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    Professor é afastado de escola estadual no Centro de SP suspeito de assediar aluna de 11 anos

    Professor é afastado de escola estadual no Centro de SP suspeito de assediar aluna de 11 anos


    Menina acusa professor de educação física de assediá-la sexualmente. Pasta da Educação e da Segurança informam que caso está sendo investigado pela polícia. Escola Estadual Professora Marina Cintra, ao lado da Rua da Consolação, no Centro...


    Menina acusa professor de educação física de assediá-la sexualmente. Pasta da Educação e da Segurança informam que caso está sendo investigado pela polícia. Escola Estadual Professora Marina Cintra, ao lado da Rua da Consolação, no Centro de São Paulo Reprodução/Google Maps Um professor de educação física de 41 anos foi afastado do trabalho e é investigado pela polícia por suspeita de assediar sexualmente uma aluna de 11 anos durante as aulas em um tradicional colégio público no Centro de São Paulo. O caso, ocorrido na Escola Estadual Professora Marina Cintra, ao lado da Rua da Consolação, foi revelado nesta terça-feira (25) pelo jornal Agora. Segundo a reportagem, a vítima relatou aos pais, e posteriormente ao colégio e à Polícia Civil, que o professor perguntou sua idade, se perderia a virgindade com ele e se lhe mandaria nudes (fotos nua). O G1 procurou as assessorias de imprensa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e da Secretaria da Segurança Pública (SSP) que divulgaram notas sobre a denúncia (leia a íntegra abaixo). Também está sendo apurada a possibilidade de que mais crianças tenham sido assediadas pelo educador físico. O Agora menciona que ao menos 16 alunas relataram que foram vítimas do professor. De acordo com a Secretaria da Educação, “após receber as graves denúncias de pais e alunos”, a “Diretoria Regional Centro afastou imediatamente o professor temporário” para que o caso seja apurado. Se as acusações forem comprovadas, o educador será desligado e demitido. Segundo a pasta da Segurança, o caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (DP), na Consolação, que registrou a ocorrência contra a menina de 11 anos como “aliciar, assediar, instigar ou constranger”, com base no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). O nome do professor não foi divulgado pelas pastas. O G1 não conseguiu localizar o educador para comentar o assunto. Veja abaixo a íntegra das notas das pastas da Educação e da Segurança: Secretaria da Educação do Estado de São Paulo "Após receber as graves denúncias de pais e alunos da EE Professora Marina Cintra, a Diretoria Regional Centro afastou imediatamente o professor temporário, que não voltará à unidade. A Secretaria de Estado da Educação repudia toda conduta deste tipo, considerando o caso inadmissível. Segundo a legislação, o docente tem três dias para apresentar sua defesa durante o processo de averiguação aberto na Diretoria Regional, a partir das denúncias recebidas. Testemunhas e vítimas também serão ouvidas. Caso comprovadas as denúncias, o contrato de trabalho do professor será extinto e ele demitido. A Diretoria de Ensino já comunicou o Ministério Público, o Conselho Tutelar e a Polícia Civil, para que o caso seja investigado e, se comprovado, tomadas as medidas cabíveis nas esferas civis e criminais. A Diretoria Regional já está averiguando as denúncias na EE Professor Fidelino de Figueiredo, na Vila Buarque." Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo "A Polícia Civil investiga o caso por meio de inquérito instaurado pelo 4º DP (Consolação). A vítima, de 11 anos, foi ouvida junto com o seu responsável legal. O caso foi registrado como “aliciar, assediar, instigar ou constranger”, com base no ECA (Estatuto da Criança e Adolescente). O suspeito, a diretora da escola e demais testemunhas foram convocados a prestar depoimento. Diligências estão em andamento em busca do esclarecimento do caso."
    Unicamp promove evento 'Maker' sobre desenvolvimento de projetos e 'fabricação de coisas'

    Unicamp promove evento 'Maker' sobre desenvolvimento de projetos e 'fabricação de coisas'


    Primeira edição do evento tem programação gratuita com palestras e oficinas sobre o tema até sexta-feira (28). Vista aérea do campus de Campinas (SP) da Unicamp, onde acontecem as oficinas e palestras da '1ª Semana Maker' nesta...


    Primeira edição do evento tem programação gratuita com palestras e oficinas sobre o tema até sexta-feira (28). Vista aérea do campus de Campinas (SP) da Unicamp, onde acontecem as oficinas e palestras da '1ª Semana Maker' nesta semana. Antoninho Perri/Ascom Unicamp/Divulgação Alunos da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) promovem a "1ª Semana Maker", que traz programação gratuita com palestras e oficinas sobre o tema até esta sexta-feira (28). O evento tem o intuito de incentivar os participantes a se envolverem na fabricação de coisas por eles mesmos, através do conceito de 'do-it-yourself'. O evento é organizado pela incubadora Ao Cubo, criada por dois alunos da faculdade: Lucas Silveira e José Edil Macedo. Entre os temas abordados no evento, estão arquitetura e design, biohacking, bioarte e implantação de laboratórios de baixo custo. Embora as atrações sejam gratuitas, os interessados devem confirmar presença no site oficial do evento. Confira a programação completa do evento Terça-feira (25/09) 14h: Oficina - Impressora 3D com a PrintAlot (Sala KE, na FEM) 17h30: Palestra - "A Importância do Movimento Maker no Design" (Sala JE2, na FEM) Quarta-feira (26/09) 15h: Palestra - "Aprender Fazendo: Cultura Maker no contexto da Educação" (Salão Nobre da Faculdade de Educação - FE) Quinta-feira (27/09) 18h: Palestra - "Como Entrar no Movimento Maker + BioHacking (Instituto de Biologia - IB) Sexta-feira (28/09) 14h: Palestra - "Do-it-yourself bio: Ciência Open Source e Cidadã" (Auditório da Biblioteca Central Cesar Lattes) Em caso de dúvidas e sugestões, é possível entrar em contato com a organização do evento por meio do e-mail [email protected], ou na página do evento no Facebook. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    PUC-Campinas amplia prazo para inscrições no vestibular 2019

    PUC-Campinas amplia prazo para inscrições no vestibular 2019


    Cadastro deve ser realizado até 7 de outubro; universidade oferece 64 cursos de graduação. Provas do vestibular 2019 serão realizadas em outubro Álvaro Júnior/PUC-Campinas A PUC-Campinas prorrogou até 7 de outubro o prazo para inscrições no...


    Cadastro deve ser realizado até 7 de outubro; universidade oferece 64 cursos de graduação. Provas do vestibular 2019 serão realizadas em outubro Álvaro Júnior/PUC-Campinas A PUC-Campinas prorrogou até 7 de outubro o prazo para inscrições no vestibular 2019. A universidade oferece 64 cursos de graduação, incluindo licenciaturas, bacharelados e superiores de tecnologia. As provas serão em outubro e interessados devem se cadastrar no site oficial. A taxa é de R$ 305 para quem planeja cursar medicina, e R$ 114 para quem busca demais carreiras. Provas Os exames serão aplicados em dois dias. Em 19 de outubro, haverá prova específica aos candidatos dos cursos de arquitetura e urbanismo, e direito, em 1ª opção, das 14h às 18h. No dia 20 de outubro, das 9h às 13h, será realizada a prova geral para os candidatos de todos os cursos. Já no dia 9 de novembro, será aplicada a prova específica do curso de medicina aos convocados, das 14h às 18h. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    As lições para a Educação do país em que é preciso estudar até 4 anos para se trabalhar como pedreiro

    As lições para a Educação do país em que é preciso estudar até 4 anos para se trabalhar como pedreiro


    Na Suíça, cerca de dois terços dos alunos optam pelo ensino profissionalizante, que é estimulado por um sistema sólido de formação e pelos bons salários oferecidos pelo mercado - um pedreiro, por exemplo, ganha o equivalente R$ 24 mil por mês...


    Na Suíça, cerca de dois terços dos alunos optam pelo ensino profissionalizante, que é estimulado por um sistema sólido de formação e pelos bons salários oferecidos pelo mercado - um pedreiro, por exemplo, ganha o equivalente R$ 24 mil por mês no país. Trabalhadores na Suíça Flickr/Kecko Adriane Gischig foi à Suíça há 18 anos, levada pela paixão. No Brasil, ela cursava o quinto semestre da faculdade de Direito e planejava transferir os estudos para a Universidade de Basileia para ficar próxima do namorado. Os créditos já cursados, porém, não foram reconhecidos e a paulista se viu em uma encruzilhada: recomeçar a faculdade do zero ou buscar uma nova carreira. Precisando conquistar sua independência financeira logo, ela optou por fazer a chamada "formação de aprendizagem", mais curta, com três anos de duração, e entrar no mercado de trabalho. Entre aulas de alemão, tubos de ensaio e microscópios, ela se reinventou como assistente de laboratório. O treinamento vocacional exigiu que ela trabalhasse e estudasse ao mesmo tempo, sob a tutela do sistema educacional público e do empregador, uma multinacional farmacêutica. Durante a formação, recebia um salário mensal de cerca de mil francos suíços (o equivalente a R$ 4,3 mil). Ao concluir, foi efetivada com ganhos na faixa de cinco mil francos suíços (R$ 21,5 mil). "Aqui na Suíça, se você fizer um curso técnico e se empregar, você ganha muito bem em comparação com o Brasil. Não precisa ser pós-graduado ou ter mestrado para viver com conforto", diz. A casa com jardim, o carro e a possibilidade de viajar nas férias com os dois filhos são fatores de qualidade de vida que ela conquistou inicialmente com a formação de aprendizagem e depois com aperfeiçoamento. Após trabalhar como assistente de laboratório por mais de três anos, Adriane decidiu fazer um novo estudo. Com mais quatro anos e meio de dedicação, ela conseguiu se formar na Escola Superior de Administração. Ao longo desse tempo, avançou na empresa, passando a agente de compras até chegar no departamento de finanças, onde já está há seis anos. "Os suíços não têm preconceito se um profissional não tem faculdade. Isso só existe no Brasil. Não existe discriminação justamente porque aqui todo mundo vive bem, independentemente de como você se formou", diz, sem lamentar o sonho abdicado de se tornar advogada e reafirmando que não se arrepende de trocar a universidade pelo aprendizado técnico. "No Brasil, tenho vários amigos e colegas formados em Direito que não trabalham na área ou estão desempregados", pondera. Educação contínua e porta para mercado Na Suíça o sistema de formação de aprendizagem é amplamente estimulado, e cerca de dois terços dos estudantes optam por esse caminho, que se segue aos 11 anos de ensino compulsório, começando no jardim de infância, passando pela escola fundamental até a intermediária. Mais de 250 profissões estão disponíveis por meio desse sistema de aprendizado, que propicia contato desde cedo com o mercado de trabalho. O tempo de formação depende da carreira escolhida, mas o mínimo é de dois anos, podendo chegar a quatro. Pelo sistema de formação de aprendizagem são ensinadas ocupações como padeiro, açougueiro, cozinheiro, vendedor, operador de máquina, enfermeira, pintor, cabeleireiro, bombeiro e outros postos práticos. Salão de confeitaria na Suíça Flickr/Salon Suisse des Goûts et Terroirs A formação profissionalizante serve não só como porta de entrada para o mercado de trabalho, como também é base para uma educação contínua que pode se estender pela vida toda. As aulas são intercaladas com treinamento praticado em construtoras, supermercados, restaurantes, lojas, hospitais, laboratórios e fábricas. As empresas que no futuro contratarão esses profissionais dividem com os governos local e nacional a responsabilidade pela implementação do currículo que foca em habilidades práticas. Os que concluem com sucesso recebem, normalmente, uma oferta de emprego da companhia onde treinaram e um diploma com validade nacional, o que os permite ter acesso a novos cursos, avançando na especialização da área que escolheram. Se depois de formados os aprendizes quiserem mudar de profissão e seguir para um instituto superior politécnico ou ir à universidade, é possível, mas é necessário fazer um rigoroso estudo complementar de transição. Profissões valorizadas e bons salários Os empregos de base que estão acessíveis por meio de aprendizagem despertam grande interesse porque garantem uma boa renda. Na média, esses profissionais recebem por mês algo entre R$ 21.500 e R$ 25.850 (de 5 mil a 6 mil francos suíços). Um pedreiro, por exemplo, ganha por mês na Suíça, em média, 5,5 mil francos (R$ 24 mil), um marceneiro, 5,1 mil francos (R$ 22,2 mil) e um mecânico, 5,8 mil (R$ 24,9 mil). Nessas mesmas profissões, a média salarial no Brasil é de R$ 1.640 para pedreiros, R$ 1.550 para marceneiros e R$ 1.530 para mecânicos de automóveis. O curso básico de aprendizagem de formação para pedreiro, marceneiro e mecânico dura dois anos na Suíça. É possível também estudar por três a quatro anos e receber uma qualificação avançada nessas profissões, o que garante um salário ainda maior. O fato de os estudantes já estarem inseridos ativamente na economia faz com que a taxa de desemprego entre a população jovem da Suíça seja de apenas 4%. Além disso, a evasão escolar é baixa, pois mais de 90% dos inscritos conseguem concluir com sucesso o programa. Universidade para poucos? Stefan Wolter, professor de economia na universidade de Berna dedicado ao tema da Educação, alerta que o excesso de pessoas com formação superior leva não apenas ao desemprego, mas também deprecia o salário dos que estão ativos no mercado. Wolter desaconselha jovens com perfil acadêmico fraco a buscarem obter um diploma universitário a qualquer custo, recorrendo a universidades pagas e sem credibilidade. "Nos Estados Unidos há pesquisas que mostraram que essas faculdades que só querem lucrar causam um impacto negativo. Lá, na média para cada ano a mais que você estuda, você ganha entre 8% e 10% a mais de salário. Mas se você for para uma universidade sem prestígio, o impacto será negativo mesmo assim. Você acabará acumulando dívidas do financiamento educacional", alerta. O especialista destaca que a realidade da Suíça é bem diferente da do Brasil, em que há muito poucas alternativas à universidade para o jovem que quer continuar a estudar, em busca de aprimoramento e melhores salários. "No Brasil, a alternativa que se tem a ir à universidade é zero. Você não recebe nenhuma educação decente se não for à universidade", diz. O economista argumenta que os brasileiros menos qualificados, que muitas vezes acumulam anos de déficit de aprendizagem ao longo da educação básica, acabam se formando com notas sofríveis em instituições ruins e não conseguem se posicionar na sua profissão em um mercado de trabalho já saturado e muito competitivo. Para esses, teria sido melhor fazer um treinamento vocacional. "É um desperdício de capital humano", lamenta Wolter. Adultos qualificados Na Suíça, cursam um aprendizagem profissionalizante cerca de 220 mil pessoas, a maior parte delas (205 mil) em currículos de três ou quatro anos. Segundo a OCDE (Organização para o Desenvolvimento e Cooperação Econômica), a Suíça é um dos países com maior número de adultos qualificados por meio de prática profissionalizante na Europa. A força de trabalho do país (adultos de 25 a 65 anos) está dividida desta maneira: 12,6% só concluíram o ensino fundamental, 46,2% tem formação profissionalizante secundária e 41,2% têm formação avançada terciária, que inclui o ensino superior. A diretora do departamento de estatística da UNESCO, a agência da ONU que lida com o tema da Educação, explica que o grande desafio no mundo hoje é, antes de mais nada, garantir competências de base para que a educação secundária vocacional seja uma consequência natural. Segundo ela, há uma crise global no ensino primário. "No mundo todo, 6 de cada 10 alunos não são capazes de demonstrar o mínimo de conhecimentos em leitura e matemática. São 617 milhões de crianças iletradas. Imagine três vezes a população do Brasil sendo incapaz de ler e de demonstrar conhecimentos de matemática", alerta. "Esse desperdício de capital humano nos diz que colocar as crianças em sala de aula é apenas metade da luta. Agora o desafio é garantir que toda criança em sala de aula esteja aprendendo as habilidades mínimas necessárias para leitura e matemática." Pelos números da UNICEF, no caso do Brasil, há 1,5 milhão de crianças e jovens fora das escolas. São 772 mil na educação primária e 740 mil na educação secundária. É para esse segundo grupo, os adolescentes em formação secundária, que o modelo suíço serviria. Jovens sem estudo no Brasil Segundo dados do IBGE em 2017, havia cerca de 25,1 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade que não alcançaram o ensino superior completo e não estavam nem estudando, nem se qualificando - os chamados "nem-nem". Desse grupo, a maioria era homens (52,5%) e negros (64,2%). Os motivos mais frequentemente alegados para estarem longe dos estudos eram porque trabalhavam, procuravam trabalho ou conseguiram trabalho e começariam em breve (39,7%); não tinham interesse em estudar (20,1%); e tinham que cuidar dos afazeres domésticos ou de pessoas (11,9%). O professor Wolter acredita que esses jovens deveriam melhorar suas capacidades sem abrir mão do trabalho, mas há uma "falta de coordenação" entre o mercado e as instituições de estudo. "É um problema 'ovo-galinha'", que impede que o Brasil acumule mão de obra de base com excelência. Há uma falta de empresas com disponibilidade para investir e que poderiam sustentar um programa de treinamento qualificado ambicioso como o modelo suíço, diagnostica Wolter. Ele recomenda que o governo atraia investidores da iniciativa privada internacional para tentar estimular uma transformação. No Brasil, o sistema de parceria entre empresas e governo existe dentro do programa Pronatec (Programa Nacional para o Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) e dos cursos FIC (Formação Inicial Continuada). Para se formar em um curso de formação continuada, o aluno brasileiro precisa atender apenas 350 horas de aulas, e no curso técnico, 800 horas. Na Suíça, o mínimo é de dois anos de estudo. Qualidade e acesso a todos Se no Brasil existe a preocupação em evitar que o acesso ao ensino superior fique restrito à elite, na Suíça isso não é um problema. Lá, a qualidade da educação básica é boa e rigorosa para ricos e pobres, que estudam nas mesmas escolas públicas, explicam os especialistas. E é durante os anos do ensino básico, com base nas notas da 3ª a 6ª série, que ocorre a seleção entre os que irão à universidade. O sistema de avaliação premia não só os alunos brillhantes, mas também os muito disciplinados. Além disso, o ensino técnico não é o fim dos estudos. Quem se forma em educação técnica pode mais tarde fazer um curso que leva de um a dois anos, chamado de "passarela", para o ensino superior. Muitos optam por não fazer, no entanto, porque já têm um bom retorno financeiro com a profissão técnica. "Justamente porque o treinamento vocacional na Suíça é tão bom, não há uma grande discrepância salarial frente aos que possuem diplomas universitários. É uma alternativa viável, porque a qualidade do ensino é praticamente quase tão boa quanto de uma faculdade", diz. A brasileira Adriane concorda: "é uma formação que me deu muito pra vida toda. Eu aprendi demais". Preparando profissionais do futuro? Por outro lado, se o Brasil estimular excessivamente os cursos de aprendizado, poderia vir a sofrer um "apagão" de universitários? O advogado e político argentino Gustavo Beliz, que estuda o fenômeno da Quarta Revolução Industrial, diz que é indispensável seguir investindo em profissões de nível universitário. "A inteligência artificial permitirá a criação de muitos empregos que ainda não existem, como especialistas em agricultura vertical, antropologistas do cyberespaço, auditores da economia compartilhada. Temos que preparar as próximas gerações para esse novo mercado de trabalho." Mas, segundo ele, as mudanças tecnológicas recentes geraram uma tendência que é justamente a intensificação dos extremos, com ausência de capacitação em nível intermediário. "As mudanças no mercado de trabalho deram origem aos fenômenos de esvaziamento e polarização, um processo através do qual o número de empregos de alta e baixa qualificação cresce com o tempo, enquanto o emprego de média qualificação diminui devido aos diferentes impactos das mudanças tecnológicas", explica. "Isso aponta para duas necessidades: primeiro, o sistema educacional precisa dar aos jovens as ferramentas necessárias para entrar em um mercado de trabalho cada vez mais sofisticado. Segundo, ele precisa funcionar como um nivelador social, para evitar que a desigualdade e a fragmentação social se tornem ainda mais intensas." Beliz ressalta que os trabalhadores do futuro terão de focar principalmente nas "habilidades interpessoais" para não perder o emprego para as máquinas, investindo em habilidades como a "inteligência emocional, a empatia e a criatividade". Justamente as profissões menos valorizadas no Brasil poderiam ganhar destaque no futuro da Quarta Revolução Industrial. "A América Latina precisa começar a apostar no fator humano, no talento. Paixão, comprometimento, sacrifício, trabalho em equipe e criatividade. Essas são as áreas que superamos as máquinas", afirma. "Precisamos preparar as novas gerações para esse novo mercado de trabalho que poderá demandar tanto treinamento vocacional, quanto acadêmico, porque nós precisamos de ambos", conclui.
    Unicamp 2019: 45% dos autodeclarados pretos e pardos negam cotas no vestibular

    Unicamp 2019: 45% dos autodeclarados pretos e pardos negam cotas no vestibular


    Entre 76,3 mil inscritos no exame, 16,6 mil são autodeclarados pretos e pardos, diz universidade. Opção de cotas foi feita por 9,1 mil e coordenador cita 'novidade' e perfil como fatores do índice. Mensagem colocada em campus da Unicamp, à época...


    Entre 76,3 mil inscritos no exame, 16,6 mil são autodeclarados pretos e pardos, diz universidade. Opção de cotas foi feita por 9,1 mil e coordenador cita 'novidade' e perfil como fatores do índice. Mensagem colocada em campus da Unicamp, à época em que proposta foi discutida Sofia Bonuccelli A opção pelas cotas no vestibular 2019 da Unicamp foi deixada de lado por 45% dos estudantes inscritos autodeclarados pretos e pardos, segundo a comissão organizadora (Comvest). O total representa 9,1 mil entre os 16,6 mil candidatos deste grupo, e 12% do total de 76,3 mil candidatos que buscam uma vaga na universidade. Este é o primeiro ano em que a instituição aplica esta e novas modalidades de ingresso que visam elevar a inclusão social nos cursos de graduação. O coordenador executivo da comissão, José Alves de Freitas Neto, admite que o índice ficou abaixo do esperado pela universidade porque a projeção inicial era de que 80% dos autodeclarados optassem pelo sistema, o que resultaria em 13,3 mil beneficiados. Para ele, duas hipóteses podem ser consideradas, incluindo as eventuais dificuldades para conhecimento dos candidatos sobre o novo modelo disponível e a diferença dele para os aplicados por outras instituições públicas. "Na maioria das federais e USP ele não permite que o candidato transite pela ampla concorrência, aqui não é assim. Muitos talvez não tenham tido conhecimento sobre o sistema da Unicamp, então a expectativa é de aumento no próximo ano", explica Alves. Novo modelo de vestibular reduz inscritos, mas dispara concorrência Com isso, caso o candidato não consiga se classificar no grupo de 25% das vagas reservadas - 15% pelo vestibular e 10% pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) - ele segue na lista geral do processo seletivo e pode ser beneficiado, caso tenha indicado no momento da inscrição, pelo Programa de Ação Afirmativa e Inclusiva (Paais). O Paais concede 40 pontos à nota final de cada fase do exame para quem cursou todo o ensino médio na rede pública, e 20 pontos para os que fizeram todo o ensino fundamental II em unidades públicas, informou a Unicamp. A outra possibilidade, destaca o professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), está relacionada ao perfil dos candidatos que optaram por rejeitar uso das cotas no processo seletivo. "É um dado que merece ser trabalhado e conversado com os candidatos. A maior parte dos que não optaram vem de alta renda, estudou em escola privada e tem perfil sociocultural mais elevado. Neste grupo, pode ser que não queiram ser identificados como cotistas", afirma Alves. A Unicamp oferece 3,3 mil vagas em 69 cursos, nos campi de Campinas, Piracicaba e Limeira. Mais concorridos Os cinco cursos mais procurados nesta edição reúnem 36,2 mil candidatos, dos quais 8,2 mil são autodeclaros pretos e pardos (22,6%). Deste total, 4,4 mil (12,1%) optaram pelas cotas no vestibular: Medicina (integral) Inscritos: 29.038 Candidato/vaga: 330 Autodeclarados: 6.697 (23,1%) Cotas: 3.563 (12,3%) Arquitetura e urbanismo (noturno) Inscritos: 2.458 Candidato/vaga: 102,4 Autodeclarados: 549 (22,3%) Cotas: 303 (12,3%) Ciências biológicas (integral) Inscritos: 2.025 Candidato/vaga: 57,9 Autodeclarados: 362 (17,9%) Cotas: 195 (9,6%) Comunicação social-Midialogia (integral) Inscritos: 1.201 Candidato/vaga: 54,6 Autodeclarados: 237 (19,7%) Cotas: 141 (11,7%) Ciência da computação (noturno) Inscritos: 1.562 Candidato/vaga: 39,1 Autodeclarados: 376 (24,1%) Cotas: 213 (13,6%) Formato mantido Os modelos das provas no vestibular 2019 serão iguais ao da edição anterior. Veja cronograma: A primeira fase será realizada em 18 de novembro. Ela será composta por 90 questões de múltipla escolha nas disciplinas de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa, matemática, história, geografia (inclui filosofia e sociologia), física, química, biologia, inglês, além de interdisciplinares. O tempo será de até cinco horas, informou a Comvest. As provas da segunda fase serão em janeiro e cada uma terá duração máxima de quatro horas: 13/01 - Redação e prova de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa 14/01 - Matemática, geografia e história 15/01 - Física, ciências biológicas e prova de química De acordo com a Comvest, as avaliações de habilidades específicas serão entre 21 e 25 de janeiro, com exceção aos cursos de música: neste caso, elas são divididas em duas etapas - a primeira, de 10 a 17 de setembro deste ano; e a segunda entre os dias 14 e 15 de outubro. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    Unicamp 2019: Novo modelo de vestibular reduz inscritos, mas dispara concorrência

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    Relação candidato x vaga em medicina salta de 278,9 para 330. Este ano será o primeiro em que haverá divisão de aprovados: 80% no processo tradicional e 20% pelo Enem. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A...


    Relação candidato x vaga em medicina salta de 278,9 para 330. Este ano será o primeiro em que haverá divisão de aprovados: 80% no processo tradicional e 20% pelo Enem. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A concorrência por um lugar na Unicamp "disparou" no Vestibular 2019, primeiro em que há divisão de 80% das cadeiras para o processo seletivo e 20% no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). São 76.312 inscritos na disputa por 2.589 vagas em 69 cursos. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (21). O número de inscritos é 8,9% menor que o ano anterior, quando houve recorde de 83,7 mil candidatos. A mudança no sistema de seleção, no entanto, tornou a disputa mais acirrada, sendo que 645 das 3.340 vagas da Universidade Estadual de Campinas estarão disponíveis pelo Enem. Com a novidade, os candidatos vão perceber maior concorrência nos principais cursos. Em medicina, por exemplo, passou de 278,9 vestibulandos por vaga para 330, uma alta de 18,27%. Na média, a relação passou de 25,1 no ano passado para 29,5 este ano. A tabela completa pode ser conferida na página da Comissão Permanente para o Vestibular da Unicamp (Comvest). Veja os cursos mais concorridos Unicamp 2019: Relação candidato x vaga Maior disputa é benéfica Coordenador executivo da Comvest, José Alves de Freitas Neto vê a maior disputa como benéfica para a instituição. "Todas as vezes que temos um processo mais competitivo, em tese, temos resultados melhores para a universidade". Sobre a redução de inscritos, Neto atribui os números a dois fatores: mudança no sistema de seleção e persistência da crise econômica. "Em outras universidades que aderiram ao Sisu [Sistema de Seleção Unificada], houve uma certa retração [nos inscritos]. Os candidatos tentam entender um pouco mais o sistema, como se acomodam esses dados", analisa. Para o coordenador, no entanto, o número de inscritos ficou acima da expectativa, que era de 73 mil candidatos. "Surpreendente foi o crescimento muito alto do ano passado." Provas Os locais de prova da 1ª fase serão divulgados no dia 26 de outubro pela comissão de vestibulares. Curitiba (PR) e Salvador (BA) terão aplicação do exame a partir deste ano, e a Unicamp avalia como "bastante positivo" o número de inscritos nestas capitais. Foram 1.065 em Curitiba e 1.119 na cidade baiana. As demais capitais com provas são Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Fortaleza (CE) e São Paulo (SP). No estado de São Paulo o vestibular será aplicado em Araçatuba, Bauru, Botucatu, Bragança Paulista, Campinas, Franca, Guaratinguetá, Guarulhos, Indaiatuba, Jundiaí, Limeira, Marília, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Osasco, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba, Sumaré e Valinhos. Em relação ao Enem, as inscrições para o edital ocorrerão de 15 de outubro a 14 de novembro, e poderão ser feitas pelo site da Comvest. A opção também pode ser uma porta de entrada por quem vai prestar o vestibular pelo processo tradicional e fez a prova do Enem. A taxa de inscrição para esse público será de R$ 15. Já os que vão tentar a Unicamp somente via Enem deverão pagar R$ 30. Candidatos ao vestibular da Unicamp 2018 fazem a prova em Campinas Priscilla Geremias/G1 Inclusão social Os percentuais de inclusão entre os candidatos inscritos para o Vestibular 2019 ficaram próximos dos números do ano passado. Oriundos da rede pública passaram de 30,7% para 30,9%. Autodeclarados pretos e pardos eram 22,4% e este ano são 21,8%. Os vestibulandos que optaram pelas cotas são 12%. É o primeiro ano que a Unicamp oferece a opção de cotas para pretos e pardos. Calendário do Vestibular 2019 da Unicamp Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    Alunos do Cotuca fazem ato contra bilhete preconceituoso deixado para professor

    Alunos do Cotuca fazem ato contra bilhete preconceituoso deixado para professor


    Estudantes fizeram cartazes com palavras de ordem após registro de ação racista e homofóbica em colégio de Campinas (SP). Professor do Colégio Técnico da Unicamp recebe bilhete com ofensas racistas e homofóbicas Alunos do Colégio Técnico de...


    Estudantes fizeram cartazes com palavras de ordem após registro de ação racista e homofóbica em colégio de Campinas (SP). Professor do Colégio Técnico da Unicamp recebe bilhete com ofensas racistas e homofóbicas Alunos do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Unicamp, realizaram um ato pacífico na tarde desta quinta-feira (20) em favor do professor que foi ofendido com um bilhete anônimo contendo mensagens racistas e homofóbicas. Entre os pedidos, eles reivindicam medidas educativas sobre a situação. Estudantes do Cotuca fazem ato contra bilhete preconceituoso deixado para professor Ana Carolina de Moraes Durante a ação, os estudantes fizeram cartazes com palavras de ordem contra atos de teor preconceituoso. "Depois da nossa reunião, alguns professores deram uma aula explicando o que é racismo e fascismo. O professor que sofreu a agressão também teve seu momento de fala", conta Ana Carolina de Moraes, aluna do Cotuca e uma das diretoras do Grêmio Estudantil. Cotuca, em Campinas (SP), registra caso de racismo e homofobia de aluno contra professor Ana Carolina de Moraes Ela conta que maior parte dos alunos está indignada com a situação. "A gente tenta sempre conscientizar e realizar a integração de todo mundo. Quando isso parte de um de nós, a gente se sente perdido, parece que tudo o que fizemos até agora foi em vão", relata a estudante. "A gente usou dessa dor para transformar em luta e mostrar que não é bem assim. A gente não vai deixar isso passar em branco", afirma Ana Carolina. De acordo com a instituição, o bilhete foi deixado no armário do docente que é acessado pelos estudantes para deixar trabalhos escolares, o escaninho, nesta quarta (19). O professor é substituto. Alunos informaram ao G1 e à EPTV, afiliada da TV Globo, que as ofensas contra ele vinham acontecendo há dias. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    MEC anuncia 'Sisu Transferência' para tentar ocupar as vagas remanescentes nas universidades federais

    MEC anuncia 'Sisu Transferência' para tentar ocupar as vagas remanescentes nas universidades federais


    Anúncio foi feito nesta quinta, na divulgação dos dados do Censo da Educação Superior de 2017; MEC diz que programa será desenhado ainda no governo Temer para implantação em 2019, mas que detalhes ainda serão definidos. Ministro da...


    Anúncio foi feito nesta quinta, na divulgação dos dados do Censo da Educação Superior de 2017; MEC diz que programa será desenhado ainda no governo Temer para implantação em 2019, mas que detalhes ainda serão definidos. Ministro da Educação, Rossieli Soares, durante a divulgação do Censo da Educação Superior 2017, nesta quinta-feira (20) em Brasília Divulgação/MEC/Mariana Leal O Ministério da Educação anunciou, nesta quinta-feira (20), a criação de um sistema informatizado para selecionar estudantes interessados em ocupar vagas remanescentes nas universidades federais. Inspirado no Sistema de Seleção Unificado (Sisu), o programa foi batizado de Sisu Transferência. Ao G1, a assessoria de imprensa do MEC afirmou que o sistema será preparado ainda neste ano e estará pronto para implementação no próximo governo, a partir do ano que vem. Mas detalhes sobre as regras de funcionamento e se ele entrará em vigor no primeiro ou no segundo semestre ainda não estão definidos. Ainda de acordo com o MEC, a Secretaria de Educação Superior (Sesu) vai consultar a equipe técnica do ministério e as instituições de ensino superior. Pelo Sisu, a adesão das universidades não é obrigatória e o sistema oferece flexibilidade para que cada instituição decida quantas vagas vai oferecer e que critérios de seleção vai aplicar, como quantidade de vagas reservadas para cotas e exigência de notas mínimas dos estudantes. Quase 3 milhões de vagas não ocupadas O anúncio foi feito durante a divulgação do Censo da Educação Superior de 2017, que registrou um total de 2,8 milhões de vagas remanescentes no ensino superior brasileiro, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Dessas, o Inep destacou que a maior parte está nas universidades privadas. Mas o total de vagas remanescentes nas universidades públicas chegou a 164 mil no ano passado. "Estas vagas ociosas representam um verdadeiro desperdício de dinheiro público, que vem sendo acumuladas há anos. Com certeza, temos muitos estudantes que sonham em estudar em uma universidade pública, mesmo tendo algum tipo de bolsa ou financiamento em instituição privada", disse o ministro da Educação, Rossieli Soares, durante entrevista a jornalistas nesta quinta. O Inep informou ainda que dois motivos respondem pelo aumento das vagas remanescentes: "a alta taxa de desistência nos cursos de graduação, principalmente em cursos de licenciatura", e o Sisu – o sistema, criado em 2009, permite que pessoas de todo o país disputem vagas nas universidades federais. Segundo o Inep, "o que por um lado promove o acesso, por outro pode estar aumentando o abandono dos cursos quando o mesmo estudante consegue uma opção que considera mais adequada". O órgão lembrou ainda que cerca de 20% dos 329 mil estudantes que ingressaram no ensino superior nas instituições federais fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) novamente depois de se matricular na carreira. Para Carlos Eduardo Moreno Sampaio, diretor de Estatísticas Educacionais do Inep, "Essa é uma evidência de que esses alunos buscam mudar de curso ou instituição, fenômeno que potencializa a desistência do curso e a criação de mais vagas remanescentes".
    Colégio da Unicamp usa câmeras para buscar autor de bilhete racista e homofóbico contra professor

    Colégio da Unicamp usa câmeras para buscar autor de bilhete racista e homofóbico contra professor


    Unicamp divulgou nota de repúdio. Bilhete com ofensas a professor substituto de português foi deixado no armário do docente onde estudantes costumam deixar trabalhos. Professor é alvo de ataque racista e homofóbico em colégio da Unicamp, em...


    Unicamp divulgou nota de repúdio. Bilhete com ofensas a professor substituto de português foi deixado no armário do docente onde estudantes costumam deixar trabalhos. Professor é alvo de ataque racista e homofóbico em colégio da Unicamp, em Campinas O Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Unicamp, informou, nesta quinta-feira (20), que vai analisar imagens de câmeras de monitoramento da escola para buscar o autor do bilhete deixado a um professor de português. A mensagem continha ofensas racistas e homofóbicas. A universidade divulgou uma nota de repúdio. De acordo com a instituição, o bilhete foi deixado no armário do docente que é acessado pelos estudantes para deixar trabalhos escolares, o escaninho, nesta quarta (19). O professor é substituto. Alunos informaram ao G1 e à EPTV, afiliada da TV Globo, que as ofensas contra ele vinham acontecendo há dias. Em nota divulgada nesta manhã, a Unicamp "condena com veemência" a mensagem e diz que "atos dessa natureza são incompatíveis e absolutamente inaceitáveis no âmbito de uma comunidade que preza pela democracia, a diversidade e a convivência respeitosa entre seus integrantes". Entrada do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Unicamp, local onde professor sofreu ofensas racistas e homofóbicas. Felipe Boldrini/EPTV A direção do Cotuca e a reitoria da universidade estão apurando o fato e vão tomar todas as providências para identificar o autor do ato, que qualificam como deplorável, para aplicar as medidas cabíveis. A Unicamp também informou que o professor vítima das ofensas vai registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil. A direção da escola técnica se manifestou sobre o caso nesta quarta, demonstrando solidariedade ao docente e que um conjunto de ações será intensificado pela Comissão Cidadã do Colégio. Veja nota de repúdio da Unicamp na íntegra "A Reitoria da Unicamp condena com veemência a mensagem com ofensas racistas e homofóbicas deixada no escaninho de um professor do Colégio Técnico da Unicamp (Cotuca) nesta quarta-feira (19). Atos dessa natureza são incompatíveis e absolutamente inaceitáveis no âmbito de uma comunidade que preza pela democracia, a diversidade e a convivência respeitosa entre seus integrantes. A Reitoria da Unicamp e a Direção do Cotuca tomarão todas as providências para apurar o fato, identificar o autor desse ato deplorável e aplicar as medidas cabíveis. Um boletim de ocorrência será registrado pelo professor vítima das ofensas. Ainda na quarta-feira (19), a Direção do Cotuca manifestou integral solidariedade ao professor, reiterando os esforços para uma convivência que respeite a pluralidade e a diversidade em todos os aspectos. Em sua manifestação, a Direção do Cotuca também esclarece que, a partir desse lamentável caso, um conjunto de ações de formação será intensificado pela Comissão Cidadã do Colégio, que conta com participação dos alunos, funcionários e professores" Secretaria de Comunicação da Unicamp Campinas, 20 de setembro de 2018 Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    Aumento das matrículas na graduação a distância é o maior desde 2008, aponta censo

    Aumento das matrículas na graduação a distância é o maior desde 2008, aponta censo


    Dados do Censo da Educação Superior 2017 divulgados nesta quinta-feira (20) mostram que, entre 2016 e 2017, o número de alunos de EAD cresceu 17,6%. Em Uberada, Viviane Marques está matriculada em curso na modalidade EAD. Viviane Marques/ Arquivo...


    Dados do Censo da Educação Superior 2017 divulgados nesta quinta-feira (20) mostram que, entre 2016 e 2017, o número de alunos de EAD cresceu 17,6%. Em Uberada, Viviane Marques está matriculada em curso na modalidade EAD. Viviane Marques/ Arquivo Pessoal Entre 2016 e 2017, o número de estudantes matriculados em graduação a distância no Brasil aumentou 17,6%. Foi o maior avanço em um ano desde 2008, segundo dados do Censo de Educação Superior 2017, divulgado na manhã desta quinta-feira (20) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Após alta de 20% nos alunos de cursos à distância, ministro quer travar uso da EAD na área da saúde MEC facilita abertura de cursos EaD e prevê uso em 'situações emergenciais' na educação básica Dados do Censo do Ensino Superior são divulgados No ano passado, o Brasil tinha 1,8 milhão de universitários estudando a distância, o que representa mais de 20% do total de graduandos. De 2007 a 2017, década analisada pelo Censo, esse número mais que quadruplicou (eram cerca de 30 mil alunos em 2007). A quantidade de estudantes novos na modalidade a distância também cresceu mais de três vezes (226%) no mesmo período. Entre os que ingressaram na graduação no ano passado, aproximadamente três a cada dez se matricularam em um curso de ensino a distância (EAD). Esse percentual aumentou 27,3% entre 2016 e 2017. A modalidade presencial, por outro lado, viu um crescimento de apenas 0,5% na quantidade de calouros. O Censo contabilizou 8.286.663 alunos de graduação no Brasil em 2017, com outros 4.248 em cursos sequenciais de formação específica — como o de recursos humanos, por exemplo. Esses duram em média dois anos e conferem ao aluno um diploma de nível superior e acesso a cursos de especialização, mas não de mestrado e doutorado. MEC e Inep divulgam Censo da Educação Superior em 2017 Pública x privada O número de alunos a distância na graduação aumentou ainda mais na rede pública: 35% de 2016 para 2017, o primeiro aumento desde 2012. Na rede privada, esse crescimento foi de 16%. Ainda na rede pública, o ensino a distância também fez aumentar o número de calouros, movimento que não acontecia desde 2014. Entre 2016 e 2017, os ingressantes nessa modalidade mais que triplicaram (de 24,5 mil para quase 87 mil). Por outro lado, em cursos presenciais, houve uma queda de 0,5% no número de alunos novos. Graças ao EaD, no ano passado, 3,2 milhões de alunos ingressaram em cursos de graduação no Brasil — 240 mil a mais do que em 2016. Dos novos estudantes, 2,6 milhões se matricularam em uma das mais de duas mil instituições privadas do país. Essa é uma tendência que vem se mantendo. De 2007 a 2017, a rede privada viu o número de ingressantes crescer 53,1%. Hoje, a cada quatro alunos de graduação, três estão em instituições de ensino superior particulares. Vagas Apesar do aumento no número de ingressantes, especialmente na modalidade a distância, muitas vagas continuam sem ser preenchidas. Das 7,9 milhões de novas vagas oferecidas em 2017, apenas 36,3% foram ocupadas. Nos cursos EAD, esse índice cai para 25%. Na modalidade presencial, a maior proporção de vagas novas preenchidas está na rede federal, com 91% de ocupação. Por outro lado, foi a rede privada que mais ofereceu vagas novas em 2017: 7,2 milhões. Contabilizando-se também as remanescentes, esse número salta para 10,8 milhões, ou seja: 92,4% das vagas em cursos de graduação no país estão nas instituições particulares. Esse tipo de instituição representa 88% das universidades do Brasil. Entre os alunos da rede pública, 63% estão em uma universidade federal. O número de estudantes neste tipo de instituição mais que dobrou entre 2007 e 2017 (aumento de 103,8%). Apesar disso, a maioria das instituiçõs públicas são estaduais (42%). Graus acadêmicos e perfil discente A maioria dos ingressantes na educação superior busca um curso de bacharelado: 60,1%. Em seguida vêm as licenciaturas (20,1%) e, depois, os cursos tecnológicos (19,1%). Apesar do menor percentual, foi nesta modalidade que houve o maior aumento no número de ingressantes entre 2016 e 2017: 16,2%. A tendência vem se repetindo ao longo da década estudada: o grau tecnológico teve o maior aumento no número de ingressantes, de 119,4%. A quantidade de alunos também mais que dobrou no mesmo período. Assim como os estudantes no geral, os alunos de licenciatura estão, em sua maioria, na rede privada: 62,1%. A maioria também é mulher: sete a cada dez, tendência que se repete na população universitária como um todo. Os alunos dos cursos presenciais são, em média, mais novos que aqueles que estudam a distância, ingressam mais cedo no ensino superior e também se formam com menos idade. Docentes Quando se trata dos professores de nível superior, mais da metade está na rede privada: 209.442, contra 171.231 na rede pública. Nesta última, 62,3% têm doutorado — índice 2,5 vezes maior do que o das IES particulares. Apesar disso, o percentual cresceu em ambas as redes. Tanto na rede pública quanto na privada, aumentou, entre 2007 e 2017, o número de docentes em tempo integral: são 85,6% e 26,2%, respectivamente. O Censo avaliou que esse crescimento confirma a tendência geral de melhoria nos vínculos trabalhistas. O percentual dos docentes com mestrado ou doutorado é maior nos cursos a distância: 88,3% contra 85,9%.
    Professor é alvo de ofensa racista e homofóbica em colégio da Unicamp, em Campinas

    Professor é alvo de ofensa racista e homofóbica em colégio da Unicamp, em Campinas


    Mensagem foi deixada no escaninho de docente do Cotuca. Direção emitiu nota de repúdio e diz que apura o caso. Um professor do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi alvo de ofensas...


    Mensagem foi deixada no escaninho de docente do Cotuca. Direção emitiu nota de repúdio e diz que apura o caso. Um professor do Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), vinculado à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), foi alvo de ofensas racistas e homofóbicas nesta quarta-feira (19). De acordo com a direção da unidade, a mensagem discriminatória foi deixada no escaninho do docente. O caso será apurado. Em nota, o Cotuca informou que presta "solidariedade ao professor e exige respeito por todos os membros da comunidade". "O Cotuca preza pela convivência plural e diversa e não tolera nenhum tipo de discriminação. O Colégio repudia a ação e irá apurar o caso, buscando identificar as pessoas responsáveis e aplicar as medidas cabíveis", diz o texto. Atividades do Cotuca foram transferidas para imóvel no Taquaral, em Campinas, em 2014 Isaias Teixeira / Ascom Unicamp Em seu comunicado, o Cotuca informa que tem promovido diversas ações voltadas ao combate aos preconceitos e à discriminação. "A partir desse lamentável caso, um conjunto de ações de formação será intensificado, a partir de planejamento a ser imediatamente realizado na Comissão Cidadã do colégio, que conta com participação dos alunos, funcionários e professores", completa o texto. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    STF garante a servidor transferido vaga em universidade pública se não existir curso privado similar

    STF garante a servidor transferido vaga em universidade pública se não existir curso privado similar


    Decisão também vale para dependentes e é preciso que transferência tenha sido imposta e não a pedido do servidor. Caso tem repercussão geral e entendimento valerá para outros processos que correm na Justiça. Ministros do STF durante sessão...


    Decisão também vale para dependentes e é preciso que transferência tenha sido imposta e não a pedido do servidor. Caso tem repercussão geral e entendimento valerá para outros processos que correm na Justiça. Ministros do STF durante sessão desta quarta-feira (19) no plenário da Corte Nelson Jr./SCO/Supremo Tribunal Federal O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (19), por 8 votos a 1, garantir que servidores públicos militares e civis transferidos de cidade tenham vaga em universidade pública quando não houver, no local de destino, curso particular similar ao que cursava. A garantia também vale, segundo a decisão, para os dependentes dos servidores. Conforme o Supremo, a transferência tem que ter sido imposta pelo poder público e não a pedido do servidor. Na avaliação da maioria, o poder público deve viabilizar o direito à educação dos servidores e dependentes em caso de transferência. "No presente caso, exigir que a transferência se dê entre instituições de ensino congêneres praticamente inviabilizaria o direito à educação não apenas dos servidores, mas de seus dependentes. Solução que, além de ir de encontro à disciplina feita pelo legislador, exclui por completo a fruição de um direito fundamental", afirmou o ministro Luiz Edson Fachin, relator do caso. O Supremo julgou um recurso da Universidade Federal de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, contra decisão do Tribunal Regional da Quarta Região (TRF-4), que garantiu a matrícula no curso de direito no caso de um servidor transferido do Rio de Janeiro. A universidade recorreu sob o argumento de que seria "indevido privilégio" aos servidores, além de ser "imoral", porque as vagas são escassas. O caso tem repercussão geral e a decisão valerá para todos os processos semelhantes que correm nas instâncias inferiores. Segundo o STF, há 74 casos parados em outros tribunais sobre o tema. O ministro Alexandre de Moraes concordou com o relator. "Se ele (servidor) for obrigatoriamente removido, tem o direito de continuar seus estudos. Nem o militar, nem seus familiares poderiam ser prejudicados pelo mesmo Estado que determina a transferência dele", frisou o ministro. Marco Aurélio Mello foi o único a ficar vencido. "Considerado o livre acesso preconizado, essa vinculação que a simples determinação de transferência conduza à matrícula do que fez vestibular para universidade privada para uma publica obstaculiza acesso de outros estudantes", afirmou.
    Mais da metade dos professores do DF foram vítimas de violência na escola, diz pesquisa

    Mais da metade dos professores do DF foram vítimas de violência na escola, diz pesquisa


    Levantamento mostra que agressão verbal é mais comum, seguida de ameaças. Secretaria de Educação cita diálogo como 'melhor caminho pra resolver problema'. Comportamento agressivo de estudantes preocupa educadores do DF Uma pesquisa feita pelo...


    Levantamento mostra que agressão verbal é mais comum, seguida de ameaças. Secretaria de Educação cita diálogo como 'melhor caminho pra resolver problema'. Comportamento agressivo de estudantes preocupa educadores do DF Uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro) revela que 58% dos educadores do DF dizem ter sido vítima de algum tipo de agressão na escola ou dentro da sala de aula. Os principais agressores são os estudantes (43%). O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (18). O relatório mostra que o tipo mais comum de violência é a verbal, citada em 43% das entrevistas. Em seguida, estão as ameaças (29%) e o bullying (11%). Ao todo, foram ouvidos 1.355 professores entre dezembro de 2017 e março deste ano. Brasil é #1 no ranking da violência contra professores "Da grande maioria dos professores que se afasta, 70% são por problemas psiquiátricos causados por questões dentro da escola, dentro do ambiente de trabalho", afirma o diretor do Sinpro-DF Samuel Fernandes. "A categoria está adoecendo." Sala de aula de uma escola pública do Distrito Federal Dênio Simões/Agência Brasília O documento mostra um índice ainda que do total de professores entrevistados, 74% responderam que já presenciaram algum tipo de violência dos alunos contra outro educador. A maioria dos casos ocorreu em escolas das regiões de Ceilândia (15,8%), Plano Piloto e Cruzeiro (16%) e Taguatinga (8,5%). Origem da violência O relatório aponta ainda que – na versão dos professores, sem separá-los por gênero – a necessidade de autoafirmação do agressor, a impunidade e a violência no ambiente familiar são as principais causas dos problemas. Já as professoras associam as causas também ao uso de entorpecentes e a presença do tráfico no local. O "estresse com o ambiente escolar" também é citado. Como resolver? Para o sindicato dos professores, a contratação de mais orientadores educacionais pode ajudar a resolver e prevenir conflitos. "Nós temos escolas no DF com dois mil alunos, e sem nenhum orientador", afirma Fernandes. "O ideal seria, pelo menos, a cada 500 alunos, 1 orientador educacional." Em resposta, o secretario de Educação do DF, Júlio Gregório Filho, disse que 40 novos orientadores educacionais foram contratados este ano, e que o diálogo, dentro da escola, "é o melhor caminho pra resolver o problema". Entrada de prédio da Secretaria de Educação do Distrito Federal Mateus Rodrigues/G1 "Não é na bala que vai se resolver, na agressão, na expulsão do aluno ou transferência do professor", afirma. "Temos a responsabilidade de mudar a postura desse estudante, porque se ele está tendo esse tipo de agressividade dentro da escola, ele a reproduzirá lá fora". "Um dos papéis que a escola tem é exatamente esse de mudança de comportamento." Sobre as ocorrências de violência,a Polícia Militar diz que faz palestras de conscientização nas escolas com maior número de registros. Mas a PM cobra a participação dos pais no processo. Casos recentes No dia 10 de setembro, um adolescente de 16 anos foi detido por agredir, xingar e ameaçar – com um canivete – o vice-diretor do colégio onde estuda. O caso aconteceu no Centro de Ensino Fundamental 507 de Samambaia, no Distrito Federal. Segundo o gestor – que preferiu não ser identificado –, o estudante tinha sido suspenso na semana anterior, após atirar um pedaço de melão em um grupo de alunas do mesmo colégio. Ele deveria ter voltado à escola com os pais para uma reunião, mas, como chegou sozinho, foi barrado. PM apreende aluno que agrediu e ameaçou com canivete vice-diretor de escola do Distrito Federal TV Globo/Reprodução Em entrevista, o vice-diretor disse que o adolescente deu um murro no ombro dele e, em seguida, sacou um canivete. O educador disse que se defendeu, e contou com a ajuda de um vigilante da escola para conter o aluno. O caso é investigado pela Polícia Civil. No boletim de ocorrência, consta que o estudante ameaçou o vice-diretor: "vou te matar, vou te dar um tiro". Funcionários rendidos Em 29 de agosto, três adolescentes, com idades entre 14 e 15 anos, foram apreendidos por suspeita de invadir um colégio em Santa Maria, no Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil, eles roubaram uma moto, celulares e documentos pessoais de dois funcionários do Centro de Ensino Fundamental 103. Uma testemunha disse à Polícia Civil que um dos adolescentes envolvidos no caso é aluno da escola assaltada. Em nota, à época, a Secretaria de Educação afirmou que "não iria se posicionar sobre dados da investigação policial". A polícia diz que o trio invadiu a escola pública e usou uma arma falsa para ameaçar o vigilante e uma auxiliar de serviços gerais. No horário, às 6h20, não havia mais ninguém no prédio. Os objetos levados foram recuperados. Centro de Ensino Fundamental 103, em Santa Maria, no DF Google/Reprodução As vítimas contaram à polícia que os suspeitos tentaram, ainda, roubar um carro – o plano foi frustrado por um segurança, que atingiu um dos jovens com um cassetete. O aluno ainda revidou o golpe, com um chute, segundo os funcionários. Ele acabou fugindo na moto roubada e os outros dois adolescentes saíram a pé. Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
    UFRJ define empresa que vai escorar a fachada do Museu Nacional

    UFRJ define empresa que vai escorar a fachada do Museu Nacional


    Obras começam imediatamente e incluem a instalação de telhado. Museu Nacional GloboNews A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) escolheu a empresa Concrejato para escorar as paredes do Museu Nacional, destruído em incêndio dia 2. No...


    Obras começam imediatamente e incluem a instalação de telhado. Museu Nacional GloboNews A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) escolheu a empresa Concrejato para escorar as paredes do Museu Nacional, destruído em incêndio dia 2. No certame realizado segunda-feira (17), a Concrejato apresentou o menor valor: R$ 8.998.057,66. O início dos trabalhos é imediato e inclui a instalação de telhado de proteção. Para a contratação dessa primeira fase de obras, serão utilizados os R$ 10 milhões anunciados pelo Ministério da Educação (MEC) após o incêndio no local. O ministério já sinalizou a liberação de mais R$ 5 milhões para a segunda fase, que tratará da redefinição de áreas internas do prédio. O Museu Nacional continua interditado pela Polícia Federal, e o acesso ao interior do palácio será liberado após o reforço de estruturas instáveis. Initial plugin text
    Como a meta de dar oportunidades iguais a ricos e pobres ajudou a Finlândia a se tornar referência em educação

    Como a meta de dar oportunidades iguais a ricos e pobres ajudou a Finlândia a se tornar referência em educação


    Os finlandeses só conheceram o asfalto na década de 1920. Até o começo do século 20, conheciam sobretudo a pobreza. Quando, em 1891, foi inaugurada no Brasil a avenida Paulista, a primeira via asfaltada da cidade de São Paulo, a hoje rica...


    Os finlandeses só conheceram o asfalto na década de 1920. Até o começo do século 20, conheciam sobretudo a pobreza. Quando, em 1891, foi inaugurada no Brasil a avenida Paulista, a primeira via asfaltada da cidade de São Paulo, a hoje rica Finlândia era uma economia substancialmente agrária, e seus primeiros 14 km de rodovia seriam inaugurados somente em 1963. Na Finlândia, alunos têm poucas provas. BBC Os finlandeses só conheceram o asfalto na década de 1920. Até o começo do século 20, conheciam sobretudo a pobreza. Quando, em 1891, foi inaugurada no Brasil a avenida Paulista, a primeira via asfaltada da cidade de São Paulo, a hoje rica Finlândia era uma economia substancialmente agrária, e seus primeiros 14 km de rodovia seriam inaugurados somente em 1963. Mas, nos anos seguintes, o país foi transformado por um conjunto de políticas educacionais e sociais - que criaram um dos mais celebrados modelos de excelência em educação pública do mundo. No Brasil, enquanto isso, reduzir a imensa desigualdade de oportunidades educacionais que existe entre as crianças que nascem em famílias pobres e as mais ricas segue sendo um dos principais desafios do país. É o conhecido milagre finlandês, iniciado na década de 70 e turbinado nos anos 90 por uma série de reformas inovadoras. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis aos de países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que a alçou ao topo dos rankings mundiais de desempenho estudantil e alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada. Em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado. AFP Trata-se, à primeira vista, de um enigma: os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares - e está dando certo. O receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula e limitar ao mínimo os deveres de casa e as provas escolares. Delegações de educadores internacionais vasculham o paradoxal modelo finlandês em busca da fórmula do milagre. E ouvem, dos finlandeses, a seguinte resposta: a educação pública de alta qualidade não é resultado apenas de políticas educacionais, eles dizem, mas também de políticas sociais. "O Estado de bem-estar social finlandês desempenha um papel crucial para o sucesso do modelo, ao garantir a todas as crianças oportunidades e condições iguais para um aprendizado gratuito e de qualidade", diz o educador Pasi Sahlberg, um dos idealizadores da reforma das políticas educativas da Finlândia nos anos 90, no livro Finnish Lessons (Lições Finlandesas, em tradução livre). A preocupação em garantir que todos os finlandeses tenham oportunidades iguais de desenvolvimento é visível nas instalações da escola Viikki, um dos centros educacionais de ensino médio e fundamental da capital finlandesa, Helsinque. Como em todas as escolas finlandesas, ali o filho do empresário e o filho do operário estudam lado a lado. Pista de skate desta escola foi construída graças à ideia sugerida pelos alunos, que ajudaram até a desenhá-la. BBC No amplo refeitório, refeições fartas e saudáveis são servidas diariamente aos estudantes. Serviços de atendimento médico e odontológico cuidam, gratuitamente, da saúde dos 940 alunos. Todo o material escolar é também gratuito. Equipes de pedagogos e psicólogos acompanham cuidadosamente o desenvolvimento de cada criança, identificando na primeira hora problemas como a dislexia de um aluno e fornecendo apoio imediato. Mensalidades escolares não existem. Pasi Sahlberg destaca ainda o impacto fundamental exercido no ensino pelo modelo de igualdade e justiça social criado gradualmente pelos finlandeses a partir do pós-guerra: saúde, educação e moradia para todos, generosas licenças-paternidade para cuidar das crianças e creches altamente subsidiadas ou até gratuitas, além de uma vasta e solidária rede universal de proteção aos cidadãos. "A desigualdade social, a pobreza infantil e ausência de serviços básicos têm um forte impacto negativo no desempenho do sistema educacional de um país", pontua Sahlberg. A transformação Até o fim dos anos 1960, apenas 10% dos finlandeses completavam o ensino secundário. As oportunidades eram limitadas, e o acesso, desigual: muitas famílias não tinham condições de pagar por instituições privadas de ensino, e as escolas públicas eram insuficientes. Um diploma universitário era considerado, na época, um troféu excepcional - apenas 7% da população tinha educação superior. Em todas as faixas de aprendizado, a Finlândia era um símbolo de atraso. Mas a História do país sempre foi marcada pela resiliência do seu povo, que só conquistou a independência em 1917 - depois de seis séculos sob o domínio do reino da Suécia e mais de cem anos como grão-ducado do Império Russo e seus cinco czares. Na década de 70, a nação foi convocada a mudar. Uma educação pública estelar passou a ser percebida como a base fundamental para a criação de um futuro menos medíocre: desenvolver o capital humano do país tornou-se a missão primordial do Estado finlandês. O princípio da igualdade e da inclusão social marcou o desenvolvimento nos anos 70 da nova peruskoulu, a educação obrigatória finlandesa, que abrange o ensino fundamental e médio. Em uma decisão histórica do Parlamento finlandês, todas as crianças, independentemente de background socioeconômico ou região de domicílio, passaram a ter acesso igualitário e gratuito a escolas de qualidade para cumprir os nove anos da educação básica. O vital passo seguinte foi uma valorização sem precedentes do professor. A Finlândia lançou programas de formação de excelência para o magistério nas universidades do país, criou notáveis condições de trabalho e ampla autonomia decisória nas escolas, pagando razoavelmente bem seus professores. E a carreira de professor tornou-se uma das preferidas entre os jovens finlandeses - à frente de profissões da Medicina, do Direito e da Arquitetura. Participação da sociedade Nos anos 90, o país anunciou uma nova revolução do ensino. Associações de professores, políticos, pais, membros da academia e diferentes setores da sociedade foram chamados a participar da criação dos novos e revolucionários paradigmas da educação no país, que rejeitavam a fórmula convencional aplicada na maior parte do mundo como receita para melhorar o desempenho escolar. "Particularmente significativo foi o papel desempenhado por variadas organizações da sociedade civil", destaca Pasi Sahlberg, que foi um dos conselheiros do Ministério da Educação finlandês nos anos 90. A transformação do sistema foi profunda - e rápida. Como resultado, já no fim da década de 90 a peruskoulu finlandesa tornou-se líder mundial em matemática, ciências e interpretação. Os primeiros resultados do PISA publicados em 2001 surpreenderam os próprios finlandeses: em todos os domínios acadêmicos, a Finlândia despontou no topo do ranking mundial. E permanece, até hoje, entre os mais destacados membros do clube. A Finlândia diz ter aprendido uma lição: políticas de educação efetivas devem estar interligadas às demais políticas sociais. "As pessoas na Finlândia têm um profundo senso de responsabilidade compartilhada e importam-se não apenas com as próprias vidas, mas também com o bem-estar dos outros", observa Sahlberg no livro Finnish Lessons. "Os cuidados com o bem-estar da criança começam antes mesmo de ela nascer e se estendem até a idade adulta. As creches públicas são um direito garantido para todas as crianças, que também têm acesso igualitário a todo tipo de serviço básico. A educação em nosso país é considerada um bem público. É, portanto, protegida, na Constituição do país, como um direito humano básico", acrescenta. Desde o fim dos anos 30, a Finlândia oferece a todas as gestantes um kit-maternidade com cerca de 50 itens básicos para o bebê - um presente destinado a proporcionar a todos um começo de vida igual, independentemente da classe social. Uso de tecnologia e de métodos alternativos (como bolas no lugar de cadeiras) é incentivado nas escolas da Finlândia. BBC Quando uma criança nasce na Finlândia, a mãe tem direito a 105 dias úteis de licença-maternidade. O pai recebe outros 54 dias úteis de licença. Além disso, os casais podem dividir entre si um período adicional de mais de cinco meses de licença parental. Isso significa que a maioria das crianças finlandesas pode ter a atenção dos pais, em casa, durante seu primeiro ano de vida. Após o período de licença-paternidade, um dos pais tem o direito de permanecer em casa com a criança, se assim preferir, e receber um subsídio de cerca de 450 euros por mês. Nesse caso, o pai ou a mãe poderão retornar ao mesmo emprego que tinham antes até a criança completar três anos de idade. Os pais têm ainda a opção de retornar ao trabalho, mas com carga horária reduzida, e obter um subsídio parcial do Estado. A maior parte dos pais e mães volta eventualmente ao trabalho - e quando decidem fazer isso, o Estado oferece uma rede de creches especializadas e altamente subsidiadas para cuidar das crianças. Educação infantil Pela lei finlandesa, todas as crianças de 0 a seis anos têm direito a um lugar na creche, seja em horário parcial ou integral. As taxas variam de acordo com a renda dos pais e da municipalidade onde a família reside. O valor máximo da mensalidade é atualmente de 290 euros (cerca de R$ 1.340). Para famílias de menor renda, as creches são gratuitas. Quando completam 6 anos de idade, todas as crianças finlandesas têm direito à educação pré-escolar – que é inteiramente gratuita. O objetivo dos centros pré-escolares é proporcionar a cada criança o aprendizado de habilidades e conhecimentos básicos, a fim de prepará-las para a vida escolar. Com o acesso gratuito às universidades e instituições de ensino técnico e profissionalizante, a educação de nível superior também passou a ser uma oportunidade igual para todos: a educação na Finlândia é livre de mensalidades para todos, do pré-escolar ao PhD. As estatísticas apontam o êxito da fórmula de aliar políticas educacionais a políticas sociais, diz Pasi Sahberg: "As sociedades igualitárias têm cidadãos com grau de instrução mais elevado, raros casos de evasão escolar, menores taxas de obesidade, melhores indicadores de saúde mental e índices mais reduzidos de ocorrência de gravidez entre adolescentes, em relação aos países nos quais a distância entre ricos e pobres é maior", enfatiza o educador finlandês. Inovar - sempre - é preciso, ensinam os finlandeses. Já nos anos 90, a reforma educacional conduzida pela Finlândia surpreendeu o mundo acadêmico com uma teoria paradoxal, que provaria ser visionária. Paradoxo 1: Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos A experiência finlandesa desafia a lógica convencional, que prescreve mais horas de aula e maior quantidade de lições de casa como fórmula para turbinar o desempenho estudantil. Os dias são mais curtos nas escolas da Finlândia: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da OCDE, organização que reúne os países mais ricos do mundo. "É importante que crianças tenham tempo de ser crianças", disse a professora Erja Schunk, na escola Viikki, situada em um campus da Universidade de Helsinque. "O mais importante é a qualidade do tempo em sala de aula, e não a quantidade". Nos Estados Unidos, um professor gasta aproximadamente o dobro do tempo ensinando na sala de aula por semana, em comparação com um professor finlandês. "Dar seis horas de aula por dia é uma tarefa árdua, que deixa os professores cansados demais para se dedicar a outras tarefas importantes no trabalho de um educador, como planejar, reciclar-se e dar assistência cuidadosa ao aluno", diz Sahlberg. Em uma típica escola finlandesa, os professores dão cerca de quatro aulas por dia. "A preocupação central da escola finlandesa não é atingir recordes de desempenho escolar, e sim ajudar a desenvolver as aptidões de uma criança a fim de formar indivíduos capazes de viver vidas felizes, dentro e fora do trabalho", acrescenta Sahlberg. Professores finlandeses também não acreditam que aumentar a carga de trabalho de casa dos estudantes leva necessariamente a um melhor aprendizado - especialmente se as lições forem entediantes exercícios que não desafiam a capacidade criativa do aluno. Pelas estatísticas da OCDE, os estudantes finlandeses gastam menos tempo fazendo trabalho de casa do que os colegas de todos os outros países: cerca de meia hora por dia. "Os alunos aprendem o que necessitam saber na sala de aula, e muitos fazem o dever de casa aqui mesmo, na própria escola. Assim, eles têm tempo para conviver com os amigos e se dedicar às coisas que gostam de fazer fora da escola, o que também é importante", disse o professor Martti Mery na escola Viikki. Na fase pré-escolar, a prioridade é desenvolver a autoconfiança das crianças: os dias na escola são preenchidos com tarefas como aprender a se orientar desacompanhadas em uma floresta, ou amarrar sozinhas seus patins de gelo. Paradoxo 2: Os alunos aprendem mais quando têm menos provas e testes Estudantes finlandeses não precisam se preocupar com provas: seu sistema educacional não acredita na eficácia de uma alta frequência de provas e testes, que por isso são aplicados com pouca regularidade. Apesar disso, a Finlândia brilha nos rankings globais de educação, ao lado dos países com melhor desempenho escolar do mundo. Milagre? A filosofia finlandesa é de que o foco principal dos professores deve ser ajudar os alunos a aprender sem ansiedade, a criar e a desenvolver a curiosidade natural, e não simplesmente a passar em provas. "A pressão do modelo tradicional de ensino traz consequências dramáticas para os alunos, como o medo, o tédio e o receio de correr riscos", afirma o educador Pasi Sahlberg. Relatórios do PISA indicam que apenas 7% dos alunos finlandeses sentem-se ansiosos ao estudar matemática. Já no rígido sistema de ensino do Japão, que ostenta altos níveis de desempenho escolar enquanto registra recordes de suicídio entre estudantes, esse índice chega a 52%. Nas salas de aula da escola Viikki, o ambiente é tranquilo e descontraído. Não há uniformes escolares, e os alunos estudam descalços – refletindo o clima das casas escandinavas, onde ninguém usa sapatos. A escola primária é praticamente uma época livre de testes. A fim de evitar que as crianças sejam categorizadas de acordo com sua performance, o sistema finlandês virtualmente aboliu a avaliação por notas escolares nos cinco primeiros anos da peruskoulu. Nos anos seguintes, a avaliação é feita com base em testes elaborados pelo professor e no desempenho do aluno em sala de aula, além de uma ampla avaliação de cada estudante realizada coletivamente pelos professores ao fim de cada semestre. Os que precisam de maior assistência no ensino recebem atenção particular: a filosofia finlandesa preza a crença de que todas as crianças têm o potencial de aprender, se tiverem apoio e oportunidades adequadas. O magistério na Finlândia tornou-se uma carreira de prestígio. A cada primavera, milhares de jovens se candidatam a uma vaga para estudar nos departamentos de formação de professores das universidades da Finlândia. Mas apenas os melhores e mais preparados estudantes podem se tornar professores: no exigente sistema finlandês, apenas cerca de 10% dos candidatos são em geral aprovados para cursar o obrigatório mestrado na universidade. Obter um mestrado tornou-se a qualificação básica e obrigatória de um professor para poder ensinar nas escolas finlandesas - mesmo na educação pré-escolar. As inovações continuam: o currículo escolar adotado em 2016 criou, por exemplo, o ensino baseado em fenômenos ou projetos, que atualiza a tradicional divisão por matérias e dá mais espaço para que determinados temas – como, por exemplo, a Segunda Guerra Mundial - sejam trabalhados conjuntamente por professores de diferentes disciplinas. Todos os aspectos por trás do sucesso finlandês parecem ser, assim, o oposto do que se faz na maior parte do mundo, onde a competição, a alta carga de provas e aulas, a uniformização do ensino e a privatização são via de regra os princípios dominantes. "Exercer controles rígidos sobre as escolas e os alunos, pagar os professores com base no desempenho dos estudantes, entregar a liderança das escolas a especialistas em gerenciamento ou converter escolas públicas em privadas são ideias que não têm lugar no repertório finlandês de desenvolvimento da educação", diz o educador Pasi Sahlberg. Sahlberg resume assim o pensamento finlandês sobre a educação pública de qualidade: "É uma obrigação moral, pois o bem-estar e em última análise a felicidade de um indivíduo depende do conhecimento, das aptidões e das visões de mundo que são proporcionadas por uma educação de qualidade. É também um imperativo econômico, uma vez que a riqueza das nações depende cada vez mais de know-how e conhecimento".
    Ano letivo começa com salas de aula quase vazias na Venezuela

    Ano letivo começa com salas de aula quase vazias na Venezuela


    Pais têm dificuldades para comprar materiais escolares ou fornecer comida suficiente para crianças. Em escola com 65 alunos matriculados na região rural de Caucagua, apenas três foram à escola na segunda-feira. Carteiras vazias vistas em sala de...


    Pais têm dificuldades para comprar materiais escolares ou fornecer comida suficiente para crianças. Em escola com 65 alunos matriculados na região rural de Caucagua, apenas três foram à escola na segunda-feira. Carteiras vazias vistas em sala de aula no primeiro dia do ano letivo em Caucagua, na Venezuela, na segunda-feira (17) Reuters/Marco Bello O ano letivo da Venezuela começou nesta segunda-feira (17) com poucos estudantes chegando às salas de aula, em meio a uma debilitante crise econômica que tem deixado muitas famílias sem condições de comprar materiais ou fornecer comida suficiente para que as crianças foquem nas tarefas escolares. O país membro da Opep sofre por preços baixos do petróleo e por um desmoronamento do sistema econômico socialista, deixando milhões lutando para comer e centenas de milhares migrando para países vizinhos em busca de condições melhores. Embora as aulas frequentemente demorem semanas para entrar em ritmo total, professores disseram que o índice de ausentes é significativamente mais notável neste ano. Na pobre região rural de Caucagua, a cerca de 75 quilômetros de Caracas, somente três alunos haviam chegado à Unidade Educacional Miguel Acevedo, uma escola pública primária que tem 65 alunos registrados, de acordo com a diretora Nereida Veliz. A performance da escola “está bem baixa porque crianças não estão vindo às aulas”, disse Veliz na pequena escola, que está sem energia elétrica e onde a água corrente só funciona três dias na semana. Alunos geralmente vão à escola para receber refeições fornecidas pelo Estado. “Eles não comem em casa, eles comem aqui”, disse. O Ministério da Educação não respondeu um pedido de comentário. O ministro da Educação, Aristobulo Istúriz, disse na sexta-feira que aulas iriam começar nesta semana para 7,6 milhões de alunos em 30 mil escolas no país, um número que inclui 5 mil escolas particulares. O colapso hiperinflacionário da Venezuela deixou lápis, livros e uniformes fora do alcance do cidadão médio. Uma queda acentuada nos transportes públicos se tornou uma limitação para atividades que variam de entrega de produtos a transporte escolar de crianças. “Fiz um grande esforço para trazer meu filho à escola. Parte desse uniforme é do ano passado e das coisas de seu irmão”, disse Omaira Bracho, de 50 anos, na cidade costeira de Punto Fijo, no Estado de Falcon. “Encontrei sapatos em promoção. A coisa mais difícil são os materiais escolares”. O presidente Nicolás Maduro diz que o país é vítima de uma “guerra econômica” liderada por adversários políticos apoiados pelos Estados Unidos.
    Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto

    Como a Alemanha usa as escolas contra mentiras sobre o nazismo e o Holocausto


    Atualmente, tema faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos, e abordagem inclui atividades fora de sala de aula; adoção do tema enfrentou desde o início resistência de conservadores de direita, que...


    Atualmente, tema faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos, e abordagem inclui atividades fora de sala de aula; adoção do tema enfrentou desde o início resistência de conservadores de direita, que argumentavam contra a cultura de memória, alegando que um ponto final deveria ser colocado na questão. Uma flor é vista em uma laje do Memorial do Holocausto em Berlim, na Alemanha, em homenagem às vítimas do nazismo. O parlamento alemão também realiza uma sessão especial nesta quarta (31) Markus Schreiber/AP O recente episódio em que um grupo de brasileiros que não acreditam no Holocausto contestou um vídeo publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília colocou luz sobre uma necessidade que o governo alemão já elegeu há décadas como prioridade nas políticas públicas: garantir que a verdade sobre a história do nazismo não seja perdida entre mentiras e boatos espalhados tanto entre adultos quanto crianças. O nazismo era um movimento de esquerda ou de direita? O genocídio de cerca de seis milhões de judeus conduzido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial é um dos episódios mais sombrios da História. Por isso, na Alemanha, o Holocausto não é visto apenas como um fato histórico comum; tal abordagem se reflete, inclusive, na maneira e na frequência com que o tema é tratado em sala de aula. Quando estavam na 9ª série e tinham 15 anos, os alunos berlinenses Willy Hanewald e Franz Kloth tiveram as primeiras aulas sobre o Holocausto. Seus professores de História apresentaram o tema em sala de aula e, posteriormente, organizaram excursões a memorais. Entrada do campo de Auschwitz-Birkenau D.W./R. Romaniec Willy, que estuda numa escola pública, foi com sua turma ao campo de concentração Sachsenhausen, localizado nos arredores de Berlim. Já a escola privada onde Franz estudava organizou uma viagem a Auschwitz, na Polônia. "A excursão foi uma experiência muito mais marcante do que a abordagem em sala de aula. Acho que é impossível compreender profundamente a dimensão do Holocausto sem nunca ter estado num campo de concentração", diz Willy, de 17 anos. Franz, de 18 anos, teve a mesma impressão que o colega e destacou outra experiência que o marcou: uma palestra de um sobrevivente do Holocausto. "Essas atividades são importantes, pois somente imagens em preto e branco não são suficientes para compreender completamente o que aconteceu", ressalta. Os dois jovens fazem parte do Comitê de Alunos de Berlim que defende a implementação da obrigatoriedade da visita a campos de concentração financiada pelo governo no currículo escolar - o que atualmente não acontece. "Vivemos atualmente um período cultural muito frágil, precisamos sempre relembrar o que aconteceu e como aconteceu para isso nunca voltar a acontecer", diz Franz. Contra equívocos e falta de informação No episódio recente, um grupo de brasileiros que contestam a existência do Holocausto rebateram nas redes sociais o vídeo da embaixada alemã, alegando que as informações publicadas ali eram inverídicas e que o nazismo seria uma ideologia criada pela esquerda. Nas escolas da Alemanha, a abordagem pedagógica sobre esse capítulo histórico procura promover uma reflexão crítica sobre o passado e a sociedade, além de buscar evitar que esses crimes voltem a ocorrer no futuro. "O ensino sobre o Holocausto lembra as pessoas dos perigos que elas mesmas estão vulneráveis se expostas a propaganda intolerante, preconceitos, injustiças, humilhação e violência potencial", afirma Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, promovido pelo Instituto alemão Georg Eckert. Atualmente, o Holocausto faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos. "A tematização do Holocausto e do Nazismo é uma parte obrigatória no currículo de História em todos os Estados da Alemanha", afirma Detlef Pech, professor de pedagogia na Universidade Humboldt de Berlim. Apesar de a política educacional na Alemanha caber aos governos estaduais, a Conferência de Secretários de Educação, órgão nacional que faz recomendações sobre o ensino, começou a sugerir na década de 1960 uma abordagem mais profunda sobre o Holocausto em sala de aula. Os professores têm liberdade para desenvolver diversas atividades pedagógicas sobre o tema, entre as quais estão visitas a memorais. Porém, essas atividades não são obrigatórias e sua realização depende exclusivamente da vontade e do empenho dos educadores. Controvérsia e resistência O modelo pedagógico atual é resultado de um debate público que floresceu no fim da década de 1970 na Alemanha Ocidental, com a exibição da série americana Holocausto, que retratou a história do genocídio a partir da perspectiva de uma família de judeus alemães e contou com a participação de Meryl Streep e James Woods. Além de contribuir para o debate sobre o tema em sala de aula, a exibição da série introduziu o termo Holocausto no país. Até então, o episódio era tratado como perseguição e morte de judeus. Essa discussão pública também impulsionou mudanças na abordagem pedagógica sobre o tema. "Foi um processo que começou no fim da década de 1970 com a adoção da perspectiva das vítimas nos livros escolares. Esse processo, porém, variou bastante entre os Estados e dependeu muito dos governos que tinham na época", afirma a historiadora Juliane Wetzel, do Centro para Pesquisa Antissemita da Universidade Tecnológica de Berlim. Segundo Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, há duas maneiras principais de contextualizar o tema em escolas: no âmbito de sistemas políticos num bloco classificado como "Democracia e Ditadura", como ocorre em Berlim; ou no âmbito de regimes políticos históricos chamado de "Nacional-Socialismo", como no Estado de Hessen. A introdução da perspectiva das vítimas também refletiu em mudanças na formação dos professores. Atualmente, diversos cursos extracurriculares para educadores sobre a abordagem pedagógica do Holocausto são oferecidos por, entre outros, memoriais e instituições de ensino. Formação do professor e desafios A transformação na visão de ensino sobre o Holocausto ao longo das últimas décadas refletiu ainda em mudanças na formação dos professores. Atualmente, diversos cursos extracurriculares para educadores sobre a abordagem pedagógica do tema são oferecidos por, entre outros, memoriais e instituições de ensino. Ao longo deste processo de adoção desta visão mais crítica, porém, nem sempre essa abordagem fluiu perfeitamente. Wetzel conta que, no passado, houve casos de exageros cometidos por professores, que acabaram culpando e chocando alunos com os horrores do Holocausto, o que levou alguns jovens a não querer mais tocar no tema. Além destes percalços, essa transformação pedagógica enfrentou ainda, desde o início, resistências de conservadores de direita, que argumentavam contra a cultura de memória alegando que o tema é passado e um ponto final deveria ser colocado na questão. Atualmente, com o avanço de populistas de direita, que possuem representantes em 14 das 16 assembleias estaduais e também no Parlamento alemão, essa abordagem tem sido colocada novamente em dúvida por esse grupo. Em junho, o líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, minimizou o nazismo. "Hitler e os nacional-socialistas não foram mais do que um cocô de pássaro em mil anos de uma história alemã de sucesso", disse. Outro integrante da legenda, Björn Höcke chegou a chamar o Memorial aos Judeus Mortos da Europa, localizado em Berlim, de "monumento da vergonha". Diante dessas tentativa de minimizar o passado, para muitos educadores essa visão de ensino se faz mais necessária do que nunca. "O Holocausto é um ponto central da história da Alemanha, numa época em que a Alemanha trouxe muita desgraça para o mundo. O significado central deste período não deve ser subestimado. As ameaças da democracia e o que ocorre com o fim democracia também são aspectos importantes", destaca Tobias Funk, diretor na Conferência de Secretários de Educação. Carrier ressalta que o ensino sobre o Holocausto é importante para lembrar as pessoas dos perigos aos quais elas estão vulneráveis. Já Wetzel destaca que o conhecimento sobre esse passado é fundamental para o entendimento de debates e decisões políticas atuais da Alemanha. A pesquisadora acrescenta ainda que a compreensão sobre o Holocausto, o nazismo e o assassinato de minorias praticados nesta época pode ajudar a desenvolver empatia por temas atuais, como a crise migratória e os refugiados que vieram para o país. O avanço da extrema-direita e a divulgação de notícias falsas representam, no entanto, um desafio para educadores. "Os professores precisam aprender como ajudar os jovens a não acreditar em tudo que leem na mídia e a questionar", afirma Carrier. Para isso, memoriais oferecem excelentes materiais didáticos, muitos disponíveis na internet. Para Wetzel, a abordagem pedagógica sobre Holocausto é um processo em constante transformação. "A cada nova geração, a abordagem e transmissão desse tema aos jovens deve ser repensada. Atualmente, ela é mais histórica, mas não deve ser tratada como o Império Romano, por exemplo. A responsabilidade alemã deve ser deixada clara, porém, sem sobrecarregar os alunos e sem declará-los culpados", avalia a pesquisadora.
    Continência, 'inspeção de cabelo' e tutoria de PMs: a rotina em uma escola com regras e disciplina militares

    Continência, 'inspeção de cabelo' e tutoria de PMs: a rotina em uma escola com regras e disciplina militares


    Dentro de sala, cada aluno agora tem seu lugar pré-determinado. Além disso, as salas ganharam janelas de vidro nas portas, o que permite que os tutores disciplinares (os PMs da reserva) monitorem a todo momento o comportamento dos estudantes. ...


    Dentro de sala, cada aluno agora tem seu lugar pré-determinado. Além disso, as salas ganharam janelas de vidro nas portas, o que permite que os tutores disciplinares (os PMs da reserva) monitorem a todo momento o comportamento dos estudantes. Alunos têm que se apresentar em ordem-unida (formação de tropa) na escola Victor Uchôa/BBC "Toda a escola, seeentido!", brada o sargento Max. Junto a centenas de colegas, Lavínia, de 14 anos, firma o pé no chão da quadra poliesportiva, une as pernas e espalma as mãos na lateral. "Alunos, descaaansar", segue o sargento. Lavínia então afasta as pernas no limite dos ombros e solta os braços. Vai começar a chamada. A adolescente é aluna do 7º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professora Altair da Costa Lima, em Dias D'Ávila, na região metropolitana de Salvador. Até dois meses atrás, ela chegaria para a aula de cabelos soltos e com os cílios bem pintados. Agora, tem que se maquiar discretamente e manter o penteado em coque. Além disso, os alunos devem se apresentar diariamente em ordem-unida (formação de tropa). A Escola Altair da Costa Lima não é um colégio militar, onde a prática é comum, mas é uma das primeiras instituições de ensino a receber o modelo batizado de Vetor Disciplinar, resultado de um acordo de cooperação técnica entre a Polícia Militar da Bahia e prefeituras que enxergam no método de disciplina da PM um caminho para melhorar os resultados de suas unidades de ensino básico. Trata-se de um modelo diferente dos Colégios da Polícia Militar (CPM). Na Bahia, existem atualmente 15 CPMs e, pela legislação vigente, esse número só pode chegar a 17. No caso do Vetor, as escolas seguem geridas pelas prefeituras e recebem policiais militares da reserva para atuar no âmbito disciplinar. Neste caso, o custo para implantação do modelo fica a cargo dos municípios. O tema está na pauta também da disputa eleitoral. O candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) afirma, em seu plano de governo, que em até dois anos todas as capitais do país teriam pelo menos um colégio militar. Em março deste ano, o governador Rui Costa (PT) autorizou que o Comando da PM firmasse os acordos com as prefeituras. Desde então, duas escolas do interior já implantaram o sistema: a primeira foi a Escola Professora Maria do Carmo de Araújo Maia, na cidade de Campo Formoso, seguida pela Altair da Costa Lima. Mais duas escolas, em Nova Soure e Sobradinho, passarão a funcionar com o Vetor Disciplinar em breve, mesmo caminho de instituições em outros 19 municípios cujos prefeitos estão em fase de ajustes com a PM. No meio acadêmico e entre educadores, entretanto, o sistema é alvo de críticas, pois estaria levando o militarismo para dentro de escolas que, oficialmente, não são militares. Rotina "Agora a escola está muito melhor. Aqui tinha gente fumando maconha, cheirando pó, já teve até arma escondida aqui dentro. Eu gostei da mudança, pra mim foi de boa essa coisa do cabelo, maquiagem. E não falam nada das minhas tatuagens", disse a estudante Lavínia, exibindo os desenhos nos antebraços. A garota admite que já protagonizou pelo menos quatro brigas dentro da escola, sempre com outras meninas, por motivos que vão de ciúmes a mal-entendidos em redes sociais. E as brigas cessaram com a chegada do Vetor Disciplinar? "Aqui dentro eu não brigo mais não. Mas, lá fora, se precisar...", disse ela, sem conter o riso. "Está mais calma mesmo a escola, isso melhorou, mas tem umas coisas que a gente não curte, né? Não posso nem usar uma corrente", emenda Felipe, que cursa o 9º ano. Na Altair da Costa Lima, 650 alunos do Ensino Fundamental 2 (6º ao 9º ano) precisam se adaptar às regras do Vetor. De acordo com o novo regimento da escola, criado com a implantação do sistema, as garotas devem prender o cabelo em coque e é proibido o "uso de penteado exagerado (cheio ou alto) e/ou cobrindo a testa". Batom e esmalte não podem ter cores vivas. Os meninos, por sua vez, devem manter os cabelos com corte em máquina nº 2 para as laterais e nº 3 para a parte superior, sem topete, franja ou pintura. A cada 20 dias, os alunos passam por uma "revista de cabelo". A cada 20 dias, os alunos passam por uma 'revista de cabelo' Victor Uchoa/BBC À espera do novo fardamento definitivo (calça ou saia-calça azul de tactel e camisa polo branca com nome e tipo sanguíneo), os estudantes ganharam um uniforme provisório, com brasão da prefeitura e bandeira da Bahia. Todos devem manter a camisa dentro da calça e usar sapatos pretos fechados. Dentro de sala, cada aluno agora tem seu lugar pré-determinado. Além disso, as salas ganharam janelas de vidro nas portas, o que permite que os tutores disciplinares (os PMs da reserva) monitorem a todo momento o comportamento dos estudantes. O líder da turma, que muda a cada dez dias, recebe os professores batendo continência e, em seguida, informa se estão todos ali ou se há alguma ausência. "Eu acho um porre. Não pode fazer nada que já enchem o saco. No ano que vem eu não quero ficar aqui não", disse uma aluna. "Não dava pra assistir aula, tinha briga o tempo todo, muita zoada, uma bagunça. Agora está melhor pra estudar", afirmou outra. O sargento da reserva da PM Gilson Santos, diretor disciplinar da escola, monitora as imagens de câmeras espalhadas pelas áreas de concentração dos alunos Victor Uchoa/BBC Os alunos também se queixam de não poderem sair para beber água, o que o sargento da reserva da PM Gilson Santos minimiza. "Eles passam o intervalo todo e não bebem água, aí querem sair quando começa a aula. Então seguramos um pouco, pra não sair todo mundo de uma vez. Isso atrapalha até o professor", disse ele em sua sala, de onde monitora as imagens de câmeras espalhadas pelas áreas de concentração dos alunos, como pátios, corredores e quadra - não há câmeras nas salas de aula. Disciplina Junto com outros dois sargentos da reserva da PM, Gilson é o responsável por fazer valer o Regimento Interno Disciplinar da escola. De acordo com o artigo 6º do regimento, sair da sala sem permissão do professor, conversar ou mexer-se quando estiver em forma, chegar atrasado às atividades e usar óculos escuros ou outros adornos quando fardados são exemplos do que é considerada uma transgressão leve. Exemplos de transgressões de natureza média são: "deixar de cumprimentar diariamente os funcionários da escola", "deixar de cortar o cabelo na forma regulamentar e nos prazos previstos" e "ter em seu poder, introduzir, ler ou distribuir, dentro da escola, publicações, estampas, jornais ou através das redes sociais, que atentem contra a disciplina, a moral e a ordem pública". Entre as transgressões graves estão as agressões físicas ou verbais contra professores e funcionários, roubo, assinar pelo pai ou responsável algum documento escolar e a posse, dentro da unidade, de bebidas alcoólicas, drogas ou material explosivo. O líder da turma, que muda a cada dez dias, recebe os professores prestando continência Victor Uchoa/BBC Pelo regimento, todos os alunos que já estavam na Escola Altair da Costa Lima quando o Vetor Disciplinar foi implantado - assim como aqueles que venham a ingressar -, receberam nota 8 de comportamento, o que é considerado "bom". A depender da falta que cometa, o aluno pode ser advertido, repreendido, retirado da aula ou suspenso das atividades. Desse modo, ele vai recebendo subtrações decimais gradativas em sua nota de comportamento. Caso fique com nota disciplinar abaixo de 2, seu comportamento é considerado "incompatível" e, de acordo com o artigo 40 do regimento, o estudante deverá ser transferido para outra escola do município. Por outro lado, a nota de comportamento pode subir se o estudante receber um elogio individual (+0,25) ou um elogio coletivo (+0,15). Quem chega a 10 é considerado um aluno disciplinarmente "excepcional". Experiência "Eu assumi a direção há três anos e a escola estava decadente. Tinha vandalismo, pichação, ameaça a professores, uso de drogas. Isso acabou. Até agora, acho que essa transformação é positiva", afirma Kátia Murta, diretora pedagógica da Altair da Costa Lima. "De toda a parte pedagógica e administrativa quem cuida somos nós. Os professores são os mesmos, a maioria com mais de dez anos de escola. Acho que os alunos estão mudando o comportamento não por medo, mas pelo desafio do novo", diz Murta. Genilza Dias, que além de professora de Filosofia e Sociologia é coordenadora pedagógica da unidade, afirma que, quando surgiu a notícia de que a escola receberia o programa, não viu com bons olhos. "Fui contra, não queria que aqui virasse um colégio da PM, onde o professor não tem autonomia. Mas, por enquanto, estamos com liberdade de trabalhar o conteúdo sem interferência, e o comportamento dos alunos melhorou. O Vetor mudou a questão disciplinar, mas se um aluno não faz tarefa e não participa, isso segue sob responsabilidade dos professores. Tem professor que acha que vai militarizar mesmo. Espero que isso não aconteça", disse ela, que está na escola Altair há 22 anos. A professora de Artes Claudia Marinho, desde 2002 na unidade, também aprova o que chama de "mudança de comportamento" dos estudantes, mas ainda acha cedo para fazer uma avaliação mais profunda. "Ainda não temos resultado prático dentro de sala. É verdade que eles estão mais quietos, mas precisamos esperar para ver se isso vai se transformar em rendimento", disse. "Para isso, é preciso muita participação também da família." Para o capitão da PM Alexandro Matos, multiplicador do projeto nas cidades onde ele vem sendo implantado, o objetivo não é criar soldados, e sim dar "uma bússola moral para os estudantes". "Eles aprendem o sentido de grupo, de certo e errado, se revezam como líderes da turma, o que é um bom aprendizado até para criar um espírito de liderança", diz. Somada à questão disciplinar e à violência dentro e no entorno da escola, o baixo desempenho dos alunos também foi uma das motivações para que a prefeitura de Dias D'Ávila buscasse a implantação do Vetor. No Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb) 2017, divulgado pelo Ministério da Educação no início deste mês, a escola Altair ficou sem nota na avaliação do 9º ano porque o número de participantes foi insuficiente. A meta de 2017 era 4,3. Em 2015, a meta era 4,0 e escola ficou com nota 2,9. "Eu não sou a favor de militarizar a educação e nem acho que seja o caso aqui. Mas precisávamos tentar uma experiência diferente, porque era uma situação emergencial. Esse é um modelo, pode haver outros", diz Francisco Lessa, secretário de Educação de Dias D'Ávila. O secretário afirma que facções de grupos criminosos já estavam atuando dentro da Altair da Costa Lima e que, em outra escola do município, ele próprio já chegou a ser barrado pelos alunos. "Cheguei na porta e um rapaz veio dizer que eu não poderia entrar porque era 'estranho'. Eu disse que era um cidadão e, além disso, era o secretário de Educação, e entrei", conta Lessa. "A violência nas escolas é reflexo de um enorme problema social e de famílias desestruturadas. Mas temos que tentar resolver na escola, e com esse programa temos pelo menos um norte." "Aqui tem professores excelentes, mas que não conseguiam trabalhar direito. Tínhamos problemas com drogas, violência, facções e tudo isso mudou. Os pais me param na rua e dizem que as crianças mudaram em casa também", afirma a prefeita de Dias D'Ávila, Jussara Márcia (PT), que já pretende levar o modelo para outras escolas do município. Em Campo Formoso, no centro-norte da Bahia, a prefeita Rose Menezes (PSD), primeira a implantar o sistema, defende ponto de vista semelhante: "Eu ando pelas escolas e a verdade é que a educação está um desastre total. Precisava tomar alguma atitude, e o caminho que encontramos foi esse, focar na disciplina para buscar um melhor desempenho". A Escola Maria do Carmo, primeira do Estado a receber o Vetor Disciplinar, contabilizou nota 2,8 no Ideb 2017 do 5º ano - divulgado em março deste ano -, quando a meta era 4,3. Com meta 4,0, a nota do 9º ano foi 2,7. De acordo com dados da Secretaria Estadual da Segurança Pública, em 2017, Campo Formoso, que tem cerca de 70 mil habitantes, registrou seis homicídios dolosos e dez tentativas de homicídio. Segundo a prefeita Rose Menezes, metade desses crimes ocorreu no bairro onde está a escola ou no seu entorno. "O tráfico estava na porta da escola. Era desesperador. A bagunça não permitia que nenhuma aula tivesse 50 minutos. Como eu ia controlar isso? Não é militarização da escola, mas era preciso fazer algo", disse a prefeita. Como funciona Quem desenvolveu o modelo do Vetor Disciplinar foi o tenente-coronel Ricardo Albuquerque, coordenador técnico do gabinete do Comando Geral da Polícia Militar baiana. Segundo ele, a iniciativa surgiu depois que diversos prefeitos passaram a procurar a corporação com a intenção de ter colégios da PM em suas regiões. "Os prefeitos nos procuravam porque os CPMs têm as melhores médias do Enem. Não é possível colocarmos CPMs no Estado inteiro, então criamos esse modelo", disse o oficial. "Não é militarização, é levar uma nova norma de conduta para a escola. Criamos uma gestão compartilhada, em que a direção é mantida e professor tem liberdade total em suas aulas. É diferente de afastar a direção e colocar um militar", afirmou. Albuquerque explica que o programa utiliza policiais da reserva para não comprometer o efetivo do policiamento nas cidades. Quando o acordo é assinado com algum município, a PM abre inscrição para reservistas interessados que já vivem ali ou na região. Após um primeiro filtro pela ficha, os selecionados passam por um curso de capacitação formatado pelos instrutores do Colégio da PM, com coordenação do próprio Albuquerque. Então, esses reservistas são contratados pelas prefeituras como servidores civis, assumindo a direção e as tutorias disciplinares das escolas. "Eles atuam como servidores municipais em cargos comissionados. Então, se um secretário de Educação entender que o desempenho não está bom, pode exonerar", afirmou o oficial, afirmando que o Vetor não gera custos para a PM. Albuquerque diz também que os regimentos são específicos para cada escola, elaborados após reuniões com professores, pais e Conselho Tutelar. "Precisamos criar um padrão, mas respeitamos a realidade de cada escola e cada cidade, por isso todas as regras são discutidas." O superintendente de Políticas para Educação Básica da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Ney Campello, afirma que, como o acordo é gerido diretamente pela PM junto às prefeituras, a pasta foi apenas consultada para fazer observações ao projeto. Campello, no entanto, fez ressalvas ao modelo do Vetor Disciplinar. "Se estamos tratando de uma transferência de tecnologia educacional, o modelo não pode se restringir apenas ao regime disciplinar. Nos CPMs, existe um projeto pedagógico, existem núcleos de apoio psicopedagógicos, há um acompanhamento contínuo do aprendizado e atenção à formação dos professores, que são fatores definidores para o sucesso dos colégios da PM baiana, mais até do que a disciplina", afirma. Para ele, mesmo não sendo oficialmente um colégio militar, as escolas que receberem o Vetor Disciplinar serão fatalmente encaradas como tal pelos pais e pela comunidade das cidades onde o modelo for implantado. "Então, é importante ter atenção também com a parte pedagógica. Porque se o Ideb dessas escolas não evoluir, logo vão achar que a tecnologia do CPM está decaindo", diz. Disciplina vs desempenho Para Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-diretora de Educação do Banco Mundial, o Vetor Disciplinar baiano pode não ser oficialmente uma militarização das escolas, mas, em suas palavras, é uma "desfiguração da educação". "Não sou contra os colégios militares e acho bom que eles existam, pois é importante ter um ecossistema educacional com diversidade. Acontece que os colégios militares têm um público específico, com grande parte de suas vagas destinadas aos filhos de militares e outras preenchidas por uma seleção que já é excludente. Ou seja, quem está ali buscou essa opção, ou os pais buscaram", observa a professora e pesquisadora. "O problema é usar a disciplina militar como política pública educacional e espalhar isso por qualquer escola. Isso é um erro grave." Segundo Costin, uma educação de qualidade não está necessariamente vinculada à disciplina, e sim à excelência. Já a excelência, ela explica, se estabelece com bons processos de ensino. "Quando um professor consegue, através da didática, do diálogo, com auxílio de novas ferramentas, fazer com que aquele aluno que tem mais dificuldade evolua, isso é uma educação de qualidade. O estudante se desenvolve e amplia suas habilidades, melhorando seu desempenho. Impor regras rígidas e punições severas, nesse modelo militar, não é didática, é medo." No ranking da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o país referência em educação no mundo é a Finlândia. Lá, no lugar da rigidez, as crianças têm menos dever de casa, menos carga horária na escola, mais recreio e um ensino baseado na interdisciplinaridade dos conteúdos. De acordo com a OCDE, tal sistema cria estudantes com pensamento crítico e aptos a atuar nos mais diversos setores da sociedade. Além disso, a carreira do professor finlandês é uma das mais valorizadas do país. Lembrando que a Bahia teve um mau desempenho no Ideb 2017, Claudia Costin opina que, se quiserem melhorar seus resultados, antes de adotar a disciplina militar como política pública, Estado e prefeituras "deveriam investir na estrutura das escolas, no material didático e na formação continuada dos professores, pagar bons salários e até mesmo estender a jornada com atividades extraclasse". A Bahia ficou em último lugar do país em duas categorias do Ideb divulgado neste mês. Juntando instituições públicas e privadas, o Estado teve nota 3,0 no 3º ano do Ensino Médio (a meta era 4,3) e nota 3,7 no 9º ano do Ensino Fundamental (a meta também era 4,3), nível em que o Vetor Disciplinar está sendo implantado. "Quando uma pessoa quer perder peso, sempre tem uma dieta da moda. Mas, se ela não parar de comer e não fizer exercício, não emagrece. Com a educação é a mesma coisa. Não adianta simplesmente colocar ordens militares achando que só por isso essas crianças serão melhores estudantes e vão aprender mais. A mudança tem que ser sistêmica", pontuou Costin. Lucília Augusto Lino, doutora em Educação e presidente da Associação Nacional pela Formação dos Professores da Educação (Anfope), também é crítica ao modelo do Vetor Disciplinar. "Isso é um retrocesso ao século 19. A criança respeita quando é respeitada, e esse respeito passa pela estrutura de uma escola e pela preparação dos professores. A disciplinarização dos corpos não tem nada a ver com bom desempenho. O estudante fica quieto, ok, mas não há nenhum estudo que aponte que a mera disciplinarização traga benefícios do ponto de vista educacional", afirmou Lino à BBC News Brasil em Salvador, onde participou, no início de setembro, do 19º Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino. De acordo com a pesquisadora, os estudos mostram que uma criança aprende mais quando tem liberdade. "Que é diferente de libertinagem", observou. "E a autoridade de um professor, que é importante, também não deve se confundir com autoritarismo." Para ela, o bom desempenho que os alunos dos colégios militares têm em avaliações como Ideb e Enem não deve ser atrelado diretamente à disciplina. "Nesses colégios, a infraestrutura é melhor, os professores ganham melhor e até a seleção para os estudantes entrarem já é um filtro qualitativo. É claro que o desempenho vai ser melhor, não é por causa da disciplina militar", opinou. "Além disso, entre as escolas públicas, as melhores notas nestas avaliações, na verdade, são dos institutos federais, que não são militares." De acordo com dados do MEC, das 20 escolas públicas do governo estadual da Bahia com melhor colocação no Enem 2017, 12 são colégios da PM, que chegam a ocupar da primeira à nona colocação. Entretanto, se os institutos federais de Ensino Médio entrarem no filtro das escolas públicas, apenas um colégio da PM baiana figura entre os 20 melhores, ficando em sétimo lugar. A primeira colocação fica com o Colégio Militar de Salvador (gerido pelas Forças Armadas, não pela PM) e as outras 18 posições são de unidades de ensino da União. Na opinião de Lucília Augusto Lino, os gestores públicos aproveitam o medo da população em relação à violência urbana para adotar uma solução "fácil". "Na Ditadura Militar também tinha vidro nas portas. Então a criança só vai se comportar se for vigiada? A criança tem que ser ensinada num processo contínuo, em que ela incorpore os valores da cidadania, da sociedade e desenvolva seus conhecimentos. Ela tem que aprender a negociar conflitos, não pode ser na base do medo. Estão usando esse Vetor Disciplinar para fazer o que a Educação deveria fazer", afirmou. Ainda é cedo para conhecer o desempenho das escolas com Vetor Disciplinar nas avaliações de ensino. *Não informamos o nome completo dos alunos para preservar sua identidade
    Cidade francesa muda pátio de pré-escola para favorecer a igualdade de gênero

    Cidade francesa muda pátio de pré-escola para favorecer a igualdade de gênero


    Em três anos, 12 escolas passaram por reformas pensadas para estimular a igualdade de gênero na cidade, mas o pátio do jardim de infância Michel-de-Montaigne foi o primeiro a ser totalmente reformulado. Pátio da pré-escola Michel-de-Montaigne,...


    Em três anos, 12 escolas passaram por reformas pensadas para estimular a igualdade de gênero na cidade, mas o pátio do jardim de infância Michel-de-Montaigne foi o primeiro a ser totalmente reformulado. Pátio da pré-escola Michel-de-Montaigne, em Trappes, na França Divulgação/Prefeitura de Trappes Na cidade de Trappes, localizada em Yvelines, na região parisiense, a prefeitura tirou a quadra de futebol do meio do pátio da pré-escola Michel-de-Montaigne, criando um espaço para incentivar as brincadeiras entre meninos e meninas. A reorganização do espaço, proposta pelo setor de Urbanismo da prefeitura, visa evitar que o centro do pátio seja ocupado principalmente pelos meninos. Na prática, a quadra de futebol foi deslocada para um canto, “mesmo que o futebol não seja apenas um esporte masculino”, lembrou Thomas Urdy, o assessor da prefeitura de Trappes, ao jornal francês Le Parisien. Além disso, o piso do parque foi pintado de lilás, e os escorregadores, com duas entradas, de rosa-choque e amarelo. No chão, estrelas e planetas completam a decoração. Vasos de plantas, amarelinha e brinquedos foram instalados ao redor. A decisão de “colorir” o local surgiu nas reuniões entre os urbanistas da cidade, os diretores da escola e as próprias crianças, que falaram sobre suas ideias com seus pais. “A desigualdade de  gênero é um círculo vicioso. Aos poucos, cada um se sentirá responsável pela mudança que promove igualdade”, diz Urdy. “Não queremos criar um gênero híbrido”, explica. “A ideia é apenas que cada menina e menino se sinta à vontade da mesma maneira no espaço público”, reitera. Pátio da escola reformado em Trappes Divulgação/Prefeitura de Trappes Em três anos, 12 escolas passaram por reformas pensadas para estimular a igualdade de gênero na cidade, mas o pátio do jardim de infância Michel-de-Montaigne foi o primeiro a ser totalmente reformulado. Para isso, contou com um orçamento de € 43 mil. Para professora Gaëlle Bourré, entrevistada pelo jornal Le Monde, as crianças menores estão menos suscetíveis aos estereótipos e mais abertas aos aprendizados. “Os meninos preparam bolo e as meninas estão correndo uma atrás das outras”, disse à reportagem do jornal, apontando para dois alunos. Debates filosóficos no jardim da infância A diretora da escola, Béatrice Riom, que é professora no jardim da infância, diz ter instaurado na sua classe “debates filosóficos”, onde ela questiona “a representação das crianças sobre o que elas consideram que é papel dos homens ou das mulheres”. A diretora, diz,“usa imagens como a de um personagem conhecido de um livro infantil, onde o pai cozinha e a mãe lê o jornal.” Segundo ela, é criando as bases do diálogo que os “clichês podem ser desconstruídos”. O “pátio da igualdade” também já tem efeitos no comportamento das crianças, garante. Segundo os pais, elas estão mais calmas do que antes. Reforma foi coordenada por setor de urbanismo da prefeitura de Trappes Divulgação/Prefeitura de Trappes
    Unicamp: número de estudantes da rede pública matriculados em medicina salta de 15% para 81% em 4 anos

    Unicamp: número de estudantes da rede pública matriculados em medicina salta de 15% para 81% em 4 anos


    Coordenadora do curso de graduação da Faculdade de Ciências Médicas afirma que mudanças adotadas no sistema de bonificação do vestibular desde 2016 estão atreladas à mudança. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho...


    Coordenadora do curso de graduação da Faculdade de Ciências Médicas afirma que mudanças adotadas no sistema de bonificação do vestibular desde 2016 estão atreladas à mudança. Vista aérea da Unicamp, em Campinas Antoninho Perri/Ascom/Unicamp O número de estudantes que cursaram o ensino médio na rede pública matriculados no curso de medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) saltou de 15% para 81% nos últimos quatro anos, de acordo com dados da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest). Para a coordenadora de graduação da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), Joana Fróes Bragança Bastos, as modificações realizadas no Programa de Ação Afirmativa para Inclusão Social (PAAIS) em 2015 e aplicadas a partir do Vestibular 2016 estão diretamente ligadas à maior participação desses estudantes no curso de medicina. O PAAIS foi instituído em 2004 e aplicava bônus às notas dos estudantes oriundos da rede pública nas provas da 2ª fase do vestibular. A partir do vestibular 2016, o sistema de bonificação começou a ser utilizado também na 1ª fase do processo seletivo. "Como resultado desta política houve aumento do número de alunos ingressantes que se utilizaram desta bonificação chegando a aproximadamente 80% dos alunos matriculados no curso de medicina em 2018, levando a uma maior diversidade social e étnica", destaca Joana. Beneficiado com a mudança de bonificação do PAAIS no vestibular de 2016, Gabriel Barreira Picolomoni, de 22 anos, destaca que o incentivo é um "curativo para corrigir uma educação falha desde o fundamental no ensino público". "Apesar disso, alunos que vieram de escola pública mostram um empenho muito grande e estão voando no curso. É quase como um sentimento de ter que provar algo, que somos capazes. Fazemos por merecer", destaca. Candidatos ao vestibular da Unicamp 2018 fazem a prova em Campinas Priscilla Geremias/G1 Um levantamento da Unicamp com o desempenho dos alunos em anos anteriores à mudança do PAAIS mostra que diferença de desempenho dos estudantes da rede pública dos demais candidatos aprovados no vestibular, verificado nas notas do processo seletivo, é igualado ou até mesmo superado durante a graduação. Novos estudos sobre o desempenho dos alunos ingressantes com a bonificação do PAAIS estão sendo realizadas pela universidade. "Como o curso de medicina apresenta alta demanda, os alunos ingressantes foram submetidos a rigoroso processo de seleção e apresentam alto rendimento durante o curso", defendeu a professora Joana Fróes Bragança Bastos. Como funciona o PAAIS Desde o Vestibular 2016, estudantes da rede pública recebem bonificação de 60 pontos na 1ª fase do processo seletivo da Unicamp. Os candidatos autodeclarados pretos, pardos ou indígenas (PPIs) recebem mais 20 pontos. Na 2ª fase, o bônus passa a ser de 90 pontos para estudantes do ensino médio da rede pública, com adicional de 30 pontos aos PPIs. A patir do Vestibular 2019, o sistema passará por nova mudança. Os estudantes que optarem pelo PAAIS receberão na primeira e na segunda fase, as seguintes pontuações: 20 pontos para aqueles que cursaram integralmente o ensino fundamental II em escolas públicas e 40 pontos para aqueles que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. No caso dos candidatos que cursaram ambos os períodos na rede pública, a pontuação adicionada será de 60 pontos. Veja mais notícias da região no G1 Campinas
    Por que dono da Amazon foi criticado ao doar US$ 2 bilhões para educação e moradia

    Por que dono da Amazon foi criticado ao doar US$ 2 bilhões para educação e moradia


    Jeff Bezos anunciou a criação de um fundo para financiar uma rede de pré-escolas sem fins lucrativos em áreas carentes e para iniciativas em prol de famílias sem-teto; críticos afirmaram que, em vez disso, ele deveria pagar melhores salários a...


    Jeff Bezos anunciou a criação de um fundo para financiar uma rede de pré-escolas sem fins lucrativos em áreas carentes e para iniciativas em prol de famílias sem-teto; críticos afirmaram que, em vez disso, ele deveria pagar melhores salários a seus funcionários. Jeff Bezos, dono da Amazon Rex Curry/Reuters "Grandes fortunas são uma bênção a uma comunidade", diz a frase atribuída ao magnata industrial americano Andrew Carnegie. Beneficiários de um novo fundo filantrópico anunciado pelo empresário e bilionário Jeff Bezos, da Amazon, provavelmente concordariam. O atual homem mais rico do mundo anunciou, na última semana, via Twitter, que daria US$ 2 bilhões (o equivalente, na cotação atual, a cerca de R$ 8,5 bilhões) de sua fortuna para financiar uma rede de pré-escolas sem fins lucrativos em áreas carentes e para iniciativas em prol de famílias sem-teto. Mas, longe de ser universalmente aplaudido, Bezos - dono de uma fortuna estimada em mais de US$ 164 bilhões - foi alvo de duras críticas. O escritor James Bloodworth, autor de uma investigação sobre as condições de trabalho nos centros de distribuição da Amazon, opinou que há "algo levemente irônico" nos planos de Bezos. "Há relatos críveis de funcionários de galpões da Amazon que moram em tendas porque não conseguem bancar um aluguel com seus salários", afirmou o escritor à BBC. "Jeff Bezos pode se promover como um grande filantropo, mas isso não o absolve de responsabilidade se os funcionários da Amazon continuarem a ter medo de fazer intervalos para ir ao banheiro e de faltar quando doentes porque temem ser alvo de ação disciplinar no trabalho." As redes sociais também foram inundadas de acusações de suposta hipocrisia, e muitos citaram os esforços da Amazon em reduzir o montante de impostos pagos pela empresa nos EUA e no exterior. Também houve menções à recente iniciativa bem-sucedida da Amazon em combater um projeto de lei em Seattle - cidade-sede da empresa - que previa aumentos nos impostos de grandes empregadores para levantar verba para combater a crise de moradia na cidade, onde houve um aumento no número de pessoas sem-teto. De seu lado, Bezos não tentou distanciar seu esforço filantrópico do modelo de negócios de sua empresa. "Vamos usar (no fundo filantrópico) o mesmo conjunto de princípios que movem a Amazon", escreveu no comunicado que anunciava a iniciativa. "O mais importante deles será uma obsessão genuína e intensa pelo consumidor. A criança (carente) será esse consumidor." O legado Carnegie Não é nova a ideia de que magnatas dos negócios devem aplicar os mesmos princípios de seus conglomerados em suas ações filantrópicas. O primeiro a adotar esse modelo nos EUA foi justamente Andrew Carnegie, em 1899, em um ensaio chamado O Evangelho da Riqueza. Carnegie, que foi o homem mais rico do mundo em sua época, delineou o que via como dever moral dos super-ricos: "considerar todos os lucros excedentes que venham a eles como meros fundos, os quais eles devem administrar". Homens de negócios, argumentava Carnegie, eram os mais bem colocados para fazer tal administração. "O homem de riqueza se torna o único agente e encarregado por seus pobres confrades", ele escreveu, "oferecendo-lhes sua sabedoria superior, experiência e habilidade administrativa - fazendo mais bem a eles do que eles poderiam fazer por si mesmos". À época de sua morte, em 1919, estima-se que Carnegie tenha se desfeito de 90% de sua fortuna, usando-a para financiar pesquisas científicas, pagar professores, construir centros de ensino e estabelecer mais de 2 mil bibliotecas públicas. Sua doutrina se tornou modelo para fundos de outros magnatas, incluindo John D Rockefeller, que não viam conflito entre seus modelos de negócios - nos quais construíram monopólios e esmagaram sindicatos - e seus trabalhos filantrópicos. Esse modelo também pavimentou o caminho para benfeitores dos dias modernos, como Bill Gates, Warren Buffett e Mark Zuckerberg - cujas causas são, porém, administradas de modo diferente daquele com que gerenciam suas companhias. Na mais recente reunião anual de seu fundo, o Berkshire Hathaway, Buffet deixou claro: "Não acredito em impor minhas opiniões políticas nas atividades de nossos negócios", disse ele a seus acionistas, quando questionado se evitaria investir em empresas fabricantes de armas. Armazem da Amazon em Sao Francisco Reuters 'Band-aid no câncer' Mas, para Anand Giridharadas, a abordagem de Carnegie, que acabou fazendo escola, ajudou também a elevar a desigualdade de renda. Giridharadas, cujo livro Winners Take All (O vencedor leva tudo, em tradução livre) critica o que ele chama de farsa da filantropia moderna, caracteriza a abordagem de Carnegie como "acúmulo extremo (de dinheiro) seguido por doação extrema". Os super-ricos, ele opina, não conseguem "transformar o sistema em que eles estão no topo". Embora a doação voluptuosa de Bezos seja admirável, argumenta Giridharadas, ela não enfrenta "as profundas e complexas causas por trás" da crise de moradia e sem-teto e a pobreza nos EUA - que incluiria a própria Amazon, como beneficiária de um mundo onde o emprego precário é predominante. Um bom lema para Bezos e semelhantes, defende o autor, seria: "Não pergunte o que você pode fazer pelo seu país, pergunte o que você já fez pelo seu país". Para Giridharadas, a abordagem comumente adotada pelos super-ricos em sua filantropia é menos corajosa do que nas companhias que eles ajudaram a criar. "Se você quer enveredar pelo caminho das políticas públicas, você tem a responsabilidade moral de não colocar um band-aid no câncer", ele defende, acrescentando que Bezos poderia, em vez de doar dinheiro, influenciar mudanças políticas nas áreas em que quer atuar. Ainda na opinião de Giridharadas, isso passaria por defender mudanças legais referentes às responsabilidades das empresas e, sobretudo, mudar estruturas corporativas - ou seja, possivelmente sacrificar parte dos lucros em prol de potenciais benefícios à sociedade. Já Matt Kilcoyne, do centro de estudos Adam Smith Institute, que defende o livre-mercado, discorda. "Sendo muito sincero, o maior ato de filantropia de Bezos é a própria Amazon", ele opina. "Preços baixos, mais escolha (de produtos) e concorrência resultaram em bilhões (em lucros) para Bezos e bilhões (em economia) para as centenas de milhões de consumidores que ele atende." Além disso, Kilcoyne acredita que os super-ricos não têm nenhuma obrigação em doar seu dinheiro conforme regras estabelecidas por terceiros. "Jeff Bezos tem direito de gastar seu dinheiro como quiser", argumenta. "Comentaristas de poltrona podem dizer que sabem melhor do que Bezos como ele deve gastar seu dinheiro, mas seria melhor se eles tentassem convencê-lo a respeito de suas próprias causas filantrópicas, em vez de críticá-lo pelas escolhas que faz."
    Uerj realiza 2º Exame de Qualificação neste domingo

    Uerj realiza 2º Exame de Qualificação neste domingo


    Prova começou às 9h e tem duração de quatro horas. Ao todo, são 60 questões objetivas de múltipla escolha. Candidatos realizam o segundo exame de qualificação da Uerj neste domingo Divulgação / Uerj A Universidade Estadual do Rio de Janeiro...


    Prova começou às 9h e tem duração de quatro horas. Ao todo, são 60 questões objetivas de múltipla escolha. Candidatos realizam o segundo exame de qualificação da Uerj neste domingo Divulgação / Uerj A Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) realiza, neste domingo (16), o 2º Exame de Qualificação do vestibular 2019. A prova começou às 9h e tem duração de quatro horas. A saída do candidato do local do exame só será permitida após uma hora do início. A prova do Exame de Qualificação tem 60 questões objetivas de múltipla escolha, sobre os conteúdos básicos das seguintes áreas de conhecimento: Linguagens; Matemática; Ciências da Natureza; Ciências Humanas. De acordo com o número de acertos na prova, o candidato poderá ser aprovado ou reprovado no Exame de Qualificação, recebendo um dos cinco conceitos, ao qual será atribuída uma pontuação: A (maior que 70%) - 20 pontos B (maior que 60% e igual a ou menor que 70%) - 15 pontos C (maior que 50% e igual a ou menor que 60%) - 10 pontos D (maior que 40% e igual a ou menor que 50%) - 5 pontos E (igual a ou menor que 40%) - reprovado para o exame discursivo A pontuação obtida pelo candidato no Exame de Qualificação será acrescida ao seu resultado no Exame Discursivo Initial plugin text
    Por que 'Macunaíma', lançado há 90 anos, é muito mais do que um livro de vestibular

    Por que 'Macunaíma', lançado há 90 anos, é muito mais do que um livro de vestibular


    Obra-prima de Mário de Andrade causou furor entre críticos conservadores e é, até hoje, considerada reflexão sobre cultura e identidade nacional. Obra de Mário de Andrade foi adaptada para o cinema, em filme considerado por críticos um dos cem...


    Obra-prima de Mário de Andrade causou furor entre críticos conservadores e é, até hoje, considerada reflexão sobre cultura e identidade nacional. Obra de Mário de Andrade foi adaptada para o cinema, em filme considerado por críticos um dos cem melhores da filmografia nacional Divulgação "Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são" - esse slogan de Macunaíma pode ajudar a explicar metaforicamente o país até hoje, na opinião de muitos. Mas não é só isso que faz a grandeza dessa obra-prima, o romance rapsódia Macunaíma - O herói sem nenhum caráter, que o modernista Mário de Andrade (1893-1945) publicou em 1928, há 90 anos. O escritor criou um anti-herói marginal que nasce com preguiça na Amazônia e apronta tantas traquinagens que acaba abandonado pela mãe. Macunaíma é erotizado e, a todo custo, busca prazeres sexuais. Ainda na floresta, ele ganha um talismã indígena, a muiraquitã. Depois perde a pedra e então viaja para São Paulo e Rio de Janeiro a fim de tentar recuperá-la. No percurso, o protagonista - que nasce negro e vira branco - vive peripécias e confusões, revelando suas falhas de caráter. "O livro reúne uma vasta pesquisa da linguagem, das práticas narrativas e das músicas, das falas, ditos, contos e cantos populares do Brasil", enumera o antropólogo Paulo Santilli, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp). "Com muita pesquisa, argúcia e inventividade, Mário introduziu linguagens populares nos centros urbanos e os ambientou, amalgamados, em uma inventiva criação, tecendo uma crítica, de modo tão irreverente quanto irônico, aos cacoetes das elites." De acordo com informações da Biblioteca Nacional, que guarda em seu acervo de obras raras um exemplar da primeira edição da obra, o livro foi lançado originalmente em tiragem de "apenas 800 exemplares, impressos em papel e tinta de baixa qualidade". "A escolha dos materiais utilizados provavelmente foi decisão do autor de imprimir uma tiragem maior do que conseguiria se optasse por qualidade superior - consta que essa publicação foi financiada pelo próprio Mário de Andrade", informa a instituição. Uma obra 'deslumbrante e triste, como o Brasil' A primeira edição, com 283 páginas, foi impressa nas Oficinas Gráficas de Eugenio Cupolo, em São Paulo. Saiu do prelo em 26 de julho de Livro foi escrito em apenas seis dias, segundo o autor Reprodução/EPTV 1928 e, nos meses seguintes, foi assunto entre os principais expoentes da cultura nacional. "A obra apresentou uma grande renovação estética. E isso provocou uma reação irada da crítica conservadora", diz Santilli. "É um marco do modernismo, o primeiro movimento literário realmente brasileiro e, dessa forma, ele dá resposta ao anseio do brasileiro entender quem somos, afinal, como povo. Essa é uma questão eterna para um país que surge do encontro - ou desencontro - de centenas de etnias indígenas e africanas, por causa da colonização europeia. Um país que é miscigenado, que se ama e se odeia por isso", comenta a antropóloga Deborah Goldemberg, curadora de um evento promovido pela organização social Poiesis para celebrar os 90 anos do livro. "Desde que foi lançado, o livro significou isso - um marco na literatura brasileira, algo genuinamente brasileiro, com estética e linguagem próprias e não comparáveis ao cânone europeu que influenciava a literatura brasileira até então. Sempre encantou porque ele é ao mesmo tempo deslumbrante e triste, como o nosso país." O evento dos 90 anos de Macunaíma, que vai até o dia 17 deste mês, tem uma programação de saraus, palestras, oficinas e debates na Casa Mário de Andrade, na Casa Guilherme de Almeida, na Casa das Rosas e na Oficina Cultural Oswald de Andrade, tradicionais pontos de atividades literárias da cidade de São Paulo. No mês passado, a Universidade de São Paulo promoveu uma exposição dedicada a Macunaíma na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. Artistas contemporâneos ligados à universidade representaram, em imagens, como viam a obra de Mário de Andrade. Macunaíma já foi pintado, aliás, por uma gigante da história das artes plásticas do Brasil. É de Tarsila do Amaral (1886-1973) o quadro O batizado de Macunaíma, que hoje pertence a uma coleção particular. Em 1969, Macunaíma virou filme - dirigido por Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) e com Grande Otelo (1915-1993) no papel principal. A obra é considerada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema como uma das cem melhores da filmografia nacional. Para especialistas em literatura e sociólogos, Macunaíma é uma obra que convida a refletir sobre a identidade nacional Divulgação/ Festival de Vitória Gestação longa, nascimento rápido Mário de Andrade costumava dizer que escreveu Macunaíma em apenas seis dias - "deitado na rede em Araraquara", frisa o poeta e crítico literário Frederico Barbosa. "No entanto, a obra revela uma enorme pesquisa e profunda reflexão do escritor sobre a identidade nacional. Ou seja, demorou muito tempo para ser gestada, embora tenha saído de forma bastante natural ao ser escrita." Barbosa acredita que é isso que faz de Macunaíma um livro "sempre interessante e vivo". "É erudição com naturalidade e humor. É muito sério em sua essência, mas muito engraçado e divertido na leitura. Em outras palavras, Macunaíma é, antes de tudo, uma obra gostosa de se ler que abre um vasto leque de reflexões sobre nossa identidade nacional", explica. "Segue sendo importante porque diz muito do Brasil do início deste século e também do século passado", afirma Santilli. "A maestria de Mário de Andrade ao mesclar a língua coloquial e a escrita demonstra a distância entre esses falares e confere um efeito estético. Essa trama ilustra a distância tanto no léxico quanto na política entre as elites e a população. Significa muito mais do que as listas de vestibulares. É um livro necessário para compreender o Brasil, a riqueza e a diversidade linguística e cultural do Brasil, e ao mesmo tempo a mediocridade e a avidez mesquinha da elite que marca a história do Brasil." "Noventa anos depois, continuamos buscando uma identidade cultural nacional, algo que nos una enquanto nação. Mas continuamos divididos e sem conhecer nossa história - o que pode ajudar a entender todas as tensões atuais", comenta o editor e poeta Eduardo Lacerda. Mário de Andrade "Eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta" é a frase do escritor Mário de Andrade que melhor define sua multiplicidade de interesses e de talentos. Poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, historiador da arte, folclorista e ensaísta, ele gostava de ir à campo em busca das experiências dos brasileiros reais. Foi uma das mentes por trás da Semana de Arte Moderna de 1922, que deu início ao movimento Modernista e mudou a arte no país. Em 1935, tornou-se diretor-fundador do Departamento de Cultura de São Paulo, um órgão que seria o embrião da atual Secretaria de Cultura. Em 1937, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi criado, Mário de Andrade foi incumbido de peregrinar pelo interior paulista a fim de identificar e mapear tudo aquilo que merecia ser protegido como bem cultural no Estado. Nessas viagens, ele acabou se tornando o primeiro a olhar com interesse histórico para as hoje reconhecidas "casas bandeiristas", construções coloniais paulistas pobres e rudimentares, de estruturas simples e feitas de taipa de pilão. "Casas velhas", era como o poeta as chamava - sem que isso fosse algum demérito, muito pelo contrário.
    Por que as crianças de 2 anos fazem birra - e 10 dicas para lidar com isso

    Por que as crianças de 2 anos fazem birra - e 10 dicas para lidar com isso


    Pais precisam entender que o cérebro de crianças dessa idade simplesmente as impede de se acalmar. Mas temos 10 dicas para ajudá-los a encarar essa fase - com leveza com e com ensinamentos que servirão até a vida adulta. Por volta dos dois anos,...


    Pais precisam entender que o cérebro de crianças dessa idade simplesmente as impede de se acalmar. Mas temos 10 dicas para ajudá-los a encarar essa fase - com leveza com e com ensinamentos que servirão até a vida adulta. Por volta dos dois anos, pais se veem diante de uma criança cheia de vontades e pronta para abrir o berreiro ao ser contrariada PublicDomainPictures/Pixabay Tem dias em que ele só aceita comer a comida se for no prato azul. Em outros, ele não quer comer. Daí ele pede para ver TV ou usar o iPad, mas bem na hora de dormir. E quando ouve "não" dos pais, começa a bater e atirar os brinquedos longe, chora desesperadamente e se joga no chão. Depois, ele reluta em entrar no banho e, quando entra, reluta em sair. Birras e situações desse tipo se tornam rotina na vida de pais de crianças que se aproximam dos dois anos de idade, quando começa a fase apelidada de "adolescência dos bebês". E eis que esses pais, que estavam se acostumando a um bebê que aceitava quase tudo passivamente, se veem surpreendidos por uma criança cheia de vontades e pronta para abrir o berreiro ao ser contrariada. A boa notícia é que isso não só é normal, mas uma parte crucial do desenvolvimento da criança. E o aprendizado que ela terá nessa idade ajudará a moldar a forma como ela lida com seus sentimentos na vida adulta. A segunda boa notícia é que há muitas formas inteligentes de lidar com esses comportamentos, desde que os pais se armem de estratégias e de (muita!) paciência. A BBC News Brasil conversou com quatro especialistas em comportamento infantil para aprender a importância dessa fase por volta dos 2 aos 4 anos no desenvolvimento e levantou dez dicas práticas para guiar os pais em situações do dia a dia. O que acontece por volta dos dois anos? "É uma fase em que a criança faz descobertas incríveis e ganha uma enorme capacidade de interação, mas as áreas de autorregulação do seu cérebro ainda não se desenvolveram", explica Ross Thompson, professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia em Davis e presidente de conselho da organização Zero to Three, dedicada a essa faixa etária. "O mais importante é os pais entenderem que essa criança é simplesmente incapaz de controlar suas emoções. Esse entendimento os ajudará a vê-la de modo mais construtivo, em vez de achar que ela está desafiando (sua autoridade). Não adianta achar que ela está sendo malcriada e apenas dizer-lhe 'acalme-se', porque seu cérebro ainda é incapaz de seguir esse comando. Cabe ao adulto ajudá-la a colocar seus sentimentos em palavras e a gerenciá-los." "A criança começa a perceber que não é uma extensão dos pais, mas sim uma pessoa com vontades. E a esses novos quereres soma-se uma frustração intensa, acompanhada de choros e gritos", diz a autora e educadora parental Elisama Santos. Essa maturação do controle emocional no cérebro perdura até os 20 e poucos anos, mas a fase mais crítica dessa "adolescência dos bebês" costuma passar por volta dos 4 anos, quando as crianças aumentam seu repertório para se expressar e entender o mundo. Até lá, "se os pais se deixam levar pela raiva e se tornam punitivos, as situações tendem a sair do controle", diz Claire Lerner, conselheira parental também da Zero to Three. "Se, em vez disso, eles agirem com calma, empatia e oferecerem estratégias para essa criança, ela aprenderá ferramentas para lidar com suas emoções - algo que a ajudará em toda a vida adulta." 1. Quando a criança bate Quando contrariadas, muitas crianças a partir de um ano e meio batem nos pais ou cuidadores. Incapazes de expressar sua frustração em palavras ou de se acalmar por conta própria, elas recorrem às reações físicas. Como resposta, Lerner acha ineficaz o grito "pare já de bater, você está de castigo!" - a criança ficará mais nervosa e não saberá o que fazer com seus sentimentos. Lerner sugere explicar à criança o que ela está sentindo e dar ferramentas para ela extravasar. "Sei que você está chateada, mas não comemos doce a esta hora do dia. Quando estiver triste, bata neste tambor em vez de bater nas pessoas. Ou morda este brinquedo em vez de morder a mamãe", por exemplo. Repetindo isso várias vezes, a tendência é que a criança comece a entender os próprios sentimentos e os recursos para administrá-los. "Quanto mais você validar o sentimento dela, menor será a necessidade dela de reagir para demonstrá-lo", explica Lerner. Elisama Santos dá dicas semelhantes: ensinar a criança a bater palmas ou rugir como um leão quando precisar liberar a energia da raiva. "Também sugiro falar em tom de curiosidade: 'Você viu que a sua mãozinha me bateu? Você é o chefe da mãozinha, você que cuida dela'." 2. Calma na hora da birra Ataques de birra, sobretudo em lugares públicos, são desconcertantes. Mas Lerner lembra que não somos capazes de controlar como nossos filhos vão reagir. Somos, porém, capazes de controlar nossa própria reação. E manter a calma e o tom de voz ajuda a não elevar a tensão ainda mais. "Isso é difícil em uma cultura que culpa os pais quando as crianças estão fazendo birra", diz ela. "(Mas) lembre-se de que seu filho não está propositadamente tentando humilhá-lo - ele simplesmente não consegue lidar com a situação. Seu trabalho não é puni-lo, e sim ter empatia, validar suas emoções, guiá-lo e manter a calma. Deixe as pessoas pensarem o que quiserem." "Ajude a criança a expressar em palavras o que ela está sentindo (frustração, raiva, irritação) e ofereça colo e abraço - mesmo que ela evite, dizendo 'a mamãe está aqui quando você quiser um abraço'", sugere Debora Corigliano, psicopedagoga e especialista em neurociência da educação. "E permita que ela chore, garantindo que ela esteja em um espaço seguro, caso ela esteja se debatendo." Mudar de ambiente, olhar para o céu, dar uma volta e tirar o foco do motivo da birra muitas vezes ajuda a "desativar a bomba". Mas vivenciar a tristeza decorrente das frustrações é parte do (difícil) processo de crescer. "O choro cura e é uma ferramenta para se acalmar", diz Santos. O professor Ross Thompson diz que diversos experimentos em laboratório já demonstraram a eficácia de, passada a crise de choro, ter conversas construtivas com as crianças. "É dizer a ela: 'Você ficou muito brava quando eu tirei o seu brinquedo e você me mordeu. Vamos pensar em outras formas de agir?'. Você está dando a ela informação e orientação." 3. Os limites necessários Manter a calma não significa ceder aos desejos da criança, o que passaria a ela uma mensagem contraproducente: a de que "se eu fizer birra, conseguirei o que quiser". "Se eu ceder, não vou fortalecer o músculo da resiliência nem ensinar a criança a lidar com a frustração, algo essencial para a vida adulta", diz Santos. "O caminho não é ser permissivo, é dizer 'não' quando necessário e acolher a frustração decorrente desse não." Para Lerner, "as crianças estão testando seu poder e suas escolhas. Se o pai não mantém o limite que definiu, o comportamento (de birra) continuará. E é preciso mesmo impor limites no tempo diante da TV ou tablets, ou em crianças que batem, porque certas coisas não são negociáveis. Se ela não quer botar o cinto de segurança, coloque-o, seja impassível e siga adiante. Ela vai perceber aos poucos que, mesmo que não colabore, o cinto será colocado de qualquer jeito". 4. Não enxergar como manipulação Para crianças tão pequenas e em momentos de tensão, adianta pouco perguntar "por que você bateu?" ou iniciar grandes discussões - elas são muito pequenas para entender, e a tendência é só aumentar a birra. "As crianças são provocadoras, vão dizer: 'te odeio', vão te bater. Se enxergarmos isso como manipulação - quando são na verdade comportamentos típicos dessa idade -, tenderemos de reagir de forma raivosa", diz Lerner. "Em vez de entrar na briga, mantenha a calma, explique o que ela está sentindo e siga com a vida. A lição que você estará ensinando é a de que não vai entrar em uma discussão destrutiva." 5. Dar chances de a criança escolher Para prevenir longas batalhas cotidianas e evitar que a criança tome controle da rotina familiar - nas refeições, na hora de se vestir, na hora de sair -, Lerner sugere dar escolhas (aceitáveis) às crianças, que estão morrendo de vontade de exercer sua recém-descoberta autonomia. "A dica é dar sempre duas escolhas às crianças e estabelecer limites. Por exemplo, no caso dos brinquedos espalhados pelo chão da casa: 'Você tem duas ótimas escolhas: guardar ou não os brinquedos. Se você guardar, ótimo. Se não guardar, a mamãe ou o papai terá que gastar tempo fazendo isso, então teremos um livro a menos para ler na hora de dormir'." A ideia é dar consequências às escolhas das crianças, mas apropriadas à situação. 6. Em vez do 'não', o reforço positivo Para Elisama Santos, as crianças dessa idade dizem "não" para (quase) tudo porque estão acostumada a ouvir muitos "nãos" dos pais - que, embora bem intencionados em proteger os filhos, podem usar uma estratégia mais eficiente: o reforço positivo. "Não adianta falar que ela não deve pôr a mão na tomada, porque o que ela vai fixar é apenas a tomada. É melhor falar 'a mãozinha vai no brinquedo'; 'o desenho é no papel'", sugere Santos. 7. Brincar mais - e escolher as batalhas Transformar atividades cotidianas em brincadeiras ajuda a aliviar tensão nas tarefas chatas, diz a educadora parental. "Se você usar uma voz de robô ou fizer cosquinhas para vestir ou escovar os dentes das crianças, vai levar essa fase com mais leveza e facilidade", diz Santos. E evite entrar em todas as (desgastantes) batalhas com as crianças. "Se não interfere no funcionamento da família e não machuca ninguém, recomendo deixar para lá - por exemplo, se o seu filho decide sair de casa com uma camiseta que não combina com a calça." 8. Planejar para prevenir birra Debora Corigliano sugere também identificar padrões de comportamento para prevenir as crises: por exemplo, mudar o horário do banho ou da refeição caso seja bem na hora em que a criança começa a ter sono. "E, se você sabe o que causou a birra do dia anterior, também pode tentar impedi-la hoje com conversas. 'Lembra que ontem foi muito difícil a hora do banho? Vamos tentar hoje sem chorar? A mamãe vai te ajudar'." 9. O tapa 'educativo' vai ajudar? Os especialistas consultados pela BBC News Brasil acham que a palmada – seja para ensinar limites, seja para tirar a criança de situações perigosas – não vai ajudar no processo educativo tão crucial nessa etapa. Para Thompson, a violência tende a tornar as crianças mais raivosas e desafiadoras e os pais, mais punitivos – em um ciclo vicioso. O mesmo vale para agressões verbais. "A criança só vai achar que não é amada o suficiente – e é muito ruim passar essa fase da vida achando isso." "Se estou resolvendo uma situação com uma agressão física ou verbal, estou ensinando essa criança de dois anos a agir da mesma maneira", agrega Corigliano. "Ela vai usar a mesma estratégia quando estiver em outro contexto (escolar ou familiar). É muito melhor uma conversa firme, em que os pais deem uma razão simples e fundamentada para o 'não' - 'Agora é hora de dormir, e não de tablet' -, com um vocabulário objetivo e adequado." Para Elisama Santos, de fato as crianças tendem a recuar diante de um tapa ou um grito. "Mas é por medo, e não por ter aprendido a controlar o seu sentimento." As chantagens - "se você parar eu te dou um doce" - têm o mesmo efeito adverso: "A criança vai fazer pelo doce, mas não vai aprender o valor do comportamento", adverte Corigliano. 10. Perdeu o controle? Tem salvação Às vezes os próprios pais se deixam levar pela situação e, mesmo sem querer, se veem gritando ou perdendo a paciência com os filhos. "Pode ser um ótimo momento para ensinar às crianças a assumir responsabilidade por suas ações", diz Claire Lerner. Ela sugere dizer: "A mamãe/o papai perdeu o controle, mas agora eu respirei fundo. Desculpe ter gritado, vamos começar tudo de novo e conversar sobre os brinquedos jogados no chão." Se a situação permitir, dá também para "fazer um intervalo": "Dizer 'a mamãe vai tirar um momento para pensar' é uma saída possível. Te dá um momento para respirar e elaborar quais escolhas vai oferecer aos filhos", diz a conselheira parental. E os pais podem se beneficiar de ter outro adulto por perto a quem possam recorrer quando estiverem prestes a perder a paciência - e pedir a eles que assumam as rédeas da situação. Por fim, os especialistas lembram que as dicas dadas acima terão de ser repetidas algumas vezes até que sejam internalizadas por crianças tão pequenas. Ou seja, prepare a paciência. "No começo, leva tempo e esforço até que os pais consigam gerenciar suas próprias reações (à birra). Mas a recompensa é enorme: virá na forma de mais autocontrole das crianças, mais cooperação nas tarefas diárias e ciclos de interação mais positivos", diz Lerner. "É sempre bom lembrar que as crises de birra são um pedido de socorro deslocado", agrega Elisama Santos. "É a criança dizendo 'não sei lidar com isso sozinha'."
    Entenda as mudanças no sistema de cotas do vestibular da Fuvest

    Entenda as mudanças no sistema de cotas do vestibular da Fuvest


    Nova medida de inclusão reserva 40% das vagas para alunos vindos de escolas públicas. USP muda sistema de cotas da Fuvest Os vestibulandos que irão concorrer a uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) devem ficar atentos as mudanças no sistema...


    Nova medida de inclusão reserva 40% das vagas para alunos vindos de escolas públicas. USP muda sistema de cotas da Fuvest Os vestibulandos que irão concorrer a uma vaga na Universidade de São Paulo (USP) devem ficar atentos as mudanças no sistema de cotas da seleção da Fuvest de 2019. A partir de agora, de acordo com a reitoria da universidade, mais de 11 mil vagas serão distribuídas nas seguintes divisões: 60% ampla concorrência 40% alunos de escola pública + alunos de escola pública pretos, pardos e indígenas (PPI)* * Dessa parcela, 37,5% das vagas são reservadas para pretos, pardos e indígenas (PPI) também vindos de escola pública. A porcentagem segue o último índice do IBGE que diz que 37,5% da população paulista é formada por pessoas dessas etnias. A divisão será feita por curso de graduação. As inscrições para o vestibular da Fuvest se encerraram nesta sexta-feira. Faculdade de Medicina da USP não alcançou meta de cota racial para 2018 A partir desse ano, o aluno deve já na inscrição para o vestibular determinar se vai disputar vaga em ampla concorrência, ação afirmativa de escola pública ou ação afirmativa para PPI. Além disso, a concessão de bônus na nota para alunos de escola pública na prova da primeira fase e na nota final deixaram de existir. Segundo o pró-reitor USP, Edmund Chada Baracat, as vagas separadas para alunos de escolas públicas por curso vão subir para 45% em 2020 e para 50% em 2021. "Nós vamos possibilitar que mais estudantes de escolas públicas possam competir e entrar na Universidade de São Paulo, que esse é o desejo e o compromisso, a responsabilidade social que a USP tem", explica. O estudante de audiovisual da USP, Guilherme conta que com as cotas de seleção não será mais necessário fazer cursinho para concorrer a uma vaga. "As cotas me ajudaram muito, porque elas me possibilitaram entrar cedo sem, digamos, ter que pagar um cursinho, que é algo que eu não poderia pagar, no caso", disse. Representatividade Na fachada do departamento de cinema, rádio e televisão, no campus da USP no Butantã, Zona Oeste de São Paulo, os alunos estenderam uma faixa com os dizeres: "Onde estão os Negros?", que representa uma manifestação dos estudantes pedindo mais representatividade. "Em uma universidade com mil alunos, 1 ou 2 são negros. [...] Isso não é representativo com a população de SP. A educação é uma forma de ascensão social, é uma forma de melhorar a vida das pessoas e populações que são marginalizadas", conta a estudante de Relações Públicas, Mariana Fraga. Alunos do campus Butantã da USP estenderam uma faixa estudantes pedindo mais representatividade negra na instituição Reprodução/SP1
    Unicamp: polícia conclui inquérito e indicia suspeito de pichar ameaça de chacina e símbolo nazista em institutos

    Unicamp: polícia conclui inquérito e indicia suspeito de pichar ameaça de chacina e símbolo nazista em institutos


    Crime ocorreu em agosto e apuração foi concluída na quinta-feira (13), segundo Secretaria de Segurança. Rapaz foi indiciado pelo crime de dano ao patrimônio e responderá em liberdade. Imagens mostram ato de vandalismo em biblioteca na Unicamp O...


    Crime ocorreu em agosto e apuração foi concluída na quinta-feira (13), segundo Secretaria de Segurança. Rapaz foi indiciado pelo crime de dano ao patrimônio e responderá em liberdade. Imagens mostram ato de vandalismo em biblioteca na Unicamp O suspeito de ter pichado ameaças de chacina e símbolo nazista em institutos da Unicamp, em agosto, foi indiciado pela Polícia Civil por dano ao patrimônio público. O inquérito foi concluído na quinta-feira (13) e, segundo informações confirmadas pela Secretaria de Segurança (SSP) à EPTV, ele responderá em liberdade, uma vez que trata-se de crime com menor potencial ofensivo. O rapaz de 30 anos foi aluno em três cursos da universidade ao longo de dez anos e jubilado no segundo semestre de 2017 de Engenharia de Computação, de acordo com o reitor, Marcelo Knobel. A SSP informou que laudos comprovaram que móveis e computadores foram danificados durante o ato de vandalismo nos institutos de Estudos da Linguagem (IEL), de Geociências, de Física, além da Biblioteca Central. Todos os prédios ficam próximos e o rapaz, que não tinha bolsa, nunca foi atendido pelo serviço de apoio psiquiátrico da Unicamp, informou a reitoria da universidade. Suspeito de pichar áreas da Unicamp foi flagrado por câmeras Reprodução/Unicamp Histórico De acordo com a Unicamp, o suspeito ingressou como aluno em 2008 para cursar estatística. Em seguida, desistiu da carreira e, no ano seguinte, foi aprovado para estudar Matemática Aplicada e Computacional. O rapaz também deixou esta vaga e, em 2011, começou a realizar o último curso registrado, mas no ano passado foi desligado por causa do fim do prazo para concluir a graduação. Entre as mensagens deixadas pelo autor à época estavam referências ao massacre de Columbine (EUA), em 1999, símbolos da suástica nazista e menções a um suposta "chacina". Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    Estudantes da UFSCar criam projeto para transportar bicicletas em ônibus

    Estudantes da UFSCar criam projeto para transportar bicicletas em ônibus


    Protótipo venceu o Desafio Bike Bus, competição realizada na Bike Brasil Expo 2018. Grupo da UFSCar cria projeto para transportar bicicletas em ônibus Agência Inovação UFSCar Um grupo de estudantes da Universidade Federal de São Carlos...


    Protótipo venceu o Desafio Bike Bus, competição realizada na Bike Brasil Expo 2018. Grupo da UFSCar cria projeto para transportar bicicletas em ônibus Agência Inovação UFSCar Um grupo de estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveu um projeto que possibilita o transporte de bicicletas em ônibus sem precisar desmontá-las. O protótipo venceu o Desafio Bike Bus 2018, mas ainda não há previsão para ser lançado no mercado. O sistema foi criado pelos alunos de engenharia civil e de produção Bruno Joaquim Lima, Matheus Fonseca Polachini, Renan Berçot Lamas e Paola Lescura França durante os três dias da Bike Brasil Expo 2018, considerada a maior feira de bicicletas da América Latina. “Estamos muito felizes. A gente se interessa pela questão da integração dos modais de transporte para uma mobilidade mais sustentável, então conversamos com atletas, amadores, vendedores e até mecânicos. Isso foi muito enriquecedor para o nosso projeto porque descobrimos os desejos e necessidades deles”, contou Paola. Desafio Bike Bus realizado durante a Bike Brasil Expo 2018 Divulgação/Bike Brasil Protótipo O desafio foi apresentado no Desafio Bike Bus, que aconteceu em agosto, em São Paulo. Para a avaliação dos projetos, foram considerados os critérios de criatividade e inovação, qualidade técnica, excelência operacional e foco no cliente. “Dedicamos o primeiro dia inteiro para fazer pesquisas com todos que estavam, enquanto dois membros trabalhavam com isso, outros dois focavam em desenhar o projeto para apresentarmos", explicou Paola. Através de um sistema prático, considerado de fácil instalação e custo inicial de R$ 40, o dispositivo permite que a bicicleta entre no bagageiro em posição de uso e sem precisar ser desmontada e sem a utilização de ferramentas. Ele também se adequa a bicicletas de diferentes modelos e tamanhos. "Fizemos de tudo para poder transportar as bicicletas sem desmontar, e depois pensamos em comodidades extras para agradar os ciclistas”, disse a estudante. Bike Brasil Expo 2018 aconteceu entre 24 e 26 de agosto, em São Paulo Divulgação/Bike Brasil Inspiração Segundo o estudante de engenharia Renan Lamas, a ideia para o projeto surgiu por meio de uma necessidade dele, mas que se repete no cotidiano de muitos estudantes. Vindo de Campo Grande (MS), Lamas queria trazer sua bicicleta para praticar atividades físicas necessárias, mas mesmo após pensar em várias tentativas de trazê-la, não conseguiu e precisou comprar uma nova. “No fim da história, acabou que eu teria que ir atrás de uma bicicleta aqui, então fiquei desapontado. Isso de sentir na pele nos fizeram criar algo simples, prático, seguro e inovador para resolve o problema e abrir inúmeros possibilidades”, contou o estudante. Grupo da UFSCar cria projeto para transportar bicicletas em ônibus Arquivo Pessoal Objetivos Até o momento, o projeto só foi desenvolvido em software 3D, mas a previsão é de que ainda este ano seja feita a patente intelectual para que o grupo inicie a produção do protótipo real. “Vamos poder ajudar os ciclistas que viajam pra competições, os que gostam de fazer trilhas e aventuras, os universitários como nós que sempre viajam pras cidades de origem e querem trazer suas bicicletas”, finalizou Paola Lecura. Estudantes comemoram vitória no Desafio Bike Bus Arquivo Pessoal Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
    Inscrições para o 1º Vestibular Indígena da Unicamp terminam nesta sexta-feira

    Inscrições para o 1º Vestibular Indígena da Unicamp terminam nesta sexta-feira


    Comvest divulga em sua página eletrônica, dia 11 de outubro, a lista de candidatos cujas inscrições foram homologadas. Unicamp encerra prazo para inscrição no vestibular indígena nesta sexta-feira (14). Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A Comissão...


    Comvest divulga em sua página eletrônica, dia 11 de outubro, a lista de candidatos cujas inscrições foram homologadas. Unicamp encerra prazo para inscrição no vestibular indígena nesta sexta-feira (14). Antoninho Perri/Ascom/Unicamp A Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) encerra nesta sexta-feira (14) o prazo de inscrições para o primeiro Vestibular Indígena da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Elas são gratuitas e o interessado deve preencher um formulário online até as 17h (de Brasília), incluindo comprovação de pertencimento a uma das etnias indígenas brasileiras. São oferecidas 72 vagas em 27 cursos. Veja lista completa, abaixo. A universidade espera atrair ao menos 800 candidatos. O exame tem fase única e será aplicado dia 2 de dezembro, em língua portuguesa, nas cidades de Campinas (SP), Dourados (MS), Manaus (AM), Recife (PE) e São Gabriel da Cachoeira (AM). A prova é formada por uma redação e 50 questões de múltipla escolha, distribuídas em linguagens e códigos (14), ciências da natureza (12), matemática (12) e ciências humanas (12). A Comvest divulga em sua página eletrônica, dia 11 de outubro, a lista de candidatos cujas inscrições foram homologadas. Confira o edital completo do vestibular. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) espera atrair ao menos 800 inscritos no vestibular indígena. Neldo Cantanti / Unicamp Vagas disponíveis Para o vestibular 2019, 23 vagas destinadas ao público indígena foram retiradas do total oferecido no exame tradicional. As outras 49 foram criadas especificamente para esta seleção. Cada candidato pode assinalar duas carreiras como opção no momento da inscrição. Inicialmente, serão convocados para cada curso os estudantes que o indicarem como prioridade. Depois disso, caso vagas não sejam preenchidas, a universidade convocará os demais, informou a Comvest. As opções são: administração, administração pública, arquitetura e urbanismo, artes cênicas, artes visuais, ciências do esporte, ciências econômicas, ciências sociais, comunicação social-midialogia, dança, enfermagem, engenharias agrícola, de manufatura, de produção e elétrica; estudos literários, farmácia, filosofia, geografia, geologia, história, letras, licenciatura integrada química/física, linguística, música: licenciatura, nutrição, pedagogia e tecnologia em saneamento ambiental. Veja mais notícias da região no G1 Campinas.
    Fuvest encerra nesta sexta-feira as inscrições para o vestibular 2019

    Fuvest encerra nesta sexta-feira as inscrições para o vestibular 2019


    Pagamento da taxa de R$ 170 pode ser feito até terça-feira. Primeira fase será dia 25 de novembro. Candidatos fazem a prova da Fuvest Flavio Moraes/G1 A Fuvest vai encerrar às 12h desta sexta-feira (14) as inscrições para o vestibular 2019 que...


    Pagamento da taxa de R$ 170 pode ser feito até terça-feira. Primeira fase será dia 25 de novembro. Candidatos fazem a prova da Fuvest Flavio Moraes/G1 A Fuvest vai encerrar às 12h desta sexta-feira (14) as inscrições para o vestibular 2019 que oferece mais de 8,4 mil vagas em cursos de graduação da Universidade de São Paulo (USP). As inscrições devem ser feitas no site da Fuvest (veja o Manual do Candidato). A primeira fase do vestibular ocorrerá no dia 25 de novembro e a segunda fase será nos dias 6 e 7 de janeiro de 2019. A partir deste ano, a segunda fase terá dois dias de provas, e não mais três, como era anteriormente. A taxa de inscrição custará R$ 170 (mesmo valor do ano passado) e deverá ser paga por boleto bancário em bancos ou pela internet, até o dia 18 de setembro. Não haverá devolução do dinheiro para quem não comparecer à prova. Ao preencher o formulário de inscrição, é necessário informar o próprio CPF e o número do documento de identidade (RG). Fuvest Para o cadastro inicial da inscrição é necessário anexar uma foto, cuja imagem deve ter fundo sem detalhes, destacando o rosto do candidato e sem acessórios. Essa imagem será comparada com a foto coletada nos dias de provas, para reconhecimento facial. Para candidatos com deficiência, é preciso informar as necessidades de adaptação da prova no momento da inscrição. Até o dia 15 de setembro, a pessoa deve enviar a documentação médica que comprove e detalhe a questão. Serão reservadas 40% das vagas de cada curso para alunos que fizeram todo o ensino médio em escola pública. Também haverá seleção de vagas por meio do Sisu. Provas Primeira fase Data: 25 de novembro Abertura dos portões: 12h30 Fechamento dos portões: 13h Duração: 5h Saída liberada a partir das: 17h Conteúdo: 90 questões de múltipla escolha, sobre conhecimentos gerais Segunda fase Datas: 6 e 7 de janeiro Abertura dos portões: 12h30 Fechamento dos portões: 13h Duração: 4h por dia Saída liberada a partir das: 16h Conteúdo: 6/1- português (10 questões) e redação; 7/1 - 12 questões de duas, três ou quatro disciplinas (6 ou 4 ou 3 questões de cada uma), de acordo com a carreira escolhida. Para algumas carreiras, há prova de Habilidades Específicas de caráter eliminatório e classificatório. Resultados 10 de dezembro: Lista de convocados para a segunda fase 24 de janeiro: Lista de aprovados 28 e 29 de janeiro: Matrícula dos aprovados na primeira chamada Livros (leitura obrigatória) Iracema – José de Alencar; Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis; O cortiço – Aluísio Azevedo; A relíquia – Eça de Queirós; Minha vida de menina – Helena Morley; Vidas secas – Graciliano Ramos; Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade; Sagarana – João Guimarães Rosa; Mayombe – Pepetela. Cidades em que ocorrerão as provas As provas da Fuvest serão aplicadas nas seguintes cidades: Região Metropolitana de São Paulo: São Paulo, Barueri/Santana de Parnaíba, Carapicuíba, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Taboão da Serra. Interior de São Paulo: Barretos*, Bauru, Campinas, Fernandópolis*, Franca, Jaú*, Jundiaí, Limeira, Lorena, Marília*, Mogi Mirim, Piracicaba, Pirassununga, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São Carlos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Sorocaba e Taubaté*. *Nessas cidades, haverá somente a aplicação da prova da 1ª fase. Na 2ª fase, os candidatos inscritos nessas cidades e que forem convocados serão realocados como segue: de Barretos para Ribeirão Preto; de Fernandópolis para São José do Rio Preto; de Jaú e de Marília para Bauru; de Taubaté para São José dos Campos.
    Garoto impedido de usar dreadlocks na escola consegue direito de usar o penteado

    Garoto impedido de usar dreadlocks na escola consegue direito de usar o penteado


    Diretoria da Fulham Boys School, em Londres, havia comunicado Chikayzea Flanders, de 12 anos, de que teria de cortar seus dreads ou seria suspenso. Depois que a mãe do menino entrou na Justiça, a instituição permitiu que ele use o cabelo como...


    Diretoria da Fulham Boys School, em Londres, havia comunicado Chikayzea Flanders, de 12 anos, de que teria de cortar seus dreads ou seria suspenso. Depois que a mãe do menino entrou na Justiça, a instituição permitiu que ele use o cabelo como quiser. A escola havia dito que Chikayzea deveria cortar o cabelo ou seria suspenso BBC Um garoto de 12 anos que foi suspenso em uma escola em Londres por usar dreadlocks conseguiu o direito de usar o cabelo como quiser. Opinião: a escola pode mandar no cabelo dos alunos? O britânico Chikayzea Flanders havia recebido uma ordem da escola Fulham Boys School para que cortasse o cabelo se não quisesse receber uma suspensão. Sua mãe, Tuesday Flanders, entrou na Justiça contra a escola, argumentando que a exigência é um ataque à sua religião rastafari, cujos fieis tradicionalmente usam esse tipo de penteado. A família e a escola agora chegaram a um acordo. Chikayzea, que havia se mudado para outra escola, vai poder voltar desde que "seus dreadlocks sejam mantidos presos para que não toquem o topo de seu colarinho ou cobertos com um tecido de cor definida pela escola". Escola suspende aluna que raspou a cabeça para apoiar amiga com câncer "Como pais, nós confiamos nas escolas e nos professores para ajudar a moldar a vida das crianças através da educação", disse a mãe do garoto. "Mas eles jamais deveriam restringir expressões da sua identidade ou de suas crenças religiosas." A exigência da escola gerou protestos no ano passado BBC O diretor da escola, Alun Ebenezer, disse que a escola "tinha lidado com a reclamação (da mãe) através do procedimento de reclamações". Segundo ele, a política rígida de "aparência e uniforme" da escola continuaria valendo, pois "proteje o ethos (o modo de atuação)" da instituição. "Cerca de 20% dos nossos alunos vêm de escolas privadas e convivem com 40% de alunos de classes menos favorecidas", disse Ebenezer. "A nossa política de uniforme serve para que não haja diferenciação entre os alunos cujos pais ganham milhões de libras e o que vieram de famílias mais pobres." Um comitê de educação local recomendou que a escola reveja sua política de uniforme à luz da legislação do país. David Isaac, diretor da Comissão de Igualdade e Direitos Humanos, que ajudou a família com o processo contra a escola, disse estar feliz que a escola reconheceu "suas falhas nessa questão e concordou em revisar suas políticas". Após o acordo, a Justiça ordenou que a escola pague uma indenização à Chikayzea e sua mãe e cubra os gastos com o processo. Tuesday Flanders diz que o cabelo é parte importante de sua fé BBC
    Quais são as universidades favoritas por empregadores no mundo (e em que lugar está a 1ª brasileira)

    Quais são as universidades favoritas por empregadores no mundo (e em que lugar está a 1ª brasileira)


    Ranking coloca MIT, nos EUA, como o instituto de educação superior que mais impressiona no currículo de formandos. O levantamento traz seis universidades no Brasil. Canditatos fazem prova da Fuvest para pleitearem uma vaga na USP. Celso...


    Ranking coloca MIT, nos EUA, como o instituto de educação superior que mais impressiona no currículo de formandos. O levantamento traz seis universidades no Brasil. Canditatos fazem prova da Fuvest para pleitearem uma vaga na USP. Celso Tavares/G1 Qual é o melhor nome de universidade do mundo para colocar no currículo de quem quer uma vaga de emprego? A resposta é MIT - Massachusetts Institute of Technology, segundo um ranking internacional que avaliou o quanto os estudos universitários podem impulsionar a carreira de formandos. O chamado Ranking de Empregabilidade de Graduandos (Graduate Employability Rankings, no original em inglês) é baseado nas respostas de 42 mil empregadores e mostra, segundo eles, quais as universidades que mais impressionam os recrutadores na busca por recém-formados. As quatro primeiras universidades do ranking são americanas: MIT, Stanford, Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e Harvard. A instituição brasileira mais bem colocada é a USP (Universidade de São Paulo), em 67º lugar, de um total de 497 universidades avaliadas globalmente. Antes dela, há duas latinoamericanas: a Pontifícia Universidade Católica do Chile, em 37º, e o Instituto Tecnológico de Estudos Superiores de Monterrey, no México, em 52º. O levantamento traz ainda outras cinco instituições no Brasil. A Unicamp e a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) estão entre a 251ª e a 300ª posição e a Unesp (Universidade Estadual Paulista), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), entre a 301ª e 497ª. Após o centésimo lugar, o ranking agrupa as universidades em blocos. O levantamento é produzido pela empresa QS, que publica anualmente o Ranking Mundial de Universidades, que mede desempenho acadêmico. Os empregadores foram questionados pela companhia sobre os locais em que recrutam seus formandos mais "competentes, inovadores e eficientes". Além das respostas, o ranking levou em conta as estatísticas de empregabilidade de ex-estudantes, a formação acadêmica de ocupantes de altos cargos e as parcerias entre universidades e empresas. Polindo o CV O MIT, primeiro colocado no ranking, é conhecido por seus estudos em tecnologia e tem entre seus ex-alunos famosos como o astronauta Buzz Aldrin, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan (morto no mês passado) e o bilionário Amar Bose, engenheiro sonoro e fundador da empresa de equipamentos de áudio que leva o seu sobrenome. Stanford, em segundo lugar, é tida como o berço acadêmico de grande parte das pesquisas do Vale do Silício e tem entre seus ex-estudantes os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin, e do Netflix, Reed Hastings. Um destaque do ranking é a percepção positiva da educação superior na Austrália: a Universidade de Sydney e a Universidade de Melbourne ocupam, respectivamente, o quinto e o sexto lugares. Nenhuma delas está no top 30 do ranking de desempenho acadêmico, mas são bem vistas no mercado de trabalho. Competindo por empregos Ben Sowter, diretor de pesquisas da QS, afirma que as universidades com boa reputação em pesquisas internacionais não necessariamente são "as mesmas que fazem mais para nutrir a (capacidade de) empregabilidade do estudante". Segundo ele, perante o alto custo das mensalidades de instituições privadas (que são predominantes na educação superior americana e europeia) e um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, muitos alunos estão cada vez mais "preocupados se a universidade que desejam cursar os ajudará a ir bem (na carreira) posteriormente". Na Europa, as mais bem colocadas são britânicas: a Universidade de Cambridge, em sétimo lugar, e a de Oxford, em décimo. Entre as asiáticas, o ranking destaca, por exemplo, a Universidade Tsinghua, na China, em nono lugar, e a Universidade de Hong Kong, em 13º - refletindo o avanço chinês na educação superior. Do total de quase 500 unversidades avaliadas em termos de empregabilidade, 144 são da Europa Ocidental, 102 são asiáticas e 83 são americanas. Top 30 do Ranking de Empregabilidade Global 1. Massachusetts Institute of Technology, EUA 2. Universidade de Stanford, EUA 3. Universidade da Califórnia em Los Angeles, EUA 4. Universidade Harvard, EUA 5. Universidade de Sydney, Austrália 6. Universidade de Melbourne, Austrália 7. Universidade de Cambridge, Reino Unido 8. Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA 9. Universidade Tsinghua, China 10. Universidade de Oxford, Reino Unido 11. Universidade de New York, EUA 12. Universidade de Toronto, Canadá 13. Universidade de Hong Kong, Hong Kong 14. Universidade Yale, EUA 15. ETH Zurich, Suíça 16. Universidade Princeton, EUA 17. Universidade Columbia, EUA 18. Universidade College London, Reino Unido 19. Universidade de Tóquio, Japão 20. Universidade Peking, China 21. Universidade Cornell, EUA 22. Universidade de Chicago, EUA 23. Universidade Nacional de Seul, Coreia do Sul 24. Universidade da Pensilvânia, EUA 25. Universidade de Michigan, EUA 26. (também em 25º) Universidade de Waterloo, Canadá 27. Universidade Fudan, China 28. Universidade Waseda, Japão 29. Universidade de New South Wales, Austrália 30. École Polytechnique, França 37. Pontifícia Universidade Católica do Chile 52. Instituto Tecnológico de Estudos Superiores de Monterrey 67. Universidade de São Paulo
    Alerj aprova prorrogação da Lei de Cotas para universidades do RJ por mais dez anos

    Alerj aprova prorrogação da Lei de Cotas para universidades do RJ por mais dez anos


    Projeto permite acúmulo de bolsas para os estudantes cotistas. Texto ainda deverá ser sancionado pelo governador Luiz Fernando Pezão para ter validade. Estudo indica que evasão é maior entre os não cotistas. Estudantes acompanharam os debates...


    Projeto permite acúmulo de bolsas para os estudantes cotistas. Texto ainda deverá ser sancionado pelo governador Luiz Fernando Pezão para ter validade. Estudo indica que evasão é maior entre os não cotistas. Estudantes acompanharam os debates nas galerias do plenário da Alerj Divulgação/ Thiago Lontra A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta terça-feira (11), a prorrogação do sistema de cotas para os cursos de graduação nas universidades públicas estaduais do Rio por mais dez anos. O projeto de lei (PL) 4.205/18, que foi aprovado em discussão única, é do Executivo e tinha sido regulamentado pela última vez em 2008. O projeto será encaminhado para a sanção do governador Luiz Fernando Pezão, que terá até 15 dias úteis para decidir. Durante a vigência do sistema de cotas, a lei determina que o Poder Executivo melhore a qualidade do ensino público estadual para aumentar a possibilidade de acesso dos alunos à educação superior, já que o sistema de cotas é uma política temporária. Segundo o último relatório da Procuradoria Geral do Estado (PGE) em parceria com as universidades estaduais sobre a eficácia do sistema de cotas no Rio, divulgado em outubro de 2017, o desempenho do alunos cotistas é muito similar ao dos não cotistas e a taxa de evasão é maior entre os não cotistas que entre os cotistas. Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), de 2003 até 2016, dos 22.917 estudantes que lá ingressaram por cotas, 26% desistiram no meio do curso. Entre os não cotistas, o índice é de 37%. A PGE, em parceria com as universidades estaduais, também deve continuar a realizar avaliações bienais sobre a eficácia do sistema de cotas no Rio. O que diz a Lei de Cotas O Projeto de Lei que segue para sanção do governador do RJ garante: no mínimo 20% das vagas de cada curso às pessoas negras, indígenas e oriundas de comunidades quilombolas; 20% das vagas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio em qualquer escola pública brasileira; 5% das vagas às pessoas com deficiência e aos filhos de policiais civis e militares, bombeiros militares e inspetores de segurança e administração penitenciária mortos ou incapacitados durante o serviço; a definição do critério de avaliação socioeconômica do candidato cotista por cada universidade, como já ocorre atualmente; a autodeclaração dos estudantes negros e indígenas nas inscrições dos vestibulares e matrículas dos cursos, sendo responsabilidade das universidades a fiscalização das fraudes o pagamento, por mais dez anos, de uma bolsa auxílio (bolsa permanência) a estudantes que entram nas faculdades pelo sistema das cotas, e fixa o valor em, no mínimo, meio salário mínimo. A obrigação é do governo do Estado; que o estudante cotista poderá acumular a bolsa permanência com a bolsa de iniciação científica; que as universidades estaduais proponham ao Executivo a disponibilização de vagas de estágio aos alunos cotistas nas instituições e empresas públicas;
    Inep é condenado em R$ 25 mil por não adequar Enem a portadores de Asperger

    Inep é condenado em R$ 25 mil por não adequar Enem a portadores de Asperger


    Decisão da Vara Federal de São Carlos (SP) é referente a danos morais de uma ação de 2016. Instituto, que também deverá pagar R$ 10 mil de multa, disse que ainda não foi intimado da sentença. Caderno de provas do Enem 2016 G1 O Instituto...


    Decisão da Vara Federal de São Carlos (SP) é referente a danos morais de uma ação de 2016. Instituto, que também deverá pagar R$ 10 mil de multa, disse que ainda não foi intimado da sentença. Caderno de provas do Enem 2016 G1 O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi condenado pela 1ª Vara Federal de São Carlos ao pagamento de R$ 25 mil de indenização por danos morais para duas pessoas portadoras de Síndrome de Asperger, além de pagamento de R$ 10 mil de multa. O Inep disse que não foi intimado da sentença e tão logo ocorra a intimação, a Procuradoria-Geral Federal junto ao Inep, adotará as medidas judiciais cabíveis e o instituto irá se pronunciar. A Síndrome de Asperger é um transtorno relacionado ao autismo. Os estudantes não conseguiram realizar uma prova adaptada no exame de 2016, mesmo com uma decisão tutela antecipada concedida pela mesma Vara Federal de São Carlos. Para garantir a inclusão dos estudantes, a decisão liminar determinava que a prova fosse aplicada em consonância com o Estatuto da Pessoa com Deficiência e fosse condizente com a síndrome, assim como a realização da sua correção. Veja como identificar o autismo Decisão não foi cumprida Segundo a Justiça, o Enem 2016 atendeu as necessidades dos estudantes ao dispor sobre suporte especializado, utilização de sala própria para a realização da avaliação, acompanhamento profissional para leitura e tempo adicional de até 60 minutos. Contudo, não houve elaboração de provas nem correção específicas para os candidatos conforme determinado por liminar. Em sua defesa, o Inep confirmou que não cumpriu integralmente a decisão da Justiça e alegou a impossibilidade de elaborar a prova nos moldes determinados, devido ao tempo curto entre o deferimento da liminar e a realização do exame, além da impossibilidade de se estabelecer um modelo que atendesse especificamente as condições dos estudantes, tendo em vista que a síndrome se manifesta em vários níveis, não havendo consenso a respeito das suas especificidades. No entendimento do juiz Ricardo Uberto Rodrigues, os critérios mínimos de adaptação são de conhecimento dos profissionais da área, não sendo possível alegar impossibilidade de cumprimento. Para isso considerou depoimentos que confirmaram a possibilidade de se formular questões adaptadas à necessidade dos estudantes, sem prejudicar o conteúdo cobrado e o princípio da isonomia. “Não se pode perder de vista que há verdadeira falta de planejamento, a qual redunda em omissão e descumprimento do disposto no art. 30, III, IV e VI do Estatuto da Pessoa com Deficiência, acarretando severo desnivelamento de condições de acesso ao ensino superior às pessoas com deficiência. Tal omissão deve ser qualificada como ‘lesiva’ e ‘perversa’, traduzindo-se em inaceitável violação a direitos sociais garantidos às pessoas com deficiência”, afirmou o magistrado. Veja mais notícias da região no G1 São Carlos e Araraquara.
    Ministro francês da Educação defende ensino de árabe nas escolas

    Ministro francês da Educação defende ensino de árabe nas escolas


    Extrema-direita reagiu com críticas, pois é contra a reintrodução da língua árabe na escola. Criança beija parente antes de entrar em escola em Paris KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Arquivo O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer,...


    Extrema-direita reagiu com críticas, pois é contra a reintrodução da língua árabe na escola. Criança beija parente antes de entrar em escola em Paris KENZO TRIBOUILLARD/AFP/Arquivo O ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, manifestou nesta terça-feira (11) seu interesse de implementar o aprendizado da língua árabe nas escolas. A ideia não é inédita e pode, de acordo com seus defensores, contribuir na luta contra a radicalização na França. Convidado pela rádio francesa RMC, Blanquer afirmou que é preciso dar prestígio ao árabe para que sua prática não seja um monopólio de instituições religiosas ou extremistas. “É uma grande língua literária e seu aprendizado não deve se limitar às pessoas de origem magrebina”, disse. O discurso segue a linha de raciocínio de um relatório do Instituto Montaigne, que diz que o número de alunos aprendendo o árabe no ensino fundamental e médio “foi dividido por dois em vinte anos” e “se multiplicou por dez nas mesquitas”. De acordo com o documento, reforçar o aprendizado nas escolas permitiria uma luta contra a “influência religiosa e o proselitismo”. Reações diversas Mas o debate não agrada a todos. Para Adballah Zekri, presidente do Observatório de luta contra a islamofobia, a radicalização ocorre nos lugares exteriores às mesquitas. “Não podemos colocar a culpa nos muçulmanos de forma geral. Não podemos proibir uma criança de aprender sua religião ou de ir à mesquita, do contrário também vamos proibir o catecismo”, argumenta. Ele se diz favorável, entretanto, ao ensino do árabe nas escolas “para se concentrar nos aspectos culturais e civilizatórios.” A fala de Jean-Michel Blanquer não demorou muito para provocar reações da extrema-direita, bastante sensível à questão da reintrodução da língua árabe na escola. “Trata-se de uma luta contra a radicalização ou de sua entrada na educação nacional?”, interrogou o ex-ministro da Educação Luc Ferry. “Nos dias de hoje, todos os nossos esforços devem ser gastos no aprendizado da língua francesa”, estimou a deputada Laurence Sailliet, do partido Republicanos, de direita. Já Louis Alliot, deputado do Reunião Nacional, antigo Frente Nacional, de extrema-direita, vai mais longe e denuncia uma “ideologia de submissão.”
    Olimpíada de matemática vai incluir os alunos do ensino fundamental 1 pela primeira vez; inscrições estão abertas

    Olimpíada de matemática vai incluir os alunos do ensino fundamental 1 pela primeira vez; inscrições estão abertas


    Objetivo é atingir estudantes mais novos antes que eles percam o interesse na área; escolas públicas municipais, estaduais e federais de todo o país podem se inscrever até 10 de outubro. Impa anuncia a expansão da Obmep para os alunos do 4º e...


    Objetivo é atingir estudantes mais novos antes que eles percam o interesse na área; escolas públicas municipais, estaduais e federais de todo o país podem se inscrever até 10 de outubro. Impa anuncia a expansão da Obmep para os alunos do 4º e do 5º ano do ensino fundamental Divulgação/Impa O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) anunciou, nesta terça-feira (11), que vai ampliar o público da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) para incluir os alunos do 4º e do 5º ano fo ensino fundamental. As inscrições para esse público, que entram na chamada Obmep Nível A, já estão abertas. Para participar, as secretarias municipais e estaduais precisam fazer a inscrição no site da Obmep até 10 de outubro. A participação é gratuita e a prova será aplicada em 30 de outubro. Medida contra o desinteresse Em entrevista à imprensa na manhã desta terça, Marcelo Viana, diretor-geral do Impa, afirmou que a ideia de estender a Obmep aos alunos do fundamental 1 é antiga e um dos objetivos é manter o interesse das crianças na disciplina. "Gradualmente, o interesse que a criança tem pela matemática quando é bem pequenininha vai sendo perdido ao longo dos anos. Acreditamos que a olimpíada tem a possiblidade de combater esse efeito e manter na criança aquele gosto natural pela matemática", afirmou Viana. Categorias da Obmep Até agora, a Obmep era aberta apenas para estudantes a partir do 6º ano do fundamental, até o último ano do ensino médio. Esses alunos são divididos em três níveis de competição, de acordo com o nível escolar: Nível 1: alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental 2 Nível 2: alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental 2 Nível 3: alunos do 1º, 2º ou 3º ano do ensino médio A partir deste ano, agora a Obmep também acontece no Nível A, voltado para o ensino fundamental 1. Mas, ao contrário das demais categorias, a Obmep Nível A só contará com uma fase e será aplicada exclusivamente em escolas públicas. O Impa ficará responsável pela elaboração das provas e do gabarito, e as secretarias farão a aplicação e correção das provas, que serão compostas de 20 questões objetivas com cinco alternativas cada uma. De acordo com o Impa, a decisão de aplicar a Obmep Nível A para todo o país foi tomada após um projeto-piloto testado no município de Nova Iguaçu (RJ), em 30 de agosto, com mais de 16 mil estudantes. "Foi uma experiência bem sucedida", afirmou Claudio Landim, diretor-adjunto do Impa. Calendário da Obmep Nível A Inscrições: 11 de setembro a 10 de outubro Provas: 30 de outubro

    Mulheres têm mais diplomas, mas menos empregos e salários menores, diz OCDE


    No Brasil, mulheres com diploma de ensino superior têm rendimento em média 35% inferior ao de seus pares homens. O número de mulheres que obtêm um diploma do ensino superior segue em alta e é maior que o de homens nos países da OCDE - mas elas...

    No Brasil, mulheres com diploma de ensino superior têm rendimento em média 35% inferior ao de seus pares homens. O número de mulheres que obtêm um diploma do ensino superior segue em alta e é maior que o de homens nos países da OCDE - mas elas continuam tendo uma participação menor no mercado de trabalho, segundo a organização. Fazem parte da OCDE 36 países, em sua maioria desenvolvidos – o Brasil não está entre eles. Mais da metade dos brasileiros não tem diploma do ensino médio, aponta OCDE Gasto do PIB em educação para de cair no Brasil, mas investimento por aluno segue estagnado, diz estudo da OCDE Segundo o estudo "Panorama da educação 2018", divulgado nesta terça-feira (11), em 2017 50% das mulheres entre 25 e 34 anos, entre esses países, possuíam um diploma universitário, contra 38% dos homens. Essa diferença, inclusive, vem aumentando, destaca a organização. Em 2007, 38% das mulheres tinham formação universitária, ante 30% dos homens. Apesar de liderar em formação, as mulheres seguem penalizadas no mercado de trabalho: a OCDE estima que 80% das diplomadas trabalhem, enquanto entre os homens esse percentual é de 89%. Além disso, essas mulheres ganham, em média, 26% menos que seus pares masculinos. Segundo o estudo, essa disparidade também pode ser resultado da maior probabilidade entre as mulheres de "passar por períodos de inatividade ou de desemprego, que podem retardar aumentos de salário". Brasil No Brasil, 20% das mulheres entre 25 e 34 anos tinham diploma de ensino superior em 2017, enquanto entre os homens esse percneutal era de 14%. A diferença também cresceu em relação a 2007, quando as taxas eram de 12% e 8% entre mulheres e homens, respectivamente. Por aqui, as mulheres também são penalizadas no mercado de trabalho: entre as que têm diploma superior, 83% estavam empregadas, enquanto entre os homens esse percentual era de 91%. A diferença salarial também se mostrou alta: em média, as mulheres com diploma superior tinham rendimento 35% inferior ao dos seus pares masculinos.
    Mais da metade dos brasileiros não tem diploma do ensino médio, aponta OCDE

    Mais da metade dos brasileiros não tem diploma do ensino médio, aponta OCDE


    Estudo divulgado nesta terça pela instituição mostra que 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio, desempenho que deixa o Brasil atrás de vizinhos como Argentina, Chile e Colômbia. Na comparação com o...


    Estudo divulgado nesta terça pela instituição mostra que 52% das pessoas com idade entre 25 e 64 anos não concluíram o ensino médio, desempenho que deixa o Brasil atrás de vizinhos como Argentina, Chile e Colômbia. Na comparação com o Brasil, Chile, Argentina e Colômbia têm mais adultos na faixa de 25 a 64 anos com diploma do ensino médio Heloise Hamada/G1 O Brasil é um dos países com o maior número de pessoas sem diploma do ensino médio: mais da metade dos adultos (52%) com idade entre 25 e 64 anos não atingiram esse nível de formação, segundo o estudo Um Olhar sobre a Educação, divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A organização, com sede em Paris, destaca que o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda. Estudo revela que metade dos adultos não concluiu o ensino médio No caso do Brasil, o país registra o segundo maior nível de desigualdade de renda entre os 46 países do estudo, ficando atrás apenas da Costa Rica. O índice de pessoas que não cursaram o ensino médio no Brasil representa mais do que o dobro da média da OCDE. Na Costa Rica e no México, o percentual é ainda maior que o do Brasil: 60% e 62%, respectivamente, os mais elevados do estudo. Gasto do PIB em educação para de cair no Brasil, mas investimento por aluno segue estagnado, diz estudo da OCDE Outros países latinoamericanos, contudo, têm melhor desempenho que o Brasil. Na Argentina, 39% dos adultos na faixa de 25 a 64 anos não concluíram o ensino médio, no Chile, o percentual é de 35% e, na Colômbia, de 46%. O estudo abrange as 36 economias da OCDE, a maioria desenvolvidas, e dez países parceiros da organização, como África do Sul, Argentina, China, Colômbia, Índia, Rússia e Brasil. "Na maioria dos países da OCDE, a ampla maioria dos jovens adultos, com idade entre 25 e 34, tem pelo menos a qualificação do ensino médio. Em poucas décadas, o ensino médio passou de um veículo de ascensão social ao mínimo exigido para a vida em uma sociedade moderna", afirma o relatório. Segundo a organização, os que deixam a escola antes de completar o ensino médio enfrentam não apenas dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também têm competências cognitivas - memória, habilidades motoras, atenção, entre outras - bem inferiores aos das pessoas que possuem essa formação. A organização também ressalta o número relativamente baixo de alunos com mais de 14 anos de idade inscritos em instituições de ensino no Brasil. Apenas 69% daqueles entre 15 e 19 anos e somente 29% dos jovens de 20 a 24 anos estão matriculados, de acordo com a OCDE. A média nos países da organização é, respectivamente, de 85% e 42%. Desigualdades regionais O Brasil enfrenta ainda "desigualdades regionais significativas" em relação ao ensino superior, diz o relatório. Miriam Leitão: governo gasta pouco no Ensino Médio No Distrito Federal, 33% dos jovens adultos chegam à universidade. No Maranhão, o estado com o menor PIB per capita, esse número é de apenas 8%. Essa disparidade regional entre alunos que conseguem atingir o ensino superior no Brasil "é, de longe, a maior na comparação com toda a OCDE e países parceiros", incluindo grandes países como os Estados Unidos e a Rússia, que também possuem várias áreas de diferentes tamanhos e populações. "Assegurar que as pessoas tenham oportunidade de atingir níveis adequados de educação é um desafio crítico. O acesso ao ensino superior vem crescendo no Brasil, mas ainda é uma das taxas mais baixas entre a OCDE e países parceiros, e está abaixo de todos os outros países da América Latina com dados disponíveis", ressalta o estudo, citando a Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e México. No Brasil, 17% dos jovens adultos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. Apesar da melhora, o desempenho ainda está cerca de 27 pontos percentuais abaixo da média da OCDE. "Para melhorar a transição entre o ensino e o mercado de trabalho, independentemente do cenário econômico, os sistemas de educação têm de se assegurar que as pessoas tenham as competências exigidas na vida profissional", diz a organização. Segundo a OCDE, apesar do Brasil investir uma fatia importante de seu PIB na Educação, os gastos por aluno, sobretudo no ensino básico, são baixos. O Brasil destina cerca de 5% do PIB à rubrica (dados de 2015), acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE, diz o relatório. O governo brasileiro gasta, porém, cerca de US$ 3,8 mil por estudante no ensino fundamental e médio, menos da metade dos países da OCDE. A despesa com os estudantes de instituições públicas, no entanto, é quatro vezes maior, US$ 14, 3 mil, pouco abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil. A diferença de gastos por estudante entre o ensino superior e o básico no Brasil é o maior entre todos os países da OCDE e economias parceiras analisadas no estudo da organização.

    Gasto do PIB em educação para de cair no Brasil, mas investimento por aluno segue estagnado, diz estudo da OCDE


    Dados do estudo 'Education at a Glance' foram divulgados nesta terça-feira (11) e mostram que o Brasil ainda gasta por aluno menos que a metade da média de países desenvolvidos. Miriam Leitão: governo gasta pouco no Ensino Médio Depois de quatro...

    Dados do estudo 'Education at a Glance' foram divulgados nesta terça-feira (11) e mostram que o Brasil ainda gasta por aluno menos que a metade da média de países desenvolvidos. Miriam Leitão: governo gasta pouco no Ensino Médio Depois de quatro quedas consecutivas, o Brasil conseguiu frear a redução da porcentagem do Produto Interno Bruto (PIB) investida na área de educação, do ensino fundamental ao superior. Porém, o valor gasto pelo governo para cada estudante segue estagnado há três anos no Brasil, e se mantém bem abaixo da média dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os dados são do estudo Education at a Glance ("Educação em revista", na tradução livre do inglês), divulgado nesta terça-feira (11). "O Brasil investe uma parte relativamente alta tanto de seu produto interno bruto (PIB) quanto do total de gastos públicos na educação. Porém, o gasto por aluno ainda está atrás da maior parte dos países parceiros e da OCDE", diz o relatório. Divulgado anualmente, o documento de 2018 analisa os sistema de educação de 36 países membros da OCDE, além de dez países parceiros, como o Brasil, a Argentina, a China, a Rússia e a África do Sul, entre outros. Estudo revela que metade dos adultos não concluiu o ensino médio Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira se referem ao ano de 2015, quando o Brasil atingiu a porcentagem de 5% do PIB investido à educação primária, secundária e terciária – o equivalente ao ensino fundamental 1 até o ensino superior. O valor é o mesmo que a média da OCDE e representa a primeira vez em quatro edições que o país conseguiu frear as quedas consecutivas, mas segue distante do valor registrado em 2011, quando 5,9% do PIB foi investido na educação. Além disso, em 2015 o Brasil dedicou 17,3% de todos os gastos públicos do governo à educação. Nesse quesito, o país ficou acima da média da OCDE, que foi de 11,1%. Gasto por aluno estagnado Apesar de investir mais do que outros países em termos absolutos, os dados da OCDE mostram, porém, que o Brasil ainda é um dos países que menos gasta por aluno. O país responde também por uma das redes públicas de ensino com mais alunos entre os países analisados. Considerando os níveis de ensino para crianças de 6 a 15 anos, o Brasil só perde para o México e a Turquia nesse quesito. O gráfico abaixo mostra os cinco primeiros, a média da OCDE e os cinco últimos colocados: Ensino fundamental Considerando cada nível de ensino, é possível ver que, no ensino fundamental 1 e 2, há três anos o valor gasto pelo governo brasileiro aos alunos da rede pública chegou a crescer entre 2011 e 2013, mas segue estagnado há três edições do estudo. Em 2015, o valor gasto no Brasil por aluno do ensino fundamental 1 e do fundamental 2 representavam 44% e 38% da média da OCDE, respectivamente: Ensino médio e superior Já no ensino médio, essa porcentagem só chegou a 39% em 2015, depois de duas edições seguidas de aumentos tímidos no gasto do Brasil por aluno. O ensino superior é o nível em que o Brasil mais se aproxima da média da OCDE em termos de investimento por aluno matriculado: Creche O investimento do Brasil na primeira infância, principalmente nas creches, tem crescido, segundo o relatório da OCDE. os dados mostram que, em 2015, o país chegou a investir 0,7% do seu PIB na área – em 2010, essa porcentagem era de 0,4%. A média da OCDE é de 0,8%. Em 2016, segundo a OCDE, 22% das crianças com menor de 3 anos frequentavam uma creche, um valor abaixo da média da OCDE, de 34%. Além disso, também nesse nível o Brasil é um dos que menos investe relativamente ao número de alunos. "O Brasil gasta cerca de 3.800 dólares por criança em instituições públicas de pré-primário, um dos nívels mais baixos entre os países membros e parceiros da OCDE", diz o estudo.
    Fies prorroga prazo de pré-seleção dos inscritos na lista de espera

    Fies prorroga prazo de pré-seleção dos inscritos na lista de espera


    Estudante que estiver na lista deve acessar o sistema e complementar a inscrição no prazo de cinco dias úteis para garantir contrato de financiamento. Estudantes terão cinco dias para complementar informações. Reprodução/MEC O prazo de...


    Estudante que estiver na lista deve acessar o sistema e complementar a inscrição no prazo de cinco dias úteis para garantir contrato de financiamento. Estudantes terão cinco dias para complementar informações. Reprodução/MEC O prazo de pré-seleção da lista de espera dos estudantes que se inscreveram no processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do segundo semestre de 2018 foi prorrogado para sexta-feira (14). O prazo se encerraria no domingo (9). Vagas do Fies com risco para bancos privados têm 0,34% de ocupação De acordo com o MEC, "os candidatos devem seguir consultando a página eletrônica do programa (http://fies.mec.gov.br) para verificar se aparecem entre os pré-selecionados. Quem estiver na lista deve acessar o Sistema Informatizado do Fies – FiesSeleção e complementar a inscrição no prazo de cinco dias úteis, a contar da divulgação do resultado no sistema. O prazo final se encerra às 23h59 do dia 14". O ministério ainda esclarece que, após concluir o procedimento no sistema, o candidato deverá validar as informações prestadas no ato de inscrição na Comissão Permanente de Supervisão e Acompanhamento (CPSA) da instituição de educação superior em até cinco dias. Novo Fies: veja respostas para 15 dúvidas sobre as mudanças no financiamento