolis junto com a delegação do Greenpeace, o Japão usou uma brecha para conseguir burlar as regras estabelecidas internacionalmente. "Eles usam a brecha na regulamentação que diz que você pode usar a atividade de caça desde que seja com fins científicos. Então, desde a década de 80, o Japão realiza a atividade de caça comercial travestida de 'fins científicos'", disse. A Noruega e a Islândia fizeram uma objeção à moratória. Então, eles não são parte da regulamentação da Comissão Internacional Baleeira e praticam a caça comercial em suas águas nacionais. Alasca, Groenlândia e Dinamarca têm autorização para caça às baleias por comunidades aborígenes. Animais de menor porte, golfinhos e baleias pequenas, não estão incluídos na determinação de 1982 feita pela Comissão. É o caso da temporada de caça na Ilhas Faroe, na Dinamarca, frequentemente questionada por organizações de proteção ao meio ambiente. Descendentes dos vikings, os moradores das Ilhas Faroe mantêm a prática do 'Grindadrap' ('caça a baleias', no dialeto local) há vários séculos. Andrija Ilic/Reuters Por que a caça foi proibida no mundo? A Comissão foi fundada em 1946 porque os países que faziam caça às baleias queriam fazer estimativas e estudos para conseguir descobrir qual o número de animais que poderiam ser mortos sem acabar com a população, e assim manter o comércio. "Porém, ao longo dos anos, os países foram mudando de opinião e foram deixando de ser países baleeiros para se tornarem países pró-conservação. Isso aconteceu com Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Argentina, Chile, países da União Europeia", disse Leandra. A maioria dos países passou a defender maior rigidez contra a caça, até a aprovação em 1982 da carta moratória de proibição da caça a esses animais nas águas do planeta. Países se reúnem em encontro para discutir a caça das baleias Por que querem retomar a caça comercial de baleias? Os japoneses argumentam que querem fazer uma caça comercial sustentável de baleias. Mas, na opinião de Leandra, essa "sustentabilidade" é inalcançável nos dias atuais. "Muito difícil com o atual cenário – aquecimento global, poluição dos oceanos, conflitos entre empresas pesqueiras – é difícil imaginar uma nova moratória de caça sustentável", disse Leandra. "Eles dizem [Japão] que a moratória da caça de 82 já recuperou as populações de baleias, o que não é verdade. E dizem que as pobres populações costeiras deles precisam do recurso para sobreviver, o que também não é verdade", disse José Truda Palazzo, do Instituto Baleia Jubarte e fundador do Projeto Baleia-franca. Ele também acompanha o evento em Florianópolis. Quais as regras estão previstas, caso seja retomada a caça? Primeiro, deve haver a votação para a aprovação ou não da da caça comercial de baleias no mundo. Caso mais de 75% dos países sejam a favor, um comitê é formado para determinar quais serão as regras: se espécies em extinção serão preservadas, se será aplicável para todo o planeta, e etc. Quais países são a favor da liberação da caça comercial das baleias? Além do Japão, apoiam a proposta a Noruega, a Islândia, Rússia, Coreia do Sul, países do Caribe e da África. O que pensa o Brasil? É contra a proposta do Japão, com representantes do Ministério do Meio Ambiente e do Itamaraty. Inclusive, o país apresentou uma proposta para a criação de um Santuário de Baleias do Atlântico Sul que foi rejeitada na manhã desta terça-feira (11) pela Comissão. Foram 39 votos a favor, 25 contra, 3 abstenções e 2 ausentes. O Santuário seria um território de proteção desses animais entre os continentes americano e africano, onde a caça seria totalmente proibida – inclusive a científica. Desde 2001, o Brasil apresenta essa proposta no encontro da comissão e sempre consegue maioria simples, mas para ser aprovada, precisa de 75% dos votos. Qual é a opinião dos ambientalistas? "Esta proibição tem que continuar por várias razões", disse Truda. "A primeira delas é que a maioria das populaçãoes das espécies de grandes baleias ainda não se recuperou. A segunda é que elas valem muito mais vivas do que mortas. Elas geram em torno de 2 bilhões de dólares por ano no turismo de observações de baleia, mas estudos também mostram que elas são verdadeiras fertilizadoras dos oceanos".
    Humanos pré-históricos são suspeitos de levarem pássaro gigante à extinção

    Humanos pré-históricos são suspeitos de levarem pássaro gigante à extinção


    Cientistas estão mais perto de explicar o misterioso 'massacre' dessa espécie, há 10 mil anos, na ilha de Madagascar. O pássaro gigante de Madagascar pesava meia tonelada e tinha 3 metros de altura. Pesquisas mostram que ele pode ter sido extinto...


    Cientistas estão mais perto de explicar o misterioso 'massacre' dessa espécie, há 10 mil anos, na ilha de Madagascar. O pássaro gigante de Madagascar pesava meia tonelada e tinha 3 metros de altura. Pesquisas mostram que ele pode ter sido extinto por ação de seres humanos SPL Humanos pré-históricos podem ter sido os responsáveis pela extinção dos maiores pássaros que já existiram na Terra. A suspeita surgiu depois que ossos fossilizados dessas aves foram encontrados com sinais de cortes por objeto pontiagudo. Segundo cientistas, esse é um indício de que os pássaros gigantes de Madagascar eram caçados para servir de alimento. Os fósseis são de 10 mil anos atrás. Até a descoberta, acreditava-se que os primeiros humanos tivessem migrado para a ilha de 2.500 a 4 mil anos atrás. "(O fóssil) muda em pelo menos 6 mil anos a data da chegada dos humanos", diz James Hansford, cientista da Sociedade Zoológica de Londres, no Reino Unido. Além de lançar questionamentos sobre a história humana, a descoberta indica que uma "teoria sobre extinção radicalmente diferente" é necessária para entendermos a perda da fauna única da ilha de Madagascar. A pesquisa completa foi publicada na revista científica "Science Advances". Marcas de cortes nos fósseis chamaram a atenção dos pesquisadores por indicarem a ação de humanos Zoological Society London Em vez de massacrarem os animais num intervalo curto de tempo, os humanos parecem ter convivido com essas aves por milhares de anos, antes de elas serem extintas mil anos atrás. "Os homens parecem ter coexistido com pássaros gigantes e outras espécies hoje extintas por 9.000 anos, aparentemente com impacto negativo menor na biodiversidade por grande parte desse período", diz Hansford. Os pássaros gigantes eram, no passado, abundantes em Madagascar. Eles pesavam meia tonelada, tinham cerca de 3 metros de altura e punham ovos bem grandes – maiores até que os de dinossauros. Essas aves, as Aepyornis e Mullerornis, viviam entre outras espécies de tamanho gigante típicas de Madagascar e que também acabaram sendo extintas. São várias as teorias que tentam explicar como e por que isso aconteceu, e qual a participação dos humanos na morte desses animais. A pesquisa que analisou os fósseis do pássaro gigante contesta nosso entendimento sobre os primeiros humanos a chegarem numa ilha tropical. "Nós não sabemos a origem dessas pessoas e não saberemos até que tenhamos mais evidências arqueológicas", diz Patricia Wright, professora da Stony Brook University, no Reino Unido, e coautora do estudo com fóssil. "Três perguntas permanecem em aberto: quem eram essas pessoas, quando e por que elas desapareceram?"
    Empresas produtoras de matéria-prima são ligadas a 27% do desmatamento permanente no mundo, diz estudo

    Empresas produtoras de matéria-prima são ligadas a 27% do desmatamento permanente no mundo, diz estudo


    Companhias de commodities – agronegócio, mineração, celulose – representam a maior fatia de desmatamento na América Latina e na Ásia. Incêndios florestais já representam mais da metade do problema na Rússia, China e Sul da Ásia. A perda...


    Companhias de commodities – agronegócio, mineração, celulose – representam a maior fatia de desmatamento na América Latina e na Ásia. Incêndios florestais já representam mais da metade do problema na Rússia, China e Sul da Ásia. A perda permanente de uma em cada quatro árvores no mundo está ligada às companhias de commodities. Estudo inédito publicado pela revista "Science" aponta que o uso da terra por essas empresas é responsável por 27% de todo o desmatamento. Há 15 anos, o nosso planeta perde 5 milhões de hectares de florestas todos os anos – três Alemanhas foram desmatadas neste período apenas devido a essas empresas produtoras de matéria-prima. A pesquisa mostra que apesar de diferentes compromissos firmados, a taxa de desmatamento criado por essas companhias se manteve estável. No Brasil, em 2009, as 20 maiores empresas do país anunciaram uma "Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas". Entre os objetivos, apoiar o mecanismo de Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação (REDD). Recentemente, em 2014, mais de 400 empresas ativas na produção de pelo menos uma commodity – matéria-prima com preço determinado pela oferta e pela procura internacional – assinaram um compromisso de gerar zero desmatamento até 2020. "Os dados mostram que infelizmente o desmatamento continua avançando. Por um lado, é fundamental que as empresas tenham total transparência das informações para mostrar que elas estão cumprindo com aquilo que se comprometeram, mas o números mostram que a taxa continua estável. É muita floresta perdida, são 5 milhões de hectares por ano", disse Carlos Rittl, secretário-excecutivo do Observatório do Clima. De olho nessas promessas empresariais, pesquisadores da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, em inglês), liderados por Philip Curtis, mapearam as perdas florestais com a ajuda de imagens de satélite e desenvolveram um modelo de classificação para determinar os causadores entre os anos de 2001 e 2015. O projeto é uma parceria com o Global Forest Watch, que monitora os dados de desmatamento no mundo. "Foi complexo e demorado, mas gratificante", disse Curtis, em entrevista ao G1. "Examinei áreas em que a causa de um evento de perda de floresta era conhecida, criei um modelo de computador para padrões estabelecidos nesses locais e identifiquei todos os outros locais no planeta onde esses padrões também estavam presentes. Foi assim que o causador da perda de florestas foi determinado", explicou. Ele usou, entre outras ferramentas, uma versão específica do Google Earth. O gráfico acima mostra que, em escala mundial, o problema é bastante dividido. A questão é que cada região do mundo apresenta um principal motivo para o desgaste e a perda de suas florestas. Na América Latina e especificamente no Brasil, o maior motivo, de acordo com o estudo, são as empresas de commodities. No caso da Rússia, China e Sul da Ásia, os incêndios florestais estão como a principal razão. "A gente tem compromissos assumidos para 2020 aqui no Brasil. Na política nacional sobre mudança do clima o compromisso é correspondente a uma redução em 80% da taxa de desmatamento na Amazônia em relação a média histórica de 1996 até 2005. Isso significa limitar a 3.907 km² por ano. O dado mais recente, que é do ano passado, a gente estava com uma taxa 78% acima desta meta para 2020", disse Rittl. Os fatores causadores da perda de florestas no mundo entre 2001 e 2015 Alexandre Mauro/G1 Dados do Brasil Em entrevista ao G1, o coautor do estudo Christly Slay reconhece a importância do Brasil com relação ao assunto e diz que "abriga a maior biodiversidade florestal do planeta, por um isso desempenha um grande papel no combate ao desmatamento". Ele lembra que mais da metade das emissões de carbono do país são atribuídas ao desmatamento e ao uso da terra. "Compromissos são um ponto de partida, mas a continuidade do financiamento e do cumprimento desses mesmo compromissos, com os programas de REDD, são a única maneira de acabar com o desmatamento", disse Slay. O REDD é um mecanismo de compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas. Ele é visto como uma forma fundamental de redução da quantidade de CO2 lançada na atmosfera por conta do desmatamento em todo o mundo, causadora do aquecimento global. No início da década, o REDD se tornou ponto central das negociações de um novo acordo sobre o clima. Os dados brasileiros apurados pelos pesquisadores mostram a "virada" na perda de florestas no Brasil entre os anos de 2004 e 2005. Veja o primeiro gráfico desta reportagem. "Em 2004 foi um recorde. Foi a segunda taxa mais alta da história, desde que se começou a monitorar no final da década de 80 o desmatamento da Amazônia. O governo, na época, implementou um plano de prevenção e controle da Amazônia legal", lembrou Rittl. "Isso foi o que inverteu a curva de desmatamento. Depois, a gente veio flutuando ano a ano". Mesmo assim, o Brasil ainda é responsável por quase 1,5 milhão de hectares dos 5 milhões perdidos devido às empresas de commodities. "A gente vem flutuando ano a ano. Houve realmente uma redução importante, mas a gente não eliminou o problema. Esse estudo tem uma comparação do Brasil com todos os outros países. Pelo menos no ano de 2015, último dado, o país representa cerca de 30% do destamento global", disse Rittl. Desmatamento permanente e 'não-permanente' De acordo com Slay, o objetivo do estudo era fazer um mapa dos impulsionadores da perda de florestas no mundo. "Lançar uma luz sobre as regiões do mundo que estão sofrendo com o desmatamento permanente devido à agricultura". "Houve um mal-entendido de que toda a perda de cobertura florestal é um desmatamento permanente. Isso dificulta a atuação das companhias e a compreensão dos verdadeiros impactos de suas cadeias de suprimentos.", disse. Philip Curtis disse que é importante desenvolver um consenso sobre o que são os vários tipos e subtipos de perdas de florestas e sua relação com o uso da terra. "Nem toda a perda de árvore é desmatamento, e nem todo desmatamento é igual", disse. "Por exemplo, talvez existam 15 tipos diferentes de agricultura itinerante que podem ser identificados, ou 4 tipos principais de incêndios florestais. Se pudéssemos ter categorias e definições mais refinadas e coordenadas que refletissem a variação de padrões na paisagem para todas as regiões do globo, isso nos permitiria ser mais consistente em nossas conversas e estudos sobre o desmatamento internacional". A ideia, segundo os cientistas, é poder estabelecer cada vez mais classificações com relação ao desmatamento no mundo para garantir maior sucesso no combate aos agentes.
    Raro tubarão-boca-grande é encontrado boiando no Litoral do Piauí

    Raro tubarão-boca-grande é encontrado boiando no Litoral do Piauí


    Animal vive em águas profundas e pode chegar até 100 anos. Espécie foi encontrada por pescadores na Pedra do Sal, em Parnaíba. Tubarão-boca-grande foi encontrado boiando no mar na Pedra do Sal, Litoral do Piauí Arquivo Pessoal/Biomade Uma...


    Animal vive em águas profundas e pode chegar até 100 anos. Espécie foi encontrada por pescadores na Pedra do Sal, em Parnaíba. Tubarão-boca-grande foi encontrado boiando no mar na Pedra do Sal, Litoral do Piauí Arquivo Pessoal/Biomade Uma espécie rara de tubarão foi encontrada, na segunda-feira (10), por pescadores boiando no mar da Pedra do Sal, em Parnaíba, Litoral do Piauí. O animal popularmente conhecido como tubarão-boca-grande, cujo nome científico é Megachasma Pelagios, era um macho e tinha pouco mais de um metro de comprimento. Segundo a pesquisadora Geórgia Aragão, do Instituto Piauiense de Pesquisa Aplicada e doutoranda em Sistema Costeiro e Oceânicos pela Universidade Federal do Paraná, em 2016 tinham sido vistos apenas 68 animais da espécie, que vive em águas profundas e pode chegar até 100 anos. Animal vive em águas profundas e pode chegar até 100 anos Arquivo Pessoal/Biomade "Raríssimas vezes ele foi avistado vivo, apenas uma vez na costa do Havaí e outra no Japão. Diferente dos outros tubarões, o animal não tem dente, ele nada com a boca aberta filtrando a água e se alimenta de plânctons e águas-vivas. A espécie pode medir até 5 metros", disse. Conforme a bióloga, as únicas marcas encontradas no corpo do tubarão foram mordidas de tubarões charutos (parasitas que come animais mortos e tem uma mordida redonda). O animal estava em estado de decomposição e foi arrastado até a praia pelos pescadores, que dividiram a carne para consumo. Tubarão não tem dente, ele nada com a boca aberta filtrando a água Arquivo Pessoal/Biomade "Temos várias hipóteses da causa da morte. O tubarão pode ter sido arrastado pela rede de pesca de camarão de profundidade, ter ficado preso em um espinhel e morrido afogado, ou pode ser alguma patologia e ele morreu naturalmente. Não temos como identificar, porque não conseguimos fazer a coleta de material biológico", informou. A pesquisadora destacou o risco à saúde de quem come carne de tubarão. De acordo com ela, a carne do animal acumula metais pesados, que são cancerígenos. "Ele acumula tudo de poluição do oceano, que não é eliminada do corpo. Quem come a carne consome também esses metais", falou. Pescadores dividiram a carne do tubarão para consumo, mas bióloga alerta para riscos à saúde Arquivo Pessoal/Biomade
    A planta que 'sangra' metal e que pode ajudar a limpar solos contaminados

    A planta que 'sangra' metal e que pode ajudar a limpar solos contaminados


    Encontrada em ilha no Pacífico Sul, Pycnandra acuminata tem 25% de níquel em seu látex, que tem uma exótica cor azul-esverdeada. Ela faz parte do grupo das 'hiperacumuladoras', uma esperança na luta pela preservação do meio ambiente....


    Encontrada em ilha no Pacífico Sul, Pycnandra acuminata tem 25% de níquel em seu látex, que tem uma exótica cor azul-esverdeada. Ela faz parte do grupo das 'hiperacumuladoras', uma esperança na luta pela preservação do meio ambiente. Pesquisadores descobriram que árvore do Pacífico Sul tem 25% de níquel em sua composição Antony van der Ent Metais pesados ​​como o níquel e o zinco são geralmente a última coisa que as plantas querem encontrar, especialmente em altas concentrações, no local em que crescem. O grupo das "hiperacumuladoras", contudo, conseguiu, através da evolução, passar a absorver elementos normalmente tóxicos em seus caules, folhas e até sementes. Pesquisadores vêm estudando uma em particular, a Pycnandra acuminata – que cresce na ilha de Nova Caledônia, no sul do Pacífico –, para entender como ela funciona e possivelmente usá-la para limpar solos contaminados ou permitir que terras pobres em nutrientes voltem a ser férteis. Seu látex tem uma cor azul-esverdeada exótica e uma concentração de até 25% de níquel. Os cientistas acreditam que o metal pode ser útil para a planta, que o usaria para se defender de insetos. De acordo com pesquisadores, a árvore, que pode chegar a 20 metros de altura, está ameaçada pelo desmatamento Getty Images via BBC "A Pycnandra acuminata é uma árvore rara de floresta tropical de grande porte, que pode chegar a até 20 metros de altura", diz o pesquisador Antony van der Ent, da Universidade de Queensland, na Austrália, que estuda a planta. "Como objeto de estudo, ela é um desafio, porque cresce muito lentamente e leva décadas para produzir flores e sementes. Está ameaçada pelo desmatamento, resultado de atividades de mineração e queimadas", disse ele à BBC. A afinidade incomum do arbusto com o níquel foi identificada pela primeira vez na década de 1970, e desde então a pesquisa sobre as plantas hiperacumuladoras só se expandiu. Olhando para dentro Como explicar o que está acontecendo dentro dessas plantas? Para responder essa pergunta, a Pycnandra acuminata e outras hiperacumuladoras foram analisadas ​​em Hamburgo em um aparelho de luz síncrotron DESY, que usa um tipo especial de radiação. Pesquisadores usaram luz síncrotron, criada por um acelerador de partículas, para analisar estrutura da árvore Antony van der Ent "Se você usa um microscópio convencional, pode ver estruturas, mas não pode realmente dizer do que elas são feitas", explica Kathryn Spiers, que também estuda a Pycnandra. Spires usou uma técnica que permite que a amostra seja fotografada e girada muito rapidamente, antes de ser destruída pelo feixe de raios-X. "No síncrotron, a fonte de luz é muito brilhante, e nosso detector, muito rápido. Isso significa que você pode escanear a amostra antes que ela desapareça. Você vê que foi literalmente feito um buraco nela." Fazendo isso sucessivas vezes, os pesquisadores podem então montar uma imagem completa da amostra da planta, com seus diferentes componentes visíveis. Usos futuros Os cientistas ainda estão investigando por que essas plantas em particular evoluíram dessa maneira e passaram a conseguir se desenvolver em condições tão adversas. Provavelmente, dizem, o processo não se deve à interferência humana no meio ambiente. "A evolução da hiperacumulação aconteceu em diversas etapas e em famílias muito diferentes, no decorrer de milhões de anos, provavelmente. Estas plantas são encontradas em solos naturalmente enriquecidos com metais", diz van der Ent. Alguns cientistas estão esperançosos, contudo, de que as hiperacumuladoras possam ser usadas ​​para "limpar" os solos em que há acúmulo de material tóxico devido à atividade humana. Outra possível aplicação é a chamada fito-mineração - neste caso, a plantas hiperacumuladoras seriam usadas em solos pobres em nutrientes, mas ricos em metais, para extrair esses elementos e permitir, por exemplo, que o solo fique mais fértil para a agricultura. Espécie teria evoluído durante milhões de anos Antony van der Ent
    Como são escolhidos os nomes dos furacões?

    Como são escolhidos os nomes dos furacões?


    Lista de nomes é decidida por comitê internacional e reutilizada a cada seis anos; tempestades devastadoras têm seus nomes 'aposentados'. Nomes dos furacões são escolhidos de acordo com seis listas Com o furacão Florence, os Estados Unidos se...


    Lista de nomes é decidida por comitê internacional e reutilizada a cada seis anos; tempestades devastadoras têm seus nomes 'aposentados'. Nomes dos furacões são escolhidos de acordo com seis listas Com o furacão Florence, os Estados Unidos se preparam para a chegada de uma das tempestades mais intensas a atingir sua costa leste em décadas. Meteorologistas preveem que a força do furacão pode se intensificar e que o fenômeno pode atingir o Estado da Carolina do Norte na sexta-feira (14). Os ventos estão com força de 225km/h e o furacão atingiu a categoria 4, apenas uma abaixo do nível máximo. O governador da Carolina do Sul ordenou a evacuação de todo o litoral do Estado – o que afeta quase um milhão de pessoas -, enquanto a Carolina do Norte, Virgínia, Maryland e Washington DC declararam estado de emergência. Mas por que o furacão chama Florence? Como, afinal, os furacões e outros ciclones tropicais recebem seus nomes? Usar nomes humanos – em vez de números ou termos técnicos – nas tempestades tem o objetivo de evitar confusão e fazer com que seja mais fácil lembrar delas ao divulgar alertas. Mas, ao contrário do que muitos pensam, a lista atual dos nomes não tem nada a ver com políticos, não se trata de homenagens a pessoas que morreram no desastre do navio Titanic e também não é composta somente de nomes femininos. A relação de nomes para os ciclones tropicais do Atlântico foi criada em 1953 pelo Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês) e seu padrão tem sido usado em outras regiões do mundo. Atualmente, estas listas são mantidas e atualizadas pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU baseada em Genebra, na Suíça. Comitê internacional se reúne em agência da ONU para definir nomes de furacões em todo o mundo HO/NOAA/RAMMB/AFP Ordem As listas dos furacões de cada ano são organizadas em ordem alfabética, alternando nomes masculinos e femininos. E os nomes de tempestades são diferentes para cada região. A temporada de furacões e tempestades de 2017 no Atlântico passou por Arlene, Bret, Cindy, Don, Emily, Franklin, Gert e Harvey até chegar a Irma, Jose e Katia - duas tempestades que se tornaram furacões e chegam à região logo em seguida. Se você estivesse na região do leste do Pacífico, no entanto, estaria mais familiarizado com os nomes Adrian, Beatriz, Calvin, Dora, Eugene, Fernanda, Greg, Hilary, Irwin, Jova e Kenneth. As listas são recicladas a cada seis anos, o que significaria que, em 2023, Harvey ou Irma poderiam aparecer novamente. No entanto, comitês regionais da OMM se reúnem anualmente para falar sobre que tempestades do ano anterior foram especialmente devastadoras e, por isso, devem ter seus nomes "aposentados". É o caso de Harvey e Irma. Depois que o furacão Katrina deixou mais de 2 mil mortos em Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005, o nome da tempestade deixou de ser usado. Em 2011, quem apareceu em seu lugar, com menos alarde, foi a tempestade Katia - que já estava logo depois de Harvey e Jose e, seis anos depois, voltou ao Caribe. Mulheres e homens Koji Kuroiwa, chefe do programa de ciclones tropicais na OMM, diz que o Exército americano foi o primeiro a usar nomes de pessoas em tempestades, durante a Segunda Guerra Mundial. "Eles preferiam escolher nomes de suas namoradas, esposas ou mães. Naquela época, a maioria dos nomes era de mulheres." O hábito tornou-se regra em 1953, mas nomes masculinos foram adicionados à lista nos anos 1970, para evitar desequilíbrio de gênero. Em 2014, porém, um estudo de pesquisadores da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, afirmou que furacões com nomes de mulheres matam mais pessoas que aqueles com nomes masculinos, porque costumam ser levados menos "a sério" e, consequentemente, há menos preparação para enfrentá-los. Os cientistas analisaram dados de furacões que atingiram o país entre 1950 e 2012, com exceção do Katrina em 2005 - porque o grande número de mortos poderia distorcer os resultados. O estudo, que foi divulgado na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), afirmou que cada furacão com nome masculino causa, em média, 15 mortes. Já os que têm nomes femininos provocam cerca de 42. Kuroiwa diz que o uso de nomes próprios pretende fazer com que as pessoas entendam previsões e alertas mais facilmente, mas o público muitas vezes tem vontade de participar. "Temos muitos pedidos todos os anos: 'por favor, use meu nome ou o nome da minha esposa ou da minha filha'", afirma. Em seu site, o NHC teve que adicionar a pergunta "posso ter um furacão no meu nome?" à sessão de perguntas e respostas, esclarecendo que os nomes são estabelecidos por um comitê internacional. Nomes regionais Durante a era vitoriana na Grã-Bretanha, as tempestades eram nomeadas aleatoriamente. Uma tormenta no oceano Atlântico que destruiu o mastro de um barco chamado Antje, em 1842, foi chamada de Furacão de Antje. Outros furacões foram identificados por suas localizações, mas coordenadas de latitude e longitude não eram tão fáceis de identificar e comunicar a outras pessoas. Um meteorologista australiano do século 19, Clement Wragge, se divertia usando nomes de políticos dos quais não gostava. Na região do Caribe, os furacões já foram nomeados em homenagem aos santos católicos dos dias em que eles atingiam cidades. Atualmente, os nomes mudam de acordo com a região dos ciclones. "No Atlântico e no leste do Pacífico, usam-se nomes reais de pessoas, mas há convenções diferentes em outras partes do mundo.", diz Julian Heming, cientista de previsões tropicais no Met Office, escritório de meteorologia britânico. Heming diz que no oeste do Pacífico, por exemplo, também se utilizam nomes de flores, animais, personagens históricos e mitológicos e alimentos, como Kulap (rosa em tailandês) e Kujira (baleia, em japonês). "O importante é ser um nome do qual as pessoas possam se lembrar e identificar. Antes, esta região usava nomes em inglês e, há dez anos, decidiu-se que eles deveriam ser mais apropriados para a região." As letras Q, U, X, Y e Z não são usadas na lista das tempestades no Oceano Atlântico por causa da escassez de nomes próprios com elas. Neste caso, há no máximo 21 tempestades nomeadas em um ano até acabar a lista. Mas o que acontece depois que a lista acaba? "Se o resto da temporada tiver muita atividade, temos que usar letras do alfabeto grego", explica Heming. Furacões, tufões e ciclones descrevem o mesmo fenômeno climático, mas recebem nomes diferentes a depender do lugar do mundo onde se formam. Os furacões se formam a leste da Linha Internacional de Data, linha imaginária que fica a 180º do meridiano de Greenwich, ou seja, do lado exatamente oposto. Tufões e ciclones e formam ao oeste da linha.
    Urso fica com cabeça presa em galão de leite nos EUA

    Urso fica com cabeça presa em galão de leite nos EUA


    Bombeiros precisaram intervir para libertar o animal. Um urso ficou com sua cabeça presa em um galão de leite no estado americano de Minnesota e precisou de ajuda para se livrar. O incidence ocorreu na semana passada, próximo à cidade de Roseau,...


    Bombeiros precisaram intervir para libertar o animal. Um urso ficou com sua cabeça presa em um galão de leite no estado americano de Minnesota e precisou de ajuda para se livrar. O incidence ocorreu na semana passada, próximo à cidade de Roseau, segundo o Departamento de Recursos Natuais do estado. O urso era um macho de cerca de 70 quilos. Funcionários do departamento precisaram fazer buracos no galão para que o animal respirasse, e depois usaram óleo de cozinha para que a cabeça do animal deslizasse. Como não deu certo, os bombeiros foram chamados e, com uso de equipamento apropriado, conseguiram libertar o urso. Urso fica com cabeça presa em galão de leite nos EUA MDNR/Cover Images/Reuters

    Criação de santuário de baleias no Atlântico é rejeitada por comissão internacional


    Em reunião realizada no Brasil, Japão e Rússia estiveram entre as nações que se opuseram à criação do santuário. Comissão rejeita proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul As nações baleeiras bloquearam na terça-feira...

    Em reunião realizada no Brasil, Japão e Rússia estiveram entre as nações que se opuseram à criação do santuário. Comissão rejeita proposta de criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul As nações baleeiras bloquearam na terça-feira (11) um esforço de quase duas décadas para criar um refúgio no Atlântico Sul para esses cetáceos ameaçados de extinção, aprofundando as divisões em uma já conturbada reunião da Comissão Baleeira Internacional (IWC) em Florianópolis. O Santuário de Baleias no Atlântico Sul foi apoiado por 39 países, com 25 votando contra e vários países não votando, e por isso não conseguiram obter a maioria necessária de dois terços do corpo de 89 membros. O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Edson Duarte, cujo país propôs a criação do santuário na reunião da IWC em 2001, disse que está desapontado mas que continuará pedindo apoio mundial no futuro. "Como ministro do Meio Ambiente em um país com 20% da biodiversidade mundial em suas florestas, nos sentimos altamente responsáveis pela administração de nossa riqueza, para o mundo inteiro, e isso também vale para os cetáceos", disse Duarte a delegados. As ONGs que participaram da reunião expressaram decepção com o resultado. O projeto, copatrocinado por Argentina, Gabão, África do Sul e Uruguai, foi discutido pela primeira vez em 1998 e votado desde a reunião de 2001 da IWC. O Japão votou contra o projeto, apoiado pela Islândia, Noruega e Rússia. A delegação japonesa pressionou por uma mudança de regras nas reuniões bienais que permitiriam que as decisões fossem tomadas por maioria simples, em vez da atual maioria de três quartos. Isso tornaria mais fácil para o Japão aprovar sua proposta de acabar com uma moratória de 32 anos sobre a caça comercial de baleias e reintroduzir a "caça de baleias sustentável". Também permitiria a criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul, apontaram os funcionários do Ministério das Relações Exteriores do Japão no encontro do Brasil. A comissária neozelandesa Amy Laurenson, falando em favor do santuário, disse no encontro que se tratava de proteger as baleias, "não de determinar o resultado para outras áreas do mundo". Grettel Delgadillo, da Humane Society International (HSI), afirmou que a votação foi uma "decepção amarga" e "um sinal genuíno de má-fé e intrigas contínuas pelo bloco do Japão, e é um mau presságio para os votos cruciais que virão no final desta semana". Impasse de décadas Seis nações do órgão intergovernamental de 89 membros não enviaram delegações para a reunião, e sete países, em sua maioria africanos, que enviaram suas delegações ainda não pagaram suas taxas à organização e, consequentemente, não foram autorizados a votar a medida. Observadores disseram que para alguns desses países menores, não votar em uma questão altamente sensível é um gesto diplomático, e é improvável que eles queiram ser vistos em qualquer um dos campos. No entanto, alguns delegados anticaça disseram que isso mostrava a falta de preparação de países proponentes para deixarem potenciais votos fugirem devido a uma questão processual, acrescentando que o Japão era mais eficiente na preparação do terreno político. O resultado perpetua um impasse de décadas entre as nações pró e anticaça da IWC. Nicolas Entrup, da ONG suíça OceanCare, indicou um plano de ação para proteger as baleias no Atlântico Sul, adotado por unanimidade pelas partes da Convenção das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias (CMS) no ano passado. Protestando contra "o bloqueio destrutivo de alguns países", declarou que os Estados da CMS devem seguir em frente sem a aprovação da IWC para formar o santuário. "Um santuário nesta região forneceria forte proteção a uma ampla variedade de espécies de baleias e golfinhos", disse Patrick Ramage, do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal. "A pesquisa não-letal de baleias nesta área já forneceu dados valiosos sobre as baleias e um santuário teria aprofundado isso, contribuindo com informações muito mais úteis e precisas do que jamais foi obtido com a chamada caça científica". "As nações da região querem criar - e têm todo o direito de criar - um refúgio seguro para as baleias sob ameaças contínuas de caça comercial, morte por emaranhamento em equipamentos de pesca, poluição marinha e ferimentos causados por navios", disse Delgadillo, da HSI.
    Relatório da ONU alerta: há 33 milhões de obesos no Brasil. Isto também é insegurança alimentar

    Relatório da ONU alerta: há 33 milhões de obesos no Brasil. Isto também é insegurança alimentar


    Vicente alcançou-me na descida do ônibus quando eu ia em direção à estação do Metrô. ---- Vi que você estava compenetrada na leitura, não quis atrapalhar. Qual o livro? – perguntou meu vizinho, professor aposentado que durante o regime...


    Vicente alcançou-me na descida do ônibus quando eu ia em direção à estação do Metrô. ---- Vi que você estava compenetrada na leitura, não quis atrapalhar. Qual o livro? – perguntou meu vizinho, professor aposentado que durante o regime da ditadura militar chegou a ser preso e torturado e, hoje, passa o tempo fazendo muitos exercícios, caminhando bastante, organizando a casa onde mora com a esposa. Mostrei-lhe a capa de “Valsa Brasileira – do boom ao caos econômico”, escrito pela economista Laura Carvalho, editado pela Todavia, e fiz boas recomendações porque o livro, de fato, tem sido uma importante fonte de reflexão. Vicente olhou sem muito entusiasmo, balançou a cabeça e, do alto de suas sete décadas (e alguma coisa a mais) de vida, vaticinou: --- Pode ser bom. Mas, vou lhe dizer: se a autora não der uma resposta à grande pergunta da nossa sociedade atual, não vai me acrescentar nada. Eu tinha pressa, assim como Vicente. Por isso, nossa conversa precisava ser curta. Deixei um silêncio no ar, à espera do que seria a “grande pergunta” dele. ---- Como é que vamos conseguir alimentar mais de 7 bilhões de pessoas sem estragar tudo? Como é que o planeta vai conseguir fornecer produtos para tanta gente? ---- A meu ver, a pergunta não é esta, Vicente. Alimentos há. O que falta é consciência na hora de distribuí-los e dinheiro para comprá-los porque estão cada vez mais caros. Falei, já me despedindo, deixando em Vicente um ar de dúvida que me fez bem. Adoro quando, de uma conversa, surgem questões, não verdades. É sinal de que o pensamento ganhou espaço, não foi jogado fora como um dogma qualquer. Sinal de que há espaço para criar a partir daí. Talvez não tenha sido coincidência, talvez Vicente tenha trazido o tema porque já tivesse tido acesso à notícia veiculada hoje na sede da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma, quando foi divulgado o mais recente relatório sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo. Nele, a notícia que causa mais desconforto é a que dá conta de que hoje ainda existem 821 milhões de pessoas no mundo que passam os dias sem ingerir nenhum tipo de alimento. Este número tem crescido nos últimos três anos, segundo a exposição do brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO e ex-ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome entre 2003 e 2004. A boa notícia - se é que se pode chamar assim – do relatório, para os brasileiros, é de que a fome, por aqui, tem estagnado nos 2,5% da população, algo próximo a 5 milhões de pessoas. Mas a notícia ainda pior é que existem 33 milhões de pessoas que estão obesas. No mundo, este número é de 672 milhões, o que significa 1 em cada 8 adultos. Pode parecer, mas não é paradoxal. Pode parecer, mas a obesidade não é melhor do que a subnutrição, e também é caso de insegurança alimentar. Trata-se de uma doença, e causa tanto mal quanto a outra. Por uma estranha e sórdida coincidência, o programa Fome Zero, lançado em 2003 pelo governo Lula, tirou 36 milhões de pessoas da fome. Um número bem parecido com o que hoje agiganta a preocupação daqueles que entendem a nutrição equilibrada como uma das marcas da saúde. Estamos longe dela, como se vê pelo relatório. Em entrevista para a Rádio ONU, a especialista em nutrição das Nações Unidas Ana Kepple, apontou as causas que podem levar à obesidade, fenômeno tão crescente no Brasil. Segundo ela, e isso não é difícil de se constatar, os alimentos mais nutritivos, os mais frescos, são mais caros, o que os torna de difícil acesso aos pobres. “Uma alimentação saudável tem que ter produtos frescos, integrais, e muitos desses são mais caros. Sem dinheiro, as pessoas acabam optando pelos processados, que têm mais gordura, açúcar, maior densidade calórica. Outra explicação para a associação entre a insegurança alimentar e obesidade é que a vulnerabilidade promove ansiedade, estresse, o que também pode levar ao aumento do consumo desse tipo de alimento com maior densidade calórica e pode levar a padrões de alimentação também desordenados, por exemplo, de exagerar no consumo quando tiver acesso aos alimentos. Tem outro fenômeno menos conhecido, mas igualmente importante: quando a grávida está desnutrida ocorrem adaptações fisiológicas que deixam a criança com mais risco de obesidade quando adultos. Além disso, a criança que nasce com baixo peso, se consegue sobreviver, terá mais risco de sofrer de obesidade quando adulta”, explicou Ana Kepple. Há uma semana, durante o lançamento do Atlas do Agronegócio pelas fundações Rosa Luxemburgo e Heinrich Boll, este tema, da maior dificuldade de acesso aos bons alimentos, foi debatido pelos convidados ao lançamento do Atlas. As causas da obesidade estão, segundo este estudo, diretamente ligadas ao excesso de uma alimentação oferecida pelas grandes empresas de alimentos como algo saudável, mais saudável do que os frescos, o que não é verdade. Há uma conscientização maior da sociedade sobre o que deve ser uma alimentação mais saudável, mas erroneamente se confunde com os lights, diets, zero e free que vêm embalados em saquinhos. “A conscientização sobre os impactos do sistema agroindustrial na alimentação vem criando um novo nicho de mercado onde os alimentos orgânicos e naturais vêm sendo transformados em produtos gourmet”, diz o relatório. Além de tais produtos gourmet serem mais caros, tornando-os menos possíveis para quem está na base da pirâmide social, eles também mascaram o que pode ser, de fato, mais saudável: alimentos frescos. Há um interessante documentário que também destrincha muito bem o assunto, chamado “Muito Além do Peso”, da Maria Farinha Filmes, lançado há cinco anos mas atualíssimo. Em “Muito Além do Peso” há uma cena inesquecível para mim: uma criança que mora na Amazônia, ou seja, cercada de bens naturais, sofre de obesidade, com todos os males e sequelas recorrentes. A questão, ali, como explica a mãe, é que o menino só quer comer salgadinhos e doces comprados na mercearia. É um caso extremo, mas que pode muito bem ilustrar o problema. Voltando ao caso da desnutrição, os motivos apontados pelo novo relatório da ONU não são muito diferentes dos estudos feitos em outros anos. Os eventos extremos causados pelas mudanças climáticas – seca e tempestades – são um dos grandes fatores que pesam muito para diminuir o acesso aos alimentos. Além disso, conflitos internos, sobretudo nos países africanos e na Ásia, e a desaceleração econômica, que causa pobreza, desigualdade e fome. Um dado, especialmente, pela sua carga de dramaticidade, chama a atenção no estudo da ONU: em Angola, 24% da população não tem acesso a alimentos. Mas, ainda assim, há o que comemorar, já que este número era muito pior há dez anos: caiu pela metade. O sinal vermelho está aceso, no entanto, porque, segundo Ana Kepple há um acentuado aumento nos últimos dois, três anos. Não dá para dormir em paz com esta informação. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Notícias sobre a relação às vezes muito perigosa entre homem e natureza

    Notícias sobre a relação às vezes muito perigosa entre homem e natureza


    Seria um exagero dizer que o mundo todo se levantou ontem (9) para marchar contra os abusos cometidos contra a natureza. Estava programado, sim, um barulhaço, a Marcha Mundial do Clima. No site da organização que pensou o evento, há fotos de...


    Seria um exagero dizer que o mundo todo se levantou ontem (9) para marchar contra os abusos cometidos contra a natureza. Estava programado, sim, um barulhaço, a Marcha Mundial do Clima. No site da organização que pensou o evento, há fotos de pessoas em várias capitais europeias, nas Filipinas, em Nova York. Foram 95 países em sete continentes, com 900 ações para chamar atenção. A mensagem dos organizadores é otimista: “Juntos, eles (os manifestantes) mostraram ao mundo como é a verdadeira liderança climática. As pessoas em todos os lugares estão se afastando da era dos combustíveis fósseis e é hora de os políticos seguirem. Não há tempo a perder”. Corri os sites de notícias sobre o meio ambiente e, em vez de boas, trago motivos para reflexão sobre o velho imbróglio entre métodos de produção e a natureza, onde o meio ambiente continua sendo agredido. Como uma espécie de resposta, estão chegando ao Oceano Altântico mais dois furacões, Florence e Helene, que certamente causarão destruição. Vejam alguns exemplos do “business as usual” que precisa entrar na agenda de políticos para ser modificado, repensado. Foram citados no site de notícias sobre meio ambiente Mongabay. - No Sul do Chile, mais de 600 mil salmões estão agora soltos, no mar aberto, depois que uma tempestade atingiu as gaiolas onde os peixes são criados, alimentados, para depois servirem de alimento aos humanos. O problema disso é que o salmão é um peixe carnívoro e não faz parte daquele ecossistema. Uma vez no mar, ele vai tentar se alimentar e isto vai causar um impacto tremendo nos peixes nativos e nos ecossistemas da Patagônia, que são particularmente vulneráveis, com muitas espécies endêmicas frágeis. Grande parte da indústria do salmão do país está localizada nesta região sul. - Em dezembro de 2016, China e Hong Kong, dois dos principais mercados de marfim do mundo, anunciaram seu compromisso de fechar todo o comércio doméstico de marfim. A China implementou uma proibição total no final de 2017, tornando ilegal vender ou processar marfim no país. Hong Kong anunciou que eliminaria completamente o comércio doméstico de marfim até 2021, dando aos comerciantes um período de carência de cinco anos para vender o restante do marfim. O que está acontecendo é que, em vez de livrar os elefantes da barbárie cometida contra eles – morrem para ceder uma parte pequena do corpo para enfeitar os humanos – todos estão comprando em Hong Kong. - Dados recentes mostram que os países tropicais perderam 158 mil quilômetros quadrados (39 milhões de acres) de cobertura florestal em 2017. Este número é o segundo maior desde que este conjunto dedados começou a ser apurado, em 2001. E significa uma área do tamanho de Bangladesh. - O Brasil foi o país que mais perdeu cobertura florestal entre todos os países tropicais, uma reversão das reduções de desmatamento que vinham ocorrendo nos últimos 14 anos. A perda de cobertura florestal também aumentou dramaticamente na República Democrática do Congo e na Colômbia. O desmatamento na Amazônia brasileira continua a se elevar, relata o Imazon, ONG que acompanha de maneira independente os desdobramentos na maior floresta tropical da Terra. Segundo os dados recentemente publicados, 778 quilômetros quadrados de floresta foram desmatados em julho, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. Mas as descobertas do Imazon contrastam com dados oficiais da agência nacional de pesquisa espacial do Brasil, o INPE, que mostra uma linha de tendência comparativamente plana. Por outro lado, algumas lutas que a sociedade civil vem travando contra as barbaridades cometidas por grandes corporações contra o meio ambiente estão progredindo. A empresa de mineração Banks Group, por exemplo, está enfrentando resistência de respeito com seu projeto em Pont Valley, no Reino Unido. Os moradores do local afirmam que a vida selvagem estará letalmente comprometida caso comecem a perfurar a região. Um juiz já decidiu a favor de transformar a região numa espécie de Unidade de Conservação. “É uma oportunidade única para estabelecer um precedente legal e fazer com que o nosso governo aja de forma responsável quando há tanto em jogo pela vida selvagem e pelo clima”, diz June Davison, moradora e ativista, no site que criou para atualizar as pessoas sobre os passos da campanha. Do poder público também não se consegue muitos avanços no sentido de preservar o ambiente em que se vive. Enquanto a Califórnia queima num incêndio florestal – mais um – de imensas proporções, o que faz o secretário do Interior dos Estados Unidos? Culpa os ambientalistas! Sim, disse que ficam exagerando nessa convocação para fazer manejo florestal, o que acaba juntando madeira demais, algo assim. "A América é melhor do que permitir que esses grupos radicais controlem o diálogo sobre a mudança climática", disse Zinke à KCRA, uma estação de TV no norte da Califórnia, no domingo. “Ambientalistas extremos fecharam o acesso público. Eles falam sobre o habitat e, no entanto, estão dispostos a queimá-lo ”. Zinke não falou sozinho, é claro. Há um mês, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump revelou, num tweet, os incêndios foram “agravados pelas más leis ambientais que não permitem que quantidades massivas de água prontamente disponível sejam adequadamente utilizadas”. A alegação, referindo-se a disputas de décadas sobre os direitos à água na Califórnia, foi mal recebida pela população, até porque os bombeiros não estão lutando contra a escassez de água. A Casa Branca ainda tem que oferecer uma resposta ou explicação. De fato, fica mais difícil empreender ações em respeito ao meio ambiente quando o país mais rico do mundo se nega a acreditar que as mudanças do clima poderiam ser revertidas, pelo menos amenizadas, com um consumo mais consciente. Por isso mesmo. é cada vez mais necessário. Daqui a dois meses, no início de dezembro, vai acontecer a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), informalmente chamada de COP24. Será na Polônia. É uma mega reunião, anual, com todos os países membros, prática adotada na Rio92, com o objetivo de: “evitar a interferência humana perigosa no sistema climático”. Quando foi pensada, lá atrás, os congressistas no Rio podem ter achado que este objetivo seria alcançado sem problemas. Não foi assim, não está sendo assim. Mas muita coisa já foi alcançada, e é importante que se continue a batalha. Amélia Gonzalez Arte/G1
    Como é a 'serpente gigante' que cientistas querem usar para limpar os oceanos

    Como é a 'serpente gigante' que cientistas querem usar para limpar os oceanos


    Patrocinado pelo governo da Holanda e por investidores privados, estrutura consiste em sistema em forma de cobra gigante com tubos e redes para coletar lixo; analistas temem que projeto possa prejudicar a vida marinha. Objetivo do 'projeto serpente'...


    Patrocinado pelo governo da Holanda e por investidores privados, estrutura consiste em sistema em forma de cobra gigante com tubos e redes para coletar lixo; analistas temem que projeto possa prejudicar a vida marinha. Objetivo do 'projeto serpente' é coletar lixo da chamada 'ilha de lixo' do Oceano Pacífico | Crédito: The Ocean Cleanup The Ocean Clean Up/BBC Quando o adolescente holandês Boyan Slat entrou no mar na Grécia há sete anos, ficou surpreso ao ver mais plástico do que peixe na água. Ficou tão incomodado com a poluição que começou a fazer campanha pela limpeza dos oceanos. Durante muito tempo, poucas pessoas o levaram a sério. Era apenas um universitário com uma ideia na cabeça. Uma ideia que, à primeira vista, parecia estapafúrdia. Mas, neste sábado, com o respaldo de grandes investidores e um ambicioso trabalho de engenharia, Slat conseguiu lançar um enorme sistema de coleta de plástico que se assemelha a uma serpente. O dispositivo saiu da baía de São Francisco (EUA) com destino à grande "ilha de lixo" do Pacífico - que fica localizada entre a Califórnia e o Havaí. Até agora, o foco das campanhas de coleta de plástico tem sido nas praias e consiste, basicamente, em reunir voluntários ao redor do mundo para recolher sacolas plásticas e garrafas do litoral. Mas poucas são as iniciativas de tentar limpar os oceanos por dentro. Alguns especialistas se mostram céticos com a iniciativa de Slat. E, apesar dos testes e simulações digitais, ninguém sabe ao certo se a "serpente" vai funcionar. Por um lado, alguns acham que poderia ser uma distração para o problema mais eminente: o despejo de plástico no mar. Por outro lado, há o receio de que a operação possa causar sérios danos à vida marinha. Mas Boyan Slat e sua equipe da organização sem fins lucrativos The Ocean Cleanup (A Limpeza do Oceano, em tradução livre) estão convencidos de que a enorme quantidade de plástico nos oceanos exige ação imediata. Qual é o objetivo? O objetivo da equipe de Slat é alcançar o Pacífico oriental, em especial a ilha da sujeira, onde as correntes circulares marinhas têm concentrado uma grande quantidade de plástico em uma única área. A meta é reduzir à metade a contaminação dessa área a cada cinco anos, de modo que em 2040 todo o lixo tenha desaparecido. "Temos muita pressa", disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do projeto, cuja sede fica em Rotterdam, na Holanda. O governo holandês é um dos principais patrocinadores, junto com algumas empresas e investidores endinheirados. O projeto, estimado em pelo menos US$ 20 milhões (R$ 80 milhões), já deixou de ser uma ideia de um jovem para se transformar numa iniciativa internacional. No escritório do projeto, é forte o cheiro de algas e lixo. Nas mesas e no chão, há caixas cheias de fragmentos de plástico, trazidos do mar em expedições anteriores e que representam um lembrete da tarefa que os envolvidos na empreitada têm pela frente. "Se não fizermos isso", diz Holierhoek, "todo esse plástico começará a se decompor em pedaços cada vez menores, e quanto menores as peças, mais prejudiciais serão e mais difícil será extraí-las do ambiente marinho." Holierhoek é uma engenheira que tem passado as últimas duas décadas dedicando-se a projetos distantes das costas. Não é uma ativista, mas alguém com grande experiência em trabalhar com enormes estruturas no mar. Para ela, o projeto serpente é um esforço legítimo para tentar reverter a maré de contaminação. "Mais do que falar do problema ou de protestar, trata-se de tentar resolvê-lo", afirma a engenheira. Como funciona? O principal elemento do "projeto serpente" é o sistema de coleta, que é passivo. Isso significa que não há mecanismos ou máquinas. Em vez disso, foi projetado para se mover e pegar gentilmente qualquer plástico em seu caminho. A máquina tem a forma de uma cobra gigante e é composta por seções de tubos. Mede 600 metros de comprimento e flutua em forma de "U". Por baixo, carrega uma tela de três metros. O objetivo é que o sistema de coleta capture plásticos até formar uma massa densa. O peixe deve poder nadar debaixo dele e, como o aparelho tem superfícies lisas, a esperança é que nenhuma espécie sofra danos. O sistema leva câmeras a bordo, cuja função é monitorar a operação. Aproximadamente a cada seis semanas, um navio viajará até a "serpente" para coletar todo o plástico coletado e levá-lo ao continente, onde será reciclado. Todo material recuperado deve ser transformado em produtos a serem comercializados com o selo de "feitos a partir de plástico marinho". Eles serão vendidos a um preço mais alto. "Temos muita pressa", disse Lonneke Holierhoek, diretora de operações do 'projeto serpente' The Ocean Clean Up/ BBC Quais são os potenciais problemas? Alguns especialistas ouvidos pela BBC News temem que a vida marinha sofra danos. Qualquer coisa que seja lançada ao mar se cobre de algas rapidamente, atraindo plânctons que, por sua vez, atraem peixes pequenos e, em seguida, peixes maiores. É por isso que, por exemplo, frotas de pesca industrial instalam "dispositivos de agregação de peixes" para fazer o papel de engodo. Mas Lonneke Holierhoek tem uma resposta a essas questões. Ela Afirma que um estudo ambiental independente descobriu que esse impacto pode ser minimizado, por exemplo, gerando um ruído pouco antes de o plástico ser coletado, a fim de afugentar o peixe. Mas Sue Kinsey, da Sociedade de Conservação Marinha, é uma das que não está convencida de que o projeto serpente vai ajudar a resolver o problema da poluição sem causar danos. Ela diz admirar a paixão e força de vontade dos envolvidos com o projeto, mas o vê com ressalvas. "O principal problema são as criaturas que flutuam passivamente no oceano e não conseguem sair do caminho: uma vez que estão nesse campo, elas ficarão presas sem poderem se mover", diz. Ela também garante que, em termos de custo, é mais eficaz limpar as praias e se concentrar em evitar que mais plásticos cheguem aos oceanos. O professor Richard Lampitt, do Centro Nacional de Oceanografia do Reino Unido, também elogia o projeto, mas reconhece que grande parte do plástico que vai parar no mar afunda relativamente rápido, de modo que o esforço não faria uma grande diferença. Lampitt também destaca os efeitos ao meio ambiente para a construção e execução do projeto serpente, que prevê a construção de 60 dispositivos de coleta e o transporte dos barcos em sua ida e volta, tudo para recuperar aproximadamente 8 mil toneladas de plástico por ano. "A relação de custo benefício não é nada vantajosa", diz o professor. No entanto, um dos pesquisadores do projeto, Laurent Lebreton, diz que o esforço vale a pena. Ele argumenta que os resíduos humanos têm um impacto negativo no mundo natural. Lebreton mostra como um pequeno pedaço de coral branco cresceu em torno das fibras de uma velha rede de pesca e como na borda irregular de uma garrafa de plástico há marcas inconfundíveis de dentes deixados pela mordida de um peixe. "Os peixes engolem esse plástico e esses mesmos peixes acabam em nosso prato mais tarde, o plástico se tornou parte da cadeia alimentar", diz Lebreton. "Há uma solução: primeiro você precisa ter certeza de que o plástico não entra no ambiente natural, e então você tem que coletar tudo o que acumulamos desde a década de 1950", acrescenta. O sistema de coleta levará três semanas para chegar à ilha de lixo, localizada a cerca de 2 mil quilômetros da costa da Califórnia. Ainda neste ano, deverão estar disponíveis os primeiros resultados de como está funcionando o primeiro projeto serpente, que pretende limpar os oceanos por dentro.
    Florence chegará como furacão 'perigoso' aos EUA

    Florence chegará como furacão 'perigoso' aos EUA


    Tempestade tropical deve se intensificar entre domingo (9) e segunda-feira (10). Imagem divulgada pela NASA no domingo (9) mostra tempestade tropical Florence (acima) e Helene no Oceano Atlântico. HO / NOAA/RAMMB / AFP A tempestade tropical Florence...


    Tempestade tropical deve se intensificar entre domingo (9) e segunda-feira (10). Imagem divulgada pela NASA no domingo (9) mostra tempestade tropical Florence (acima) e Helene no Oceano Atlântico. HO / NOAA/RAMMB / AFP A tempestade tropical Florence se converterá em um furacão "potente e perigoso" entre domingo e segunda-feira, enquanto se dirige para a costa sudeste dos Estados Unidos - informou o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês), que lançou um alerta de vigilância. As pessoas "ao longo da costa leste dos Estados Unidos, especialmente do norte da Flórida até a Carolina do Norte, deverão acompanhar de perto a progressão do Florence, assegurar-se de que têm um plano sobre o furacão e seguir os conselhos das autoridades locais", disse o NHC. Espera-se que Florence se transforme em furacão ao longo do domingo e que sofra uma "rápida intensificação", até se tornar "potente e perigoso" na segunda-feira. De acordo com o último boletim do NHC, divulgado às 6h (horário de Brasília) de hoje, Florence deve tocar o território americano na quinta-feira (13). "Devido à incerteza de seus movimentos e intensidade, é cedo para determinar o momento exato, a localização e a magnitude", com que impactará o continente, ressaltou o NHC. O governador da Carolina do Norte, Roy Cooper, declarou situação de emergência na sexta-feira (7) para iniciar as operações necessárias para enfrentar o fenômeno. A Carolina do Sul seguiu o mesmo caminho no sábado (8). A Marinha americana ordenou que todos seus navios abandonem a área de Hampton Roads, diante da passagem do furacão, hoje com ventos constantes de 110 km/h e rajadas ainda mais intensas. Um aumento no nível das ondas afeta as Bermudas, e isso continuará até a semana que vem, advertiu o NHC. "As ondas vão crescer e resultarão em fortes correntes ameaçadoras para a vida", indicou.
    Marcha Mundial do Clima e Conferência vão aquecer o ativismo ambiental nos próximos dias

    Marcha Mundial do Clima e Conferência vão aquecer o ativismo ambiental nos próximos dias


    O ativismo ambiental terá um fim de semana rico, e a semana seguinte seguirá dando oportunidade para que se expanda um pouco mais a briga por mais respeito aos bens que a natureza nos dá de graça. É uma briga, sim, sem violência nem...


    O ativismo ambiental terá um fim de semana rico, e a semana seguinte seguirá dando oportunidade para que se expanda um pouco mais a briga por mais respeito aos bens que a natureza nos dá de graça. É uma briga, sim, sem violência nem partidarismos, e que precisa, acima de tudo, de informações verdadeiras, sem fake news, para ser travada como se deve travar uma briga consciente, em que todos os envolvidos, no fim e ao cabo, serão beneficiados. Uma briga que poderia servir para desconstruir polarizações em nome de um bem comum, a melhor qualidade de vida para todos. Centenas de manifestações deverão ocorrer em cidades e vilas ao redor do mundo, segundo o site do evento. Não há menção ao Brasil, no site da organização, na lista dos que estarão enfrentando os desmandos cometidos contra a natureza. Nosso país está, infelizmente, de tal forma mergulhado numa crise política, institucional, econômica, agravada pelo atentado contra um dos candidatos à presidência que poderá parecer até impertinente, de minha parte, lembrar que haverá pessoas reunidas em mais de 90 países para protestar contra o fracasso dos políticos em lidar com a crise ambiental global, como lembra a reportagem de hoje do jornal britânico “The Guardian”. De qualquer maneira, nada haverá para se comemorar entre os manifestantes. Pelo contrário. Há uma crescente frustração. Nick Bryer, do grupo de campanha 350.org, que está organizando o evento, disse ao repórter do Guardian: “Os políticos estão falindo. Eles ainda estão protegendo os interesses das empresas de combustíveis fósseis sobre os interesses das pessoas, apesar das crescentes evidências da devastação dessas empresas e este sistema está causando o aquecimento do planeta. ” Bryer se refere, certamente, à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, iniciativa infeliz do presidente Donald Trump, que carreou com ele o empobrecimento da militância sobre a causa ambiental. Em alguns países, a Marcha está já se encaminhando. Portugal, por exemplo, terá cerca de 40 organizações que vão sair, amanhã (8) às ruas de várias cidades para protestar contra a indústria do petróleo. As palavras de ordem exigirão uma “transição justa e rápida para as energias renováveis". Ao lado dos ambientalistas, como um forte apelo para reunir um público consistente, está o fato de o país europeu ter sido consumido por um verão escaldante, com seca e vários incêndios que trouxeram muitos problemas aos cidadãos. Mas a mobilização de cidadãos para a causa está longe de querer dizer que há uma hegemonia de opiniões em Portugal com relação aos motivos que levam às mudanças climáticas. Talvez para pegar carona nos holofotes sobre o tema que vão trazer o assunto ao centro das atenções nos próximos dias, começou hoje, na Universidade do Porto, uma conferência de negacionistas do clima que desagradou bastante à maioria que acredita nos resultados das pesquisas científicas que vêm comprovando os efeitos do CO2 no aquecimento do planeta. Ocorre que a professora de geografia da UP Maria Assunção Araújo, conivente com aqueles que não acreditam, fez um apelo para a reitoria da universidade ceder espaço para uma conferência sobre o clima, sem especificar, exatamente, o conteúdo da reunião. Foi atendida. O título da conferência – “Basic Science of a Changing Climate” (Ciência Básica sobre Mudança do Clima em tradução literal) não convidava a se descobrir que ali seriam debatidas questões que divergem das constatações científicas sobre o tema. “Nós não negamos as alterações climáticas. Lutamos é contra a falta de seriedade científica. Achamos que não há uma explicação simples nem linear para as variações", defende a professora numa entrevista ao jornal “O Público”. Seja como for, até agora parece que só umas setenta pessoas compareceram ao evento. Já no resto do mundo, aqueles que acreditam que uma mudança radical nos métodos de produção e consumo pode melhorar a qualidade de vida estão se preparando para um barulhaço no fim de semana. Segundo o site dos que estão organizando o evento, haverá manifestações na Alemanha por mais desinvestimento; grandes palestras e comícios em outras cidades europeias e mulheres que vão marchar, na Ásia, pedindo uma política pública que elimine o carvão usado como energia. E mais protestos poderão ser vistos e ouvidos nas ilhas do Pacífico, na África, na Tailândia. Abre-se, desta forma, uma série de eventos em prol do meio ambiente que já vão deixando caminho preparado para a reunião de Ação Climática Global que vai acontecer de 12 a 14 de setembro em São Francisco, na Califórnia. Para esta reunião estão sendo esperados políticos e pensadores influentes. Num artigo escrito para o site da Conferência, a Secretária Executiva das Nações Unidas, Christiana Figueres, diz que esta reunião vai mostrar a vanguarda da ação climática local e regional e “uma plataforma para novos compromissos que acelerem a transformação de baixo carbono que está em andamento”. Figueres tem um discurso otimista, diz que a previsão é de que a produção de energia renovável esteja mais barata do que os combustíveis fósseis até 2020. “Tempo é essencial. Como temos sido rudemente lembrados neste verão, não há mais espaço na atmosfera para nossa poluição por carbono. A partir de 2020, as emissões globais anuais de gases de efeito estufa precisam ser metade do que eram na década anterior. A boa notícia é que países e líderes que entendem a necessidade de velocidade estão acelerando sua ação climática e também acelerando seu crescimento. Uma nova revolução industrial está sobre nós, uma que coloca o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental em condições equitativas. Aquele que entende que a saúde e o equilíbrio ecológicos são intrínsecos ao bem-estar e prosperidade a longo prazo. Aqueles que abraçam essa mudança acabarão ganhando a corrida”, escreveu ela. Na época da Guerra Fria, uma frase soava sempre que se queria dizer que um plano daria certo se a outra parte envolvida , muitas vezes adversária, aceitasse embarcar na ideia. Lembrei-me dela e acho que pode ser uma boa conclusão para a minha reflexão num feriado tão conturbado: “Agora, só falta combinar com os russos”. Amélia Gonzalez Arte/G1
    As justificativas do Japão para liberar a caça de baleias após 30 anos de proibição

    As justificativas do Japão para liberar a caça de baleias após 30 anos de proibição


    Em reunião que acontecerá no Brasil na próxima semana, Comissão Internacional das Baleias divulgará sua decisão sobre a proposta do país de eliminar as restrições à captura do animais que não estejam ameaçados. A proibição da caça...


    Em reunião que acontecerá no Brasil na próxima semana, Comissão Internacional das Baleias divulgará sua decisão sobre a proposta do país de eliminar as restrições à captura do animais que não estejam ameaçados. A proibição da caça comercial de baleias foi estabelecida em 1986, para possibilitar que os estoques desses animais se recuperassem Reprodução / TV Bahia A caça às baleias é um dos debates sobre preservação do meio ambiente que mais geram reações emocionais. A caça comercial desses animais é proibida há mais de 30 anos, depois que algumas espécies foram praticamente levadas à extinção pela pesca predatória. Agora, porém, essa restrição pode estar prestes a cair, a pedido do Japão. Em reunião no Brasil desde o início da semana, a Comissão Internacional das Baleias (IWC, da sigla em inglês) analisa uma proposta do país para acabar parcialmente com a probição. A decisão deve sair na próxima semana, quando se encerra a 67ª reunião anual da instituição, sediada em Florianópolis, Santa Catarina. A relação do Japão com as baleias Em tese, o Japão permite hoje que se matem baleias apenas com fins científicos, mas essa é uma questão conversa. O país tem capturado entre 300 e 400 por ano, incluindo animais jovens e fêmeas grávidas, sob essa prerrogativa. Os registros da IWC mostram que esse número já chegou a passar de mil nas temporadas de 2005 e 2006. A justificativa é que, com isso, estão sendo investigandos os níveis populacionais das baleias, se elas estão ameaçadas. Críticos contra-argumentam, porém, que as pesquisas são apenas um subterfúgio para matar baleias de olho na indústria de alimentos. E, de fato, a carne dos animais mortos para pesquisas geralmente acaba sendo vendida posteriormente. Membros da IWC estabeleceram a proibição à caça em 1986, para possibilitar que as populações de baleias se recuperassem. Os países a favor da caça esperavam que a medida fosse temporária, que ficasse vigente somente até se chegar a um consenso sobre cotas sustentáveis de captura dos animais. Mas, em vez disso, a proibição se tornou quase permanente, medida que agradou os preservacionistas e decepcionou, além do Japão, países como Noruega e Islândia, que argumentam que a caça às baleias faz parte de sua cultura e deve continuar de forma sustentável. Qual é a proposta do Japão? Hideki Moronuki, o principal negociador de pescas do Japão e comissário da IWC, disse à BBC que o país quer que organização retome o objetivo que tinha originalmente - de conservar as baleias, mas também de promover seu "uso sustentável". A caça intensa às baleias no século 19 e início do século 20 deixou esses gigantes mamíferos à beira da extinção. Na década de 1960, métodos cada vez mais eficientes captura e enormes navios-fábrica tornaram evidente que a caça não poderia continuar sem controle, sob o risco de os animais desaparecerem por completo. Daí a proibição. Por ano, entre 300 e 400 baleias são mortas no Japão para pesquisas, segundo o país, para avaliar os níveis de população dos animais AFP Hoje, os estoques de baleias são cuidadosamente monitorados, e, ainda que a maioria das espécies siga ameaçada, outras - como a baleia-de-minke, que o Japão caça principalmente - não estão mais. Portanto, o Japão, que atualmente preside a IWC, está propondo um pacote de medidas, incluindo a criação de um Comitê de Pesca Sustentável e a fixação de limites de captura sustentáveis ​​"para espécies e estoques abundantes". Em um aceno aos países que se opõem à caça de baleias, as propostas também incluem facilitar o estabelecimento de novos "santuários", ou seja, áreas de preservação desses animais, onde a captura seria proibida. Mas a caça comercial às baleias não é simplesmente errada? Ativistas anti-caça estão protestando contra a proposta de retomada da prática. Nem todo mundo pensa, porém, que ela é errada. "Esses gigantes graciosos já enfrentam inúmeras ameaças em nossos oceanos degradados, como o risco de ficarem presos em redes, poluição por plástico, poluição sonora e mudanças climáticas. A última coisa de que precisam é serem colocados de volta na mira dos caçadores", diz Kitty Block, presidente da organização global de proteção aos animais Humane Society International. Há também o argumento de que as baleias são animais muito inteligentes, com estruturas sociais altamente desenvolvidas. Matá-las causaria aos grupos em que vivem medo, pânico e dor. O método antigo de caça com um arpão comum significava uma morte lenta e agonizante. Caçadores modernos tentam matar o animal instantaneamente, geralmente com um arpão explosivo, mas as entidades de preservação afirmam que, ainda assim, a morte pode ser muito demorada. Dois anos atrás, o governo australiano divulgou imagens explícitas gravadas em 2008 mostrando um navio de pesquisa japonês atirando um arpão em uma baleia que o grupo ativista Sea Shepherd disse ter demorado mais de 20 minutos para morrer. "E isso sem falar que eles estão matando famílias de animais, com os filhotes tendo de testemunhar os membros de suas famílias urrando de dor", diz Jeff Hansen, diretor da Sea Shepherd na Austrália. Aqueles favoráveis à caça dizem, por sua vez, que tais casos são exceções - acidentes que podem acontecer em qualquer abatedouro. Eles argumentam ainda que a oposição à caça sustentável espécies não ameaçadas de extinção é "profundamente hipócrita". Nessa linha de argumentação, esses grupos apontam que animais como porcos, vacas e galinhas voltados à produção de alimentos muitas vezes são criados em cativeiro e em condições que geram questionamentos, como falta de espaço e os métodos usados para abate. Mas que, ainda assim, há consumidores no mercado em busca de um bom corte de carne. Eles também defendem que matar um animal selvagem é mais ético do que criar um animal em cativeiro com o único propósito de comê-lo. Lars Walloe, ex-chefe da delegação da Noruega na IWC, disse à BBC que caçar baleias é o mesmo que matar "outros grandes mamíferos na floresta, como veados e alces". "Nós os matamos pela carne e não vemos diferença entre matar uma baleia-de-minke e um alce, desde que isso seja feito sem crueldade." Qual é o provável veredicto sobre a retomada da prática? Líderes de países anti-caça às baleias, como a Austrália, já disseram que se uniriam para rejeitar qualquer tentativa de reverter a proibição atual. O país tem sido, aliás, o maior adversário do Japão nessa questão e quer fortalecer a proteção aos animais pela IWC. A capital australiana, Camberra, levou a questão à Corte Internacional de Justiça, que em 2014 decidiu contra o Japão, afirmando que não era necessário matar baleias para estudá-las. A decisão, no entanto, se referia a um programa científico em particular - que o Japão simplesmente alterou e então retomou a caça. Autoridades japonesas disseram à BBC que esperam que a nova proposta seja considerada e adotada. "Esta questão deve ser resolvida com base na ciência e no direito internacional, mas não com emoção", afirma Hideki Moronuki. Donald R Rothwell, professor de direito internacional na Universidade Nacional da Austrália, disse à BBC que o fim da proibição pode, no final das contas, não ter muito impacto. "Se o Japão propusesse acabar com seu programa científico, uma futura cota comercial de baleias provavelmente mudaria muito pouco o número atual de baleias mortas", disse ele. Dentro do programa científico, o Japão captura em média entre 300 e 400 animais por ano, e uma cota comercial poderia limitá-los a um número parecido. Atualmente, o Japão também caça baleias em um santuário na Antártida, sob o argumento de que o lugar serve para proteger contra a caça comercial, mas que a caça científica não infringe nenhuma regra. Se, no futuro, o Japão obedecesse uma eventual cota estabelecida pela IWC para fins comerciais, estaria então sujeito às regras do santuário. E mesmo que optasse por deixar de ser membro da instituição para tentar driblar a restrição, ainda estaria sujeito a leis internacionais que obrigam os países a "cooperarem para a preservação das baleias". Em última análise, contudo, há uma boa chance de que a questão polêmica vá, gradualmente, perdendo força por si mesma. A demanda japonesa por carne de baleia há muito tem diminuído. E, como a indústria também sobrevive com subsídios estatais, em algum momento, mudanças nesse aspecto podem significar que a caça comercial seja revertida por uma aritmética absolutamente comercial.
    ONG brasileira participa de eventos nos EUA com 20 povos indígenas em combate às mudanças do clima

    ONG brasileira participa de eventos nos EUA com 20 povos indígenas em combate às mudanças do clima


    Dois eventos preparatórios para a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24) ocorrem entre os dias 10 e 14 de setembro na Califórnia. Incêndios florestais em Fraser Lake, na Columbia Britânica, no Canadá; assunto será debatido por povos...


    Dois eventos preparatórios para a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24) ocorrem entre os dias 10 e 14 de setembro na Califórnia. Incêndios florestais em Fraser Lake, na Columbia Britânica, no Canadá; assunto será debatido por povos indígenas Janelle Lapointe/via Reuters A organização não-governamental brasileira Uma Gota no Oceano estará presente em dois grandes eventos que são uma preparação para a 24ª Conferência do Clima da ONU (COP24). São eles: Governors’ Climate and Forests Task Force e Global Climate Action Summit, que ocorrem entre os dias 10 e 14 de setembro em São Francisco, na Califórnia. Estarão reunidos 45 indígenas, de 20 povos diferentes dos seguintes países: Brasil, Estados Unidos, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala, México, Indonésia, Bolívia e Guiana. De acordo com Maria Paula Fernandes, da Uma Gota no Oceano, a associação independente Guardiões da Floresta também estará no local. Ela representa povos indígenas da América Latina e da Indonésia, incluindo a Articulação Brasileira dos Povos Indígenas (Apib). Maria Paula contou ao G1 que pela primeira vez um povo indígena dos Estados Unidos estará presente: os Yurok. Eles devem falar sobre o combate aos incêndios florestais e a retirada de barragens dos rios. A ONG brasileira deverá ajudar na elaboração de estratégias de divulgação sobre as ideias e projetos elaborados junto aos povos indígenas. "Do Brasil, Maria Judite Guajajara discorre sobre a experiência do povo Guajajara do Maranhão no trabalho de prevenção a incêndios, que frequentemente atingem a Terra Indígena Arariboia, na Amazônia maranhense", disse. Nesses eventos em São Francisco, as pautas irão girar em torno dos novos compromissos para negociar com os líderes mundiais na prevenção do aquecimento global. São cinco áreas principais a serem debatidas: Sistemas de Energia Saudáveis, Crescimento Econômico Inclusivo, Comunidades Sustentáveis, Manejo Terrestre e Oceânico e Investimentos Climáticos Transformadores. "A importância da participação do Brasil nesses encontros é fundamental, pois o país abriga 60% da maior floresta tropical do mundo, que é fundamental para a regulação do clima e dos regimes de chuva em boa parte do planeta, e as terras Indígenas são suas áreas mais preservadas", disse Maria Paula. A COP24 Neste ano, a COP24 está marcada para o início de dezembro e deverá encerrar a negociação sobre os critérios de implementação do Acordo de Paris, firmado em 2015. Em estudo publicado em outubro de 2017, a ONU avalia que as metas estabelecidas representam apenas um terço do que é necessário para combater as mudanças climáticas. Por isso, há uma expectativa de que elas sejam revistas, com uma maior ambição dos países do Acordo em preservar o meio ambiente. Metas do Acordo de Paris representam um terço do que é necessário para combater mudanças climáticas, diz ONU Segundo Maria Paula, a principal preocupação do Brasil deverá ser com a redução do desmatamento. Desmatamento na Amazônia aumentou 40% nos últimos 12 meses, diz instituto Reprodução/JN "O Brasil hoje está na contramão da agenda de clima, com desmatamento em alta, meio ambiente virando moeda de troca entre o governo e a bancada ruralista e subsídios bilionários ao petróleo. Caberá ao novo governo demonstrar que vai recolocar o Brasil de volta no caminho da responsabilidade climática", disse. Segundo ela, também é importante um maior investimento em fontes de energia limpas e renováveis. "Hoje, por exemplo, se sabe que hidrelétricas construídas em florestas são altamente poluentes, pois seus reservatórios emitem metano, gás causador do efeito estufa ainda mais potente do que o CO2".
    Pesquisadora brasileira tenta decifrar mistério de quatis que usam sabonete

    Pesquisadora brasileira tenta decifrar mistério de quatis que usam sabonete


    Animais da Ilha do Campeche, em Santa Catarina, esfregam produtos de higiene na genitália e cauda, acredita a bióloga Aline Gasco, para aliviar irritação e coceira causadas por parasitas. Segundo pesquisadora, quatis usam sabão para aliviar...


    Animais da Ilha do Campeche, em Santa Catarina, esfregam produtos de higiene na genitália e cauda, acredita a bióloga Aline Gasco, para aliviar irritação e coceira causadas por parasitas. Segundo pesquisadora, quatis usam sabão para aliviar irritação e coceira causadas por ectoparasitas Aline Gasco Em uma das vezes em que saiu a campo para aprofundar sua pesquisa, Aline Gasco, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), se deparou com algo relativamente comum na Ciência: procurava uma coisa e achou outra. Aquecimento global vai estimular crescimento de insetos e pragas, diz estudo Sua intenção inicial era estudar a difícil fase para as fêmeas de quatis em que elas se separam do bando para ter seus filhotes em ninhos nas árvores. Acabou encontrando, no entanto, um grupo desses animais que usava produtos de higiene humana, como sabonetes, sabões e até detergentes e desengordurantes. Com a ajuda de outros especialistas, a pesquisadora chegou à hipótese de que eles utilizem esses produtos para limpeza e automedicação contra ectoparasitas - aqueles que se instalam fora do corpo do hospedeiro, como, por exemplo, piolhos, pulgas, carrapatos ou até bactérias e fungos. A descoberta ocorreu na Ilha do Campeche, no município de Florianópolis, a cerca de 1,6 km ao leste da praia do Campeche, na Ilha de Santa Catarina. Ela foi parar lá depois de ter trabalhado entre 2011 e 2014 no Parque Ecológico do Tietê, na zona leste de São Paulo, onde estudava os hábitos de nidificação, o processo de construção dos ninhos, e os comportamentos por trás do sistema de saída e retorno da fêmea de quati do seu grupo social matriarcal. O que explica o uso de sabão? A orientadora de Gasco, Patrícia Ferreira Monticelli, conta que sua aluna, "uma ótima etóloga" - especialista que estuda o comportamento social e individual dos animais em seu habitat natural -, percebeu que os quatis da ilha do Campeche tinham muito interesse pelos produtos sanitários humanos. "Depois de observá-los, ela me perguntou se esse hábito poderia ser caracterizado como cultura", conta. "Fomos então atrás de outros pesquisadores, que pudessem nos ajudar a fazer uma coleta de dados cuidadosa." Nessa busca, falaram com a professora Briseida Dogo de Resende, do Instituto de Psicologia da USP (IP-USP), que estuda a etologia a partir de primatas e sob a abordagem da psicologia evolucionista do comportamento. "Além disso, esbarramos mais tarde, quando a coleta já havia sido feita, como o pesquisador Andrés Manuel Pérez-Acosta, da Universidad del Rosario, da Colômbia, que acabou sendo nosso colaborador direto", diz Monticelli. A ilha do Campeche possui a maior concentração de oficinas líticas (locais usados por povos pré-históricos para fabricar artefatos) e gravuras rupestres do litoral brasileiro e, por isso, é um sítio arqueológico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que administra o local em cooperação com a Associação Couto de Magalhães (Acompeche). Portanto, trata-se de um local com estrutura turística e constante visitação. "Os produtos utilizados pelos animais são levados para a ilha para limpeza e manutenção dos espaços e estruturas usados pelos turistas e visitantes", explica Gasco. Os quatis esfregam esses produtos pelo corpo, em um ato chamado tecnicamente pelos pesquisadores de unção. "Ele é realizado entre o grupo em sessões que duram de alguns segundos até cinco minutos", revela a pesquisadora. "Normalmente, usam as patas, boca, nariz e os dentes para aplicá-los na região genital e na cauda. É nessas áreas úmidas e quentes do corpo que normalmente se desenvolvem bactérias e fungos." Automedicação entre quatis Para os pesquisadores, o comportamento da espécie observado na ilha do Campeche pode ser uma nova variação da cultura da automedicação em animais e uma novidade dentre os carnívoros, para aliviar irritação e coceira causadas por ectoparasitas. Além disso, o estudo detectou que os quatis do local usam a automedicação há mais de uma década, que se transformou em uma aprendizagem social transmitida por gerações. "A plasticidade comportamental e motivação em explorar novas situações é característica deles", diz Gasco. Pesquisas anteriores já haviam descoberto que os quatis sulamericanos costumam esfregar em seus corpos artrópodes, como o piolho-de-cobra, e secreções de plantas que, acreditam os biólogos, servem para repelir mosquitos e carrapatos. "O que estamos investigando agora são as causas da unção com produtos não-naturais", diz a bióloga. "Até o momento, supomos que esse comportamento possa ter surgido pela interferência humana, pois eles estão em constante contato com os moradores da ilha, que apresentaram indiretamente os produtos de higiene a eles." Mais detalhadamente, Aline diz que a origem do ato esfregar produtos humanos pelo corpo deve ser resultado de uma soma de fatores internos e externos aos animais, que inclui a capacidade exploratória deles, o comportamento de catação, a plasticidade comportamental para viver em ambientes com a presença humana e a possível ausência na ilha de plantas com propriedades analgésicas ou atividade contra ectoparasitas. "Na verdade, acreditamos que o efeito do uso do sabão tenha se disseminado entre os membros do grupo pela observação curiosa deles, como também pelo contato social durante a alo-catação (mordiscar ou coçar um ao outro)", conta. Esse comportamento consiste nos animais realizarem uma limpeza em si próprios e também nos demais membros do grupo. "Mas não é só isso", explica Aline. "Os laços sociais são fortalecidos durante esses momentos de interação social. Nesse contexto, o compartilhamento da espuma entre os indivíduos do mesmo grupo contribuiu para a unção espalhar-se e ser aceita nessa população da ilha." Intoxicação por produtos de limpeza O uso de produtos humanos pelo quatis não traz apenas benefícios para eles, no entanto. Se eles utilizassem apenas sabonetes para espumarem-se, o uso tópico talvez tivesse os mesmos riscos que oferecem aos seres humanos. Quanto aos demais materiais, esses provavelmente causariam intoxicação nos animais. Além disso, é possível que o uso tópico com frequência de produtos químicos abrasivos irrite a pele dos quatis. "Embora os níveis de toxicidade devam variar entre o contato com a espuma, ingestão e a imersão no líquido, qualquer utilização teria margem de segurança duvidosa", alerta Gasco. "O correto seria proteger os animais da exposição a esses produtos." Apesar de inusitado, o comportamento dos quatis da ilha do Campeche parece não são um fato isolado. Depois que o artigo sobre o trabalho da pesquisadora foi publicado, ela começou a receber relatos de pesquisadores brasileiros sobre diversos outros materiais de origem antrópica que eram esfregados pelos animais em seus corpos, tais como luvas de látex, por exemplo. Seja como for, Monticelli, orientadora de Aline Gasco, diz que a população de quatis da ilha - que não é nativa de lá, tendo sido introduzida na década de 1950 - oferece uma oportunidade rara para se estudar a cultura da automedicação em animais. "Quanto aos produtos deixados pelos turistas, antes de serem vistos como problema, é preciso melhorar a gestão dos resíduos orgânicos na ilha e o acabar com hábito dos visitantes de alimentar os quatis", recomenda.

    Dinamarquesa Ørsted inaugura maior parque eólico marinho do mundo


    Localizado perto da ilha britânica de Walney, o parque Walney Extension tem 145 km² de extensão, com 87 turbinas eólicas capazes de produzir 659 MW e abastecer 600 mil casas. A companhia dinamarquesa de energia Ørsted anunciou nesta quinta-feira (6)...

    Localizado perto da ilha britânica de Walney, o parque Walney Extension tem 145 km² de extensão, com 87 turbinas eólicas capazes de produzir 659 MW e abastecer 600 mil casas. A companhia dinamarquesa de energia Ørsted anunciou nesta quinta-feira (6) a inauguração do maior parque eólico marinho do mundo, que fica no mar da Irlanda. Localizado perto da ilha britânica de Walney, o parque Walney Extension tem 145 km² de extensão, com 87 turbinas eólicas capazes de produzir 659 MW e abastecer 600 mil casas, informou o grupo em comunicado. No seu perfil no Twitter, a empresa divulgou um vídeo mostrando o parque eólico marinho: Initial plugin text Além de sua grande superfície, o parque "representa um passo importante na visão da Ørsted de um mundo que funciona inteiramente graças às energias verdes", disse Matthew Wright, chefe da subsidiária britânica. Walney Extension é o 11º parque eólico offshore que a empresa possui no Reino Unido. Em mais de dez anos, Ørsted (antiga Dong Energy) abandonou progressivamente o carvão e o petróleo, que era sua principal atividade, para favorecer as energias renováveis. Desde 2006, o grupo reduziu suas emissões de CO2 em 52% e, em maio de 2017, vendeu suas atividades de produção de petróleo e gás para a empresa suíça Ineos. Em junho, a Ørsted também anunciou sua intenção de vender suas atividades de distribuição de eletricidade na Dinamarca para se concentrar no mercado internacional de energia renovável. O parque Walney Extension é propriedade da Ørsted (50%) e dos fundos de pensão dinamarqueses PKA (25%) e PFA (25%).
    Em lançamento de Atlas do Agronegócio, debate foi sobre caminho mais democrático dos alimentos

    Em lançamento de Atlas do Agronegócio, debate foi sobre caminho mais democrático dos alimentos


    Amanhã pela manhã, quando você, caro leitor, abrir seu mamão para comer, antes de jogar fora as sementes, faça o seguinte: guarde-as num vidrinho. Mais tarde, quando tiver um tempo, espalhe-as sobre um pirex, leve ao forno baixo, deixe por...


    Amanhã pela manhã, quando você, caro leitor, abrir seu mamão para comer, antes de jogar fora as sementes, faça o seguinte: guarde-as num vidrinho. Mais tarde, quando tiver um tempo, espalhe-as sobre um pirex, leve ao forno baixo, deixe por alguns minutos. Elas vão tostar e se transformarão em pimenta do reino, para temperar qualquer prato que seja seu preferido. Mas, caso você tenha preferência pelo melão, há outra sugestão. Em vez de jogar as cascas fora e comer só aquela parte molinha e docinha, junte-as e guarde-as na geladeira. À hora do almoço, prepare um refogado com alho, cebola, azeite, deite lá as cascas do melão e veja como, rapidamente, elas vão virar um prato gostoso, o melão se parece com chuchu. Se quiser sofisticar, quem sabe... ponha ali uns camarões? Quem acompanha os programas de Bela Gil na televisão, já deve ter reconhecido que as dicas acima são da apresentadora e chef de cozinha, hoje militante ativa da causa que defende uma agricultura mais inclusiva, menos tóxica e, ao mesmo tempo, nutritiva. Ela esteve à mesa de debates ontem à noite, no lançamento do Atlas do Agronegócio, produção conjunta entre Fundação Heinrich Boll e da Fundação Rosa Luxemburgo, para a qual foram convidados também Gregório Duvivier, o representante da Articulação Nacional de Agroecologia Denis Monteiro e a coordenadora da Fundação Heinrich Böll Maureen Santos. Foi um gol de placa terem convidado Bela Gil, e eu não estou falando só pelo fato de ela ser uma boa comunicadora que, como Duvivier, dá leveza aos debates. Falo também porque Bela Gil traz, em sua vivência, a resposta para muitas questões sobre o acesso aos alimentos e sobre a concentração do mercado de produção e distribuição deles nas mãos de um número cada vez menor de corporações. Já está mais do que na hora de fazer este tipo de informação ser alcançada por um número cada vez maior de pessoas, porque é um debate necessário. Neste sentido, o Atlas que foi lançado e pode ser acessado gratuitamente nos sites das duas fundações, cumpre um papel importante. Embora tenha sido convidada, não pude comparecer ao evento do lançamento presencialmente, mas consegui acompanhar grande parte pelo computador, assistindo ao vídeo. Foi uma forma interessante também, porque li os comentários de quem estava online no momento, o que amplia a reflexão e nos tira do – até certo ponto cômodo – lugar de quem fala para iniciados. Enquanto Bela Gil falava, alguém que estava acompanhando o evento lançou uma questão que, tenho certeza, é de muitos: “Afinal, estão aí falando sobre comidas orgânicas e sobre veganismo, quando o mundo tem ainda milhões de pessoas passando fome”. Por coincidência, naquele mesmo momento a chef de cozinha explicava como é possível democratizar os alimentos, aproveitá-los por inteiro – “Se você compra um melão por R$ 10 e não faz da casca um refogado, está jogando R$ 5 no lixo”, diz Bella Gil – e, desta forma, ampliar o acesso. Não há falta de alimentos, mas sim uma distribuição extremamente equivocada. Ainda não tive tempo de ler o Atlas inteiro – ele foi apresentado também no ano passado, na Alemanha - mas já posso dar aqui alguns highlights sobre a pesquisa feita pelos autores. Há um interessante resumo sobre a história do sistema industrial agrícola no mundo, onde é possível identificar um dos pontos-chave da questão. Fomos nós mesmos, uma civilização já cansada e triste, depois de ter passado por uma guerra mundial que nos tirou muito, que nos deixamos vencer pelo conforto, comodidade e aparentemente inócua vantagem dos produtos fast food, dos lanches rápidos, das bebidas “nutritivas” que vinham embaladas a vácuo. “O crescimento econômico pós-guerra e o aumento da renda levaram a uma mudança nas dietas. As opções de alimentos expandiram-se. De acordo com a Lei de Engel, à medida que a renda aumenta, a proporção de renda gasta em alimentos cai. As empresas responderam a essa potencial perda de faturamento lançando produtos novos e mais caros e intensificando o seu marketing. As mercearias foram substituídas pelos supermercados, e os imensos revendedores exerceram sua influência tanto no início da cadeia agroalimentar – nos produtores e processadores – como no final – nos consumidores. As preocupações com a saúde e o bem-estar físico criaram demandas por produtos frescos, como vegetais, frutas e peixes, que passaram a ser estruturados sob o controle direto dos varejistas. Na década de 1980, as transnacionais agrícolas foram crescentemente se transformando em global players, com interesses no mundo inteiro”. E foi com o objetivo de atender as necessidades das novas classes médias que o setor alimentício cresceu, enxergando aí uma excelente oportunidade de enriquecer. A família não se encontrava mais na cozinha, conversando enquanto a comida estava sendo preparada no fogão. O ponto de encontro foi para a sala, e o centro da atração passou a ser a televisão. Com isso, ampliaram-se, sem dúvida, as opções de lazer. E foi-se deixando a cargo de corporações gigantes que aumentaram seu poder gradativamente, a função de buscar, processar e nos oferecer alimentos, tornando imenso o caminho entre o produtor agrícola e a nossa mesa. O debate de ontem, que está disponível também nos sites das duas fundações, foi bem rico porque ofereceu alternativas a este processo. Em vez de só identificar o problema, soluções foram apresentadas para quem, democraticamente, pensa em trilhar um caminho mais curto entre a terra e o prato de comida. Denis Monteiro trouxe em números a realidade da expansão do agronegócio: nos anos 70 havia 5 milhões de hectares de soja plantados, e hoje são 34 milhões. Um projeto de desenvolvimento, segundo ele, que “está nas mãos de um setor que não paga ou paga menos impostos do que os produtores pequenos”. Mas é possível, ainda seguindo a reflexão de Monteiro, apostar em outro tipo de desenvolvimento, um que incentive os outros diversos tipos de alimentos, que estimule outras riquezas. Neste sentido, de novo Bela Gil trouxe informação para aliar discurso à prática: “Quando se fala em alimentos verde escuro, por exemplo, a maioria vai citar a couve. Mas há muitos outros, como ora pro nobis, a rúcula, taioba...” Ou seja, a população também precisa ampliar suas escolhas para que a produção não fique concentrada. Sem falar que, para uma plantação diversificada, não se precisa usar agrotóxicos. Quando o tema tocou a questão dos herbicidas ou defensivos agrícolas (como querem os que apostam nesta solução para acabar com pragas) alguém da plateia lembrou que no dia anterior (3), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na figura do desembargador Kássio Nunes, derrubou a liminar que suspendia o uso de produtos à base das substâncias glifosato, tiram e abamectina. Só para lembrar, a Monsanto nos Estados Unidos acaba de ser condenada a pagar mais de R$ 1 bilhão a um jardineiro que diz ter contraído câncer por ter trabalhado muitos anos aplicando glifosato em plantas. Assim mesmo, o desembargador entendeu que “nada justifica a suspensão dos registros dos produtos que contenham como ingredientes ativos abamectina e glifosato”. Isso demonstra que há, de fato, uma guerra de opiniões onde aqueles que defendem o desenvolvimentismo sem muitos embargos causados por questões ecológicas ou agroecológicas estão no poder. O bom é saber, como muito bem ensina Bela Gil e os agroecologistas, que as pessoas que entendem de outra forma e querem se preservar, têm a seu dispor vários caminhos para escolher. E vou dizer de novo: o importante é que a informação seja democratizada, para que todos possam exercer o sagrado direito de optar. Neste sentido, valeu a pergunta para Maureen Santos, sobre a possibilidade de este Atlas chegar aos bancos escolares. “É este o desejo dos autores”, respondeu ela. Vou ler mais atentamente o Atlas e volto a falar sobre ele aqui neste espaço. Amélia Gonzalez Arte/G1